MEDIUNIDADE

1 - O QUE É MEDIUNIDADE?

RESP.: Mediunidade é a faculdade ou aptidão que possuem certos indivíduos denominados médiuns, de servirem de intermediários entre os mundos físico e espiritual. A Mediunidade é inerente ao organismo, como a visão, a audição e a fala, daí, qualquer um pode ser dotado dessa faculdade, é uma conquista da alma.

2 - QUAL O PRINCIPAL INIMIGO DO MÉDIUM?

RESP.: O primeiro inimigo do médium reside nele mesmo. Frequentemente é o personalismo, a exibição, a ambição, a ignorância ou a rebeldia no voluntário desconhecimento dos seus deveres a luz do Evangelho, fatores de inferioridade moral, que não raro, conduzem a invigilância, à leviandade e a confusão dos campos improdutivos.

3 - NA SUA OPINIÃO, POR QUE O MÉDIUM DEVE EVANGELIZAR-SE?

RESP.: A maior necessidade do médium é evangelizar-se a si mesmo; antes, de se entregar às grandes tarefas doutrinárias, pois, de outro modo, poderá esbarrar sempre com o fantasma do personalismo, em detrimento de sua missão. "Contra esse inimigo, é preciso movimentar as energias íntimas pelo estudo, pelo cultivo da humildade, pela boa vontade, com o melhor esforço de auto-educação, à claridade do Evangelho".

4 - EXPLIQUE A FRASE DE JESUS: "DAI DE GRAÇA O QUE DE GRAÇA RECEBESTES".

RESP.: Jesus disse aos seus discípulos esta frase recomendando-lhes, dessa forma, que não aceitassem pagamentos pela dispensa dos bens cuja obtenção nada lhes houvesse custado, isto é, que nada cobrassem dos outros por aquilo que não pagaram. O que eles receberam gratuitamente, foi a faculdade de curar doentes e expulsar os "demônios", ou seja, os maus espíritos.

5 - COMO PODE SER ENCARADA A MEDIUNIDADE SÉRIA?

RESP.: A mediunidade séria não pode ser nem será jamais, uma profissão mesmo porque, é, sobretudo, no seu aspecto de concessão como prova é uma faculdade essencialmente móvel e variável, não sendo portanto, a mesma coisa que a capacidade adquirida pelo estudo e pelo trabalho, da qual se tem o direito de usar.

6 - NA SUA OPINIÃO, O QUE É UM BOM MÉDIUM?

RESP.: Um bom médium é aquele que se evangeliza e utiliza o seu "dom", a sua faculdade para curar os doentes e expulsar os "demônios" ou seja os maus espíritos. Não cobra pelo seu uso. Bom médium é o que aplica a sua faculdade buscando tornar-se apto à servir de intérprete aos bons Espíritos.

7 - QUAL A VERDADEIRA DEFINIÇÃO DA MEDIUNIDADE?

RESP.: A mediunidade é aquela luz que seria derramada sobre toda carne e prometida pelo Divino Mestre aos tempos do Consolador, atualmente em curso na Terra. A missão mediúnica, se tem os seus percalços e as suas lutas dolorosas, é uma das mais belas oportunidades de progresso e de redenção concedidas por Deus aos seus filhos misérrimos.
Sendo luz que brilha na carne, a mediunidade é atributo do Espirito, patrimônio da alma imortal, elemento renovador da posição moral da criatura terrena, enriquecendo todos os seus valores no capítulo da virtude e da inteligência, sempre que se encontre ligada aos princípios evangélicos na sua trajetória pela face do mundo.

8 - É JUSTO CONSIDERARMOS TODOS OS HOMENS COMO MÉDIUNS?

RESP.: Todos os homens têm o seu grau de mediunidade, nas mais variadas posições evolutivas, e esse atributo do espírito representa, ainda, a alvorada de novas percepções para o homem do futuro, quando, pelo avanço da mentalidade do mundo, as criaturas humanas verão alargar-se a janela acanhada dos seus cinco sentidos.
Na atualidade, porém, temos de reconhecer que no campo imenso das potencialidades psíquicas do homem existem os médiuns com tarefa definida, precursores das novas aquisições humanas. É certo que essas tarefas reclamam sacrifícios e se constituem, muitas vezes, de provações ásperas; todavia, se o operário busca a substância evangélica para a execução de seus deveres, é ele o trabalhador que faz jus ao acréscimo de misericórdia prometido pelo Mestre a todos os discípulos de boa-vontade.

9 - DEVER-SE-Á PROVOCAR O DESENVOLVIMENTO DA MEDIUNIDADE?

RESP.: Ninguém deverá forçar o desenvolvimento dessa ou daquela faculdade, porque, nesse terreno, toda a espontaneidade é necessária; observando-se contudo, a floração mediúnica espontânea, nas expressões mais simples, deve-se aceitar o evento com as melhores disposições de trabalho e boa-vontade, seja essa possibilidade psíquica a mais humilde de todas.
A mediunidade não deve ser fruto de precipitação nesse ou naquele setor da atividade doutrinária, porquanto, em tal assunto, toda espontaneidade é indispensável, considerando-se que as tarefas mediúnicas são dirigidas pelos mentores do plano espiritual.

10 - A MULHER OU O HOMEM, EM PARTICULAR, POSSUEM DISPOSIÇÕES ESPECIAIS PARA O DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO?

RESP.: No capítulo do mediunismo não existem propriamente privilégios para os que se encontram em determinada situação; porém, vence nos seus labores quem detiver a maior porcentagem de sentimento. E a mulher, pela evolução de sua sensibilidade em todos os climas e situações, através dos tempos, está, na atualidade, em esfera superior à do homem, para interpretar, com mais precisão e sentido de beleza, as mensagens dos planos invisíveis.

11 - QUAL A MEDIUNIDADE MAIS PRECIOSA PARA O BOM SERVIÇO À DOUTRINA?

RESP.: Não existe mediunidade mais preciosa uma que a outra. Qualquer uma é campo aberto às mais belas realizações espirituais, sendo justo que o médium, com a tarefa definida, se encha de espírito missionário, com dedicação sincera e fraternidade pura, para que o seu mandato não seja traído na improdutividade.

12 - QUAL A MAIOR NECESSIDADE DO MÉDIUM?

RESP.: A primeira necessidade do médium é evangelizar-se a si mesmo antes de se entregar às grandes tarefas doutrinárias, pois, de outro modo poderá esbarrar sempre com o fantasma do personalismo, em detrimento de sua missão.

13 - NOS TRABALHOS MEDIÚNICOS TEMOS DE CONSIDERAR, IGUALMENTE, OS IMPERATIVOS DA ESPECIALIZAÇÃO?

RESP.: O homem do mundo, no círculo de obrigações que lhe competem na vida, deverá sair da generalidade para produzir o útil e o agradável, na esfera de suas possibilidades individuais. Em mediunidade, devemos submeter-nos aos mesmo princípios. O homem enciclopédico, em faculdade, ainda não apareceu, senão em gérmen, nas organizações geniais que raramente surgem na Terra, e temos de considerar que a mediunidade somente agora começa a aparecer no conjunto de atributos do homem transcendente.
A especialização na tarefa mediúnica é mais que necessária e somente de sua compreensão poderá nascer a harmonia na grande obra de vulgarização da verdade a realizar.

14 - A MEDIUNIDADE PODE SER RETIRADA EM DETERMINADAS CIRCUNSTÂNCIAS DA VIDA?

RESP.: Os atributos medianímicos são como os talentos do Evangelho. Se o patrimônio divino é desviado de seus fins, o mau servo torna-se indigno da confiança do Senhor da seara da verdade e do amor. Multiplicados no bem, os talentos mediúnicos crescerão para Jesus, sob as bênçãos divinas; todavia, se sofrem o insulto do egoísmo do orgulho, da vaidade ou da exploração inferior, podem deixar o intermediário do invisível entre as sombras pesadas do estacionamento, nas mais dolorosas perspectivas de expiação, em vista do acréscimo de seus débitos irrefletidos.

15 - É JUSTO QUE UM MÉDIUM CONFIE EM SI MESMO PARA A PROVOCAÇÃO DE FENÔMENOS, ORGANIZANDO TRABALHOS ESPECIAIS COM O FIM DE CONVERTER OS DESCRENTES?

RESP.: Onde o médium em tão elevada condição de pureza e merecimento, para contar com as suas próprias forças na produção desse ou daquele fenômeno? Ninguém vale, na Terra, senão pela expressão da misericórdia divina que o acompanha, e a sabedoria do plano superior conhece minuciosamente as necessidades e méritos de cada um.
A tentativa de tais trabalhos é um erro grave. Um fenômeno não edifica a fé sincera, somente conseguida pelo esforço e boa-vontade pessoal na meditação e no trabalho interior. Os descrentes chegarão à Verdade, algum dia, e a Verdade é Jesus. Anteciparmo-nos à ação do Mestre não seria testemunho de confusão?
Organizar sessões medianímicas com o objetivo de arrebanhar prosélitos é agir com demasiada leviandade. O que é santo e divino ficaria exposto aos julgamentos precipitados dos mais ignorantes e ao assalto destruidor dos mais perversos, como se a Verdade de Jesus fosse objeto de espetáculos, nos picadeiros de um circo.

16 - OS IRRACIONAIS POSSUEM MEDIUNIDADE?

RESP.: Os irracionais não possuem faculdades mediúnicas propriamente ditas. Contudo, têm percepções psíquicas embrionárias, condizentes ao seu estado evolutivo, através das quais podem indiciar as entidades deliberadamente perturbadoras, com fins inferiores, para estabelecer a perplexidade naqueles que os acompanham, em determinadas circunstâncias.

17 - PODE CONTAR UM MÉDIUM, DE MANEIRA ABSOLUTA, COM OS SEUS GUIAS ESPIRITUAIS, DISPENSANDO OS ESTUDOS?

RESP.: Os mentores de um médium, por mais dedicados e evolvidos, não lhe poderão tolher a verdade e nem lhe afastar o coração das lutas indispensáveis da vida, em cujos benefícios todos os homens resgatam o passado delituoso e obscuro, conquistando méritos novos. O médium tem obrigação de estudar muito, observar intensamente e trabalhar em todos os instantes pela sua própria iluminação.
Somente desse modo poderá habilitar-se para o desempenho da tarefa que lhe foi confiada, cooperando eficazmente com os Espíritos sinceros e devotados ao bem e à verdade. Se um médium espera muito dos seus guias, é lícito que os seus mentores espirituais muito esperem do seu esforço.
E como todo progresso humano, para ser continuado, não pode prescindir de suas bases já edificadas no espaço e no tempo, o médium deve entregar-se ao estudo, sempre que possível, criando o hábito de conviver com o espírito luminoso e benéfico dos instrutores da Humanidade, sob a égide de Jesus, sempre vivos no mundo, através do seus livros e da sua exemplificação.
O costume de tudo aguardar de um guia pode transformar-se em vício detestável, infirmando as possibilidades mais preciosas da alma. Chegando-se a esse desvirtuamento, atinge-se o declive das mistificações e das extravagâncias doutrinárias, tornando-se o médium preguiçoso e leviano responsável pelo desvio de sua tarefa sagrada.

18 - PODERÁ ADMITIR-SE QUE UM MÉDIUM SE SOCORRA DE OUTRO MÉDIUM PARA OBTER O AMPARO DOS SEUS AMIGOS ESPIRITUAIS?

RESP.: É justo que um amigo se valha da estima fraternal de um companheiro de crença, para assuntos de confiança íntima e recíproca, mas, na função mediúnica, o portador dessa ou daquela faculdade deve buscar em seu próprio valor o elemento de ligação com os seus mentores do plano invisível, sendo contraproducente procurar amparo, nesse particular, fora das suas próprias possibilidades, porque, de outro modo,seria repousar numa fé alheia, quando a fé precisa partir do íntimo de cada um, no mecanismo da vida.
Além do mais, cada médium possui a sua esfera de ação no ambiente que lhe foi assinalado. Abandonar a própria confiança para valer-se de outrem, seria sobrecarregar os ombros de um companheiro de luta, esquecendo a cruz redentora que cada Espírito encarnado deverá carregar em busca da claridade divina.

19 - A MISTIFICAÇÃO SOFRIDA POR UM MÉDIUM SIGNIFICA AUSÊNCIA DE AMPARO DOS MENTORES DO PLANO ESPIRITUAL?

RESP.: A mistificação experimentada por médium traz, sempre, uma finalidade útil, que é a de afastá-lo do amor-próprio, da preguiça no estudo de suas necessidades próprias, da vaidade pessoal ou dos excessos de confiança em si mesmo. Os fatos de mistificação não ocorrem à revelia dos seus mentores mais elevados, que, somente assim, o conduzem à vigilância precisa e às realizações da humildade e da prudência no seu mundo subjetivo.

20 - SERIA JUSTO ACEITAR REMUNERAÇÃO FINANCEIRA NO EXERCÍCIO DA MEDIUNIDADE?

RESP.: Quando um médium se resolva a transformar suas faculdades em fonte de renda material, será melhor esquecer suas possibilidades psíquicas e não se aventurar pelo terreno delicado dos estudos espirituais. A remuneração financeira, no trato das questões profundas da alma, estabelece um comércio criminoso, do qual o médium deverá esperar no futuro os resgates mais dolorosos.
A mediunidade não é ofício do mundo, e os Espíritos esclarecidos, na verdade e no bem, conhecem, mais que os seus irmãos da carne, as necessidades dos seus intermediários.

21 - É RAZOÁVEL QUE OS MÉDIUNS COGITEM DA SOLUÇÃO DE ASSUNTOS MATERIAIS JUNTO DOS SEUS MENTORES DO PLANO INVISÍVEL?

RESP.: Não se deve esquecer que o campo de atividades materiais é a escola sagrada dos Espíritos incorporados no orbe terrestre. Se não é possível aos amigos espirituais quebrarem a lei de liberdade própria de seus irmãos, não é lícito que o médium cogite da solução de problemas materiais junto dos Espíritos amigos.
O mundo é o caminho no qual a alma deve provar a experiência, testemunhar a fé, desenvolver as tendências superiores, conhecer o bem, aprender o melhor, enriquecer os dotes individuais. O médium que se arrisca a desviar suas faculdades psíquicas, para o terreno da materialidade do mundo, está em marcha para as manifestações grosseiras dos planos inferiores, onde poderá contrair os débitos mais penosos.

22 - DEVE O MÉDIUM SACRIFICAR O CUMPRIMENTO DE SUAS OBRIGAÇÕES NO TRABALHO COTIDIANO E NO AMBIENTE SAGRADO DA FAMÍLIA, EM FAVOR DA PROPAGANDA DOUTRINÁRIA?

RESP.: O médium somente deve dar aos serviços da Doutrina a cota do tempo de que possa dispor, entre os labores sagrados do pão de cada dia e o cumprimento dos seus elevados deveres familiares. A execução dessas obrigações é sagrada e urge não cair no declive das situações parasitárias, ou do fanatismo religioso.
No trabalho de verdade, Jesus caminha antes de qualquer esforço humano e ninguém deve guardar a pretensão de converter alguém, quando nas tarefas do mundo há sempre oportunidade para o preciso conhecimento de si mesmo.
Que médium algum se engane em tais perspectivas. Antes sofrer a incompreensão dos companheiros, que transigir com os princípios, caindo na irresponsabilidade ou nas penosas dívidas de consciência.

23 - PODER-SE-Á ADMITIR QUE OS ESPIRITISTAS SE VALHAM DE UM APOSTOLADO MEDIÚNICO, PARA SOLUÇÃO DE TODAS AS DIFICULDADES DA VIDA?

RESP.: O médium não deve ser sobrecarregado com exigências de que seus companheiros, relativamente às dificuldades da sorte. É justo que seus irmãos se socorram das suas faculdades, em circunstâncias excepcionais da existência, como nos casos de enfermidade e outros que se lhe assemelhem.
Todavia, cercar um médium de solicitações de toda natureza é desvirtuar a tarefa de um amigo, eliminando as suas possibilidades mais preciosas e, além do mais, não se deverá repetir no Espiritismo sincero a atitude mental dos católico-romanos, que se abandonam junto à "imagem" de um "santo", olvidando todos os valores do esforço próprio.
Os núcleos espiritistas precisam considerar que em seus trabalhos há quem os acompanhe do plano superior e que receberão sempre o concurso espiritual de seus irmãos libertos da carne, dependendo a satisfação desse ou daquele problema particular dos méritos de cada um. Proceder em contrário, é eliminar o aparelho mediúnico, fornecendo doloroso testemunho de incompreensão.

24 - QUANDO UM INVESTIGADOR BUSQUE VALER-SE DOS SERVIÇOS DE UM MÉDIUM, É JUSTO QUE SUBMETA O APARELHO MEDIANÍMICO A TODA SORTE DE EXPERIÊNCIA, A FIM DE CERTIFICAR-SE DOS SEUS PONTOS DE VISTA?

RESP.: Depende do caráter dessas mesmas experiências e, quaisquer que elas seja, o médium necessita de muito cuidado, porquanto, no caminho das aquisições espirituais, cada investigador encontra o material que procura. E quem se aproxima de uma fonte espiritual tisnando-a com a má-fé e a insinceridade, não pode, por certo, saciar a sede com uma água pura.

25 - PARA QUE ALGUÉM SE CERTIFIQUE DA VERDADE DO ESPIRITISMO, BASTARÁ RECORRER A UM BOM MÉDIUM?

RESP.: Os estudiosos do Espiritismo, ainda sem convicção valorosa e séria no terreno da fé, precisam reconhecer que em trabalho dessa ordem não basta o recurso de um bom médium. O medianeiro não fará milagres dentro da natureza. Faz-se mister que o investigador, a par de uma curiosidade sadia, possua valores morais imprescindíveis, como a sinceridade e o amor do bem, servindo a uma existência reta e fértil de ações puras.

26 - SERIA PROVEITOSA A CRIAÇÃO DE ASSOCIAÇÕES DE AUXÍLIO MATERIAL AOS MÉDIUNS?

RESP.: No Espiritismo é sempre de bom aviso evitar-se a consecução de iniciativas tendentes a estabelecer uma nova classe sacerdotal no mundo. Os médiuns, nesse ou naquele setor da sociedade humana, devem o mesmo tributo ao trabalho, à luta e ao sofrimento, indispensáveis à conquista do agasalho e do pão material.
Ao demais, temos de considerar, acima de toda proteção precária do mundo, o amparo de Jesus aos seus trabalhadores de boa-vontade. Toda expressão de sacrifício sincero está eivada de luz divina, todo trabalho sincero é elevação e toda dor é luz, quando suportada com serenidade e confiança no Mestre dos mestres.

27 - COMO DEVERÁ PROCEDER O MÉDIUM SINCERO PARA A VALORIZAÇÃO DO SEU APOSTOLADO?

RESP.: O médium sincero necessita compreender que, antes de cogitar da doutrinação dos Espíritos, ou de seus companheiros de luta na Terra, faz-se mister a iluminação de si próprio pelo conhecimento, pelo cumprimento dos deveres mais elevados e pelo esforço de si mesmo na assimilação perfeita dos princípios doutrinários.
No desdobramento dessa tarefa, jamais deve descuidar-se da vigilância, buscando aproveitar as possibilidades que Jesus lhe concedeu na edificação do trabalho estável e útil. Não deve cultivar o sofrimento pelas queixas descabidas e demasiadas e nem recorrer, a todo instante, à assistência dos seus guias, como se perverasse em manter uma atitude de criança inexperiente.
O estudo da Doutrina e, sobretudo, o cultivo da auto-evangelização devem ser ininterruptos. O médium sincero sabe vigiar, fugindo da exploração material ou sentimental, compreendendo, em todas as ocasiões, que o mais necessitado de misericórdia é ele próprio, a fim de dar pleno testemunho do seu apostolado.

28 - ONDE O MAIOR ESCOLHO DO APOSTOLADO MEDIÚNICO?

RESP.: O primeiro inimigo do médium reside dentro dele mesmo. Frequentemente é o personalismo, é a ambição, a ignorância ou a rebeldia no voluntário desconhecimento dos seus deveres à luz do Evangelho, fatores de inferioridade moral que, não raro, o conduzem à invigilância e à confusão dos campos improdutivos.
Contra esse inimigo é preciso movimentar as energias íntimas pelo estudo, pelo cultivo da humildade, pela boa-vontade, com o melhor esforço de auto-educação, à claridade do Evangelho.
O segundo inimigo mais poderoso do apostolado mediúnico não reside no campo das atividades contrárias à expansão da Doutrina, mas no próprio seio das organizações espiritistas, constituindo-se daquele que se convenceu quanto aos fenômenos, sem se converter ao Evangelho pelo coração, trazendo para as fileiras do Consolador os seus caprichos pessoais, as suas paixões inferiores, tendências nocivas, opiniões cristalizadas no endurecimento do coração, sem reconhecer a realidade de suas deficiências e a exiguidade dos seus cabedais intimos.
Habituados ao estacionamento, esses irmãos infelizes desdenham o esforço próprio - única estrada de edificação definitiva e sincera - para recorrerem aos Espíritos amigos nas menores dificuldades da vida, como se o apostolado mediúnico fosse uma cadeira de cartomante. Incapazes do trabalho interior pela edificação própria na fé e na confiança em Deus, dizem-se necessitados de conforto.
Se desatendidos em seus caprichos inferiores e nas suas questões pessoais, estão sempre prontos para acusar e escarnecer.
Falam da caridade, humilhando todos os princípios fraternos; não conhecem outro interesse além do que lhes lastreia o seu próprio egoísmo. São irônicos, acusadores e procedem quase sempre como crianças levianas e inquietas. Esses são também aqueles elementos da confusão, que não penetram o templo de Jesus e nem permitem a entrada de seus irmãos.
Esse gênero de inimigos do apostolado mediúnico é muito comum e insistente nos seus processos de insinuação, sendo indispensável que o missionário do bem e da luz se resguarde na prece e na vigilância. E como a verdade deve sempre surgir no instante oportuno, para que o campo do apostolado não se esterilize, faz-se imprescindível fugir deles.

29 - ONDE A LUZ DEFINITIVA PARA A VITÓRIA DO APOSTOLADO MEDIÚNICO?

RESP.: Essa caridade divina está no Evangelho de Jesus, com o qual o missionário deve estar plenamente identificado para a realização sagrada da sua tarefa. O médium sem Evangelho pode fornecer as mais elevadas informações ao quadro das filosofias e ciências fragmentárias da Terra; pode ser um profissional de nomeada, um agente de experiências do invisível, mas não poderá ser um apóstolo pelo coração.
Só a aplicação com o Divino Mestre prepara no íntimo do trabalhador a fibra da iluminação para o amor, e da resistência contra as energias destruidoras, porque o médium evangelizado sabe cultivar a humildade no amor ao trabalho de cada dia, na tolerância esclarecida, no esforço educativo de si mesmo, na significação da vida, sabendo, igualmente, levantar-se para a defesa da sua tarefa de amor, defendendo a verdade sem transigir com os princípios no momento oportuno.
O apostolado mediúnico portanto, não se constitui tão somente da movimentação das energias psíquicas em suas expressões fenomênicas, porque exige o trabalho e o sacrificio do coração, onde a luz da comprovação e da referência é a que nasce do entendimento e da aplicação com Jesus-Cristo.

30 - E A MEDIUNIDADE , ENVOLVENDO A SINTONIA COM OS ESPÍRITOS?

RESP.: Jesus cultivou intensamente o intercâmbio com o Além, conversando com Espíritos perturbadores e os afastando de suas vítimas. Ele próprio esteve em contato com o colégio apostólico, após o Drama do Calvário, em aparições e materializações notáveis, que levantaram o ânimo dos discípulos.

31 - SE JESUS MANTINHA O INTERCÂMBIO COM O ALÉM, POR QUE NÃO SE MANIFESTAM OS ESPÍRITOS NO SEIO DE SUAS IGREJAS, MOSTRANDO A REALIDADE DA VIDA ESPIRITUAL, A FIM DE CORRIGIR SEUS EQUÍVOCOS?

RESP.: Porque suas portas estão fechadas ao fenômeno mediúnico, que consideram fruto de mentes perturbadas ou obra do demônio. Não há nem mesmo interesse em examinar o assunto.

32 - AGEM NA BASE DO NÃO PROVEI E NÃO GOSTEI...?

RESP.: É uma atitude preconceituosa, que traz lamentáveis prejuízos àqueles que a adotam. Há multidões de Espíritos desencarnados que enfrentam sérias dificuldades de adaptação à vida espiritual, por estarem imbuídos de idéias fantasiosas sobre o Além.

33 - FUTURAMENTE TEREMOS SESSÕES MEDIÚNICAS NAS IGREJAS CATÓLICAS E TEMPLOS PROTESTANTES?

RESP.: Já acontecem, em reuniões do movimento carismático, na igreja católica, e no pentecostal, das igrejas evangélicas. Mas, são realizadas sem a disciplina e o conhecimento das técnicas de intercâmbio, conforme a orientação espírita. Os participantes nem mesmo percebem que estão lidando com as almas dos mortos. Poderiam fazer bem melhor, se lessem O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec, um esclarecedor tratado sobre o intercâmbio com o Além.

34 - O que significa o termo MEDIUNIDADE?

RESP.: Vem de médium, do latim medius, o que está no meio ou intermediário. Na terminologia espírita, possuem mediunidade as pessoas capazes de favorecer fenômenos de contato com os Espíritos.

35 - Todas as pessoas possuem mediunidade?

RESP.: Sim, todas as pessoas podem sofrer a influência dos Espíritos, mas nem todas possuem essa faculdade suficientemente apurada para transmitir seus pensamentos.

36 - Seria uma condição orgânica?

RESP.: Costuma-se dizer que os Espíritos comunicam-se pelo pensamento, o que significa que essa sensibilidade lhes é inerente. Quando encarnados, o corpo físico situa-se como uma armadura que inibe suas percepções, dificultando o contato com os desencarnados. No médium há uma condição orgânica especial, ainda não detectada pela ciência humana, que o ajuda a superar as limitações impostas pela carne.

37 - Note-se que as pessoas dotadas dessa sensibilidade enfrentam, em princípio, perturbações variadas, envolvendo a mente e o corpo. Isso é normal?

RESP.: Se fôssemos todos surdos congênitos, alguém que começasse a ouvir ficaria, em princípio, perturbado por algo desconhecido, a agitar seus ouvidos e sua mente, com extrema dificuldade para definir sons e palavras.

38 - O que pode acontecer com pessoas que experimentam esses fenômenos, sem a mínima noção a respeito do assunto?

RESP.: Tendem a procurar tratamento médico, sem resultado, já que mediunidade não é doença. É a sensibilidade exarcebada que as faz confundir influências espirituais com problemas físicos e mentais.

39 - Um exemplo....

RESP.: Digamos que se aproxime do médium o Espírito de um familiar que faleceu vitimado por câncer no estômago. Ele começa a sentir dores na mesma região, o que lhe trará grandes preocupações. O médico nada descobrirá e nenhum tratamento surtirá efeito, até que o Espírito seja esclarecido e afastado.

40 - Isso pode ser feito no Centro Espírita?

RESP.: É onde mobilizamos os melhores recursos, com pleno entendimento do processo mediúnico e a orientação adequada.

41 - E se a pessoa não é espírita e não quer procurar o Espiritismo?

RESP.: Se impossibilitados de levar alguém que fraturou a perna ao centro médico especializado em ortopedia, podemos quebrar o galho num ambulatório. O mesmo ocorre em relação aos problemas espirituais. A Doutrina Espírita vem numa vanguarda de esclarecimento e ajuda, quanto aos problemas gerados pela influência dos Espíritos. Se não há possibilidade ou interesse em procurar o Centro Espírito, que o paciente busque auxílio em sua igreja.

MEDIUNIDADE
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MEDIUNIDADE PELO ESPÍRITO VIANNA DE CARVALHO

42) Como explicar-se o surgimento de dotes medianicos notáveis entre espíritas e não espíritas, assim como a forma traumática como eles se dissipam?

A mediunidade é faculdade do Espírito, que o corpo reveste de células, a fim de permitir o intercâmbio entre os dois mundos. Descomprometida com doutrinas, condutas e propostas morais, surge espontaneamente, ou podem ser desenvolvidas as suas possibilidades latentes em todos os indivíduos. No entanto, nas pessoas portadoras de recursos mais ostensivos, irrrompe com facilidade, produzindo algum distúrbio no comportamento psicológico, orgânico ou mental de forma que chame a atenção para a sua conveniente educação.

Presente em todos os tempos e Nações da Terra, somente o Espiritismo lhe é o conveniente método educativo e moralizador, ao qual nem todos estão interessados a submeter-se, o que proporciona, quando não atendida convenientemente através da vivência moral e cristã, danos graves ao seu portador, não raro interrompendo-se e permanecendo em perturbação danosa ou desaparecendo ...

A mediunidade é instrumento de serviço para o crescimento espiritual do seu condutor, assim como é contribuição valiosa para o bem de todos. Ser médium, portanto, conforme a visão espírita, é ser ponte de luz, auxiliando aos que sofrem no Além-Túmulo como na Terra, para que tenham diminuídas suas aflições e orientados os seus passos na direção da imortalidade.

O sincero trabalhador da mediunidade tem por modelo Jesus, que é o Médium de Deus.

43) Os perigos da prática medianímica sem estudo adequado inibem Casas Espíritas bem intencionadas de expandir seu quadro de colaboradores nessa área. Que aconselhamentos concretos poderiam ser oferecidos a esses trabalhadores?

O Espiritismo é Doutrina dos Espíritos e, portanto, que se desenvolve mediante o contato permanente com eles. Em uma Casa Espírita o exercício da mediunidade e a sua prática saudável são essenciais ao bom desempenho dos seus postulados e propostas.

Assim sendo, o fato de a prática da mediunidade oferecer alguns riscos, não impede que se a realize, mesmo porque o Codificador orienta e adverte aos incautos a esse respeito, conforme se encontra exarado em O Livro dos Médiuns.

Estudar a Doutrina, e especificamente a mediunidade, sua prática, seus perigos e gravames, suas bênçãos e consolações, é dever inadiável a que se deve submeter todo adepto do Espiritismo e mais particularmente aqueles que se queiram dedicar ao exercício das faculdades mediúnicas.

Em qualquer atividade humana, em toda realização e busca de crescimento, o ser se depara com dificuldades e riscos que supera através do conhecimento e da ação correta a que se entrega.

Não constituam impedimentos ao candidato sincero da mediunidade, os riscos e dificuldades que deve enfrentar, a fim de bem servir. Antes seja-lhe um estímulo, um saudável desafio que enfrentará com galhardia, pensando nas compensações que fruirá, a serviço do Bem e da Imortalidade.