V - NAS VEREDAS DO MAL

V - NAS VEREDAS DO MAL

Então, vi descer do céu um anjo que tinha nas mãos a chave do abismo e uma grande corrente. Ele segurou o dragão, a antiga serpente que e o Satanás, e o prendeu por mil anos. Lançou-o no fundo do abismo, fechou com um selo sobre ele, para que não mais enganasse as nações ate' que se completasse aquele tempo. Depois disso, seria solto no final dos tempos. APOCALIPSE - CAP. XX - VERS. 1/2/3.

No dia imediato, ao me encontrar com o Instrutor, aproveitei para pedir esclarecimentos adicionais de certo assunto, que havia se tornado para mim um questionamento de extrema importância.

Havia examinado os apontamentos onde encontrara' fartos registros de material que continham relatos de acontecimentos com muitas minúcias, as últimas ocorrências da crosta, as turbulências do dia a dia, as convulsões telúricas, a violência desenfreada e os conflitos entre os povos. Sinais especificos localizados no âmbito da esfera fisica. Meu questionamento era: quais eram os sinais especificos na esfera espiritual? Sabia da ação arquitetada pelas trevas no âmbito do mundo invisivel, relatada em nossa experiência anterior.29 Seria possivel detectar consequências perceptiveis na esfera fisica em decorrência da ação provocada pelas hostes do mal, comandadas por Erebo e Polifemo? Haveria informações mais recentes acerca do andamento e das novas e possiveis táticas de ação das formas tenebrosas? Em que estágio de atuação se encontraria o plano de ação arquitetado pelas forças das trevas?

Notei o semblante de seriedade do Instrutor, e sua resposta foi lacônica:

Irmão Virgilio mais uma vez faz menção aos acontecimentos relatados na obra O sétimo selo - O silencio dos céus. Editora Petit.

- Eles não perdem tempo e estão agindo com muita furia! O Instrutor fez breve silencio para em seguida complementar:

- A ação das hostes trevosas tem transformado o mundo visivel e invisivel em um campo de batalha sem tréguas, Virgilio. Comandadas por mentes dotadas de rara inteligência a serviço do mal, vem ganhando espaço em importante parceria da população que, distraida, cai em suas teias tornando-se prisioneira da onda mental negativa, tal qual a sorrateira e traiçoeira teia tecida pelos aracnideos, da qual não adianta se debater, ficando perigosamente exposta em seu temido visgo mortal, do qual e' extremamente dificil se libertar.

Sorri intimamente com a perfeita analogia do Instrutor. A aranha tece caprichosamente seus fios formando curiosos mosaicos, que possuem um visgo poderoso, aleém de incrivel resistência, e fica pacientemente aguardando que algum inseto em seu vôo distraido caia em suas teias sorrateiras. A aranha não tem pressa, pois sabe que não adianta a sua vitima se debater. E sempre uma luta inglória e inútil porque a vitima jamais consegue se libertar daquela armadilha mortal.

O Instrutor prosseguiu:

- Sim, Virgilio, a analogia não e' por acaso. As vibrações negativas avolumam-se e se expandem pelo espaço a seme-Ihança da perigosa teia de aranha. Todavia, ao contrário da aranha, são as próprias vitimas que tecem e se enredam em suas próprias teias. As formas do mal, a semelhança da aranha, ficam pacientemente a espreita aguardando que suas vitimas se aprisionem através dos poderosos visgos contidos nos seus próprios sentimentos e pensamentos negativos. Ainda poderiamos apontar um curioso detalhe nessa analogia, Virgilio: Enquanto o inseto prisioneiro debate-se, procurando se libertar e salvar sua vida, ao contrário, as criaturas que se enredam nessas teias não se dão a esse trabalho. Poucos são aqueles que se esforçam para se libertar. A maioria se compraz porque, em verdade, encontra naquela sintonia o atendimento de seus próprios anseios, mazelas, sentimentos mórbidos e desejos desregrados que alimentam em sua própria intimidade.

As palavras do instrutor levaram-me a meditações a respeito daquele problema. Afinal, qual fora o objetivo de trazermos a luz novas informações, pois a despeito de tantas mensagens e alertas, podemos constatar ainda a existência de grande parcela da humanidade que se enreda e se compraz nas próprias teias da ignorância espiritual. E' exatamente a semelhança do inseto distraido que cai nas insidiosas teias do mal sem se dar conta do perigo mortal que esta' exposto. E o que e' pior: a maioria não se da' conta do terrivel perigo que corre e nem se da' ao trabalho de buscar a própria libertação; alguns ate' zombam fazendo pilherias, para satisfação das forças do mal que se regozijam da ignorância e da falta de vigilância do ser humano.

- Amanhã a noite - prosseguiu o Instrutor -, estaremos em companhia de amigos responsáveis por esse trabalho, no âmbito de nossa esfera, em mais uma visita as regiões de dominios de Erebo e Polifemo. Voce estara conosco, Virgilio, temos acompanhado as ações e estratégias das hostes do mal e sabemos que amanhã a noite havera' uma reunião com chefes das muitas falanges, ocasião em que farão um balanço minucioso das ações relatando aos dois dirigentes máximos os resultados alcançados nos últimos tempos. Sera' uma oportunidade impar de levarmos aos nossos irmãos encarnados informações atualizadas acerca das artimanhas das sombras. Assim aconteceu.

Na noite seguinte, em presença de amigos experientes nas lides junto as sombras, la' estavamos nós, prontos para mais uma incursão nas regiões do abismo, dominadas por forcas temiveis, ja' nossas conhecidas.

Acompanhava-nos um novo companheiro. Era Augusto Cesar, ainda jovem na aparência, de fisionomia sorridente . De imediato, simpatizei com o novo amigo que me foi apresentado pelo Instrutor Ulisses:

- Virgilio, nosso irmao Augusto Cesar viveu sua última na experiência fisica na condição de um sacerdote católico. Foi um trabalhador dedicado e incansável na luta pelas verdades do Cristo, levando sempre sua palavra vibrante de amor e esperança aos necessitados. Ainda na vida material, dotado de rara sensibilidade, percebia a influência dos espiritos negativos e muito lutou para levar a verdade que liberta a criatura humana enredada no cipoal das ilusões da vida. Desencarnou jovem ainda, mas traz em seu propósito, o aprendizado para compreensão do que ocorre nos bastidores das ações das trevas. Essa visita sera' para o vitimas se aprisionem através dos poderosos visgos contidos nos seus próprios sentimentos e pensamentos negativos. Ainda poderiamos apontar um curioso detalhe nessa analogia, Virgilio: Enquanto o inseto prisioneiro debate-se, procurando se libertar e salvar sua vida, ao contrário, as criaturas que se enredam nessas teias não se dão a esse trabalho. Poucos são aqueles que se esforçam para se libertar. A maioria se compraz porque, em verdade, encontra naquela sintonia o atendimento de seus próprios anseios, mazelas, sentimentos mórbidos e desejos desregrados que alimentam em sua própria intimidade.

As palavras do instrutor levaram-me a meditações a respeito daquele problema. Afinal, qual fora o objetivo de trazermos a luz novas informações, pois a despeito de tantas mensagens e alertas, podemos constatar ainda a existência de grande parcela da humanidade que se enreda e se compraz nas próprias teias da ignorância espiritual. E' exatamente a semelhança do inseto distraido que cai nas insidiosas teias do mal sem se dar conta do perigo mortal que esta' exposto. E o que e pior: a maioria não se da conta do terrivel perigo que corre e nem se da' ao trabalho de buscar a própria libertação; alguns ate' zombam fazendo pilherias, para satisfação das forças do mal que se regozijam da ignorância e da falta de vigilância do ser humano.

- Amanhã a noite - prosseguiu o Instrutor -, estaremos em companhia de amigos responsáveis por esse trabalho, no âmbito de nossa esfera, em mais uma visita as regiões de dominios de Erebo e Polifemo. Voce estara' conosco, Virgilio.

Temos acompanhado as ações e estratégias das hostes do mal e sabemos que amanhã a noite havera' uma reuniao com chefes das muitas falanges, ocasião em que farão um balanço minucioso das ações relatando aos dois dirigentes máximos resultados alcançados nos últimos tempos. Sera' uma oportunidade impar de levarmos aos nossos irmãos encarnados informações atualizadas acerca das artimanhas das sombras.

Assim aconteceu.

Na noite seguinte, em presença de amigos experientes nas lides junto as sombras, la' estavamos nós, prontos para mais uma incursão nas regiões do abismo, dominadas por forças temiveis, ja' nossas conhecidas.

Acompanhava-nos um novo companheiro. Era Augusto Cesar, ainda jovem na aparência, de fisionomia sorridente. De imediato, simpatizei com o novo amigo que me foi apresentado pelo Instrutor Ulisses:

- Virgilio, nosso irmao Augusto Cesar viveu sua última experiência fisica na condigao de um sacerdote católico. Foi um trabalhador dedicado e incansável na luta pelas verdades do Cristo, levando sempre sua palavra vibrante de amor e esperança aos necessitados. Ainda na vida material, dotado de rara sensibilidade, percebia a influência dos espiritos negativos e muito lutou para levar a verdade que liberta a criatura humana enredada no cipoal das ilusões da vida. Desencarnou jovem ainda, mas traz em seu propósito, o aprendizado para compreensão do que ocorre nos bastidores das ações das trevas. Essa visita sera' para o nosso irmão de grande valia, pois tem em seus objetivos levar mensagens especificas a respeitável comunidade católica, através de seus apontamentos de tudo que ira' verificar, sob seu ângulo de visão, mas sob nossa orientação.

Abracei o amigo dando-lhe boas-vindas, sentindo imensa simpatia pelo novo companheiro de aprendizado.

- Seja bem-vindo, Augusto Cesar! - eu o cumprimentei com carinho e respeito.

- Obrigado, Virgilio, mas por favor, me chame apenas de Augusto. Ja' tinha ouvido referências a respeito de seu trabalho e de seu esforço levando mensagens de esclarecimento aos nossos irmãos da esfera fisica. Para mim e' uma satisfação e um privilégio a oportunidade desse aprendizado, mas confesso que estou um tanto quanto receoso. Sou simplesmente um calouro e peço a complacência de voces que são veteranos neste tipo de experiência.

Sorri com simpatia com a espontaneidade do novo companheiro. As palavras de Augusto eram revestidas de sinceridade e humildade.

- Fique tranquilo, Augusto - retruquei procurando encorajá-lo. - Eu também me considero um calouro, pois essa sera' apenas a segunda vez que tenho o privilégio de participar dessa caravana. Todavia, posso assegurar que se voce foi escalado para essa incursão, não foi por acaso, absolutamente. Certamente, voce reune credenciais para essa experiência. Por outro lado, contamos nessa caravana com amigos que reunem larga experiência de décadas em visitas as regiôes do abismo e que irão nos amparar, se necessário for. Fique tranquilo, serene seu coração, confie sempre! Estaremos juntos, em nome de Jesus e de Maria, sua Mãe Santissima. Se Cristo esta' conosco, nenhum mal podera' nos atingir - completei com um sorriso procurando transmitir confiança ao companheiro de Jornada.

O Instrutor interrompeu nossa conversa para que pudessemos nos preparar para a incursão.

Reunimo-nos ao redor do Instrutor Ulisses que do mesmo modo que da vez anterior, fechou os olhos, elevou sua fronte e proferiu com voz suave comovente prece:

Mestre Jesus, amigo querido de todas as boras, abençoa nosso propósito. Fortaleça em nós o bom ânimo diante das adversidades! Fortifica em nós a fe', diante das dificuldades! Edifica em cada um de nós a vontade de servir, mesmo achando incompreendidos! Dê-nos coragem para enfrentar nossos medos e fraquezas, Senhor, porque já temos consciência de que o maior inimigo habita em nós mesmos! Permita, Divino Amigo, que possamos olhar nossos irmãos com seus olhos de amor, como nos olhastes um dia! Nesta noite em que visitamos irmãos menos felizes, permita-nos observá-los com sentimentos de amor e compaixão, porque são irmãos relapsos movidos pela revolta que ainda não tiveram a benção da compreensão de seu amor infinito. Enfim, dá-nos o amparo e a sabedoria necessária para que possamos compreender que mesmo na presença do mal, podemos tirar preciosas lições de aprendizado e amor! Sê conosco, Senhor, agora e sempre!

Suave luz fosforescente de tonalidade azul-claro, proveniente de esferas mais elevadas, envolveu o grupo. Sentia em meu intimo uma alegria contagiante que envolvia todo meu ser. Estava em estado de graça tornado por profunda emoção. O Instrutor esclareceu:

- A luz que recebemos e' o amor de Maria, a bondosa mãe de Jesus que nos acompanha com seu amor, a fim de levarmos nossa tarefa avante, com amor e compaixão por nossos irmãos que ainda não aceitaram a luz do Cristo.

Observei Augusto que, a exemplo de mim, estava com a fisionomia molhada de lágrimas. Abracei-o comovido e, sem demora, nos deslocamos no espaço em direção a crosta terrestre, sob o comando do Instrutor Ulisses.

A medida que adentravamos as dimensões mais densas das camadas da subcrosta, era sensivel a percepção do impacto provocado pelas pesadas vibrações dos ambientes por onde transitavamos. Aquelas regiões ja' eram minhas velhas conhecidas, entretanto, não evitavam as impressões de desagradável impacto visual.

O forte odor exalado era horrivel e nauseante, assemelhando-se a algum tipo de materia em decomposição, misturado com lama e materials em putrefação, tipicas de regiões pantanosas, que infestavam a atmosfera ao redor tornando o ar daquele ambiente praticamente irrespirável, para quem estivesse estagiando pela primeira vez naquelas paragens. Simplesmente repugnante. Estavamos em sintonia vibratória mais elevada o que, no entanto, não nos isentava da sensação desagradável de desconforto as percepções daquele odor que beirava o insuportável. Augusto parecia sufocado, e por essa razão um dos companheiros da caravana o auxiliou, envolvendo-o em um abraço, transmitindo energias e coragem.

Por orientação do Instrutor Ulisses, reduzimos nossa Velocidade de deslocamento, para que Augusto e eu pudessemos bem mais registrar as impressões do ambiente por onde transitavamos. Dessa forma, a caravana passou a gravitar de forma mais lenta permitindo nossa observação de forma mais acurada.

Adentramos uma região mais densa, onde espessa e escura neblina se espalhava em todas as direções, dificultando minha visibilidade, que se apresentava muito limitada. Orientados pelo Instrutor Ulisses, passamos a concentrar melhor nosso foco de visão, e dessa forma conseguimos ampliar consideravelmente nosso campo de percepção. Terreno pantanoso, 'arvores retorcidas entrelaçadas por cipós que pareciam envolvê-las em mortal abraço. O cheiro fétido exalado assemelhava-se ao odor de gases sulfurosos e de enxofre. Soava no ar gritos de imprecação, revolta, ódio, choro e lamentos. Era possivel divisar figuras difusas e desfiguradas, que se retorciam em meio ao lamaçal que as envolvia. Pareciam não ter consciência de sua real situação, e seus lamentos eram um misto de revolta e 'odio.

Volta e meia era possivel divisar, em meio a neblina, a presença de figuras grotescas portando rústicas chibatas que sibilavam quando agitadas no ar, emitindo um som caracteristico para, em seguida, chicotear as vitimas, que gritavam desesperadas diante do suplicio, que possivelmente para elas, parecia infindável.

Espectros assustadores de figuras aladas destacavam-se na escuridão em vôos rasantes e pesados, emitindo silvos, tal qual a figura do grifo mitológico. Era um espetáculo simplesmente aterrador que se descortinava a nossa visão.

Observei que Augusto fazia atentamente suas anotações, possivelmente observando suas dúvidas e questionamentos que, oportunamente, faria ao Instrutor para obter os esclarecimentos necessários. Deveriam ser muitas as perguntas daquele irmão, em função do impacto da verificação in loco de uma região em que muitos irmãos de outras crenças confundem com purgatório ou inferno.

Nossa incursão seguia penetrando regioes cada vez mais densas e pesadas em termos vibratórios, ate' que alcançamos um enorme paredão em declive ingreme, escorregadio em virtude da lama acumulada e dos musgos que haviam se formado em torno das pedras.

Descemos cuidadosamente, ate' o momento em que atingimos o fundo daquela região abismal, que se assemelhava, a minha visão, a um extenso e profundo lago, completamente tornado por substâncias escuras e viscosas. Enormes bolhas formavam-se, estourando na superficie daquele liquido viscoso cujo odor era extremamente desagradável, que invadia o ambiente deixando exalar nos arredores forte cheiro, misto de carbureto com enxofre.

Para que pudessemos observar, mais atentamente, o que acontecia naquele ambiente, o Instrutor recomendou-nos que fixassemos nossa visão na superficie do lago. Foi o que fizemos - Augusto e eu.

Assim que direcionei meu campo de percepção visual mais focado na superficie, observei que em meio as substâncias viscosas havia fisionomias humanas disformes, prisioneiras daquele lamaçal viscoso. A expressão de cada uma era de tormento, sofrimento e revolta. Todavia, todos sem exceção pareciam não ter consciência da própria situação aflitiva em que se encontravam, como que tornados por profundo torpor, o que não os isentava do sofrimento, motivo pelo qual exibiam suas fisionomias deformadas no esgar da dor.

Era uma multidão de corpos perispirituais distorcidos que se acumulavam e se contorciam como se obedecessem a um movimento ritmico, ditado por alguma sintonia maligna a que pareciam estar submetidos. E o visgo a que se mantinham prisioneiros era, em verdade, o resultado dos miasmas plasmados através das formas-pensamento deterioradas e das emanações mentais desequilibradas dos próprios inquilinos que la' se encontravam domiciliados.

Aquela visão não era novidade para mim, porque ja' tivera oportunidade de observar e ouvir os esclarecimentos anteriormente, mas ansiava por ouvir os questionamentos de Augusto, para enriquecer meus apontamentos, particularmente sob outra 'otica de observação, considerando o campo de visão e compreensão do companheiro que trazia larga experiência, na condição de sacerdote católico.

As perguntas de Augusto não demoraram.

- Instrutor Ulisses - questionou Augusto -, no meio católico ainda permeiam dúvidas e questionamentos a respeito de céu, inferno e purgatório. Entretanto, a realidade espiritual que no momento se descortina a minha visão e' um pouco diferente do que aprendi nos estudos da teologia católica. Afinal, o que poderiamos dizer a esses irmãos a respeito do céu, inferno e do purgatório?

- Na verdade, Augusto - esclareceu o Instrutor -, aprendemos que Deus, a suprema inteligência do Universo, a causa primária de todas as coisas, esta' presente e reina em todos os lugares. Ora, dessa forma poderiamos então afirmar sem medo de errar que Ele tambem esta' aqui. Afinal de contas, o que e' o paraiso? Paraiso e' todo lugar onde reina alegria, felicidade, paz, harmonia, luz e a presença do bem e do amor. Não podemos circunscrever o paraiso por determinada região no espaço.

Podemos ainda afirmar que o Reino de Deus e' o paraiso que edificamos em nosso intimo, e por esta razão Jesus nos afiançou: O Reino de Deus esta' em vós. Assim, as pessoas que amam, que alimentam o bem, que praticam a caridade, que seguem e exemplificam a palavra, edificam em seus corações o tão almejado paraiso. Da mesma forma, onde existe a presença do 'odio, dos ressentimentos, mágoas, desejos de vingança, inveja, mentiras, maledicência, o mal prospera e se alastra.

Existem muitas pessoas que fazem da vida um verdadeiro purgatório e inferno. Elas não precisam desencarnar para viver o paraiso ou o inferno. Somos nós que cultuamos esse estado espiritual.

O Instrutor fez breve pausa para que Augusto e eu pudessemos fazer nossas anotações, para em seguida prosseguir:

- Esferas de luz são esferas de luz porque são habitadas por espiritos que ja' atingiram o grau de elevação espiritual da pureza absoluta, de forma que seus pensamentos e sentimentos refletem a essência do amor mais puro e sublime, pois estão em perfeita comunhão com o Criador. São regiões felizes, uma vez que são habitadas por espiritos felizes. São regiões de luz, porque aqueles que la' estão irradiam luz de seus pensamentos. São regiões de amor porque aqueles que la' habitam, vibram o sentimento do amor mais puro e sublime. Isso pode estar em toda parte: onde voce estiver, voce edifica em seu interior o paraiso ou o seu inferno particular. Se voce e' capaz de vibrar amor, carinho, amizade, compreensão, respeito, tolerância, paciência e também praticar o bem, voce esta' edificando em si mesmo seu paraiso intimo.

- O Reino de Deus esta' em vós, nos disse Jesus. Da mesma forma, as regiões habitadas por aqueles que se revoltam no sentimento de 'odio, que nutrem mágoas, alimentam desejos de vingança, brutalidade, emitem pensamentos que se adensam, tomam forma, adquirem densidade e matiz escuros, em consonância com o teor dos pensamentos emitidos. Por isso são regiões de trevas, pois os pensamentos geram energias negativas, plasmam formas distorcidas que povoam os ambientes como o que estamos verificando neste momento. São as criações mentais oriundas das mentes desequilibradas daqueles que estagiam nessas paragens, porque vibram constantemente nas faixas do negativismo, plasmando o ambiente tipico das regiões onde se concentram espiritos dessa ordem.

As explanações do Instrutor eram de extrema importância, e o assunto palpitante. Aproveitei o breve intervalo que se fez, para que pudessemos nos aprofundar ainda mais no assunto. Então questionei:

- Instrutor, gostaria que pudesse esclarecer um pouco mais a respeito da afirmação de Jesus quando disse que o Reino de Deus está em vós.

O Instrutor sorriu diante da minha pergunta, respondendo com bondade:

- Sem dúvida, Virgilio! A pergunta e' muito oportuna. Ora, aprendemos que todos nós, sem exceção, somos uma centelha divina cuja origem e' o próprio Criador. Nos temos o DNA do Criador e detemos em nossa essência os atributos da divindade.

Somos seres divinos, e por essa razão Jesus nos disse: Sede perfeitos como perfeito e o Pai que está nos céus. Um dia, quando atingirmos a perfeição, que e' o glorioso destino de todos nós, seremos a imagem e semelhança do Criador na condição espiritual, não na forma fisica, pois Ele, feito Pai Amoroso, criou-nos para esse grandioso porvir. O ser humano necessita tomar consciência dessa verdade, porque somos uma particula divina e o Altissimo habita em nós. O Pai Amoroso acompanha os nossos passos, nosso crescimento espiritual, nossas lutas, dores e decepções. Ele sabe tudo o que acontece com cada um e nos espera com paciência, pois conhece nosso intimo e as energias ilimitadas que detemos em nosso interior. Ele é nosso Pai, acompanha-nos desde o principio e sabe que apesar de todas as dificuldades impostas por nossa ignorância as leis, um dia chegaremos la', porque detemos em nossa essencia seu DNA divino. Por mais que nos percamos nos desvios dos caminhos, por mais que nos detenhamos nos devaneios e distrações da longa Jornada, Ele sabe que um dia, inexoravelmente, chegaremos ao nosso destino.

As informações do Instrutor eram de extrema valia. Augusto estava maravilhado com os ensinamentos recebidos.

- O senhor esta' dizendo que ate' os espiritos trevosos, que comandam as legiões das trevas, também detém em sua essencia a particula divina, ou minha interpretação esta' equivocada? - Augusto questionou.

O Instrutor sorriu com benevolência, para em seguida complementar seus pensamentos elucidativos:

- Sem dúvida, irmão Augusto. O Criador não estabeleceu privilégios em sua grandiosa obra. Todos nós fomos criados simples e ignorantes, com a responsabilidade e a tarefa de buscarmos a perfeição através das experiências sucessivas, amando, sofrendo, caindo, levantando, chorando e sorrindo, morrendo e renascendo de novo para que, em algum espaço do tempo no futuro, finalmente possamos atingir a perfeição e, então, desfrutar da glória da vida espiritual em perfeita comunhão com o Criador! A perfeição e' a grande meta do espirito, e a Jornada em direção a perfeição e' a grandiosa aventura do espirito imortal! Essas criaturas que assumem hoje a personificação do mal tambem são criaturas de Deus e elas também estão destinadas a perfeição, uma vez que por mais que perdure, o mal e' transitório, mas o amor e' eterno!

Enquanto ouvia os esclarecimentos, em pensamento recordava as figuras pavorosas de Erebo e Polifemo, as grandes inteligências das sombras, a serviço do mal. O Instrutor sorriu porque acompanhava meus pensamentos e complementou:

- Sim, Virgilio, Erebo e Polifemo, hoje devotados ao mal por opção, um dia se cansarão do próprio mal e desiludidos com suas próprias tropelias e equivocos, retornarão ao regaço do Pai Eterno, a semelhança da parábola do filho pródigo. A eles também esta' reservada a glória e o direito do arrependimento, purgando através de dolorosos resgates o mal que plasmaram em si mesmos ao longo dos séculos, buscando a melhoria necessária por meio do esforço intimo do autoaprimoramento, pois a perfeição e' uma meta, e evoluir e a necessidade imperiosa do espirito, seja pelo amor ou pela dor. Infelizmente, no estágio em que a maioria de nós se encontra, ainda necessita da visita da dor em nosso caminho.

Augusto parecia maravilhado com as revelações do Instrutor.

- Perdoe-me, Instrutor! - questionou Augusto. - Quer dizer que esses espiritos devotados ao mal ignoram que detem em sua essentia a particula divina que mencionastes?

Que apesar do mal transitório eles também estão destinados a glória do Altissimo? Isso não me parece justo!

Mais uma vez o Instrutor sorriu diante da espontaneidade no questionamento de Augusto.

- Sim, Augusto, da mesma forma que cada um de nos foi criado, eles tambem o foram: simples e ignorantes. Todavia, a medida que o espirito evolui, desenvolve suas habilidades juntamente com suas potencialidades espirituais e intelectuais.

Adquire o livre-arbitrio e juntamente com o livre-arbítrio, a responsabilidade por seus atos. Espiritos iguais a Erebo e Polifemo e outros dirigentes das Hordas das Trevas não tem consciência que detem em sua intimidade a essencia divina. Ignoram em sua maldade que, mesmo espalhando o mal, fazem parte do grandioso plano do Criador! Praticando o mal, procurando atrair para o abismo os afins que vibram na sintonia do mal. Todavia, esses espiritos maldosos, inconscientemente laboram servindo de instrumentos do Plano Maior para depuração da atmosfera espiritual, de um planeta que adentrara o estágio da Regeneração, quando a Terra vivenciara uma era de amor e luz, destinada aos mansos e pacificos, que por conquista e mérito tiverem a oportunidade de aqui viver. A Nova Jerusalem! Por essa razão, Jesus disse nas bem-aventuranças: Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a Terra.3,1Mateus, cap. V - vers. 5.

- Estes espiritos, desterrados a um planeta primitivo, vcrdadeiro viveiro de experiências dolorosas no Jardim do 'Eden, aprenderão nas duras lições do exilio espiritual o valor do que perderam alhures. Vagarão nas noites dos séculos incontáveis e um dia, cansados da própria maldade, retornarão ao caminho do bem, porque assim e' a lei em todo Universo! Em cada nebulosa, em cada galáxia que cintila no infinito, existem milhares e milhares de planetas que atingem o estágio da maturidade, expurgam seus inquilinos intransigentes e malcriados, para povoar milhares e milhares de planetas primitivos no encantador dos inumeráveis Jardins do 'Eden!

Enquanto o Instrutor fazia sua explanação, confesso que também estava maravilhado com a beleza e a profundidade dos ensinamentos recebidos. Recordei um pensamento de um grande pensador que dizia: Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma. Sim, na vida nada foi criado para se perder, mas para se transformar, evoluir e alcançar a glória pelo mérito do próprio esforço. O Instrutor sorriu e complementou meus pensamentos dizendo:

- Lavoisier!

Sim, Antoine Laurent de Lavoisier! O grande pensador e quimico francês guilhotinado durante a Revolução Francesa em 1794.

O Instrutor aquiesceu fazendo um sinal que deveriamos prosseguir em nossa Jornada.
Seguimos em frente, devassando as regiões escuras em direção as cavernas onde reinavam os senhores das sombras.

IRMÃO VIRGILIO