PRECE PELOS VIVOS MORTOS DA TERRA

SENHOR:

Perlustramos os caminhos terrestres e vezes sem conta tombamos ao peso de nossa ignominia. Arrastamos as pesadas cadeias do ódio, do orgulho, da vaidade. Sentimo-nos quais autores da criação e nosso poderio estendeu-se com força esmagadora sobre os pequeninos. Arrebatados pelo orgulho pisamos corações, ulceramos almas que a nós se confiaram. Nas veredas de nossa vida lançamos nosso amor próprio com autoridade e infame orgulho. Os séculos de experiência muito pouco nos burilaram o espírito submerso nas trevas profundas de nossa ignorância, de nossa maldade.

Arremessamos o veneno do ciúme contra afetos sagrados e quando nos confiavas teus tutelados para que os orientássemos nos caminhos sagrados, os prazeres terrestres, com suas garras de fogo e fel, impunham-nos outros setores de atividades. Galgamos, porém, pouco a pouco, outros terrenos menos ásperos e nosso espírito vem compreendendo, enfim, que é preciso renunciar para ser feliz, servir para ser amado, entender para ser compreendido. Hoje, Senhor, no plano espiritual onde os Mentores Maiores nos visitam em teu Nome, orientando-nos a Mente na direção do Infinito Poder...

Hoje que usufruímos como desencarnados o aconchego de afetos santos que nos agasalham o espírito pertubado... Hoje, que sentimos o fulgor dos teus olhos divinos que nos consolam... Enfim, Senhor, que somos livres pelo conhecimento da Verdade, não queremos tão somente agradecer-te a misericórdia com que nos assistes. Não desejamos permanecer neste ponto luminoso de nossa existência, estáticos, diante da maravilha que a Criação portentosa nos oferta. Não queremos lembrar ainda os afetos que nos são caros, mas vimos à tua presença rogar-te pelos mortos-vivos que permanecem ainda no mundo terrestre, presos à carne densa, em rudes experimentações, fantasiando a vida de ignomínias ou olvidando a Fonte Suprema do Bem que conduz à felicidade.

Queremos pedir-te por todos aqueles que ainda não compreenderam o teu coração sagrado e vivem à margem da vida, tudo recebendo sem nada doar. Pedimos-te por aqueles que entenderam a imortalidade da alma mas não se desapegam dos bens terrestres, presos ainda das ilusões fáceis. Suplicamos-te, com muito fervor, por todos aqueles que tem responsabilidade diante da vida maior pelo conhecimento adquirido através de tua Doutrina de luz e deixam as horas vazias, de amor, esperando o escoar do tempo.

Rogamos-te, Senhor, misericórdia para a humanidade que padece o frio e a fome do conhecimento maior. Mestre, hoje e sempre, serás o Guia bendito das humanidades. Hoje e sempre serás o Divino Sol que aquecerá os corações aflitos. Atende pois nossa humilde súplica de servo infiel e deixa que dos teus olhos partam raios bendito de amor que curem, que reergam, que ressuscitem quantos se acham ainda na carne, embora usufruindo a vida pela concessão de tua benção.

Recebe, Senhor, a súplica dos menores de teus servos. Irmão X.