PARÁBOLA DO SEMEADOR

 

 

Afluindo uma grande multidão e vindo ter com ele gente de todas as cidades, disse Jesus em parábola:

"Saiu o semeador para semear a sua semente. E quando semeava, uma parte caiu à beira do caminho; foi pisada, e as aves do Céu a comeram. Outra caiu sobre a pedra; e tendo crescido, secou, porque não havia umidade. Outra caiu no meio dos espinhos; e com ela cresceram os espinhos, e sufocaram-na. E outra caiu na boa terra, e, tendo crescido, deu fruto a cento por um. Dizendo isto clamou: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

Os seus discípulos perguntaram-lhe o que significava esta parábola. Respondeu-lhe Jesus: A vós vos é dado conhecer os mistérios do Reino de Deus, mas aos outros se lhes fala em parábolas, para que vendo não veja; e ouvindo não entendam".

(Mateus, XIII, 1-9 - Marcos, IV, 1-9 - Lucas, VIII, 4-15)

1 - CAIRBAL SCHUTEL

O sentido da parábola é este:

"A semente é a palavra de Deus. Os que estão à beira do caminho são os que têm ouvido; então vem o diabo e tira a palavra dos seus corações, para que não suceda que, crendo, sejam salvos. Os que estão sobre a pedra são os que, depois de ouvirem, recebem a palavra com gozo; estes não tem raiz e crêem por algum tempo, mas na hora da provação voltam atrás. A parte que caiu entre os espinhos, estes são os que ouviram, e, indo seu caminho, são sufocados pelos cuidados, riquezas e deleites da vida e o seu fruto não amadurece. E a que caiu na boa terra, estes são os que, tendo ouvido a palavra com coração reto e bom, a retêm e dão frutos com perseverança".

A Parábola do Semeador é a parábola das parábolas: sintetiza os caracteres predominantes em todas as almas, ao mesmo tempo que nos ensina a distinguí-las pela boa ou má vontade com que recebem as novas espirituais. Pelo enredo do discurso vemos aqueles que, em face da palavra de Deus, são "beiras de caminho" onde passam todas as idéias grandiosas como gentes nas estradas, sem gravarem menhuma delas; são "pedras" impenetráveis às novas idéias, aos conhecimentos liberais; são "espinhos" que sufocam o crescimento de todas as verdades, como essas plantas espinhosas que estiolam e matam os vegetais que tentam crescer nas suas proximidades.

Mas se assim acontece para o comum dos homens, como para a grande parte terra improdutiva, que faz parte de nosso mundo, também se distingue, dentre todos, uma plêiade de espíritos de boa vontade, que ouvem a palavra de Deus, põe-na por obra, e dessa semente bendita resulta tão grande produção que se pode contar a "cento por uma". De maneira que a "semente" é a palavra de Deus, a lei do amor que abrange a Religião e a Ciência, a Filosofia e a Moral, inclusive os "profetas" e resume no ditame cristão: "Adora a Deus e faze o bem até aos teus próprios inimigos".

A palavra de Deus, a "semente", é uma só, quer dizer, é sempre a mesma que tem sido apregoada em toda parte, desde que o homem se achou em condições de recebê-la. E se ela não atua com a mesma eficácia em todos, deriva esse fato da variedade e da desigualdade de Espíritos que existem na Terra; uns mais adiantados, outros mais atrasados; uns propensos ao bem, à caridade, à liberalidade, à fraternidade; outros propensos ao mal, ao egoísmo, ao orgulho, apegados aos bens terrenos, às diversões passageiras.

A terra que recebe as sementes, representa o estado intelectual e moral de cada um: "beira do caminho, pedregal, espinhal e terra boa". Acresce ainda que nem todos os pregoeiros da palavra a apregoam tal como ela é, em sua simplicidade e despida de formas enganosas. Uns revestem-na de tantos mistérios, de tantos dogmas, de tanta retórica, ornam-na com tantas flores que, embora a "palavra permaneça", fica obscurecida, enclausurada na forma, sem que se lhe possa ver o fundo, o âmago, a essência!

Muitos a pregam por interesse, como o "mercenário que semeia"; outros por vanglória, e , grande parte por egoísmo. Nestes casos não dissipam as trevas, mas aumenta-nas; não abrandam corações, mas endurecem-nos; não anunciam a palavra, mas dela fazem um instrumento para receber ouro ou glórias. Para pregar e ouvir a palavra, é preciso que não a rebaixemos, mas a coloquemos acima de nós mesmos; porque aquele que despreza a palavra, anunciando-a ou ouvindo-a, despreza o seu instituidor, e como disse ele: "Quem me despreza e não recebe as minhas palavras, tem quem o julgue; a palavra que falei, esta o julgará no último dia: Sermo, quem locutus sum, ille judicabit eum in novissimo dia". (João, XII, 48).

Que belíssimo quadro apresenta-se às nossas vistas, quando, animados pelo sentimento do bem e da nossa própria instrução espiritual, lemos, com atenção, a Parábola do Semeador! À nossa frente desdobra-se vasto campo, onde aparece a extraordinária figura do excelso semeador, o maior exemplificador do amor de todas as idades, e aquele monumental sermão ressoa aos nossos ouvidos, convidando-nos à prática das virtudes ativas, para o gozo das bem-aventuranças eternas!

O Espiritismo, Filosofia, Ciência, Religião, independente de todo e qualquer sectarismo, é a doutrina que melhor nos põe a par de todos esses ditames, porque, ao lado dos salutares ensinos, faz realçar a sobrevivência humana, base inamovível da crença real que aperfeiçoa, corrige e felicita! Que seus adeptos, compenetrados dos deveres que assumiram, semelhantes aos semeador, levem a todos os lares e plantem em todos os corações, a semente da fé que salva, erguendo bem alto essa luz do Evangelho, escondida sob o alqueire dos dogmas e dos falsos ensinos que tanto têm prejudicado a Humanidade!

Cairbar Schutel

2 - PAULO ALVES GODOY

Esta é pois a parábola: "A semente é a palavra de Deus". E os que estão junto do caminho, estes são os que ouvem, depois vem o diabo, e tira-lhes, do coração a palavra, para que se não salvem, crendo. E os que estão sobre pedras, estes são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria, mas como não tem raiz, apenas crêem por algum tempo, e no tempo da tentação se desviam.

E a que caiu entre espinhos, esses são os que ouviram, e, indo por diante, são sufocados com os cuidados, e riquezas e deleites da vida e não dão fruto com perfeição.

E a que caiu em boa terra, esses são os que ouvindo a palavra, a conservam num coração honesto e bom, e dão fruto com perseverança.

Há dois milênios, Jesus Cristo já pressentia os entraves que se deparariam, quando das semeaduras que seriam levadas a efeito no decurso dos séculos. Obtemperava, então, o Divino Semeador que nem todas as sementes germinariam de pronto, e em sua grande maioria feneceriam por falta de ambiente adequado.

Definindo a Parábola do Semeador, o Mestre deixou transparecer que uma parte das suas palavras e ensinos, simbolizados nas sementes generosas, cairiam à beira do caminho e seriam pisadas e comidas pelas aves. Enquadram-se aqui as criaturas que nao dão guarida à boa semente lançada pelos mentores do Alto, no decorrer de todas as épocas. Seres refratários à verdade e à prática do Bem, endurecidos, rebeldes, vingativos, reincidentes na prática do mal. Não encontrando ambiente nessas criaturas, sendo pisadas e espezinhadas, as sementes são facilmente subtraídas pelas entidades trevosas que, quais aves de rapina, estão sempre prontas no propósito ingrato de afastarem a centelha bendita dos corações humanos, semeando em seu lugar o joio daninho.

Outra parte das sementes caiu sobre as pedras, não encontrando, ali, qualquer possibilidade de penetração e sem os benefícios do humo do amor, também acabam perecendo. Incluem-se, aqui, aqueles que persistem na manutenção de um coração orgulhoso e empedernido, repelindo qualquer possibilidade de germinação das coisas de Deus, em seus Espíritos: são aqueles que se julgam os sábios e potentados da Terra; os que negam, ao ponto de repelirem coisas relevantes por causa das suas idéias pessoais; os personalistas que só concebem as coisas, quando emanadas da sua inteligência ou quando giram em torno da sua personalidade. São também aqueles que aceitam os ensinamentos em seus princípios, mas que, enfrentando os primeiros ventos adversos, passam a negar a misericórdia de Deus e a duvidar da Sua justiça.

A terceira parte das sementes caiu no meio do espinheiro, e, crescendo este último com maior rapidez, encobriu-as e sufocou-as. São os que ouvem os ensinamentos, entusiasmam-se, compenetram-se de que são eivados de verdade, no entanto, as conveniências sociais, as preocupações de ordem material e os preconceitos, crescem mais depressa, abafando as sementes no nascedouro. As vantagens que a vida física lhes oferece, anulam qualquer possibilidade de germinação da semente do amor ao próximo. São também as criaturas que animam-se de um entusiasmo transitório e que arrefece diante da muralha das tradições e das etiquetas.

A quarta e última das sementes caiu em terra boa, produzindo frutos a cem por um. Enquadram-se, aqui, aqueles que recebem os ensinamentos dos céus, e passam a observá-los de maneira a constituirem inestimável tesouro; praticam-os de modo a se traduzirem em bênçãos e virtudes; difundem-os de forma a representarem verdadeira fonte de água-viva, que ameniza toda a dor e estanca toda a lágrima, implantando em seu lugar a alegria e a esperança.

É lastimável se notar que a pródiga semeadura encetada por ocasião do desempenho do Messiado sublime de Jesus, e insuflada através de vinte séculos pelos Espíritos generosos do Senhor, até hoje não encontrou guarida nos corações humanos, apesar do Mestre ter afirmado que a semente é a palavra de Deus. Desta maneira, os Evangelhos aí estão qual imenso e inestinguível celeiro, repleto de generosas sementes que são cotidianamente lançadas aos quatro ventos pelos seareiros que o Mestre tem feito suscitar entre nós, sem que a esperada retribuição seja processada, senão em escala muito irrisória.

Desmonstrando às criaturas humanas que somente a prática das boas obras, simbolizada na semente que produz cem por um, será o meio mais eficiente para o soerguimento das nossas almas e o seu subseqüente encaminhamento para Deus, a Doutrina Espírita toma-se portentoso instrumento na preparação das almas para a assimilação das sementes do Bem. Pois, solucionando o intrincado problema do destino, da razão de ser e da dor, através das vidas sucessivas, e que dá aos homens uma compenetração mais séria das suas responsabilidades como Espíritos imortais, sem os prejuízos oriundos das falsas interpretações que acobertam os ensinamentos com coisas grotescas e obsoletas, que fazem os seres humanos enxergar sem ver, e ouvir sem entender.

O Espiritismo serve de barreira contra a prática do mal, definindo que as reencarnações dolorosas transmutarão, pela senda da dor e do aprendizado constante, os imprevidentes revoltosos de hoje, em úteis e devotados seareiros do porvir. O arado das vidas sucessivas fará com que o terreno pedregoso e cheio de espinheiro seja revolvido para que possa, também, acolher a boa semente e produzir frutos a cem por um.

Paulo Alves Godoy

3 - RODOLFO CALLIGARIS

A semente é a palavra de Deus.

A que cai à beira do caminho, são aqueles que a ouvem; mas, depois, vem o mau e tira a palavra de seus corações, para que não suceda que, crendo, sejam salvos.

A que cai no pedregulho, significa os que recebem com gosto a palavra, quando a ouvem; mas, não tendo raízes, em sobrevindo a tribulação e a perseguição por causa da palavra, logo se escandalizam e voltam atrás.

Quanto a que caiu entre espinhos, são os que ouvem a palavra; mas, os cuidados deste mundo, a ilusão das riquezas e as outras paiixões, a que dão entrada, afogam a palavra, e assim fica infrutuosa.

Mas a que caiu em boa terra, são os que, ouvindo a palavra com coração reto e bom, a retêm e dão fruto com perseverança." (Mat., 13:1-23; Mar., 4:1-20; Luc., 8:4-15).

Nesta interessante parábola, Jesus retrata magistralmente o feitio moral de cada um daqueles aos quais o Evangelho é anunciado.

Conforme a sua má ou boa vontade na aceitação da palavra de Deus, e a maneira como procedem após tê-la ouvido, os homens podem ser classificados como "beira de caminho", "pedregal", "espinheiro" ou "terra boa".

A primeira classificação refere-se aos inndiferentes, isto é, aos indivíduos ainda imaturos, não preparados para tal semeadura, indivíduos que se expressam mais pelo estômago e pelo sexo e cujos corações se mostram insensíveis a qualquer apelo de ordem mais elevada.

A segunda diz respeito a uma classe de pessoas de entusiasmo fácil, que, ao se lhes falar do Evangelho, aceitam-no prontamente, com júbilo; mas, não encontrando, dentro de si mesmas, forças suficientes para vencerem o comodismo, os vícios arraigados, os maus desejos, etc., sentem-se incapazes de empreender a reforma de seus hábitos, a melhora de seus sentimentos, e, se acontece surgirem incompreensões e dificuldades por causa da doutrina, então esfriam de uma vez, voltando, presto, ao ramerrão de vida que levavam.

Os da terceira espécie são aqueles que, embora já tenham tido "notícias" dos ensinaamentos evangélicos, e os admirem, e os louvem até, sentem-se, todavia, demasiadamente presos às coisas materiais, que consideram mais importantes que a formação de uma consciência espiritual. O medo do futuro, a luta pela conquista de garantias pessoais, vantagens e luxuosidades, sufocam, no nascedouro, os sentimentos altruísticos ou qualquer movimento de alma que implique a renúncia aos seus queridos tesouros terrestres.

Os definidos por último personificam os adeptos sinceros, nos quais as lições do Mestre Divino encontram magníficas condições de receptividade. Abraçam o ideal cristão de corpo e alma, e se esforçam no sentido de pô-lo em prática. Embora sofram tropeços e fracassem algumas vezes, perseveram, animosos, resultando de seu trabalho abençoados frutos de benemerência e de amor ao próximo."Quem tenha ouvidos de ouvir, ouça."

Rodolfo Calligaris

4 - ANTONIO MATTE NOROEFÉ

A PARÁBOLA DO SEMEADOR

"NAQUELE MESMO DIA, SAINDO JESUS DE CASA, ASSENTOU-SE À BEIRA- MAR; E GRANDES MULTIDÕES SE REUNIRAM PERTO DELE, DE MODO QUE ENTROU NUM BARCO E SE ASSENTOU; E TODA A MULTIDÃO ESTAVA DE PÉ NA PRAIA. E DE MUITAS COUSAS LHE FALOU POR PARÁBOLAS E DIZIA: EIS QUE O SEMEADOR SAIU A SEMEAR, E, AO SEMEAR, UMA PARTE CAIU À BEIRA DO CAMINHO, E, VINDO AS AVES A COMERAM, OUTRA PARTE CAIU EM SOLO ROCHOSO ONDE A TERRA ERA POUCA, E LOGO NASCEU, VISTO NÃO SER PROFUNDA A TERRA. SAINDO, PORÉM O SOL, A QUEIMOU: E PORQUE NÃO TINHA RAIZ, SECOU-SE. OUTRA CAIU ENTRE OS ESPINHOS, E OS ESPINHOS CRESCERAM E A SUFOCARAM. OUTRA, ENFIM, CAIU EM BOA TERRA, E DEU FRUTO: A CEM, A SESSENTA E A TRINTA POR UM. QUEM TEM OUVIDOS (PARA OUVIR), OUÇA". MATEUS - Cap. 13 -vers.de 1 a 9.
*

Meu jovem amigo: Após ouvirmos esta belíssima parábola do Divino Senhor, façamos uma reflexão: vamos procurar ser, em nossa vida diária, como o semeador da parábola, isto é, semearmos as boas palavras, os bons pensamentos, as boas ações ... Não importa que nossos atos, pensamentos e palavras não encontrem a receptividade que esperávamos por parte das pessoas. Não importa. Continuemos a boa semeadura. Há pessoas que são semelhantes às sementes que Jesus referiu-se na parábola: umas parecem desanimadas e por isso ficam à beira do caminho e vêm as dificuldades e as abatem; outras, são como as rochas - frias, insensíveis, estéreis (que nada produzem). Outras ainda, parecem espinhos - sempre prontas para agredir com palavras, atos e pensamentos. Entretanto, muitas e muitas pessoas, a maioria, na verdade, são como o solo fértil e dadivoso - estão sempre produzindo algo de bom para o Bem de todos.
Que possamos ser, querido amiguinho, semelhante ao semeador incansável, e também, como o solo fértil, dadivoso e bom, pautando nosso viver pelos ensinamentos e exemplos que nos deu nosso Divino Mestre, Nosso Senhor Jesus-Cristo.

VOCABULÁRIO:

Dadivoso - Quem gosta de dar.
Estéreis - Que não produz frutos. Improdutivo.
Pautando - Seguir linha reta e paralela. No caso do texto, proceder
corretamente. Receptividade - Ato ou efeito de receber.
Reflexão - Ato ou efeito de refletir. Atividade do espírito que reflete, que examina e compara os pensamentos

FRANCISCO VALDOMIRO LORENZ

5 - PARÁBOLA DO SEMEADOR - Therezinha de Oliveira

Esta foi a primeira parábola da série contada por Jesus.

Um semeador saiu a semear.
E, semeando, parte das sementes
caiu ao longo do caminho;
os pássaros vieram e a comeram.
Outra parte caiu em solo pedregoso, onde não havia muita terra e nasceu logo, porque a terra era pouco profunda.
Logo, porém, que o sol nasceu, queimou-se, por falta de raízes.
Outras sementes caíram entre os espinhos; os espinhos cresceram e as sufocaram.
Outras, enfim, caíram em boa terra; deram frutos a cem por um, sessenta por um e trinta por um.

A pedido dos doze apóstolos, que o interrogaram em particular (Marcos 4:10), o próprio Jesus elucidou o lentido desta parábola.

A semente

É a palavra do reino, a ideia contida na palavra, a mensagem sobre as coisas espirituais.

O semeador

Evidentemente, era Jesus, o verbo encarnado, que veio ao mundo colocar em palavras a ideia espiritual, verbalizar a mensagem da verdade e do amor.

O solo

É o campo mental dos que ouvem a mensagem. Solo que difere muito, conforme a mente da pessoa seja mais ou menos receptiva à ideia semeada.

Beira de caminho

Terreno batido, duro, onde a semente não penetra, são os que ouvem a palavra do reino mas não a entendem. Mentes áridas, endurecidas, não preparadas para as coisas espirituais, se ouvem a mensagem, o fazem sem interesse, sem maior atenção. A mensagem lhes fica na superfície e os pássaros comem.

Os pássaros

Nesses elementos que surgem do ar e comem as sementes, podemos ver simbolizada a ação dos espíritos adversários do bem: quando a mente da pessoa não chega a absorver a mensagem divina, eles fazem a ideia "sumir", tiram-na completamente do campo de atenção da pessoa, sem que a idéia sublime seja recebida e aplicada nenhum ato bom vem a ser produzido.

Terra boa.

Solo fértil, produtivo, são os que ouvem a palavra e a recebem, frutificando, ou seja, compreendem bem e agem de acordo. Os resultados das terras boas, das men¬tes verdadeiramente receptivas à mensagem espiritual, podem variar, pois cada ideia assimilada poderá ser reproduzida em cem, sessenta ou trinta atos bons. O imprescindível é render de acordo com o que se enten¬deu.

Tendo ouvido a parábola, indaguemo-nos: Que tipo de solo estou sendo? Minha alma, minha mente está limpa e receptiva para o que é transcendente? Quando leio, ouço ou dialogo sobre coisas espirituais, fico atento, interessado? E, quando entendo, procuro aprofundar minha compreensão, estudando e meditando? Procuro colocar em prática o ensinamento evangélico, produzindo atos dignos e bondosos?

Nisto é glorificado meu Pai em que deis muito fruto; e assim vos tornareis meus discípulos. (João 15:8)

Pedregoso

Aquele solo entre as pedras, onde a semente nasce logo, são as pessoas que ouvem a mensagem e a recebem com entusiasmo. Essa mente tem alguma terra, a minha condição espiritual, mas é pouca, não dá para maior aprofundamento da mensagem, não há disposição de embasar pelo estudo o conhecimento recebido. Por isso, se vem o sol, a planta se queima, ou seja, se surgirem dificuldades por causa do ideal espiritual desanimam, desistem, abandonam.

Espinheiro

São os que ouvem e podem entender a mensagem. Mente que tem terra é capaz de, recebendo uma ideia, produzir alguma coisa. Até já acolheu uma semente e produziu, mas de que tipo? Espinhos! Diz Jesus que são os cuidados do mundo, a sedução das riquezas. Crescem e sufocam a sementeira espiritual, porque ocupam de tal modo a mente e a vida da pessoa que a impedem de produzir conforme a boa mensagem que recebera e havia entendido.

THEREZINHA OLIVEIRA

TIPOS DE SOLO

6 - Tipos de Solo

Mateus, 13:1-9 Marcos, 4:1-9 Lucas, 8:4-8

E o semeador saiu a semear.

Uma parte das sementes caiu à beira do caminho, e vieram as aves do céu e as comeram, e outras foram pisadas pelos homens.

Outras caíram em lugares pedregosos, onde não havia muita terra nem umidade. Logo as sementes germinaram porque a terra não era profunda, mas, ao surgir o sol, queimaram-se e, porque não tinham raiz, secaram.

Outras caíram entre os espinhos; e os espinhos cresceram e as sufocaram, e não deram fruto algum.

Outras, finalmente, caíram em terra boa, fértil e, brotando, cresceram e produziram frutos. Algumas produziram trinta, outras sessenta e outras cem por um.

Temos aqui a famosa Parábola do Semeador, a primeira contada por Jesus, dentre dezenas.

A semente é a Palavra de Deus, representada por seus ensinamentos.

O que o pai Celeste espera de nós?

Segundo Jesus, que nos amemos uns aos outros; que façamos ao próximo o bem que almejamos; que estejamos dispostos ao sacrifício dos interesses pessoais em favor do bem comum.

O solo onde caem as sementes divinas é o coração humano.

***

Há a turma da "beira".

E o pessoal do lado de fora, alheio à palavra.

Seus representantes comparecem, eventualmente, à atividade religiosa motivados por variados problemas, de ordem física e emocional.

Procuram o hospital.

Sua intenção é meramente receber benefícios. Escasso interesse quanto às palestras e orientações.

A atenção fica difícil, sucedem-se os bocejos; as pálpebras pesam; cerram-se os olhos...

Dizem:

- E para melhor concentração. Só se for em Morfeu, o deus do sono. Quando fechamos os olhos, não há atenção que se segure. A
própria voz dos expositores vira cantiga de ninar.

- Dorme o corpo, mas a alma está atenta - justifica alguém.

Equivoca-se. E a alma desatenta que faz o corpo adormecer.

Por isso a cabeça vai se inclinando lentamente, e só não cai porque está presa no pescoço.

Há quem reclame do obsessor, a atuar para que não preste atenção, não aprenda como livrar-se de sua influência.

Pobres obsessores! Têm costas largas! Difícil imaginá-los ao nosso lado, numa reunião doutrinária, exercitando suas artes. E onde fica a proteção dos benfeitores espirituais, vedando seu acesso ao recinto da reunião?

Estariam a vibrar do lado de fora?

Complicado imaginá-los concentrados, alhures, a sintonizar com suas vítimas, sugerindo-lhes dormirem sentadas.

E as barreiras vibratórias de proteção, não funcionam?

Com raras exceções, o problema é de desatenção, filha dileta do desinteresse.

As igrejas tradicionais resolvem esse problema com o senta-levanta do culto, em momentos específicos, envolvendo rezas. Difícil dormir.

No culto evangélico há os hinos. Quando o pastor percebe que os fiéis estão prestes a pregar os olhos, logo os convida à cantoria. Soltar a voz é uma boa maneira de afugentar o sono.

Não obstante, por mais sofisticados sejam os recursos para mantê-los atentos, o aproveitamento dos nossos irmãos da "beira" será sempre precário, principalmente em relação à Doutrina Espírita, apelo à razão, que exige atenção e disposição para assimilar seus conceitos renovadores.

***

Há a turma das "pedras".

Ouvem a palavra e a recebem com alegria.

Assimilam algo, mas não estão dispostos a enfrentar os dissabores da adesão.

O sol abrasador dos preconceitos e das discrimi¬nações torra facilmente as frágeis raízes de sua fé.

Acontecia com o Espiritismo no passado.

Falava-se que os espíritas eram adoradores do demo. As pessoas recusavam-se a passar em frente ao Centro. Na própria família havia problemas. Raros resistiam.

Ainda hoje temos simpatizantes que não se integram para evitar problemas com o cônjuge, renunciando a um dos dons mais preciosos da existência - a liberdade de consciência, o direito de exercitar nossos ideais e convicções.

Conheço senhoras que não frequentam nenhum Centro, embora amem a Doutrina Espírita, para não contrariar o marido. Isso porque ele se julga investido do direito de decidir quanto à crença da cara-metade.

Como pode funcionar bem um casamento em que um dos cônjuges interfere nas convicções religiosas do outro?

Frágeis as sementes de nossa fé, quando permitimos que isso aconteça.

A propósito, sempre recomendo aos jovens compromissados com alguém de outra religião:

- Cogitem de como será a vida conjugal. A fre¬quência às reuniões, a participação nas atividades sociais, a iniciação dos filhos... Conversem exaustivamente, descendo aos detalhes. Depois, ponham tudo no papel, com firma reconhecida e testemunhas!

Afora o aspecto humorístico, os acertos são funda¬mentais, a fim de evitarem-se problemas futuros.

Como ensina o velho aforismo, o que é tratado não é caro.

***

Há a turma dos "espinhos". Aceitam a palavra, mas as seduções do mundo a sufocam.

Com a ampla visão das realidades espirituais que a Doutrina Espírita nos oferece, ficam encantados, mas... Conversei, certa feita, com um simpatizante:

- O Espiritismo é bênção de Deus. Amo seus prin¬cípios, a ação espírita no campo social, o exercício da caridade. Gostaria de participar, mas não me sinto preparado. Sou fumante inveterado e abuso dos aperitivos. Como comerciante, nem sempre me comporto com lisura e reconheço ter génio difícil.

O Espiritismo deitou boas raízes nele, mas as fraquezas, espinhos danosos que não quer eliminar, falam mais alto.

Outro dizia:

- Reconheço-me despreparado para a Doutrina, mas não me preocupo. Temos a eternidade pela frente.

Pobre tolo! Ignora a recomendação de Jesus (João, 12:35):

Andai enquanto tendes luz.

Imperioso aproveitar as oportunidades de edificação da jornada humana. É para isso que estamos aqui.
Amanhã, poderá nos faltar a luz, a lucidez, a saúde, o vigor físico, a possibilidade de mudar, e penoso será o futuro se não o fizermos.

***

E há a turma do "solo fértil".

As pessoas que, ao primeiro contato com a palavra, sentem um frémito de emoção, algo que toca o mais íntimo do ser, como se sua vida estivesse, até então, em compasso de espera. Ah! maravilhoso despertar, que ilumina seus caminhos!

Logo "arregaçam as mangas" e tornam-se multi¬plicadores de sementes, produzindo trinta, sessenta ou cem por um, segundo suas possibilidades, mas sempre estendendo o Bem ao redor de seus passos para que o Reino se estenda pelo Mundo.

***

Dúvidas ponderáveis:

Por que, se somos todos filhos de Deus, há vários tipos de solo?

Por que muitos não se sensibilizam?

Por que há os que se sensibilizam, mas permanecem distantes, preocupados com opiniões alheias?

Por que há os que se aproximam, mas não estão dispostos a se envolver?

Por que, enfim, há os que se envolvem?

Por que, dentre eles, há os que produzem pouco e os que produzem muito?

Que fatores determinam reações tão díspares?

Se a palavra é para todos, por que não somos todos dadivosos?

A teologia medieval situava a turma do "solo fértil" como indivíduos escolhidos por Deus para a santidade, mas isso só complica a questão, configurando inconcebível injustiça.

Por que Deus escolheu o meu irmão ou o meu vizinho ou o meu adversário? Por que não eu?

Só a reencarnação pode explicar essa diversidade de solos.

A natureza de nosso envolvimento com os valores do Evangelho e o que produzimos condiciona-se à matu¬ridade.

O servidor do Evangelho já nasce feito, não por mera graça divina, mas como o resultado de suas experiências anteriores.

Veio da "beira" para o "solo dadivoso", com trânsito pelos "espinhos" e as "pedras".

***

Será que podemos, já na presente existência, entrar para a turma especial do "solo dadivoso"? Sem dúvida!

Podemos e devemos fazer isso. Para isso estamos aqui! Depende de nossa iniciativa! E preciso tão-somente usar a enxada da vontade, revolver a terra da indiferença e aplicar o adubo do
trabalho, preparando o solo do coração para as sementes do Evangelho.

Então, gloriosa será a nossa passagem pela Terra, com frutos dadivosos em favor do próximo e abençoada edificação para nós.

Richard Simonetti