FACULDADES MORAIS E INTELECTUAIS

1 - DE ONDE VÊM PARA O HOMEM AS SUAS QUALIDADES MORAIS BOAS OU MÁS?

RESP.: São as do Espírito que está nele encarnado; quanto mais puro é esse Espírito, mais o homem é propenso ao bem.

2 - PARECE RESULTAR DAÍ QUE O HOMEM DE BEM É A ENCARNAÇÃO DE UM BOM ESPÍRITO E O HOMEM VICIOSO A DE UM MAU ESPÍRITO?

RESP.: Sim, mas dize antes que é um Espírito imperfeito, pois de outra forma se poderia crer nos Espíritos sempre maus, a que chamais de demônios.

3 - QUAL O CARÁTER DOS INDIVÍDUOS EM QUE SE ENCARNAM OS ESPÍRITOS BREJEIROS E LEVIANOS?

RESP.: São estouvados, espertos e, algumas vezes, malfazejos.

4 - OS ESPÍRITOS TÊM PAIXÕES ESTRANHAS À HUMANIDADE?

RESP.: Não; se assim fosse, vós também as teríeis.

5 - É O MESMO ESPÍRITO QUE DÁ AO HOMEM AS QUALIDADES MORAIS E AS DA INTELIGÊNCIA?

RESP.: Seguramente que é o mesmo, e na razão do grau a que tenha chegado. O homem não tem em si dois Espíritos.

6 - POR QUE OS HOMENS MAIS INTELIGENTES, QUE REVELAM UM ESPÍRITO SUPERIOR NELES ENCARNADO, SÃO, ÀS VEZES, AO MESMO TEMPO PROFUNDAMENTE VICIOSOS?

RESP.: É que o Espírito encarnado não é bastante puro, e o homem cede à influência de outros Espíritos ainda piores. O Espírito progride numa marcha ascendente insensível, mas o progresso não se realiza simultaneamente em todos os sentidos; num período, ele pode avançar em ciência, num outro, em moralidade.

7 - QUE PENSAR DA OPINIÃO SEGUNDO A QUAL AS DIFERENTES FACULDADES INTELECTUAIS E MORAIS DO HOMEM SERIAM O PRODUTO DE OUTROS TANTO ESPÍRITOS DIVERSOS, NELE ENCARNADOS, TENDO CADA QUAL UMA APTIDÃO ESPECIAL?

RESP.: Refletindo-se a respeito, reconhece-se que é absurda. O Espírito deve ter todas as aptidões. Para poder progredir, necessita de uma vontade única. Se o homem fosse um amálgama de Espíritos, essa vontade não existiria e ele não teria individualidade, pois na sua morte todos esses Espíritos seriam como um bando de pássaros escapos da gaiola. O homem se queixa muitas vezes de não compreender algumas coisas, mas é curioso ver-se como ele multiplica as dificuldades, quando tem em mãos uma explicação muito simples e natural. Isso é ainda tomar o efeito pela causa: fazer com que o homem o que os pagãos faziam com Deus. Eles criam em tantos deuses quantos os fenômenos do Universo. Mas, mesmo entre eles, as pessoas sensatas não viam nesses fenômenos mais do que efeitos, tendo por causa um Deus único.

8 - O ESPÍRITO, AO UNIR-SE AO CORPO, IDENTIFICA-SE COM A MATÉRIA?

RESP.: A matéria não é mais que o envoltório do Espírito, como a roupa é o envoltório do corpo. O Espírito, ao unir-se ao corpo, conserva os atributos da natureza espiritual.

9 - AS FACULDADES DO ESPÍRITO SE EXERCEM COM TODA A LIBERDADE, APÓS A SUA UNIÃO COM O CORPO?

RESP.: O exercício das faculdades depende dos órgãos que lhes servem de instrumentos; elas são enfraquecidas pela grosseria da matéria.

10 - DE ACORDO COM ISSO, O ENVOLTÓRIO MATERIAL SERIA UM OBSTÁCULO À LIVRE MANIFESTAÇÃO DAS FACULDADES DO ESPÍRITO, COMO UM VIDRO OPACO SE OPÕE À LIVRE EMISSÃO DA LUZ?

RESP.: Sim, e bastante opaco.

11 - O LIVRE EXERCÍCIO DAS FACULDADES DA ALMA ESTÁ SUBORDINADO AO DESENVOLVIMENTO DOS ÓRGÃOS?

RESP.: Os órgãos são os instrumentos da manifestação das faculdades da alma. Essa manifestação está subordinada ao desenvolvimento e ao grau de perfeição dos respectivos órgãos, como a excelência de um trabalho à excelência da ferramenta.

12 - PODE-SE INDUZIR DA INFLUÊNCIA DOS ÓRGÃOS UMA RELAÇÃO ENTRE O DESENVOLVIMENTO DOS ÓRGÃOS CEREBRAIS E O DAS FACULDADES MORAIS E INTELECTUAIS?

RESP.: Não confundais o efeito com a causa. O Espírito tem sempreas faculdades que lhe são próprias. Assim, não são os órgãos que lhe dão as faculdades, mas as faculdades que impulsionam o desenvolvimento dos órgãos.

13 - DE ACORDO COM ISSO, A DIVERSIDADE DAS APTIDÕES ENTRE OS HOMENS DECORRE UNICAMENTE DO ESTADO DO ESPÍRITO?

RESP.: Unicamente não é o termo exato. As qualidades do Espírito, que pode ser mais ou menos adiantado, constituem o princípio, mas é necessário ter em conta a influência da mtéria, que entrava mais ou menos o exercício dessas faculdades.