JESUS CRISTO

1 - POR QUE JESUS MUITAS VEZES FALOU POR PARÁBOLAS?

RESP.: Jesus disse aos discípulos: "Muitas das coisas que vos digo ainda não as compreendeis e muitas outras teria a dizer; que não compreenderíeis, por isso é que vos falo por parábolas. Mais tarde, porém, enviarvos-ei o Consolador, o Espírito da Verdade, que restabelecerá todas as coisas e vô-las explicará todas.

2 - COMO SE PODE COMPARAR AS SEMENTES DA PARÁBOLA ÀS DIFERENTES CATEGORIAS DE ESPÍRITAS?

RESP.: 1 - Não nos oferece o símbolo dos que se apegam apenas aos fenômenos materiais não tirando dos mesmos nenhuma consequência pois, que neles só vêem um objeto de curiosidade. 2 - Aqueles que só procuram o brilho das comunicações espíritas, interessando apenas enquanto satisfazem-lhes a imaginação, mas que após ouví-las, continuam frios e indiferentes como antes. Que acham muito bons os conselhos e os admiram, mas para aplicá-los aos outros e não a si mesmos. 3 - E por último existem os quais essas instruções são como as sementes que cairam na boa terra e produzem frutos.

3 - POR QUE JESUS NARROU A "PARÁBOLA DO BOM SAMARITANO"?

RESP.: Eis que se levantou um certo doutor da lei, tentando-o e dizendo: Mestre, que farei para herdar a vida eterna? Em seguida, perguntou-lhe: Quem era o seu próximo? Jesus para melhor entendimento do doutor narrou então a parábola.

4 - NA SUA OPINIÃO, QUAL É A PRINCIPAL LIÇÃO DESTA PARÁBOLA?

RESP.: A principal lição que Jesus nos dá é que A Caridade não é uma das condições da salvação, mas a ÚNICA. Ele coloca a caridade na primeira entre as virtudes, é porque ela encerra implicitamente todas as outras: a humildade, a mansidão, a benevolência, a justiça, etc

5 - EXPLIQUE A FRASE DE JESUS: "DAI DE GRAÇA O QUE DE GRAÇA RECEBESTES"?

RESP.: Jesus disse aos seus discípulos esta frase recomendando-lhes, dessa forma, que não aceitassem pagamentos pela dispensa dos bens cuja obtenção nada lhes houvesse custado, isto é, que nada cobrassem dos outros por aquilo que não pagaram. O que eles receberam gratuitamente, foi a faculdade de curar doentes, e expulsar os demônios, ou seja, os maus espíritos.

6 - QUAIS SÃO OS LIMITES DO PERDÃO, SEGUNDO JESUS?

RESP.: Não deve haver limites: É essencial a prática do perdão irrestrito, da indulgência sem limite, da caridade desinteressada, da renúncia de si mesmo; em última análise, o exercício do amor ao máximo que pudermos para que estejamos em condição de receber o perdão a que Jesus se refere na oração dominical.

7- QUEM SÃO OS AFLITOS BEM-AVENTURADOS A QUE JESUS SE REFERE?

RESP.: "Bem-aventurados os aflitos", pode portanto, ser assim traduzido: Bem aventurados os que tem a oportunidade de provar a sua fé, a sua firmeza, a sua presença e a sua submissão à vontade de Deus, porque eles terão centuplicadas as alegrias que lhes faltam na Terra, e após o trabalho virá o repouso.

8 - COMO CONQUISTAR AS VIRTUDES PRECONIZADAS POR JESUS?

RES.: Para conquistar as virtudes preconizadas por Jesus nós devemos:
a - Devemos passar certas situações e compreender o porquê delas.
b - Devemos buscar a paz orando e vigiando os nossos pensamentos.
c - Ouvir, seguir e praticar as lições do Mestre.
d - Desejar mudança para o bem aceitando as provas com resignação sem reclamações.

9 - QUEM SÃO OS BEM-AVENTURADOS, A QUE JESUS SE REFERE?

RESP.: Nós todos, hoje, sabemos que os bem-aventurados puros de coração são aqueles que seguem a vontade de Deus.

10 - POR QUE O SERMÃO DA MONTANHA DEVE SER ENTENDIDO COMO UM ROTEIRO DE VIDA?

RESP.: Porque ele é a forma de nos elevarmos até Deus nosso Pai. Porque ele nos dá as bem-aventuranças necessárias para que possamos crescer para Deus. Por último é o roteiro para aqueles que desejam evoluir para Deus. É um roteiro de vida o qual o homem vai seguindo (seguir, ouvir e praticar as lições do Mestre) e cujo final encontrará as portas do céu abertas.

11 - O QUE JESUS NOS ORIENTA ACERCA DOS JULGAMENTOS?

RESP.: O nosso excelso amigo nos alertava no Sermão do Monte, para a responsabilidade de julgar o próximo: "Não julguei, para que não sejais julgados. Porque com o juizo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós".

12 - COMO ENTENDER O AMOR, CONFORME A MENSAGEM DO CRISTO?

RESP.: Jesus disse: "Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei". O Mestre falava do amor incondicional, do amor sublime, irrestrito, perene, que deveria estender-se ao parente difícil, ao companheiro rebelde, ao ofensor, ao adversário, ao inimigo. Nada pode substituir esse sentimento, nada é capaz de fazer cicatrizar uma ferida com tanta eficácia, nada se lhe pode opor com o fim de neutralizá-lo. O amor, enfim, cobre a multidão dos pecados, como enfatiza o evangelista e tudo devemos fazer para agir em seu nome, com pureza de alma.

13 - O QUE SIGNIFICA COLOCAR A CANDEIA DEBAIXO DO ALQUEIRE?

RESP.: Jesus não diz que tenhamos de revelar inconsideradamente todas as coisas, pois, todo o ensinamento deve ser proporcional à inteligência de que o recebe, e porque há pessoas que uma luz muito viva pode ofuscar sem esclarecer.

14 - POR QUE DEVEMOS PROCURAR SER CRIATURAS QUE BUSCAM O APERFEIÇOAMENTO PARA SE TORNAR MAIS UMA LUZ NO MUNDO?

RESP.: Os Espíritos adquirem conhecimento, passando pelas provas que Deus lhes impõe. Aqueles que aceitam essas provas com submissão chegam mais prontamente ao seu destino. A medida que os Espíritos avançam, compreendem o que os afasta da perfeição. Quando o Espírito conclui uma prova, adquire o conhecimento e não o perde mais. Nós devemos, com o uso de nosso livre-arbítrio, praticar o bem isto é, não devemos só ler o Evangelho de Jesus, DEVEMOS LÊ-LO e PRATICÁ-LO.

15 - NA SUA OPINIÃO COMO DEVEMOS PROCEDER PARA FAZER "BRILHAR A NOSSA LUZ"?

RESP.: Nossa existência é a candeia viva. O nosso procedimento para fazer brilhar a nossa luz é o nosso aperfeiçoamento, que significa:
a - Aprendermos tudo que pudermos (lei do progresso).
b - Termos fé (vontade) racioncinada.
c - Pormos em prática os mandamentos de Deus ditos por Jesus.

16 - QUEM SÃO OS TRABALHADORES DA ÚLTIMA HORA?

RESP.: Tudo levar a crer que somos nós (?), pois, somos chamados a todo instante a realizar a nossa tarefa, e o pagamento sempre de acordo com o nosso esforço, perseverança e dedicação nem sempre proporcional ao tempo gasto para executá-la, simboliza as conquistas definitivas que vamos fazendo, em busca de nosso aperfeiçoamento no caminho da evolução.

17 - O QUE SIGNIFICA "OS ÚLTIMOS SERÃO OS PRIMEIROS E OS PRIMEIROS SERÃO OS ÚLTIMOS"?

RESP.: Jesus nos ensina que se formos caminhando, isto é, nos esforçando em linha reta, para a frente, seremos dos primeiros e, caso contrário se tomarmos atalhos e/ou desvios tortuosos, seremos os últimos (pois teremos que recomeçar este caminho desde o início, isto é, desde o ponto onde nos desviamos e refazer o caminho corretamente) não obstante pudéssemos ter sido os primeiros, a iniciar a marcha e a adquirir conhecimentos.

18 - QUAL A MENSAGEM IMPLÍCITA NA PARÁBOLA DO AVARENTO?

RESP.: Que nesta vida ficamos preocupados em acumular cada vez mais suas fartas colheitas, construindo enormes celeiros para a estocagem de seus bens. Mas, Deus lhe disse que iria morrer ainda noite mesmo então para quem será o que amontoaste? Já que ele colhia com fartura, o excesso ele deveria dividir entre os seus próximos e não aumentar os celeiros (isto é ganância).

19 - JESUS CONDENOU A RIQUEZA?

RESP.: É necessário ressaltar que Deus não condena a riqueza e ninguém será condenado por ser rico. O alerta de Jesus é para o mau uso; é uma advertência para os que não sabem aplicar os bens que possuem.

20 - A QUE JESUS SE REFERIA QUANDO AFIRMOU: "HÁ MUITAS MORADAS NA CASA DE MEU PAI"?

RESP.: Jesus Cristo definiu esses mundos (não somente a Terra) como sendo outras tantas moradas para o Espírito em sua escalada evolutiva rumo à perfeição. A casa do Pai é o Universo todo, e as diferentes moradas são os mundos que circulam no espaço infinito, oferecendo aos Espíritos estações apropriadas ao cumprimento de um prolongado processo evolutivo.

21 - O QUE SIGNIFICA A RÉPLICA DE JESUS A PILATOS: "MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO"?

RESP.: Jesus, nesta passagem evangélica, sabia que os homens ainda não estavam adequadamente preparados para entender e aceitar os valores espirituais. Sua afirmação, embora já deixe apenas entrever aspectos da realidade espiritual, foi por Ele ainda demonstrada no decorrer de sua missão, como sendo a finalidade superior para o qual deverá voltar-se a Humanidade, tornando-se então, objeto das principais preocupações do homem na Terra.

22 - "O REINO DE DEUS ESTÁ ENTRE VÓS.." COMENTE.

RESP.: Significa esta passagem evangélica que vem esclarecer à humanidade que o reino de Deus não está em lugar circunscrito, com demonstrações de poder ou de força, nem aparecerá nesta ou naquela nação, porque está impresso no íntimo de cada criatura. A conscientização desta assertiva de Jesus irá aflorar a partir do amadurecimento espiritual de cada um.

23 - O QUE PRETENDEU JESUS DIZER, QUANDO SE REFERIU AO JUGO SUAVE E AO FARDO LEVE?

RESP.: Ao afirmar que o seu jugo é suave e que ele é manso e humilde de coração, o Mestre deu ênfase à necessidade de compreender que não é o jugo dos déspotas, dos tiranos, dos rancorosos, é um jugo suave, que leva em conta as fraquezas próprias da condição humana, e que o homem muitas vezes coloca em seu próprio caminho, por falta de vigilância e de oração. É necessário que o homem saiba suportar o peso do fardo que carrega, submetendo-se ao jugo suave definido por Jesus como sendo a observância das Leis de Deus e dos ensinamentos contidos no Evangelho.

24 - NA PASSAGEM EVANGÉLICA: "DEIXA QUE OS MORTOS ENTERREM SEUS MORTOS", JESUS QUIS CRITICAR O DESVELO DO FILHO COM O PAI? QUE CONCLUSÃO PODEMOS CHEGAR?

RESP.: Esta passagem evangélica convida o homem a uma reflexão mais profunda, pois este não pode acreditar que as palavras do Mestre representassem uma censura a um homem que por dever de piedade filial, considerava um imperativo sepultar o corpo de seu pai. Jesus certamente deixou mais um de seus edificantes ensinamentos, demonstrando que a vida espiritual é a verdadeira vida, ao passo que a vida temporária que é usufruida no mundo é equivalente a morte, pois, nela o Espírito encarnado perde, transitoriamente, a liberdade e a atividade que desfruta, quando livre do corpo.

25 - QUEM ERAM OS "MORTOS" E OS "VIVOS" A QUEM JESUS SE REFERIU?

RESP.: A respeito da passagem de Lucas, pode-se afirmar que no mundo existem os mortos e os "mortos". Os primeiros - mortos - são os que se dedicam às coisas da alma, que tratam de aprimorar seus Espíritos que, ao desencarnarem, elevam-se para planos mais elevados da Espiritualidade; os segundos - "mortos" - são os que se distanciam das coisas morais e espirituais, que submetem a alma a serviço do corpo, dando prioridade à satisfação dos sentidos, às coisas transitórias do mundo.

26 - DEVEMOS BUSCAR O ESPÍRITO QUE VIVIFICA EM VEZ DA LETRA QUE MATA? POR QUÊ?

RESP.: Estas palavras de Jesus não objetivavam prescrever aos homens que, como condição indispensável, renunciassem às exigências e necessidades da existência humana; o que acontece é que o homem ao procurar desvendar o sentido exato contido no ensinamento evangélico, esbarra sem preconceitos, os inconvenientes da letra que mata. O que ele ensinou, por estas palavras, é que:"quem toma do arado para rasgar o solo, para que nele seja lançada a semente generosa que produz frutos, não pare no meio da jornada, devendo sempre caminhar para à frente, pois aquele que fica à margem do caminho não é digno de trabalhar na sua seara".

27 - O ADULTÉRIO NOS MOLDES COMO FOI EXPLANADO POR JESUS CRISTO, DEVE SER ENTENDIDO NO SENTIDO EXCLUSIVO DESSA PALAVRA, OU TEM UM SENTIDO MAIS AMPLO?

RESP.: Deste modo, o adultério, nos moldes como foi exposto por Jesus Cristo, não deve ser compreendido no sentido restrito da palavra ou da forma como é entendida pelos homens. Deve ser encarado com um sentido mais amplo, nos atos, mas também no pensamento porque aquele que tem o coração livre de sentimentos escusos, nem sequer pensa no mal.

28 - A QUEM SE ESTENDE O CONCEITO DE ADULTÉRIO?

RESP.: Adúlteros, portanto, são todos aqueles que se entregam aos maus pensamentos em relação ao seu semelhante, não importando se conseguiram ou não realizá-los. O homem evangelizado, que jamais concebe maus pensamentos em seu íntimo, já conquistou uma posição moral mais elevada; aquele de tais pensamentos, mas consegue repelí-los, está a caminho de alcançar uma elevação espiritual. Mas, todo aquele que se compraz em pensamentos inferiores, alimentando-os em seu coração ainda está sob o jugo de influências negativas e são adúlteros na também acepção da palavra.

29 - QUAL A MENSAGEM DE JESUS AO REFERIR-SE AOS "PEQUENINOS" - "DEIXAR VIR A MIM OS PEQUENINOS"?

RESP.: Jesus tomou a infância como símbolo da pureza e da simplicidade, portanto, não havia em suas palavras a intenção de dizer que o Reino de Deus é apenas para as crianças, mas sim para todos aqueles que se lhes assemelham. Não poderia ser de outro modo, pois que o Espírito ao reencarnar traz consigo não só as qualidades conquistadas em vidas passadas, no entanto, é sempre um exemplo vivo de pureza, e não foi outro o objetivo de Jesus ao tomá-la como paradigma para deixar à humanidade mais um ensinamento: somente os simples e humildes terão acesso aos planos mais sublimados da Espiritualidade, ou seja, o Reino de Deus.

30 - GRAÇAS TE DOU, Ó PAI, SENHOR DO CÉU E DA TERRA, QUE OCULTASTE ESTAS COISAS AOS SÁBIOS E ENTENDIDOS, E AS REVELASTES AOS PEQUENINOS?

RESP.: Jesus cercou-se sempre de criaturas simples e humildes, pois sabia que somente estes estavam aptos a assimilar suas palavras e seguir seus ensinamentos. A sua mensagem imorredoura era essencialmente endereçada aos brandos, aos pacíficos, aos humildes, aos sofredores de todos os homens, por isso ele exultou-se quando viu que os pequeninos e não os sábios e entendidos assimilaram a revelação do Reino de Deus. Desse modo, Jesus usou esta imagem da criança para ilustrar a bem-aventurança dos puros de coração.A simplicidade e a humildade são inerentes à pureza de espírito, excluindo qualquer laivo de egoísmo e de orgulho.

31 - BASTA CHAMAR: "SENHOR! SENHOR!" PARA SER RECONHECIDO COMO CRISTÃO?

RESP.: Não basta apelar para Jesus, exclamando Senhor! Senhor! quando não se seguem os preceitos por ele ensinados. De nada adianta implorar a ajuda de Deus, se não se busca melhorar e superar a si mesmo, se não torna mais caridoso, nem mais indulgente com os semelhantes. Não são cristãos verdadeiros aqueles que apenas se comprazem em atos exteriores de devoção, ou que se encastelam nas muralhas do egoísmo, do orgulho, da cupidez e de outras paixões degradantes ou que não fazem nada por ninguém.

32 - COMENTE A CITAÇÃO EVANGÉLICA: "RECONHECE-SE UMA BOA ÁRVORE PELOS SEUS FRUTOS".

RESP.: Quando Jesus afirma que reconhece-se uma boa árvore pelos seus frutos, é indispensável questionar quais os frutos que produzimos, e se beneficiam de fato nossos irmãos. As diversas encarnações representam oportunidade vastíssimas para a prática do bem, cabe a nós mesmos gerarmos os frutos e transubstanciá-los em natureza divina.

33 - SOB QUAIS ASPECTOS OS ENSINAMENTOS DE JESUS RESTABELECEM A LEI DIVINA RECEBIDA POR MOISÉS?

RESP.: Ao afirmar que não veio destruir a lei, Jesus referia-se à Lei de Deus, a qual veio desenvolver, dar seu verdadeiro sentido e apropriá-la ao grau de adiantamento dos homens. Importa considerar, pois, o ponto de vista renovado sob o qual Jesus considera a divindade, e, portanto, a Lei: a - Deus já não é o legislador implacável, vingativo e justiceiro, mas um Deus clemente, soberamente justo e bom, cheio de mansidão e misericórdia. b - Já não é o Deus de um único povo privilegiado, o Deus dos exércitos, presidindo os combates para sustentar a sua própria causa contra o Deus dos outros povos que estende a sua proteção sobre todos os seus filhos; c - A Lei de Adoração é modificada: o fundo e a forma não permitindo mais os abusos das práticas exteriores; d - Jesus referia-se a Lei Divina, à vontade do Pai, com o qual estava plenamente identificado.

34 - SE DEVEMOS CONSIDERAR O VELHO TESTAMENTO COMO A PEDRA ANGULAR DA REVELAÇÃO DIVINA, QUAL A POSIÇÃO O EVANGELHO DE JESUS NA EDUCAÇÃO RELIGIOSA DOS HOMENS?

RESP.: O Velho Testamento é o alicerce da Revelação Divina. O Evangelho é o edifício da redenção das almas. Como tal, devia ser procurada a lição de Jesus, não mais para qualquer exposição teórica, mas visando cada discípulo o aperfeiçoamento de si mesmo, desdobrando as edificações do Divino Mestre no terreno definitivo do Espírito.

35 - COM REFERÊNCIA A JESUS, COMO INTERPRETAR O SENTIDO DAS PALAVRAS DE JOÃO: "E O VERBO SE FEZ CARNE E HABITOU ENTRE NÓS, CHEIO DE GRAÇA E VERDADE"?

RESP.: Antes de tudo, precisamos compreender que Jesus não foi um filósofo e nem poderá ser classificado entre os valores propriamente humanos, tendo-se em conta os valores divinos de sua hierarquia espiritual, na direção das coletividades terrícolas. Enviado de Deus, Ele foi a representação do Pai junto do rebanho de filhos transviados do seu amor e da sua sabedoria, cuja tutela lhe foi confiada nas ordenações sagradas da vida no Infinito.
Diretor angélico do orbe, seu coração não desdenhou a permanência direta entre os tutelados míseros e ignorantes, dando ensejo às palavras do apóstolo, acima referidas.

36 - O APÓSTOLO JOÃO RECEBEU MISSÃO DIFERENTE, NA ORGANIZAÇÃO DO EVANGELHO, CONSIDERANDO-SE A DIVERSIDADE DE SUAS EXPOSIÇÕES EM CONFRONTO COM AS NARRAÇÕES DE SEUS COMPANHEIROS?

RESP.: Ainda aí, temos de considerar a especialização das tarefas, no capítulo das obrigações conferidas a cada um. As peças nas narrações evangélicas indetificam-se naturalmente, entre si, como partes indispensáveis de um todo, mas somos compelidos a observar que, se Mateus, Marcos e Lucas receberam a tarefa de apresentar, nos textos sagrados, o Pastor de Israel na sua feição sublime, a João coube a tarefa de revelar o Cristo Divino, na sua sagrada missão universalista.

37 - "JESUS-CRISTO É SEM PAI, SEM MÃE, SEM GENEALOGIA".- COMO INTERPRETAR ESSA AFIRMATIVA, EM FACE DA PALAVRA DE MATEUS?

RESP.: Faz-se necessário entendermos a missão universalista do Evangelho de Jesus, através da palavra de João, para compreender tal afirmativa no tocante à genealogia do Mestre Divino, cujas sagradas raízes repousam no infinito do amor e de sabedoria em Deus.

38 - O SACRIFÍCIO DE JESUS DEVE SER APRECIADO TÃO SOMENTE PELA DOLOROSA EXPRESSÃO DO CALVÁRIO?

RESP.: O Calvário representou o coroamento da obra do Senhor, mas o sacrifício na sua exemplificação se verificou em todos os dias da sua passagem pelo planeta. E o cristão deve buscar, antes de tudo, o modelo nos exemplos do Mestre, porque o Cristo ensinou com amor e humildade o segredo da felicidade espiritual, sendo imprescindível que todos os discípulos edifiquem no íntimo essas virtudes, com as quais saberão remontar ao calvário de suas dores, no momento oportuno.

39 - NUMEROSOS DISCÍPULOS DO EVANGELHO CONSIDERAM QUE O SACRIFÍCIO DO GÓLGOTA NÃO TERIA SIDO COMPLETO SEM O MÁXIMO DE DOR MATERIAL PARA O MESTRE DIVINO. COMO CONCEITUAR ESSA SUPOSIÇÃO EM FACE DA INTENSIDADE DO SOFRIMENTO MORAL QUE A CRUZ LHE TERÁ OFERECIDO?

RESP.: A dor material é um fenômeno como o dos fogos de artifício, em face dos legítimos valores espirituais. Homens do mundo, que morreram por uma idéia, muitas vezes não chegaram a experimentar a dor física, sentindo apenas a amargura da incompreensão do seu ideal. Imaginai, pois, o Cristo, que se sacrificou pela Humanidade inteira, e chegareis a contemplá-Lo na imensidão da sua dor espiritual, augusta e indefinível para a nossa apreciação restrita e singela.
De modo algum poderíamos fazer um estudo psicológico de Jesus, estabelecendo dados comparativos entre o Senhor e o homem. Em sua exemplificação divina, faz-se mister considerar, antes de tudo, o seu amor, a sua humildade, a sua renúncia por toda a Humanidade. Examinados esses fatores, a dor material teria significação especial para que a obra cristã ficasse consagrada? A dor espiritual, grande demais para ser compreendida, não constituiu o ponto essencial da sua perfeita renúncia pelos homens?
Nesse particular, contudo, as criaturas humanas prosseguirão discutindo, como as crianças que somente admitem as realidades da vida de um adulto, quando se lhes fornece o conhecimento tomando para imagens o cabedal imediato dos seus brinquedos.

40- "MEU PAI E EU SOMOS UM" - PODEREMOS RECEBER MAIS ALGUM ESCLARECIMENTO SOBRE ESSA AFIRMATIVA DO CRISTO?

RESP.: A afirmativa evidenciava a sua perfeita identidade com Deus, na direção de todos os processos atinentes à marcha evolutiva do planeta terrestre.

41 - SÃO MUITOS OS ESPÍRITOS EM EVOLUÇÃO NA TERRA, OU NAS ESFERAS MAIS PRÓXIMAS, QUE JÁ VIRAM O CRISTO, EXPERIMENTANDO A GLÓRIA DA SUA PRESENÇA DIVINA?

RESP.: Toda a comunidade dos Espíritos encarnados na Terra, ou localizados em suas esferas de labor espiritual mais ligadas ao planeta sentem a sagrada influência do Cristo, através da assistência de seus prepostos; todavia, pouquíssimos alcançaram a pureza indispensável para a contemplação do Mestre no seu plano divino.

42 -PODER-SE-Á RECONHECER NAS PARÁBOLAS DE JESUS A EXPRESSÃO FENOMÊNICA DAS PALAVRAS, GUARDANDO A ETERNA VIBRAÇÃO DE SEU SENTIMENTO NOS ENSINO?

RESP.: Sim. As parábolas do Evangelho são como as sementes divinas que desabrochariam, mas, mais tarde, em árvores de misericórdia e de sabedoria para a Humanidade.

43 - COMO INTERPRETAR O ANTICRISTO?

RESP.: Podemos simbolizar como Anticristo o conjunto das forças que operam contra o Evangelho, na Terra e nas esferas vizinhas do homem, mas, não devemos figurar nesse Anticristo um poder absoluto e definitivo que pudesse neutralizar a ação de Jesus, porquanto com tal suposição, negaríamos a previdência e a bondade infinitas de Deus.

44 - COMO COMPREENDER A AFIRMATIVA DE JESUS AOS JUDEUS: - "SOIS DEUSES"?

RESP.: Em todo homem repousa a partícula da divindade do Criador, com a qual pode a criatura terrestre participar dos poderes sagrados da Criação. O Espírito encarnado ainda não ponderou devidamente o conjunto de possibilidades divinas guardadas em suas mãos, dons sagrados tantas vezes convertidos em elementos de ruína e destruição.
Entretanto, os poucos que sabem crescer na sua divindade, pela exemplificação e pelo ensinamento, são cognominados na Terra santos e heróis, por afirmarem a sua condição espiritual, sendo justo que todas as criaturas procurem alcançar esses valores, desenvolvendo para o bem e para a luz a sua natureza divina.

45 - QUAL O SENTIDO DO ENSINAMENTO EVANGÉLICO: "TODOS OS PECADOS SER-VOS-ÃO PERDOADOS, MENOS OS QUE COMETERDES CONTRA O ESPÍRITO SANTO?"

RESP.: A aquisição do conhecimento espiritual, com a perfeita noção de nossos deveres, desperta em nosso íntimo a centelha do espírito divino, que se encontra no âmago de todas as criaturas. Nesse instante, descerra-se à nossa visão profunda o santuário da luz de Deus, dentro de nós mesmos, consolidando e orientando as nossas mais legítimas noções de responsabilidade na vida.
Enquanto o homem se desvia ou fraqueja, distante dessa iluminação, seu erro justifica-se, de alguma sorte, pela ignorância ou pela cegueira. Todavia, a falta cometida com a plena consciência do dever, depois da bênção do conhecimento interior, guardada no coração e no raciocínio, essa significa o "pecado contra o Espírito Santo", porque a alma humana estará, então contra si mesma, repudiando as suas divinas possibilidades.
É lógico, portanto, que esses erros são os mais graves da vida, porque consistem no desprezo dos homens pela expressão de Deus, que habita neles.

46 - QUAL O ESPÍRITO DESTAS LETRAS" NÃO CUIDEIS QUE VIM TRAZER PAZ À TERRA; NÃO VIM TRAZER A PAZ, MAS A ESPADA"?

RESP.: Todos os símbolos do Evangelho, dado o meio em que desabrocharam, são, quase sempre, fortes e incisivos. Jesus não vinha trazer ao mundo a palavra de contemporização com as fraquezas do homem, mas a centelha de luz para que a criatura humana se iluminasse para os planos divinos.
E a lição sublime do Cristo, ainda e sempre, pode ser conhecida como a "espada" renovadora, com a qual deve o homem lutar consigo mesmo, extirpando os velhos inimigos do seu coração, sempre capitaneados pela ignorância e pela vaidade, pelo egoísmo e pelo orgulho.

47 - A AFIRMATIVA DO MESTRE: "PORQUE EU VIM PÔR EM DISSENSÃO O FILHO CONTRA SEU PAI, A FILHA CONTRA SUA MÃE E A NORA CONTRA SUA SOGRA" - COMO DEVE SER COMPREENDIDA EM ESPÍRITO E VERDADE?

RESP.: Ainda aqui, temos de considerar a feição antiga do hebraico, com a sua maneira vigorosa de expressão. Seria absurdo admitir que o Senhor viesse estabelecer a perturbação no sagrado instituto da família humana, nas suas elevadas expressões afetivas, mas, sim, que os seus ensinamentos consoladores seriam o fermento divino das opiniões, estabelecendo os movimentos naturais das idéias renovadoras, fazendo luz no íntimo de cada um, pelo esforço próprio, para felicidade de todos os corações.

48 - "E TUDO O QUE PEDIRDES NA ORAÇÃO, CRENDO O RECEBEREIS" - ESSE PRECEITO DO MESTRE TEM APLICAÇÃO IGUALMENTE, NO QUE SE REFERE AOS BENS MATERIAIS?

RESP.: O "seja feita a vossa vontade", da oração comum, constitui nosso pedido geral a Deus, cuja Providência, através dos seus mensageiros, nos proverá o espírito ou a condição de vida do mais útil, conveniente e necessário ao nosso progresso espiritual, para a sabedoria e para o amor.
O que o homem não deve esquecer, em todos os sentidos e circunstâncias da vida, é a prece do trabalho e da dedicação, no santuário da existência de lutas purificadoras, porque Jesus abençoará as suas realizações de esforço sincero.

49 - POR QUE DISSE JESUS QUE O "O ESCÂNDALO É NECESSÁRIO, MAS AI DAQUELE POR QUEM O ESCÂNDALO VIER?"

RESP.: Num plano de vida, onde quase todos se encontram pelo escândalo que praticaram no pretérito, é justo que o mesmo "escândalo" seja necessário, como elemento de expiação, de prova ou de aprendizado, porque aos homens falta ainda aquele "amor que cobre a multidão dos pecados".
As palavras do ensinamento do Mestre ajustam-se, portanto, de maneira perfeita, à situação dos encarnados no mundo, sendo lastimáveis os que não vigiam, por se tornarem, desse modo, instrumentos de tentações nas suas quedas constantes, através dos longos caminhos.

50 - QUAL O SENTIDO DA AFIRMATIVA DO TEXTO SAGRADO, ACERCA DE JESUS: - "NÂO TENDO DEUS QUERIDO SACRIFÍCIO, NEM OBLATA, LHE FORMOU UM CORPO"?

RESP.: Para Deus, o mundo não mais deveria persistir no velho costume de sacrificar nos altares materiais, em seu nome, razão por que enviou aos homens a palavra do Cristo, a fim de que a Humanidade aprendesse a sacrificar no altar do coração, na ascensão divina do sentimentos para o seu amor.

51 - COMO INTERPRETAR A AFIRMATIVA DE JOÃO: "TRÊS SÃO OS QUE FORNECEM TESTEMUNHO NO CÉU: O PAI, O VERBO E O ESPIRITO SANTO"?

RESP.: João referia-se ao Criador, a Jesus que constituía para a Terra a sua mais perfeita personificação, e a legião de Espíritos redimidos e santificados que cooperam com o Divino Mestre, desde os primeiros dias da organização terrestre, sob a misericórdia de Deus.

52 - COMO ENTENDER A BEM-AVENTURANÇA CONFERIDA POR JESUS AOS "POBRES DE ESPÍRITO"?

RESP.: O ensinamento do Divino Mestre referia-se às almas simples e singelas, despidas do "espírito de ambição e egoísmo", que costumam triunfar nas lutas do mundo. Não costumais até hoje denominar os vitoriosos do século, nas questões puramente materiais, de "homens de espírito"? É por essa razão que, em se dirigindo à massa popular, aludia o Senhor aos corações desprentensiosos e humildes, aptos a lhe seguirem os ensinamentos, sem determinadas preocupações rasteiras da existência material.

53 - QUAL A MAIOR LIÇÃO QUE A HUMANIDADE RECEBEU DO MESTRE, AO LAVAR ELE OS PÉS DOS SEUS DISCÍPULOS?

RESP.: Entregando-se a esse ato, queria o Divino Mestre testemunhar às criaturas humanas a suprema lição de humildade, demonstrando, ainda uma vez, que, na coletividade cristã, o maior para Deus seria sempre aquele que se fizesse o menor de todos.

54 - POR QUE RAZÃO JESUS, AO LAVAR OS PÉS DOS DISCÍPULOS, CINGIU-SE COM UMA TOALHA?

RESP.: O Cristo, que não desdenhou a energia fraternal na eliminação dos erros da criatura humana, afirmando-se como o Filho de Deus nos divinos fundamentos da Verdade, quis proceder desse modo para revelar-se o escravo pelo amor à Humanidade, à qual vinha trazer a luz da vida, na abnegação e no sacrifício supremos.

55 - ACEITANDO JESUS O AUXÍLIO DE SIMÃO, O CIRINEU, DESEJAVA DEIXAR UM NOVO ENSINAMENTO ÀS CRIATURAS?

RESP.: Essa passagem evangélica encerra o ensinamento do Cristo, concernente à necessidade de cooperação fraternal entre os homens, em todos os trâmites da vida.

56 - A RESSURREIÇÃO DE LÁZARO, OPERADA PELO MESTRE, TEM UM SENTIDO OCULTO, COMO LIÇÃO À HUMANIDADE?

RESP.: O episódio de Lázaro era um selo divino identificando a passagem do Senhor, mas também foi o simbolo sagrado da ação do Cristo sobre o homem, testemunhando que o seu amor arrancava a Humanidade do seu sepulcro de misérias, Humanidade a favor da qual tem o Senhor dado o sacrifício de suas lágrimas, resssuscitando-a para o sol da vida eterna, nas sagradas lições do seu Evangelho de amor e de redenção.

57 - PODEREMOS RECEBER UM ENSINAMENTO SOBRE A EUCARISTIA, DADO O COSTUME TRADICIONAL DA IGREJA ROMANA, QUE RECORDA A CEIA DOS DISCÍPULOS COM O VINHO E A HÓSTIA?

RESP.: A verdadeira eucaristia evangélica não é a do pão e do vinho materiais, como pretende a igreja de Roma, mas, a identificação legítima e total do discípulo com Jesus, de cujo ensino de amor e sabedoria deve haurir a essência profunda, para iluminação dos seus sentimentos e do seu raciocínio, através de todos os caminhos da vida.

58 - QUEM TERÁ RECEBIDO MAIOR SOMA DE MISERICÓRDIA NA JUSTIÇA DIVINA: - JUDAS, O DISCÍPULO INFIEL, MAS ILUDIDO E ARREPENDIDO, OU O SACERDOTE MALDOSO E INDIFERENTE, QUE O INDUZIU À DEFECÇÃO?

RESP.: Quem há recebido mais misericórida, por mais necessitado e indigente, é o mau sacerdote de todos os tempos, que, longe de confundir a lição do Cristo uma só vez, vem praticando a defecção espiritual para com o Divino Mestre, desde muitos séculos.

59 - QUE ENSINAMENTOS NOS OFERECE A NEGAÇÃO DE PEDRO?

RESP.: A negação de Pedro serve para significar a fragilidade das almas humanas, perdidas na invigilância e na despreocupação da realidade espiritual, deixando-se conduzir, indiferentemente, aos torvelinhos mais tenebrosos do sofrimento, sem cogitarem de um esforço legítimo e sincero, na definitiva edificação de si mesmas.

60 - QUAL A EDIÇÃO DOS EVANGELHOS QUE MELHOR TRADUZ A FONTE ORIGINAL?

RESP.: A grafia original dos Evangelhos já representa em si mesma, a própria tradução do ensino de Jesus, considerando-se que essa tarefa foi delegada aos seus apóstolos. Sendo razoável estimarmos, em todas as circunstâncias, os esforços sinceros, seja qual for o meio onde desdobram, apenas considerarmos que, em todas as traduções dos ensinamentos do Mestre Divino, se torna imprescíndivel separar da letra o espírito. Podereis objetar que a letra deveria ser simples e clara. Convenhamos que sim, mas importa observar que os Evangelhos são o roteiro das almas, e é com a visão espiritual que devem ser lidos; pois, constituindo a cátedra de Jesus, o discípulo que deles se aproximar com a intenção sincera de aprender encontra, sob todos os símbolos da letra, a palavra persuasiva e doce, simples e energética, da inspiração do seu Mestre imortal.

61 - A RESPOSTA DE JESUS AOS SEUS DISCÍPULOS "QUEM É MINHA MÃE E QUEM SÃO OS MEUS IRMÃOS?" É UM INCITAMENTO À EDIFICAÇÃO DA FRATERNIDADE UNIVERSAL?

RESP.: O Senhor se referia-se à precariedade dos laços de sangue, estabelecendo a fórmula do amor, a qual não deve estar circunscrita ao ambiente particular, mas ligada ao ambiente universal, em cujas estradas deveremos observar e ajudar, fraternalmente, a todos os necessitados, desde os aparentemente mais felizes, aos mais desvalidos da sorte.

62 - Quem é Jesus para o Espiritismo?

RESP.: Allan Kardec define, na questão 625 de O Livro dos Espíritos: Para o Homem, Jesus constitui o tipo da perfeição moral a que a Humanidade pode aspirar na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina que ensinou é a expressão mais pura da lei do Senhor, porque, sendo ele o mais puro de quantos tem aparecido na Terra, o Espírito Divino o animava. Está claro: Jesus é o Mestre Maior.

63 - Jesus é Deus encarnado?

RESP.: O Mestre referia-se a si mesmo como um enviado, um servo de Deus. E usava, também, a expressão FILHO 66- Os prdo homem. Queria dizer que era um ser humano, um Espírito encarnado, como todos nós.

64 - Por que, admitindo Jesus como a maior figura da Humanidade, não está o Espiritismo ligado às religiões cristãs?

RESP.: É que não admitem possa o Espiritismo avançar além das fantasias teológicas sobre o destino humano. Considere-se, ainda, que todas são salvacionistas, situam-se como portas de ingresso das almas às regiões celestiais. A Doutrina Espírita derruba essa concepção, explicando que nosso futuro espiritual depende de como vivemos, não de nossa vinculação religiosa.

65 - Jesus aceitava o intercâmbio com o Além?

RESP.: Não só aceitava como o exercitava. São inúmeras as passagens em que conversa com os Espíritos, afastando entidades perturbadoras de suas vítimas. Fala-se em demônios, em relação a elas, mas as traduções fiéis aos textos originais registram Espíritos impuros, definindo melhor o fato de que são irmãos nossos, agindo no Além de conformidade com suas imperfeições. Jesus evidenciou esse intercâmbio nas maravilhosas materializações diante do colégio apostólico.

66 - Os princípios evangélicos estão presentes na Doutrina Espírita?

RESP.: Estão presentes em todas as obras básicas, particularmente em O Evangelho segundo o Espiritismo. Nesse livro Kardec estuda a moral cristã, sob orientação dos Espíritos que o inspiravam.

67 - Apenas a moral?

RESP.: Em outras obras o Codificador estuda aspectos variados do apostolado de Jesus, envolvendo os milagres, as predições, as curas... Em O Evangelho Segundo o Espiritismo privilegia o aspecto moral, por entender que é o mais importante, em relação ao qual não há controvérsias entre as religiões.

68 - Por exemplo?

RESP.: Quando Jesus diz que o amor a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos resume toda a revelação do Velho Testamento, está nos ensinando queo fundamental, em se tratando do exercício da religiosidade, é amar. Quando as religiões se unirem em torno do amor, que se exprime em fazer ao próximo o Bem que gostaríamos nos fosse feito, estaremos às portas do Reino.

69 - Considerando que o amor sintetiza a revelação de Jesus, o que sintetiza o Espiritismo?

RESP.: O dever. A Doutrina evidencia ser indispensável que cultivemos o amor, ao revelar as consequências das ações humanas na Espiritualidade. Dores e amarguras aguardam aqueles que não estiveram dispostos a exercitar a solidariedade, que é o amor atuante e empreendedor, preconizado por Jesus.