Jesus e Kardec sempre

O precioso legado com que Allan Kardec brindou a Humanidade em nome de Jesus, preparando um futuro melhor, deve ser preservado mesmo sob o sacrifício dos verdadeiros espíritas.

Não que ele fosse um homem indene a defecções e a sua Obra estivesse livre de equívocos. Missionário, porém, desde cedo manteve uma reta conduta e uma vida inatacável, fazendo-se caracterizar pela correção de atitudes em todos os cometimentos, trabalhando com afinco e estudando incessantemente.

Sem os arrebatamentos juvenis ou as instabilidades neuróticas, fez-se conhecido pela lógica defluente da razão e pelo bom senso no exame das questões que lhe eram apresentadas.

A doutrina, por sua vez, ditada pelos Espíritos, foi cotejada com a cultura vigente, superando o conhecimento de então, por estar programada para o porvir, sendo oportuna em sua época.

Reexaminada várias vezes, foram corrigidos ou melhor formulados os ensinos recebidos dos Mensageiros Espirituais, ficando definida conforme as suas próprias palavras, na 3ª edição que sucedeu ao lançamento de "O Livro dos Espíritos".

Não ficava, entretanto, concluída, porque "marchando com a ciência aceita todas as informações que aquela comprova", estando aberta a retificações, se for o caso, e a desdobramentos, como se faz indispensável, quando ocorrerem novas revelações confirmadas pelo critério da universalidade do ensino compatível com a cultura científica da ocasião...

Por isso, estudar Kardec para conhecer e divulgar o Espiritismo, é o compromisso de hoje, que nos devemos impor os encarnados e os desencarnados. Como toda revelação é gradativa, as lições kardequianas quanto mais estudadas melhor se fazem compreendidas em face do maior entendimento de quem as examina.

Ainda perduram, em muitos arraiais espiritualistas, a injustificável confusão entre mediunismo e Espiritismo, que Allan Kardec definiu com admirável brilhantismo, situando cada coisa no seu devido lugar.

Igualmente, se insiste em confundir desequilíbrios nervosos, distonias emocionais com fenômenos mediúnicos que carecem de legitimidade, bem dissociados por Allan Kardec, quando aprofundou a análise deles, no capítulo da obsessão e da loucura.

Permancem intencionais propostas de que espetáculos de charlatanismo e exibição de mediunidade, que chamam a atenção, sejam da responsabilidade do Espiritismo, quando, no entanto, Allan Kardec ofereceu uma doutrina de equilíbrio, discrição, objetivando, sobretudo, a transformação moral do indivíduo.

Doutrina Espírita na visão de Allan Kardec, é compromisso superior para com a vida, mediante o respeito à vida, numa conduta viva e atuante quanto exemplar.

Eis porque Espiritismo e Cristianismo são termos da mesma equação da vida. A investigação da imortalidade sem a filosofia estruturada na moral cristã, não vai além de quesito parapsicológico, destituído de ética, qual ocorreu com a pesquisa metapsíquica ora relegada a plano secundário.

Por sua vez, a filosofia sem o apoio do fato mediúnico torna-se expressão espírita sem Espíritos, corpo sem alma... À religião espírita coube a tarefa de unir a fé à Ciência e esta à filosofia numa tríade perfeita e inseparável.

Assim considerando, Kardec cumpriu Jesus, conforme o Mestre vitalizou a Obra de Moisés, na Lei antiga e dos profetas que O anteciparam.

As três revelações: a Lei, o Amor e a Reencarnação confirmada pelos Espíritos, ou, Moisés, Jesus e Kardec, se tornam as mais importantes da Humanidade, respeitando, simultaneamente todas as outras que se lhe fazem subsidiárias, confirmando a paternal assistência de Deus às Suas criaturas em todas as épocas.

Conhecer, portanto, Allan Kardec para melhor se compreender Jesus. Viver conforme a diretriz de Allan Kardec mais facilmente se sentirá Jesus. Ensinar com a metodologia de Allan Kardec a fim se seguir com Jesus.

Trabalhar com a fidelidade e persistência de Allan Kardec para mais viver Jesus. Em qualquer circunstância a opinião de Allan Kardec é seta apontando rumo seguro para a chegada em triunfo à meta anelada. Jesus e Kardec, ontem, hoje e amanhã.

Bezerra de Menezes