POLÍTICA

1) O desenvolvimento tecnológico e intelectual fomentará novos sistemas políticos?

Certamente. O homem melhor, mais desenvolvido moral e intelectualmente, apoiado na tecnologia que o impulsiona para a frente, criará sistemas políticos compatíveis com os ideais que abraça, as aspirações que acalenta e os labores que realiza.

A política tem sido instrumento mal utilizado por homens e mulheres ambiciosos, esquecidos dos valores éticos, salvadas as exceções compreensíveis.

Quando se entenda que a política é poderoso instrumento de construção da sociedade, e se esteja moralmente adiantado para colocar em plano secundário os interesses pessoais, zelando pelos coletivos, serão criados novos sistemas e métodos de trabalho que elaborarão regimes justos e nobres, que atendam as necessidades do povo, sempre preterido, desrespeitado e oprimido através da História.

2) É constitucionalmente viável o liberalismo político com economia dirigida aos interesses da maioria faminta ?

Quando os interesses dos grupos dominantes cederem em benefício das necessidades gerais, se poderão elaborar estudos e programas políticos liberais, constitucionalmente voltados para atender a grande maioria que padece fome e outras carências que podem ser diminuídas.

3) É possível o fortalecimento das instituições sociais e a reduçâo ou eliminação dos desajustes através da revisâo dos sistemas políticos, jurídicos e econômicos?

Naturalmente, havendo uma revisão dos sistemas palíticos - mediante ajustamento dos seus conteúdos às necessidades reais das massas, em detrimento dos interesses apaixonados do partidarismo e de suas negociações nem sempre dignas - jurídicos -, por meio de Leis justas, que objetivem atender as imposições do progresso, sem as falhas que, habitualmente, são detectadas, mas, raramente alteradas, porque servem para conciliar as dominações farisaicas de grupos privilegiados, quase nunca alcançados pela Justiça -: econômicos - abrindo-se campo de trabalho para todos, com os conseqüentes direitos de repouso, recreação, saúde e educação, que devem viger em todos os sistemas humanos dignos - ocorrerá diminuição e, a passo largo, a eliminação dos desajustes que fazem parte dos grupamentos humanos em sociedade.

É certo que tal ocorrência somente se tornará factível, quando o homem se fizer melhor interiormente, trabalhando-se com afinco e estabelecendo metas de engrandecimento moral mediante as quais despertará para os valores reais da vida, e, portanto, para a solidariedade, o amor e ajustiça.

4) Vale a pena mudar os regimes sócio-econômico e sociopolítico do país, alterando o quadro de miséria, violência e exclusão social, enquanto a maioria das pessoas continua escrava de preconceitos, de individualismo e atitudes egoístas?

Enquanto não sejam estabelecidas Leis justas, que objetivem combater a miséria sócio-econômica - que decorre do egoísmo, esse grande gerador da miséria moral - será impossível diminuir o sofrimento de milhões de seres que padecem escassez quase absoluta do necessário para uma existência digna, ou pelo menos suportável nas atuais condições de vida na Terra.

Somente, portanto, através de uma mudança de regime sociopolítico e sócio-econômico, é que se poderão criar condições dignificantes para o ser humano, a fim de que o mesmo se liberte da desagregação perversa, conforme vem ocorrendo em inúmeros setores da sociedade.

Em uma cultura que se apresenta como responsável pelo desenvolvimento da civilização não pode existir a miséria econômica; não há lugar para a presença da fome, do desemprego, do abandono moral e social a que são relegados os pobres, que estorcegam nos guetos de sofrimentos a que são atirados.

5) Para o Terceiro Milênio, não se torna cada vez mais premente falarmos de analfabetismo político, analfabetismo espiritual, do que de analfabeto de leitura e escrita?

Sem dúvida, a ignorância é o grande inimigo do ser humano. Seja ele desconhecedor dos valores espirituais, que são a base de formação da vida sob quaisquer aspectos considerada ou de outra forma de entendimento, de que depende para o desenvolvimento intelecto-moral, sem o que permanece nas faixas mais primárias do processo de crescimento. Assim sendo, a pior ignorância é a que decorre do desconhecimento das Leis de Deus que regem o Universo, da sua realidade de Espírito imortal, dos compromissos que tem em relação à vida, ao seu próximo e a si mesmo. Os outros são conseqüência inevitável desse primeiro, mais importante e mais urgente. Brutalizado, o ser estertora no analfabetismo em relação às Letras e às Artes, à beleza e aos deveres. Não obstante, existem casos em que, analfabeto, no que tange às questões intelectuais, o Espírito em prova, possui ínsito o discernimento que o auxilia a reparar os males causados anteriormente e a crescer nas novas experiências.

Conhecedor dos seus deveres e direitos espirituais, ele se socializa e adquire capacidade política, a fim de contribuir em favor da evolução da Humanidade, conquistando, de forma consciente, a sua cidadania.

Espírito Vianna de Carvalho