NOÇÕES PRÁTICAS DO ESPIRITISMO

1 - QUAL A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO NO ESPIRITISMO?

RESP.: Existem certos incrédulos que não bastam presenciar um fenômeno extraordinário para se convencerem. Aqueles que não admitem a existência da alma ou do Espírito no homem não podem admití-la fora dele, então negam tudo. Então é necessário um estudo prévio explanando todos os princípios, tendo a vantagem de responder as objeções, que na maior parte se fundem na ignorância da causa dos fenômenos e das condições em que se produzem.

2 - POR QUE SE DEVE EVITAR REUNIÕES FRÍVOLAS?

RESP.: Porque as reuniões frívolas tem um grave inconveniente para os novatos que as assistem: dão-lhes uma idéia falsa do caráter do Espiritismo. Os que assistem a reuniões desta natureza certamente não podem levar a sério uma coisa que vêem ser tratada levianamente por aqueles mesmos que se dizem seus adeptos.

3 - COMO PROCEDEM OS QUE DESCONHECEM O ESPIRITISMO?

RESP.: Aqueles que desconhecem o Espiritismo costumam o Espiritismo por certas obras excêntricas que dele dão uma idéia falsa e ridícula. O Espiritismo é tão responsável pelas faltas dos que o compreendem mal o praticam erradamente quanto a poesia é responsável pelos maus poetas. Parece deplorável que haja tais obras nocivas a verdadeira ciência.

4 - COMO SE DEVE CONDUZIR QUEM DESEJA INSTRUIR-SE SERIAMENTE NA DOUTRINA ESPÍRITA?

RESP.: Quem deseja instruir-se seriamente deve, pois, armar-se, nisto como em tudo, de paciência e de perseverança e sujeitar-se ao que for preciso, pois de outro modo mais vale não tratar do assunto.

5 - PODEREMOS RECEBER UM NOVO ENSINO SOBRE OS DEVERES QUE COMPETEM AOS ESPIRITISTAS?

RESP.: Não devemos especificar os deveres do espiritista cristão, porque palavra alguma poderá superar a exemplificação do Cristo, que todo discípulo deve tomar como roteiro da sua vida. Que o espiritista, nas suas atividades comuns, dispense o máximo de indulgência para com os seus semelhantes, se nenhuma para consigo mesmo, porque, antes de cogitar da iluminação dos outros, deverá buscar a iluminação de si mesmo, no cumprimento de suas obrigações.

6 - COMO SE JUSTIFICA A EXISTÊNCIA DE CERTAS LUTAS ANTIFRATERNAS DENTRO DOS GRUPOS ESPIRITISTAS?

RESP.: Os agrupamentos espiritistas necessitam entender que o seu apalheramento não pode ser análogo ao das associações propriamente humanas. Um grêmio espírita-cristão deve ter, mais que tudo, a característica familiar, onde o amor e a simplicidade figurem na manifestação de todos os sentimentos.
Em uma entidade doutrinária, quando surgem as dissenções e lutas internas, revelando partidarismos e hostilidades, é sinal de ausência do Evangelho nos corações, demonstrando-se pelo excesso de material humano e pressagiando o naufrágio das intenções mais generosas.
Nesses núcleos de estudo, nenhuma realização se fará sem fraternidade e humildade legítima, sendo imprescindível que todos os companheiros, entre si, vigiem na boa-vontade e na sinceridade, a fim de não transformarem a excelência do seu patrimônio espiritual numa reprodução dos conventículos católicos, inutilizados pela intriga e pelo fingimento.

7 - O ESPIRITISTA PARA EVOLUIR NA DOUTRINA NECESSITA ESTUDAR E MEDITAR POR SI MESMO, OU SERÁ SUFICIENTE FREQUENTAR AS ORGANIZAÇÕES DOUTRINÁRIAS, ESPERANDO A PALAVRA DOS GUIAS?

RESP.: É indispensável a cada um o esforço próprio no estudo, meditação, cultivo e aplicação da Doutrina, em toda a intimidade de sua vida. A frequência às sessões ou o fato de presenciar esse ou aquele fenômeno, aceitando-lhe a veracidade, não traduz aquisição de conhecimentos.
Um guia espiritual pode ser um bom amigo, mas nunca poderá desempenhar os vossos deveres próprios, nem vos arrancar das provas e das experiências imprescindíveis à vossa iluminação. Daí surge a necessidade de vos preparardes individualmente, na Doutrina, para viverdes tais experiências com dignidade espiritual, no instante oportuno.

8 - COMO DEVEREMOS RECEBER OS ATAQUES DA CRÍTICA?

RESP.: Os espiritistas devem receber a crítica dos campos de opinião contrária, com o máximo de serenidade moral, reconhecendo-lhe a utilidade essencial. Essas críticas se apresentam, quase sempre, com finalidade preciosa, qual a de selecionar, naturalmente, as contribuições da propaganda doutrinária, afastando os elementos perturbadores e confusos, e valorizando a cooperação legítima e sincera, porque todo ataque à verdade pura serve apenas para destacar e exaltar essa mesma verdade.

9 - COMO DEVERÁ AGIR O ESPÍRITA SINCERO, QUANDO SE ENCONTRE PERANTE CERTAS EXTRAVAGÂNCIAS DOUTRINÁRIAS?

RESP.: A luz da fraternidade pura, jamais neguemos o concurso da boa palavra e da contribuição direta, sempre que oportuno, em benefício do esclarecimento de todos, guardando, todavia, o cuidado de nunca transigir com os verdadeiros princípios evangélicos, sem contudo ferir os sentimentos das pessoas.
E se as pessoas perseverarem na incompreensão, cuide cada trabalhador da sua tarefa, porque Jesus afirmou que o trigo cresceria ao lado do joio, em sua seara santa, mas Ele, o Cultivador da Verdade Divina, saberia escolher o bom grão na época da ceifa.

10 - É JUSTO QUE, A PROPÓSITO DE TUDO, BUSQUE O ESPIRITISTA TANGER OS ASSUNTOS DO ESPIRITISMO NAS SUAS CONVERSAÇÕES COMUNS?

RESP.: O crente sincero precisa compenetrar-se da oportunidade, no tempo e no ambiente, com relação aos assuntos doutrinários, porquanto, qualquer inconsideração, nesse particular, pode conduzir a fanatismo destestável, sem nenhum caráter construtivo.

11 - NOS AGRUPAMENTOS ESPIRITISTA DEVEMOS PROVOCAR, DE ALGUM MODO, ESSA OU AQUELA MANIFESTAÇÃO DO ALÉM?

RESP.: Nas reuniões doutrinárias, acima de todas as expressões fenomênicas, devem prevalecer a sinceridade e a aplicação individuais no estudo das leis morais que regem o intercâmbio entre o planeta e as esferas do invisível. De modo algum se deverá provocar as manifestações mediúnicas, cuja legitimidade reside nas suas características de espontaneidade, mesmo porque o programa espiritual das sessões está com os mentores que as orientam do plano invisível, exigindo-se de cada estudioso a mais elevada porcentagem de esforço próprio na aquisição do conhecimento.
Porquanto o plano espiritual distribuirá sempre, de acordo com as necessidades e os méritos de cada um. Forçar o fenômeno mediúnico é tisnar uma fonte de água pura com a vasa das paixões egoísticas da Terra, ou com as suas injustificáveis inquietações.

12 - É ACONSELHÁVEL A EVOCAÇÃO DIRETA DE DETERMINADOS ESPÍRITOS?

RESP.: Não somos dos que aconselham a evocação direta e pessoal, em caso algum. Se essa evocação é passível de êxito, sua exequibilidade somente pode ser examinada no plano espiritual. Daí a necessidade de sermos expontâneos, porquanto, no complexo dos fenômenos espiríticos, a solução de muitas incógnitas espera o avanço moral dos aprendizes sinceros da Doutrina.
O estudioso bem-intencionado, portanto, deve pedir sem exigir, orar sem reclamar, observar sem pressa, considerando que a esfera espiritual lhe conhece os méritos e retribuirá os seus esforços de acordo com a necessidade de sua posição evolutiva e segundo o merecimento do seu coração.
Podereis objetar que Allan Kardec se interessou pela evocação direta, procedendo a realizações dessa natureza, mas precisamos ponderar, no seu esforço, a tarefa excepcional do Codificador, aliada a necessidades e méritos ainda distantes da esfera de atividade dos aprendizes comuns.

13 - SERIA LÍCITO INVESTIGARMOS, COM OS ESPÍRITOS AMIGOS, AS NOSSAS VIDAS PASSADAS? ESSAS REVELAÇÕES, QUANDO OCORREM TRADUZEM RESPONSABILIDADE PARA OS QUE AS RECEBEM?

RESP.: Se estais submersos em esquecimento temporário, esse olvido é indispensável à valorização de vossas iniciativas. Não deveis provocar esse gênero de revelações, porquanto os amigos espirituais conhecem melhor as vossas necessidades e poderão provê-las em tempo oportuno, sem quebrar o preceito da espontaneidade exigido para esse fim.
O conhecimento do pretérito, através das revelações ou das lembranças, chega sempre que a criatura se faz credora de um benefício como esse, o qual se faz acompanhar, por sua vez, de responsabilidades muito grandes no plano do conhecimento; tanto assim que, para muitos, essas reminiscências costumam constituir um privilégio doloroso, no ambiente das inquietações e ilusões da Terra.

14 - DEVEM SER INTENSIFICADAS NO ESPIRITISMO AS SESSÕES DE FENÔMENOS MEDIÚNICOS?

RESP.: São muito poucos, ainda, os núcleos espiritistas que se podem entregar à prática mediúnica com plena consciência do serviço que têm em mãos; motivo por que é aconselhável a intensificação das reuniões de leitura, meditação e comentário geral para as ilações moris imprescindíveis no aparelhamento doutrinário, a fim de que numerosos centro bem-intencionados não venham a cair do desânimo ou na incompreensão, por causa de um prematuro comércio com as energias do plano invisível.

15 - COMO DEVEREMOS ENTENDER A SESSÃO ESPÍRITA?

RESP.: A sessão espírita deveria ser, em toda parte, uma cópia fiel do cenáculo fraterno, simples e humilde do Tiberíades, onde o Evangelho do Senhor fosse refletido em espírito e verdade, sem qualquer convenção do mundo, de modo que, entrelaçados todos os pensamentos na mesma finalidade amorosa e sincera, pudesse a assembléia constituir aquela reunião de dois ou mais corações, em nome do Cristo, onde o esforço dos discípulos será sempre santificado pela presença do seu amor.

16 - COMO DEVE SER CONDUZIDA UMA SESSÃO ESPÍRITA, DE SUA ABERTURA AO ENCERRAMENTO?

RESP.: Nesse sentido, há que considerar a excelência da codificação kardequiana; contudo, será sempre útil a lembrança de que as reuniões doutrinárias devem observar o máximo de simplicidade, como as assembléias humildes e sinceras do Cristianismo primitivo, abstendo-se de qualquer expressão que apele mais para os sentidos materiais que para a alma profunda, a grande esquecida de todos os tempos da Humanidade.

17 - NAS SESSÕES, OS DIRIGENTES E OS MÉDIUNS TÊM UMA TAREFA DEFINIDA E DIFERENTE ENTRE SI?

RESP.: Nas reuniões doutrinárias, o papel do orientador e o do instrumento mediúnico devem estar sempre identificados na mesma expressão de fraternidade e de amor, acima de tudo; mas, existem características a assinalar, para que os serviços espirituais produzam os mais elevados efeitos, salientando-se que os dirigentes das sessões devem ser o raciocínio e a lógica, enquanto o médium deve representar a fonte de água pura do sentimento.
É por isso que, nas reuniões onde os orientadores não cogitam da lógica e onde os médiuns não possuem fé e desprendimento, a boa tarefa é impossível, porque a confusão natural estabelecerá a esterilidade no campo dos corações.

18 - OS AGRUPAMENTOS ESPIRITISTAS PODEM SER ORGANIZADOS SEM A CONTRIBUIÇÃO DOS MÉDIUNS?

RESP.: Nas reuniões doutrinárias, os médiuns são úteis, mas não indispensáveis, porque somos obrigados a ponderar que todos os homens são médiuns, ainda mesmo sem tarefas definidas, nesse particular, podendo cada qual sentir a interpretar, no plano intuitivo, a palavra amorosa e sábia de seus guias espirituais, no ímo da consciência.

19 - SERÁ ACONSELHÁVEL A DETERMINAÇÃO DE DIAS DA SEMANA PARA A REALIZAÇÃO NORMAL DAS SESSÕES ESPÍRITAS?

RESP.: Qualquer dia e hora podem ser consgrados ao bom trabalho da fraternidade e do bem, sempre que necessário; mas, nas reuniões dedicadas ao esforço doutrinário, faz-se imprescindível a metodização de todos os trabalhos em dias e horas prefixados.

20 - HÁ ESTUDIOSOS DA DOUTRINA QUE SE AFASTAM DAS REUNIÕES, QUANDO AS MESMAS NÃO APRESENTAM FENÔMENOS. COMO SE DEVE PROCEDER PARA COM ELES?

RESP.: Os que assim procedem testemunham, por si mesmos, plena inabilitação para o verdadeiro trabalho do Espiritismo sincero. Se preferem as emoções transitórias dos nervos ao serviço da auto-iluminação, é melhor que se afastem temporariamente dos estudos sérios da Doutrina, antes de assumirem qualquer compromisso.
A compreensão do Espiritismo ainda não está bastante desenvolvida em seu mundo interior, e é justo que prossigam em experiências para alcançá-la. O êxito dos esforços do plano espiritual em favor do Cristianismo redivivo, não depende da quantidade de homens que o busquem, mas da qualidade dos trabalhadores que militam em suas fileiras.

21 - POR QUE MOTIVO A DOUTRINAÇÃO E A EVANGELIZAÇÃO NAS REUNIÕES ESPIRITISTAS BENEFICIAM IGUALMENTE OS DESENCARNADOS, SE A ESTES SERIA MAIS JUSTO O APROVEITAMENTO DAS LIÇÕES RECEBIDAS NO PLANO ESPIRITUAL?

RESP.: Grande número de almas desencarnadas nas ilusões da vida física, guardadas quase que integralmente no íntimo, conservam-se, por algum tempo, incapazes de aprender as vibrações do plano espiritual superior, sendo conduzidas por seus guias e amigos redimidos às reuniões fraternas do Espiritismo evangélico, onde, sob as vistas amoráveis desses mesmos mentores do plano invisível, se processam os dispositivos da lei de cooperação e benefícios mútuos, que rege os fenômenos da vida nos dois planos.

22 - COMO DEVERÁ AGIR O ESTUDIOSO PARA IDENTIFICAR AS ENTIDADES QUE SE COMUNICAM?

RESP.: Os Espíritos que se revelam, através das organizações mediúnicas, devem ser identificados por suas idéias e pela essência espiritual de suas palavras. Determinados médiuns, com tarefa especializada, podem ser auxiliares preciosos à idenficação pessoal, seja no fenômeno literário, nas equações da ciência, ou satisfazendo a certos requisitos da investigação; todavia, essa não é a regra geral, salientando-se que as entidades espirituais, muitas vezes, não encontram senão um material deficiente que as obriga tão-só ao indispensável, no que se refere à comunicação.
Devemos entender, contudo, que a linguagem do Espírito é universal, pelos fios invisíveis do pensamento, o que, aliás, não invalida a necessidade de um estudo atento acerca de todas as idéias lançadas nas mensagens medianímicas, guardando-se muito cuidado no capítulo dos nomes ilustres que porventura as subscrevem.

23 - É JUSTO QUE O ESPIRITISTA, DEPOIS DE SOFRER PELA MORTE A SEPARAÇÃO DE UM ENTE AMADO, PROVOQUE A COMUNICAÇÃO DELE NAS SESSÕES MEDIANÍMICAS?

RESP.: O espiritista sincero deve buscar o conforto moral, em tais casos, na própria fé que lhe deve edificar intimamente o coração. Não é justo provocar ou forçar a comunicação com esse ou aquele desencarnado. Além de não conhecerdes as possibilidades de sua nova condição na esfera espiritual, deveis atender ao problema dos vossos méritos.
O homem pode desejar isso ou aquilo, mas há uma Providência que dispõe no assunto, examinando o mérito de quem pede e a utilidade da concessão. Qualquer comunicado com o Invisível deve ser espontâneo, e o espiritista cristão deve encontrar na sua fé o mais alto recurso de cessação do egoísmo humano, ponderando quanto à necessidade de repouso daqueles a quem amou, e esperando a sua palavra direta, quando e como julguem os mentores espirituais conveniente e oportuno.

24 - MUITA GENTE PROCURA O ESPIRITISMO, QUEIXANDO-SE DE PERSEGUIÇÃO DO INVISÍVEL. OS QUE RECLAMAM CONTRA ESSAS PERTURBAÇÕES ESTÃO, DE ALGUM MODO, ABANDONADOS DE SEUS GUIAS ESPIRITUAIS?

RESP.: A proteção da Providência Divina estende-se a todas as criaturas. A perseguição de entidades sofredoras e perturbadas justifica-se no quadro das provações redentoras, mas, os que reclamam contra o assédio das forças inferiores dos planos adstritos ao orbe terrestre, devem consultar o próprio coração antes de formularem as suas queixas, de modo a observar se o Espírito perturbador não está neles mesmos.
Há obsessores terríveis do homem, denominados "orgulho", "vaidade", "preguiça", "avareza", "ignorância" ou "má-vontade", e convém examinar se não se é vítima dessas energias perversoras que, muitas vezes, habitam o coração da criatura, enceguecendo-a para a compreensão da luz de Deus.
Contra esses elementos destruidores faz-se preciso um novo gênero de preces, que se constitui de trabalho, fé, esforço e boa vontade.