O DESAFIO DE SER VOCÊ MESMO

COMENTÁRIOS INICIAIS

"Se quiseres ser feliz, conheça a ti mesmo; se quiseres encontrar a paz, conheça a ti mesmo, pois a paz está dentro de ti."
Mestre Jesus (Do livro Estrela de luz, Izoldino Resende, pelo espírito Ismael)

Na busca pelo conhecimento de quem somos de fato ou do eu verdadeiro de cada um, precisamos ter como foco três palavras principais, que são: questionamento, flexibilidade e autoconhecimento. E' importante questionar o que aprendemos, para reconhecer e diferenciar o que é nosso de fato do que nos foi imposto; flexibilizar justamente para sair da rigidez dos papéis e valores impostos, a fim de analisar os nossos potenciais e empregá-los para o nosso bem e o bem coletivo; e proceder o autoconhecimento para saber o que estamos sendo no momento, e em função de que agimos, para trilhar o caminho do nosso eu verdadeiro, assumindo-nos e bancando-nos sem necessitar que alguém faça isso por nós.

Quem é você ? Quem somos nós ? Oh, com certeza somos seres incríveis! Já disse o Mestre Jesus que somos deuses; e somos sim cocriadores, temos uma herança essencial maravilhosa. Fomos criados por Deus, somos centelhas divinas e estagiamos em todos os reinos; adquirimos, ou melhor, somamos inúmeras experiências, sensações que fortaleceram nossa natureza essencial, até chegarmos ao estágio humano, imagino que para treinar o livre-arbítrio e passar por desafios que continuariam a nos fortalecer justamente para aprendermos a lidar com toda essa problemática dualidade humana, para evoluir e chegar a elevados estágios como protetores, guias, mestres e verdadeiros anjos a auxiliar a humanidade.

Só que até lá temos um longo caminho pela frente, e é melhor ficarmos no aqui e no agora de cada dia, aprendendo e vivenciando a natureza que nos impõe uma grande meta, que é a expressão do ser que somos, e precisamos então procurar entender os conteúdos emocionais internos que trazemos, ou seja, as fontes de interferências e influências em nossa psique, que atrapalham ou interferem nessa natureza única, influências essas que são principalmente as seguintes:

• Conteúdos arquetípicos - valores e padrões do inconsciente coletivo, que estão presentes na memória arquetípica dos humanos deste planeta, desde sua formação;

• Conteúdos de origem educacional e familiar - que foram transmitidos e impostos pela educação e tradição cultural;

• Conteúdos defensivos ou decretos de sobrevivência - introjetados na infância e que fazem parte do eu emocional imaturo de cada um;

• Conteúdos cármicos, influências espirituais e de personalidades de vidas passadas (memória espiritual e impressões de vidas passadas).

Enfim, essas fontes de interferências e influências contribuem para que criemos ou tenhamos uma visão relativamente deturpada de quem realmente somos e tenhamos dificuldade em reconhecer e acessar o nosso sábio eu interior ou verdadeira natureza. E é muito importante que saibamos, entendamos, enfim, que tomemos consciência de todos esses aspectos, até mesmo para podermos repensar e dar mais espaço, conscientemente falando, à nossa natureza ou nosso eu essencial, sempre presente e tão esquecido e abafado pelos nossos processos intelectuais, educacionais e egóicos. Por conta dessa aprendizagem, desenvolvemos o péssimo hábito de pensar, intelectualizar, de nos preocupar, e com isso geramos uma enorme ansiedade e angústias diversas, que, acredito, nunca estiveram tão presentes na vida das pessoas como atualmente; parece que os valores estão realmente invertidos, e não necessariamente paramos para refletir sobre o que estamos fazendo, o preço que pagamos pelas nossas escolhas e não nos percebemos. Não atentamos para o nosso sentir que, o tempo todo, está lá dentro de cada um de nós dando toques, gerando sensações, justamente para nos conscientizar de como estamos agindo; precisamos entender que esse sentir presente em nossa natureza é o nosso farol, aquele que nos conduz para o caminho certo. Só que necessariamente não temos esse entendimento, como também não aprendemos a nos perceber de forma clara e focar no que sentimos. Isto é, até aprendemos, sabemos o que sentimos, só que tendemos a relacionar o que sentimos mais aos aspectos materiais, densos, e não aos aspectos sutis, ao conteúdo emocional. Precisamos, sem dúvida, reaprender a perceber o que sentimos e entender a mensagem dessas sensações. Afinal, temos sentidos, que transmitem sensações; a nossa principal meta é aprendermos a nos perceber melhor!

Somos seres incríveis, mas é verdade que sofremos inúmeras influências, como foi dito acima, e precisamos nos conhecer profundamente, nos aperceber de nossa natureza e suas leis, para fazer valer o propósito de vida da atual encarnação.

Somos fortes, temos um potencial ilimitado; porém, ainda não temos total consciência disso e não conseguimos ficar centrados e aprender a lidar com todas as influências que recebemos, seja do inconsciente coletivo, de nossa família e formação, seja de nossas vidas passadas, da sociedade tradicional, enfim.

Em meus livros tenho procurado explicar como podemos adquirir uma maior maturidade emocional e como podemos nos conhecer para justamente sermos mais felizes a partir de uma percepção mais elaborada e mais realista de quem somos, o que queremos, nossas reais capacidades, qual o nosso campo de ação e responsabilidade pessoal. E é realmente muito gratificante saber que os livros têm ajudado um grande número de pessoas. Tenho recebido relatos de muitos leitores que, através dos livros, conseguiram ter uma percepção mais abrangente de si mesmos, que o próprio processo de terapia em que se encontravam não estava fornecendo. Isso é muito, muito maravilhoso mesmo, sinto-me feliz e realizada ao receber esses feedbacks.

Só que também recebo feedbacks de leitores dizendo que, apesar de lerem os livros ou de fazerem terapia, ainda apresentam muita dificuldade em mudar suas atitudes, e também percebo, inclusive no meu trabalho como psicoterapeuta no consultório, como a mudança é difícil para algumas pessoas; chegam a tomar consciência do seu modo de ser, de suas crenças errôneas, percebem com clareza seus limites, mas não se dão espaço real para mudar e ainda apresentam uma grande resistência à mudança. Sem dúvida, como terapeuta, sou bastante consciente de meus limites: é claro que não posso mudar alguém que não quer fazer a sua parte; posso sim ajudar a pessoa a se encontrar, se conhecer e trilhar novos caminhos para se sentir plena e realizada, mas nem todos estão prontos para mudar ou para perceber seu potencial e sua natureza essencial.

E, assim, gostaria de refletir e enfatizar aqui, com essas pessoas resistentes à mudança, que não existe o não conseguir mudar; existe sim o não querer mudar. Pode ser chocante isso, mas precisamos definir o que realmente depende de nós e o que não depende. Vamos esclarecer isso: na Gestalt-Terapia, que é a minha linha de atuação, afirmamos que não conseguir diz respeito a limites reais, como por exemplo: não consigo transformar barro em ouro; não consigo levantar algo que pesa uma tonelada; isso é verdade, pois são limites reais: ninguém se sente incompetente por não levantar um peso desses ou por não ter a habilidade da alquimia, só que se sente incompetente, por exemplo, quando não consegue fazer alguém feliz, quando não consegue convencer ou seduzir uma determinada pessoa, não atentando como esses exemplos também significam limites reais, pois não temos poder para convencer alguém que não quer ser convencido sobre um determinado assunto ou fazer uma pessoa feliz quando ela mesma não faz nada para isso ou não se sente merecedora da felicidade. São limites reais! Ter limites reais não tem nada a ver com incompetência, mas sim com limites; é um não conseguir de fato; no entanto, quando se refere a si mesma, à própria pessoa, tudo o que ela diz não conseguir significa na realidade não querer. Ou seja, tudo o que realmente posso, que está dentro de meus limites e competência, e eu não faço, é porque não quero, não é que eu não consigo; é um não querer, certo?

Em meu trabalho como psicoterapeuta, forneço caminhos, dicas e tarefas para que o cliente possa se observar e atentar para o que ele deve mudar, e com um tanto de vontade e de atenção a pessoa consegue, mesmo com diferenças de ritmo, pois é óbvio que existem diferenças individuais de ritmo, de absorção, de conscientização, etc. O que quero enfatizar, na realidade, é que quando alguém não quer, ele não muda, e aqui precisamos verificar quais as resistências, quais os medos de mudar; eventualmente alguém pode não querer mudar por "n" razões, e não vou relacionar aqui o que já está escrito no livro E tempo de mudança, onde discorro amplamente sobre esse assunto, e que o leitor poderá consultar oportunamente.

Assim, sugiro que ao dizer "não consigo", você reflita se é um limite real ou se você tem medo ou alguma outra resistência e na realidade não querfazer o que diz não conseguir. Podem existir inúmeras defesas inconscientes que criam a resistência perante mudanças que de certa forma ameaçam o status quo que o indivíduo já estava acostumado a vivenciar, e assim o novo lhe parece deveras perigoso; no entanto, é necessário que você perceba que a mudança é necessária justamente quando você constata como se sente infeliz com a sua vida; e como reflexão perceba que, se você quer mudar os resultados que tem conseguido, precisa mudar a forma de atuar, aí sim obterá resultados diferentes. O processo de mudança é possível sim, e precisamos investir em nosso autoconhecimento para perceber os potenciais inatos que podemos usar para nos sentir seguros e mais realizados.

Assim, para mudar e melhorar, alguns pontos são extremamente necessários:

• Aceitar a sua história de vida, já que somos seres individuais, únicos, e a história de um não é igual à do outro; assim, pare de se comparar e se sentir vítima, ou achar que a sua história é a mais complicada, etc. e tal. É incrível, mas há pessoas que chegam à consulta dizendo: "Acho que você nunca consultou alguém tão difícil quanto eu...; com certeza você nunca atendeu alguém com uma história tão complicada como a minha...; quero fazer terapia, mas acho que não tenho jeito, sou um caso perdido". Para mim, essas falas já mostram o quanto essas pessoas estão resistentes à mudança, não acreditam que possam realmente mudar ou são do tipo que esperam que alguém faça o milagre por elas, e no caso esse alguém seria eu. Já vou deixando bem claro que eu não faço o milagre, eu direciono, ofereço caminhos para que a pessoa se ajude, porque é claro que se ela não fizer a sua parte, ninguém conseguirá ajudá-la a mudar. Por isso é necessário querer, e aí sim ela conseguirá, com certeza!

• Sair da síndrome de Gabriela: "eu nasci assim, eu sou mesmo assim, vou ser sempre assim..". Se alguém realmente entender sua maneira de proceder e os motivos disso, muda com certeza.

• Perceber qual é o propósito da vida atual, ou seja, os seus desafios; para isso precisa abandonar os mimos e assumir responsabilidades, claro.

• Investigar quais os âmagos emocionais problemáticos, em função dos quais desenvolveu decretos de sobrevivência defensivos e perceber a necessidade de modificar essas atitudes no aqui e agora, senão não haverá mudança.

• É necessário entender por que você age de uma determinada forma, em função do quê, para justamente poder modificar as atitudes, agindo em função de sua própria natureza, crescimento e evolução.

Enfim, neste livro, estou ampliando um pouco mais as origens de possíveis problemas emocionais, tais como os arquétipos (crenças do inconsciente coletivo) que nortearam atitudes milenares da humanidade, os quais mais do que nunca devemos repensar, pois eles podem e devem ser questionados, a fim de que você possa se libertar de pensamentos, papéis e posturas que não deseja mais para si mesmo e que não fazem parte de sua natureza e nem do seu bem--estar; questionamento, aliás, hiperimportante para que você possa tornar-se mais livre e genuíno, a fim de que sua essência e natureza verdadeira se manifestem e você possa cumprir sua proposta encarnatória de forma clara e plena, sendo verdadeiramente você mesmo.

Outro ponto importante que gostaria de enfatizar é para a percepção e o cumprimento das leis universais. A natureza, bem como o próprio corpo físico, tem leis que precisam ser respeitadas, e não é porque alguém não acredita nelas que elas deixam de funcionar; pelo contrário, leis são leis e como tais funcionam, independentemente de querermos ou não, de aceitarmos ou não; assim, por uma simples questão de raciocínio e inteligência, não seria melhor acatadas ao invés de se indignar e contestar, só porque o seu ego não as aceita?

Tenho citado em meus livros inúmeras leis que regem nossa natureza, e é impressionante como certas pessoas, teimosas e egóicas que são, por acharem que essas leis não são eficazes, atentam contra si mesmas pelo simples fato de não aceitá-las. Isso é burrice, não acham? Ou uma imensa teimosia que predomina em alguns egos e atrapalha o processo de conscientização, o qual requer uma boa dose de humildade, ou seja, a aceitação da realidade e das leis universais.

Vamos refletir sobre isso? E para o nosso próprio bem! Portanto, sejamos humildes, observadores de nós mesmos, mais centralizados em nosso sentir, que o tempo todo nos informa, pelas sensações, o que estamos fazendo conosco. Nos livros Equilíbrio emocional - como promover harmonia entre sentir, pensar e agir e Por que sofremos tanto? esses assuntos foram discorridos com muita clareza. Sugiro que os consulte oportunamente.

E vamos lá, querido leitor, dar andamento ao processo de auto-conhecimento, para que você possa vencer o desafio de ser você mesmo. Boa leitura!

Toda pessoa vem a este mundo com uma destinação es¬pecífica; ela tem algo para ser entregue, algum trabalho tem que ser realizado.

Você não está aqui por acaso - há um motivo para você estar aqui.

Há um objetivo a ser alcançado. O TODO pretende fazer algo por seu intermédio!

LOURDES POSSATTO

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