SONHOS

1 - O QUE SÃO OS SONHOS?

RESP.: O sonho define-se como a lembrança do que o Espírito viu durante o sono. Kardec, analisando essa mesma resposta dos Espíritos, complementa dizendo que os sonhos são o produto da emancipação da alma, que se torna mais independente pela suspensão da vida ativa e de relação.

2 - O QUE REPRESENTA O SONO PARA O SER HUMANO?

RESP.: O Espírito jamais dorme, ficando inativo, experimenta durante o sono o afrouxamento dos laços que o unem ao corpo, permitindo-lhe o contato direto com os outros Espíritos. Por essa razão é que o sono influi muito mais do que pensamos, em nossa vida. O período de sono, portanto, é de vital importância para os Espíritos representando a porta que Deus lhes abriu para o contato com o seus amigos do céu. Além disso, é o recreio após o trabalho, após as tribulações da vida diária.

3 - POR QUE NÃO NOS LEMBRAMOS DOS NOSSOS SONHOS?

RESP.: Não nos lembramos sempre dos sonhos em grande parte, devido à influência da matéria pesada e grosseira, que limita as possibilidades de manifestação da alma. Contudo deve-se considerar também a falta de desenvolvimento do Espírito e seu mediano grau de evolução, que o impedem de lembrar-se das coisas corriqueiras do dia-a-dia, como de seus próprios sonhos.

4 - O QUE ACONTECE COM O ESPÍRITO DURANTE O SONO DO CORPO?

RESP.: Durante o sono, o Espírito não fica em repouso, os liames que o unem ao corpo, se afrouxam e o corpo não necessita do Espírito. Então ele percorre o espaço e entra em relação mais direta com outros Espíritos. Por efeito do sono, os seres encarnados e desencarnados podem, portanto, manter um contato, a isto pode se chamar de EMANCIPAÇÃO DA ALMA. Ficando o corpo inativo,o Espírito se desprende e passa a viver a vida espiritual, havendo, portanto, grande similitude com o estado em que estará de maneira permanente após a morte.

5 - POR QUE NEM SEMPRE LEMBRAMOS CLARAMENTE DOS SONHOS?

RESP.: Não recordamos sempre dos sonhos, porque o corpo é de matéria pesada e grosseira e dificilmente conserva as impressões recebidas pelo Espírito, mesmo porque o Espírito não as percebeu pelos órgãos do corpo.

6 - ESTABELEÇA A DISTINÇÃO ENTRE OS SONHOS DO 1 - SUBCONSCIENTE E OS 2 - SONHOS REAIS?

RESP.: 1 - São reproduções de idéias e pensamentos impressões que afetam a mente na vigília, fatos comuns da vida normal. Entram nessas espécies de sonho o temperamento imaginativo e seus recalques. O que caracteriza esses sonhos são os aspectos confusos e nebulosos, a falta de coerência e de nitidez.
2 - São reproduções daquilo que se vê, ouve ou sente, o contato que se faz com pessoa ou coisa desses lugares. Consiste em visões perfeitas, diretas e objetivas. Isto, naturalmente, para os Espíritos encarnados mais elevados. Para a grande maioria dos Espíritos que ainda não se desprendeu completamente das coisas materiais, prevalece a lei que rege o planeta, mantendo-se o véu da obscuridade.

7 - O QUE PERMITE AO ESPÍRITO TORNAR-SE VISÍVEL DURANTE O SONO DO CORPO?

RESP.: O perispírito, tanto do encarnado quanto do desencarnado, é sempre um envoltório semimaterial, o qual, se visível, tem uma aparência tão idêntica à real, que se torna possível a muitas pessoas estar com a verdade quando dizem ter visto o encarnado, ao mesmo tempo, em dois pontos diversos.

8 - PODE-SE DIZER QUE DURANTE O SONO A ALMA POSSUI DUAS EXISTÊNCIAS?

RESP.: Do princípio de emancipação da alma durante o sono parece resultar que temos, simultaneamente, duas existências: a do corpo, que nos dá a vida de relação exterior, e a da alma, que nos dá a vida de relação oculta. No entanto, no estado de emancipação,a vida do corpo cede lugar à da alma, mas não existem, propriamente falando duas existências; são antes duas fases das mesma existência, porque o homem não vive de maneira dupla.

9 - POR QUE NÃO NOS RECORDAMOS SEMPRE DOS SONHOS?

RESP.: Nisso que chamas sono só tens o repouso do corpo, porque o Espírito está sempre em movimento. No sono, ele recobra um pouco de sua liberdade e se comunica com os que lhe são caros, seja neste ou em outros mundos. Mas, como o corpo é de matéria pesada e grosseira, dificilmente conserva as impressões recebidas pelo Espírito, mesmo porque o Espírito não as percebeu pelos órgãos do corpo.

10 - QUE PENSAR DA SIGNIFICAÇÃO ATRIBUÍDA AOS SONHOS?

RESP.: Os sonhos não são verdadeiros, como entendem os ledores da sorte, pelo que é absurdo admitir que sonhar com uma coisa anuncia outra. Eles são verdadeiros no sentido de apresentarem imagens reais para o Espírito, mas que, frequentemente, não têm relação com o que se passa na vida corpórea. Muitas vezes, ainda, um pressentimento do futuro, se Deus o permite, ou a visão do que se passa no momento em outro lugar, a que a alma se transporta. Não tendes numerosos exemplos de pessoas que aparecem em sonhos para advertir parentes e amigos do que lhes está acontecendo? O que são essas aparições, senão a alma ou o Espírito dessas pessoas que se comunicam com a vossa? Quando adquiris a certeza de que aquilo que vistes realmente aconteceu, não é isso uma prova de que a imaginação nada tem com o fato, sobretudo se o ocorrido absolutamente não estava no vosso pensamento durante a vígilia?

11 - FREQUENTEMENTE SE VÊEM EM SONHOS COISAS QUE PARECEM PRESSENTIMENTOS E QUE NÃO SE CUMPREM; DE ONDE VÊM ELAS?

RESP.: Podem cumprir-se para o Espírito, se não se cumprem para o corpo. Quer dizer que o Espírito vê aquilo que deseja, porque vai procurá-lo. Não se deve esquecer que, durante o sono, a alma está sempre mais ou menos sob a influência da matéria e, por conseguinte, não se afasta jamais completamente das idéias. Disso resulta que as preocupações da vigília podem dar, àquilo que se vê, a aparência do que se deseja ou do que se teme. A isso é que realmente se pode chamar um efeito da imaginação. Quando se está fortemente preocupado com uma idéia, liga-se a ela tudo o que se vê.

12 - QUANDO VEMOS EM SONHO PESSOAS VIVAS, QUE CONHECEMOS PERFEITAMENTE, PRATICAREM ATOS EM QUE ABSOLUTAMENTE NÃO PENSAM, NÃO É ISSO UM EFEITO DE PURA IMAGINAÇÃO?

RESP.: Em que absolutamente não pensam? Como o sabes? Seus Espíritos podem visitar o teu, como o teu pode visitar os delas, e nem sempre sabes o que pensam. Além disso, frequentemente aplicais a pessoas que conheceis, e segundo os vossos desejos, aquilo que se passou ou se passa em outras existências.

13 - COMO DEVEMOS CONCEITUAR O SONHO?

RESP.: Na maioria das vezes, o sonho constitui a atividade reflexa das situações psicológicas do homem no mecanismo das lutas de cada dia, quando as forças orgânicas dormitam em repouso indispensável. Em determinadas circunstâncias, contudo, como nos fenômenos premonitórios, ou nos de sonambulismo, em que a alma encarnada alcança elevada porcentagem de desprendimento parcial, o sonho representa a liberdade relativa do espírito prisioneiro da Terra, quando, então, se poderá verificar a comunicação inter vivos, e, quando possível, as visões proféticas, fatos esses sempre organizados pelos mentores espirituais de elevada hierarquia, obedecendo a fins superiores, e quando o encarnado em temporária liberdade pode receber a palavra e a influência diretas de seus amigos e orientadores do plano invisível.

14 - Há quem diga que durante o sono temos contato como mundo espiritual. É possível?

RESP.: Essa é a realidade demonstrada pela Doutrina Espírita. Quando dormimos, podemos transitar pelo Além. Por isso costuma-se dizer que o sono é um mergulho na eternidade.

15 - Os sonhos são lembranças de nossas atividades no plano espiritual, durante o sono?

RESP.: Nem sempre. Diríamos que há três tipos de sonhos: fisiológicos, psicológicos e espirituais, definindo situações diferentes que nos envolvem durante o repouso noturno.

16 - O que é o sonho fisiológico?

RESP.: É aquele que dramatiza algo que acontece com nosso corpo. Se está frio e nos descobrimos, sono pesado, sem despertar, poderemos nos ver num campo de neve, tiritando. Pessoas com incontinência urinária sonham que estão satisfazendo essa necessidade fisiológica, enquanto molham a cama. Adolescentes sonham que estão mantendo relação sexual, quando experimentam poluções noturnas, naturais em sua idade.

17 - O que é o sonho psicológico?

RESP.: E' aquele que exprime nossos estados íntimos. Nos velhos tempos, em que não havia os recursos da informática, eu passava dias e dias procurando diferenças nas fichas gráficas de contas correntes, no Banco do Brasil, onde trabalhava. A noite, sempre me via, durante o sono, na agência, repetindo intermináveis verificações. Era a dramatização de meu envolvimento com aquele problema.

18 - E o sonho espiritual?

RESP.: E' o resíduo de uma atividade desenvolvida pelo Espírito, afastado do corpo durante o sono. Kardec denomina essa situação como emancipação da alma. Como podemos saber se um sonho exprime uma atividade espiritual ou se trata de simples dramatização de situações fisiológicas ou psicológicas? Os sonhos de caráter fisiológico ou psicológico são fugidios, mal delineados. Os sonhos espirituais são mais nítidos, mais claros. Guardamos melhor. E um detalhe: geralmente são coloridos, o que não costuma ocorrer com as demais formas, que se apresentam em branco e preto.

19 - Há sonhos repetitivos. A pessoa se vê sempre na mesma situação, não raro dramática. Está se afogando, ou envolvida num incêndio, ou sofrendo lum acidente. Tem algo a ver com o mundo espiritual?

RESP.: Chamam-se recorrentes os sonhos repetitivos. Geralmente envolvem uma experiência dramática, em passado próximo, na vida atual, ou remoto, em vidas anteriores. Esses registros, sepultados no inconsciente, podem aflorar na forma de sonhos, principalmente quando passamos por alguma tensão ou preocupação exacerbada.

20 - Freud concebia que, interpretando os sonhos de seus pacientes, poderia ajudá-los a vencer traumas e desajustes. É possível?

RESP.: Freud estava no caminho certo. Faltou-lhe a crença na imortalidade e na reencarnação para perceber que sonhos perturbadores podem ter origem em influências espirituais ou em reminiscências de vida anteriores.

21 - Existem sonhos proféticos, em que a pessoa tem visões de acontecimentos futuros?

RESP.: A experiência diz que sim. A Bíblia é um repositório de fatos dessa natureza. Destaque especial para os sonhos do faraó, interpretados por José, filho de Jacó, sobre anos de fartura e de escassez que se aproximavam.

22 - Os sonhos do faraó falavam particularmente em sete vacas gordas e sete vacas magras, algo nebuloso. É assim mesmo?

RESP.: Sonhos proféticos exprimem, geralmente, intervenção de mentores espirituais. Eles não falam de forma simbólica, mas a pessoa registra como simbolismo, em face da dificuldade em fazer a transposição de uma experiência extracorpórea para o cérebro físico.

23 - Por que isso acontece?

RESP.: Nosso cérebro tem registro objetivo apenas para experiências que passam pelos cinco sentidos - tato, paladar, olfato, visão e audição. Essa é uma das razões pelas quais não lembramos das existências anteriores. Ao reencarnar, ficamos na dependência de um cérebro zero-quilômetro, sem registros do pretérito. Algo semelhante ao que ocorre em relação às nossas atividades no plano espiritual, durante o sono.

24 - É sempre assim?

RESP.: Há exceções, envolvendo pessoas dotadas de uma mediunidade especial, chamada onirofania, que permite o registro objetivo das experiências vividas no mundo espiritual durante as horas de sono. Exemplos típicos são os sonhos de José, pai de Jesus, que, em inúmeras oportunidades, foi orientado durante o sono por Gabriel, mentor espiritual de elevada hierarquia que o acompanhava.

25 - Pode não se cumprir um sonho profético?

RESP.: Sim, mesmo porque, não raro, sonhos premonitórios apenas exprimem uma fantasia relacionada com nossas preocupações. Um familiar viaja. Apreensivos, sonhamos com um acidente.

26 - Quando ocorre um legítimo sonho premonitório, fatalmente se concretizará?

RESP.: Não, necessariamente. A premonição pode apenas exprimir um aviso da Espiritualidade para que sejamos cuidadosos. E como se nossos mentores avisassem: "Há problemas na estrada. Seja prudente! Vá com cuidado!" Lembro, ainda, José. Se ele não seguisse as orientações de Gabriel, a história de Jesus ficaria limitada a alguns dias.

27 - Há premonições que não são meros avisos, mas a antecipação de algo que fatalmente ocorrerá?

RESP.: Sim, envolvendo situações difíceis, doenças, problemas e até a morte. A literatura psíquica é pródiga em exemplos dessa natureza. O presidente Lincoln sonhou que acordava em plena noite e, dirigindo-se para o salão principal da Casa Branca, notoi havia um velório. Perguntou a um sol| que lhe respondeu que era do president fora assassinado. Comparecendo a um naquele mesmo dia, Lincoln foi morto atentado.

28 - Há pessoas que têm horror a esses sonhos, situando-os "de mau agouro". Afinal, constituem um bem ou um mal?

RESP.: Vêm para o bem, a fim de que a haja com prudência no que possa ser ou se prepare para o inevitável, a convicção, neste caso, de que não terál fruto de circunstâncias fortuitas. Era algo programado, envolvendo o seu carma.