PENAS, EXPIAÇÃO, ARREPENDIMENTO

1 - O ESPÍRITO QUE EXPIA AS SUAS CULPAS NUMA NOVA EXISTÊNCIA, NÃO PASSA POR SOFRIMENTOS MATERIAIS? ASSIM, NÃO É EXATO QUE APÓS A MORTE A ALMA SÓ TEM SOFRIMENTOS MORAIS?

RESP.: É bem verdade que, reencarnada, a alma encontra nas tribulações da vida o seu sofrimento; mas apenas o corpo sofre materialmente. Dizeis em geral que o morto já não sofre mais, mas isso nem sempre é verdade. Como Espírito, não sofre mais as dores físicas, mas segundo as faltas que tenha cometido pode ter dores morais mais cruciantes, e numa nova existência pode ser ainda mais infeliz. O mau rico passará a esmolar, e estará submetido a todas as privações da miséria; o orgulhoso, a todas as humilhações; aquele que abusa de sua autoridade e trata os seus subordinados com desprezo e dureza será forçado a obedecer a um senhor mais duro do que ele tenha sido. Todas as penas e tribulações da vida são expiações de faltas de outra existência, quando não se trata de consequências das faltas da existência atual. Ao sairdes daqui compreendereis bem. O Homem que se crê feliz na Terra porque pode satisfazer suas paixões é o que faz menos esforços para se melhorar. Em geral ele começa a expiar essa felicidade efêmera na própria vida que leva, mas certamente a expiará numa outra existência tão material como essa.

2 - AS VICISSITUDES DA VIDA SÃO SEMPRE A PUNIÇÃO DAS FALTAS ATUAIS?

RESP.: Não. Já o dissemos: são provas impostas por Deus, ou escolhidas por vós mesmos quando no estado de Espírito e antes da vossa reencarnação, para expiar as faltas cometidas num outra existência. Porque jamais a infração das leis de Deus, e sobretudo da lei da justiça, fica impune; se a punição não é feita nesta vida, o será necessariamente em outra. É por isso que aquele que é justo aos vossos olhos, vê-se frequentemente atingido pelo seu passado.

3 - A REENCARNAÇÃO DA ALMA NUM MUNDO GROSSEIRO É UMA RECOMPENSA?

RESP.: É a consequência de sua purificação. Porque à medida que os Espíritos se purificam vão se encarnando em mundos mais e mais perfeitos, até que se tenham despojado de toda matéria e lavado de todas as manchas, para gozarem eternamente da felicidade dos Espíritos puros no seio de Deus.

4 - O ESPÍRITO QUE PROGREDIU NA SUA EXISTÊNCIA TERRENA PODE, ÀS VEZES, REENCARNAR NO MESMO MUNDO?

RESP.: Sim, se não pôde cumprir a sua missão e ele mesmo pedir para completá-la numa nova existência. Mas isso não será mais, para ele, uma expiação.

5 - O QUE ACONTECE COM O HOMEM QUE, SEM PRATICAR O MAL, NADA FEZ PARA SE LIBERTAR DA INFLUÊNCIA DA MATÉRIA?

RESP.: Desde que não deu nenhum passo na direção da perfeição, deve recomeçar uma existência semelhante à que deixou. Fica estacionário e é assim que pode prolongar os sofrimentos de sua expiação.

6 - HÁ PESSOAS PARA AS QUAIS FLUI NUMA SERENIDADE PERFEITA; QUE, NÃO TENDO NECESSIDADE DE FAZER QUALQUER COISA PARA SI MESMAS, ESTÃO LIVRES DE CUIDADOS. ESSA EXISTÊNCIA FELIZ É UMA PROVA DE QUE NADA TÊM A EXPIAR DE UMA EXISTÊNCIA ANTERIOR?

RESP.: Conheces muitas assim? Se o acreditas, enganas-te. Em geral essa serenidade não é mais do que aparente. Podem ter escolhido essa existência, mas, quando a deixam, percebem que ela não as ajudou a progredir; então como os preguiçosos, lamentam o tempo perdido. Sabei que o Espírito não pode adquirir conhecimentos e se elevar senão por meio da atividade; se ele adormece na despreocupação, não se adiante. É semelhante àquele que, de acordo com os vossos costumes, tem necessidade de trabalhar e vai passear ou dormir para nada fazer. Sabei também que cada qual terá de prestar contas de inatividade voluntária durante a sua existência, essa inutilidade é sempre fatal à felicidade futura. A soma da felicidade futura está na razão da soma do bem que se tenha feito; a da desgraça, na razão do mal e dos infelizes que se tenham feito.

7 - HÁ PESSOAS QUE, SEM SEREM POSITIVAMENTE MÁS, TORNAM INFELIZES, EM VIRTUDE DE SEU CARÁTER, TODOS OS QUE AS RODEIAM. QUAL SERÁ PARA ELAS A CONSEQUÊNCIA DISTO?

RESP.: Essas pessoas seguramente não são boas; e expiarão suas faltas pela visão daqueles a quem tornaram infelizes, cuja presença constituirá para elas uma exprobração. Depois, numa outra existência, sofrerão aquilo que fizeram sofrer.

8 - O ARREPENDIMENTO SE VERIFICA NO ESTADO CORPÓREO OU NO ESTADO ESPIRITUAL?

RESP.: No estado espiritual. Mas pode também verificar-se no estado corpóreo, quando bem compreendeis a distinção entre o bem e o mal.

9 - QUAL A CONSEQUÊNCIA DO ARREPENDIMENTO NO ESTADO ESPIRITUAL?

RESP.: O desejo de uma nova encarnação para se purificar. O Espírito compreende as imperfeições que o impedem de ser feliz e aspira a uma nova existência, onde possa expiar as suas faltas.

10 - QUAL É A CONSEQUÊNCIA DO ARREPENDIMENTO NO ESTADO CORPÓREO?

RESP.: Adiantar-se ainda na vida presente, se houver tempo para a reparação das faltas. Quando a consciência reprova e mostra uma imperfeição, sempre se pode melhorar.

11 - NÃO HÁ HOMENS QUE SÓ POSSUEM O INSTINTO DO MAL, SENDO INACESSÍVEIS AO ARREPENDIMENTO?

RESP.: Já te disse que se deve progredir sem cessar. Aquele que nesta vida só possui o instinto do mal, numa outra terá o do bem, e é para isso que ele renasce muitas vezes, pois é necessário que todos avancem e atinjam o alvo, uns com mais rapidez e outros de maneira mais demorada, segundo os seus desejos. Aquele que só tem o instinto do bem já está purificando, porque porque pode ter tido o do mal numa existência anterior.

12 - O HOMEM PERVERSO, QUE DURANTE A VIDA NÃO RECONHECEU SUAS FALTAS, SEMPRE AS RECONHECERÁ DEPOIS DA MORTE?

RESP.: Sim, sempre as reconhecerá e então sofre mais porque sente todo o mal que praticou ou do qual foi a causa voluntária. Entretanto, o arrependimento nem sempre é imediato. Há Espíritos que se obstinam no mau caminho apesar dos sofrimentos, mas cedo ou tarde reconhecerão haver tomado uma senda falsa e o arrependimento se manifestará. É para os esclarecer que os bons Espíritos trabalham e que vós mesmos podeis trabalhar.

13 - HÁ ESPÍRITOS QUE, SEM SEREM MAUS, SEJA INDIFERENTES À PRÓPRIA SORTE?

RESP.: Há Espíritos que não se ocupam de nada útil; estão na expectativa. Mas sofrem de acordocom a situação e, como em tudo deve haver progresso, este se manifesta pela dor.

14 - NÃO TÊM ELES O DESEJO DE ABREVIAR SEUS SOFRIMENTOS?

RESP.: Sem dúvida o têm, mas não dispõem de bastante energia para querer o que poderia aliviá-los. Quantas pessoas entre vós preferem morrer na miséria a trabalhar?

15 - DESDE QUE OS ESPÍRITOS VÊEM O MAL QUE RESULTA DE SUAS IMPERFEIÇÕES, COMO SE EXPLICA QUE ALGUNS AGRAVEM A SUA POSIÇÃO E PROLONGUEM O SEU ESTADO DE INFERIORIDADE, PRATICANDO O MAL COMO ESPÍRITOS E DESVIANDO OS HOMENS DO BOM CAMINHO?

RESP.: São os de arrependimento tardio que agem assim. O Espírito que se arrepende pode se deixar novamente arrastar ao caminho do mal por outros Espíritos ainda mais atrasados.

16 - VÊEM-SE ESPÍRITOS DE NOTÓRIA INFERIORIDADE QUE SÃO ACESSÍVEIS AOS BONS SENTIMENTOS E ÀS PRECES FEITAS EM SEU FAVOR. COMO SE EXPLICA QUE OUTROS ESPÍRITOS, QUE NOS PARECERIAM MAIS ESCLARECIDOS, REVELEM UM ENDURECIMENTO E UM CINISMO A TODA PROVA?

RESP.: A prece só tem efeito em favor do Espírito que se arrepende. Aquele que, impulsionado pelo orgulho, se revolta contra Deus e persiste nos seus erros, exagerando-os ainda, com o fazem infelizes Espíritos, nada pode receber da prece e nada receberá até o dia em que uma luz de arrependimento o esclareça.

Não se deve esquecer que após a morte do corpo o Espírito não é subitamente transformado. Se sua vida foi repreensível é que ele era imperfeito. Ora, a morte não o torna imediatamente perfeito. Ele pode persistir nos seus erros, nas suas falsas opiniões, em seus preconceitos até que seja esclarecido pelo estudo, pela reflexão e pelo sofrimento.

17 - A EXPIAÇÃO SE REALIZA NO ESTADO CORPÓREO OU NO ESTADO DE ESPÍRITO?

RESP.: Ela se cumpre na existência corporea, pelas provas a que o Espírito é submetido, e na vida espiritual pelos sofrimentos morais decorrentes do seu estado de inferioridade.

18 - O ARREPENDIMENTO SINCERO DURANTE A VIDA É SUFICIENTE PARA EXTINGUIR AS FALTAS E FAZER QUE SE MEREÇA A GRAÇA DE DEUS?

RESP.: O arrependimento auxilia a melhora do Espírito, mas o passado deve ser expiado.

19 - SE DE ACORDO COM ISSO UM CRIMINOSO DISSESSE QUE, TENDO DE EXPIAR O SEU PASSADO, NÃO PRECISA SE ARREPENDER, QUAIS SERIAM PARA ELE AS CONSEQUÊNCIAS?

RESP.: Se teimar no pensamento do mal, sua expiação será mais longa e mais penosa.

20 - PODEMOS NÓS, JÁ NESTA VIDA, RESGATAR AS NOSSAS FALTAS?

RESP.: Sim, reparando-as. Mas não julgueis resgatá-las por algumas privações pueris ou por meio de doações de após morte, quando de nada mais necessitais. Deus não considera um arrependimento estéril, sempre fácil e que só custa o trabalho de bater no peito. A perda de um dedo, quando se presta um serviço, apaga maior número de faltas do que o cilício suportado durante anos, sem outro objetivo que o bem de si mesmo. O mal não é reparado senão pelo bem, e a reparação não tem mérito algum, se não atingir o homem no seu orgulho ou nos seus interesses materiais. De que serve restituir após a morte, como justificação, os bens mal adquiridos, que foram desfrutados em vida e já não lhe servem para nada? De que lhe serve a privação de alguns gozos fúteis e de algumas superfluidades, se o mal que fez a outrem continua o mesmo? De que lhe serve, enfim, humilhar-se diante de Deus, se conserva o seu orgulho diante dos homens?

21 - NÃO HÁ NENHUM MÉRITO EM SE ASSEGURAR, APÓS A MORTE, UM EMPREGO ÚTIL PARA OS BENS QUE DEIXAMOS?

RESP.: Nenhum mérito não é bem o termo; isso vale sempre mais do que nada; mas o mal é que aquele que só dá ao morrer, geralmente é mais egoísta do que generoso: quer ter as honras do bem sem lhe haver provado as penas. Aquele que se priva em vida tem duplo proveito: O mérito do sacrifício e o prazer de ver felizes os que beneficiou. Mas há sempre o egoísmo a dizer ao homem: o que dás, tiras dos teus próprios gozos. E como o egoísmo fala mais alto que o desinteresse e a caridade, ele guarda em vez de dar, sob o pretexto das suas necessidades e das exigências da sua posição. Ah! lastimai aquele que desconhece o prazer de dar, porque foi realmente deserdado de um dos mais puros e suaves gozos do homem. Deus, submetendo-o à prova da fortuna, tão escorregadia e perigosa para o seu futuro, quis dar-lhe em compensação a ventura da generosidade, de que ele pode gozar neste mundo.

22 - O QUE SE DEVE FAZER AQUELE QUE, EM ARTIGO DE MORTE, RECONHECE AS SUAS FALTAS MAS NÃO TEM TEMPO PARA REPARÁ-LAS? É SUFICIENTE ARREPENDER-SE, NESSE CASO?

RESP.: O arrependimento apressa a sua reabilitação, mas não o absolve. Não tem ele o futuro pela frente, que jamais se lhe fecha?

23 - A DURAÇÃO DOS SOFRIMENTOS DO CULPADO NA VIDA FUTURA É ARBITRÁRIA OU SUBORDINADA A ALGUMA LEI?

RESP.: Deus nunca age de maneira caprichosa e tudo no Universo é regido por leis que revelam a sua sabedoria e a sua bondade.

24 - O QUE DETERMINA A DURAÇÃO DOS SOFRIMENTOS DO CULPADO?

RESP.: O tempo necessário ao seu melhoramento. O estado de sofrimento e de felicidade sendo proporcional ao grau de pureza do Espírito, a duração e natureza dos seus sofrimentos dependem do tempo que ele precisa para melhorar. À medida que ele progride e que os seus sentimentos se depuram, seus sofrimentos diminuem e se modificam. SÃO LUIS

25 - PARA O ESPÍRITO SOFREDOR, O TEMPO PARECE TÃO LONGO OU MAIS CURTO DO QUE QUANDO ESTAVA ENCARNADO?

RESP.: Parece mais longo: o sono não existe para ele. Só para os Espíritos que atingiram um certo grau de purificação o tempo se apaga, por assim dizer, em face do infinito.

26 -A DURAÇÃO DOS SOFRIMENTOS DOS ESPÍRITOS PODE SER ETERNA?

RESP.: Sem dúvida, se ele fosse eternamente mau, ou seja, se jamais tivesse de se arrepender nem de se melhorar. Então, sofreria eternamente. Mas Deus não criou seres eternamente votados ao mal. Criou-os apenas simples e ignorantes, e todos devem progredir num tempo mais ou menos longo, de acordo com a própria vontade. Esta poder ser mais ou menos retardada, assim como há crianças mais menos precoces, mas cedo ou tarde ela se manifesta por uma irresistível necessidade que o Espírito sente de sair da sua inferioridade e ser feliz. A lei que rege a duração das penas é, portanto, eminentemente sábia e benevolente, pois subordina essa duração aos esforços do Espírito, jamais lhe tirando o livre-arbítrio: se dele fez mau uso, sofrerá as consequências disso. São Luis

27 - HÁ ESPÍRITOS QUE JAMAIS SE ARREPENDEM?

RESP.: Há Espíritos cujo arrependimento é tardio, mas pretender que jamais se melhorem seria negar a lei de progresso e dizer que a criança não pode tornar-se adulta.

28 - A DURAÇÃO DAS PENAS DEPENDE SEMPRE DA VONTADE DO ESPÍRITO, NÃO EXISTINDO AS QUE LHE SÃO IMPOSTAS POR UM TEMPO DETERMINADO?

RESP.: Sim, há penas que lhe podem ser impostas por determinado tempo, mas Deus, que não deseja senão o bem de suas criaturas, aceita sempre o arrependimento, e o desejo de se melhorar nunca é estéril. São Luis

29 - SEGUNDO ISSO, AS PENAS IMPOSTAS JAMAIS SERIAM ETERNAS?

RESP.: Consultai o vosso bom senso, a vossa razão e perguntai se uma condenação perpétua, em consequência de alguns momentos de erro, não seria a negação da bondade de Deus. Que é, com efeito, a duração da vida, mesmo que seja de cem anos, em relação à eternidade? Eternidade! Compreendeis bem essa palavra? Sofrimento, torturas sem fim e sem esperança, apenas por algumas faltas! Não repugna ao vosso próprio critério semelhante pensamento? Que os antigos tivessem visto contradição em se lhe atribuir a bondade infinita e a vingança compreende-se; na sua ignorância emprestaram a divindade as paixões do homens. Mas não é esse o Deus dos cristãos, que coloca o amor, a caridade, a misericórdia, o esquecimento das ofensas no plano das primeiras virtudes; poderia Ele mesmo não ter as qualidades que exige como um dever? Não há contradição em se lhe atribuir a bondade infinita e a vingança infinita? Dizeis que antes de tudo Ele é justo e que o homem não compreende a sua justiça. Mas a justiça não exclui a bondade de Deus não seria bom se destinasse às penas horríveis e perpétuas a maioria de suas criaturas. Poderia fazer da justiça uma obrigação pra os seus filhos, se não lhes desse os meios de compreender? Aliás, não é sublime a justiça unida à bondade, que faz a duração das penas depender dos esforços do culpado para se melhorar? Nisto se encontra a verdade do preceito: "A cada um segundo as suas obras". Santo Agostinho

30 - A PENA DE MORTE DESAPARECERÁ UM DIA DA LEGISLAÇÃO HUMANA?

RESP.: A pena de morte desaparecerá incontestavelmente e sua supressão assinalará um progresso da Humanidade. Quando os homens forem mais esclarecidos, a pena de morte será completamente abolida na Terra. Os homens não terão mais necessidade de ser julgados pelos homens. Falo de uma época que ainda está muito longe de vós.

31 - A LEI DE CONSERVAÇÃO DÁ AO HOMEM O DIREITO DE PRESERVAR A SUA PRÓPRIA VIDA; NÃO APLICA ELE ESSE DIREITO, QUANDO ELIMINA DA SOCIEDADE UM MEMBRO PERIGOSO?

RESP.: Há outros meios de se preservar do perigo, sem matar. É necesário, aliás, abrir e não fechar ao criminoso a porta do arrependimento.

32 - SE A PENA DE MORTE PODE SER BANIDA DAS SOCIEDADES CIVILIZADAS, NÃO FOI ENTRETANTO UMA NECESSIDADE EM TEMPOS MENOS ADIANTADOS?

RESP.: Necessidade não é bem o termo. O homem sempre julga uma coisa necessária, quando não encontra nada melhor. Mas, à medida que se esclarece,vai compreendendo melhor o que é justo ou injusto e repudia os excessos cometidos nos tempos de ignorância, em nome da justiça.

33 - A RESTRIÇÃO DOS CASOS EM QUE SE APLICA A PENA DE MORTE É UM INDICE DO PROGRESSO DA CIVILIZAÇÃO?

RESP.: Podes duvidar disso? Não se revolta o teu Espírito lendo os relatos dos morticínios humanos que antigamente se faziam em nome da justiça e, frequentemente, em honra à Divindade; das torturas a que se submetia o condenado, e mesmo o acusado, para lhe arrancar, a peso de sofrimento, a confissão de um crime que ele muitas vezes não havia cometido? Pois bem; se tivesse vivido naqueles tempos acharia tudo natural, e talvez, tivesses feito o mesmo. É assim que o que parece justo numa época parece bárbaro em outra. Somente as leis divinas são eternas. As leis humanas modificam-se com o progresso. E se modificarão ainda, até que sejam colocadas em harmonia com as leis divinas.

34 - JESUS DISSE: "QUEM MATAR PELA ESPADA, PERECERÁ PELA ESPADA". ESSAS PALAVRAS NÃO REPRESENTAM A CONSAGRAÇÃO DA PENA DE TALIÃO? E A MORTE IMPOSTA AO ASSASSINO NÃO É A APLICAÇÃO DESTA PENA?

RESP.: Tomai tento! Estais equivocado quanto a estas palavras, como acerca de muitas outras. A pena de talião é a justiça de Deus; é ele quem a aplica. Todos vós sofreis a cada instante essa pena, porque sois punidos naquilo em que pecais, nesta vida ou numa noutra. Aquele que fez sofrer o seu semalhante estará numa situação em que sofrerá o mesmo. É este o sentido das palavras de Jesus. Pois não vos disse também: "Perdoai aos vossos inimigos"? E não vos ensinou a pedir a Deus que perdoe as vossas ofensas da maneira que perdoastes, ou seja, na mesma proporção em que houverdes perdoado! Compreendei bem isso.

35 - QUE PENSAR DA PENA DE MORTE IMPOSTA EM NOME DE DEUS?

RESP.: Isso equivale a tomar o lugar de Deus na prática da justiça. Os que agem assim revelam quanto estão longe de compreender Deus e quanto têm ainda a expiar. É um crime aplicar a pena de morte em nome de Deus, e os que o fazem são responsáveis por esses assassinatos.

36 - Como podemos compreender os resultados de nossas existências anteriores?

RESP.: Para compreender os resultados das existências anteriores, basta que o homem observe as próprias tendências, oportunidades, lutas e provas.

37 - Como entender, na essência, as dívidas ou vantagens que trazemos de existências passadas?

RESP.: Estudos que efetuamos corretamente, ainda que terminados há longo tempo, asseguram-nos títulos profissionais respeitáveis. Faltas praticadas deixam azeda sucata de dores na consciência, pedindo reparação. Se plantamos preciosa árvore, desde muito, é natural venhamos a surpreendê-la, carregada de utilidades e frutos para os outros e para nós. Se nos empenhamos num débito, é justo suportemos a preocupação de pagar.

38 - Qual a lição que as horas nos ensinam?

RESP.: Meditemos a simples lição das horas. Comumente, durante à noite, o homem repousa e dorme; em sobrevindo a manhã, desperta e levanta-se com os bens ou com os males que haja procurado para si mesmo no transcurso da véspera. Assim, a vida e a morte, na lei da reencarnação que rege o destino.

39 - Qual a situação moral da alma no túmulo e no berço?

RESP.: No túmulo, a alma, ainda vinculada ao crescimento evolutivo, entra na posse das alegrias e das dores que amontoou sobre a própria cabeça; no berço, acorda e retoma o arado da experiência, nos créditos que lhe cabe desenvolver e nos débitos que está compelida a resgatar.