ZOOLOGIA

1) Diante de Deus a espécie humana vale mais que as outras, a ponto da sobrevivência da primeira justificar a extinção de outras espécies?

A vida na Terra, por enquanto, obedece, de certo modo,à Lei de destruição, mediante a qual a sobrevivência de um ser depende da morte do outro, facultando que predomine o biótipo mais forte.

Desse modo, a espécie humana também se nutre de outras formas de vida, seja vegetal ou animal, obedecendo a regimes especiais, sempre dependentes de alguma espécie viva, que sucumbe ou deixa de reproduzir-se.

Não obstante, o ser humano é precioso, porque nele transitam os Espíritos que já alcançaram uma faixa superior de entendimento da vida, embora, às vezes, a aparência seja algo perturbadora pelas exteriorizações que demonstra.

2) Quando uma espécie é extinta, o que acontece com os Princípios Espirituais que a formavam?

A extinção da forma de uma espécie não destrói o psiquismo que a animava. Processa-se o seu desenvolvimento passando a habitar outra expressão, no processo de crescimento para adquirir o estado de Humanidade, que a aguarda no futuro.

Não existe aniquilamento da vida na sua essência, na sua estrutura energética. As transformações impostas pelo mecanismo da evolução caracterizam todos os seres que a elas são submetidos, desde as espécies mais simples até aquelas que são as primeiras manifestações de vida inteligente...

3) Temos a informação de que haveria aproveitamento imediato do princípio que anima os animais. Mas, por outro lado, também nos é revelada a presença de animais no mundo espiritual. Em havendo, realmente, qual sua estrutura ou constituição?

Devemos considerar que o imediato não significa, necessariamente, logo após a morte dos animais, porquanto esse psiquismo ou alma permanece algum tempo no Além, a serviço dos Espíritos Nobres, que o utilizam em trabalhos próprios da sua condição, em regiões de sofrimentos onde estagiam os que se comprometeram com o mal. Oportunamente, essas almas são recambiadas ao corpo somático, sempre em processo de evolução, sem qualquer solução de continuidade. A sua estrutura psíquica é constituída de energia específica, que suavemente dá origem ao futuro perispírito, que será o envoltório do Espírito.

4) Tendo em vista o número quase infinito de insetos-somente para exemplificar com esses seres vivos - , seria possível afirmar que todos os princípios inteligentes que animam insetos se humanizarão? (Vide questões 602 a 607 de O Livro dos Espíritos de Allan Kardec)

Não necessariamente.

Recordemo-nos da resposta dos Espíritos Elevados, que se encarregaram da promoção do progresso da Terra, assinalada pelo Codificador Allan Kardec, em o número 540 de O Livro dos Espíritos, quando informam:

Os Espíritos que exercem ação nos fenômenos da Natureza operam com conhecimento de causa, usando do livre-arbítrio, ou por efeito de instintivo ou irrefletido impulso?

Uns sim, outros não. Estabeleçamos uma comparação.

Considera essas miríades de animais que, pouco a pouco, fazem emergir do mar, ilhas e arquipélagos. Julgas que não há aí um fim providencial e que essa transformação da superfície do globo não seja necessária à harmonia geral? Entretanto, são animais de ínfima ordem que executam essas obras, provendo às suas necessidades e sem suspeitarem de que são instrumentos de Deus. Pois bem, do mesmo modo, os Espíritos mais atrasados oferecem utilidade ao conjunto. Enquanto se ensaiam para a vida, antes que tenham plena consciência de seus atos e estejam no gozo pleno do livre-arbítrio, atuam em certos fenômenos, de que inconscientemente se constituem os agentes. Primeiramente, executam. Mais tarde, quando suas inteligências já houverem alcançado um certo desenvolvimento, ordenarão e dirigirão as coisas do mundo material. Depois, poderão dirigir as do mundo moral. É assim que tudo serve, que tudo se encadeia na Natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo, que também começou por ser átomo. Admirável lei de harmonia, que o vosso acanhado espírito ainda não pode apreender em seu conjunto! (O Livro dos Espíritos, 29ª edição da FEB, páginas 265/266.)

Espírito Vianna de Carvalho