18 - MASDEÍSMO
versão Espírita

Esta é a antiga religião persa e tem muitos pontos de contato com a religião védica — dos hindus — que já analisamos em suas linhas gerais.

Aliás, esses povos — persas e hindus — têm quase que as mesmas origens geográficas e etnográficas. Realmente, remontando séculos na história do mundo, vamos nos encontrar nas planícies centrais da Europa, onde dois povos diferentes, representando duas civilizações diferentes, se defrontam.

Um — de homens brancos, descendentes dos hiperbóreos — vindo do norte misterioso e frígido; outro — de negros — vindo do sul, mormente do continente africano, através do Mediterrâneo.

Esses dois grandes povos seguem estandartes perfeitamente opostos. Os negros ostentam o estandarte do Touro e são violentos e opressores, ao passo que os brancos, pacíficos, levantam o do Carneiro.

Seu chefe é Rama, o eleito de Deus, merecedor de suas graças, o Enviado do Alto para guiar essa humanidade tão bárbara daqueles recuados dias da nossa história.

E para evitar a guerra e o extermínio entre as duas grandes raças e para preservar a raça branca, detentora já de um civilização mais avançada, Rama a conduz para o Oriente, localizando parte dela na Pérsia e outra parte diretamente na índia.

Este acontecimento é conhecido na história como a "Invasão dos Árias" e marca o início da civilização oriental que a partir desse tempo fez-se mãe de quase todas as civilizações do mundo.

Por isso é que dissemos, ainda há pouco, que esses dois povos persa e hindu, têm quase a mesma origem. Rama organizou a vida religiosa da índia primitiva e seus códigos mais tarde foram introduzidos na Pérsia.

Mas, quanto à religião persa, em particular, seu fundador foi Zoroastro e seus ensinos estão condensados em vários códigos sagrados, dos quais o fundamental é o "Zend Avesta".

O conceito geral desta doutrina é o seguinte: quando o Ser Supremo — Ahura-Mazda criou o mundo, criou também as forças antagônicas dos dois princípios: bem e mal. Esses princípios são representados pelas divindades Ormuzd, que personifica o bem e Arihman, que personifica o mal, e ambos são assistidos por gênios e demônios, a saber: os amshaspands e os devas, que os secundam na sua luta eterna.

Ambas as divindades agem sobre o mundo e sobre os homens, influenciando-os nos sentidos que lhes são próprios, cada um devendo se orientar pelo seu próprio livre-arbítrio e, ao fim dos tempos, quando o mundo chegar ao seu termo e os homens tiverem terminado sua evolução, os céus se abrirão para receber os frutos do trabalho universal e neles entrarão os homens, bem como a ele voltarão os deuses rivais, que tão relevante papel desempenharam na redenção do gênero humano.

Esta singular concepção nos dá uma idéia perfeita da relatividade do bem e do mal e nos faz compreender, em toda a sua grandeza, a utilidade de ambos, nos primeiros degraus da evolução, para a nossa libertação espiritual.

Nesta religião, herdada dos Árias, e como na Atlântida, o culto predominante era o do fogo, que representava o Logos - a divindade visível -e ao mesmo tempo as chamas das luta espiritual que os homens deviam travar para vencer o mal.

Por toda a parte eram erguidos altares dedicados ao culto do fogo. Das grandes religiões do mundo esta foi a única que desapareceu.

Quando os maometanos conquistaram a Pérsia e ali introduziram, a fio de espada, a religião do Islã, cem mil zoroastrinos se passaram à índia e seus remanescentes, em número de 8 a 10 mil, ainda lá existem hoje: são os "parsis", que tendem também a desaparecer, não só porque vivem isolados, não operam conversões à sua doutrina, como porque dado o insignificante número, serão forçosamente absorvidos pela massa ambiente, tanto mais que não se cruzam com indivíduos de outra religião.

Vivem na cidade de Bombaim e se dedicam principalmente às profissões liberais, gozando de grande consideração popular.

Edgard Armond