BEM-AVENTURADOS OS
QUE TÊM O CORAÇÃO PURO

Para atingirmos a pureza de coração é necessário trabalhar para realizar a nossa reforma Íntima que, como já falamos, consiste acima de tudo em substituirmos os nossos pensamentos negativos por pensamentos positivos e luminosos em relação a nossa própria pessoa e, principalmente, em relação às outras criaturas. Consiste em reaver os nossos valores e eliminando os valores antigos e transitórios.

Jesus nos ensina: "Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará". A verdade evangélica liberta-nos de todos os complexos sociais, políticos e religiosos que trazemos de passado milenar e que hoje impedem a nossa marcha evolutiva para planos mais altos da vida.

A pureza de coração é a consciência de que todos nós somos iguais perante Deus, de que todos nós temos a mesma destinação, as mesmas potencialidades e chegaremos todos nós a realizar, mais dia, menos dia, o reino divino em nosso Íntimo para a felicidade de todas as criaturas.

A vida nos ensina lições simples e preciosas.

Todos os homens são interdependentes, ou seja, todos dependemos uns dos outros. Que seria do engenheiro ou do nobre arquiteto, se não fosse a simplicidade e a rudeza do pedreiro?

O engenheiro é potente para projetar, para idealizar uma construção, mas o pedreiro com sua simplicidade é o elemento concretizador da idéia.

Que seria do produto industrializado se não fosse o operário?

E que seria do abastado se não fossem as mãos rudes, simples e providenciais do agricultor que cultiva as hortaliças, as frutas, os legumes, etc.?

Quis Deus que necessitássemos uns dos outros para aprendessemos esta lição de uma maneira fácil, suave e delicada e para isso nos deu lições divinas da lei do amor, por meio do nosso Mestre Jesus.

Mas se formos intransigentes, estaremos desencadeando a lei auxiliar do amor que é a lei de ação e reação, de causa e efeito.

Se não aprendermos pelo amor, pela boa vontade, é certo que aprenderemos pela da dor.

Que Jesus nos conceda a força, a coragem e a energia necessária para vivermos em conformidade com as leis evangélicas e em harmonia com a lei universal do amor para construirmos o reino dos céus, tão esperado por todas as criaturas da Terra.

Transcrevemos a seguir instruções dos espíritos que têm como título: "Deixai que venham a mim as criancinhas". cap. 8 do Evangelho Segundo o Espiritismo de Allan Kardec.

Disse o Cristo: "Deixai que venham a mim as criancinhas". Profundas em sua simplicidade, essas palavras não continham um simples chamamento dirigido às crianças, mas, também às almas que gravitam nas regiões inferiores, onde o infortúnio desconhece a esperança. Jesus chamava a si a infância intelectual da criança formada, os fracos, os escravizados e os VICIOSOS.

Ele nada podia ensinar à infância física, presa à matéria, submetida ao jugo do instinto, ainda não excluída na categoria superior da razão e da vontade que se exercem em torno dela e por ela.

Queria que os homens a ele fossem, com a confiança daqueles entezinhos de passos vacilantes. Submetia assim as almas à sua terna e misteriosa autoridade. Ele foi o facho que iluminou as trevas, claridade matinal que toca o despertar.

Foi o iniciador do Espiritismo, que a seu tempo atrairá para ele as criancinhas, e os homens de boa vontade também.

Está empenhada a ação viril. Já não se trata de crer instintivamente, nem de obedecer maquinalmente. É preciso que o homem siga a lei inteligente que lhe revela a sua universalidade.

"Meus bem-amados, são chegados os tempos em que, explicados, os erros se tornarão verdades. Ensinar-vos-emos o sentido exato das parábolas e vos mostraremos a forte correlação que existe entre o que foi e o que é. Digo-vos em verdade: a manifestação espírita alarga os horizontes e aqui está seu enviado, que vai resplandecer como o sol no cume dos montes". (João Evangelista/Paris: 1663).

"Bem-aventurados os que têm o coração puro, porquanto verão a Deus." (Mateus, 5: 8)

Apresentaram-lhe então algumas crianças a fim de que elas o tocassem e como seus discípulos afastavam com palavras ásperas os que lhes apresentavam. Jesus vendo isso, zangou-se e lhes disse: "Deixai que venham a mim as crianças e não as impeçais, porquanto o reino dos céus é para os que se assemelham. Digo-vos em verdade, que aquele que não receber o reino de Deus como uma criança. nele não entrará". E depois de as abraçar, abençoou-as, impondo-lhes as mãos (Marcos, 10: 13-16).

Jesus nos diz que o reino dos céus pertence aos puros de coração. E vai mais além quando diz que para ganharmos o reino dos céus temos que nos transformar em crianças, ou melhor, nos assemelharmos à elas.

Sabemos, por meio da doutrina espírita, que a criança é um espírito reencarnado e, embora possuindo um corpo frágil, é um espírito com inúmeras experiências positivas e negativas e se encontra como nós no plano físico para evoluir, ou seja, para despertar sua consciência espiritual.

A divina providência permite que o espírito reencarnado não expresse suas experiências passadas. para não impedir o seu desenvolvimento. Sendo assim, a criança é uma folha de papel em branco na qual os pais, os professores e seus responsáveis vão imprimir as qualidades positivas e trabalhar com afinco para eliminar as negatividades e tendências negativas, para permitir ao espírito nova caminhada no estreito caminho do aperfeiçoamento.

A criança necessita de cuidados especiais para seu desenvolvimento em todos os sentidos; que diríamos se uma criança fosse consciente de seu passado e apontasse seus protagonistas, geralmente os pais? Tudo é sabedoria nas obras divinas.

A criança é ternura, inocência e nos inspira uma pureza inigualável, pois não podendo expressar sua verdadeira identidade, ela transforma-se num anjo de candura aos nossos olhos, porque assim é necessário.

Pois bem, todos nós sabemos que a criança é o símbolo da pureza, de ingenuidade e candura. Quando seus pais a castigam, por algum motivo, em pouco tempo a criança esquece que foi castigada e volta em busca do carinho devido.

Em resumo, a criança não é maliciosa, não é impura, não emite vibrações discordantes, e está sempre pronta a perdoar e estender os braços até mesmo para aqueles que a castigam. Este é o motivo principal pelo qual Jesus nos ensina que o reino dos céus é para aqueles que se assemelham às criancinhas. Não para aqueles que se comportam diante da vida irresponsavelmente como crianças, mas para aqueles que se assemelham, que copiam seus exemplos de ternura, de amor e carinho.

Para ganharmos o reino dos céus, que sabemos não ser um lugar circunscrito no espaço e sim uma condição mental, faz-se necessário a pureza de coração: em que consiste a pureza de coração?

Consiste em estar plenamente conscientes de que somos espíritos eternos caminhando gradativamente para a perfeição.

Consiste em nos conscientizar de que somos a expressão do amor de Deus, somos o amor de Deus materializado.

As nossas imperfeições e negatividades são resultado de uma caminhada evolutiva e não fazem parte integrante do nosso ser.

À medida que vamos caminhando, que vamos evoluindo, que vamos nos conscientizando do que somos na realidade, eliminamos de nós todo mal, negatividade e imperfeição atingindo assim, a pureza de coração, indispensável para a edificação do reino de Deus em nossos corações.

Dissemos que o céu não é um lugar circunscrito no espaço e, sim, uma condição espiritual, uma condição mental. O reino dos céus consiste indiscutivelmente em atingirmos a condição espiritual de amarmos a Deus sobre todas coisas e amarmos a Deus, principalmente, no próximo, exatamente como ensina o Evangelho de Jesus. Amar é fazer aos outros o que gostaríamos que os outros nos fizessem. É fazer o melhor, é trabalhar para expressarmos o bem em benefício de todas as criaturas e em benefício da própria vida.

"Deixai vir a mim as criancinhas, pois tenho o leite que fortalece os fracos. Deixai que venham a mim todos os que tímidos e débeis, necessitam de amparo e consolação. Deixai vir a mim os que sofrem, a multidão dos aflitos e dos infortunados: eu lhes ensinarei o grande remédio que suaviza os males da vida e lhes revelarei o segredo da cura de suas feridas". Qual é, meus amigos, esse bálsamo soberano que possui tão grande virtude, que se aplica a todas as chagas do coração e às cicatrizes? É o amor, é a caridade.

Se possuís esse fogo sagrado, que é que podereis temer? Direis a todos os instantes de vossa vida: "Meu Pai, que a tua vontade se faça e não a minha. Se te apraz experimentar-me pela dor e pelas atribulações, bendito sejas, porquanto é para o bem, eu o sei, que a tua mão sobre mim se abate.

Se é do teu agrado, Senhor, ter piedade da tua criatura fraca, dar-lhe ao coração as alegrias sãs, bendito sejas ainda. Mas faze que o amor divino não lhe fique amadornado na alma, que incessantemente faça subir aos teus pés o testemunho do reconhecimento."

Se tendes amor, possuis tudo o que há de desejável na Terra, possuis preciosidades em pérolas, que nem os acontecimentos, nem as maldades dos que vos odeiam e perseguem poderão arrebatar. Se tendes amor, tereis colocado o vosso tesouro onde os vermes e a ferrugem não o podem atacar, e vereis apagar-se da vossa alma tudo o que seja capaz de lhes conspurcar a pureza. Sentireis diminuir dia-a-dia o peso da matéria e, como o pássaro que adeja nos ares e já não se lembra da Terra. subireis continuamente, subireis sempre, até que vossa alma, inebriada, se farte do seu elemento de vida no seio do Senhor.

(Um Espírito Protetor. Bordeaux, 1861. Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo 8 ítem 19).

Eunilto de Carvalho