PLURALIDADES DAS EXISTÊNCIAS

1 - EM QUE SENTIDO A TEORIA DE PLATÃO É PRECURSORA DO PRINCÍPIO DA REENCARNAÇÃO?

RESP.: Platão, uma das maiores figuras da filosofia de todos os tempos, já concebia a chamada Teoria da Reminiscência, segundo a qual nosso conhecer é apenas recordar. A ocasião para isso é o encontro com as coisas deste mundo, o qual desperta na alma a recordação das idéias e lembranças. No sistema de Platão a Doutrina da Reminiscência exerce 3 funções importantes:
1ª - Fornece uma prova da preexistência da espiritualidade e da imortalidade da alma;
2ª - Estabelece uma ponte entre a vida antecedente e a vida presente;
3ª - Dá valor ao conhecimento das coisas deste mundo, reconhecendo-lhe o mérito de despertar as recordações das idéias.

2 - QUAL A POSIÇÃO DE ORÍGENES PERANTE A TEORIA DA PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS?

RESP.: Orígenes, importante filósofo e teólogo da Igreja grega, admitia a preexistência da alma como uma necessidade lógica, na explicação de certas passagens da Bíblia, chegando a conclusão de que se ela não existisse, Deus seria injusto. Entre os judeus, a idéia das vidas sucessivas era geralmente admitida.

3 - POR QUE A PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS É SUPERIOR A TEORIA DA UNICIDADE DAS EXISTÊNCIAS?

RESP.: Quanto a teoria da unicidade das existências, Allan Kardec teceu as seguintes questões:

1ª - Por que a alma revela aptidões tão diversas e tão independentes das idéias adquiridas pela educação;
2ª - De onde vem a aptidão extranormal de algumas crianças de pouca idade para esta ou aquela ciência, enquanto outras permanecem inferiores ou medíocres por toda a vida?;
3ª - De onde vêm, para um, as idéias inatas ou intuitivas, que não existem para outros?;
4ª - Por que alguns homens, independemente da educação, são mais adiantados que outros?;
5ª - Se a existência presente deve ser decisiva para a sorte futura, qual é, na vida futura, respectivamente, a posição do selvagem e a do homem civilizado? Estarão no mesmo nível ou estarão distanciados no tocante à felicidade comum?;
6ª - O homem que trabalhou toda a vida para melhorar-se estará no mesmo plano daquele que permaceu inferior, não por culpa sua, mas porque não teve tempo nem a possibilidade de melhorar?

4 - EM QUE SENTIDO A REENCARNAÇÃO CONSAGRA A LEI DE CAUSA E EFEITO?

RESP.: O princípio da pluralidade das existências do Espírito, é o único que satisfaz a razão no tocante à idéia que se tem da justiça de Deus, quanto às diferenças individuais, tais como: posições sociais, as enfermidades, o poder, a saúde, a satisfação dos sentidos, etc.. Deste modo, o princípio da reencarnação é o único capaz de explicar o presente e renovar as esperanças, pois é através dela que o homem resgata seus erros em vidas futuras, bem como compreende a bondade infinita do Criador. "Ao pagar todos os seus erros" (ao reajustar-se com as Leis), ele consagra a Lei de Causa e Efeito.

5 - COMO A REENCARNAÇÃO DESFAZ O MITO DAS "PENAS ETERNAS"?

RESP.: Allan Kardec indaga aos benfeitores espirituais: "O número das existências corporais é limitado, ou o Espírito se reencarna perpetuamente"? A cada nova existência, o Espírito dá um passo na senda do progresso, quando se despojou de todas suas impurezas, não precisa mais de provas da vida corpórea. LE, perg. 168. Portanto, pelo princípio da reencarnação, o Espírito no itinerário de sua perfectibilidade, terá pela frente a oportunidade de novos renascimentos. Pela reencarnação, reparam as faltas cometidas, ao mesmo tempo em que assumem o compromisso de novas provas, pois, um dia todos tornar-se-ão Espíritos Puros. Não custa lembrar mais uma vez que às vezes, algumas faltas não são "pagas" (reajuste) em uma única reencarnação.

6 - DE QUANTAS REENCARNAÇÕES O ESPÍRITO PRECISA PARA SUA EVOLUÇÃO?

RESP.: O número de reencarnações, não é o mesmo para todos os Espíritos, porquanto depende do esforço que cada um faz em prol do seu aprimoramento, intelectual e moral. A cada nova existência o Espírito dá um passo adiante na senda do progresso uma vez livre de todas as impurezas, não terá mais necessidade de novas vidas corporais. Em suma, cada Espírito faz a necessidade da quantidade de reencarnações necessárias.

7 - OS LAÇOS DE FAMÍLIA SÃO FORTALECIDOS PELA REENCARNAÇÕES E QUEBRADOS PELA UNICIDADE DAS EXISTÊNCIAS?

RESP.: Os Espíritos constituem, no mundo espiritual verdadeiras famílias unidas pela afeição, pela semelhança de inclinações e pela atração mútua. Sentindo-se felizes por estarem juntos, eles procuram sempre maior entrelaçamento físico com todos. Os laços afetivos ocorrem entre Espíritos que nutrem verdadeira afeição mútua, a única que sobrevive à destruição do corpo.

8 - OCORRE, FREQUENTEMENTE, QUE EM DETERMINADA FAMÍLIA ENCARNEM ESPÍRITOS QUE NÃO SE AFINAM COM OS DEMAIS MEMBROS DA FAMÍLIA? POR QUÊ?

RESP.: Ocorre frequentemente que em uma família encarnem Espíritos que não se afinam com os demais, demonstrando tendências diversas, parecendo, pelas suas inclinações e gostos, que nada tem em comum com seus parentes. As encarnações de Espíritos que são estranhos no seio das famílias têm a dupla finalidade de servirem de prova para uns e meio de progresso para outros. Os menos evoluídos melhoram pouco a pouco ao contato diário com os bons e pelas atenções que delas recebem, geralmente seu caráter se abranda, seus costumes se aperfeiçoam e as antipatias desaparecem.

9 - A TEORIA DA UNICIDADE DA EXISTÊNCIA EXCLUI A PREEXISTÊNCIA DA ALMA? EXPLIQUE

RESP.: A teoria da unicidade da vida exclui necessariamente, a preexistência da alma, que seria criada ao mesmo tempo que o corpo, sem qualquer ligação anterior. Todos os membros de uma família seriam estranhos entre si, sem nenhuma ligação espiritual. Após a desencarnação, considerando-se esta teoria, a sorte do Espírito estaria definitivamente selada, com a consequente anulação de todo o progresso conquistado, são, assim, imediatamente separadas para sempre, sem esperança de jamais se aproximarem (as almas) de tal sorte que os pais, mães e filhos, maridos e mulheres, irmãos e irmãs, amigos não estão jamais certos de se reverem, é a ruptura mais absoluta dos laços de família. ESE, cap. IV, ítem 22.

10 - QUANDO O ESPÍRITO DESENCARNA EM TENRA IDADE, QUAL SERÁ A SUA CONDUTA EVOLUTIVA?

RESP.: O fato de uma criança desencarnar em tenra idade não significa que ela irá desfrutar das benesses reservadas aos Espíritos Puros, como também não a isentará das provas que tenha que vencer e que são essenciais ao seu aprimoramento espiritual. Seria inadmissível crer que desfrutasse sem esforço, das bem-aventuranças eternas.

11 - A INOCÊNCIA DA CRIANÇA SIGNIFICA QUE O SEU ESPÍRITO É EVOLUÍDO?

RESP.: Não. Não se pode também considerar a infância como um estado de inocência, pois frequentemente surgem crianças portadoras de maus instintos, numa idade em que a educação ainda não pode exercer sua influência. Muitas crianças trazem de forma inata tendências negativas, não obstante o exemplo do meio em que vivem; tais tendências somente podem vir do estado de inferioridade do Espírito.

12 - A ALMA QUE NÃO ATINGIU A PERFEIÇÃO DURANTE A VIDA CORPÓREA, COMO ACABA DE DEPURAR-SE?

RESP.: Submetendo-se à prova de uma nova existência.

13 - COMO REALIZA ELA ESSA NOVA EXISTÊNCIA? PELA SUA TRANSFORMAÇÃO COMO ESPÍRITO?

RESP.: Ao se depurar, a alma sofre sem dúvida uma transformação, mas para isso necessita da prova da vida corpórea.

14 - A ALMA TEM MUITAS EXISTÊNCIAS CORPÓREAS?

RESP.: Sim, todos nós temos muitas existências. Os que dizem o contrário querem manter-vos na ignorância em que eles mesmos se encontram; esse é o seu desejo.

15 - PARECE RESULTAR, DESSE PRINCÍPIO, QUE, APÓS TER DEIXADO O CORPO, A ALMA TOMA OUTRO. DITO DE OUTRA MANEIRA,QUE ELA SE REENCARNA EM NOVO CORPO. É ASSIM QUE SE DEVE ENTERNDER?

RESP.: É evidente.