24 - SIKHISMO (SIQUISMO)

I - História.

O Sikhismo é uma ramificação do HINDUISMO e do ISLAMISMO, resultado de um agudo conflito entre os séculos 12 e 15. O movimento hindu BHAKTI e o islâmico SUFISMO encontraram compatibilidade em certos elementos comuns aos dois.

O início formal do Sikhismo é marcado pela era dos DEZ GURUS, que começa com o GURU NANAK (1469-1538). Ele nasceu na vila de Rai Bhoi di Talvandi, na região do Punjab, atual Paquistão. Sua educação incluía conhecimentos do Hinduísmo e Islamismo. Em seus anos de formação, Nanak conheceu e tornou-se amigo de um muçulmano chamado Mardana, junto com quem compunha hinos. Ambos, hindus e muçulmanos, reuniam-se, para cantar esses hinos num local chamado Sultanpur. Foi ali que Nanak teve uma visão na qual percebeu seu chamado para pregar e ensinar sobre o caminho da ILUMINAÇÃO e de Deus. Conforme a história é relatada, ele desapareceu, enquanto se banhava num riacho e reapareceu depois de três dias de reclusão, para proclamar: "Não existe hindu, não existe muçulmano". Esta frase tornar-se-ia um dos pilares do Sikhismo.

Nanak ensinou pelo resto da vida e fundou o primeiro templo Sikh em Katarpur. Antes de sua morte, em 1538, nomeou seu sucessor, Angad, que se tornou o segundo dos dez gurus. A seguir, listamos os dez, juntamente com as respectivas datas de liderança:

1. Nanak (1469-1538)
2. Angad (1538-1552)
3. Amar Das (1552-1574)
4. Raml Das Sodhi (1574-1561)
5. Arjun Mal (1581-1606) (morreu executado)
6. Hargobind (1606-1644)
7. Har Raj (1644-1661)
8. Hari Khishen (1661-1664)
9. TegK Bahadur (1664-1675) (morreu executado)
10. Gobind Rai (1675-1708).

Embora originariamente o Sikhismo tivesse uma filosofia e teologia pacifista, a execução de dois dos gurus criou sikhs mais militantes nas gerações seguintes. O décimo guru, Gobind Rai, fundou a ORDEM KHALSA, a principal do Sikhismo. Devido ao fato de que ele perdera todos os seus filhos durante o curso de sua vida, não teve desejo de nomear um sucessor. Conseqüentemente, declarou que o reinado dos gurus chegara ao final.

Gobind Rai, entretanto, teve sucessores, os quais enfrentaram duras perseguições na região do Punjab, governada pelos muçulmanos. A tolerância desenvolveu-se gradualmente, quando os afegãos e persas invadiram a região e finalmente assumiram o poder. No início do século 19, foi formado um Estado sikh sob a liderança de Ranjat Singh (1780-1839) e foi sustentado até que os britânicos levaram tropas para a região. Isso ocasionou as duas guerras (1843-46 e 1848-49), que culminaram na derrota dos sikhs e o domínio da Inglaterra. Várias facções desenvolveram-se dentro do Sikhismo no século 19. As relações com os ingleses eram consideravelmente melhores do que fora com os dominadores muçulmanos, mas o massacre de civis em Amritsar em 1919, resultou no crescimento da amargura dos sikhs contra seus "dominadores imperialistas". Muitos deles uniram-se ao movimento de MAHATMA GANDHI contra o domínio britânico.

Em 1947 ocorreram grandes mudanças culturais e demográficas, quando a Índia tornou-se independente. A terra foi repartida no que atualmente é o Paquistão, no norte e oeste; e a Índia ao leste e sul. Devido ao confronto entre os grupos religiosos 2,5 milhões de sikhs foram obrigados a abandonar o Paquistão e mudar-se para a Índia. Isso ocasionou mais violência, quando os muçulmanos, por sua vez, mudaram-se para o Paquistão.

Os sikhs, por causa de seu crescimento, sempre desejaram constituir uma nação independente, o que gerou continuas explosões de violência contra o governo, que culminou com o ataque do exército indiano em junho de I984, contra HARIMANDIR, o santuário sikhs mais sagrado. Em outubro do mesmo ano, a primeira ministra Indira Gandhi foi assassinada por dois de seus guarda-costas. Isso intensificou a tensão entre sikhs e hindus, e precipitou mais violência. Essa tensão diminuiu em 1989, quando o primeiro ministro Rajiv Gandhi anunciou que todos os militantes sikhs presos depois do ataque de 1984 seriam soltos. Os sikhs ainda lutam pela formação de um estado independente

II - Ensinos:

A missão de Nanak era reunir os elementos comuns do Hinduísmo e Islamismo. Mais tarde, portanto, os sikhs foram considerados dissidentes do BRAMANISMO. Nanak rejeitou os dogmas cerimoniais e ritualísticos do Hinduísmo, em prol da compatibilidade.

Arjun, o quinto dos dez gurus, reuniu os muitos escritos e os hinos, que até sua época permaneciam separados e independentes. Este processo de junção continuou até ser concluído pelo décimo guru, Gobind Rai. O volume resultante, que contém as doutrinas do Sikhismo, é chamado de Siri Guru Granth Sahib (também conhecido como Adi Granth), uma antologia dos escritos dos dez gurus, considerada como a bíblia Sikh.

Deus, como confessado no Islamismo, é apenas um. Ele criou todas as coisas. A experiência para se chegar ao conhecimento do Todo-poderoso é alcançada através da MEDITAÇÃO. Os sikhs adotam o conceito hindu da SAMSARA, carma e REENCARNAÇÃO. Ao nascer, o homem tem a oportunidade final de escapar da samsara.

Os sikhs mais zelosos, chamados de santos Khalsa, aderem ao que é conhecido como os cinco K, que são os seguintes: (1)kesa -"cabelos longos", que os Khalsa conservam sem cortar; (2) kangha - "pente'; (3) kacha - "calças curtas"; (4) kachu - "bracelete de metal"; e (5) kirpan -"arma" ou "espada".

Os templos sikhs, que são mais de duzentos na Índia, são chamados GURDWARAS. O principal é o já mencionado Harimandir, em Amritsar. O segundo santuário mais sagrado é Nankana, local de nascimento de Nanak. Embora os sikhs, como os muçulmanos, são terminantemente proibidos de adorar ícones e ídolos, o Adi Grnnth na realidade tornou-se um objeto de devoção. Como acontece no Islamismo, um tempo sagrado, geralmente pela manhã, é reservado para a oração.

III - Conclusão:

Os sikhs e hindus tornaram-se cada vez mais separados uns dos outros, tanto na política como na teologia, apesar da convicção de Nanak de que "não existe hindu, não existe muçulmano". No Sikhismo, todos têm direito de ler os escritos sagrados; eles não são destinados apenas às classes privilegiadas. O Hinduísmo, por outro lado, permite que apenas a elite espiritual, dentro do SISTEMA DE CASTAS, tenha acesso às escrituras. Os sikhs rejeitam as estreitas estruturas sociais do sistema de castas hindu, mas as divisões étnicas ainda persistem, principalmente nos vilarejos rurais com menor acesso à educação.

O Sikhismo tem considerável influência no Ocidente, principalmente através dos ensinamentos de IOGUE BHAJAN e sua forma particular de Shikhismo, conhecida como S1KH DHARMA. Devido à natureza mais radical das idéias de Bhajan, este volume discute o Sikh Dharma separadamente.

IV - O Sikhismo ou Siquismo

É uma religião monoteísta fundada em fins do século XV no Punjabe (região actualmente dividida entre o Paquistão e a Índia) pelo Guru Nanak (1469-1539).

Habitualmente retratado como o resultado de um sincretismo entre elementos do Hinduísmo e do misticismo do Islão (o sufismo), o Sikhismo apresenta contudo elementos de originalidade que obrigam a um repensar desta visão redutora.

A - Principais crenças

Texto do Mul Mantar, a oração principal do sikhismo, em alfabeto gurmukhi.O termo sikh significa em língua panjabi "discípulo forte e tenaz". A doutrina básica do Sikhismo consiste na crença em um único Deus e nos ensinamentos dos Dez Gurus do Sikhismo, recolhidas no livro sagrado dos sikhs, o Guru Granth Sahib, considerado o décimo-primeiro e último Guru.

Para o Sikhismo Deus é eterno e sem forma, sendo impossível captá-lo em toda a sua essência. Ele foi o criador do mundo e dos seres humanos e deve ser alvo de devoção e de amor por parte dos humanos.

O Sikhismo ensina que os seres humanos estão separados de Deus devido ao egocentrismo que os caracteriza. Esse egocentrismo (haumai) faz com que os seres humanos permaneçam presos no ciclo dos renascimentos (samsara) e não alcancem a libertação, que no Sikhismo é entendida como a união com Deus. Os sikhs acreditam no karma, segundo o qual as acções positivas geram frutos positivos e permitem alcançar uma vida melhor e o progresso espiritual; a prática de acções negativas leva à infelicidade e ao renascer em formas consideradas inferiores, como em forma de planta ou de animal.

Deus revela-se aos homens através da sua graça (Nadar), permitindo a estes alcançar a salvação. O Divino dá-se a ouvir, revelando-se enquanto nome. Segundo os ensinamentos do Guru Nanak e dos outros gurus, apenas a recordação constante do nome (nam simaram) e a repetição murmurada do nome (nam japam) permitem os seres humanos libertar-se do haumai.

B - Ética e formas de culto

O Sikhismo coloca ênfase em três deveres, descritos como os Três Pilares do Sikhismo:

Manter Deus presente na mente em todos os momentos (Nam Japam);
Alcançar o sustento através da prática de trabalho honesto (Kirt Karni);
Partilhar os frutos do trabalho com aqueles que necessitam (Vand Chhakna).
Os Sikhs devem tentar vencer os cinco vícios que separam os seres humanos de Deus. Esses vícios (referidos como os "cinco ladrões") são:

- A luxúria (C'ham);
- A ganância (Lob'H);
- O apego às coisas deste mundo (Mo'H);
- A raiva (Kr'odh);
- A soberba (a'Hankar).

O rito principal é o da admissão entre os Khalsa, fraternidade dos "puros", geralmente celebrado na puberdade.
O principal templo sikh, Harimandir Sahib (o Templo de Ouro, em Amritsar), é um lugar de peregrinação. Uma intervenção de tropas indianas ordenada por Indira Gandhi no início dos anos 80 levou à revolta dos sikhs e ao assassinato da primeira-ministra indiana em 1984.

C - História

Khanda, símbolo do Sikhismo. O fundador do Sikhismo, o Guru Nanak, nasceu em 1469 na aldeia de Talwandi, localidade que é hoje conhecida como Nankana Sahib e que está situada a cerca de 65 quilômetros da cidade paquistanesa de Lahore. Pertencia a uma família hindu da casta comerciante dos Khatri.

Uma série de relatos lendários sobre o seu nascimento, os Janamsakhi, escritos cerca de cinquenta anos depois da sua morte, apresentam Nanak como um jovem que gostava da oração e de ler os textos dos sábios do seu tempo.

Após quatro grandes viagens (chamadas Udasis) em direcções opostas, que terão incluído o Tibete, Ceilão, Bengala, Meca e Bagdade, o Guru Nanak pregou a hindus e muçulmanos, captando assim um grupo numeroso de discípulos (sikhs). Segundo os seus ensinamentos, a religião deveria ser um meio de união entre os seres humanos, mas, na prática, esta parecia como que confontar as pessoas. Neste sentido, lamentava de forma especial os enfrentamentos entre hindus e muçulmanos, assim como as práticas de carácter ritual que apartavam o ser humano da busca do divino. A sua intenção era chegar a uma realidade mais além das diferenças superficiais entre as duas religiões, e daí a sua famosa máxima "Não há hindus, não há muçulmanos" (Puratan Janam-sakhi).

O Guru Nanak instituiu o sistema do langar ("cozinha" ou "refeitório comunitário") que se perpetuou até aos nossos dias. O objectivo desta instituição foi fomentar a fraternidade e a igualdade entre os seres humanos. No langar prepara-se o karah prasad, uma refeição sagrada feita à base de farinha, açúcar e manteiga batida. Todos os participantes numa cerimônia religiosa de um templo sikh recebem este alimento, sem distinção de casta, nível econômico ou crenças religiosas.

Após a morte do Guru Nanak sucederam-se nove gurus. Cada um deles contribuiu para a consolidação da religião e da identidade sikh.

Nanak nomeou como seu sucessor não o seu filho, mas um dos seus discípulos mais próximos, Lehna, a quem ele chamou de Angad ("um outro eu"). O Guru Angad (1504/1539-1552) dotou a língua panjabi da escrita gurmukhi.

O Guru Amar Das (1479/1552-1574) aboliu entre os sikhs a prática hindu da sati (o sacrifício das viúvas), bem como o uso do véu (purdah) pelas mulheres. Criou também vinte e dois distritos de pregação.

O Guru Ram Das (1534/1574-1581) comprou um terreno onde mandou escavar um tanque, o Amritsar ("tanque da Ambrosia"), na origem do nome da actual cidade do Penjabe.

O Guru Arjun (1563/1574-1581) ordenou em 1589 a construção, no meio do tanque de Amritsar, do primeiro templo sikh, o Harmandir ("Templo de Hari"), hoje conhecido como o Templo de Ouro. Ele também compilou o livro sagrado da religião, o Guru Granth Sahib, e mandou instalá-lo no templo. Os Mogóis, senhores do Punjabe nesta época, reagem com hostilidade ao crescimento da comunidade sikh, tendo o Guru Arjun sido detido e morto pelo imperador mogol Jehangir.

O Guru Hargobind (1595/1606-1645), perante a perseguição movida aos sikhs, militarizou a religião. Ele acrescentou uma segunda espada à que os cinco gurus já tinham usado. O uso das duas espadas pelo guru representou a concentração na sua pessoa de dois tipos de autoridade, a espiritual (piri) e a temporal (miri). Desenvolveu-se desta forma a idéia da guerra como acto de auto-defesa da comunidade sikh e como garante da ordem e da justiça.

Os dois gurus que o sucederam, o Guru Har Rai (1630/1644-1661) e o Guru Har Khrishan (1656/1661-1664) tiveram uma liderança apolítica. O primeiro tinha um carácter contemplativo e interessou-se pouco pelo aspecto temporal da religião, enquanto que o segundo foi Guru por apenas três anos.

O Guru Tegh Behadur (1622/1664-1676) recusou converter-se ao Islão, tendo sido por esta razão executado pelo imperador mogol Aurangzeb.

O décimo Guru sikh, Gobind Singh (1666/1676-1708), fundou a ordem militar dos Khalsa e criou um rito de iniciação chamado amrit, também conhecido como khande de pahul. Amrit designa a água açucarada, mexida com o sabre de dois gumes, que o iniciado e os outros participantes na cerimônia devem beber.

O século XVIII ficou marcado pela ascensão política do sikhs no Punjabe. Em 1801 Ranjit Singh fundou o reino de Lahore que durou até 1849, ano em que foi anexado pelos Britânicos. Em 1873 a comunidade sikh agrupou-se na Singh Sabha ("Assembléia dos Leões"), um órgão criado como forma de garantir os interesses da comunidade sikh no Punjabe de finais do século XIX, marcado pelo revivalismo religioso islâmico e hindu, bem como pela ação dos missionários cristãos. Em 1920 os sikhs criaram um partido político, o Akali Dal ("Partidários do Intemporal") como o propósito de assegurarem os seus interesses. Este partido opôs-se à partilha do Punjabe entre a Índia e o Paquistão, facto que se consumou em 1947. A maior parte dos Sikhs que viviam no território actualmente paquistanês migraram para a Índia aquando da separação como forma de evitar a perseguição religiosa.

D - O Guru Granth Sahib

Representação artística do ditado do livro sagrado sikh Guru Granth Sahib.Também denominado Adi Granth ("Livro do Começo", "Livro Original"), o Guru Granth Sahib ("o Senhor Mestre Livro") é o livro sagrado do Sikhismo. O décimo guru ordenou antes de falecer que este fosse considerado como o guru eterno, o único guia espiritual.

Trata-se de uma colectânea em panjabi dos hinos religiosos do Guru Nanak e dos seus sucessores, bem como de textos de poetas hindus e muçulmanos. Os sikhs particularmente devotos dedicam-se a ler ininterruptamente as 1430 páginas do livro. Cada casa e cada templo sikh possui o seu exemplar.

Outros escritos sagrados da religião são o Dasam Granth ("Livro do Décimo Guru") e as composições de Bhai Gurdas e Bhai Nand Lal (Bhai, "Irmão").

E - Templos

Os templos sikhs recebem o nome de gurdwaras (anglicização de gurdvârâ, "a porta do Mestre"). Neles ocupa um lugar de privilégio o livro sagrado, o Guru Granth Sahib. A arquitectura destes templos reflecte um estilo mogol tardio influenciado pelo estilo hindu. Não existem neles estátuas e estes não têm qualquer orientação especial.

Visitar diariamente o gurdwara é um dever religioso de todos os sikhs. Está aberto a pessoas de outras religiões, mas todos os visitantes devem trazer a cabeça coberta, descalçar os sapatos e lavar os pés antes de nele penetrarem.

F - Ritos

Após o nascimento de uma criança sikh é hábito levá-la a um gurdwara, onde se abre o Guru Granth Sahib numa página ao acaso para escolher um nome. O nome da criança começará pela primeira letra da primeira palavra da página do lado esquerdo, na parte em que o livro foi aberto.

Uma das cerimônias mais importantes do Sikhismo é a iniciação na ordem Khalsa. Os sikhs que participaram na cerimônia amrit (ou seja, na cerimônia onde bebem a bebida açucarada mexida por um sabre de dois gumes), recebem o título amritdhari ("portador do néctar") e novos nomes, passando a usar os chamados Cinco k´s. Os sikhs que ainda não foram iniciados nesta cerimônia são chamados sahajdhari.

Os homens sikhs utilizam o apelido (sobrenome) Singh ("Leão") depois do nome próprio. As mulheres utilizam Kaur ("Princesa") como segundo nome. A não aceitação pelos sikhs do sistema de castas reflecte-se no facto de muitos sikhs preferirem evitar o uso do apelido, muito ligado à identificação das castas, utilizando somente o seu nome individual seguido de Singh ou Kaur.

G - Homem sikh com barba e turbante. Os Cinco k´s (panj kakke) são cinco símbolos de uso obrigatório, que começam todos pela letra k:

Kesh: cabelo não cortado (no caso dos homens, inclui também barba não cortada);
Kanghâ: pente (guardado dentro da cabeleira em carrapito);
Kara: pulseira de aço;
Kacchâ: calções curtos (usados como roupa interior);
Kirpan: punhal
Os homens seguram o cabelo com um turbante (que podem ser branco ou de cor), enquanto que as mulheres utilizam um lenço. Aqueles que cortaram o cabelo ou a barba são chamados pelos ortodoxos patit, isto, é "decaídos" ou "renegados".

Durante uma cerimônia de casamento sikh (Anand Karaj) os noivos devem dar quatro voltas em torno do Guru Granth Sahib, sendo cada uma dessa voltas acompanhada pelo canto de um hino religioso. A cerimônia é conduzida por um homem ou mulher que foi iniciado na Khalasa. Esta pessoa explica aos noivos os seus deveres matrimoniais.

Os rituais funerários dos Sikhs consistem na recitação de hinos até o corpo estar pronto para a cremação. Uma oração final é dita momentos antes de se cremar o corpo. As cinzas são em geral colocadas nos rios, como o Ganges.

H - Festas religiosas

As principais festas religiosas do Sikhismo ocorrem por altura do aniversário do nascimento dos gurus, em particular do Guru Nanak (meados de Novembro) e do Guru Gobind Singh (meados de Junho).

Os sikhs também celebram o Hola Maholla (meados de Março), que coincide com o festival hindu das cores, o Holi. Durante este festival os sikhs realizam desfiles militares e espectáculos de artes marciais.

Outras festas incluem a celebração da instituição do Khalasa, do Ano Novo (Vaisakhi ou Baisakhi, a meio de Abril) e dos martírios do Guru Arjun (7 de Junho), do Guru Tegh Bahadur (3 de Novembro) e dos dois filhos do Guru Gobind Singh.

I - O Sikhismo hoje

O número de sikhs no mundo é estimado em cerca de 23 milhões, o que fará do Sikhismo a quinta maior religião mundial em número de aderentes. Uns 19 milhões vivem na Índia, e a maior parte de estes no estado do Punjabe.

Existem numerosas comunidades sikhs no Reino Unido, nos Estados Unidos e no Canadá. Também são uma minoria importante na Malásia e Singapura.

A forma literária da língua panjabi, escrita no alfabeto gurmukhi, está muito ligada à religião sikh. De facto, os falantes de panjabi hindus ou muçulmanos utilizam geralmente o hindi e o urdu, respectivamente, como línguas escritas. São principalmente os sikhs quem escreve em panjabi.

Após as eleições indianas de 2004, o Dr. Manmohan Singh tornou-se o primeiro sikh que ocupa o posto de Primeiro Ministro da Índia. É também o primeiro não hindu a ocupar o cargo.

C.A.C.P.