IDIOTIA, LOUCURA

1 - QUAL A CAUSA ESPIRITUAL DA LOUCURA?

RESP.: De acordo com a Doutrina Espírita deve-se esclarecer que as causas, tanto da idiotia quanto da loucura, vão além de questões meramente físicas, patológicas, são, por princípio, o reflexo da Lei de Causa e Efeito. Portadoresde tais anomalias, esses Espíritos são aqueles que se comprometeram moralmente em vidas pretéritas e que agora sofrem as consequências de seus desvios, por absoluta impossibilidade de se manifestarem através de seus órgãos mal formados.

2 - QUAIS SÃO AS CAUSAS MATERIAIS DA LOUCURA E DA IDIOTIA?

RESP.: Há casos de Espíritos dotados de qualidades intelectuais, mas que renascem em corpos, cujos órgãos, poucos desenvolvidos ou atrofiados, limitam as suas faculdades: é o caso da idiotia e da loucura. São esses casos, tanto de idiotia como de loucura, classificados pela medicina como anomalias patogênicas do cérebro, podendo ter como causa orgânica o traumatismo crâniano, meningite, entre outros. No caso de idiotia, existe uma inibição do cérebro, causada por lesões ou estímulos acima de sua capacidade de absorção.

3 - PODE HAVER CASOS DE LOUCURA SEM QUE HAJA NECESSARIAMENTE LESÕES CORPORAIS?

RESP.: Importa considerar ainda que segundo o Dr. Bezerra de Menezes, no livro: A Loucura sob novo Prisma, existem casos de desequilíbrio, sem que haja necessariamente causas materiais, ou seja lesões nos órgãos, ou no cérebro. Aqui a Doutrina Espírita pode explicar, pois trata-se de atuação fluídica de Espíritos desencarnados sobre a mente do Espírito encarnado. Esses casos caracterizam-se por uma das formas de obsessão.

4 - A OPINIÃO DE QUE OS CRETINOS E OS IDIOTAS TERIAM UMA ALMA DE NATUREZA INFERIOR TEM FUNDAMENTO?

RESP.: Não. Eles têm uma alma humana, frequentemente mais inteligente do que pensais, e que sofre com a insuficiência dos meios de que dispõe para se comunicar, como o mudo sofre por não poder falar.

5 - QUAL É O OBJETIVO DA PROVIDÊNCIA, AO CRIAR SERES DESGRAÇADOS COMO OS CRETINOS E OS IDIOTAS?

RESP.: São os Espíritos em punição que vivem em corpos de idiotas. Esses Espíritos sofrem com o constrangimento a que estão sujeitos e pela impossibilidade de manifestar-se por intermédio de órgãos não desenvolvidos ou defeituosos.

6 - ENTÃO NÃO É EXATO DIZER QUE OS ÓRGÃOS NÃO EXERCEM INFLUÊNCIA SOBRE AS FACULDADES?

RESP.: Jamais dissemos que os órgãos não exercem influência. Eles a exercem e muito grande, sobre a manifestação das faculdades, mas não produzem as faculdades. Esta é a diferença. Um bom músico, com um mau instrumento, não fará boa música, o que não o impede de ser um bom músico.

7 - QUAL O MÉRITO DA EXISTÊNCIA PARA SERES QUE, COMO OS IDIOTASE OS CRETINOS, NÃO PODENDO FAZER O BEM NEM O MAL, NÃO PODEM PROGREDIR?

RESP.: É uma expiação, imposta ao abuso que tenham feito de certas faculdades; é um tempo de suspensão.

8 - UM CORPO IDIOTA PODE ENTÃO ENCERRAR UM ESPÍRITO QUE TIVESSE ANIMADO UM HOMEM DE GÊNIO NUMA EXISTÊNCIA PROCEDENTE?

RESP.: Sim, o gênio torna-se às vezes uma desgraça, quando dele se abusa.

9 - O IDIOTA, NO ESTADO DE ESPÍRITO, TEM CONSCIÊNCIA DO SEU ESTADO MENTAL?

RESP.: Sim, muito frequentemente. Compreende que as cadeias que embaraçam o seu desenvolvimento são uma provae uma expiação.

10 - QUAL É A SITUAÇÃO NA LOUCURA?

RESP.: O Espírito, quando em liberdade, recebe diretamente suas impressões e exerce diretamente a sua ação sobre a matéria; mas encarnado, encontra-se em condições totalmente diferentes e na contingência de não o fazer senão com a ajuda de órgãos especiais. Que uma parte ou conjunto desses órgãos ficam interrompidas. Se ele perde os olhos, fica cego; sem os ouvidos, fica surdo, etc.. Imagina agora se o órgão que preside os efeitos da inteligência e da vontade for parcial ou inteiramente atacado ou modificado, e fácil te será compreender que o Espírito, só tendo então a seu serviço órgãos incompletos ou alterados, deve entrar numa perturbação de que, por si mesmo e no seu foro íntimo, tem perfeita consciência, mas cujo curso já não pode deter.

11 - É ENTÃO SEMPRE O CORPO E NÃO O ESPÍRITO O DESORGANIZADO?

RESP.: Sim; mas é necessário não perder de vista que, da mesma maneira que o Espírito age sobre a matéria, esta reage sobre ele numa certa medida, e que o Espírito pode encontrar-se momentaneamente impressionado pela alteração dos órgãos pelos quais se manifesta e recebe as suas impressões. Pode acontecer que, com o tempo, quando a loucura durou bastante, a repetição dos mesmos atos acabe por exercer sobre o Espírito uma influência da qual ele não se livrará senão depois da sua completa separação de toda impressão material.

12 - QUAL A RAZÃO POR QUE A LOUCURA LEVA ALGUMAS VEZES AO SUICÍDIO?

RESP.: O Espírito sofre pelo constrangimento a que está submetido e pela impotência de manifestar-se livremente. Por isso, busca libertar-se por intermédio da morte.

13 - APÓS A MORTE,O ESPÍRITO SE RESSENTE DA PERTURBAÇÃO DE SUAS FACULDADES?

RESP.: Ele pode ressentir-se durante algum tempo, até que esteja completamente desligado da matéria, como o homem que, ao acordar, se ressente por algum tempo da perturbação em que o sono o mergulhara.

14 - COMO A ALTERAÇÃO DO CÉREBRO PODE REAGIR SOBRE O ESPÍRITO APÓS A MORTE?

RESP.: É uma lembrança. Um peso oprime o Espírito, e como ele não teve consciência de tudo o que se passou durantea sua loucura, é necessário um certo tempo pra que se ponha ao corrente. É por isso que, quanto mais tenha durado a loucura, durante a vida, mais longamente durará a tortura, o constrangimento, após a morte. O Espírito desligado do corpo se ressente por algum tempo da impressão dos seus ligamentos.

15 - A LOUCURA É SEMPRE UMA PROVA?

RESP.: O desequilíbrio mental é sempre uma provação difícil e dolorosa. Essa realidade, contudo, podendo representar o resgate de uma dívida do pretérito escabroso e desconhecido pode, igualmente, constituir uma resultante da imprevidência de hoje, no presente que passa, fazendo necessária, acima de todas as exortações, aquela que recomenda a oração e a vigilância.

16 - A ALUCINAÇÃO É FENÔMENO DO CÉREBRO OU DO ESPÍRITO?

RESP.: A alucinação é sempre um fenômeno intrinsecamente espiritual, mas pode nascer de perturbações estritamente orgânicas, que se façam reflexas no aparelho sensorial, viciando o instrumento dos sentidos, por onde o espírito se manifesta.