5 - CONFUCIONISMO

I - A trilogia chinesa

A antiguidade da civilização chinesa vai além de 10 mil anos; veio da Quarta Raça, na Atlântida, pela emigração dos turanianos. O fundamento de sua religião nacional está nas obras três sábios: Fo-hi, Lao-tsé e Kongtzeu (Confúcio), que viveram em épocas muito recuadas da história: o primeiro, imperador, a partir de 3468 a.C.; o segundo 604 a.C. e o último 478 a.C. Mais tarde com a introdução do budismo, passaram a ser as religiões da China: o confucionismo, o taoísmo e o budismo.

A - Fo-hi
A obra de Fo-hi é pouco conhecida e dela só o livro chamado I Ching, contendo figuras, símbolos e trigramas, de significação obscura. Em todo seu reinado esse sábio empregou seu poder para espalhar o conhecimento das virtudes e dos dons morais entre o povo.

B - Lao-tsé
Lao-Tsé deixou obra mais vasta, porém somente três de seus livros chegaram ao conhecimento do homem moderno: o Tao ou o Livro da Senda; o Te, o Livro da Virtude ou da Retidão e o Kang Ing, o Livro das Sanções ou das Reações concordantes. Cada livro é um código de moral. Comparemos.

Na primeira obra ele diz: "o sábio que está no céu, isto é, cujo espírito está desprendido da matéria, obteve uma vida longa e é lá no Alto que seus trabalhos merecem a grande paz. É calmo no sulco que para si traçou. Não procura tornar-se conhecido. Não perde o seu tempo em procurar a glória vã, em ofuscar aqueles que estão em torno dele. Seu caminho sobe para o Templo da Sabedoria; ele caminha com um passe igual; sempre avança e se eleva, descuidoso daquilo que não é para a assistência de seus irmãos e de sua própria perfeição. É pois desenvolvendo em si mesmo as suas qualidades que o sábio é admitido para atingir a Senda.

Essas qualidades são a paciência, a esperança, a humildade. A Senda não se alcança senão pela totalidade prática das virtudes e não pode ser encontrada senão pelo próprio indivíduo". Na segunda obra ele preconiza a discrição, a reflexão, a meditação solitária e íntima, a abstenção dos rumores e das atrações do mundo.

Na terceira, enfim, refere-se ao papel da vontade, à lei da ação e da reação (carma); às forças e entidades invisíveis que exercem poder sobre a vida humana encarnada, aumentando ou diminuindo sua duração; fala sobre as experiências e as provas, que diminuem o número de vidas terrestres e, para ganhar o céu, deve-se fazer o apelo à pobreza, à desgraça, aos suplícios, às catástrofes, que despojam a alma de sua materialidade e a conduzem para a liberdade espiritual, através da morte.

Neste ponto este ensinamento se aproxima do budismo. No sentido popular ou religioso, o taoísmo propaga o culto dos ídolos, cada cidade tendo seu deus, o mesmo acontecendo com as casas, as montanhas, os rios, etc... Como se vê, mesmo nessa época remotíssima Lao-tsé transmitia conhecimentos de alto valor moral sendo, na realidade, um verdadeiro missionário.

C - Confúcio
Confúcio, que veio um pouco mais tarde, comentou a obra de seus antecessores, tirando delas os melhores ensinamentos de caráter moral que, até hoje, dominam entre o povo. Confúcio foi mestre do povo e ministro de alguns governos cujos cargos aceitava para poder exemplificar e oficializar os seus ensinos. Manifestou o equilíbrio que existe entre os poderes do céu e da terra, entre o homem e a natureza. Como fundamento ou imagem deste equilíbrio criou em sua época o culto da adoração do céu — Tian; da adoração do imperador superior — Shangti — (poder criador); e da adoração de diferentes espécies de espíritos celestes, terrestres e humanos, sendo que estes últimos são os antepassados dos vivos.

Nesse culto dos antepassados passou então a repousar grande parte da religião chinesa que tem, assim, um cunho nitidamente imortalista. O antepassado é sem cessar invocado, consultado sobre assuntos de importância, sobre moléstias, uniões matrimoniais, etc.. Fazem a esses espíritos protetores oferendas diversas e sacrifícios de animais e seguem-lhe religiosamente os conselhos e opiniões.

Nas moradias existem sempre compartimentos destinados a esse culto, com lembranças pessoais do morto, cinzas mortuárias, etc. As práticas adotadas são muito semelhantes ao espiritismo, com base nas manifestações mediúnicas da mais variada natureza. Na parte moral o confucionismo preconiza a vida virtuosa e obediente à hierarquia tanto terrestre como celeste, sendo indispensável a prática das virtudes. Entre estas aconselha: o respeito mútuo, (sentimento este tão acatado pelos chineses que fez dele o povo modelo da cortesia e da deferência pessoal); a franqueza, mediante a qual todos devem agir de boa fé, fugindo à mentira; a circunspecção, nas palavras e nos atos, dos quais o homem é sempre responsável; a humildade, que o faz suportar com superioridade e calma todos os acidentes da vida; a benevolência, que faz o homem caridoso para com todos os semelhantes; a justiça e o devotamento a todos os amigos, à família e ao próximo, porque o homem pertence à coletividade e deve ser solidário com a sociedade da qual faz parte.

Em cada cidade chinesa existe (pelo menos existia até há pouco tempo) um templo dedicado a Confúcio, pois o confucionismo é a religião oficial do país. A verdadeira religião, porém, da China, a religião popular, é o culto dos antepassados. Quando morrem os avós, os pais, ou superiores, seus nomes são gravados em troncos de madeira que se denominam placas ancestrais. Esses troncos vão para o lugar de honra da casa, destinado ao culto dos antepassados; o filho mais velho queima plantas aromáticas e passa a presidir o culto doméstico dedicado a esses espíritos.

Anualmente em todos os lares, cemitérios e cidades realizam-se cultos públicos dedicados aos mortos, como vemos também entre nós. São nove os livros do período confuciano, a saber: Os quatro clássicos: A Grande Ciência, A Doutrina da Mediama, Analectas e Meneio.

Os cinco livros sagrados: Shu Ching, ou Livro dos documentos históricos; Shi Ching, ou Livro dos Antigos Poemas; I Ching, ou Livro das Mutações; Li Ching, ou Livro de Antigos Ritos e Cerimônias e, finalmente, Ch'un Ch'iu, ou Primavera e Outono.

D - Os Centros Religiosos da China
Um dos centros religiosos mais notáveis do mundo, porque influi sobre grande parte da Ásia, é o Tibete, situado ao sul da China. Nessa região está a cidade sagrada de Lhassa e o templo de Potala onde reside o Grande Lama budista (em 1959 a China invadiu o Tibete, submetendo-o a seu regime político. O chefe religioso local, e também político, o Dalai-Lama, foi expatriado e recebeu asilo político da Índia, onde vive atualmente, na cidade de Daramsala), chefe religioso 5e toda a vasta região que abrange a China, a Mongólia, a Manchúria, etc.

Esta cidade está à margem do grande deserto de Gobi, onde também se situam vários monastérios residenciais de chefes de fraternidades iniciáticas orientais. Esta região abrange também o Planalto de Pamir que, foi onde se selecionaram os tipos aperfeiçoados humanos que serviram para a encarnação de parte dos capelinos na Terra. O Tibete está no cimo do Himalaia, onde começa o grande planalto, cuja vista é vedada aos estrangeiros. Está situado a 4 ou 5 mil metros de altitude e sofre um frio terrível que vai para mais de 30 graus abaixo de zero.

O Dalai-lama é tido como um deus encarnado e sua identificação é feita pelos Lamas (quando chega a hora da substituição de um Grande Lama morto), por meios espirituais que consistem em sair à procura de um menino que deve ter nascido para essa substituição e que deve, por isso mesmo, possuir vários sinais e características diferenciais que o habilitam a ser elevado a tal posição. Por esse país estão em grande número e, por toda parte, as Rodas de Rezar, os postes com bandeirolas e os conventos budistas, os túmulos em forma de pirâmides nas encruzilhadas e os muros sagrados para receber preces e oferendas, tudo conforme o rito budista.

Pelo budismo todos os homens válidos das famílias devem entrar para os mosteiros, exceto um que pode permanecer em casa; este costume traz embaraços à livre expansão do trabalho na cidade como nos campos e de certa forma, despovoa o país. Os médicos, feiticeiros ou magos, quando chamados, ficam morando na casa do doente até que este sare ou morra. Como já dissemos, o culto dos antepassados domina toda a China e esse culto vem de tempos imemoriais.

Agora, com o comunismo, já se tem conhecimento de modificações em vários setores que tornam ultrapassados inúmeros hábitos, costumes, regras, leis e princípios que caracterizavam a vivência chinesa.

II - O CONFUCIONISMO:

A -
Introdução

Religião oriental baseada nas idéias do filósofo chinês Confúcio (551-479 a.C.). Conhecido pelos chineses como Junchaio (ensinamentos dos sábios). O princípio básico do Confucionismo é a busca do Caminho (Tao), que garante o equilíbrio entre as vontades da terra e as do céu.

B - Seu Nascimento e Juventude

Confúcio, também conhecido como K'ung Ch'iu (Mestre Kong), nasceu em meados do século VI (551 a.C.), em Tsou, uma pequena cidade no estado de Lu, hoje Shantung. Este estado é denominado de "terra santa" pelos chineses. Confúcio estava longe de se originar de uma família abastada, embora seja dito que ele tinha descendência aristocrática. Seu pai, Shu-Liang Hê, antes magistrado e guerreiro de certa fama, tinha setenta anos quando se casou com a mãe de Confúcio, uma jovem de quinze anos chamada Yen Chêng Tsai, que diziam ser descendente de Po Ch'in, o filho mais velho do Duque de Chou, cujo sobrenome era Chi.

Dos onze filhos, Confúcio era o mais novo. Seu pai morreu quando ele tinha três anos de idade, o obrigando a trabalhar desde muito novo para ajudar no sustento da família. Aos quinze anos, resolveu dedicar suas energias à busca do aprendizado. Em vários estágios de sua vida empregou suas habilidades como pastor, vaqueiro, funcionário e guarda-livros. Aos dezenove anos se casou com uma jovem chamada Chi-Kuan. Apesar de se divorciar alguns anos depois, Confúcio gerou um filho, K'ung Li, que nasceu um ano após seu casamento, e uma filha.

C - Fundo Histórico da China

Confúcio viveu numa época em que a China se encontrava dividida em estados feudais que lutavam pela supremacia do poder. Estas guerras eram seguidas de execuções em massa. Soldados eram pagos para trazer as cabeças de seus inimigos. Populações inteiras eram disseminadas através da decapitação de mulheres, crianças e velhos. Estes números chegavam a 60.000, 80.000, 82.000, e até 400.000. A longa e complexa história política do povo evolveu na desunião e diversidade, que estavam refletidos nas características sociais e culturais da Dinastia Chou. A renascença social e moral advogada por Confúcio não tinha aprovação universal, principalmente nos círculos de poder, e seu ardente desejo era um posto governamental. Foi então que na idade de trinta anos ele deixou Lu e viajou para o Estado de Ch'i em companhia do Duque Chao, que fugia por ser o perdedor de uma dura luta política.

D - Seus Anos de Serviço Público

Aos 51 anos de idade foi indicado como funcionário chefe da cidade de Chung Tu e, pelo seu desempenho chegou a ser promovido ao posto de Oficial dos Serviços Públicos, e depois, ao de Grande Oficial da Justiça em sua província. Aos 55 anos partiu numa jornada de treze anos visitando os estados vizinhos e falando aos senhores feudais sobre suas idéias. Foi recebido como um erudito, mas nenhum dos governantes pensou em colocar essas idéias em prática. Confúcio acreditava que a implementação de seus pontos de vistas pelo governo estabeleceria a utopia do "estado como um bem público", e prepararia o caminho para paz entre os homens.

Regressou a sua terra natal quando tinha 68 anos, onde continuou se dedicando ao ensino de um grupo de discípulos. A escola privada, fundada por Confúcio, cresceu a ponto de ter 3.000 alunos. Destes, setenta e dois eram chamados de seus discípulos mais eruditos. Ele tentou transformá-los em Jens, seres humanos perfeitos que praticassem o exercício do amor e da bondade. Segundo seus preceitos, a sociedade humana deve ser regida por um movimento educativo, o qual parte de cima, e equivale ao amor paterno, e por outro de reverência, que parte de baixo, como a obediência de um filho. O Confucionismo considera o homem bom e possuidor do livre arbítrio, sendo a virtude sua recompensa. O único sacrilégio é desobedecer a regra da piedade.

Segundo a história, Confúcio morreu em 479 a.C., velho, desapontado, mal sucedido e murmurando:
“A grande montanha terá que desmoronar! A forte viga terá que quebrar! O homem sábio murcha como a planta! Não existe ninguém no império que me queira como mestre! Meu tempo de morrer chegou.” (Anacletos, 56)

Seus discípulos o lamentaram por três anos, e um deles permaneceu junto à sua sepultura por seis anos em Ch'u Fü. Hoje, o local tornou-se na denominada Floresta K'ung.

E - Confucionismo - Filosofia ou Religião?

Tendo em vista que o Confucionismo trata primariamente de condutas morais e de ordem social, esta religião é freqüentemente categorizada como um sistema ético e não como uma religião. Em sua visão de reforma, Confúcio advogava justiça para todos como o fundamento da vida em um mundo ideal, onde os princípios humanos, cortesia, piedade filial, e virtudes da benevolência, retidão, lealdade e a integridade de caráter deviam prevalecer. Porém, deve-se atentar às perspectivas do povo chinês na época de Confúcio, e observar as influências que ele trouxe, as quais não se limitam a uma esfera ética.

Seus ensinos advogam que o homem é capaz de ser perfeito por ele próprio, pelo seu esforço de seguir o caminho dos seus antepassados. Confúcio aludia que a natureza humana é boa. Este ensino foi desenvolvido posteriormente por seus discípulos, e tornou-se uma crença cardeal do Confucionismo. Confúcio, apesar de estar voltado para este mundo, acreditava no céu e na sua influência sobre a terra e sobre os homens. Confúcio influenciou a China em dois grandes preceitos religiosos: o da veneração e adoração aos ancestrais, e do conceito de piedade filial.

O Confucionismo permaneceu como religião oficial da China desde sua unificação, no século II, até sua proclamação como República pelo Kuomintang em 1911. Durante a Dinastia de Han do Imperador P'ing (202-221 a.C.), seus funcionários foram recrutados entre os confucionistas. As primeiras críticas ao Confucionismo surgiram com a República. Entre 1966 e 1976, durante a Grande Revolução Cultural Proletária, foi novamente atacado por contrariar os interesses comunistas. Atualmente, apesar do comunismo banir todo tipo de religião, 25% da população chinesa afirma viver segundo a ética confucionista. Fora da China, o Confucionismo possui cerca de 6,3 milhões de adeptos, principalmente no Japão, na Coréia do Sul e em Cingapura.

F - Princípios da Doutrina Confucionista

As doutrinas confucionistas podem ser resumidas em seis palavras-chaves:
1. Jen - humanitarismo, cortesia, bondade, benevolência. É a norma da reciprocidade, ou seja, "não faça aos outros o que você não gostaria que lhe fizessem." Esta é a virtude mais elevada do Confucionismo. Segundo ensinam, se o homem colocá-la em prática, ele poderá viver em paz e em harmonia com as outras pessoas (Anacletos 15:24). Porém, desde o princípio da humanidade, o gênero humano nunca foi por si próprio, ou pelo seu esforço, capaz de estabelecer esta paz ou harmonia. O exemplo vê na história antiga e contemporânea: Egito, Babilônia, Grécia, Roma, I & II Guerras Mundiais, Bósnia, Ruanda, Iraque, e a lista não teria fim.

2. Chun-tzu - homem superior, virilidade. Segundo Confúcio, o homem para ser perfeito deve ter humildade, magnanimidade, sinceridade, diligência e amabilidade. Somente assim, ele poderá transformar a sociedade em um estado de paz. Porém, a realidade do ser humano é outra. O homem natural é egoista, soberbo e mal contra seu próximo. Isso podemos contemplar com os nossos olhos dia-a-dia, sem mencionar as injustiças e autrocidades contra os direitos humanos no Holocausto e na Praça Tiananmem em Beijing.

3. Cheng-ming - Retificação dos nomes. Este conceito ensina que para uma sociedade estar em ordem, cada cidadão deveria ter um título designativo ou um papel, e afirmar-se neste papel no esquema da vida. O rei, atuando como rei, o pai como pai, o filho como filho, o servo como servo. (Anacletos, 12:11; 13:3)


4. Te - poder, autoridade. Confúcio ensinava que a virtude do poder, e não a força física, era necessária para dirigir qualquer sociedade. Todo governante, segundo ele, deveria ter esta autoridade para inspirar seus súditos à obediência. Este conceito perdeu-se durante o tempo de Confúcio, dado à predominância das guerras e sobrepujança das dinastias entre si.


5. Li - padrão de conduta exemplar, propriedade, reverência. Este conceito é tratado no Livro das Cerimônias (Li Ching), um dos Cinco Clássicos. Segundo Confúcio, cada governante deveria ser benevolente, proporcionar um bom padrão de vida para o povo e promover a educação moral e os ritos. Sem esta conduta, o homem não saberia oferecer a adoração correta aos espíritos do universo, não saberia estabelecer a diferença entre o rei e o súdito, não saberia a relação moral entre os sexos, e não saberia distinguir os diferentes graus de relacionamento na família (Li Ching, 27). Como exemplo perfeito de benevolência, ele exaltava o legendário Imperador Yao e seu sucessor, o Imperador Shun, os quais foram renomeados e constituiram, como diziam, "uma idade de ouro da antiguidade".


6. Wen - artes nobres, que inclui: música, poesia e a arte em geral. Confúcio tinha uma grande estima pela arte vinda do período da Dinastia Chou, e considerava a música como a chave da harmonia universal. Ele acreditava que toda expressão artística era símbolo da virtude e que deveria ser manifesta na sociedade. "Aqueles que rejeitam a arte, rejeitam as virtudes do homem e do céu" (Anacletos, 17:11, 3:3). Para Confúcio, a música era um reflexo do homem superior e espelhava seu caráter verdadeiro.

Segundo a doutrina de Confúcio, o ser humano é composto por quatro dimensões:

1 - O eu
2 - A comunidade
3 - A natureza
4 - O céu (fonte da auto-realização definitiva)

As cinco virtudes essenciais do homem são:

1 - O amor ao próximo
2 - A justiça
3 - O cumprimento das regras adequadas de conduta
4 - A autoconsciência da vontade do "Céu"
5 - A sabedoria e sinceridade desinteressadas

G - Crenças e Práticas Confucionistas

1. Deus

O Confucionismo não só crê que a natureza humana é divina e boa, como também todos os seus escritos fazem alusão à uma força suprema no mundo. Três expressões são usadas em sua referência:
- Shang Ti, que significa "Supremo Governador". Esta expressão é uma designação pessoal, a qual nos Livros Sagrados do Oriente é sempre traduzida como "Deus."
- Tien, que significa "Céu". Esta expressão impessoal é usada para as supremas regras morais.
- Ming, que significa "Decreto". Esta expressão impessoal também é usada em relação à ética e à fé no Ser Supremo.

O culto e adoração ao "Supremo Governador" do mundo era conduzido pelos mais altos dirigentes da China, os imperadores, em favor da nação. Segundo a tradição, o poder e autoridade dos imperadores e reis chineses eram concedidos pelo céu. O culto era realizado regularmente todos os anos, depois da noite de solstício no inverno, no dia 22 de dezembro. Ofertas queimadas de novilho, de alimentos e de vinho; acompanhadas de música, luzes e procissões, eram oferecidas ao redor do grande e redondo altar de mármore branco, constituído de três níveis, e dedicado ao céu, ao sul da cidade de Pequim. Este é o maior altar que já existiu na história da humanidade.

Ao norte de Pequim estava o altar dedicado à terra, porém este era de menos afluência. Inúmeras deidades são adoradas no Confucionismo, como o sol, a lua, imperadores, montanhas e rios importantes da China, sem mencionar o culto aos mortos (antepassados).

2. Adoração dos Ancestrais

A adoração aos antepassados, pelas famílias reais e pela plebe, é a prática da veneração do espírito dos mortos pelos familiares vivos em sinal de gratidão e respeito. Esta prática foi altamente promovida e praticada por Confúcio. Para isso, construiram-se templos onde se realizam ritos de sacrifícios aos mortos. Segundo ensinam, pessoas importantes e de destaque, depois de mortos, poderiam influenciar, ajudar e iluminar os imperadores, governantes e o povo. A existência do espírito destes antepassados, segundo eles, depende da atenção dada pelos seus familiares.

Também crêem que o espírito dos mortos pode controlar o êxito dos indivíduos com prosperidade, filhos e harmonia. Para isso, a família deve prover tudo o que for necessário para que os antepassados vivam além-túmulo, de maneira similar aos vivos. Isto inclui a colocação de alimento, armas de guerra e diferentes utensílios nos túmulos, ou em festivais especiais. Se isto não for oferecido, eles crêem que os espíritos virão em forma de fantasma e trarão males àqueles que estão vivos. Até hoje, o povo celebra o Festival dos Fantasmas (espíritos) Famintos. O ofertante coloca alimento e vinho em frente a sua casa para satisfazer o espírito dos antepassados, cujos descendentes vivos não têm tido cuidado por eles. Conseqüentemente, o povo vive sob o medo dos mortos.

3. Piedade Filial


Prática chinesa da lealdade e devoção dos membros mais novos da família aos mais velhos, denominada de Hsaio. Todo filho deve ser leal e devoto à sua família. É esperado que o filho ame e reverencie seus pais enquanto estiverem vivos, e que chore e os lamente depois de mortos. Este é o dever fundamental de todo o homem, segundo o Confucionismo.

4. Geomancia


Prática de adivinhação que se faz deitando pó de terra sobre uma mesa e examinando as figuras que se formam. Também chamada de Feng Shui ou Prognosticismo. Essa prática envolve a observação dos trovões, relâmpagos, vôo dos pássaros, e tudo o que se refere ao céu.

H - Sucessores de Confúcio


Entre os sucessores de Confúcio destacam-se Mêncio Meng-tseu (371-289 a.C) e Hsun-tzu (315-236 a.C.). Mêncio partiu do conceito confuciano de benevolência para desenvolver a doutrina da bondade inata do homem, a qual precisa ser descoberta e aprimorada por meio da meditação. Hsun-tzu, ao contrário, defende a teoria da maldade inata. Segundo ele, o homem é mau e indisciplinado por natureza e somente as regras e leis podem possibilitar a vida social.

I - Processo da Deificação de Confúcio


Desde o início da era cristã, iniciou-se uma veneração oficial a Confúcio. Por séculos em Pequim, tanto os imperadores chineses como os mandarins adoravam e faziam rituais de ofertas e sacrifícios à Confúcio. Uma média de 62.606 animais eram oferecidos anualmente nos altares de mais de 1.560 templos em toda China. O Confucionismo deixou de ser um sistema ético e se tornou uma religião.

195 a.C — O imperador da China ofereceu sacrifício de animal no túmulo de Confúcio.


57 d.C. — Sacrifícios regulares a Confúcio foi ordenado nos colégios imperiais e provinciais.


89 d.C. — Confúcio foi elevado ao mais alto título imperial, o de "Conde".


267 d.C — Foi decretado que os sacrifícios de animais a Confúcio fossem elaborados e oferecidos quatro vezes ao ano.


492 d.C. — Confúcio é canonizado como "Venerável, o Perfeito Sábio”.


555 d.C. — Foi ordenado a construção de templos para a adoração de Confúcio nas capitais de todas as prefeituras da China.


739 d.C. — Confúcio recebe homenagem suprema pelo Imperador Hsüan da Dinastia de T'ang, recebendo o título especial que significa "Rei".


740 d.C. — A estátua de Confúcio foi removida para estar no centro do Colégio Imperial, junto aos históricos reis da China.


1086 d.C. — Confúcio foi elevado à escala de Imperador.


1736-1795 d.C. — Na Dinastia de Ch'ing, o Imperador K'ang Hsi homenageou Confúcio com o título "O Grande Mestre de todas as Épocas".


1906 d.C. — No dia 31 de dezembro, o edito imperial elevou Confúcio ao posto de Co-Assessor das deidades do céu e da terra.


1914 d.C. — A adoração a Confúcio continuou pelo primeiro presidente da República da China, Yuan Shi Kai.


1934 d.C. — A data do nascimento de Confúcio foi proclamado um feriado nacional.

J - Os Escritos Confucionistas

Confúcio compilou, editou e escreveu alguns escritos depois dos seus 43 anos de idade. Seus ditos, juntamente com os de Mêncio e de outros discípulos, foram reunidos no "Wu Ching" (os "Cinco Clássicos") e no "Shih Shu" (os "Quatro Livros"), onde se incluiu o Anacleto (ditos de Confúcio).

- Os Cincos Clássicos

1 - Shu Ching (Livro dos Documentos), sobre a organização política de cinco dinastias da China.
2 - I Ching (Livro das Mutações), sobre a metafísica.
3 - Li Ching (Livro das Cerimônias), sobre a visão social.
4 - Shi Ching (Livro das Poesias), sobre a antologia secular e religiosa.
5 - Chun-Chiu (Anais das Primaveras e Outonos), sobre a história da China.

- Os Quatro Livros

1 - Ta Hsio (Grande Aprendizado), ensinamentos sobre a virtude.
2 - Chung Yung (Doutrina do Meio), ensinamentos sobre a moderação perfeita.
3 - Lun Yu (Anacletos), coleção das máximas de Confúcio, seus princípios éticos.
4 - Meng-Tze (Mêncio), obra do grande expositor de Confúcio.

No Confucionismo não existe igrejas, clero, ou credo. Entretanto, a religião influencia as formas de pensamento, educação e governo do povo chinês. De 125 a 1905 d.C., os membros da classe de servidores públicos dos mandarins eram nomeados para os postos governamentais, com base no exame dos clássicos de Confúcio. Este sistema permitiu que muitos indivíduos de procedência humilde atingissem a proeminência e premiou a honestidade do governador e do súdito.

K - As Verdades Bíblicas

- Só existe uma verdade absoluta, e esta é o próprio Deus pessoal, o Sumo Bem - “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Evangelho de João 8.32). Abaixo o sofista pode encontrar os princípios doutrinários para o homem alcançar a sua única e verdadeira felicidade atual e eterna.

- Deus: Cremos em um só Deus, eternamente subsistente em três pessoas distintas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, Dt 6.24; Mt 28.19; Mc 12.29.

- Jesus: Cremos no nascimento virginal de Jesus, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição corporal de entre os mortos, e em sua ascensão gloriosa aos céus, Is 7.14; Lc 1.26-31; 24.4-7; At 1.9.

- Espírito Santo: Cremos no Espírito Santo como terceira pessoa da Trindade, como Consolador e o que convence o homem do pecado, justiça e do juízo vindouro. Cremos no batismo no Espírito Santo, que nos é ministrado por Jesus, com a evidência de falar em outras línguas, e na atualidade dos nove dons espirituais, Jl 2.28; At 2.4; 1.8; Mt 3.11; I Co 12.1-12.

- Homem: Cremos na na criação do ser humano, iguais em méritos e opostos em sexo; perfeitos na sua natureza física, psíquica e espiritual; que responde ao mundo em que vive e ao seu criador através dos seus atributos fisiológicos, naturais e morais, inerentes a sua própria pessoa; e que o pecado o destituiu da posição primacial diante de Deus, tornando-o depravado moralmente, morto espiritualmente e condenado a perdição eterna, Gn 1.27; 2.20,24; 3.6; Is 59.2; Rm 5.12; Ef 2.1-3.

- Bíblia: Cremos na inspiração verbal e divina da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé para a vida e o caráter do cristão, II Tm 3.14-17; II Pe 1.21.

- Pecado: Cremos na pecaminosidade do homem, que o destituiu da glória de Deus, e que somente através do arrependimento dos seus pecados e a fé na obra expiatória de Jesus o pode restaurar a Deus, Rm 3.23; At 3.19; Rm 10.9.

- Céu e Inferno: Cremos no juízo vindouro, que condenará os infiéis e terminará a dispensação física do ser humano. Cremos no novo céu, na nova terra, na vida eterna de gozo para os fiéis e na condenação eterna para os infiéis, Mt 25.46; II Pe 3.13; Ap 21.22; 19.20; Dn 12.2; Mc 9.43-48.

- Salvação: Cremos no perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita, e na eterna justificação da alma, recebida gratuitamente, de Deus, através de Jesus, At 10.43; Rm 10.13; Hb 7.25; 5.9; Jo 3.16.

Rev. Eronides DaSilva