O BEM E O MAL

1- O QUE SIGNIFICA O VERBO "AMAR" COM RELAÇÃO AOS INIMIGOS"?

RESP.: Amar é mais abrangente do que sentir ternura. Há um equívoco frequente quanto ao sentido da palavra amor. A emissão de um pensamento negativo gera uma corrente fluídica que causa uma impressão penosa. O pensamento positivo envolve o ser num eflúvio agradável. É o que ocorre quando da aproximação de um amigo ou de um inimigo. Assim, amar o inimigo parece uma recomendação, senão impossível, difícil de ser praticada, porque falsamente se supõe ter de dar a um e a outro o mesmo tratamento e o mesmo lugar no coração. Amar os inimigos não é, pois, ter para com eles uma afeição que não está na Natureza, porque o contato de um inimigo faz bater forte o coração de maneira bem diferente de um amigo. O verbo "amar" significa estender-lhe a mão prestativa em caso de necessidade. É procurar silenciar as rivalidades, preocupando-se antes em trazê-lo ao seu convívio fraternal.

2 - COMO PAGAR O MAL COM O BEM?

RESP.: Amar o inimigo é pagar-lhe em tudo, o mal com o bem, sem a intenção de humilhá-lo. Aquele, para quem a vida se resume no presente, vê no seu inimigo uma criatura perniciosa a perturbar-lhe o sossego, do qual sempre cumpre desvincilhar-se; perdoá-lo até mesmo lhe parece em certos casos, uma fraqueza indigna. Contudo para aquele que reconhece a vida além do véu, perdoar é, na verdade uma demonstração de fortaleza, pois reconhece credores nos seus antagonistas.

3 - O QUE É O MAL?

RESP.: O mal propriamente dito não existe, o que existe é a ignorância, o bem é o que segue as Leis Divinas e o mal é simplesmente o desvio delas.

4 - O BEM E O MAL SÃO ABSOLUTOS PARA TODOS OS HOMENS?

RESP.: A Lei de Deus é a mesma para todos; mas o mal depende, sobretudo, da vontade que se tenha de fazê-lo. O bem é sempre bem, e o mal é sempre mal, qualquer que seja a posição do homem; a diferença está no grau de responsabilidade.

5 - O SELVAGEM QUE CEDE AO SEU INSTINTO, COMENDO CARNE HUMANA, É CULPADO?

RESP.: Eu disse que o mal depende da vontade. Pois bem: o homem é tanto mais culpado, quanto melhor sabe o que faz.

6 - O MAL PARECE, ALGUMAS VEZES, CONSEQUENTE DAS CIRCUNSTÂNCIAS. TAL É, POR EXEMPLO, EM CERTOS CASOS, A NECESSIDADE DE DESTRUIÇÃO, ATE MESMO DO NOSSO SEMELHANTE. PODE-SE DIZER, ENTÃO, QUE HÁ INFRAÇÃO À LEI DE DEUS?

RESP.: O mal não é menos mal por ser necessário; mas essa necessidade desaparece à medida que a alma se depura, passando de uma a outra existência; então o homem se torna mais culpável quando o comete, porque melhor o compreende.

LEMBRETE: Não há vítimas inocentes; e sim consequências. (Edivaldo)

7 - O MAL QUE COMETEMOS NÃO RESULTA FREQUENTEMENTE DA POSIÇÃO EM QUE OS OUTROS NOS COLOCARAM, E NESSE CASO QUAIS SÃO OS MAIS CULPÁVEIS?

RESP.: O mal recai sobre aquele que causou. Assim, o homem que é levado ao mal pela posição em que os outros o colocaram é menos culpável que aqueles que o causaram; pois cada um sofrerá a pena não somente do mal que tenha feito, mas também do que houver provocado.

8 - O DESEJO DO MAL É TÃO REPREENSÍVEL QUANTO O MAL?

RESP.: Conforme: há virtude em resistir voluntariamente ao mal que se sente desejo de praticar, sobretudo quando se tem a possibilidade de satisfazer esse desejo; mas se o que faltou foi apenas a ocasião, o homem é culpável

9 - SERÁ SUFICIENTE NÃO SE FAZER O MAL, PARA SER AGRADÁVEL A DEUS E ASSEGURAR UMA SITUAÇÃO FUTURA?

RESP.: Não: é preciso fazer o bem, no limite das próprias forças, pois cada um responderá por todo o mal que tiver ocorrido por causa do bem que deixou de fazer.

10 - HÁ PESSOAS QUE, POR SUA POSIÇÃO, NÃO TENHAM POSSIBILIDADE DE FAZER O BEM?

RESP.: Não há ninguém que não possa fazer o bem; somente o egoísta não encontra jamais a ocasião de praticá-lo. É suficiente estar em relação com outros homens para se poder fazer o bem, e cada dia da vida oferece essa possibilidade a quem não estiver cego pelo egoísmo; porque fazer o bem não é apenas ser caridoso, mas ser útil na medida do possível, sempre que o auxílio se faça necessário.

11 - O MEIO EM QUE CERTOS HOMENS VIVEM NÃO É PARA ELES O MOTIVO PRINCIPAL DE MUITOS VÍCIOS E CRIMES?

RESP.: Sim, mas ainda nisso há uma prova escolhida pelo Espírito no estado de liberdade; ele quis se expor à tentação para ter o mérito da resistência.

12 - QUANDO O HOMEM ESTÁ MERGULHADO NA ATMOSFERA DO VÍCIO, O MAL NÃO SE TORNA PARA ELE UM ARRASTAMENTO QUASE IRRESISTÍVEL?

RESP.: Arrastamento, sim; irresistível não; porque no meio dessa atmosfera de vícios podes encontrar grandes virtudes. São Espíritos que tiveram a força de resistir, e que tiveram, ao mesmo tempo, a missão de exercer uma boa influência sobre os seus semelhantes.

13 - O MÉRITO DO BEM QUE SE FAZ ESTÁ SUBORDINADO A CERTAS CONDIÇÕES, OU SEJA, HÁ DIFERENTES GRAUS NO MÉRITO DO BEM?

RESP.: O mérito do bem está na dificuldade; não há nenhum em fazê-lo sem penas e quando nada custa. Deus leva mais em conta o pobre que reparte o seu único pedaço de pão, que o rico que só dá do seu supérfluo. Jesus já disse, a propósito do óbolo da viúva.

14 - QUE DEFINIÇÃO SE PODE DAR À MORAL?

RESP.: A moral é a regra da boa conduta e, portanto, da distinção entre o bem e o mal. Funda-se na observação da lei de Deus. O homem se conduz bem quando faz tudo tendo em vista o bem e para o bem de todos, porque então observa a lei de Deus.

15 - COMO SE PODE DISTINGUIR O BEM DO MAL?

RESP.: O bem é tudo o que está de acordo com a lei de Deus e o mal é tudo o que dela se afasta. Assim, fazer o bem é se conformar à lei de Deus; fazer o mal é infringir essa lei.

16 - O HOMEM TEM MEIOS PARA DISTINGUIR POR SI MESMO O BEM E O MAL?

RESP.: Sim, quando ele crê em Deus e quando o quer saber. Deus lhe deu a inteligência para discernir um e outro.

17 - O HOMEM, QUE É SUJEITO A ERRAR, NÃO PODE ENGANAR-SE NA APRECIAÇÃO DO BEM E DO MAL E CRER QUE FAZ O BEM, QUANDO EM REALIDADE ESTÁ FAZENDO O MAL?

RESP.: Jesus vos disse: vede o que quereríeis que vos fizessem ou não; tudo se resume nisso. Assim não vos enganareis.

18 - A REGRA DO BEM E DO MAL, QUE SE PODERIA DE CHAMAR DE "RECIPROCIDADE" OU DE "SOLIDARIEDADE", NÃO PODE SER APLICADA À CONDUTA PESSOAL DO HOMEM PARA CONSIGO MESMO. ENCONTRA ELE, NA LEI NATURAL, A REGRA DESTA CONDUTA E UM GUIA SEGURO?

RESP.: Quando comeis demais, isso vos faz mal. Pois bem: é Deus que vos dá a medida do que vos falta. Quando ultrapassais, sois punidos. O mesmo se dá com tudo o mais. A lei natural traça para o homem o limite das suas necessidades; quando ele o ultrapassa, é punido pelo sofrimento. Se o homem escutasse, em todas as coisas, essa voz que diz: Chega! evitaria a maior parte dos males de que acusa a Natureza.

19 - POR QUE O MAL SE ENCONTRA NA NATUREZA DAS COISAS? FALO DO MAL MORAL, DEUS NÃO PODERIA CRIAR A HUMANIDADE EM MELHORES CONDIÇÕES?

RESP.: Já te dissemos: os Espíritos foram criados simples e ignorantes. Deus deixa ao homem a escolha do caminho; tanto pior para ele, se seguir o mau: sua peregrinação será mais longa. Se não existissem montanhas, não poderia o homem compreender que se pode subir e descer, e se não existissem rochas, não compreenderia que há corpos duros. É necessário que o Espírito adquira a experiência, e para isso é necessário que ele conheça o bem e o mal; eis porque existe a união do Espírito e do corpo.

20 - AS DIFERENTES POSIÇÕES SOCIAIS CRIAM NECESSIDADES NOVAS QUE NÃO SÃO AS MESMAS PARA TODOS OS HOMENS. A LEI NATURAL PARECERIA, ASSIM, NÃO SER UMA REGRA UNIFORME.

RESP.: Essas diferentes posições existem na Natureza e estão de acordo com a lei do progresso. Isso não impede a unidade da lei natural, que se aplica a tudo.

21 - O BEM E O MAL SÃO ABSOLUTOS PARA TODOS OS HOMENS?

RESP.: A lei de Deus é a mesma para todos; mas o mal depende, sobretudo, da vontade que se tenha de fazê-lo. O bem é sempre bem, e o mal é sempre mal, qualquer que seja a posição do homem; a diferença está no grau de responsabilidade.

22 - AQUELE QUE NÃO FAZ O MAL, MAS APROVEITA O MAL PRATICADO POR OUTRO É CULPÁVEL NO MESMO GRAU?

RESP.: É como se o cometesse; ao aproveitá-lo, torna-se participante dele. Talvez tivesse recuado diante da ação; mas, se ao encontrá-la realizada, dela se serve, é porque a aprova e a teria praticado, se pudesse ou se tivesse ousado.

23 - O DESEJO DO MAL É TÃO REPREENSÍVEL QUANTO O MAL?

RESP.: Conforme: há virtude em resistir voluntariamente ao mal que se sente desejo de praticar, sobretudo quando se tem a possibilidade de satisfazer esse desejo; mas se o que faltou foi apenas a ocasião, o homem é culpável.

24 - SERÁ SUFICIENTE NÃO SE FAZER O MAL, PARA SER AGRADÁVEL A DEUS E ASSEGURAR UMA SITUAÇÃO FUTURA?

RESP.: Não; é preciso fazer o bem, no limite das próprias forças, pois cada um responderá por todo o mal que tiver ocorrido por causa do bem que deixou de fazer.

25 - HÁ PESSOAS QUE, POR SUA POSIÇÃO, NÃO TENHAM POSSIBILIDADE DE FAZER O BEM?

RESP.: Não há ninguém que não possa fazer o bem; somente o egoísta não encontra jamais a ocasião de praticá-lo. É suficiente estar em relação com outros homens para se poder fazer o bem, e cada dia da vida oferece essa possibilidade a quem não estiver cego pelo egoísmo; porque fazer o bem não é apenas ser caridoso, mas ser útil na medida do possível, sempre que o auxílio se faça necessário.

26 - O MEIO EM QUE CERTOS HOMENS NÃO É PARA ELES O MOTIVO PRINCIPAL DE MUITOS VÍCIOS E CRIMES?

RESP.: Sim, mas ainda nisso há uma prova escolhida pelo Espírito no estado de liberdade; ele quis se expor à tentação para ter o mérito da resistência.

27 - QUANDO O HOMEM ESTÁ MERGULHADO NA ATMOSFERA DO VÍCIO, O MAL NÃO SE TORNA PARA ELE UM ARRASTAMENTO QUASE IRRESISTÍVEL?

RESP.: Arrastamento, sim; irresistível, não; porque no meio dessa atmosfera de vícios podes encontrar grandes virtudes. São Espíritos que tiveram a força de resistir, e que tiveram, ao mesmo tempo, a missão de exercer uma boa influência sobre os seus semelhantes.

28 - O MÉRITO DO BEM QUE SE FAZ ESTÁ SUBORDINADO A CERTAS CONDIÇÕES, OU SEJA, HÁ DIFERENTES GRAUS NO MÉRITO DO BEM?

RESP.: O mérito do bem está na dificuldade; não há nenhum em fazê-lo sem penas e quando nada custa. Deus leva mais em conta o pobre que reparte o seu único pedaço de pão, que o rico que só dá do seu supérfluo. Jesus já o disse, a propósito do óbolo da viúva.