CIÊNCIAS EDUCACIONAIS

I - METODOLOGIA DO ENSINO

1) Como elaborar um mínimo curricular que não sobrecarregue a criança ou o adolescente de conteúdos supérfluos, mas também, não os deixe despreparados para os desafios que deverão enfrentar durante sua vida?

Toda aprendizagem é criativa e enriquecedora. O supérfluo de hoje pode tornar-se de vital importância mais tarde. Como a infância e a adolescência são os períodos mais propícios para a aprendizagem, nessa época se devem infundir lições que permaneçam como rota de segurança para toda a existência do ser. Não obstante, a Educação deve ter em mira equipar o candidato com recursos hábeis para enfrentar desafios, solucioná-los da melhor forma possível adquirindo estabilidade emocional e intelectual sem olvido, por certo, dos valores morais que devem ser insculpidos no indivíduo em formação, mediante roteiros culturais e exemplos morais.

Nesse capítulo, a formação inicial deve ser tão abrangente quanto possível a fim de facultar o melhor desabrochar das aptidões individuais que, a partir de então, deverão seguir um currículo orientado para as suas possibilidades, sem esquecimento, sem dúvida, de que a especialização exagerada, se qualifica o indivíduo para as profissões, também o limita, quase o robotizando.

O homem faz parte integrante do Universo, e quanto mais se informe a seu respeito, melhor se torna a convivência consigo mesmo, com o seu próximo e com a Natureza.

Proporcionar um currículo aprazível, acessível e fascinante, não significará apenas reduzir atividades e pesquisas, tomando-o sem sentido, como se fora uma simples distração, mas aprimorar-lhe a qualidade sem prejuízo dos valores da educação.

É indispensável a moderação nos excessos - as exageradas cargas de trabalho que fatigam e aborrecem o educando, que as atende sob injunções de ameaças punitivas - e a presença de exercícios, que tornam a aprendizagem agradável, rica de compromissos e sem necessidade de cuidados perturbadores.

2) O ensino formal como vem sendo trabalhado nas Escolas, visto com a amplitude que a visão espiritual permite, está conseguindo preparar seres para assumirem suas responsabilidades na vida terrena ou está confundindo seus Espíritos pelo excesso de matérias teóricas, desvinculadas das reais necessidades? E sob o aspecto espiritual, de preparação para a Espiritualidade como poderíamos analisar a Escola?

Merece consideremos que este é um período de experiências culturais imediatistas, hedonistas, com forte suporte materialista. Embora muitos segmentos da Educação se apresentem com aparência de fundamentos espirituais, o comportamento da maioria dos educadores é, lamentavelmente, oportunista, face às pressões sócio-econômicas, sociopolíticas e à ânsia mal contida de libertação dos velhos cânones religiosos, cujos efeitos morais e sociais foram danosos no passado e o são também no presente.

Periodicamente, têm havido revoluções educacionais que pretendem libertar as doutrinas do pensamento cultural facultando-lhes o direito de vida própria, sem vínculos com quaisquer facções ou grupos religiosos, o que é certamente saudável. A religião deve ser aprendida no lar e no templo da sua confissão de fé correspondente. Sob todos os aspectos que se pretenda considerar, a Escola deve ser leiga, livre de peias e imposições seitistas, partidaristas, a fim de facultar uma livre e feliz escolha por parte dos seus integrantes. No entanto, o excesso, na área dos programas teóricos, tem prejudicado a aprendizagem real, porque faculta ao aluno somente acompanhar o curso para conseguir a promoção, desinteressando-se totalmente do seu conteúdo informativo, que ele acredita jamais necessitar no futuro. Quando a lição não se torna prática, vívida, perde totalmente o significado e passa a pesar na economia do currículo de forma prejudicial à escolaridade. Essas imposições ainda são resultados de atavismos punitivos por parte de educadores e orientadores de programas que não se libertaram dos condicionamentos escravizadores para as mentes juvenis.

A Escola, sendo um fiel núcleo para a formação do caráter, da mente e do sentimento do educando, deve tornar-se cada vez mais nobre: um templo para o saber, uma oficina para experiências culturais e vivenciais, um lar de intercâmbio de informações e de conteúdos comportamentais de modo que a sociedade ali esteja representada, facultando preparação para os cometimentos externos, na família, no grupo, na comunidade em geral, do que decorrerá indiretamente, sem vinculação doutrinária, uma base de segurança para a educação integral que abrange, naturalmente, a do ser na sua condição de Espírito imortal.

3) Como podemos combinar a Educação formal, sistemática, preestabelecida e as práticas alternativas? É possível essa conciliação?

O processo da educação deve sustentar-se em bases dinâmicas, jamais estacionando no já feito, embora os resultados proveitosos conseguidos. Os mecanismos da educação devem estar sempre receptivos às novas contribuições do conhecimento, de forma a evoluir e penetrar mais profundamente nas raízes das necessidades dos educandos.

A medida que as experiências demonstrem a necessidade de novos métodos compatíveis com a Psicologia da aprendizagem, para a criança e o jovem, novas grades de experiências edificantes devem ser propostas, sem que se entre em choque com as técnicas convencionais. Sempre será possível a conciliação dos métodos denominados acadêmicos com os alternativos que trazem uma contribuição nova e, no futuro, se transformarão em científicos, ao serem definidos os seus paradigmas e conceitos.

4) Que modelo ético-educacional formará cidadãos prontos para legitimar o sem número de regras existentes nas sociedades atuais, de tal forma que o sentimento de medo pela punição seja substituído pela vergonha da transgressão de suas regras, sem necessidade de controle extremo?

Quando o amor fizer parte da programação de quaisquer atividades humanas, abrindo espaço para o respeito pelo próximo e por si mesmo, naturalmente dentro da consideração e afetividade a Deus, na Sua condição de Criador do Universo, o modelo educacional, sem vinculação religiosa com qualquer doutrina, demonstrará que as regras existentes na sociedade são necessárias transitoriamente, já que o processo de evolução é inevitável e cada povo se desenvolve com características mui próprias, todos porém, crescendo em um período tecnologicamente, noutro moralmente, até o momento em que esses dois braços do progresso real se ampliem concomitantemente, sem as presenças do monstro da guerra, da escravidão sócio-econômica do homem, ou qualquer outro tipo de discriminação.

Trabalhando-se a consciência individual do educando - sem lavagem cerebral- cria-se uma consciência coletiva e, quando essa primeira é nobre, sem dúvida a que lhe segue é igualmente digna.

O ser, consciente das suas responsabilidades, elimina os monstros do medo, da punição, da culpa, acabando por conduzir harmonia mental e elevado conceito de deveres para com ele próprio, para com o seu próximo, para com a sociedade, assim legitimando as regras estabelecidas e fundamentadas em princípios éticos relevantes.

5) Entendendo-se que o homem é um ser que possui corpo físico, corpo emocional e corpo mental, como a Educação poderia alinhar esses corpos e não os dispersar como tem feito?

Quando a Educação for menos preconceituosa e forem incluídos nos seus programas os estudos a respeito do homem integral facultando as pesquisas em torno do ser transpessoal, das Doutrinas Parapsíquicas, da Parapsicologia, da Psicotrônica, da Psicobiofísica, da Transcomunicação lnstrumental, conforme fizeram Allan Kardec, William Crookes, César Lombroso, Ernesto Bozzano, Alexandre Aksakof, no passado e, no presente os Drs. Joseph e Louise Rhine, Elisabeth Kübbler-Ross, Hamendra Nat Banerjee, lan Stevenson e inumeráveis autoridades, o ser humano passará a ser considerado como Espírito, Perispírito e corpo físico, ou conforme a linguagem parapsicológica: Energia pensante, Psicossoma e Soma.

A Escola será, ao mesmo tempo, laboratório de pesquisa da alma, sem qualquer conotação religiosa, a fim de ser melhor entendida a vida na sua profundidade e realidade legítima, permanente.

Assim sendo, a Educação poderá alinhar esses elementos constitutivos do ser, estudá-los e oferecer orientações para uma vida consentânea com a proposta imortalista do indivíduo que se transfere de corpo e é sempre Espírito indestrutível.

6) Como educar para a vida e não somente para o mercado de trabalho?

A metodologia da Educação deve revestir-se de profundidade psicológica para enriquecer o educando com experiências aplicáveis no cotidiano, assim desenvolvendo-lhe a capacidade de viverem quaisquer situações, sem a visão triunfante na glória, nem a aceitação pessimista na dificuldade ou no prejuízo. A vida é uma realidade desafiadora em qualquer circunstância e a função da Educação é ampliá-la, tornando-a acessível e realizadora.

Os estímulos para a aprendizagem devem permanecer após os currículos escolares, desde que a vida é a grande e nobre Escola permanente a ser conquistada.

Educar, pois, é facultar vida, enriquecê-la de luz e plenitude.

7) Existe um modelo educacional próprio através do qual alcançaremos com melhores resultados os principais objetivos da Educação, ou seja, a formação do homem integral, visando sua integração social e evolução espiritual?

Evidentemente avançamos para uma proposta educacional que ofereça excelentes resultados na preparação do educando para lograr uma formação integral. Felizmente, já se pensa em estabelecer, na área da programação escolar, a introdução de disciplinas transversais, que objetivam a inclusão de doutrinas éticas, sociais, comportamentais, oferecendo uma visão espiritual do ser compatível com o pensamento religioso de todos os credos: Deus, imortalidade, elevação de pensamento.

Um modelo educacional que construa um homem integral é elaborado mediante a visão espiritual, graças à qual se ministram informações gerais, convencionais, mas também se vivem as mesmas no cotidiano das salas de aula, tomando-se o educador um verdadeiro exemplo daquilo que transmite.

8) A obrigatoriedade da Educação formal é o meio mais eficaz de preparar o indivíduo para a sociedade?

No processo da evolução da Escola e da Educação, chega-se a uma etapa das mais importantes para a formação dos indivíduos, que é através do ensino formal, convencional.

A orientação do Estado na educação dos cidadãos remonta à cultura grega, particularmente a Creta, que deu início, no ocidente, à formação de Escolas com essa finalidade. Mais tarde, Roma, no período de Adriano, estabeleceria as vantagens e proporcionaria os meios para esse desiderato. Através dos tempos, educadores, e, mais recentemente, fisiologistas e psicólogos contribuíram valiosamente para que se estabelecessem com segurança as bases da educação formal, como instrumento de transmissão da cultura e da construção da personalidade e do caráter do educando.

9) Só a Educação poderá reformar os homens (O Livro dos Espíritos, questão 796). Como integrar a Educação familiar e a escolar, isto é, como aproveitar as atuações de ambas as Instituições para que possam contribuir na formação e ascensão intelectual, religiosa e moral do educando?

Esse conceito que Allan Kardec transcreve dos Espíritos é muito expressivo, porém, o Codificador esclareceu antes que será a educação moral que se encarregará de desenvolver os valores pertinentes ao ser humano, e completa: Não nos referimos porém à educação moral pelos livros e sim à que consiste na arte de formar os caracteres, à que incute hábitos, porquanto a educação é o conjunto dos hábitos adquiridos. Logo depois conclui, o mestre de Lyon: A desordem e a imprevidência são duas chagas que só uma educação bem entendida pode curar. Esse o ponto de partida, o elemento real do bem-estar; o penhor da segurança de todos. (O Livro dos Espíritos, questão 685, 29ª edição da FEB.)

Na família são formados os caracteres, são incutidos os hábitos saudáveis no educando, auxiliando-o com o conhecimento escolar a superar a desordem e a imprevidência, em favor da segurança de todos.

II - PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

10) Quando o modelo pedagógico/tecnológico se propõe a formar indivíduos inteligentes, autônomos, criativos, críticos e agressivamente ambiciosos, enfim, vencedores, não estará esquecendo que o mundo necessita de seres efetuosos, cordiais, tolerantes, condescendentes, enfim, humanos?

Sem qualquer dúvida. A meta essencial da Educação é dar vida. Antes se acreditava que a sua tarefa era preparar para a vida. Hoje, face à sua importância no mundo, ela é uma forma eficiente de dar vida. Desse modo, a harmonia entre a Tecnologia e a Pedagogia vigentes, deverá ter como proposta ideal construir o ser inteligente, livre, rico de criatividade e de outros valores, como a sensibilidade e o afeto, aprofundando, porém, as suas sondas nas estruturas da personalidade do educando, compreendendo a sua história de Espírito que vem transitando por multifárias reencarnações, e que nem tudo quanto se pode esperar dele terá que ser, necessariamente, conseguido. Abre-se, então, um elenco de valiosas contribuições para as doutrinas profissionalizantes, que manterão o alto nível moral e cultural do indivíduo, equipando-o também para viver em outras áreas de realização humana. A grande preocupação, na área da educação, deve ser a de preservar os valores humanos com todos os recursos que constituem a criatura dignificada e dignificadora.

11) Como oferecer à criança e ao jovem condições educacionais para o surgimento do pensamento criativo, verdadeiro, novo?

Os fenômenos renovadores do pensamento ocorrem quando os Espíritos Missionários volvem à Terra, a fim de promoverem o progresso da sociedade. Naturalmente se lhes fazem necessários recursos que facultem o desenvolvimento dos programas que devem desenvolver e, nesse como em outros capítulos, a Escola é sempre o admirável laboratório que lhes faculta o despertamento dos valores adormecidos momentaneamente.

No caso em tela, a Escola deverá ser franca e portadora de recursos que desenvolvam o sentimento do bom, do nobre e do belo, ao mesmo tempo adaptando-se às épocas de renovação, para que não fique estacionada nas bases ancestrais, que serviram para uma época, não mais se adaptando aos tempos novos. Essas condições educacionais serão resultado da observação do comportamento intelecto-moral dos alunos, das suas possibilidades a serem ampliadas e mediante técnicas compatíveis com os valores vigentes, abrindo espaços para as realizações futuras.

A Escola deve estar aberta a novos experimentos educacionais, sempre que seja necessário atualizar métodos de ensino, renovar processos iluminativos, criar oportunidades de crescimento.

O futuro da Humanidade caminha com os pés do presente idealista e a Escola não se pode marginalizar, de modo a ficar ultrapassada,

12) Como desenvolver a autoconfiança na criança e no adolescente, uma vez que, em quase tudo, espelha-se um na vida do outro?

O estímulo é a base para qualquer ação. Muitos crimes servem de modelo a personalidades psicopatas, que desejam projeção e, ante a divulgação pela mídia sobre os acontecimentos funestos, sentem-se emulados a seguirem o exemplo nefasto. Da mesma forma, quando forem divulgados os resultados dos labores edificantes com entusiasmo: quando os homens nobres receberem o apoio de que necessitam para o prosseguimento dos seus projetos: quando houver propaganda dos valores que engrandecem. O gênero humano em detrimento dos escândalos, dos jogos sexuais explícitos, da exaltação da violência e do crime, o educando desenvolverá naturalmente autoconfiança nas suas possibilidades, sentindo-se estimulado a imitar os triunfadores, os gênios, os sábios, os realizadores, qual ocorre hoje, quando há uma forte tendência para copiar a frivolidade dourada, as profissões esdrúxulas e aberrantes, que passam como expressão de Arte e atraem mentes ainda não desenvolvidas, crianças e jovens desequipados de valores para as excentricidades da moda moral em decadência sob o aplauso da insensatez e da vulgaridade.

De alguma forma, a Escola não é somente o lugar onde se aplicam os métodos pedagógicos e psicológicos da educação, mas também de todo o relacionamento social de todas as atividades que se expressam na comunidade e se tornam fundamentais para a vida.

l3)A tecnologia, fator de aceleração do processo educativo, não acabará por colocar em risco o equilíbrio desejável e harmnioso entre o intelectual e o afetivo?

A contribuição dos recursos tecnológicos na área da Educação é de fundamental importância para o desenvolvimento da mesma. No entanto, como se trabalha com vidas que pensam e sentem, não se pode robotizá-las, automatizando os valiosos contributos da metodologia e da pedagogia. Assim, é imprescindível a vigilância, para que o auxílio que se pode auferir das conquistas tecnológicas não mate o sentimento, o companheirismo, o respeito humano no desenvolvimento do programa educacional.

a) Que atividades poderiam ser oferecidas ao educando para que o mesmo não fosse só estimulado intelectualmente?

A verdadeira educação saiu do contexto de transmitir conhecimentos para tornar-se fonte de vida, Intelecto e emoção, conhecimento e sentimento andam unidos no processo educacional.

Seria viável que, nos curriculos escolares fossem estabelecidas visitas a Hospitais, Lares de crianças e de idosos, Clínicas de Saúde Mental e de Enfermidades degenerativas - câncer, AIDS, sífilis e outras - a fim de serem explicados os fenômenos aflitivos da existência corporal e a necessidade da solidariedade para com todos aqueles que padecem qualquer tipo de limite, de dor, de carência, tendo-se em vista, naturalmente, a faixa etária do educando, bem como as suas possibilidades de entendimento das ocorrências.

Iniciar-se-iam os programas pelos métodos teóricos, partindo-se, depois, para as experiências práticas, cuidadosas, com objetivos definidos de serem desenvolvidos os valores da solidariedade e do amor pelos sofredores de qualquer natureza.

Outrossim, seria factível se estabelecessem como programa as tarefas que tivessem por objetivo a promoção social de crianças, jovens e adultos marginalizados, tomando a Escola uma fonte de inspiração e de realizações constantes, oferecendo recursos mais amplos além dos intelectuais.

14) Percebendo-se, no dia-a-dia, a inércia e o desencorajamento tomando conta de considerável parcela da população estudantil, pergunta-se: que práticas educativas favoreceriam a reversão desse quadro?

Vivemos os momentos de uma sociedade equivocada nos valores humanos.

Defrontamos, por exemplo, a supervalorização dos desportos e dos divertimentos em detrimento das conquistas da inteligência e do saber. A ilusão campeia desenfreada e os novos deuses, que repetem os gladiadores romanos, se apresentam afortunados nos veículos da mídia, campeões do mundo, enquanto cientistas, técnicos, pedagogos e outros profissionais são quase marginalizados .. -A indústria dos divertimentos arrebata, e os seus ases são imitados por milhões de pessoas sonhadoras. que se sentem estimuladas em servi-los e adorá-los literalmente.

Sem estímulos, por falta de apoio e de respeito pela sociedade, os candidatos ao conhecimento padecem hipertrofia dos sentimentos, permanecendo nas Escolas apenas em busca de títulos que lhes facilitem o triunfo no mundo, sem consciência do valor da auto-realização.

Ao mesmo tempo, o abuso de drogas e de sexo na Escola, o desinteresse dos mestres, face aos salários humilhantes que recebem, fazem que o Educandário deixe de ser o templo do saber para transformar-se em lugar de encontros para o tempo passar, enquanto se espera pelo Diploma e não pela capacitação para a luta no mundo social.

Quando houver a reversão dessa ocorrência, e a sociedade melhor e mais prestigiar o conhecimento em detrimento da astúcia, assim como a cultura, ao invés da força muscular ou somente da agilidade física, a Escola recuperará o seu lugar, e os educandos serão emulados a uma mudança de comportamento com mais eficiência na área dos estudos que levam à conscientização dos seus deveres e da sua realização interior.

15) Considerando-se que o sistema sócio-econômico e político que temos, está arraigado na competição, como a Educação poderia influenciar positivamente, não reforçando atitudes competitivas entre crianças e jovens?

A competição tem, também, um sentido saudável quando não objetiva vencer para esmagar ou suplantar o outro. Vale como estímulo para conquistar espaços e realizações dignificadoras. A Escola sempre se utilizará, pelo menos por um largo período, da avaliação de resultados da aprendizagem por meio de notas ou outro qualquer critério seletivo, a fim de identificar as suas próprias falhas e as deficiências do educando, produzindo, embora inconscientemente, um sentido de competição positiva.

A competição lamentável é aquela que humilha o vencido, o perdedor, situando-o em posição inferior. Por instinto, muitos estímulos funcionam através de manifestações competitivas. Quando está presente o ego em primazia, já os valores da competição perdem o significado por caracterizar disputas vazias de conteúdo e ricas de interesses subalternos.

As Nações ricas, muitas vezes carentes de valores éticos, deram início ao mercado de competições para aquisição de vidas e recursos intelectuais que lhes faltavam, tornando o homem objeto de compra e não instrumento de ideais. Os desportos perderam quase o sentido de competição qualificativa para se tornarem indústrias de profissionais destituídos de sentimentos fraternos, cujos interesses únicos são o dinheiro e a supervalorização que lhes facultam granjear mais altos estipêndios. Ganhar nas competições tornou-se fator de mercado e não de ideal ou de prazer. O mesmo ocorre em outras áreas do comportamento: artístico, cultural, social...

Os estímulos pelo idealismo, as competições para a qualificação do educando, são métodos valiosos para a conquista de valores nobres, que devem ser preservados.

16) Como o modelo educacional pode favorecer a ampliação da consciência e o autoconhecimento, tão necessários para a convivência harmônica entre as pessoas?

Supôs-se, no passado, que o conhecimento era responsável pela plenitude da consciência. No entanto, graças à contribuição da Psicanálise, particularmente de Karl Gustav Jung, o conceito de consciência evoluiu para uma perfeita síntese entre conhecer e discernir, quando o ego toma conhecimento de todos os seus conteúdos psíquicos.

A Educação deve ser uma forma de direcionamento para o autodescobrimento, essa inevitável viagem interior, graças à qual o educando descobre as possibilidades que lhe estão ao alcance, como também o que realmente deseja da vida, evitando emaranhar-se pelas conquistas exteriores que lhe não satisfazem a plena realização.

No futuro, o mestre ideal deverá ser também conhecedor do Espírito e seus potenciais, de forma a entender os conflitos e problemas desafiadores que os educandos enfrentam e para os quais devem receber Orientação de segurança.

A conquista da consciência, na Escola, caminhará ao lado da aquisição do conhecimento, do discernimento para a ação, de forma que cada aluno descubra o que fazer, quando e como realizá-lo. Ao mesmo tempo, essa experiência levará ao auto-descobrimento.

17) Para o ser humano crescer intelectual e espiritualmente com mais facilidade é necessário possuir um mínimo de conhecimentos gerais e específicos. Em que consiste esse conteúdo?

Tendo lugar a reencarnação no mundo das formas, o indivíduo é conduzido ao conhecimento da Natureza e das suas expressões de vida, ao tempo em que se equipa de informações a respeito do relacionamento social, moral e espiritual que lhe facilita o movimento pelos diversos setores em que se vê convidado a transitar. A Escola convencional é-lhe instrumento valioso para a aquisição desses ensinamentos, no entanto, a experiência de vida oferece-lhe os meios para aplicá-los devidamente. Quanto mais instrução receba, melhores possibilidades terá para compreender os objetivos essenciais da existência e a finalidade da sua jornada terrena.

Outrossim, a compreensão dos deveres e direitos que lhe dizem respeito são de inestimável significado para um bom desempenho moral e alto desenvolvimento espiritual.

18) Mesmo que o Estado, a família e as Instituições proporcionem uma Educação de qualidade, o que fazer para superar o desinteresse, a indiferença, a falta de vontade e de empenho dos educandos?

Enquanto prevaleçam o desrespeito pela Cultura geral e a supervalorização dos esportes e dos divertimentos, permanecerá o desinteresse juvenil pela Escola.

No lar tem início o amor pela aprendizagem, desde que na família se encontra a primeira escola, formadora do caráter e da personalidade.

Para que se desenvolva o interesse dos educandos, faz-se mister que os indivíduos em particular e o Estado em geral passem a considerar a educação como de vital importância para uma existência saudável e feliz na Terra.

Tendo-se em vista que os desportistas e os astros dos divertimentos desfrutam de privilégios e salários exorbitantes, enquanto os profissionais liberais e outras pessoas que adquiriram cultura universitária se vêm constrangidos a exercer tarefas em outras áreas diferentes daquelas para as quais se prepararam, ou não conseguem oportunidade para aplicar os conhecimentos que possuem, por falta de respeito pelo que são e têm, é compreensível que as mentes juvenis prefiram os espairecimentos e a musculação, a ginástica e os prazeres, na expectativa de alcançarem o pódio do triunfo.

Respeitamos os indivíduos que se destacam em todos os campos humanos e se tomam líderes das massas, perante as quais assumem graves responsabilidades morais e espirituais, no entanto, o número daqueles que alcançam o pedestal da glória é muito reduzido e a Humanidade não pode viver somente da exaltação dessas conquistas, que são muito transitórias.

Indispensável portanto, que a família e o Estado conjuguem esforços para a valorização da Escola e do seu grandioso significado na edificação de uma sociedade justa e feliz.

III - FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO

19) Educação moral- ética social - tema escolar ou familiar?

A educação moral na sua abrangência, que envolve também a ética social e outras expressões, não é doutrina desta ou daquela Instituição, mas de todas. Inicia-se no lar, pelo exemplo dos pais em relação aos demais indivíduos, incluindo, naturalmente, os familiares, e alonga-se na Escola, não como um Currículo obrigatório, exigindo memorização de regras para prêmios e promoções, mas como parte integrante de todas as disciplinas que a têm embutida, aprofundando-se o estudo especificamente quando o educando estiver em condições de incorporá-la e vivê-la no cotidiano.

20) Considerando-se que a mente do homem atual foi condicionada a ver e a analisar tudo sob o prisma da separatividade, como o processo educativo poderia trabalhar as questões de unicidade entre o homem, a Natureza e a sociedade?

Felizmente, a Educação Espírita já tem em mira esse objetivo. O homem é um ser eminentemente social e dependente da Natureza. O respeito pelas forças constitutivas do Cosmo é dever que, de imediato, todos identificamos, particularmente no momento em que o Ecossistema se encontra ameaçado pelos abusos dos indivíduos e das Nações desprevenidas ou arbitrárias, que somente se têm utilizado dos seus recursos sem retribuir-lhe com os necessários meios de preservação.

A Educação tem por meta promover a união de todos os fatores que propiciam a vida, sem separá-los, produzindo harmonia. Essa separatividade resulta do período do pensamento egocêntrico, quando o homem primitivo ou em desenvolvimento acreditava ser merecedor de todos os favores e merecimentos da Vida, da Natureza, construindo as suas sociedades fechadas, sempre armadas contra as demais, que pensava constituir-lhe ameaça.

Como decorrência dessa conscientização, já se realizam programas dos amantes do verde, dos zeladores pela integridade do Planeta, dos estudiosos da Ecologia para melhor integração do homem com a sociedade e, principalmente, com a Natureza.

A Escola será então, em futuro próximo, como já vem ocorrendo, um campo de experiências integrais, nas quais se unirão todos os esforços para o equilíbrio que resulta sempre da harmonia entre o que se é, o que se faz e aquilo a que se propõe.

21) No momento histórico atual do Brasil, qual deve ser o objetivo geral fundamental da Educação?

Preparar homens e mulheres dignos para a condução do próprio como do destino da sociedade. A formação do caráter e o desenvolvimento do intelecto fazem parte do programa de evolução da criatura humana, sem cujas bases muito difícil se lhe faz a ascensão moral e espiritual obrigando-a a estacionar nas fases primárias do pensamento, sem aspirações de engrandecimento nem estímulos para o trabalho.

Cabe à Educação, em toda parte e, particularmente no Brasil, a grande tarefa de renovar a sociedade, partindo do educando bem orientado, disciplinado e autoconhecedor das suas necessidades.

22) Qual seria o perfil da Escola desejável para o próximo século?

A Escola do futuro terá o aspecto de um lar transitório, rico de segurança emocional e cultural, onde todos se estimem como verdadeiros amigos e mesmo irmãos, movimentando-se em um ambiente de solidariedade e compreensão, desfrutando-se de liberdade de pensamento e de ação, com inteira responsabilidade e consciência, de modo que os direitos alheios sejam respeitados e levados em conta, sem tentativas de se ultrapassar as fronteiras invisíveis, mas seguramente conhecidas.

23) A Educação, no próximo milênio, será afetada pelo desenvolvimento tecnológico, repercutindo, conforme alguns imaginam, na eliminação do espaço físico da escola, do trabalho, alterando-o para um espaço acessivelmente virtual?

Esse processo já vem ocorrendo, em razão de muitos fatores. A Escola deixa de ser o edifício onde são ministrados os cursos, apresentadas as aulas e, numa visão mais profunda, é todo lugar onde se processa a aprendizagem e se difundem os conhecimentos.

Graças à contribuição da tecnologia e da computação, os lares se transformarão em escolas produtivas, utilizando-se dos recursos virtuais para ampliação do conhecimento e mais vivência das informações, diminuindo a movimentação dos aprendizes, que perdem muito tempo nas viagens aos núcleos centrais de informação escolar.

24) Como se chegará a uma Educação que observe e respeite a universalização dos direitos?

Mediante a consideração pelos valores éticos exercitados desde os primeiros momentos junto ao educando, ampliando-a em direção à sua integridade física, moral social, econômica: essa conduta fará que o mesmo se sinta digno e passe a valorizar as demais criaturas, tendo em vista as suas conquistas morais e não as suas posses ou os fatores circunstanciais de projeção no mundo.

Educadores enriquecidos pelo respeito que a sociedade lhe deve, remunerados adequada e honradamente, terão oportunidade de atualizar-se sempre, não se esfalfando em trabalhos acumulativos para uma sobrevivência financeira equilibrada, o que sempre dificulta o atendimento ao compromisso junto aos educandos. Liberados e respeitados, sentir-se-ão capazes de infundir nas mentes novas as diretrizes de respeito à universalização dos direitos.

A educação não deve reduzir-se apenas aos estímulos e às informações da sala de aula, antes ampliá-la no contato com a Natureza, como também através de visitas aos museus, a fim de que se examinando o passado, melhor se possa construir o futuro, retirando-se proveito das páginas da História ali imortalizadas na documentação preciosa e nos vestígios das épocas transatas.

Essa lição viva, demonstrando que tudo passa, contribui para a edificação do futuro que deixará sulcos de nobreza e elevação depois de vencido o seu tempo,

25) Fala-se muito que a Educação começa no berço. Na atual conjuntura, quando a família já não possui a configuração tradicional, qual o momento mais adequado para iniciar-se a educação da criança em Instituições específicas? Que tipo de Instituições deveria ser?

O que se faz imediato é a reconstrução da família - célula mater do organismo social -. Não nos referimos àquela tradicional castradora, dominadora, com a figura paterna ou materna predominante, mas um conjunto harmônico de indivíduos, no qual o equilíbrio se estabeleça como base do grupo e os pais constituam modelos a serem seguidos.

A educação começa a partir do momento em que são insculpidos os hábitos na criança, corrigindo-lhe as reações do instinto e modelando-lhe as características que a tomarão um ser saudável moral social e intelectualmente. Enquanto isso não ocorre, naturalmente as Instituições específicas ideais serão aquelas nas quais floresçam o amor e o conhecimento da psicologia infantil, transmitindo segurança e afetividade. Todavia, nenhuma Instituição, por mais bem aparelhada culturalmente, substitui o afeto da família, principalmente dos pais em cujo relacionamento as Leis da Reencarnação proporcionam os mecanismos para o aprimoramento do ser, na convivência, nas experiências, na aprendizagem recíproca entre educadores e educandos, que se nutrem dos valores espirituais e emocionais que os reúnem no processo de crescimento para a Vida.

26) Tem-se observado uma proliferação de propostas educativas com tendência espontaneísta. Como dimensionar adequadamente, quando exigir e quando deixar para a livre criação do indíviduo?

Não se pode facultar liberdade, quando esta se encontra distante da responsabilidade. Enquanto o indivíduo não disponha de equipamentos de discernimento para saber o que fazer e quando realizá-lo, conceder-lhe liberdade sem orientação é condená-lo ao desequilíbrio gerador da libertinagem. Quando imaturo, ele somente possui instintos não educados, portanto, passíveis de transbordamento pelas paixões que lhe assinalam o estágio evolutivo.

Não obstante a respeitabilidade do conceito educacional espontaneísta, no atual estágio do desenvolvimento intelecto-moral em que se encontram os seres humanos, a orientação do educador é indispensável, encaminhando o aprendiz pelo rumo mais compatível com as suas necessidades de crescimento. Sem cerceamento da liberdade de escolha e direcionamento do educando, pela preferência que decorre da sua aptidão, cabe ao orientador encaminhá-lo com segurança, de forma que adquira os princípios básicos da aprendizagem, criando condicionamentos saudáveis para uma vida equilibrada no grupo social, sem agressividade, sem repressão, porém com capacidade para saber até onde ir no processo de comportamento e vivência experiencial.

27) Considerando a trajetória do homem através das reencarnações e a bagagem de conhecimentos que ele traz arquivados em si, qual o modelo educacional que mais facilitaria o aproveitamento desse potencial aparentemente esquecido?

Sócrates preocupava-se em estimular o educando a encontrar as respostas para os variados quesitos da vida, fazendo-o viajar para dentro, a fim de arrancar o conhecimento que nele dormia e provinha do mundo das idéias, por onde deambulara antes de vestir a roupagem carnal. Jesus, por Sua vez, o Educador por Excelência, utilizava-se das parábolas e, sobretudo, das lições vivas, a fim de que os Seus ensinos permanecessem insculpidos no imo do ser daqueles que O ouviam. Pestalozzi inaugurou a Escola Nova, restaurando a dignidade infantil, abrindo espaços para a Psicologia da infância, propondo o amor como base de uma boa educação. Desse modo, sintetizando Sócrates e Jesus, tomava o educando um ser maleável que necessita de direcionamento, ao tempo que tem capacidade, quando estimulado com carinho, para encontrar as respostas no seu mundo Íntimo.

O modelo educacional ideal seria aquele no qual a criança, sentindo-se amada e despertada para o crescimento interior, encontre no educador o guia e o amigo para a grande viagem do descobrimento da realidade de si mesma e do mundo no qual se encontra. Essa será, no entanto, trabalhada através da educação moral que é a base para uma existência feliz.

IV. - ENSINO RELIGIOSO

28) Devemos ter um currículo específico de Educação religiosa nas Escolas? Ou cabe à família conduzir seus filhos no caminho dos valores religiosos? Se essa tarefa cabe à Escola, como atender às diferentes crenças numa mesma Instituição?

A função primordial e específica da Escola é oferecer equipamentos próprios para o desenvolvimento intelecto-moral do educando, recorrendo aos métodos psicopedagógicos mais compatíveis com a faixa etária e o desenvolvimento mental do mesmo.

Essencialmente leiga, a Escola deve primar pela inteireza moral dos seus mestres, que se constituem modelos vivos para os alunos, jamais estabelecendo currículos de orientação religiosa, o que viria a constituir uma agressão aos direitos das doutrinas minoritárias, que teriam dificuldade em proporcionar educadores especializados para que ministrem em todos os educandários os princípios que lhes constituem as bases. Ademais, o tempo aplicado em programa religioso seria retirado do horário que deve ser preenchido com as atividades pertinentes ao currículo leigo.

A família cabe, aliás, não somente a tarefa da condução dos filhos à religião que os seus pais professam, senão, também, e principalmente, da educação em geral constituindo-se suporte-exemplo para o trabalho complementar da Escola que, além de instruir, amplia o seu labor com os recursos da educação no sentido mais amplo.

Toda tentativa de levar a orientação religiosa à Escola, a fim de que ministre cursos doutrinários, constitui ameaça à liberdade do aluno, gerando-lhe constrangimento, quando não lhe impondo, em razão da intolerância que predomina em a natureza humana, atitudes incompatíveis com o seu desenvolvimento moral.

29) Como atender a necessidade da formação ecumênica, sem tendenciosidade? A criança ou o jovem deve receber informações sobre as diferentes religiões ou isso deve ficar para quando tiver maturidade? Qual a idade ideal para isso?

A Escola, sendo a célula importante da construção da personalidade intelectual, moral e social do educando, deve apresentar na sua programação convencional lições de ética a respeito da consideração que merecem todos os cultos, como todas as Doutrinas religiosas, sem que se faça necessário adentrar-se pelos temas específicos de qualquer uma delas. A abordagem deve ser ampla, favorecendo a compreensão dos direitos individuais à eleição da crença que melhor lhe convenha, sem a submissão a essa ou àquela que tenha prevalência no contexto do povo ou da época em que se viva. Essa contribuição ética, no entanto, deve abarcar, quanto possível, temas pertinentes à liberdade de todos os indivíduos, nas diferentes áreas de movimentação a que sejam convocados: política, arte, esporte, cultura, evitando-se coações que são sempre reminiscências do primarismo que se pretende impor pela força do poder, sem os valiosos recursos dos conteúdos nobres.

O Ecumenismo deverá ser ensinado nos lugares reservados a cada culto religioso, mediante a tolerância que demonstrem os seus ministros, sacerdotes e pastores, afirmando a necessidade de ser mantida a fraternidade entre os indivíduos, mesmo que pertencendo a Doutrinas religiosas diferentes, e que, não obstante, os seus fundamentos têm por objeto ensinar o amor a Deus, ao próximo e a si mesmo ...

Dessa forma, no lar e no templo de cada religião, a criança, desde muito cedo, deve receber instruções e orientação sobre as diferentes religiões, bem assim esclarecimentos que lhe facultem distinguir os valores e comportamentos do seu próximo no mundo de relações.

Todo o empenho deve ser feito por mestres e pais para que a liberdade de religião seja preservada, e especificamente cada aluno seja orientado no lar e no seu núcleo de fé a respeito da Doutrina espiritual que deverá seguir.

A religião faz parte da vida para todos aqueles que crêem em Deus e na imortalidade. Desse modo, os apontamentos devem ser oferecidos à criança a partir do seu nascimento, desde que, nessa fase, o Espírito, ainda se encontrando no processo da reencarnação, registra as ocorrências em torno da sua nova experiência com bastante lucidez.

Educar, portanto, sob qualquer aspecto, é conduzir com segurança, liberdade e responsabilidade, equipando o educando com valores que o capacitem para a vida, para a vitória sobre as paixões dissolventes, preparando-o para os passos mais agigantados da evolução.

30) De que forma o ensino religioso poderia fortalecer a criança em sua parte divina, isto é, internamente?

A Religião tem por meta produzir a religação da criatura com o Criador. Variando os seus métodos e conteúdos, os objetivos que alberga são sempre nobres, embora nem sempre lógicos ou racionais.

Considerando-se, no entanto, os diferentes níveis de consciência das massas, sempre ocorrerá a afinidade entre o crente e a Doutrina que abraça como necessidade de apoio, de conforto, de catarse psicológica.

Por isso mesmo, o templo dedicado a cada expressão de fé é o lugar ideal para o ensino dos seus postulados, sem agressão aos das outras confissões, em respeito ao direito de pensar que é concedido a cada criatura, e mesmo por uma razão de natureza ético-moral e espiritual. Cada um ama e serve a Deus conforme suas possibilidades e não segundo as determinações dos outros - pastores, rabinos, sacerdotes, pregadores ...

O conhecimento dos objetivos espirituais da vida, a eternidade do Espírito e a sua não consumpção ao fenômeno biológico da morte física, o destino que a cada um espera após a conclusão da breve etapa carnal oferecem oportunidade de iluminação íntima e sintonia na parte divina do educando com a Fonte Geradora de Vida.

Essa crença, estribada na razão, exerce função definida no comportamento do ser, que passa a experienciar por antecipação as alegrias e realizações elevadas que certamente o aguardam após a morte. Não somente o preparam para fruir a felicidade depois da disjunção molecular, mas também para viver as emoções que terão continuidade, sem que a desencarnação interrompa.

31) Qual deve ser a postura do espírita diante de uma imposição do Estado referente à Educação religiosa nas Escolas?

O Estado não tem o direito de interferir uma educação religiosa dos cidadãos em geral dos educandos em particular, porque seria uma intromissão violenta nos direitos da liberdade de escolha, da liberdade de consciência. Mesmo que se ministrem aulas que atendam aos diferentes interesses religiosos dos alunos, a Escola se descaracteriza, porque lhe toma carga horária que deveria ser aplicada na função específica de educar para a vida. A atitude do espírita deverá ser, no caso, contrária a essa imposição descabida.

V. - MAGISTÉRIO

32) Qual deveria ser a principal meta daquele que decide ser Professor? Podemos acreditar que pelas suas mãos se dará a mudança social tão almejada? Por onde começar?

A meta a ser atingida por todo aquele que se candidata a ensinar é criar condições no educando para que possa viver com dignidade, resolvendo com sabedoria os problemas que enfrentará durante a sua caminhada evolutiva. Para tanto, deve o professor estar enriquecido pelos conhecimentos que irá transmitir, como também investido de valores morais que possam confirmar a excelência da mensagem educativa que pretende oferecer aos seus alunos. Sem o exemplo que se expressa pela vivência equilibrada e saudável as melhores lições perdem o seu significado profundo para se tornarem somente um amontoado de informações culturais sem sentido prático de aplicação no cotidiano.

Mediante a educação será realizada a transformação social. O indivíduo é o resultado do que fez de si mesmo, do que aprendeu no grupo por onde transitou, pela formação educativa que recebeu no lar, na Escola, na sociedade. Conjugados esses fatores teremos, inevitavelmente, a transformação da Humanidade para melhor.

Sem dúvida. o começo da transformação social se dará no amoldamento da criança à vida e às suas imposições, de modo a tomá-la segura e amada, observando as metas a conquistar e vinculada aos exemplos que lhe forem ministrados pelos educadores. Quanto mais cedo tiver início esse mister, mais rápidos serão conseguidos os resultados que se perseguem.

33) Como os educadores devem agir para a não reprodução dos valores, idéias e crenças doentias da sociedade atual?

A construção do homem ideal começa na educação formal e na experimental. Pais e mestres deverão trabalhar unidos no mesmo ideal da educação. Uma das maneiras práticas de serem evitados os males que ora afligem a sociedade, no que diz respeito a valores, idéias e crenças enfermiças é a de não transferir para a Escola toda a responsabilidade pela formação ética, moral e cultural da criança e do jovem.

Com freqüência, pais inconseqüentes ou desatentos, ignorantes ou indiferentes crêem que a tarefa da educação é exclusivamente da Escola, no que se tornam antimodelos para os filhos. Mesmo quando a Escola fornece os melhores exemplos e métodos de construção do caráter sadio, o lar se lhes apresenta como exemplo do desequilíbrio, da falta de respeito, da agressividade, da desconsideração pelos valores que constituem a harmonia social. Enquanto esses pais pretendem transferir para a Escola toda a responsabilidade pela condução dos filhos, outros existem que desrespeitam as propostas educacionais que os filhos lhes apresentam, informando que ninguém tem o direito de interferir na formação moral daqueles que lhes são dependentes, sem a condição mínima de lhes oferecerem o necessário para um comportamento condigno.

Assim, o lar e a Escola são termos da mesma equação educativa, e somente quando esses dois núcleos de vida estejam em sintonia e trabalhem em união é que se poderão manter os valores em alta, as idéias nobres em consideração e as crenças na dignidade humana como base para o progresso individual e geral da sociedade.

34) Quais os aspectos mais importantes que devem ocupar o centro das preocupações dos educadores, visando a formação de cidadãos do Universo?

Jesus sintetizou toda a tese do comportamento humano em uma frase lapidar: - Não fazer a outrem o que não gostaria que outrem lhe fizesse.

Ao educador cabe desenvolver os valores ético-morais do educando, demonstrando-lhe, pela lógica e pelo amor, que a vida tem um significado profundo, mais que imediato, de difícil consumpção: que é de natureza eterna, e onde ele se encontre a defrontará, refletindo todos os seus atos na própria consciência, o lugar onde está escrita a Lei de Deus, conforme responderam os Espíritos superiores, a Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, questão de número 621.

Desse modo, trabalhar o universo infantil com os instrumentos do amor e da razão, incutindo-lhe no imo a certeza da sua imortalidade, tanto quanto informá-lo e conscientizá-lo de que é membro atuante da família universal constitui o grande desafio de urgência para a educação, que possui recursos valiosos para dissolver os cânceres do egoísmo, do orgulho, da prepotência, geradores da miséria de vária ordem.

Espírito Vianna de Carvalho