PERDÃO

1 - QUAIS SÃO OS LIMITES DO PERDÃO, SEGUNDO JESUS?

RESP.: Não deve haver limites. É essencial a prática do perdão irrestrito, da indulgência sem limite, da caridade desinteressada, da renúncia de si mesmo; em última análise, o exercício do amor ao máximo que pudermos para que estejamos em condição de receber o perdão a que Jesus se refere na oração dominical.

2 - COMO DEVEMOS VER O PERDÃO AOS NOSSOS INIMIGOS?

RESP.: O perdão irrestrito ensinado por Jesus não só se refere às vezes em que devemos exercitá-lo, mas também em relação a quem se deve externá-lo. De fato, o Cristo recomendou o perdão também aos nossos inimigos, o que representa uma superação das próprias imperfeições. Se desejamos que nossas ofensas sejam perdoadas, não podemos ser intransigentes, duros, exigentes. Mesmo porque se fizermos um exame sincero de nossa consciência, talvez cheguemos a conclusão que nos mesmos que provocamos a ofensa.

3 - DE QUE MANEIRA PODEMOS PERDOAR?

RESP.: Há duas maneiras bem diferentes de perdoar:
1° - há o perdão dos lábios;
2° - o perdão do coração.
Muitos dizem do adversário: "Eu lhe perdôo", enquanto interiormente experimentam um secreto prazer pelo mal que lhe acontece, dizendo-se a si mesmo que foi bem merecido. Quando dizemos:"Perdôo, e acrescentam: "Mas jamais me reconciliarei; não quero vê-lo pelo resto da vida".

4 - O QUE SIGNIFICA "AMAR OS INIMIGOS"?

RESP.: Amar os inimigos, então, é não lhes ter ódio, nem rancor, nem desejo de vingança; é perdoar-lhes o mal que nos fazem, sem obstar à reconciliação; é desejar-lhe o bem e não o mal, alegrarmo-nos com a sua felicidade, estendendo-lhes a mão caridosa em caso de necessidade abstendo-nos, por palavras e atos, de tudo o quanto possa prejudicá-los, é, enfim, pagar sempre o mal com o bem, sem idéia de humilhá-los, e quem isso fazer, estará sem dúvida, amando aos seus inimigos.

5 - NA SUA OPINIÃO, COMO DEVEMOS PROCEDER PARA QUE SEJAMOS CADA VEZ MELHORES, RUMANDO À PERFEIÇÃO?

RESP.: Poderemos acelerar a nossa marcha e ganhar terreno no extenso caminho a percorrer, em busca de nosso aperfeiçoamento, se desde já nos compenetremos do nosso papel e da necessidade urgente de vivê-lo intensamente buscando fazê-lo através de nosso sentimento de caridade e do amor ao próximo, fazendo o bem pelo bem sem esperar recompensa pagando o mal com o bem, defendendo o fraco contra o forte e sacrificando sempre nosso interesse em face da justiça; sendo indulgentes para com as fraquezas alheias e severos para com as próprias, não nos comprazendo em evidenciar os defeitos dos outros, mas estudando nossas próprias imperfeições e trabalhando, incansavelmente para as combater e vencer. O Espiritismo bem compreendido mas sobretudo, bem sentido e vivido acelera a evolução e conduz inevitavelmente o seu adepto à perfeição.

6 - SEGUNDO JESUS, NÃO SE DEVE PERDOAR "SÓ SETE VEZES, MAS SETENTA VEZES SETE". INTERPRETE

RESP.: O perdão é muito importante na vida de relação e Jesus deu bastante ênfase à sua prática. Certa vez, o apóstolo Pedro perguntou-lhe se era lícito perdoar o seu irmão sete vezes, e o Mestre respondeu: "Não sete vezes, mas setenta vezes sete". O perdão não deve sofrer limitações; não deve ser dado por medida ou condicionalmente, mas ser amplo e irrestrito porisso o Mestre respondeu ao Apóstolo que não deveria perdoar seu irmão apenas sete vezes e relegá-lo à própria sorte, impossibilitando qualquer sorte de entendimento.

7 - PERDOAR E NÃO PERDOAR SIGNIFICA ABSOLVER E CONDENAR?

RESP.: Nas mais expressivas lições de Jesus, não existem, propriamente, as condenações implícitas ao sofrimento eterno, como quiseram os inventores de inferno mitológico. Os ensinos evangélicos referem-se ao perdão ou à sua ausência. Que se faz ao mau devedor a quem já se tolerou muitas vezes? Não havendo mais solução para as dívidas que se multiplicam, esse homem é obrigado a pagar.
É o que se verifica com as almas humanas, cujos débitos, no tribunal da justiça divina, são resgatados nas reencarnações, de cujo círculo vicioso poderão afastar-se, cedo ou tarde, pelo esforço no trabalho e boa vontade no pagamento.

8 - NA LEI DIVINA, HÁ PERDÃO SEM ARREPENDIMENTO?

RESP.: A lei divina é uma só, isto é, a do amor que abrange todas as coisas e todas as criaturas do Universo ilimitado. A concessão paternal de Deus, no que se refere à reencarnação para a sagrada oportunidade de uma nova experiência, já significa, em si, o perdão ou a magnanimidade da Lei. Todavia, essa oportunidade só é concedida quando o Espírito deseja regenerar-se e renovar seus valores íntimos pelo esforço nos trabalhos santificantes.
Eis por que a boa-vontade de cada um é sempre o arrependimento que a Providência Divina aproveita em favor do aperfeiçoamento individual e coletivo, na marcha dos seres para as culminâncias da evolução espiritual.

9 - ANTES DE PERDOARMOS A ALGUÉM, É CONVENIENTE O ESCLARECIMENTO DO ERRO?

RESP.: Quem perdoa sinceramente, fá-lo sem condições e olvida a falta no mais íntimo do coração; todavia, a boa palavra é sempre útil e a ponderação fraterna é sempre um elemento de luz, clarificando o caminho das almas.

10 - QUANDO ALGUÉM PERDOA, DEVERÁ MOSTRAR A SUPERIORIDADE DE SEUS SENTIMENTOS PARA QUE O CULPADO SEJA LEVADO A ARREPENDER-SE DA FALTA COMETIDA?

RESP.: O perdão sincero é filho espontâneo do amor e, como tal, não exige reconhecimento de qualquer natureza.

11 - O CULPADO ARREPENDIDO PODE RECEBER DA JUSTIÇA DIVINA O DIREITO DE NÃO PASSAR POR DETERMINADAS PROVAS?

RESP.: A oportunidade de resgatar a culpa já constitui, em si mesma, um ato de misericórdia divina, e, daí, o considerarmos o trabalho e o esforço próprio como a luz maravilhosa da vida. Estendendo, todavia, a questão à generalidade das provas, devemos concluir ainda com o ensinamento de Jesus, que "o amor cobre multidão dos pecados", traçando a linha reta da vida para as criaturas e representando a única força que anula as exigências da lei de talião, dentro do Universo infinito.

12 - "CONCILIA-TE DEPRESSA COM O TEU ADVERSÁRIO". ESSA É A PALAVRA DO EVANGELHO, MAS SE O ADVERSÁRIO NÃO ESTIVER DE ACORDO COM O BOM DESEJO DE FRATERNIDADE, COMO EFETUAR SEMELHANTE CONCILIAÇÃO?

RESP.: Cumpra cada qual o seu dever evangélico, buscando o adversário para a reconciliação precisa, olvidando a ofensa recebida. Perseverando a atitude rancorosa daquele, seja a questão esquecida pela fraternidade sincera, porque o propósito de represália, em si mesmo, já constitui uma chaga viva para quantos o conservam no coração.

13 - POR QUE TERIA JESUS ACONSELHADO PERDOAR "SETENTA VEZES SETE"?

RESP.: A Terra é um plano de experiências e resgates por vezes bastante penosos, e aquele que se sinta ofendido por alguém, não deve esquecer que ele próprio pode também errar setenta vezes sete.

14 - EM SE FALANDO DE PERDÃO, PODEREMOS SER ESCLARECIDOS QUANTO À NATUREZA DO ÓDIO?

RESP.: O ódio pode traduzir-se nas chamadas aversões instintivas, dentro das quais há muito de animalidade, que cada homem alijará de si, com os valores da auto-educação, a fim de que o seu entendimento seja elevado a uma condição superior. Todavia, na maior parte das vezes, o ódio é o gérmen do amor que foi sufocado e desvirtuado por um coração sem Evangelho.
As grandes expressões afetivas convertidas nas paixões desorientadas, sem compreensão legítima do amor sublime, incendeiam-se no íntimo, por vezes, no instante das tempestades morais da vida, deixando atrás de si as expressões amargas do ódio, como carvões que enegrecem a alma.
Só o evangelização do homem espiritual poderá conduzir as criaturas a um plano superior de compreensão, de modo a que jamais as energias afetivas se convertam em forças destruidoras do coração.

15 - PERDÃO E ESQUECIMENTO DEVEM SIGNIFICAR A MESMA COISA?

RESP.: Para a convenção do mundo, o perdão significa renunciar à vingança, sem que o ofendido precise olvidar plenamente a falta do seu irmão; entretanto, para o espírito evangelizado, perdão e esquecimento devem caminhar juntos, embora prevaleça para todos os instantes da existência a necessidadede oração e vigilância.
Aliás, a própria lei da reencarnação nos ensina que só o esquecimento do passado pode preparar a alvorada da redenção.

16 - OS ESPÍRITOS DE NOSSA CONVIVÊNCIA, NA TERRA, E QUE PARTEM PARA O ALÉM SEM EXPERIMENTAR A LUZ DO PERDÃO, PODEM SOFRER COM AS NOSSAS OPINIÕES ACUSATÓRIAS RELATIVAMENTE AOS ATOS DE SUA VIDA?

RESP.: A entidade desencarnada muito sofre com o juízo ingrato ou precipitado que, a seu respeito, se formula no mundo. Imaginai-vos recebendo o julgamento de um irmão de humanidade e avaliai como desejaríeis a lembrança daquilo que possuís de bom, a fim de que o mal não prevaleça em vossa estrada, sufocando-vos as melhores esperanças de regeneração.
Em lembrando aquele que vos precedeu no túmulo, tende compaixão dos que erraram e sede fraternos. Rememorar o bem é dar vida à felicidade. Esquecer o erro é exterminar o mal. Além de tudo, não devemos esquecer de que seremos julgados pela mesma medida com que julgarmos.