TRANSPLANTES

1 - COMO A DOUTRINA ESPÍRITA AVALIA A QUESTÃO DA DOAÇÃO DE ÓRGÃOS E OS TRANSPLANTES?

RESP.: A Doutrina Espírita define a causa da morte como "a exaustão dos órgãos". E a morte, propriamente dita, bem definida por Kardec: "é apenas a destruição do corpo". Contudo, enquanto o corpo puder servir aos fins para os quais foi criado, é sempre louvável a doação de órgãos e o transplante, até porque não acarreta nenhum dano ao perispírito do doador que passa para o mundo espiritual íntegro. Aliás, só benefícios lhe traz o ato, mormente pela alegria e pela gratidão do receptor e de seus familiares, em relação ao prolongamento de sua vida. Trata-se de um ato de Caridade: um gesto de amor ao próximo, acima de tudo.

2 - Qual o ponto de vista espírita sobre transplante?

RESP.: Ponto de vista espírita seria o que está na Codificação, envolvendo a obra de Allan Kardec. Como ele não abordou o assunto, podemos ter a opinião dos espíritas. A minha é favorável. Seria uma prova de AMOR ao próximo.

3 - A retirada de seus órgãos não poderá ocasionar problemas para o Espírito?

RESP.: A situação do Espírito, no trânsito para o Além, depende dele próprio, de seus patrimônios morais e culturais, não das circunstâncias que envolvem sua morte.

4 - O paciente cujos órgãos foram aproveitados para transplante não terá repercussões em seu perispírito?

RESP.: Se lhe tiraram os olhos, não poderá, por exemplo, experimentar a cegueira no plano espiritual? Se assim fosse, como ficaria alguém cujo corpo foi desintegrado numa explosão? Nosso perispírito é afetado pelo que fazemos, não pelo que fazem ao nosso corpo.

5 - Sendo indispensável retirar o órgão ainda vivo, afim de viabilizar o transplante, a Medicina adotou o conceito de morte cerebral. O paciente é declarado morto, embora o coração ainda esteja funcionando. Isso não é eutanásia?

RESP.: Há apenas vida vegetativa, uma morte em vida, sustentada por aparelhos. Quando forem desligados, ou mesmo antes disso, o paciente não tardará em exalar o último suspiro.

6 - Alguns dias ou horas a mais no corpo não o preparariam melhor para o desencarne?

RESP.: Talvez, dependendo das pessoas que os cercam. As vezes os familiares envolvem o paciente em tal onda de desespero e incon-formação que lhe impõem mais atribulações do que as supostamente decorrentes dos procedimentos cirúrgicos para o aproveitamento de seus órgãos.

7 - Se a retirada é feita à revelia do paciente terminal, não poderá ele converter-se num obsessor da pessoa beneficiada pelo transplante?

RESP.: Essa fantasia daria um belo filme de horror, mas não tem nada a ver com a realidade. O aproveitamento do órgão antecipa-se algumas horas ao banquete dos vermes, preservando-o. Motivo maior teria o Espírito de aborrecer-se com os nauseantes invasores que lhe devoram o corpo inteiro.

8 - O coração é situado como a sede dos sentimentos. Isso não poderá causar embaraços à pessoa que receba o coração de alguém muito atribulado, como um suicida, por exemplo?

RESP.: O coração é uma bomba, cuja função primordial é fazer circular o sangue no organismo. A sede dos sentimentos está na alma, não no corpo ou em algum órgão específico.

9 - Aos cinquenta anos um homem está no fim da existência, com grave problema cardíaco. No entanto, recebe um coração "novo", em transplante, e vive mais 20 anos. Não estaria a ciência médica interferindo nos desígnios de Deus?

RESP.: A Medicina é instrumento de Deus. Suas conquistas fazem parte do planejamento divino em favor da longevidade da espécie humana, programada biologicamente para viver perto de um século.