A VOZ DA CRUZ

Ergo-me sobre o monte para que todos me vejam! Estendo os meus braços para acolher toda a humanidade num grande e amoroso amplexo. Com o topo aponto o céu cintilante, o infinito azulado numa mensagem de esperança e paz. Estou ainda presa à Terra porque represento a dor e a dor pertence aos filhos da Terra. Entretanto, envolvo-me em divino halo para bafejar aqueles que me recebem com reconhecimento. Nem todos escutam a minha voz, nem todos compreendem a minha fala.

Todavia, represento suave harmonia para os que aprenderam a ouvir a minha voz. Guardo a esperança no recesso do meu ser e sou o amor sublimado.Acolhem-se no meu regaço todos quantos desejam alcançar as altiplanuras, pois sou o limite, o elo, a passagem para as regiões da luz. Todos os homens me conhecem. Todos sentem o meu peso, todos soluçam quando a mim se abraçam.

Todavia, aqueles que procuram ouvir minha voz, escutam a mais doce canção, a mais formosa promessa e anteveem as regiões sagradas do infinito além... Curvam-se ao meu peso as grandes almas que se aproximam da libertação gloriosa, desprezam-me os que ainda não aprenderam a ciência da evolução. Envolvem-me em rosas as almas que estudam, trabalham e servem. Abandonam-me as criaturas que um dia me procuraram sofredoras e infelizes e não entenderam a minha mensagem.

Falo aos corações da Terra com a voz mansa e suave do perdão; dirijo-me àqueles que reagem corajosamente à dor, à agonia, aos sofrimentos e conto-lhes a maviosa lição da vitória de um Mestre Iluminado de Altos Planos que, um dia, abraçou-me corajoso e feliz, construindo na Terra o meu Reino para glória e felicidade dos homens. Ouve minha voz, companheiro dileto, escuta-me agora que sofres e choras. Tuas lágrimas ardentes do teu coração dolorido dizem-me que podes compreender minha voz.

Escuta-me, abraça-me. Repousa em mim, ouve o som bendito da fala que palpita no lenho triste e pobre e sentirás suave calor, amorável contato e sublime esperança. Não me desprezes agora, pois próxima está a sua libertação. Guarda-me com amor, olha-me com enlevo. Ergo-me bem alto para que me vejas. Quero ser agora tua companheira para que sintas um dia a mais doce felicidade.

Um dia coroaram-me de espinhos e trespassaram-me com duros cravos para que eu pudesse sustentar a dor humana. Prendo-me à Terra por ti, aqui estou ainda cheio de esperança pois somente eu posso guiar-te através da dor. Escuta-me e vem. Sofrerás hoje, amanhã, todavia, te erguerás da Terra na forma de uma cruz mas alcançarás os páramos luminosos do além em forma de estrela e serás então uma luz permanente no caminho dos homens e serás uma radiosa esperança na alma do aflito e serás para sempre no Reino da Paz com Aquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida.

Abraça-me, companheiro ! Ergue-te comigo, contempla o infinito e verás também no céu um cruzeiro de luzes acenando-te para as regiões da Paz sem fim.

Scheilla