LIVRE ARBÍTRIO

1 - O HOMEM GOZA DE LIVRE-ARBÍTRIO PLENO?

RESP.: O homem goza do livre-arbítrio a partir do momento em que manifesta a vontade de agir livremente: porém, "nas primeiras fases da vida a liberdade é quase nula; ela se desenvolve e muda de objeto com as faculdades". A liberdade de agir, portanto, é relativa, pois depende, primeiramente, da vontade de realizar algo. No princípio de seu desenvolvimento, o Espírito ainda não sabe direcionar sua vontade, senão para a satisfação de suas necessidades básicas. Neste caso, prevalece o instinto. Uma vez ampliada a sua consciência, novos interesses surgem. A medida que sua vida vai se tornando complexa, o livre-arbítrio é limitado pela atuação da Lei de Causa e Efeito, até que o ser consiga libertar-se do círculo das reencarnações e aí seu exercício torna-se pleno.

2 - O QUE A LIBERDADE DE AGIR IMPÕE AO ESPÍRITO?

RESP.: De uma maneira geral, somos livres para agir e somos responsáveis pelos esforços que fazemos para superar os obstáculos, para realizar nosso programa de vida e para progredir. Nenhuma oportunidade nos é negada mas não podemos pensar em fazer as coisas de qualquer tipo, burlando as Leis Divinas, como burlamos as leis humanas.

3 - O HOMEM TEM LIVRE-ARBÍTRIO NOS SEUS ATOS?

RESP.: Pois se tem a liberdade de pensar, tem a de agir. Sem o livre-arbítrio o homem seria uma máquina.

4 - O HOMEM GOZA DO LIVRE-ARBÍTRIO DESDE O NASCIMENTO?

RESP.: Ele tem a liberdade de agir, desde que tenha a vontade de o fazer. Nas primeiras fases da vida a liberdade é quase nula; ela se desenvolve e muda de objeto com as faculdades. Estando os pensamentos da criança em relação com as necessidades da sua idade, ela aplica o seu livre-arbítrio às coisas que lhe são necessárias.

5 - AS PREDISPOSIÇÕES INSTINTIVAS QUE O HOMEM TRAZ AO NASCER NÃO SÃO UM OBSTÁCULO AO EXERCÍCIO DO SEU LIVRE-ARBÍTRIO?

RESP.: As predisposições instintivas são as do Espírito antes da encarnação; conforme for ele mais ou menos adiantado, elas podem impelí-lo a atos repreensíveis, no que ele será secundado por Espíritos que simpatizem com essas disposições; mas não há arrastamento irresistível, quando se tem a vontade de resistir. Lembrai-vos de que querer é poder.

6 - O ORGANISMO NÃO INFLUI NOS ATOS DA VIDA? E SE INFLUI, NÃO O FAZ COM PREJUÍZO DO LIVRE-ARBÍTRIO?

RESP.: O Espírito é certamente influenciado pela matéria, que pode entravar as suas manifestações. Eis porque, nos mundos em que os corpos são menos materiais do que na Terra, as faculdades se desenvolvem com mais liberdade. Mas o instrumento não dá faculdades ao Espírito. De resto, é necessário distinguir neste caso as faculdades morais das faculdades intelectuais. Se um homem tem o instinto do assassínio, é seguramente o seu próprio Espírito que o possui e que lho transmite, mas nunca os seus órgãos. Aquele que aniquila o seu pensamento para se ocupar apenas da matéria faz-se semelhante ao bruto, e ainda pior, porque não pensa mais em se premunir contra o mal. É nisso que ele se forna faltoso, pois assim age pela própria vontade.

7 - A ALTERAÇÃO DAS FACULDADES TIRA O HOMEM O LIVRE-ARBÍTRIO?

RESP.: Aquele cuja inteligência está perturbada por uma causa qualquer perde o domínio do seu pensamento e, desde então, não tem mais liberdade. Essa alteração é frequentemente uma punição para o Espírito que, numa existência, pode ter sido vão e orgulhoso, fazendo mau uso de suas faculdades. Ele pode renascer no corpo de um idiota, como o déspota no corpo de um escravo e o mau rico no de um mendigo. Mas o Espírito sofre esse este constrangimento, do qual tem perfeita consciência; é nisso que está a ação da matéria.

8 - A ALTERAÇÃO DAS FACULDADES INTELECTUAIS PELA EMBRIAGUEZ DESCULPA OS ATOS REPREENSÍVEIS?

RESP.: Não; pois o ébrio voluntariamente se priva da razão para satisfazer paixões brutais; em lugar de uma falta, comete duas.

9 - QUAL É, NO HOMEM EM ESTADO SELVAGEM, A FACULDADE DOMINANTE: O INSTINTO OU O LIVRE-ARBÍTRIO?

RESP.: O instinto, o que não o impede de agir com inteira liberdade em certas coisas. Mas, como a criança, ele aplica essa liberdade às suas necessidades e ela se desenvolve com a inteligência. Por conseguinte, tu, que és mais esclarecido que um selvagem, és também mais responsável que ele pelo que fazes.

10 - A POSIÇÃO SOCIAL NÃO É ÀS VEZES UM OBSTÁCULO À INTEIRA LIBERDADE DE AÇÃO?

RESP.: O mundo tem, sem dúvida, as suas exigências. Deus é justo e tudo leva em conta, mas vos deixa a responsabilidade dos poucos esforços que fazeis para superar os obstáculos.

11 - HÁ O DETERMINISMO E O LIVRE-ARBÍTRIO, AO MESMO TEMPO, NA EXISTÊNCIA HUMANA?

RESP.: Determinismo e livre-arbítrio coexistem na vida, entrosando-se na estrada dos destinos, para a elevação e redenção dos homens. O primeiro é absoluto nas mais baixas camadas evolutivas e o segundo amplia-se com os valores da educação e da experiência. Acresce observar que sobre ambos pairam as determinações divinas, baseadas na lei do amor, sagrada e única, da qual a profecia foi sempre o mais eloquente testemunho. Não verificais, atualmente, as realiazações previstas pelos emissários do Senhor há dois e quatro milênios, no divino simbolismo das Escrituras? Estabelecida a verdade de que o homem é livre na pauta de sua educação e de seus méritos, na lei da provas, cumpre-nos reconhecer que o próprio homem, à medida que se torna responsável, organiza o determinismo da sua existência, agravando-o ou amenizando-lhe os rigores, até poder elevar-se definitivamente aos planos superiores do Universo.

12 - HAVENDO O DETERMINISMO E O LIVRE-ARBÍTRIO, AO MESMO TEMPO, NA VIDA HUMANA, COMO COMPREENDER A PALAVRA DOS GUIAS ESPIRITUAIS QUANDO AFIRMAM NÃO LHES SER POSSÍVEL INFLUENCIAR A NOSSA LIBERDADE?

RESP.: Não devemos esquecer que falamos de expressão corpórea, em se tratando do determinismo natural, que prepondera sobre os destinos humanos. A subordinação da criatura, em suas expressões do mundo físico, é lógica e natural nas leis das compensações, dentro das provas necessárias, mas, no íntimo, zona de pura influenciação espiritual, o homem é livre na escola do seu futuro caminho. Seus amigos do invisível localizam aí o santuário da sua independência sagrada. Em todas as situações, o homem educado pode reconhecer onde falam as circunstâncias da vontade de Deus, em seu benefício, e onde falam as que se formam pela força da sua vaidade pessoal ou do seu egoísmo. Com ele, portanto, estará sempre o mérito da escolha, nesse particular.

13 - COMO PODE O HOMEM AGRAVAR OU AMENIZAR O DETERMINISMO DE SUA VIDA?

RESP.: A determinação divina na sagrada lei universal é sempre a do bem e da felicidade, para todas as criaturas. No lar humano, não vedes um pai amoroso e ativo, com um largo programa de trabalhos pela ventura dos filhos? E cada filho, cessado o esforço da educação na infância, na preparação para a vida, não deveria ser um colaborador fiel da generosa providência paterna pelo bem de toda a comunidade familiar? Entretanto, a maioria dos pais humanos deixa a Terra sem ser compreendida, apesar de todo o esforço despendido na educação dos filhos. Nessa imagem muito frágil, em comparação com a paternidade divina, temos um símile da situação. O Espírito que, de algum modo, já armazenou certos valores educativos, é convocado para esse ou aquele trabalho de responsabilidade junto de outros seres em provação rude, ou em busca de conhecimentos para a aquisição da liberdade. Esse trabalho deve ser levado a efeito na linha reta do bem, de modo que esse filho seja o bom cooperador de seu Pai Supremo, que é Deus. O administrador de uma instituição, o chefe de uma oficina, o escritor de um livro, o mestre de uma escola, têm a sua parcela de independência para colaborar na obra divina, e devem retribuir a confiança espiritual que lhes foi deferida. Os que se educam e conquistam direitos naturais, inerentes à personalidade, deixam de obedecer, de modo absoluto, no determinismo da evolução, porquanto estarão aptos a cooperar no serviço das ordenações, podendo criar as circunstâncias para a marcha ascensional de seus subordinados ou irmãos em humanidade, no mecanismo de responsabilidade da consciência esclarecida. Nesse trabalho de ordenar com Deus, o filho necessita considerar o zelo e o amor paternos, a fim de não desviar sua tarefa do caminho reto, supondo-se senhor arbitrário das situações, complicando a vida da família humana, e adquirindo determinados compromissos, por vezes bastante penosos porque, contrariamente ao propósito dos pais, há filhos que desbaratam os "talentos" colocados em suas mãos, na preguiça, no egoísmo, na vaidade ou no orgulho. Daí a necessidade de concluirmos com a apologia da Humanidade, salientando que o homem que atingiu certa parcela de liberdade está retribuindo a confiança do Senhor, sempre que age com a sua vontade misericordiosa e sábia, reconhecendo que o seu esforço individual vale muito, não por ele, mas pelo amor de Deus que o protege e ilumina na edificação de sua obra imortal.

14 - SE O DETERMINISMO DIVINO É O DO BEM, QUEM CRIOU O MAL?

RESP.: O determinismo divino se constitui de uma só lei, que é a do amor para a comunidade universal. Todavia, confiando em si mesmo, mais do que em Deus, o homem transforma a sua fragilidade em foco de ações contrárias a essa mesma lei, efetuando, desse modo, uma intervenção indébita na harmonia divina. EIS O MAL. Urge recompor os elos sagrados dessa harmonia sublime. EIS O RESGATE. Vede, pois, que o mal, essencialmente considerado, não pode existir para Deus, em virtude de representar um desvio do homem, sendo zero na Sabedoria e na Providência Divinas. O Criador é sempre o Pai generoso e sábio, justo e amigo, considerando os filhos transviados como incursos em vastas experiências. Mas, como Jesus e os seus prepostos são seus cooperadores divinos, e eles próprios instituem as tarefas contra o desvio das criaturas humanas, focalizam os prejuízos do mal com a força de suas responsabilidades educativas, a fim de que a Humanidade siga retamente no seu verdadeiro caminho para Deus.

15 - EXISTEM SERES AGINDO NA TERRA SOB DETERMINAÇÃO ABSOLUTA?

RESP.: Os animais e os homens quase selvagens nos dão uma idéia dos seres que agem no planeta sob determinação absoluta. E essas criaturas servem para estabelecer a realidade triste da mentalidade do mundo, ainda distante da fórmula do amor, com que o homem deve ser o legítimo cooperador de Deus, ordenando com a sua sabedoria paternal. Sem saberem amar os irracionais e os irmãos mais ignorantes colocados sob a sua imediata proteção, os homens mais educados da Terra exterminam os primeiros, para a sua alimentação, e escravizam os segundos para objeto de explorações grosseiras, com exceções, de modo a mobilizá-los a serviço do seu egoísmo e da sua ambição.

16 - O HOMEM EDUCADO DEVE EXERCER VIGILÂNCIA SOBRE O SEU GRAU DE LIBERDADE?

RESP.: É sobre a independência própria que a criatura humana precisa exercer a vigilância maior. Quando o homem educado se permite examinar a conduta de outrem, de modo leviano ou inconveniente, é sinal que a sua vigilância padece desastrosa deficiência, porquanto a liberdade de alguém termina sempre onde começa uma outra liberdade, e cada qual responderá por si, um dia, junto à Verdade Divina.

17 - EM SE TRATANDO DAS QUESTÕES DO DETERMINISMO, QUALQUER SER RACIONAL PODE ESTAR SUJEITO A ERROS?

RESP.: Todo ser racional está sujeito ao erro, mas a ele não se encontra obrigado. Em plano de provações e de experiências como a Terra, o erro deve ser sempre levado à conta dessas mesmas experiências, tão logo seja reconhecido pelo seu autor direto, ou indireto tratando-se de aproveitar os seus resultados, em idênticas circunstâncias da vida, sendo louvável que as criaturas abdiquem a repetição dos experimentos, em favor do seu próprio bem no curso infinito do tempo.

18 - SE NA LUTA DA VIDA TERRESTRE EXISTEM CIRCUNSTÂNCIAS, POR TODA PARTE, QUAL SERÁ A MELHOR DE TODAS, DIGNA DE SER SEGUIDA?

RESP.: Em todas as situações da existência a mente do homem defronta circunstâncias do determinismo divino e do determinismo humano. A circunstância a ser seguida, portanto, deve ser sempre a do primeiro, a fim de que o segundo seja iluminado, destacando-se essa mesma circunstância pelo seu caráter de benefício geral, muitas vezes com o sacrifício da satisfação egoística da personalidade. Em virtude dessa característica, o homem está sempre habilitado, em seu íntimo, a escolher o bem definitivo de todos e o contentamento transitório do seu "eu", fortalecendo a fraternidade e a luz, ou agravando o seu próprio egoísmo.

19 - OS ASTROS INFLUENCIAM IGUALMENTE NA VIDA DO HOMEM?