A VARIEDADE DAS RAÇAS HUMANAS

Os celtas foram os primeiros padres da espiritualidade. Estas foram as palavras de um do grandes dignitários da Igreja, Leão XIII, que tive a oportunidade de encontrar no espaço e que me comunicou este pensamento; eu dou muita importância a essas palavras e elas provam que a visão do espaço é mais clara que a da Terra.

A respeito das pretendidas origens orientais dos celtas, certos historiadores se enganaram. Eu vos disse que um raio fluídico tocou o Ocidente, na vizinhança da Bretagne, quando da formação da Terra, raio que transmiitiu os elementos necessários da vida universal. Mais de um raio semelhante atingiu o vosso planeta.

Muitas dessas correntes tinham fundamentos distintos, ainda que a velocidade das vibrações fosse a mesma. Notai que, se do lado ocidental existe a bela luz espiritual céltica, não se deve deixar de constatar que no Oriente, e mesmo no Extremo-Oriente, existe um misticismo muito elevado que se pode assemelhar, entre os japoneses, por exemplo, com certas crenças célticas.

Sob o ponto de vista da raça, vós tendes elementos terrestres que se relacionam aos da Bretagne. Devido ao duplo fenômeno das radiações, os seres humanos, igualmente tocados pelas radiações do espaço e por aquelas de seu solo natal, podem apresentar as mesmas características, em graus diferentes daqueles de outras raças. É assim que existe, entre o camponês bretão e o camponês do sul da Rússia, na Ucrânia, por exemplo, características análogas: veneração da natureza, ligação ao solo, confiança nativa no sobrenatural. Não há, então, nada de surpreendente em que certos escritores, que não conhecem os fenômenos da vida magnética e extraterrestre, tenham fiicado simplesmente chocados por essas analogias e levados a classificar muitas raças num único tipo.

Mas pode acontecer que, entre dois raios elevados, haja nascimento de seres quase selvagens ou organizados de modo rudimentar. Vós tendes uma prova na presença de raças selvagens, como os hunos, fixados na Hungria, e, mais ao Norte, os povos germânicos; no início, essas tribos se achavam colocadas a igual distância do raio celta e do raio oriental.

Cada raça evoluída se acha sob a ação do raio regenerador, depois se estende em ondas humanas em volta desse raio até que este encontre as ondas vindas de um outro raio. E isso explica as diferenças de raças, porque entre o raio céltico (eu o cito porque ele está mais perto de vós) de uma ordem espiritual muito elevada, e o raio oriental, de igual ordem, existem, além deles, outros raios que têm uma outra característica, cuja luminosidade é rica em número de cores e cujas vibrações são mais pesadas.

Esses raios representam a coragem brutal, a força dominadora, e vós tendes o testemunho entre os germanos e húngaros. Daí os choques entre as correntes e, por conseqüência, a luta das raças. Essas correntes sempre existem, mas se transformam durante os séculos; elas fornecem aos homens o alimento e a assimilação do pensamento conforme o seu grau de evolução e a natureza do seu solo.

Certamente os seres humanos, colocados entre os dois raios superiores, podem chegar, seja individualmente, seja em grupo, a se afirmar e a assimilar mais elementos vibratórios superiores que no início. É uma questão de consciência no sentido absoluto da palavra, e também de elevação pessoal.

A natureza dos raios evoluiu muito desde o início da vida autônoma de vosso planeta. Os grandes raios espirituais elevados não têm mais a força regeneradora de outrora, e mesmo os raios primários menos espiritualizados, foram transformados; daí as flutuações de cada raça. Vós achais em cada povo épocas de elevação espiritual, alternando com períodos de influências materiais. É a lei de trabalho absoluto e sem coação.

A França atualmente nos parece, do espaço, sempre envolvida de raios provenientes de esferas muito elevadas, mas que parecem encobertos de uma espécie de vapor vindo das emanações terrestres materiais. É por isso que vós tendes, no momento atual, em vosso país, choques que não se produziam entre os celtas que se impregnavam e obtinham suas diretrizes das próprias fontes da natureza.

Os dois grandes raios de que falei continuam a enviar seus fluidos vitais que devem manter nas consciênncias humanas a crença no invisível, na sobrevivência e também na força divina criadora da grande vida. Na Inglaterra existe uma dupla corrente que sempre nos indica a proximidade do raio que gerou o Celtismo:

1 ª) Confiança da sociedade culta na existência do ser invisível;
2ª) Misticismo na classe popular.

Os seres refratários a esta dupla corrente ficam presos aos gozos materiais e repelem a doutrina superior.

Encontrei, ultimamente, na Inglaterra famílias que possuem uma fé sincera e profunda na bondade divina, aceitando a sobrevivência superior e orando no silêncio da natureza. Essas famílias mantinham ainda viva a chama céltica, não maculada pelas gerações. Fiquei muitíssimo impressionado pelos espíritos que vinham ao redor dessas pessoas para sustentar a chama de sua consciência.

Na Bretagne Francesa, também existe uma pequena chama, mas ela é mais vacilante, porque o ambiente das radiações vizinhas prejudica a sua elevação para o Alto. No centro da França subsistem, entre vossos camponeses, parcelas de fé céltica, fixadas no subconsciente; elas se revelam entre certos pacientes por uma expressão de candura e de sinceridade na oração, único elemento que ficou das radiações célticas. Nas vossas cidades este elemento desapareceu devido à influência materialista.

O raio céltico e o oriental não são os únicos raios elevados que devem transmitir a alta espiritualidade para os homens. Há um muito bom na Escandinávia, um outro no Egito, vindo do golfo Pérsico, que se prolonga do norte da África até o Atlântico. Os raios céltico, escandinavo e oriental são os mais puros. O raio celta é mais fluídico, mas o escandinavo possui mais cor. O raio oriental é, ao mesmo tempo, composto da cor azul do celta e da cor do sol dourado representando a força na crença mística.

Vossos filósofos e historiadores ficaram chocados pelas analogias que existem entre as influências das diversas correntes e colocaram o berço dos celtas em pontos diferentes.

Allan Kardec

O raio céltico. (Continuação) 25 de julho de 1926.

O raio céltico do qual vos falei conservou-se através dos tempos na vossa consciência francesa, sob a forma de amor ao solo. Os druidas possuíam, em alto grau, esta radiação que fazia deles pólos magnéticos que, por refração, podiam transmitir aos seres circunvizinhos a chama mística e superior que eles tinham recebido. Seu poder sobre as massas ignorantes foi grande. A um dado momento, por intuição, um certo número de druidas recebeu a missão de ir mais adiante nas terras. Munidos de poderes ocultos, eles impressionavam os bárbaros e transmitiam seu magnetismo por seu encantamento sob a forrma de culto, e, por isso, o lençol fluídico se estendia mais ainda sobre a Gália.

A passagem dos druidas no centro da França e na Lorraine é incontestável. Pode-se dizer que o Celtismo é o foco irradiante de onde surgiu a raça nacional gaulesa. Sob a influência dos ritos célticos o homem se impregnou de misticismo, seu corpo se refinou e pôde receber certas vibrações do espaço. Estas vibrações não puderam se desenvolver gradualmente, por que as gerações não possuíam todas as qualidades de absorção necessárias à assimilação dos fluidos.

As vibrações primárias célticas ficaram impressas nas almas. Adormecidas durante a vida de alguns, elas se revelaram entre os descendentes conforme as suas aptidões.

Por isso vós pudestes constatar, na vossa história, impulsos e recuos que se traduziram pela ascensão para o ideal ou a queda para a matéria.

Seres vindos do mesmo grau de evolução e tendo armazenado o mesmo número de vibrações célticas, não as exteriorizaram no mesmo momento, nos mesmos lugares. Um bretão, tendo recebido a centelha céltica diretamente dos druidas, no país natal, a transmitirá aos seus filhos, que a conservarão em estado de ignição até o momento em que ela se reacenderá sob a forma de uma chama insuspeita.

Este momento se aproxima. Logo ireis comprovar um movimento de espiritual idade constante e durável. Deus tem projetos sobre a Terra. Pressentimos grandes coisas, porque a parte espiritual deve fazer evoluir a humanidade.

Allan Kardec - O Gênio Céltico e o Mundo Invisível