ENGENHARIA GENÉTICA E GENÉTICA

1) Será lícito ao homem manipular a genética de outros animais ou de seus próprios semelhantes?

Toda vez que as aspirações humanas se transformarem em alienação perturbadora, objetivando interferir nos códigos genéticos para verdadeiras aventuras, a licitude da experiência deve ceder lugar aos impositivos de uma ética trabalhada com rigor, a fim de que as vidas animais e humanas sejam poupadas às aberrações, que muitas mentes desequilibradas, de ontem como de hoje, têm tentado realizar em diversas culturas, particularmente naquelas que se caracterizam pelo totalitarismo do poder, que pretende considerar superiores algumas raças em detrimento de outras, que lhes padeceriam a impiedade e a covardia das perseguições cruéis.

Não é lícita, portanto, a manipulação genética em animais - exceção feita, quando se tem por objetivo melhorar a qualidade da raça, evitando-lhe a fragilidade e as enfermidades que decorrrem do meio ambiente ou de fatores hereditários - nem em criaturas humanas, sem graves conseqüências para a sociedade.

2) As Leis de Deus impõem algum limite a esse desenvolvimento?

O homem tem o direito e o dever de investigar sempre, a fim de que o progresso não fique paralisado nas conquistas logradas. No entanto, quando as experiências extrapolam a capacidade de controle do ser humano, as Leis de Deus, mediante fenômenos naturais, impedem-lhe o avanço e permitem que acontecimentos inesperados, desastrosos, demonstrem a insensatez daquele que se ergue à condição de semideus.

3) O progresso moral do ser humano não acompanhou o progresso tecnológico. Há pouco, o mundo assistiu chocado a uma experiência em que uma orelha humana foi implantada nas costas de um rato. Alguns cientistas especulam sobre a possibilidade de criação de uma raça humana intelectualmente inferior; destinada exclusivamente aos trabalhos braçais, sem o problema de eventuais reivindicações por melhores condições de vida. As leis da Natureza permitirão ao homem penetrar nos mecanismos da biogenética?

Entre as nobres funções da ciência se encontra aquela que se encarrega de examinar as possibilidades denominadas impossíveis, que podem, um dia, tornar-se factíveis, realizáveis. Não obstante, sonhar com a criação de homens e mulheres xerox, insensíveis à dor, automatistas, sem percepção para a sua realidade existencial, é levar a aspiração à condição de pesadelo.

Sem dúvida, o cientista pode interferir na constituição genética e perturbar-lhe o desenvolvimento, gerando anomalias no processo da sua multiplicação. Todavia, para que a vida humana conforme as necessidades de natureza cármica, obedecendo à lei moral de causa e efeito.

4) Qual a visão dos Espíritos em torno da bioética e do número excessivo de discussões em torno da regulamentação desse tema, tendo em vista o grande avanço da engenharia genética na área da clonagem, controle fetal, transplantes e mutações?

Considerando-se a realidade do ser humano como Espírito imortal, o fenômeno da morte biológica é inevitável, sem que essa ocorrência afete-lhe a estrutura de que se constitui. No entanto, face à necessidade de evoluir através das sucessivas reencarnações, o Espírito desenvolve as potencialidades intelectuais e penetra nos mecanismos que regem a vida material, descobrindo recursos preciosos para tornar a existência física menos tormentosa, menos afligente, como resultado das conquistas realizadas no transcurso dos milênios.

Os laboratórios de pesquisa ampliam os campos de investigação e, diariamente, novos descobrimentos contribuem para que se possa viver com mais equilíbrio e mais felicidade.

Simultaneamente, porém, os atavismos materialistas que permanecem em muitos estudiosos da vida, trabalham com objetivos de burlar a dor, a morte, a degenerescência que, para eles, podem ser evitados, contornados, superados, apresentando mecanismos especiais que facilitem a fuga ao inevitável. Nascem, desse comportamento, propostas absurdas para o momento e algumas outras trágicas para a vida.

É indispensável portanto, que seja levantada uma ética para a genética, uma bioética, para estabelecer limites e cercear a oportunidade de desenvolverem-se sonhos macabros, tornando o ser humano cobaia para experimentos dantescos, a pretexto de se construírem seres superiores geneticamente organizados, adiando-se sine die o momento da morte física, realizando-se transplantes antes da ocorrência da morte real e interferindo-se na estrutura dos genes e cromossomos, diante de fetos que apresentem anomalias detectáveis, como se as mesmas procedessem do corpo e não do Espírito.

Tal procedimento desconsidera as ocorrências cármicas que se dão nas criaturas de compleição orgânica saudável com profundos distúrbios psíquicos e emocionais, ou que se tornam vítimas de acidentes mutiladores e fenômenos degenerativos.

Quando a Ciência, através dos seus nobres investigadores, assenhorear-se da realidade do Espírito, compreenderá a necessidade de ser estabelecido um código de preservação da vida, desse modo, uma bioética fundamentada no respeito e na dignificação da criatura humana.

O sonho de lograr-se uma clonagem real, copiando-se seres padronizados, já é realidade: no entanto, bem distante de conseguir-se o mesmo êxito em relação à criatura humana, conforme os moldes que conhecemos, em razão de somente poder acontecer mediante a interferência do Espírito, sem o qual teremos formações aberrantes de células que, desprovidas do modelo organizador biológico, jamais repetirão o indivíduo original.

Tendo-se em vista, porém, que a engenharia genética venha a conseguir os requisitos indispensáveis para que a vida humana se expresse, o Espírito se utilizará da circunstância e poderá reencarnar-se, jamais idêntico a outro, em razão das conquistas que tipificam cada um.

5) As inserções perispirituais na zona física dar-se-iam nos genes do ADN celular? Seriam os genes campos praticamente energéticos, de antipartículas atômicas, como que incrustadas em faixas apropriadas da molécula do ADN?

Podemos afirmar que o ADN, na sua estrutura íntima, é um campo de energia na sua mais elevada expressão, exteriorizada pelo perispírito na sua função organizadora do corpo físico e toda sua estrutura molecular que, de alguma forma, se constituiria de antipartículas atômicas.

Espírito Vianna de Carvalho