LEI DE CAUSA E EFEITO

1 - Ouve-se sempre o espírita falar em débito cármico, quando alguém passa por determinado sofrimento. O que é o carma?

RESP.: A expressão não é espírita. Está no Hinduísmo e no Budismo. Define as consequências de nossas ações, boas ou más, que geram reações que nos atingem na mesma intensidade, nesta encarnação ou nas próximas.

2 -Mas é usada no Espiritismo...

RESP.: E' usada pelos espíritas. Não consta da Codificação. Mais correto falar em Ação e Reação ou Causa e Efeito.

3 - Qual é a diferença?

RESP.: A expressão carma costuma ter um sentido passivo. A pessoa deve sujeitar-se aos males que lhe são impostos, sem reagir, para fazer jus a algo melhor no futuro. A partir daí temos situações lamentáveis, como o sistema de castas que vige na índia, a consagrar discriminações, principalmente dos párias, a casta inferior.

4 - O pária não está pagando dívidas ?


RESP.: Sendo a Terra um planeta de provas e expiações, habitada por Espíritos comprometidos com o egoísmo, podemos dizer que todos estamos em prova ou expiação, pobres e ricos, em qualquer segmento da sociedade. A condição social pode ser apenas uma contingência, como nascer numa favela, por falta de melhor localização. Não é pela vontade de Deus que surgem as favelas e as castas, mas pela incúria humana. Deus cria e sustenta a Vida. A qualidade dela é obra do Homem.

5 - Se não é um carma, essa situação pode ser modificada?

RESP.: Sem dúvida! Ainda que se trate de uma medida disciplinar envolvendo comprometimentos do passado, é passível de ser amenizada a partir da conscientização da sociedade e pelo esforço do pária em favor de uma situação melhor, condizente com a dignidade humana.

6 - Digamos que alguém tenha matado um desafeto, dando-lhe um tiro no peito. Numa existência futura não deveria morrer assim também, para resgate de sua dívida?

RESP.: Isso apenas perpetuaria o mal, porquanto alguém deveria fazê-lo, assumindo carma idêntico. Esse retorno implacável, na mesma proporção, evoca a pena de talião, o olho por olho, dente por dente, de Jeová, o sanguinário deus mosaico, substituído pelo Deus de amor e misericórdia, revelado por Jesus.

7 - E como fica o assassino?

RESP.: Terá desajustes espirituais, decorrentes de seu ato criminoso, que tenderão a refletir-se em seus estados físicos e emocionais, na presente existência ou em futuras, originando males que lhe ensinarão a superar a agressividade. Paralelamente, será chamado ao compromisso de reajustar-se com sua vítima, compensando-a pelo mal que lhe fez.

8 - TODOS ESTAMOS SUJEITOS A ESSAS CONSEQUÊNCIAS?

RESP.: Sim, mas o grau de comprometimento do criminoso dependerá de sua capacidade em distinguir o Bem do Mal, o certo do errado. Quanto maior o seu discernimento, maior a responsabilidade.

9 - Nossos sofrimentos estão sempre associados ao pagamento de dívidas contraídas em vidas anteriores?

RESP.: Estão mais relacionados com nosso estilo de vida no presente: o que comemos, o que fazemos, como pensamos... A gordura excessiva, que sobrecarrega o organismo, é mera consequência de um regime alimentar desregrado, sem nenhuma vinculação com existências passadas.

10 - O indivíduo obeso sabe que está pagando pela indisciplina na alimentação e pelo sedentarísmo, o que o ajudará a superá-los. Quando se trate de débitos de vidas anteriores, não seria interessante ter consciência deles para suportar melhor suas consequências e ter um estímulo para não incorrer nos mesmos enganos?

RESP.: O esquecimento do passado, como já dissemos, é altamente benéfico. Favorece abençoado recomeço, sem as lembranças do pretérito, a fim de que superemos paixões e fixações que determinaram nossos fracassos. Nem por isso deixamos de aprender as lições da mestra Dor. Por reflexo condicionado, o criminoso que mata alguém, e sofre as conse­quências, incorporará o sentimento de que a agressividade que o induziu ao crime lhe é danosa.

11 - Como saber se nossos males têm sua origem em vidas anteriores ou se são resultantes de nosso compor­tamento na vida atual?

RESP.: Os males cármicos são mais entranhados e, não raro, nos acompanham pela vida toda. A perda de um membro, a doença crónica, a esterilidade, a grave limitação física ou men­tal... Os resultantes dos maus cuidados com nossa vida e nosso corpo desaparecem à me­dida que nos tornamos mais disciplinados.

12 - É possível amenizar os rigores da Lei de Causa e Efeito?

RESP.: Deus nos concede duas moedas para resgate de nossas dívidas - a dor e o amor. Se não há amor, aumenta a dor. Quanto mais amor, menos dor.

13 -Que amor é esse?

RESP.: O amor fraterno preconizado por Jesus, que se exprime em fazer ao próximo o Bem que gostaríamos nos fizessem. É ele que cobre a multidão dos pecados, como dizia o apóstolo Pedro em sua Primeira Epístola aos Coríntios (4:8).

14 - Os sofrimentos e o exercício do amor promovem a quitação de nossos débitos perante a Justiça Divina?

RESP.: A quitação definitiva, que exprime a tranquilidade de consciência, será alcançada com a reparação de nossas faltas, compensando nossas vítimas pelos prejuízos que lhes causamos.

15 - Se alguém mata seu próprio irmão para entrar na posse de sua fortuna, como irá compensá-lo pelo mal que lhe fez?

RESP.: Como se trata de alguém de seu círculo familiar, poderá recebê-lo como filho, com o que estará lhe restituindo a vida e os bens roubados. Evidentemente, estamos no terreno das possibilidades. Se a vítima for um Espírito mais amadurecido, seguirá seus próprios caminhos, sem necessidade do concurso daquele que o agrediu. O ofensor também encontrará caminhos alternativos, envolvendo o esforço do Bem.

16 - As dificuldades de relacionamento no lar podem ter sua origem na convivência de inimigos do passado, ligados pela consanguinidade, visando uma harmonização?

RESP.: Os problemas de relacionamento estão associados à inferioridade humana. Deus não reúne desafetos do passado no lar para se amassarem, mas para se amarem, a partir do exercício das virtudes evangélicas. Perdão, tolerância, caridade, paciência, são remédios infalíveis, no presente, para neutralizar a animosidade do passado.