2 - BRAMANISMO

I - TRILOGIA HINDU:

A trilogia hindu é formada pelo vedismo, pelo bramanismo e pelo budismo.

1 - VEDISMO

Das religiões hindus esta é a mais antiga. Vem de Rama, o "enviado celeste" que emigrou do continente hiperbóreo, colonizado por atlantes. Tem suas bases nos livros védicos, que são: o Rig, o Iadjur, o Sama e o Atarva, com o complemento do Itiasa, dos Puranas e dos Sutras.

O traço fundamental de todos estes livros é o conhecimento e o manejo das forças ocultas da natureza. As forças do mal atuam fortemente sobre os homens e a magia é o meio mais seguro de neutralizá-las, obtendo o apoio e as boas graças dos poderes do bem. Os sacerdotes são os encarregados e os únicos competentes para realizar o culto e as práticas religiosas.

Esta é a religião que estabeleceu na Índia o regime das castas que são quatro: a dos brâmanes, ou sacerdotes, nascidos da cabeça de Brama, o Deus supremo; os ksatrias, ou guerreiros, nascidos de seus braços; os vaicias, ou mercadores, nascidos de suas pernas e, finalmente, os sudras, ou gente da plebe, nascidos de seus pés.

É difícil precisar a data a que remontam os Vedas. Segundo uns vai a dois mil anos antes da nossa era; segundo outros, como já dissemos, vem de Rama, em data remotíssima. Tendo em vista a importância que nesses livros se dá ao culto do fogo, vê-se que há fundamento na colocação dessa data a muitos milênios, quando o fogo era agente quase sagrado em todas as manifestações religiosas herdadas da Atlântida, onde esse culto era oficial.

A palavra veda significa "saber" e esses livros representam tudo o quanto nesse tempo se sabia de Deus, da Natureza, do homem e da arte das evocações mágicas e dos sortilégios. Além disso os Vedas difundiam preciosas e profundas noções da vida moral.

2 - Bramanismo (1)

O bramanismo sucedeu ao culto primitivo, sistematizou e deu novas modalidades ao vedismo, criando a trindade bramânica, composta de três deuses: Brama, o criador; Shiva, o destruidor e renovador com sua esposa Kali, a deusa da morte e Vishnu, o princípio conservador, amigo do homem, que se encarna em Rama, Krishna e Buda. Tornou mais rigoroso o regime das castas, dando toda a proeminência aos sacerdotes e todas as vantagens mundanas aos guerreiros, e estabeleceu que ninguém podia sair de sua casta, nem mesmo para contrair matrimônio; quem o fizesse seria repudiado por todos, ficando sem casta e permanecendo na condição de pária social.

Os conhecimentoí espirituais são privilégio dos sacerdotes que, para isso, se submetem desde a infância à penosa iniciação, cujos diferentes graus são os seguintes:
1 - No primeiro grau, até os sete anos, ficam entregues às mulheres; passam então ao serviço doméstico de um diretor ao mestre (guru), que os inicia nos conhecimentos gerais da religião, da ciência e das artes.
2 -No segundo grau abandonam o mestre e constituem família, para que as tradições iniciáticas se perpetuem nos seus descendentes masculinos.
3 - No terceiro grau, cumpridos seus deveres de família, recolhem-se no silêncio de seu próprio lar e cortam as relações socais; e,
4 - No quarto grau, finalmente, abandonam o lar, afastando-se do mundo e transformam-se em anacoretas, para receberem do Alto o supremo conhecimento e terem direito ao Nirvana, isto é, a vida em comunhão consciente com o Ser Supremo.

O bramanismo adota a lei da metempsicose para o povo e da transmigração das almas para os iniciados, como no Egito asseverando que o fim da vida humana é a libertação e o desprendimento do mundo material e das paixões, sendo a meditação e o isolamento condições essenciais desse aperfeiçoamento. É uma religião aristocrática e sacerdotal.

Eis o que aprende o discípulo (cheia) nos três primeiros períodos da iniciação: o conhecimento dos livros sagrados, a gramática, os deveres devidos aos manes (espíritos), a arte de calcular, os presságios, as revoluções dos períodos (cosmogonia), a intenção do discurso (raciocínio), as máximas da moral, a ciência divina da escrita (acentuação, prosódia e ritos religiosos), a conjuração de espíritos, a arte militar, a ciência da astronomia, o encantamento das serpentes, a ciência dos deuses (música e artes mecânicas).

Mas este era o lado simplesmente exterior da questão porque, após abandonar o mundo, ao entrar no último período tomava o discípulo conhecimento das Leis de Manu, contidas no Manava Dharma Sastra que, além de estudar as leis da vida espiritual, ensinava aos reis e senhores o cumprimento dos seus deveres, fixava as obrigações de cada casta, a purificações, os ritos e as cerimônias de todos os cultos, ainda as penas a sofrer pelos transgressores.

Logo no preâmbulo o livro recomendava: "Este livro deve ser estudado com perseverança por todo brâmane instruído e ser explicado por ele aos seus discípulos, porém nunca a outro homem de uma casta inferior". Mais adiante: "Este livro faz obter tudo o que se deseja aumenta a inteligência, atinge a glória de uma longa vida e conduz à beatitude suprema". E continha uma alta moral quando ensinava: "A resignação, a ação de tornar o bem pelo mal, a temperança, a probidade, a pureza, a repressão dos sentidos, o conhecimento dos "Sastras" (livros sagrados), o da Alma Suprema, a veracidade e a abstenção da cólera, eis as dez virtudes em que consiste o dever".

Mais adiante, falando sobre a renúncia, dizia: "Preenchendo perfeitamente os deveres prescritos, sem ter por móvel a espera de recompensa, o homem alcança a imortalidade e, neste mundo, goza de todos os desejos que seu espírito pôde conceber". E na prática ao audomínio, recomendava: "Domina o corpo, os órgãos dos sentidos, tem mãos juntas e o olhar fixo sobre o teu mestre". A este na inteira submissão do cheia quando diz: "Aquele que se submete docilmente ao seu mestre até o fim de sua existência eleva-se, depois de sua morte, à morada divina". O ensino levava o discípulo a conquistar perfeita impassibilidade, autodomínio, perfeito equilíbrio e sangue frio, nunca se submetendo aos impulsos dos desejos, do prazer, do medo ou da dor.

O discípulo, diz o livro, "deve suportar com paciência as palavras injuriosas, não desprezar ninguém, não guardar rancores por causa do corpo fraco e doentio que é comum a todos". Ele deve usar dos sete poderes que são: os cinco sentidos mais a inteligência e o sentimento e não falar senão de coisas à vida espiritual. Assim, para ele, o mundo se fecha. "A devoção e o conhecimento da alma são para o discípulo os melhores meios de atingir a felicidade suprema. Assim o homem que reconhece, em sua própria alma, a alma suprema presente em todas as criaturas, mostra-se inalterável na presença de todos e obtém a sorte feliz daquele que está absorvido em Brama."

Ao fim da iniciação o discípulo tomava conhecimento livro os "Upanishads", que quer dizer "oculto" e que somente era confiado às elites, como remate dos esforços anteriores. Em resumo, na iniciação dos brâmanes existiam dois aspectos fundamentais chamados:
1 - "O Caminho das Obras", que compreendia a vida doméstica e os sacrifícios dos primeiros graus, e
2 - "O Caminho do Conhecimento" (pensamento puro, realizações da alma) cujo exercício fundamental era a meditação, que leva ao êxtase final.

Os Upanishads conduziam o discípulo, eficientemente por todos os maravilhosos caminhos do autoconhecimento, da integração em Deus. Isto, pelo menos, é o que se contém na tradição religiosa dessa doutrina que é seguida por mais de 450 milhões de adeptos.

Edgard Armond

II - BRAMANISMO (2):

Apesar da escassez de dados confiáveis para pesquisa, os historiadores citam a Índia como berço do Bramanismo, uma das mais antigas religiões. A doutrina bramânica, nos seus primórdios, compunha-se de postulados esparsos, sem qualquer ordenação e era transmitida oralmente através de cânticos. Cerca de 14 séculos a.C., um sábio brâmane recebeu o nome de Vyasa (compilador) por seu trabalho, e ordenou adequadamente a religião brâmane. A sua fixação, entretanto, só ocorreu por ocasião do surgimento da escrita na Índia, entre os séculos IX e VIII a.C.

Os ensinamentos védicos, escritos em sânscrito, passaram a constituir os Vedas ou Livros do Conhecimento Sagrado, a obra religiosa mais antiga de que se tem notícia. Rigveda, o mais conhecido dentre eles, consta de hinos de aparência simplesmente devocional, mas que encobrem o segredo da Criação. Apenas os sacerdotes e iniciados distinguiam a verdade escondida sob o véu das alegorias. O Bramanismo, também conhecido por Induísmo, exotericamente desenvolveu-se, sofreu modificações, foi adulterado e, com o passar dos tempos, entrou em decadência, como é usual acontecer com as religiões. A sua essência, no entanto, continua inalterada e preservada pelos Mistérios, em santuários da Índia. A doutrina original pode ser resumida em Cinco Princípios, dos quais decorrem as demais diretrizes:

1 - Um Deus Único com Tríplice Manifestação (Trindade Divina). "O Ser Supremo se imola a Si próprio e Se divide para produzir a Vida Universal".

2 - A Natureza Eterna do Mundo "Ele sempre foi e sempre será. O mundo e os seres saídos de Deus voltam a Ele por uma evolução constante".

3 - A Reencarnação "Há uma parte imortal do homem que é aquela, ó Agni, que cumpre aquecer com teus raios, inflamar com teus fogos. De onde nasceu a Alma? Umas vêm para nós e daqui partem, outras partem e tornam a voltar".

4 - O Carma "Se vos entregardes aos vossos desejos, só fareis condenar-vos a contrair, ao morrerdes, novas ligações com outros corpos e outros mundos".

5 - O Nirvana "Estado de não desejo". O mais puro e íntegro da alma, livrando-a em definitivo da roda das encarnações. Considerado o coroamento da Perfeição. As Escolas Iniciáticas demonstravam cabalmente, na teoria e na prática, a relevância de alcançar o Nirvana, para se chegar a Deus. Para atingir essa condição, o Ego precisa se libertar de todos os desejos, mesmo os originados de sentimentos bons e altruístas. O Nirvana é um estado de consciência tão íntegro que toda doação é prestada naturalmente e não em decorrência de inclinação sentimental.

A - As Castas

Supõe-se que não faziam parte do corpo doutrinário original. Apesar de ser um preceito bastante antigo, parece constituir um adendo incluído em remotas épocas, pela mão imperfeita do ser humano. Prega a divisão em castas como conseqüência do Carma, pela qual o indivíduo por comportamento de vidas anteriores, renasce em determinada posição social, sofrendo efeitos decorrentes dessa circunstância.

Tal proposição, rejeitada pela maioria dos reformadores do bramanismo, conforma uma tese a ser discutida, demonstrando a pequenez do ser humano, razão pela qual deve ser extinta, pois existem inúmeras maneiras de a Lei ser exercida, sem o agravamento maior imposto pela sociedade. A aceitação da divisão em castas significaria o mesmo que aprovar a escravidão, já que seriam escravos apenas os que construíram, em vidas passadas, as causas que ocasionaram esse efeito. Fica exposta a tese para que cada um escolha a que mais lhe esteja de acordo.

Conforme ensinado sigilosamente nos santuários, Agni, o fogo, é o símbolo do Eterno Masculino ou Espírito Criador. Soma, o licor do sacrifício, é o símbolo do Eterno Feminino, Alma do Mundo, Substância Etérea. Em Sua união perfeita, esses dois Princípios Essenciais do Universo, essa dualidade, constituem o Ser Supremo - Zians, ou seja, Deus.

O céu, o inferno e o processo de vidas sucessivas, regulamentados pelas leis de Manu, constam do Manava-Darma-Sastra, ou Livro das Leis, com especial sistema de sanções. Nele, o inferno, denominado de Naraca, é apresentado como forma de planos, vinte e um dos quais são particularmente descritos. Para o povo, mostravam-no simbolicamente, como todas as religiões, como sendo local tenebroso de trevas e tormentos, onde o fogo que purifica,queimava os maus. O céu também é classificado em planos na doutrina secreta, e era designado por Svarga.

Como o inferno, consiste em estados de consciência, difícil de ser compreendido mesmo pelos maiores conhecedores do assunto. Por isso, popularmente explicavam-no como um jardim de delícias, com a luz brilhando perpetuamente, onde os bons gozavam de bem-aventurança. Esses simbolismos, como todos os outros, tomados ao pé da letra, desfiguraram o verdadeiro pensamento, mostrado exclusivamente nas Escolas Iniciáticas. A massa, familiarizada apenas com as exterioridades, manteve esses conceitos desvirtuados, forma com que chegaram aos tempos de hoje, vez que a Verdade sempre permaneceu no hermetismo da doutrina. Outros Livros Sagrados complementam o acervo religioso da Índia. Os Brâmanas, comentários sobre os Vedas, delineiam uma fase da modificação da primitiva doutrina.

Os Upanixades, significando literalmente Sentar-se sob um Mestre, revelam período diverso de alteração dessa religião. Os ensinamentos neles contidos, antes de serem fixados pela escrita, eram transmitidos secreta e oralmente pelos sacerdotes que os consideravam demasiado sagrados para serem conhecidos por leigos. Posteriormente, quando transformados em Livros, continuaram reservados exclusivamente aos que tinham acesso aos Mistérios. Constituem a base da moderna filosofia hindu. Eis uma das mais poéticas pregações de Amor, contidas nos Vedas e repetidas com outras palavras em todas as religiões: "Sê, para teu inimigo, o que é a terra que recompensa com fartas colheitas o lavrador que lhe rasga o seio. Sê, para aquele que te aflige, o que é o sândalo, que perfuma o machado do lenhador que o corta".

B - A Grande Renovação do Bramanismo

Quando os ensinamentos védicos foram completamente esquecidos pelo povo e, em seu lugar surgiram as grandes aviltações da idéia-mãe, um iniciado com o nome de Krishna, criado por ascetas que viviam retirados junto ao Himalaia, saindo de seu isolamento, renovou a religião primitiva. A história de sua vida e os princípios por ele defendidos são conservados até hoje em Livros Sagrados, nos santuários do sul do Industão. Como Jesus, Krishna, acompanhado de discípulos, saiu a pregar pelas vilas e cidades, sacrificando-se para implantar a doutrina. Alguns historiadores atribuem a ele a autoria de dois Livros Sagrados da coleção religiosa da Índia: Ramaiana e Maabárata. Outros, por falta de comprovação efetiva, julgaram mais prudente reputá-los como de autor desconhecido. Ramaiana significa As Aventuras de Rama e relata em cerca de vinte e quatro mil estâncias, as façanhas do deus Vishnu, o Preservador, quando em sua sétima encarnação apareceu como o príncipe Rama, para salvar a humanidade.

Maabárata, ou A Grande História dos Irmãos, narra os acontecimentos de outra encarnação de Vishnu, como Críxena. São de difícil entendimento, expondo tanto a doutrina, quanto acontecimentos históricos do país. O Maabárata ficou famoso e até hoje é consultado, mesmo fora da Índia, devido ao relato do 18º dia de uma batalha, durante o qual o general Arjuna discute com seu cocheiro Críxena o significado da vida e da morte. Tal narrativa é conhecida como Bhagavad-Gita, ou A Sublime Canção da Imortalidade. Mahatma Gandhi dizia que quando as decepções o avassalavam e não conseguia vislumbrar nenhum raio de luz, recorria ao Bhagavad-Gita, único bálsamo para suas desesperanças. Krishna, além de renovar os princípíos védicos, emprestando-lhes uma cara nova, poética e mais atualizada para a ocasião, falava aos discípulos de sua missão, aconselhando-os a guardar silêncio sobre as Verdades aprendidas com ele: "Revelei-vos os grandes segredos.

Não os digais senão àqueles que os podem compreender. Sois os meus eleitos: vedes o alvo; a multidão só descortina uma ponta do caminho." Por essas palavras fica compreendido que, desde então, já os Mestres pregavam simbolicamente ao povo, reservando a poucos escolhidos os segredos dos Mistérios. As pregações populares de Jesus se assemelham muito as de Krishna. Eis apenas duas delas, para mostrar tal similaridade: "Se conviveres com os bons, teus exemplos serão inúteis; não receeis habitar entre os maus, para os reconduzir ao bem". Quando os fariseus criticavam Jesus por comer com os publicanos e pecadores, Ele disse: "Não são os homens de boa saúde que necessitam de médico, mas sim os enfermos. Não vim chamar à conversão os justos, mas sim os pecadores." - "As obras inspiradas pelo amor de nossos semelhantes, são as que mais pesarão na balança celeste."

Esta máxima representa o "Amai-vos uns aos outros", de Jesus. Todos os ensinamentos de Krishna traduzem nada mais do que os fundamentos védicos, e ponderados e meditados, podem trazer luz à alma, permitindo ao homem encontrar o caminho adequado para seu crescimento espiritual. Krishna forneceu a resposta mais sábia à pergunta constante e milenar dos que reclamam a elucidação da Essência e dos Desígnios de Deus: "Só o Infinito pode compreender o Infinito. Somente Deus pode compreender Deus". Selando sua Obra com o próprio sangue, deixou a Terra, legando à Índia a mais bela e verídica concepção do Universo e da Vida. Nesse ideal superior ela se manteve durante milhares de anos.

C.A.C.P.

III - BRAMANISMO (3):

A - Introdução à filosofia oriental em geral.

485. Como no Ocidente, também no Oriente houve um longo período pré-filosófico, sem suficiente sistematização e validade racional, até que surgissem os primeiros pensadores adequadamente denominados filósofos. O pensamento mágico e mítico por muito tempo dominou as mentes, depositando-se em uma literatura do tipo sacral. Pode-se mesmo admitir que no Oriente, apesar da antiguidade do seu pensamento, mais tempo foi necessário a fim de que se formasse um pensamento nitidamente filosófico.

No Ocidente, ainda que isto não ocorresse no mundo semítico, aconteceu com rápida definição entre os povos helênicos. Tão logo aconteceu o desenvolvimento da filosofia helênica, ou grega, ela passou a influenciar o pensamento judaico, sobretudo a partir de Alexandria. Mais adiante acontecerá o mesmo com os árabes, que receberão a filosofia também a partir dos gregos. Desta sorte, o pensamento judaico e árabe ficaram desde logo inseridos no pensamento ocidental.

No Oriente, por estar mais remoto, o mesmo acontecerá somente na aurora dos tempos modernos; então a ciência positiva passou em bloco àquela região, sem qualquer remodelação; a filosofia, porém, somente passou como que por filtragem, influenciando com maior profundidade os setores sociais mais críticos, enquanto nos meios mais sacrais foi provocando uma revisão de posições muito paulatinamente.

486. Divisão da filosofia oriental em geral. Inicialmente ocorreu o distanciamento geográfico: um pensamento na Índia e outro na China, sem contato visível entre um e outro, como também não com o Ocidente.

Depois este contato dos países orientais entre si, e de todo o Oriente com o Ocidente, ocorrerá. No que se refere à religião aconteceu o encontro do Cristianismo e do Budismo, este já transportado anteriormente da Índia para toda a Ásia. No que se refere à mesma filosofia, o contato se deu imediatamente mas com efeito paulatino.

A divisão que mais importa é a cronológica, típica da história, e que se refira à épocas, períodos e fases. Ela se dá em separado para a filosofia de cada região. No distante passado não ocorria a mesma dinâmica de pensamento na Índia, na China, Japão, sudeste asiático.

Importa ainda a divisão material, meramente doutrinária. Considerando uma certa inalterabilidade do pensamento dominante, a este se pode denominar ortodoxo, aos demais heterodoxos. Por isso uma dualidade fundamental pode redividir tematicamente, em cada época, período e fase, a filosofia dos países do Oriente. Mas pode haver espaços cronológicos em que domina somente uma das formas de pensamento, como é, por exemplo, o caso do bramanismo no seu período inicial.

1. Filosofia na Índia, até o século dezesseis.

B - Introdução especial à filosofia da Índia.

487. Desde a mais alta antiguidade o pensamento religioso e filosófico da Índia permaneceu quase o mesmo. Ainda que houvesse variações, elas se processavam em torno do mesmo eixo, o bramanismo, o qual modernamente veio a se denominar também hinduísmo. Importa por isso considerar primeiramente o bramanismo, como se fosse o pensamento ortodoxo, e depois os modos de pensar heterodoxos eventualmente aparecidos, como por exemplo, o jainismo e o budismo, este último com sucesso principalmente fora da Índia.

488. Definição do bramanismo como principal filosofia hindu. O tema da história da filosofia indiana se reduz praticamente ao bramanismo, neste caso entendido vastamente; os conceitos se regem por um diferencial, que define as doutrinas, ora como mais ortodoxas ao eixo central do bramanismo, ora como mais heterodoxas.

Didaticamente, pois, - antes de seguir pela sequência cronológica, como é essencial à história da filosofia, - importa conceituar generalizadamente o bramanismo como um todo, até porque não é um conceito do cotidiano fora da Índia. Quanto ao tema dominante, a filosofia oriental se ocupa do humano, ainda que não enfaticamente. Na Índia o humano se concentrou no homem como integrado numa visão metafísica da realidade universal, em que o religioso sempre é um ingrediente.

O mundo da natureza é menos visado. Talvez por isso mesmo o saber oriental correu sempre o risco de se evadir para fantasias metafísicas, sem os pés na realidade imediata do homem. As comparações com outras filosofias muito importam, mas se devem fazer com algum cuidado. De certo modo, assemelha-se a filosofia da Índia à tendência platônica, sobretudo neoplatônica, e menos à aristotélica.

Um pouco diferente, o humano chinês se verteu para o ético e o pragmático. Na filosofia do Ocidente, onde ela começou preocupada com a natureza, o humano se tornou tema dominante a partir de Sócrates, continuando a sê-lo no curso do período pós-socrático; ainda que houvesse algum recuo durante a Idade Média, o humano voltou com nova força a partir da Renascença, combinando-se ao mesmo tempo com o estudo da natureza posta a serviço do homem.

489. Importa distinguir entre:

- Brama como nome de um conceito básico da realidade.

- Brama como religião, a qual têm ainda uma influente casta sacerdotal.

O nome Bramanismo se formou a partir de braman, sacerdote que oferece a Brama, e o sufixo doutrinário -ismo. Etimologicamente Brama deriva do sânscrito Brahman, no contexto da radical brh, com o significado fundamental ser grande, forte, absoluto, capaz de criar. Consequentemente, Brama é Criador. Entretanto, o conceito de Brama se tem mostrado flexível, mais ou menos como no Ocidente o conceito de ente; Brama todavia sofreu os efeitos de uma outra cultura, outros estilos, e principalmente das fragilidades do monismo oriental, muito atingido por antropomorfismos, enquanto ente conservou sua limpidez de conceito da filosofia.

Brama é o princípio mais geral da realidade do mundo como um todo, com caráter de ser indeterminado, mas determinável nas mais variadas formas da realidade, que continua sempre. Brama contêm todos os vícios do conceito de Deus na imaginação das religiões ocidentais. Em algumas formas históricas de bramanismo, Brama assumiu a forma personificada. Brama é a primeira e a principal pessoa do hinduísmo, já desde a antiguidade. Geralmente é imaginado como primeira pessoa na Trindade hindu, em que se compõe com Siva e Vichnu. Liga-se ao conceito de Bramao de Atman, etimologicamente respiração, e significando o Eu interno.

Como religião, bramanismo é a forma primitiva do atual hinduísmo, com fundamento nos escritos considerados sagrados e revelado dos livros chamados Vedas. Trata-se de uma religião indo-européia trazida pelos arianos, quando, a partir do Norte, invadiram a região pelos anos 2000 e 1500 a.C. A compreensão bramanista da realidade é panteísta, com transformações em que participam deuses secundários e espíritos humanos em repetidas metempsicose. Oração e penitência possibilitam maior conhecimento e a perfeição da alma, ou atma.
O bramanismo é ritualista, isto é, as cerimônias têm eficácia por si mesmas, independentemente da crença.

Comparando, o bramanismo se aproxima do ritualismo cristão, apesar das grandes diferenças; todavia esta aproximação se dá mais com a Igreja católica, a qual acredita em 7 sacramentos (ou mistérios) e pratica os sacramentais (por exemplo, água benta), do que das formas denominadas protestantes, com menor número de ritos, para em vez, insistir na fé. Como a religião hindu, também os cristãos têm o rito fundamental da purificação pelo batismo, que é, aliás um elemento oriental com antiga penetração no Ocidente.

O bramanismo, além dos rituais de ablução, oferece também cereais, partes de carne (parte comidas, parte queimadas). Os praticantes destes ritos supõem conseguir vantagens junto às forças cósmicas de Brama. São muito complicados os ritos bramânicos, as vezes ditos conservados como segredo dos brâmanes, os quais por este meio conseguem posição de destaque. Em decorrência da complexidade do ritual da religião bramanista, o sacerdote se tornou uma casta significativa.
No Ocidente as práticas rituais diminuíram mais cedo que na Índia. Restam apenas nas formas da ceia sagrada (a missa, no caso da Igreja católica) e em algumas práticas introduzidas por influência africana através da escravidão.

490. Divisão cronológica da filosofia indiana, em especial da brâmane. Depois de obtido um conceito genérico do bramanismo, importa examinar como se desenvolveu cronologicamente. Três são as épocas da história da filosofia da Índia, e que se dizem principalmente da filosofia brâmane. Entretanto variam os historiadores em determinar as datas de limite, mas todas conservam alguma analogia com a divisão do pensamento ocidental. De acordo com a classificação de H. Von Glasenapp, em A filosofia dos indianos (Die Philosophie der Inder, 1949) é aceitável a divisão em três épocas, depois redivisíveis em períodos e fases:

I - antiga ou arcaica (antes do ano 1000 até 550 a.C.) (vd I);
II - clássica (550 a.C. até 1000 d.C.) (vd II);
III - escolástica (século 11 em diante) (vd III).

C - Época antiga do Bramanismo hindu (até 1000 a.C.)

491. O bramanismo, ou seja a filosofia indiana da época antiga (ou primeira), se redivide em três períodos, caracterizados pelo que se encontra em três modelos sucessivos de livros védicos:
a) Período védico primitivo (até 1000 a.C.), com 4 livros sagrados, os Vedas, documento mais antigo da cultura sânscrita;
b) Período bramânico (1000 a 750 a.C.), também arcaico, marcado pelos Brâmanas, como se denominaram os mais antigos comentários dos Vedas
c) Período dos primeiros Upanishads (750-550 a. C.), também comentários aos Vedas, com textos agora mais definidamente filosóficos. Sobretudo ao segundo destes períodos se denomina usualmente como sendo bramânico.

a - Período védico primitivo da filosofia hindu (até ano 1000 a.C.).

492. Vedas (vd 1a-mega 9807). Como palavra, o sânscrito Vedas significa conhecimentos. Considere-se que o sânscrito é a língua dos indo-europeus, vindos do Ocidente Norte para a Índia, entre 2000 e 1500 a.C., e que se tornou a primeira língua indo-européia a se dotar dos recursos da escrito.

Vedas é a mais antiga coleção de livros sagrados da religião brâmane, praticada pelos indo-europeus, que haviam invadido a Índia. Em parte penetrada também entre os drávidas, a preexistente população, o bramanismo fez-se a religião principal da Índia. Em consequência os Vedas se tornaram importantes no contexto hindu, como a Bíblia no contexto Ocidental. Já não pertencem à coleção dos Vedas os textos posteriores conhecidos pela denominação genérica Upanishad (vd 1a-mega), mas eles ajudam a compreensão da doutrina contida nos Vedas, ainda que as vezes estejam em desacordo com eles. Esteja-se advertido sobre a distinção entre os Vedas (dos brâmanes) e a coletânea budista, denominada Tipitaca (ou Três cestos), com várias versões, entre outras Hinajana (ou Pequeno veiculo), Majana (ou Grande veiculo) (vd 1a-mega 9815,3).

Não é clara a cronologia dos Vedas, nem a classificação. Pode-se também discutir, sobre a crença, se eles efetivamente são textos revelados, a semelhança do que se faz no Ocidente sobre a Bíblia e o Alcorão. A coleção fundamental dos Vedas é Samhita, ou coleção de hinos, ao qual se acresceram os Brâmanas, os mais antigos comentários aos Vedas. Redivide-se Samhita em Quatro Vedas.

- Primeiro Veda - Rigveda (vd) (= Veda das estrofes) - é o documento mais antigo da literatura hindu, remontando provavelmente ao ano 1500 a. C., com 1.028 hinos. Eis uma espécie de antologia, originada de diversas famílias de sacerdotes, e finalmente coletadas. A maioria se refere a oferendas de sacrifícios, algumas sem relação com o culto. Independentemente do valor interno, o Primeiro Veda é valiosíssimo pela sua antiguidade.

- Segundo Veda - Yajur Veda (= Veda das fórmulas) - , de interesse litúrgico, se conservou sob formas diversificadas: algumas formas apresentam somente as palavras litúrgicas, e se denominam Yajur Blanka Vedo; outras apresentam o mesmo, aduzindo comentários em prosa, e constituem o Yajur Nigra Vedo.

- Terceiro Veda - Sama Veda (= Vedas das melodias) - coleção de estrofes acompanhas de notações musicais para o canto de culto, escolhidas principalmente do Rig Veda.

- Quarto Veda - Atharva Veda uma coleção de hinos e fórmulas rituais, com algumas semelhanças com o Rigveda. Os hinos revelam alguns contextos especulativos. Os rituais se referem à lustrações purificatórias, sortilégios, encantos, exorcismos contra maus espíritos, imprecações contra os inimigos, fórmulas mágicas para cura de enfermidades, cerimônias nupciais e fúnebres.


493. Vedismo (vd 1a-mega 9808). Do ponto de vista de conteúdo, os Vedas apresentam uma pluralidade de doutrinas, cujo todo é denominado vedismo, em que se destacam as teológicas. Com referência ao caráter revelado dos Vedas, é afirmado que a revelação aconteceu aos rishis, sábios ascetas da antiguidade hindu. Estes receptadores da revelação são honrados pelos seus pósteros quase como seres endeusados.

Em princípio, a revelação é possível, mas não pode ser aceita ingenuamente sem prova adequada. Um grande número de religiões acreditam terem sido reveladas por Deus, e como elas se contradizem entre si, cada uma passa a considerar falsa a outra. A questão geralmente se torna difícil, quando os textos são antigos e não permitem mais uma avaliação conduzida com seriedade epistemológica. Acontece com os Vedas as mesmas dificuldades das religiões semitas, das quais algumas já desapareceram, outras se conservam, difundindo-as algumas vastamente.

A filosofia dos Vedas é simplista, à semelhança do que sucede com os textos sagrados primitivos de todos os povos em relação ao pensamento ulterior; mas este pensamento simplista oferece um valor histórico considerável, por estar na origem de um processo que teve continuidade. Mais ortodoxas umas, mais heterodoxas outras, as formas posteriores de pensamento, nasceram geralmente da mesma fonte primitiva. É marcante que, desde os primeiros Vedas, ocorre na Índia uma concepção de tendência modista. O mundo é concebido como um só processo em mudança.

Um hino do Rigveda fala da criação do mundo, a partir de uma unidade original, por meio da divisão em contrários opostos. Em outro hino é apresentado Prajapati, Senhor das criaturas, manifestando-se como remoto Ovo de Ouro - Hiranyagarbha - , do qual tudo veio. Ainda outro hino fala sobre o gigante cósmico Purusha-Sukta, sacrificado pelos deuses no começo dos tempos, de cujas partes vieram todas as coisas existentes, também os homens e as castas. A tendência modista da filosofia hindu representa um desenvolvimento da capacidade de pensar, porque ela consiste em reduzir a multiplicidade superficial em unidades progressivamente mais vastas.

Comparando, advirta-se que a filosofia pré-socrática grega, ainda que se ocupasse de preferência da natureza, a concebia à base de elementos fundamentais, aos quais dotava de propriedades, como serem eternas e divinas. Mas no Ocidente a filosofia nasceu como resultado do logicismo decorrente da evolução técnica da civilização, e portanto fora do ambiente sacral das lendas religiosas; Tales o primeiro filósofo grego era um engenheiro e não um sacerdote. Enquanto no Ocidente as religiões influíram a filosofia a partir de fora; não nasceu a filosofia ocidental a partir do orfismo, do cristianismo, do islamismo, mas influenciaram a partir de fora.

Inversamente, no Oriente hindu se conservou por milênios a íntima união entre religião e filosofia, ainda que acontecessem exceções. Os tradicionais deuses vedas são cerca de 33, distribuídos para as diversas funções no céu e na terra. Há um deus da casta sacerdotal, e outros, respectivamente para a dos militares, dos agricultores, negociantes, artistas, etc. Eles são favoráveis aos homens, quando invocados e acumulados de oferendas; em caso contrário, eles criam dificuldades. Alguns deuses cresceram de importância ao longo das gerações. Por exemplo, Siva, Vichnu, são importantes, além do fundamental Brama. Também há um exército de diabos: asuros.

Mas este politeísmo, conforme já advertido, está conceituado com tendência a um fundamento modista. Inversamente, as religiões semíticas imaginam Deus como um pomposo rei, que, no alto dos céus, tem o cosmo como escabelo de seus pés. Ligado ao caráter modista do todo, a filosofia védica atingiu cedo o conceito de lei universal - darmo, - ou ordem - rita- , cujo contrário é a desordem - adarmo, ou arita. Eis a ordem constatável na natureza, cuja periodicidade acontece nas estações de chuva, retorno dos astros, principalmente do sol e da lua, sempre pelos mesmo caminhos. Assim, igualmente, rita governa a vida do homem. Este fato sugeriu à filosofia a eternidade por meio dos ciclos em sucessão, repetindo-se sem cessar).

b). Segundo Período do antigo bramanismo.

494. Pelo ano 1000 a. C., inicia a literatura dos comentários aos Vedas, comentários aos quais se denominou brâmanes, e que terão ciclos vários, indo até cerca do ano 750 a. C. Este é pois um período distinto do anterior. Terminará este segundo período, quando um novo tipo de comentário, denominados Upanishad, superar aos que se vinham fazendo.

Os comentários, denominados Brâmanes , aos Samhita (ou aos quatro Vedas), esclarecem os ritos ou fórmulas, e o que é Brama. Pequenos textos, chamados Aranyaka (= Tratados do arvoredo) têm a função de complementação dos Brâmanes, e são recitados longe da massa popular. É que foram compostos para os ascetas que viviam nas selvas (aranya). Contêm algum aprofundamento religioso-filosófico, em relação aos Brâmanes, aos quais complementam, e por isso têm o caráter de apêndice destes. Apresentam também analogia com os textos upanischad, que depois darão novo desenvolvimento qualitativo.

c). Terceiro período do antigo bramanismo.

495. Inaugura-se um terceiro período (da primeira época do bramanismo) com um novo modelo de comentários aos Vedas, marcando o espaço cronológico de 750 a 550 a. C. Os novos comentários se denominam Upanishad.

A este terceiro período pertencem os primeiros Upanishad. Dizemos primeiros, porque este tipo de comentários continuará a haver, marcando a segunda época, a clássica, que se fez seguir. Alguns alargam este terceiro período, exatamente porque os upanishad ocorrem nele e na época clássica seguinte.

Note-se ainda que o terceiro período do antigo bramanismo (750-550 a. C.) coincide cronologicamente o da redação dos primeiros livros bíblicos. Igualmente coincide com o início da filosofia grega.

IV - Época clássica da filosofia da Índia (550 a.C.-1000 d.C.). 2216y496.

496. Pela volta do ano 550 a.C., ou um pouco depois, a filosofia da Índia passa a um desenvolvimento significativo, e que por isso se denominou período clássico. Ao mesmo tempo iniciava no Ocidente a filosofia grega, a qual entretanto ganhou contudo maior desenvolvimento, no que se refere à exigência crítica e sistemática.

O bramanismo desdobra-se em sistemas. Na linguagem índia sistema se denomina darçana, cujo sentido fundamental quer dizer ponto de vista. Avaliados em função ao passado védico do bramanismo, uns sistemas são dados como ortodoxos, com destaque o sistema vedanta, enquanto outros são ditos heterodoxos, como o budismo (vd) e o jainismo (vd).

Os seis darçanas ortodoxos são também redivididos em três menores -purva mimansa, vaiçesika e nyaya; e três maiores - vedanta, samkhya, ioga.

A - Vedanta.

497. Como termo sânscrito, significa Fim do Veda, ao qual se acresce agora um esclarecimento. Neste sentido, Vedanta é o sistema de filosofia classificado pela expressão sânscrita Uttara-Mimamsa (= última investigação). O significado do termo contudo é variável.

Vedanta, num sentido mais estrito, é o sistema clássico da filosofia hindu, contido em vários textos, destacando-se o Vedanta-Sutra, atribuído a Badarayana.

No sistema Vedanta, é Brama a única e universal realidade. Caracteriza-se o Vedanta pela interpretação modista panteísta da mente, pela redução do verdadeiro eu humano, ao inconsciente universal, ou Brama.

O objetivo da inteligência é compreender que, no contexto modista panteísta o mundo é vaidade e podridão.

O destino humano está ligado ao karma (vd), que liga a liberdade humana à conduta, com a consequência que a liberdade pode estar sendo adiada.

498. Muitos são os representantes do Vedanta, que floresceu durante um milênio.

Apresenta aspecto de texto fundamental o já citado Vedanta-Sutras, ou Brahma-Sutra, escrito por Badarayana (entre 150 e 300 d.C.).

Todavia o representante mais significativo da filosofia vedanta é Shankara (ou Shamkara) (c. 8-o séc d. C.); é visto também como um dos mais importantes filósofos da Índia de todos os tempos. Foi ele o principal comentarista do Vedanta-Sutra, e sua interpretação pessoal ficou conhecida como advaita, ou teoria do não-dualismo. Acreditou Shankara no caráter revelado dos Vedas (Shruti) e se opôs ao budismo como heresia.

ENC. SIMPOZIO