13 - PROTESTANTISMO

I - ORIGEM

Com cultos muito concorridos e entusiásticos, leitura de textos bíblicos, uso de linguagem e músicas populares..., o pentecostalismo tornou-se, na segunda metade do século XX, o movimento religioso de maior expansão no mundo ocidental.

II - O PROTESTANTISMO

No Brasil, o desenvolvimento do protestantismo foi constante durante todo o século XX e o número de protestantes está ainda em contínuo aumento, devido sobretudo ao grande incremento que tiveram as igrejas pentecostais nas últimas décadas.

III - Há três tipos principais de protestantismo no Brasil:

1.º ) Protestantismo de imigração: começou em 1823 com a vinda dos colonos protestantes, na maioria alemães, mas que ficou limitado às regiões de cultura alemã;

2.º ) Protestantismo trazido pelos missionários estrangeiros: em geral veio através dos anglo-saxões, a partir de 1853. Também nesse caso os resultados foram limitados.

3.º ) Protestantismo pentecostal: iniciado em 1910, começou a ter uma difusão maior a partir de 1950, com o nascimento das primeiras denominações brasileiras. Trata-se de uma verdadeira “explosão”, como se constata nos últimos 30 anos.

Os números são claros: os protestantes eram 1% da população em 1890, 2,6% em 1940, 3,3% em 1950, 5,2% em 1970, 6,6% em 1980 e 8% em 1991.

IV - PENTECOSTALISMO

Até 1950, o protestantismo de matriz pentecostal estava reduzido, no Brasil, a três organizações religiosas de matriz americana: Assembléia de Deus, Congregação Cristã do Brasil e Igreja do Evangelho Quadrangular.

A partir dessa data, começou a se impor um pentecostalismo autônomo, com matriz brasileira e independente do exterior. As quatro Igrejas que mais se impuseram foram:

- a Igreja Brasil para Cristo, fundada em 1956 por Manoel de Mello, substituído depois da morte pelo filho Paulo Lutero de Mello e Silva;
- a Igreja Deus é Amor, fundada em 1962 por Davi Miranda;
- a Igreja Casa da Bênção, presumivelmente fundada em 1974;
- a Igreja Universal do Reino de Deus, fundada em 1977 por Edir Macedo.

O sucesso das igrejas pentecostais pode ser, em parte, explicado também pelas diversas crises pelas quais passaram as igrejas históricas e tradicionais, especialmente a católica.

A migração de fiéis da Igreja católica para as evangélicas atingiu 64% de todos os que ultimamente a elas aderiram. Parece haver algo nas Igrejas tradicionais que faz com que as pessoas não se sintam mais atraídas por elas.

V - A ASSEMBLÉIA DE DEUS

Foi a primeira a originar-se do pentecostalismo. Nos primeiros anos do século, formaram-se comunidades (ou congregações) pentecostais não organizadas em movimentos. Foi em 1914 que, em Hot Spring (EUA), reuniram-se em assembléia geral centenas dessas comunidades pentecostais, até então independentes, e seus pastores decidiram formar uma só entidade que passou a ser chamada de “Assembléia de Deus”.

Gunnar Vingren e Daniel Berg, suecos, foram os primeiros missionários dessa Igreja que vieram ao Brasil. O primeiro, na Suécia, pertencia à Igreja batista mas, quando foi para os Estados Unidos, recebeu o batismo no Espírito Santo e o dom das línguas, conforme suas próprias palavras. Gunnar tinha a viva sensação da presença de Deus dentro de si.

Os membros do movimento recém-formado, exatamente como Paulo e Barnabé em Antioquia, sentiram-se chamados a anunciar Cristo entre as nações. Durante uma reunião, Gunnar e Daniel ouviram insistentemente, em língua estranha, a palavra “Pará”. Será que se tratava do lugar para onde o Espírito Santo queria enviá-los? Consultaram vários mapas e descobriram que a palavra indicava um Estado no Brasil, na Amazônia. E foi para o Pará que, em 1910, vieram para anunciar a mensagem pentecostal.

Pelo que foi dito até aqui e pelo que se encontra nos depoimentos dos primeiros missionários da Assembléia no Brasil, tornam-se evidentes algumas características desse movimento: dar muita importância a avisos, revelações e sonhos que influenciam o comportamento futuro e as escolhas que seus adeptos fazem.

A religiosidade que propõem dá muita importância ao aspecto afetivo, à sugestão, às emoções. Interpretam com muita facilidade os acontecimentos como intervenções milagrosas de Deus. Isso pode ser visto na narração que Daniel Berg faz de algumas circunstâncias a respeito de sua viagem ao Brasil: “Deus confirmou que devíamos ir para o Pará.” Se ainda houvesse qualquer dúvida, esta desapareceria dias mais tarde, quando o irmão Vingren, durante um de seus longos passeios de meditação, ouviu claramente uma voz que lhe falava ao ouvido, dizendo: “Se forem, nada lhes faltará”.

VI - A CONGREGAÇÃO CRISTÃ DO BRASIL

A Congregação Cristã do Brasil é outro movimento do grupo pentecostal, fundada pelo italiano Luigi Francescon, imigrante nos Estados Unidos. Antes de aderir ao movimento pentecostal, o fundador foi presbiteriano e batista. Suas atividades religiosas começam com a organização de comunidades entre os colonos italianos dos Estados Unidos.

Em 1909 e 1910, fez uma viagem à Argentina e ao Brasil e aqui fundou sua primeira congregação pentecostal, em Santo Antônio da Platina (Paraná), sempre entre imigrantes italianos. Até 1935 a Congregação Cristã do Brasil ficou restrita às pessoas dessa origem, só em seguida abriu-se a outros.

VII - A Congregação Cristã do Brasil apresenta algumas características que a distingue de todas as Igrejas de matriz pentecostal:

- há menos participação emotiva, menos agitação em suas reuniões;
- seus membros evitam o título de pentecostais e também a colaboração com outras correntes do protestantismo;
- são muito severos quanto ao comportamento das mulheres e sua apresentação exterior, não permitindo roupas curtas e que cortem os cabelos;
- não gostam dos membros que se sobressaem; preferem os humildes e até os pouco instruídos, pois dizem que Jesus pregou a humildade e a simplicidade;
- chamam o batismo no Espírito Santo de “promessa do Espírito Santo”;
- não gostam de manifestações, tais como: pregação nas ruas, pelo rádio ou pela TV

Sua prática se limita aos seus cultos e sua missionariedade consiste em convidar parentes, amigos e outras pessoas que encontram nas ruas, no trabalho e em viagens, para que freqüentem o culto em suas igrejas.

Muitas denominações do ramo pentecostal têm facilidade em interpretar, como intervenções divinas ou até mesmo milagres, os fatos comuns de suas vidas.

Alberto Garuti