VIDA ESPIRITUAL

1 - Os relatos da Doutrina Espírita sobre a vida alé túmulo passam a idéia de uma existência semelhante à Terra, com cidades, construções, veículos, escolas, hospitais... Não são meras fantasias?

RESP.: Quem assim pensa deve informar como imagina a vida espiritual. Seria diferente da Terra, sem formas e, consequentemente, sem nada disso? Podemos conceber que a paisagem é diferente, mas não podemos afirmar que inexistam paisagens. NOTA: Isto devido ao nosso planeta ser ainda de provas e expiações, de inferioridade, aonde predomina a matéria densa.

2 - Um mundo de formas sugere a existência de matéria. A dimensão espiritual também é feita de matéria?

RESP.: Os cientistas admitem hoje a existência de universos paralelos, em múltiplas dimensões. Obviamente, são feitos de matéria também, em outra faixa de vibração, inacessíveis aos sentidos humanos. O chamado mundo espiritual ocupa uma dessas dimensões. NOTA: Einstein dizia existir 4, a teoria das supercordas acredita afirma haver 12.

3 - Admitidas essas idéias, podemos conceber a existência de cidades no Além?

RESP.: Sim, com uma grande diferença: na Espiritualidade os Espiritos se congregam por afinidade. Cidades como Nosso Lar, descrita por André Luiz, no livro homônimo, psicografia de Francisco Cândido Xavier, são habitadas por Espíritos já conscientes de suas responsabilidades, empenhados em cumprir as leis divinas.

4 - As cidades da Terra têm um governante, eleito pelo voto, que forma um secretariado, pessoas ligadas ao seu partido, ou de acordo com suas conveniências. Isso também acontece no plano espiritual?

RESP.: As cidades espirituais do tipo Nosso Lar têm um modelo que lembra os antigos ideais de um governo aristrocrático, no bom sentido, uma sociedade dirigida pelos mais experientes e sábios.

5 - São eleitos pela população?

RESP.: Não há eleições. Os governantes são nomeados por instâncias superiores da Espiritualidade, como um prefeito que fosse escolhido pelo governador ou um governador empossado pela presidência da República.

6 - Esse critério lembra as ditaduras, em que governantes são impostos ao povo, atendendo às conveniências dos ditadores. Isso não poderia acontecer nas cidades espirituais?

RESP.: Não, porque as nomeações obedecem exclusivamente ao critério do mérito. São indicados os mais sábios e experientes, sem favorecimentos, sem interesses pessoais, lembrando o ensinamento evangélico: serão escolhidos os que mais estiverem dispostos a servir.

7 - Os Espíritos mais atrasados também vivem em cidades?

RESP.: Congregam-se em agrupamentos transitórios que podem ser tomados à conta de favelas espirituais. Para ali são atraídos Espíritos que guardam afinidade com aquele ambiente.

8 - Também têm governantes?

RESP.: Sim, na base do mais forte e astuto, algo semelhante aos regimes tribais da Terra. Inteligência refinadas, mas moralmente subdesenvidas, que lembram a figura mitológica demônio, exercem ali o seu domínio, precariamente. Estão todos submetidos as leis inoráveis de evolução que, mais edo ou mais tarde, modificarão as disposições de governantes e governados, convocando-os a experiências redentoras na carne.

9 - Se o Espírito movimenta-se e interage no Mundo Espiritual de matéria sutil, podemos dizer que também é feito de matéria?

RESP.: Na questão 88, de O Livro dos Espíritos, está registrado que o Espírito pode ser representado por uma chama. Não temos informações sobre a sua constituição, mas sabemos que se reveste de matéria etérea, veículo de sua ação no plano em que atua.

10 - Seria um corpo espiritual?

RESP.: Exatamente, e não é novidade. Em todas as culturas temos referências a respeito. No budismo esotérico era chamado de kama-rupa; Pitágoras fala em carne sutil da alma; Leibnitz, corpo fluídico; era o corpo astral para hermetistas e alquimistas. Kardec o chama de perispírito (em torno do Espírito).

11 - Há alguma referência nos textos evangélicos?

RESP.: Na Primeira Epístola aos Coríntios, o apóstolo Paulo fala claramente de um corpo celeste com o qual o Espírito transita no plano espiritual. Mesmo durante a vida física isso seria possível, durante o sono. É o que dá a entender na Segunda Epístola aos Coríntios, 12:2: Conhece um homem em Cristo que há quatorze anos foi arrebatado até o terceiro céu. Se no corpo, não sei; se fora do corpo, não sei; Deus o sabe.

12 - Não diz quem foi?

RESP.: Segundo Emmanuel, no livro Paulo e Estêvão, psicografía de Francisco Cândido Xavier, seria o próprio Paulo, que se sentiu transportado ao Além, onde se avistou com sua noiva desencarnada, Abigail. Foi um encontro emocionante, que influenciaria decisivamente sua existência.

13 - A ortodoxia religiosa baseia-se nas afirmações de Paulo para afirmar que o corpo celeste seria o próprio corpo físico, ressuscitado no juízo final e revestido de imortalidade...

RESP.: É uma fantasia que poderia atender às necessidades do passado, mas não atende à
racionalidade do presente. O próprio Paulo afirma na Primeira Epístola aos Coríntios: Nem toda a carne é a mesma: uma é a carne dos homens, e outra a dos animais, outra a das aves e outra a dos peixes. E há corpos celestes e corpos terrestres. Fica evidente que o corpo celeste não é a carne restaurada e imortalizada.

14 - O que acontece com o perispírito quando o Espírito reencarna?

RESP.: Funciona como elo de ligação, intermediário entre o Espírito, o ser pensante, e a carne. Por isso se diz, sob o ponto de vista doutrinário, que o Homem é constituído de três partes: Espírito, perispírito e corpo físico.

15 - O perispírito exerce alguma influência na formação do corpo?

RESP.: O perispírito é o chamado organizador biológico, uma espécie de forma que modela a vestidura carnal, segundo as necessidades e programas do Espírito, ao encarnar, em consonância com as leis da genética, que determinam detalhes como a estrutura física, a cor dos olhos e da pele...

16 - Um exemplo....

RESP.: Um Espírito comprometido com a violência terá impresso em seu corpo espiritual desajuste correspondente aos seus crimes. Ao reencarnar poderá ter problemas neurológicos que lhe afetarão a mobilidade dos braços, de forma a conter a tendência de resolver suas pendências na base do bato e arrebento.