A ALMA DA MEDICINA

1 - Joseph Gleber, pai e amigo: um espírito humano

POR ROBSON PINHEIRO

— Sou APENAS um espírito, nada mais — disse--me Joseph Gleber há cerca de 30 anos, portanto lá pelos idos de 1984. — Não pretendo disputar com ninguém os aplausos ou o reconhecimento, seja nos meios acadÊmicos, científicos, religiosos ou espiritistas. Já não possuo títulos, tampouco expectativas quanto a questões que são importantes somente para quem permanece no mundo das formas. Pretendo apenas trabalhar. Trabalhar e servir, aprender e prosseguir estudando a ciência do espírito, a alma do universo, não deste universo exterior, material, mas do universo que está dentro da alma humana.

Com essas palavras, o espírito Joseph Gleber dava a conhecer sua própria alma. Era o início de um relacionamento que já conta mais de 5o anos, dos quais mais de 30 de intensas e ininterruptas atividades. Claro, esse é apenas o tempo desde minha reencarnação, sem considerar nenhuma vivência anterior. Joseph é o autor espiritual das palavras expressas neste livro, escritas com mãos emprestadas — mãos nem sempre hábeis para exprimir o pensamento de um Imortal. Não obstante, ele tem demonstrado, ao longo dos anos, profundo respeito por minhas limitações como um de seus auxiliares, aprendizes e intérpretes. Conhecendo minhas manias, tem sido o pai e amigo que nunca me falta com o apoio na caminhada, além de incentivar a descoberta de uma maneira mais responsável de viver a vida. Sabendo de meus pensamentos e emoções, encoraja-me no sentido da melhora e na tentativa, nem sempre vencedora, de consegui-la. Mesmo assim, trabalha, insiste e continua investindo seu tempo, suas habilidades psíquicas por meu intermédio, tudo em nome do compromisso que carrega: a causa da humanidade e do Cristo, em particular.

Não se diz médico em momento algum, nem gosta que assim o chamemos. Prefere dizer que é um aprendiz, um estudante da ciência da vida e que os títulos que um dia possuiu foram incinerados, assim como os corpos seu e de sua família, nos fornos do Terceiro Reich. Nada resta daquela época, a não ser a experiência e algum sopro ocasional de melancolia por saber que, um dia, trabalhou sob o império de uma política inumana.

Hoje, em espírito, prossegue estudando, contribuindo e atendendo seus irmãos de humanidade através de vários médiuns pelo mundo. Sim! Já me disse que não dava atestado de exclusividade a médium algum, nem era propriedade privada e espiritual de ninguém. Onde fosse necessário e onde pudesse, ali estaria ele agindo, ainda que no anonimato, em nome do bem e do amor à causa da humanidade.

Algo me encanta no perfil psicológico desse amigo. Entre nós, jamais quer fazer o trabalho sozinho e nunca quis concentrar a atividade somente em mim, chamando a atenção para um único médium. A seu lado atuam outros espíritos, convidados por ele, que atendem por meio de outros médiuns, simultaneamente e em pé de igualdade, tais como Pai João de Amanda, Pai André, Zé Baiano, Tupinambá, Palminha, José Grosso, Sheilla, Zabeu, Zarthú e tantos mais, com quem compartilha o trabalho. Joseph não gosta de assumir a posição de maior destaque e, por isso mesmo, conquista, encanta e levanta-nos a todos, ao estimular a cooperação entre médiuns. Não há uma tarefa sequer concentrada exclusivamente nele ou no médium através do qual atua mais intensamente. De uma coisa nunca abre mão, porém: da responsabilidade, do carinho e da dedicação ao trabalho que assumiu e se comprometeu a fazer entre nós.

Escrevo estas palavras para salientar meu respeito pessoal, minha eterna gratidão e admiração por este Imortal, que certo dia patrocinou minha imersão na carne. A ele devo os momentos de intensa convivência com outros espíritos, aos quais muito estimo, além de minha saúde e minha força para continuar — que sei ser proveniente dele, que me mantêm vivo, no corpo, e entusiasmado, em qualquer dimensão onde eu esteja trabalhando.

A Joseph Gleber, este pai, este amigo e mestre, um dos Imortais a serviço de Cristo, eu dedico este livro, bem como minhas emoções e minha própria vida, a qual deposito em suas mãos, pedindo mais uma vez que me transforme em instrumento das forças superiores do bem e da luz. Se assim ele julgar necessário, deponho minha própria vida pelo bem do trabalho, desde que sob sua orientação paternal, na certeza de que continuarei aprendendo e servindo mais além, em outras dimensões, quando soar a hora de reencontrá-lo entre as luzes das estrelas ou entre as penumbras do sofrimento, auxiliando com ele, Joseph Gleber, os outros seus filhos a se reerguerem para o sublime encontro com a imortalidade.

ROBSON PINHEIRO
Belo Horizonte, 4 de maio de 2014.

2 - APRESENTAÇÃO

Introdução
PELO ESPÍRITO JOSEPH GLEBER

QUANDO SE ESBOÇAVAM nos céus do planeta Terra os horrores da Segunda Guerra Mundial, encontrava-me sob o comando e a serviço dos dominadores das trevas do século xx. Após questionamentos quanto à natureza e principalmente quanto à finalidade e à aplicação do meu trabalho, e após descobrir que minha parcela de contribuição a certos projetos traria dor, angústia, sofrimento e pranto a inúmeras vidas, tomei a minha decisão. Se alguma coisa sabia, esse saber tinha de produzir bem para a humanidade.

Não importavam mais as vidas minha e de minha família; o que estava em jogo ali era muito mais precioso do que meu núcleo familiar, que, àquela altura, já era usado pelo Terceiro Reich a fim de me pressionar com vistas à continuidade dos experimentos científicos infelizes. Eu estava decidido: não iria mais continuar, nem ceder à chantagem. Principalmente depois de ouvir, no recôndito de minha alma, os apelos advindos da dimensão do espírito, da qual não tinha nenhuma informação, conquanto não os pudesse menosprezar, devido à legitimidade e à procedência do fenômeno. Meses depois de tomar a decisão, aportava ao mundo espiritual na companhia de meus dois filhos e esposa, cremados que fomos nos fornos nazistas. Minha alma ainda hoje se ressente daqueles eventos que marcaram nossas vidas para sempre e deixaram cicatrizes que somente o tempo e o trabalho incessante poderão curar.

Cheguei do lado de cá com uma grande quantidade de informações, conhecimentos e experiências arquivadas na mente, que não sofreu nenhuma interrupção nas faculdades do pensamento durante a passagem interdimensional ocorrida no descarte biológico final. Não obstante, meus conhecimentos eram puramente técnicos, baseados numa ciência falida, que pouco ou muito pouco pôde fazer para equacionar as dores humanas. Meu conhecimento de física nuclear e de medicina nada pôde fazer para evitar as dores de muita gente, nem sequer da minha própria família. Meus títulos acadêmicos ficaram para sempre queimados e destruídos junto às cinzas do antigo corpo, que me serviu de vestimenta. Minhas pretensões foram varridas e dissipadas pela morte, logo após a qual eu me candidatava a estudar novamente e reaprender a ler e escrever na escola do infinito, sob a tutela de abnegados amigos e da misericórdia de nosso referencial de mãe e orientadora espiritual, a singela mulher que ficou conhecida como Maria de Nazaré.

Deveria começar a estudar, então, a ciência do espírito, e a isso me dediquei quase que exclusivamente por anos a fio, à medida que encetava os primeiros passos nos processos de transferência dimensional, ou seja, nas reuniões de materialização e ectoplasmia. Mas nada do que aprendi caiu do céu como num ato milagroso. Tive e tenho de estudar sempre, inclusive revendo muitas teorias que defendia antes e que, mediante estudos mais aprofundados, passo a ver que podem ser diferentes. Afinal de contas, espírito não sabe tudo e, com o tempo, nosso ponto de vista também evolui.

Hoje sou mais um aprendiz na escola do espírito, da vida imortal. Como tal é que venho nestas páginas dar meu testemunho, prestar minha contribuição às reflexões de meus irmãos ainda de posse do corpo físico. Minhas palavras não devem ser tomadas como verdade absoluta, mas como opinião de um ser cuja existência está vinculada a outra dimensão, e como resultado da jornada de um espírito que sempre busca a verdade através de experiências, questionamentos e aprofundamento nos estudos neste lado de cá da fronteira da vida.

Dessa forma, minha proposta nestas páginas não é informar aspectos técnicos e revelar pormenores da fisiologia energética humana, tampouco discorrer a respeito de magnetismo, raios, ondas e campos energéticos, nem mesmo apresentar uma medicina espiritual que traga novos conhecimentos sobre tais assuntos. Quero, de fato, é abordar o lado humano, a participação do ser humano nos fatores determidantes da saúde e das enfermidades.

Assim, mais atenção dedicamos à necessidade de humanizar a prática da medicina, de desenvolver percepções e novos sentidos para auscultar aquilo que os equipamentos eletrônicos e a tecnologia disponível ainda não podem explorar.

Sobretudo, visamos estimular o desenvolvimento de um senso de responsabilidade em relação à vida daqueles que procuram respostas e soluções para as dores e angústias decorrentes das enfermidades que os assolam. Pretendemos incitar magnetizadores, curadores e médiuns à reflexão, pensando sobre os elementos que contribuem para a retomada da qualidade de vida por parte dos consulentes e necessitados desejosos de melhora.

Minhas palavras, revestidas agora de novo traje, com a ajuda do amigo Ângelo Inácio na redação, apresentam as práticas médicas tradicional e espiritual como complemento uma da outra. Minhas reflexões têm o objetivo de levar meus irmãos que se dedicam à recuperação da saúde humana, tanto no âmbito profissional como no assistencial, a rever seus conhecimentos, estudar e desenvolver a medicina humanizada, aproximar-se dos que sofrem e vê-los como seres dotados de sentimentos e emoções. Filhos que são de um passado espiritual cheio de acertos e desacertos, apresentam um histórico de vida que os leva a ser muito mais sensíveis à forma como são tratados e albergados, no processo de cura a que se submetem.

Aí está a síntese do que constituem estas páginas e as palavras aqui expressas. Trata-se apenas de uma proposta de sensibilidade diante da vida, da dor e do sofrimento com algumas reflexões que possam, quem sabe, proporcionar maior qualidade aos trabalhos de meus irmãos. Se porventura, de alguma maneira, minhas palavras soarem ofensivas aos meus irmão encarnados, peço perdão antecipadamente, pois não é esse o meu objetivo. Tendo em vista minha última formação cultural, minha forma de falar talvez soe mais intensa ou ácida, mais crítica e dura, ainda que não seja o caso, tampouco a intenção. Uma vez que ainda não adentrei os domínios da espiritualidade sublime, sou ainda e por muito tempo serei um espírito humano, dotado de severas limitações, particularmente na forma de me expressar. Aos que se propõem estudar, recebam estas minhas palavras como incentivo à sua caminhada e como elemento novo para compor suas reflexões.

JOSEPH GLEBER
San Sebastián/Donostia, 28 de março de 2014.


..1 - CIÊNCIA DO ESPÍRITO

..2 - ONDE ESTÁ A ALMA DA MEDICINA?
..3 - O PAPEL DO MÉDICO
..4 - ONDE ESTÁ O DOUTOR?
..5 - HUMANIZANDO A MEDICINA TERRENA E A ESPIRITUAL
..6 - MÉDICO, MÉDIUNS E SUA MISSÃO
..7 - EXPURGOS ENFERMIÇOS
..8 - CIRURGIAS ESPIRITUAIS
..9 - ENFERMEIROS DE JESUS
..10 - A CURA COMEÇA AQUI
..11 - ÉTICA NO CONTATO COM PACIENTE
..12 - RESSIGNIFICANDO A MORTE
..13 - OS MÉDIUNS DE TODO LUGAR...
..14 - O PAPEL DA MÚSICA COM TERAPIA...
..15 - CURANDO AS EMOÇÕES
..16 - O PAPEL DO MAGNETIZADOR E DO ...
..17 - REUNIÕES DE ECTOPLASMIA E ...
..18 - O ECTOPLASMA NOS PROCESSOS...
..19 - O MÉDIUM DE CURA E SUA SEXUALIDADE
..20 - O LADO MÉDIUM DO MÉDICO
..21 - O LADO MÉDICO DO MÉDIUM
..22 - ESPIRITUALIZAÇÃO DA CIÊNCIA
..23 - FISIOLOGIA ESPIRITUAL ...
..24 - ENERGIAS E FLUÍDOS
..25 - A FORÇA DA MENTE NOS PROCESSOS...
..26 - POR QUE A CURA NÃO ACONTECEU?
..27 - QUANDO AS CRENÇAS DESENCADEIAM...
..28 - O TRABALHO DOS ESPÍRITOS NO ...
..29 - ALÉM DO CÉREBRO