EM TORNO DO AMOR

Nós precisamos das outras pessoas. Necessitamos de um batalhão de indivíduos a fim de termos nossas necessidades básicas atendidas, como por exemplo: lixeiro, carteiro, caminhoneiro, etc. A pessoa realmente feliz é aquela que mantém um relacionamento cordial e afetuoso com seus semelhantes. O doente emocional, por outro lado, sempre acaba se insulando e não tem amor para dar. Não podemos, de forma alguma, nos isolarmos. O contato é algo essencial para a saúde mental.

As religiões de modo geral e as linhas psicoterapêuticas enfatizam a necessidade do amor como forma de cura. Uma coisa é certa: o amor é uma lei absoluta da vida. Amar é viver. Podemos precisar que o desvio dessa lei acarreta a chamada doença emocional, a neurose. Temos necessidade de pertencer a algum grupo, religioso ou laico, qualquer tipo de grupo. É uma oportunidade para nos sentirmos vivos, úteis, sentirmos prazer pela vida. O médico e artista circense Patch Adams assevera, no seu livro O amor é contagioso, que precisamos pertencer a algum grupo para fazer despertar o amor, diz ele: "Nem que seja a comunidade dos adoradores do Sol". Pense bem nisso.

É possível encontrar uma saída para todos os problemas? Como? Reaprendendo a amar. Precisamos nos ligar na vida, na natureza maravilhosa que nos circunda, admirar a natureza, amar a Deus e sua criação. É importante auxiliar sempre, cativar os outros, como sugere a raposa de Antoine Saint-Exupery, na obra Pequeno Príncipe. A sábia raposa sustenta o seguinte: "Só se vê bem com o coração ( ... ). Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas". Disse o Principezinho: "Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela uma amiga. Ela é agora única no mundo". Ainda diz a raposa:

"Cativar é criar laços. Um ter necessidade do outro. Um se tornar único para o outro no mundo. Se me cativas, minha vida fica cheia de sol".

Na vida, para sermos felizes, é fundamental saber compreender os outros, aceitar e respeitar as dificuldades dos semelhantes, nos identificarmos com os problemas alheios, sermos simpáticos e empáticos. É importante saber ouvir - pois há diálogos que mais parecem monólogos. Pode ser que numa interação surja uma palavra amiga, consoladora, podendo nos ajudar a encontrar soluções para nossas próprias aflições.

Viver é uma troca constante, o "velho guerreiro" Chacrinha já dizia: "Quem não se comunica se trumbica". Não sejamos egoístas, que é o antídoto do amor, podemos aprender, sim, com o próximo a vencer nossas dificuldades.

O amor tem várias facetas. São a receptividade, identificação, esperança e compreensão. Deus, nosso Pai, está sempre presente em nossa vida, porque onde há união em busca de algo positivo, onde nos colocamos humildemente como falhos (afinal de contas, somos humanos, "errar é humano") e carentes, só pode haver a presença de um Ser Superior, pois há a partilha de emoções, ou seja, o amor em sua forma mais sublime e desinteressada.

Está claro que para sermos verdadeiramente felizes precisamos trabalhar, e muito, em prol de alguém ou de alguma causa, construir algo de bom, deixar nossa marca, amar de fato o semelhante. Em suma, saber escutar, ser atencioso, levar uma palavra amiga, um consolo, dar um abraço sincero e afetuoso, compreender, encorajar, pertencer a um grupo. Tudo isso é salutar. É o amor se manifestando, crescendo, dando frutos.

Viver é amar! Só assim podemos nos libertar e sermos felizes de fato. A única forma de agradecermos ao nosso Pai Celestial por tudo o que temos é sermos alegres, amar a todos, enfim, amar a vida.

Comecemos por amar nossos colegas de trabalho, nossos vizinhos, nossos parentes, nosso pequeno ou grande círculo de amizades. Por fim chegaremos a amar a todos incondicionalmente.

Fabiano Possebon - Revista Universo Espírita