O ADOLESCENTE E
SUA FAMÍLIA

"É PRECISO INCENTIVAR O JOVEM A PRATICAR A CARIDADE,
ENALTECENDO-LHE OS VALORES MORAIS A FIM DE GARANTIR
SEU DESENVOLVIMENTO SADIO."

Quando há um adolescente na familia, esta "adolescente" (masculino ou feminino), isto é, predomina naquele grupo familiar vivendo comportamentais caracteristicas mais tipicas dessa fase do desenvolvimento e suas relações com o meio familiar.

A adolescência compreende o período que vai dos 12-13 anos até 17-18 anos. Assim, podemos dividi-la em três fases (segundo a dra. Amélia Vasconcelos):

Adolescência I, (12 - 13 anos) Adolescência II, (14 -15 anos) Adolescência III, (17 -18 anos)

Registramos que puberdade é a fase em que predominam as modificações orgânicas, a maturação hormonal, ocorrida durante os 8-9 anos até 12- 13 anos; na adolescência, o predomínio está para as modificações das caracteristicas psíquicas, sendo um período de grandes oscilações das caracteristicas psíquicas, sendo um período de grandes oscilações:

BIO- aperfeiçoar e enriquecer;
PSICO- Desenvolvimento emocional;
SOCIAl- enriquecimento do Ter;
ESPIRITUAl- desenvolvimento do ser.

ADOLESCÊNCIA I

Características: fase pubertária:

Rebeldia. A criança começa a ficar mal criada.

Contestação; agressividade.

Endogamia: os pais como referencial de amos.

Angústia: perda da identidade.

ADOLESCÊNCIA II

Características: é o ápice da fase de adolescência

Rebeldia; busca de auto afirmação.

Crise de identidade (crise de valores).

Separação da família - discriminar-se, pertence ao "grupo";

Ápice da onipotência - euforia, exuberância;

Mais competitivo.

Mutação - muda de roupa de três a quatro vezes por dia - muda o externo para tentar modificar o interno.

Exibicionismo.

Exogamia - busca companhia amorosa sem ser seletivo.

Retração e afastamento dos pais.

ADOLESCÊNCIA III

Características: aceitação de limite - elaboração meelhor da onipotência.

Senso de realidade - pensar e agir.

Escolha da profissão - capacidade de realizar algo.

Aspectos mais depressivos - crise de consciência.

Exogamia - companhia amorosa seletiva.

Os fatores que interferem na adolescência são o clima, o fator genérico e o fator emocional. Há diferenças culturais, familiares, ambientais. Por exemplo, na zona rural é mais freqüente o casamento nessa fase; o rapaz tem um pedacinho de terra e forma família. Na cidade, o adolescente quer terminar a faculdade, ter um emprego e depois interessa-se em formar uma família.

Por uma interferência cultural e histórica, está havendo um retardamento em se entrar na maturidade, as responsabilidades familiares estão sendo assumidas mais tarde.

Há, notadamente, uma inversão dos valores, numa busca pelo prolongamento do princípio do prazer. Isto impede que o indivíduo assuma a responsabilidade pelos seus atos.

A maturidade caracteriza-se por posse de si mesmo e agir com responsabilidade, pensar sobre a realidade, refletir sobre a realidade e agir diante desta reflexão. Ele assume a própria identidade e se desliga da identidade dos pais.

A adolescência pode ser vista sob a óptica de um segundo parto, em que pode ser analisada a capacidade da família e do próprio jovem em lidar com a frustração das perdas, tal como foi com o parto, o desmame, o andar, o primeiro dia escolar, etc... Assim esquematizamos o processo a seguir.

PERDAS E GANHOS PARA O ADOLESCENTE

Perda do corpo infantil. Ganho: diferenciação sexual corporal.

Pais da infância: poderosos, perfeitos. Ganho: pais reais - relação de amizade.

Endogamia / exogamia.

PERDAS E GANHOS PARA A FAMÍLIA

Perda da criança subordinada, dependente - crise de autoridade. Ganho: filho adulto, independennte - capaz de cuidar dos pais.

Perda da possibilidade de realizar-se através do "seu" filho (narcisismo). Ganho: a decisão é dele, a felicidade dele favorece a mim também.

Perda da responsabilidade sobre o filho - da simbiose. Ganha um filho com responsabilidade e colaborador, solidário.

No relacionamento entre pais e filhos, a comunicação pode ser o fator mais complicado de se lidar e que causa maior possibilidade de conflitos. Num estudo aprofundado sobre o assunto, temos que "determinadas formas de comunicação entre pais e filhos quando de seu uso excessivo produzem efeitos indesejáveis no relacionamento", tais como, dar ordens, ameaçar, dar lições de moral, dar sugestões, persuadir, criticar e ofender, ridicularizar e enviar mensagens contraditórias.

Formas terapêuticas de comunicação

Reflexão de sentimentos: aprender a sintonizar;

Auto-expressão: dizer o que sentimos;

Aprendizagem das conseqüências;

Colocar limites: o que pode e o que não pode;

Modificar o ambiente - diversificar a estimulação;

Dar a oportunidade de fazer escolhas;

Modificar-se: agir mais do que falar;

Autoritarismo (minhas necessidades) - permissividade (suas necessidades) = revolução conjunta (nossa necessidade).

Num estudo sobre a inteligência emocional (GOLEMAN, D.), é descrito como os pais podem ser "preparadores emocionais" dos filhos adolescentes:

Aceite que a adolescência é a época em que os filhos se separam dos pais. Mostre respeito pelo seu adolescente. Proporcione uma comunidade para o seu filho. Estimule seu filho a decidir sozinho e continue a ser seu preparador emocional.

As grandes indagações da adolescência continuam a ser: O que sou? Por que existo? De onde vim? Para onde vou?

Numa escala de valores proporcionada pela família é que o jovem pode desenvolver suas próprias respostas. Os valores variam segundo os padrões familiares culturais, maturacionais, morais e religiosos.

Encontramos no espiritismo a orientação moral, religiosa e filosófica que atrai o jovem, minimisa sua angústia sobre a morte e norteia sua conduta. As mocidades são campos férteis do trabalho, conhecimento, experiência para o espírito ávido de informação, explodindo em criatividade, ansiando por canalizar sua nova jornada reencarnatória.

O jovem não que errar, quer reparar.

O JOVEM E O ESPIRITISMO

Engana-se aquele que vê o jovem como sinônimo de irresponsabilidade, de delinqüência. O jovem encontra-se no ápice de suas oportunidades de virtudes, pois nesse período do desenvolvimento revela-se sua índole, sua moral, seus valores espirituais. Nessa fase, é possível aos espíritos que zelam pela reencarnação do jovem revelarem-se através da intuicões mais constantes até fenômenos de manifestações mediúnicas. Isso porque o jovem está intelectualmente mais capaz de receber carga espiritual de conhecimentos; há mais facilidade de compreensão.

Ocasionalmente, o adolescente encontra conforto nos esclarecimentos que o espiritismo oferece sobre quem sou, onde estou e para onde vou. São questões emocionais preeminentes. A mocidade encanta-se com o descobrimento da vida. Nós nos maravilhamos com tanta informação sensata que a doutrina do espíritos nos lega.

A canalização deste entusiasmo é que é o ponto.

Há muita necessidade de aproveitar todo esse potencial. As mocidades têm, então, o papel de colocar o jovem em contato com os trabalhos de caridade. Envolver o jovem de tal maneira que ele sinta a necessidade de trabalhar em auxílio alheio, pois ajudar as pessoas lhe dá prazer. Dessa forma, o prazer nas drogas, no álcool, no sexo destituído de amor será cada vez mais minimizado. Os valores serão outros. Mas essa é uma conquista de cada um, de cada adolescente que tem à sua disposição a "chave" para entrar num mundo muito melhor, num mundo de amor interior. _

Por fernando Guedes Mello - Revista Cristã de Espiritismo