4 - CATOLICISMO

I - DEFINIÇÃO

A - Significado de "Catolicismo"

O Catolicismo (de "católico", por sua vez do grego antigo, "universal") é um nome religioso aplicado a dois ramos do cristianismo. Em uso casual, as pessoas falam de "católicos" ou de "catolicismo", geralmente pretendendo indicar os aderentes à Igreja Católica Romana. No entanto, no seu sentido geral (sem o C maiúsculo), o nome é usado por muitos cristãos que acreditam que são os descendentes espirituais dos Apóstolos em vez de parte de uma sucessão apostólica física; celebram seus cultos de forma litúrgica; creêm em sacramentos como meios de graça; possui uma organização episcopal da Igreja, sendo exemplo disso os católicos romanos.

No seu sentido mais estreito, o termo é usado para referir a Igreja Católica Apostólica Romana, sob o Papado, que tem mais de um bilhão e 100 milhões de fiéis, o que a transforma na maior denominação cristã do mundo. As suas características distintivas são a aceitação da autoridade do Papa, o Bispo de Roma, e a comunhão com ele, e aceitarem na sua autoridade em matéria de "fé" e "moral" e a sua afirmação de "total, supremo e universal poder sobre toda a Igreja".

Esta denominação é frequentemente chamada Igreja Católica Romana, muito embora o seu nome formal seja apenas "Igreja Católica".

B - Os credos e o Catolicismo

A palavra católico surge nos principais credos (definições de fé semelhantes a preces) cristãos, nomeadamente no Credo dos Apóstolos e no Credo Niceno. Os cristãos da maior parte das igrejas afirmam a sua fé "numa única santa Igreja católica e apostólica". Esta crença refere-se à sua crença na unidade última de todas as igrejas sob um Deus e um Salvador. No entanto, neste contexto, a palavra católico é usada pelos crentes num sentido definitivo (isto é, universal), e não como o nome de um corpo religioso. Neste tipo de uso, a palavra é geralmente escrita com c minúsculo, enquanto que o C maiúsculo se refere ao sentido descrito neste artigo.

C - Catolicismo

No cristianismo ocidental, as principais fés a se considerarem católicas, além da Igreja Católica Romana, são a Igreja Católica Antiga, a Velha Igreja Católica, a Igreja Católica Liberal, a Associação Patriótica Católica Chinesa e alguns elementos da anglicanos (os "Anglicanos da Alta Igreja", ou os "Anglo-Católicos"). Estes grupos têm crenças e praticam rituais religiosos semelhantes aos do Catolicismo Romano, mas diferem substancialmente destes no que diz respeito ao estatuto, poder e influência do Bispo de Roma.

As várias igrejas da Ortodoxia de Leste e Ortodoxia Oriental pensam em si próprias como igrejas Católicas no sentido de serem a Igreja "universal". As igrejas Ortodoxas vêem geralmente os "Católicos" Latinos como cismáticos heréticos que saíram da "verdadeira igreja católica e apostólica" (veja Grande Cisma. Os Patriarcas da Ortodoxia Oriental são hierarcas autocéfalos, o que significa, grosso-modo, que cada um deles é independente da supervisão directa de outro bispo (embora ainda estejam sujeitos ao todo do seu sínodo de bispos). Não estão em comunhão com o Papa e não reconhecem a sua reivindicação à chefia da Igreja universal enquanto instituição terrena. Existem também Católicos de Rito Oriental cuja liturgia se assemelha à dos Ortodoxos, e que também permitem a ordenação de homens casados, mas que reconhecem o Papa Romano como chefe da sua igreja.

Alguns grupos chamam a si próprios Católicos, mas esse qualificativo é questionável: por exemplo, a Igreja Católica Liberal, que se originou como uma dissensão da Velha Igreja Católica mas que incorporou tanta teosofia na sua doutrina que já pouco tem em comum com o Catolicismo.

D - Catolicismo Romano

A principal e maior denominação Católica é a "Igreja Católica Apostólica Romana". Tem esse nome porque todos os seus aderentes estão em comunhão com o Papa e a maior parte das paróquias seguem o Rito Latino ou Romano na prece, embora haja outros ritos.

De acordo com sua doutrina tradicional, O Papa, Bispo de Roma e Sucessor de S. Pedro, é o perpétuo e visível princípio e fundamento da unidade da Igreja. É o vigário de Cristo, cabeça do colégio dos Bispos e pastor de toda a Igreja, sobre a qual, por instituição divina, tem poder, pleno, supremo, imediato e universal.

Fora da comunhão com o Bispo de Roma, existem outras denominações. Só no Brasil, são mais de setenta denominações de igrejas brasileiras: como a Igreja Católica Apostólica Brasileira, Velha Igreja Católica, Igreja Católica Carismática, Igreja Católica Conservadora do Brasil, Igreja Católica Primitiva, entre outras.

A Igreja Católica Apostólica Romana cresceu de maneira extraordinária após a conversão de Constantino, que concedeu liberdade de culto aos cristãos (que antes eram perseguidos), através do Edito de Milão. Acabando com a perseguição aos cristãos, Constantino incluiu modificações contundentes nas estruturas do Império Romano, como a adoção da cruz no uniforme dos seus soldados, símbolo miraculoso visto por ele durante a quase perdida batalha com Mascentius, onde, após a visão, venceu o conflito.

Após conseguir, sem mais entraves, penetrar na sociedade romana, o cristianismo oficial do Império Romano (tornado religião do Estado pelo Imperador Teodósio) tornou-se uma arma importante para a unificação do império e para a consolidação de suas fronteiras.

Depois de Constantino, o primeiro Imperador Romano a se converter ao cristianismo oficial foi Justiniano, o último dos imperadores romanos.

E - Anglo-Catolicismo

O Anglicanismo, sendo embora uma única igreja, está na prática dividido em dois ramos, os "Anglicanos da Alta Igreja", também chamados Anglo-Católicos e os "Anglicanos da Baixa Igreja", também conhecidos como Evangélica. Embora todos os elementos da Comunhão Anglicana recitem os mesmos credos, os Anglicanos da Baixa Igreja tratam a palavra Católico no credo como um mero sinónimo antigo para universal, ao passo que os Anglicanos da Alta Igreja a tratam como o nome da igreja de Cristo à qual pertencem eles, a Igreja Católica Romana, e outras igrejas da Sucessão Apostólica.

O Anglo-Catolicismo tem crenças e pratica rituais religiosos semelhantes aos do Catolicismo Romano. Os elementos semelhantes incluem a celebração de sete ritos, tendo o Batismo e a Santa Ceia como sacramentos; a crença na Real Presença de Cristo na Eucaristia; a devoção à Virgem Maria e aos santos (mas não hiperdulia); a descrição do seu clero ordenado como "padres"; o vestir vestimentas próprias na liturgia da igreja, e por vezes até mesmo a descrição das suas celebrações Eucarísticas como Missa. A sua principal divergência do Catolicismo Romano reside no estatuto, poder e influência do Bispo de Roma. Também na crença e aderência aos 39 Artigos de Religião, que definiu o Anglicanismo como denominação protestante. Usa também o Livro de Oração Comum em sua liturgia.

O desenvolvimento da ala Anglo-Católica do Anglicanismo teve lugar principalmente no Século XIX e está fortemente associado ao Movimento de Oxford. Dois dos seus líderes, John Henry Newman e Henry Edward Manning, ambos ordenados cléricos anglicanos, acabaram por aderir à Igreja Católica Romana e por se tornarem Cardeais.

Embora o termo Catolicismo seja geralmente usado para designar o Catolicismo Romano, muitos Anglo-Católicos usam-no para se referirem também a si próprios, como parte da Igreja Católica geral (e não apenas Romana). Na verdade, algumas igrejas anglicanas, como a Catedral de St. Patrick em Dublin ou a "Catedral Nacional" da Igreja da Irlanda (anglicana), referem-se a si próprias como parte da "Comunhão Católica" e como "Igrejas Católicas" em anúncios dentro e em torno delas.

II - História e influência

Pintura do martírio de São Pedro - a Igreja Católica Apostólica Romana acredita ter sido fundada por Cristo, que teria apontado Pedro, depois Bispo de Roma, como chefe dos Apóstolos (cf. Mt 16, 18).A igreja cristã na região do Mediterraneo foi organizada sob cinco patriarcas, os bispos de Jerusalém, Antióquia, Alexandria, Constantinopla e Roma.

O Bispo de Roma era tido pelos outros Patriarcas como "o primeiro entre iguais", embora o seu estatuto e influência tenha crescido quando Roma era a capital do império, com as disputas doutrinárias ou procedimentais a serem frequentemente remetidas a Roma para obter uma opinião. Mas quando a capital se mudou para Constantinopla, a sua influência diminuiu. Enquanto Roma reclamava uma autoridade que lhe provinha de São Pedro (que, segundo a tradição, morreu naquela cidade, e é considerado por ela o primeiro papa) e São Paulo, Constantinopla tornara-se a residência do Imperador e do Senado. Uma série de dificuldades complexas (disputas doutrinárias, Concílios disputados, a evolução de ritos separados e se a posição do Papa de Roma era ou não de real autoridade ou apenas de respeito) levaram à divisão em 1054 que separou a Igreja entre a Igreja Católica no Ocidente e a Igreja Ortodoxa Oriental no Leste (Grécia, Rússia e muitas das terras eslavas, Anatólia, Síria, Egipto, etc.). A esta divisão chama-se o Grande Cisma.

A grande divisão seguinte da Igreja Católica ocorreu no século XVI com a Reforma Protestante, durante a qual se formaram muitas das denominações Protestantes.

III - A IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA

A Igreja Católica Apostólica Romana, ou simplesmente Igreja Católica[1], na perspectiva do número de fiéis, é considerada a principal organização religiosa do mundo e o ramo mais importante do cristianismo [2]. Ela se define notavelmente pelas palavras do Credo, como:

« una »: nela subsiste a única instituição fundada por Cristo para reunir o povo de Deus;
« santa »: Esposa de Cristo, por sua ligação única com Deus e que visa, através dos sacramentos, santificar e transformar os fiéis;
« católica »: espalhada por toda a Terra e portando a integralidade do depósito da fé;
« apostólica »: fundamentada na doutrina dos apóstolos cuja missão recebeu sem ruptura.
Um dos traços que a caracterizam é o reconhecimento do Bispo de Roma, chamado Papa, como sucessor direto do apóstolo Pedro e como vigário de Jesus Cristo. O atual Papa é o alemão Joseph Ratzinger, eleito em 19 de Abril de 2005 como sucessor do Papa João Paulo II, tendo escolhido o nome de Papa Bento XVI. A adjetivação « católica » tanto é aplicada à Igreja Latina (de « rito latino ») quanto às Igrejas orientais católicas [3]. São mais numerosos os fiéis que pertencem à primeira, mas são igualmente « católicos » os batizados em qualquer das Igrejas particulares, de rito diferenciado, mas da mesma fé e comunhão com o Papa.

A - Eclesiologia

A Estrutura e Prática da Igreja Católica Apostólica Romana

B- Doutrinas Distintivas

Os católicos acreditam na Trindade de Deus enquanto Pai, Filho e Espírito Santo, na divindade de Jesus, e na salvação através da fé em Jesus Cristo e por amar a Deus acima de todas as coisas. Os pontos de vista católicos diferem dos ortodoxos em alguns pontos, incluindo a natureza do Ministério de S. Pedro (o Papado), a natureza da Trindade e o modo como ela deve ser expressa no Credo Niceno, e o entendimento da salvação e do arrependimento. Os católicos divergem dos protestantes em vários pontos, incluindo a necessidade da penitência, o significado da comunhão, a composição do Cânone das Escrituras, o purgatório e o modo como se atinge a salvação: os protestantes acreditam que a salvaçãos e atinge apenas através da fé (sola fide), ao passo que os católicos pensam que a fé deve ser expressa em boas obras. Esta divergência levou a um conflito sobre a doutrina da justificação (na Reforma ensinava-se que "nós justificamo-nos apenas pela fé"). O diálogo ecuménico moderno levou a alguns consensos sobre a doutrina da justificação entre os católicos romanos e os luteranos, anglicanos e outros.

C - Organização e Cargos da Igreja Católica Romana

Estruturalmente, a Igreja Católica tem uma estrutura hierarquizada. O seu Chefe, o Papa, governa-a desde a Cidade do Vaticano, um estado independente no centro de Roma, também conhecido na diplomacia internacional como a Santa Sé. O Papa é eleito pelo Colégio dos Cardeais, conhecidos como Príncipes da Igreja. Só o Papa pode designar os membros da Hierarquia da Igreja acima do nível de presbítero. Todos os membros da hierarquia respondem perante o Papa e a sua corte papal, chamada Cúria. Os Papas exercem o que é chamado Infalibilidade Papal, isto é, o direito de definir declarações definitivas de ensinamento Católico Romano em matérias de fé e moral. Na realidade, desde a sua declaração no Concílio Vaticano Primeiro, em 1870, a infalibilidade papal só foi usada uma vez, pelo Papa Pio XII, nos anos 50.

A autoridade do Papa vem da crença de que ele é o sucessor direto do Apóstolo Simão Pedro, chamado Príncipe dos Apóstolos, e, como tal, o Vigário de Cristo na Terra. A Igreja tem uma estrutura hierárquica de títulos que são, em ordem descendente:

Papa, o bispo de Roma e também Patriarca do Ocidente. Os que o assistem e aconselham na liderança da igreja são os Cardeais;
Patriarcas são os chefes das Igrejas Católicas que não são a Igreja Latina. Alguns dos grandes arcebispos Católicos Romanos também são chamados Patriarcas; entre estes contam-se o Arcebispo de Lisboa e o Arcebispo de Veneza;
Bispo (Arcebispo e Bispo Sufragário): são os sucessores diretos dos doze apóstolos. Receberam o todo das ordens sacramentais;
Presbítero (Monsenhor é um título honorário para um presbítero, que não dá quaisquer poderes sacramentais adicionais): inicialmente não havia Presbíteros (padres) per se. Esta posição evoluiu a partir dos Bispos suburbanos que eram encarregados de distribuir os sacramentos mas não tinham jurisdição completa sobre os fiéis.
Diácono: possui o primeiro grau do Sacramento da Ordem. É ordenado não para o sacerdócio, mas para o serviço da caridade e a proclamação da Palavra de Deus. Auxilia diretamente os presbíteros e bispos.
Existem ainda cargos menores: Leitor e Acólito (desde o Concílio Vaticano Segundo, o cargo de sub-diácono deixou de existir). As ordens religiosas têm a sua própria hierarquia e títulos. Estes cargos tomados em conjunto constituem o clero e no rito ocidental só podem ser ocupados, normalmente, por homens solteiros. No entanto, no rito oriental, os homens casados são admitidos como padres diocesanos, mas não como bispos ou padres monásticos; e em raras ocasiões, permitiu-se que padres casados que se converteram a partir de outros grupos cristãos fossem ordenados no rito ocidental. No rito ocidental, os homens casados podem ser ordenados diáconos permanentes, mas não podem voltar a casar se a esposa morrer ou se o casamento for anulado.

O Papa é eleito pelo Colégio dos Cardeais de entre os próprios membros do Colégio (o processo de eleição, que tem lugar na Capela Sistina, é chamado Conclave). Cada Papa continua no cargo até a sua morte ou até que abdique (o que só aconteceu duas vezes, e nunca desde a Idade Média).

D - Organização por região

Praça de São Pedro, no Vaticano.A unidade geográfica e organizacional fundamental da Igreja Católica é a diocese (nas Igrejas Católicas do Oriente, a unidade equivalente chama-se eparquia). Esta corresponde geralmente a uma área geográfica definida, centrada numa cidade principal, e é chefiada por um bispo. A igreja central de uma diocese recebe o nome de catedral, da cátedra, ou cadeira, do bispo, que é um dos símbolos principais do seu cargo. Dentro da diocese, o bispo exerce aquilo que é conhecido como um ordinário, ou seja, a autoridade administrativa principal. (As sedes de algumas ordens religiosas são semi-independentes das dioceses a que pertencem; o superior religioso da ordem exerce jurisdição ordinária sobre elas.) Embora o Papa nomeie bispos e avalie o seu desempenho, e exista uma série de outras instituições que governam ou supervisionam certas actividades, um bispo tem bastante independência na administração de uma diocese. Algumas dioceses, geralmente centradas em cidades grandes e importantes, são chamadas arquidioceses e são chefiadas por um arcebispo. Em grandes dioceses e arquidioceses, o bispo é frequentemente assistido por bispos auxiliares, bispos integrais e membros do Colégio dos Bispos não designados para chefiar uma diocese. Arcebispos, bispos sufragários (designação frequentemente abreviada simplesmente para "bispos"), e bispos auxiliares, são igualmente bispos; os títulos diferentes indicam apenas que tipo de unidade eclesiástica chefiam. Muitos países têm vicariatos que apoiam as suas forças armadas (ver Ordinariato Militar).

Quase todas as dioceses estavam organizadas em grupos conhecidos como províncias, cada uma das quais era chefiada por um arcebispo. Embora as províncias continuam a existir, o seu papel foi substituído quase por completo por conferências episcopais, geralmente constituídas por todas as dioceses de um determinado país ou grupo de países. Estes grupos lidam com um vasto conjunto de assuntos comuns, incluindo a supervisão de textos e práticas litúrgicas para os grupos culturais e linguísticos da área, e as relações com os governos locais. A autoridade destas conferências para restringir as actividades de bispos individuais é, no entanto, limitada (os teólogos tradicionais consideram esta autoridade basicamente irrestrita). As conferências episcopais começaram a surgir no princípio do século XX e foram oficialmente reconhecidas no Concílio Vaticano Segundo, no documento Christus Dominus.

O Colégio dos Cardeais é o conjunto dos bispos católicos romanos que são conselheiros especiais do Papa. Um presbítero (padre) pode ser nomeado Cardeal, desde que se "distinga em fé, moral e piedade". Se um cardeal que ainda não tiver sido ordenado bispo for eleito Papa, deverá receber a ordenação episcopal mais tarde. (ver a Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis[4]) Todos os cardeais com menos de 80 anos têm o direito de votar para eleger um novo papa depois da morte do seu predecessor. Os cardeais eleitores são quase sempre membros do clero, mas no entanto o Papa concedeu no passado a membros destacados do laicado católico (por exemplo, a teólogos) lugares de membro do Colégio, após ultrapassarem a idade eleitoral. A cada cardeal é atribuída uma igreja ou capela (e daí a classificação em bispo cardeal, padre cardeal e diácono cardeal) em Roma para fazer dele membro do clero da cidade. Muitos dos cardeais servem na cúria, que assiste o Papa na administração da Igreja. Todos os cardeais que não são residentes em Roma são bispos diocesanos.

As dioceses são divididas em distritos locais chamados paróquias. Todos os católicos devem freqüentar e sustentar a sua igreja paroquiana local. Ao mesmo tempo que a Igreja Católica desenvolveu um sistema elaborado de governo global, o catolicismo, no dia a dia, é vivido na comunidade local, unida em prece na paróquia local. As paróquias são em grande medida auto-suficientes; uma igreja, freqüentemente situada numa comunidade pobre ou em crescimento, que é sustentada por uma diocese, é chamada "missão".

A Igreja Católica Romana sustenta muitas ordens (grupos) de monges, não necessariamente ordenados, e freiras que vivem vidas especialmente devotadas a servir Deus. São pessoas que se juntaram sob um determinado sistema a fim de atingir a perfeita comunhão com Deus.

E- 0s 10 mandamentos

Exitem várias representações dos 10 mandamentos (a Lei de Deus) devido à diversidade de traduções existentes. Aqui estão duas representações que encontramos com maior frequência:

1.REPRESENTAÇÃO
1º Adorar e amar a Deus sobre todas as coisas
2º Não invocar o Santo Nome de Deus em vão
3º Não faras para ti imagens esculpida, Não te encuvarás diante delas nem às serviras.Eu sou o Senhor teu Deus.
4º Honrar pai e mãe
5º Não matar
6º Guardar castidade nas palavras e obras
7º Não furtar
8º Não levantar falsos testemunhos
9º Guardar castidade nos pensamentos e desejos
10º Não cobiçar as coisas alheias
O 3º Mandamento,
Originalmente tirado da Biblia do livro de Exôdo 20

2.REPRESENTAÇÃO
1º Amar a Deus sobre todas as coisas
2º Não tomar o seu Santo Nome em vão
3º Guardar domingos e festas de guarda
4º Honrar pai e mãe
5º Não matar
6º Não pecar contra a castidade
7º Não roubar
8º Não levantar falso testemunho
9º Não desejar a mulher do próximo
10º Não cobiçar as coisas alheias

F - Sacramentos

Baptismo de uma menina. A prática da Igreja Católica consiste em sete sacramentos (veja também sacramentos católicos):

- Batismo,
- Confissão ou Penitência
- Eucaristia,
- Confirmação ou Crisma,
- Sagrado Matrimónio,
- Ordens Sagradas, e
- Unção dos enfermos.

Dentro da fé católica, os sacramentos são gestos e palavras de Cristo que concedem graça santificadora sobre quem os recebe. O Batismo é dado às crianças e a convertidos adultos que não tenham sido antes baptizados validamente (o baptismo da maior parte das igrejas cristãs é considerado válido pela Igreja Católica visto que se considera que o efeito chega directamente de Deus independentemente da fé pessoal, embora não da intenção, do sacerdote).

A Confissão ou reconciliação envolve a admissão de pecados perante um padre e o recebimento de penitências (tarefas a desempenhar a fim de alcançar a absolvição ou o perdão de Deus).

A Eucaristia (Comunhão) é o sacrifício de Cristo marcado pela partilha do Corpo de Cristo e do Sangue de Cristo que se considera que substituem em tudo menos na aparência o pão e o vinho utilizados na cerimónia. A crença católica romana de que pão e vinho são transformados no Corpo e no Sangue de Cristo chama-se transubstanciação.

No sacramento da Confirmação, o presente do Espírito Santo que é dado no baptismo é "fortalecido e aprofundado" (veja o Catequismo da Igreja Católica, para. 1303) através da imposição de mãos e da unção com óleo. Na maior parte das igrejas de Rito Latino, este sacramento é presidido por um bispo e tem lugar no início da idade adulta. Nas Igrejas Católicas Orientais (ver abaixo) o sacramento da crisma é geralmente executado por um padre imediatamente depois do baptismo. As Ordens Sagradas recebem-se ao entrar para o sacerdócio e envolvem um voto de castidade. O sacramento das Ordens Sagradas é dado em três graus: o do diácono (desde Vaticano II um diácono permanente pode ser casado antes de se tornar diácono), o de padre e o de bispo.

A unção dos doentes era conhecida como "extrema unção" ou "último sacramento". Envolve a unção de um doente com um óleo sagrado abençoado especificamente para esse fim e já não está limitada aos doentes graves e aos moribundos.

G - Mandamentos da Igreja Católica Romana

- Assistir missa inteira nos domingos e dias de guarda.
No Brasil os dias santos de guarda são:
Santa Maria, Mãe de Deus - 01 de janeiro
Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo (Corpus Christi) - data variável entre maio e junho: 1ª quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade
Imaculada Conceição de Maria - 08 de dezembro
Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo - 25 de dezembro
- Confessar-se ao menos uma vez por ano.
- Comungar ao menos pela Páscoa.
- Jejuar e abster-se de carne quando manda a Igreja.
Dias de jejum: quarta-feira de cinzas e sexta-feira santa.
Dias de abstinência de carne: sextas-feiras da quaresma.
- O pagamento de Dízimo (10% do salário: tradição desde a Idade Média mas que não se impõe mais aos fieis). Este dízimo não é o mesmo dízimo instituído por Deus e que se destinava à alimentação dos levitas. É um dízimo para sustento da igreja.

H - Liturgia e Prece

O ato de prece mais importante na Igreja Católica Romana é a liturgia Eucarística, normalmente chamada Missa. A missa é celebrada todos os domingos de manhã na maioria das paróquias Católicas Romanas; no entanto, os católicos podem cumprir as suas obrigações dominicais se forem à missa no sábado à noite. Os católicos devem também rezar missa cerca de dez dias adicionais por ano, chamados Dias Santos de Obrigação. Missas adicionais podem ser celebradas em qualquer dia do ano litúrgico, excepto na Sexta-feira Santa, pois neste dia não celebra-se a Missa em nehuma igreja catolica do mundo. Muitas igrejas têm missas diárias. A missa contemporânea é composta por duas partes principais: a Liturgia da Palavra e a Liturgia da Eucaristia. Durante a Liturgia da Palavra, são lidas em voz alta uma ou mais passagens da Bíblia, acto desempenhado por um Leitor (um leigo da igreja) e pelo padre ou diácono. O padre ou diácono lê sempre as leituras do Evangelho. Depois de concluídas as leituras, é feita a homilia por um padre ou diácono. Nas missas rezadas aos domingos e dias de festa, é professado por todos os católicos presentes o Credo Niceno, que afirma as crenças ortodoxas do catolicismo. A Liturgia da Eucaristia inclui a oferta de pão e vinho, a Prece Eucarística, durante a qual o pão e o vinho se transformam na Carne e Sangue de Cristo, e a procissão da comunhão.

O movimento de reforma litúrgica tem sido responsável nos últimos quarenta anos por uma convergência significativa das práticas predicamentais do Rito Latino com as das igrejas protestantes, afastando-as das dos outros ritos católicos, não-latinos. Uma característica dos novos pontos de vista litúrgicos tem sido um "regresso às fontes", que se diz que tem origem na redescoberta de antigos textos e práticas litúrgicas, bem como muitas práticas novas. As reformas litúrgicas pós-conciliares (pós-Vaticano II) incluem o uso da língua vernacular (local), uma maior ênfase na Liturgia da Palavra, e a clarificação do simbolismo. A característica mais visível das reformas é a postura do padre. No passado, o padre virava-se de frente para o altar, ficando, consequentemente, de costas para a congregação. As reformas fizeram com que o padre se voltasse para o povo, ficando entre eles o altar, já que este último é o centro da igreja. Isto simboliza, também, o desejo de que a missa se torne mais centrada nas pessoas. Há, todavia, críticos que não concordam com a natureza da missa pós-Vaticano II (conhecida por vezes como Novus Ordo Missae). Em 2003 foi revelado que a Missa Tridentina pré-Vaticano II estava de novo a ser celebrada na Basílica de S. Pedro (embora não no altar principal) e que o Papa João Paulo II começou a celebrar Missas Tridentinas na sua capela privada no Palácio Apostólico, no Vaticano.

I - Variedade de Ritos

A Igreja Católica é uma federação de 24 Ritos autónomos (sui juris) em comunhão completa uns com os outros e em união com o Papa na sua qualidade de Sumo Pontífice da Igreja Universal (apelidade "Pontífice de Roma" na lei canónica). O Papa, na sua qualidade de Patriarca de Roma (ou Patriarca do Ocidente) é também o chefe da maior das Igrejas sui juris, a Igreja Latina (popularmente conhecida como "Igreja Católica Romana"). As restantes 23 Igrejas sui juris, conhecidas colectivamente como "Igrejas Católicas do Oriente", são governadas por um hierarca que ou é um Patriarca, ou um Arcebispo Principal, ou um Metropolita. A Cúria Romana administra quer as igrejas orientais, quer a igreja ocidental. Devido a este sistema, é possível que um católico esteja em comunhão completa com o Pontífice de Roma sem ser um católico romano.

As Igrejas sui juris utilizam uma das seis tradições litúrgicas tradicionais (que emanam de Sés tradicionais de importância histórica), chamadas Ritos. Os ritos principais são o Romano, o Rito Bizantino, o de Antioquia, o Alexandrino, o Caldeu e o Arménio (existem ainda três Ritos Ocidentais menores, o Rito Ambrosiano, o Rito Bracarense e o Rito Moçárabe). O Rito Romano, usado pela Igreja Latina, é dominante em grande parte do mundo, e é usado pela vasta maioria dos católicos (cerca de 98%). Antigamente havia muitos ritos ocidentais menores, que foram substituídos pelo Rito Romano pelas reformas litúrgicas do Concílio de Trento.

Historicamente, o Santo Sacrifício da Missa no Rito Romano (a "Missa Tridentina") era conduzido inteiramente em Latim eclesiástico, mas no Concílio Vaticano Segundo, no início dos anos 60, foi promulgada uma nova versão da Missa (Novus Ordo Missae), que é celebrada na língua vernacular (local). O serviço correspondente das Igrejas Católicas orientais, a Liturgia Divina, é conduzido em várias línguas litúrgicas, segundo o Rito e a Igreja: as Igrejas de Rito Bizantino usam o grego, o eslavónico, o árabe, o romeno e o georgiano, as igrejas de Ritos Antioquiano e Caldeu usam o siríaco, a Igreja de Rito Arménio usa o arménio e as Igrejas de Rito Alexandrino usam o copta e o ge'ez.

J - Ritos e Igrejas da Igreja Católica

1. Ritos Ocidentais

Igreja Latina
Rito Tridentino (Missal de 1962 - missa tridentina)
Rito Novo (Novus Ordo Missae, 1970 em diante)
Rito Ambrosiano
Rito Bracarense
Rito Galicano
Rito Moçárabe
Uso Anglicano
Rito Bizantino

Igreja Católica Bizantina Albanesa
Igreja Católica Ítalo-Albanesa
Igreja Católica Bizantina Bielorrussa
Igreja Católica Búlgara
Igreja Católica Bizantina Croata
Igreja Católica Bizantina Eslovaca
Igreja Católica Bizantina Georgiana
Igreja Católica Bizantina Grega
Igreja Católica Bizantina Húngara
Igreja Greco-Católica Melquita
Igreja Católica Bizantina Romena
Igreja Católica Bizantina Russa
Igreja Católica Bizantina Rutena
Igreja Católica Bizantina Sérvia
Igreja Greco-Católica Ucraniana
Rito de Antioquia

Igreja Maronita
Igreja Católica Siro-Malancar
Igreja Católica Síria
Rito Caldeu

Igreja Caldeia
Igreja Católica Siro-Malabar
Rito Arménio

Igreja Católica Arménia
Rito Alexandrino

Igreja Católica Copta
Igreja Católica Etíope

K - A fé na igreja católica romana

A fé na Santa Igreja Romana se apóia sob o múnus dos Apóstolos. A fé na Paixão, Morte e Ressurreição do Cordeiro de Deus, Jesus Cristo. Isto implica numa aceitação do sofrimento como via inefável de salvação, se aceito com benevolência e humildade de coração, como disse o nosso Mestre: "Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração". O Católico Romano fiel é aquele que leva a sério a figura de Maria como Mãe Rainha e Mestra do Salvador, do Único Salvador Jesus Cristo. Pois sem ela a salvação não teria acontecido. Ela disse o primeiro sim, sim de uma nova Páscoa, a Páscoa do Amor Supremo. Assim a fé na Santa Igreja Romana se apóia na Trindade, Pai Gerador, Filho Salvador e Espirito Santo Consolador dos que esperam a volta do Messias.

L - Constituição hierárquica da igreja

1.Autoridade suprema
Romano Pontífice
Colégio dos Bispos
Sínodo dos Bispos
Cardeais da Santa Igreja Romana
Cúria Romana
Legados do Romano Pontífice

M - Catolicismo contemporâneo e fenômenos socio-comportamentais

Mapa mostrando a percentagem de fiéis católicos em relação à população de cada país.A Igreja Católica, como muitas outras denominações cristãs, assistiu a um rápido declíneo na sua influência global na sociedade ocidental no fim do século XX. Crenças doutrinárias rígidas em matérias relacionadas com a sexualidade humana são pouco atraentes num mundo ocidental secularizado onde a diversidade de práticas sexuais e a igualdade dos sexos são norma. A generalidade do próprio clero abraçou a ideia do secularismo e tentou diminuir a sua influência na sociedade. Em lugares onde em tempos desempenhou um papel de primeira importância, como o Quebec, a Irlanda ou a Espanha, tem hoje apenas uma fracção da anterior influência. Ao mesmo tempo, no entanto, o Catolicismo Romano vem experimentando uma dramática adesão em África e em partes da Ásia. Ao passo que em tempos os missionários ocidentais serviam como padres em igrejas africanas, em finais do século XX havia um número crescente de países ocidentais que já recrutavam padres africanos para contrabalançar a redução nas suas próprias vocações.

N - Católicos não-praticantes

Assim como vem ocorrendo com outras denominações, em algumas partes do globo há um desinteresse crescente da população com o Catolicismo. Tem-se observado esse fenômeno principalmente em partes da América e da Europa. Um reflexo desse desinteresse é uma grande massa de católicos não-praticantes em países como o Brasil e Portugal. Eles afirmam ser adeptos da religião por freqüentar cerimônias como casamentos e batizados, mas não tomam parte regularmente de ritos como a missa aos domingos. Esses católicos muitas vezes discordam dos ensinamentos morais da Igreja por estes não serem adaptados a modelos do mundo contemporâneo como o relativismo cultural, o ceticismo científico, e a liberalidade sexual. No Censo 2000 feito pelo IBGE, 40% dos que responderam ser católicos no Brasil diziam ser "não-praticantes". Em Portugal, segundo dados da própria Igreja Católica Apostólica Romana apenas 10% da população foi efetivamente a um serviço religioso no momento do Censos 2001.

O - Renovação Carismática no Brasil

Estátua do Cristo Redentor no Rio de Janeiro, Brasil.Os grupos e movimentos onde predominam a participação de leigos ganharam muito destaque no pontificado de João Paulo II, de quem receberam muito apoio. São exemplos disso, o Caminho Neocatecumenal, a Opus Dei, o Regnum Christi, entre outros. Mas nos últimos anos tem se observado um crescimento acentuado, no Brasil, da Renovação Carismática Católica (RCC), pelo fato de estar mais presente na mídia. Este movimento surgido nos EUA em 1966 e trazido ao Brasil em 1969 pelo padre Harold Hams ganhou força em meados dos anos 90 e já responde sozinho por grande parte dos católicos praticantes no país. Esse movimento busca dar uma nova abordagem às formas de evangelização e renovar práticas tradicionais da religião católica. Uma das comunidades carismáticas mais conhecidas é a Canção Nova que é presidida pelo Padre Jonas Abib, a sua sede fica na cidade de Cachoeira Paulista e ela possui um canal de televisão.

Outro ícone da RCC no Brasil é Padre Marcelo Rossi, fenômeno de mídia e cultura de massas surgido no final dos anos 90. Cantando, dançando e fazendo coreografias em missas lotadas e programas de televisão, ele se propõe a levar aos homens a mensagem de Cristo segundo o Catolicismo. Seu estilo já foi criticado por alguns setores da Igreja no Brasil, mas logo obteve mais respeito e aprovação. Padre Marcelo já gravou quatro discos desde 1998, aparece em programas de TV com certa regularidade, possui um programa na Rádio Globo com mais de 100.000 ouvintes em todo o país e suas missas a céu aberto na época da Páscoa atraem milhares de fiéis.

P - Críticas ao catolicismo

A Igreja Católica é uma entidade que tem dois milênios de história, sendo uma das instituições mais antigas do mundo contemporâneo. Historicamente, as críticas a esta Igreja já tiveram muitas formas e partiram de diversos pressupostos ao longo das gerações. Algumas vezes essas críticas tiveram grandes conseqüências, como as contestações morais e teológicas de Martinho Lutero no século XVI, que levaram ao nascimento do protestantismo.

No contexto atual, as críticas tendem a centrar-se em dois pontos. Em primeiro lugar, a história dessa instituição possui episódios que, em maior ou menor grau, são vistos por muitos como injustos e em contradição com a mensagem cristã que a fundamenta. Um outro aspecto importante é que muitos dos conceitos e modelos de comportamento adotados na sociedade atual parecem estar se distanciando de seus ensinamentos (ou em oposição a eles). Tal distanciamento é notável em temas como bioética, sexualidade, matrimônio, a aplicação da pena de morte, entre outros.

O fato de já ter havido graves erros por parte de membros da Igreja algo é reconhecido pela própria instituição, que no contexto do Jubileu dos anos 2000 pediu perdão por atos desse tipo praticados no passado. Por outro lado, certas críticas podem revelar-se como exageros ou mitos criados com motivações diversas. Para uma visão detalhada dessas e outras questões, consulte o artigo principal.


Q - Rupturas do Catolicismo e Grupos Carismáticos Independentes
Por ocasião do Concílio Vaticano II,que foi a "Primavera da Igreja", brotaram novos rebentos saídos da Santa Sé, por clérigos que insatisfeitos pelos rumos do catolicismo - divididos entre progressistas e conservadores -uns formaram o grupo Católicos Tradicionalistas, chefiados pelo Arcebispo Marcel Lefebvre e outros pelo Arcebispo André Barbeau.

O movimento carismático foi criado com o intúito de tentar reestabelecer a quantidade de fieis do Catolicismo, baseando-se nas estratégias utilizadas por outras denominações, e reutilização de práticas antigas da Igreja, porém, sem nunca deixar de ser verdadeiramente Católico Apostólico Romano.

II - Dogmas da Igreja Católica

No Catolicismo, o dogma é uma verdade revelada por Deus. Com isto o Dogma é imutável e definitivo (não pode ser revogado). Para que um ensinamento da Igreja seja considerado um dogma são necessárias duas condições:

1. O Sentido deve estar suficientemente manifestado;
2. Esta doutrina deve ser proposta pela Igreja como revelada.

A - A Igreja Católica proclama a existência de 43 Dogmas:

1 - A Existência de Deus
"A idéia de Deus não é inata em nós, mas temos a capacidade para conhece-Lo com facilidade,
e de certo modo espontaneamente por meio de Sua obra"
A Existência de Deus como Objeto de Fé
"A existência de Deus não apenas é objeto do conhecimento da razão natural,
mas também é objeto da fé sobrenatural "

2 - A Unidade de Deus
"Não existe mais que um único Deus "
Deus é Eterno
"Deus não tem princípio nem fim"
Santíssima Trindade
"Em Deus há três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo;
e cada uma delas possui a essência divina que é numericamente a mesma "
Jesus Cristo é verdadeiro Deus e filho de Deus por essência
"O dogma diz que Jesus Cristo possui a infinita natureza divina com todas suas infinitas perfeições,
por haver sido engendrado eternamente por Deus."
Jesus possui duas naturezas que não se transformam nem se misturam
"Cristo é possuidor de uma íntegra natureza divina e de uma íntegra natureza humana:
a prova está nos milagres e no padecimento"
Cada uma das naturezas em Cristo possui uma própria vontade física e uma própria operação física
"Existem também duas vontades físicas e duas operações físicas de modo indivisível,
de modo que não seja conversível, de modo inseparável e de modo não confuso"
Jesus Cristo, ainda que homem, é Filho natural de Deus
"O Pai celestial quando chegou a plenitude, enviou aos homens seu Filho, Jesus Cristo"
Cristo imolou-se a si mesmo na cruz como verdadeiro e próprio sacrifício
"Cristo, por sua natureza humana, era ao mesmo tempo sacerdote e oferenda,
mas por sua natureza Divina, juntamente com o Pai e o Espírito Santo,
era o que recebia o sacrifício."

11- Cristo nos resgatou e reconciliou com Deus por meio do sacrifício de sua morte na cruz
"Jesus Cristo quis oferecer-se a si mesmo a Deus Pai, como sacrifício apresentado sobre a ara da cruz em sua morte, para conseguir para eles o eterno perdão"

12- Ao terceiro dia depos de sua morte, Cristo ressuscitou glorioso dentre os mortos
"ao terceiro dia, ressuscitado por sua própria virtude, se levantou do sepulcro"

13- Cristo subiu em corpo e alma aos céus e está sentado à direnta de Deus Pai
"ressuscitou dentre os mortos e subiu ao céu em Corpo e Alma"

14- Tudo o que existe foi criado por Deus a partir do Nada
"A criação do mundo do nada, não apenas é uma verdade fundamental da revelação cristã, mas também que ao mesmo tempo chega a alcançá-la a razão com apenas suas forças naturais, baseando-se nos argumentos cosmológicos e sobretudo na argumento da contingência."

15- Caráter temporal do mundo
"O mundo teve princípio no tempo "

16- Conservação do mundo
"Deus conserva na existência a todas as coisas criadas "

17- O homem é formado por corpo material e alma espiritual
"a humana como comum constituída de corpo e alma"

18- O pecado de Adão se propaga a todos seus descendentes por geração, não por imitação
"Pecado, que é morte da alma, se propaga de Adão a todos seus descendentes por geração e não por imitação, e que é inerente a cada indivíduo"

19- O homem caído não pode redimir-se a si próprio
"Somente um ato livre por parte do amor divino poderia restaurar a ordem sobrenatural, destruída pelo pecado"

20- A Imaculada Conceição de Maria
"A Santíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua conceição, foi por singular graça e privilégio de Deus onipotente em previsão dos méritos de Cristo Jesus, Salvador do gênero humano, preservada imune de toda mancha de culpa original"

21- Maria, Mãe de Deus
"Maria gerara a Cristo segundo a natureza humana, mas quem dela nasce,ou seja, o sujeito nascido não tem uma natureza humana, mas sim o suposto divino que a sustenta, ou seja, o Verbo. Daí que o Filho de Maria é propriamente o Verbo que subsiste na natureza humana; então Maria é verdadeira Mãe de Deus, posto que o Verbo é Deus. Cristo: Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem"

22- A Assunção de Maria
"A Virgem Maria foi assumpta ao céu imediatamente depois que acabou sua vida terrena; seu Corpo não sofreu nenhuma corrupção como sucederá com todos os homens que ressuscitarão até o final dos tempos, passando pela descomposição."

23-A Igreja foi fundada pelo Deus e Homem, Jesus Cristo
"Cristo fundou a Igreja, que Ele estabeleceu os fundamentos substanciais da mesma, no tocante a doutrina, culto e constituição"

24- Cristo constituiu o Apóstolo São Pedro como primeiro entre os Apóstolos e como cabeça visível de toda Igreja, conferindo-lhe imediata e pessoalmente o primado da jurisdição
"O Pontífice Romano é o sucessor do bem-aventurado Pedro e tem o primado sobre todo rebanho"

25- O Papa possui o pleno e supremo poder de jurisdição sobre toda Igreja, não somente em coisas de fé e costumes, mas também na disciplina e governo da Igreja
"Conforme esta declaração, o poder do Papa é: de jurisdição, universal, supremo, pleno, ordinário, episcopal, imediato"

26- O Papa é infalível sempre que se pronuncia ex catedra
"Para compreender este dogma, convém ter na lembrança: Sujeito da infalibilidade é todo o Papa legítimo, em sua qualidade de sucessor de Pedro e não outras pessoas ou organismos (ex.: congregações pontificais) a quem o Papa confere parte de sua autoridade magistral.

O objeto da infalibilidade são as verdades de fé e costumes, reveladas ou em íntima conexão
com a revelação divina.

A condição da infalibilidade é que o Papa fale ex catedra:

- Que fale como pastor e mestre de todos os fiéis fazendo uso de sua suprema autoridade.

- Que tenha a intenção de definir alguma doutrina de fé ou costume para que seja
acreditada por todos os fiéis. As encíclicas pontificais não são definições ex catedra.

A razão da infalibilidade é a assistência sobrenatural do Espírito Santo, que preserva
o supremo mestre da Igreja de todo erro.

A conseqüência da infalibilidade é que a definição ex catedra dos Papas sejam por si mesmas
irreformáveis, sem a intervenção ulterior de qualquer autoridade."

27- A Igreja é infalível quando faz definição em matéria de fé e costumes
"Estão sujeitos à infalibilidade:
- O Papa, quando fala ex catedra.
- O episcopado pleno, com o Papa cabeça do episcopado, é infalível quando reunido em concílio universal ou disperso pelo rebanho da terra, ensina e promove uma verdade de fé ou de costumes para que todos os fiéis a sustentem"

28- O Batismo é verdadeiro Sacramento instituído por Jesus Cristo
"Foi dado todo poder no céu e na terra; ide então e ensinai todas as pessoas, batizando-asem nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo"

29- A Confirmação é verdadeiro e próprio Sacramento
"Este Sacramento concede aos batizados a fortaleza do Espírito Santo para que se consolidem interiormente em sua vida sobrenatural e confessem exteriormente com valentia sua fé em Jesus Cristo."

30- A Igreja recebeu de Cristo o poder de perdoar os pecados cometidos após o Batismo
"Foi comunicada aos Apóstolos e a seus legítimos sucessores o poder de perdoar e de reter os pecados para reconciliar aos fiéis caídos depois do Batismo"

31- A Confissão Sacramental dos pecados está prescrita por Direito Divino e é necessária para a salvação
"Basta indicar a culpa da consciência apenas aos sacerdotes mediante confissão secreta"

32- A Eucaristia é verdadeiro Sacramento instituído por Cristo
"Aquele que come Minha Carne e bebe Meu Sangue tem a vida eterna"

33- Cristo está presente no sacramento do altar pela Transubstanciação de toda a substância do pão em seu corpo e toda substância do vinho em seu sangue
"Transubstanciação é uma conversão no sentido passivo; é o trânsito de uma coisa a outra.
Cessam as substâncias de Pão e Vinho, pois sucedem em seus lugares o Corpo e o Sangue de Cristo.
A Transubstanciação é uma conversão milagrosa e singular diferente das conversões naturais,
porque não apenas a matéria como também a forma do pão e do vinho são convertidas;
apenas os acidentes permanecem sem mudar: continuamos vendo o pão e o vinho, mas substancialmente
já não o são, porque neles está realmente o Corpo, o Sangue, Alma e Divindade de Cristo."

34- A Unção dos enfermos é verdadeiro e próprio Sacramento instituído por Cristo
"Existe algum enfermo entre nós? Façamos a unção do mesmo em nome do Senhor"

35- A Ordem é verdadeiro e próprio Sacramento instituído por Cristo
"Existe uma hierarquia instituída por ordenação Divina, que consta de Bispos, Presbíteros e Ministros"

36- O matrimônio é verdadeiro e próprio Sacramento
"Cristo restaurou o matrimônio instituído e bendito por Deus,fazendo que recobrasse seu primitivo ideal da unidade e indissolubilidade e elevando-o a dignidade de Sacramento."

37-A Morte e sua origem
"A morte, na atual ordem de salvação, é conseqüência primitiva do pecado"

38- O Céu (Paraíso)
"As almas dos justos que no instante da morte se acham livres de toda culpa e pena de pecado entram no céu"

39- O Inferno
"As almas dos que morrem em estado de pecado mortal vão ao inferno"

40 -O Purgatório

"As almas dos justos que no instante da morte estão agravadas por pecados veniais
ou por penas temporais devidas pelo pecado vão ao purgatório.
O purgatório é estado de purificação"
O Fim do mundo e a Segunda Vinda de Cristo

41 - "No fim do mundo, Cristo, rodeado de majestade, virá de novo para julgar os homens"
A Ressurreição dos Mortos no Último Dia
"Aos que crêem em Jesus e comem de Seu corpo e bebem de Seu sangue,

42 -Ele lhes promete a ressurreição"

43 - O Juízo Universal
"Cristo, depois de seu retorno, julgará a todos os homens."[[Categoria:Catolicismo

III - A ORDEM SACERDOTAL

A Ordem Sacerdotal (do latim Ordo, dinis: boa disposição das coisas) é um dos sete sacramentos do catolicismo que confere o poder e a graça de exercer funções e ministérios eclesiásticos que se referem ao culto de Deus e à salvação das almas, e de o desempenhar santamente. Pela imposição das mãos e pelas palavras do Bispo, este sacramento faz dos homens batizados sacerdotes, atribuindo-lhes os poderes de perdoar os pecados e de converter o pão e o vinho no Corpo e no Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo e deconferir, conforme o seu grau, os outros sacramentos.

Por divina instituição, pelo sacramento da Ordem, alguns dentre os fiéis, pelocaracter indelével com que são assinalados, são constituídos ministros sagrados, isto é, são consagrados e delegados a fim de que, personificando a Cristo Cabeça, cada qual no seu respectivo grau, apascentem o povo de Deus, desenpenhando o munus de ensinar, santificar e governar (cf. Direito Canónico: Cânon 1008). Na Igreja Católica, somente um varão baptizado pode receber validamente a ordenação sagrada. A Ordem é verdadeiro sacramento da Nova Lei, instituído por Jesus Cristo, na sua última ceia (cf. Lucas; 22, 19; e também: Mateus: 16, 19 e 18,18; João: 15,16 e 20, 21-23.

A - Nome do Sacramento

Este sacramento chama-se Ordem, porque coloca os que o recebem numa ordem diferente da dos fiéis, designando um estado permanente de ministros da Igreja, chamado Ordem Clerical, distinto de outro estado, chamado Ordem Leiga.

Em virtude do Batismo e da Confirmação, todos os fiéis participam do sacerdócio de Jesus Cristo. Mas os que recebem o sacramento da Ordem têm, além disso, o sacerdócio ministerial ou hierárquico, que se diferencia do sacerdócio comum dos fiéis "essencialmente e não apenas em grau" (Lumen Gentium, 10).

Antigamente, a cerimônia de recepção ao estado eclesiástico era feita pela tonsura.

E, também, o sacramento da Ordem era dividido em duas hierarquias:

Ordens Menores, as que não consagravam de modo definitivo quem as recebia: ostiário, leitor, exorcista e acólito.
Ordens Maiores, as que consagravam de modo definitivo ao serviço de Deus: subdiaconato, diaconato, presbiterado e episcopado.
O Concílio Vaticano II extinguiu as quatro Ordens Menores e o subdiaconato, por não serem ordens propriamente ditas. Pelas Letras Apostólicas Ministeria Quædam, de 15 de agosto de 1972, o Papa Paulo VI manteve o leitorato e o acolitato como ministérios da Igreja Latina, podendo ser concedidos a leigos e sendo obrigatórios aos candidatos ao diaconato e ao presbiterado. Com a denominação de apenas Ordem ficaram os graus de: diaconato, presbiterado e episcopado.

Convirá, ainda assim, fazer uma outra real diferenciação: - entre dois tipos de sacramento Sacerdotal (Ordem) - "O Levítico e o de Cristo”. Em S. Paulo (Hebreus, 5) podemos ler: "Todo o Pontífice que é escolhido dentre os homens, é instituído para aquelas coisas que dizem respeito a Deus, para oferecer oblações e sacrifício pelos pecados...” e, mais à frente, referindo-se ao Sacerdócio de Cristo: "...Tu és Sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedesh." que "...consumado, tornou-se por todos os que lhe obedecem causa de salvação eterna, proclamado por Deus Pontífice segundo a ordem de Melquisedesh.”

S. Paulo dá-nos a confirmação da diferenciação entre estes dois tipos de sacerdócio, quando nos afirma que: "O sacerdócio de Melquisedesh superior ao de Levi" (Hebreus, 7 e seg.).

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