DIFERENÇAS NÃO SÃO DEFEITOS

FRATERNIDADE: APLICAÇÃO DA MISERICÓRDIA COM OS DIFERENTES E SUAS DIFERENÇAS.

"E, respondendo João, disse: Mestre, vimos um que em teu nome expulsava os demônios, e lho proibimos, porque não te segue conosco. E Jesus lhes disse: Não o proibais, porque quem não é contra nós é por nós." Lucas, 9:49 e 50.

No alvorecer do século XXI, foi acelerada a nova Era. As almas que foram pacientemente preparadas no mundo dos Espíritos regressam em larga escala ao corpo físico com objetivos transformadores, visando ao futuro. Novas idéias, novas posturas, nova forma de raciocinar e sentir.

Conquanto ainda sob a pressão de alguns traços morais do egoísmo, dos quais ainda não se livraram, tanto quanto nós, elas retornam nutridas e motivadas pela esperança de serem as cultoras dos novos tempos.

A Terra não tem referenciais similares até os dias de hoje sobre a natureza psicológica e cognitiva dessas almas. Logo nos primeiros anos de vida, demonstram uma incomparável capacidade de entendimento e, por isso mesmo, são diferentes no agir e no pensar.

Durante 100 anos, após o surgimento da doutrina espírita, por meio de uma organização jamais vista em todos os tempos, a campanha pela regeneração da Terra foi decisivamente deflagrada nas regiões superiores vinculadas às necessidades de nosso mundo de provas e expiações. Planos e metas, projetos e determinações foram exarados pelos condutores amoráveis e iluminados de nosso orbe. Psicólogos, servidores sociais, médicos, consultores, pensadores e toda uma multidão de homens e mulheres educados na arte de amar, nas suas mais diversas e amplas áreas de atuação, foram convocados a intenso, paciente e laborioso planejamento que envolveu todas as diversidades étnicas, religiosas e culturais da nossa humanidade.

E, nos últimos 50 anos, tais aspirações organizadas pelo Mais Alto entraram em dinâmica e ativa operação, conduzindo multidões à reencarnação em todos os setores das atividades terrestres na condição de forças transformadoras culturais e morais. Colônias, cidades, postos de socorro, zonas de tratamento, hospitais e toda uma variedade de núcleos no mundo espiritual, sob intensa proteção e medidas das esferas mais elevadas, foram treinados para insculpir no campo mental dos reencarnantes os princípios da nova ordem de idéias e comportamentos do progresso do orbe.

A geração nova traz os germens daquilo que a humanidade anseia em todos os tempos. Fazem parte dessa planejada e larga campanha realizada em todas as comunidades da psicosfera terrena, almejando a maturidade dos habitantes do planeta em face do mundo de regeneração que nos espera logo mais.

Vivemos hoje, mais que nunca, os tempos de transição em que se misturam os caracteres de uma e outra geração.

O novo e o velho se confundem e se chocam, tendo em vista o estabelecimento da nova ordem do progresso inestancável. Nesse aparente turbilhão de desordem em que se encontram as sociedades terrenas, nasce uma nova civilização.

E neste cenário notam-se claramente como as chamadas "minorias" trazem um poder transformador e gerador de microtendências da humanidade. Sob essa perspectiva de céleres metamorfoses sociais, nem sempre o poder constituído representa a aspiração das massas, nem sempre experiência significa autoridade e nem sempre a tradição é sinônimo de rota segura em direção aos objetivos nobres a que todos somos convocados na escola da evolução humana.

Evidentemente, nem toda minoria atende aos imperativos sagrados dos tempos futuros, entretanto, observar e claramente como esse movimento é poderoso quando traz em sua essência os elementos que constituem velhos clamores e necessidades da humanidade na rota evolutiva de sua história.

O surgimento de nichos específicos sinaliza que algo precisa ser repensado e aprimorado. Muitas minorias trazem em seu ideal o embrião de futuras conquistas da humanidade. Refletem, algumas delas, a força transformadora que carregaram para a vida física esses milhões de corações que tiveram seu campo mental devidamente aprimorado para talhar os comportamentos regenerativos.

Meditemos em alguns traços da nova geração:

* São idealistas com extrema necessidade de fazer parte de algo que tenha impacto na sociedade. Vivem o seu presente a partir de um futuro desejável.

* Querem ser ouvidos e recuam onde não haja espaço para o diálogo, rejeitando toda forma de autoritarismo e unanimidade. Louvam as comunidades e os grupos.

* Tem um conceito de trabalho com significado produtivo para melhorar o mundo, e não apenas para ganhar. Preferem fazer o que gostam.

* Priorizam qualidade de vida.

* Portadores de um nível de afetividade mais dilatado, expressam-na de forma muito particular e distante dos costumes tradicionais.

* São entusiastas do desenvolvimento pessoal.

* Guardam identidade com a espiritualidade, e não com religião, com a qual só se afinizam quando se abrem para promover um renascimento conceituai de seus princípios.

* São cultores da saúde e da beleza corporal.

* Sensíveis às questões do meio ambiente.

* São Espíritos cansados da intolerância, avessos à violência, à rigidez e a padrões e preconceito.

* Adoram ser diferentes, ser originais, ser particulares. Guardam profunda necessidade de realização de seu mapa pessoal, em contraposição com o que a sociedade espera deles.

* São arrebatados por tecnologia.

Deixemos claro que esses são apenas alguns pontos para meditação, nada mais que uma radiografia muito restrita da natureza e das características que compõem essa multidão de almas, que renascem com a mente sensível aos embriões de um mundo melhor, trazendo um mapa mental rico em elementos morais, culturais e espirituais.

Examinando com cuidado e visão social os pontos acima assinalados, encontraremos um leque de temas que fermentam o futuro regenerador da Humanidade, tendo como objetivo maior a formação para o sentimento do bem.

Conquanto ainda se trate de uma geração marcada pelo egoísmo, ela traz em seu comportamento e em sua forma de pensar os ingredientes renovadores que impulsionam e modelam novos hábitos, tendências e dimensões sociais na futura extinção do materialismo. Composta de Espíritos com crenças e costumes distintos, eles são os operários da era do progresso moral.

Acerca desses tempos novos, Allan Kardec, em A gênese, capítulo XVIII, item 17, assim expressou:

"A fraternidade será a pedra angular da nova ordem social; mas não há fraternidade real, sólida, efetiva, senão assente em base inabalável, e essa base é a fé, não a fé em tais ou tais dogmas particulares, que mudam com os tempos e os povos e que mutuamente se apedrejam, porquanto, anatematizando-se uns aos outros, alimentam o antagonismo, mas a fé nos princípios fundamentais que toda a gente pode aceitar e aceitará: Deus, a alma, o futuro, o progresso individual indefinito, a perpetuidade das relações entre os seres. Quando todos os homens estiverem convencidos de que Deus é o mesmo para todos; de que esse Deus, soberanamente justo e bom, nada de injusto pode querer; que não dele, porém dos homens vem o mal, todos se considerarão filhos do mesmo Pai e se estenderão as mãos uns aos outros."

"Essa a fé que o espiritismo faculta e que doravante será o eixo em torno do qual girará o gênero humano, quaisquer que sejam os cultos e as crenças particulares."

A fraternidade como eixo de todas as diferenças, agregando os diferentes: que solução mais segura e promissora pode-se propor para curar o nosso egoísmo?

Para sermos fraternos, temos de renunciar aos pontos de vista em favor do entendimento, embora isso necessariamente não signifique que tenhamos de abdicar do que pensamos.

Para sermos fraternos, somos convocados a acreditar que cada nicho de força produtiva cumpre missões no atendimento a necessidades particulares.

Todavia, para que esses requisitos de fraternidade legítima façam parte de nossa vida emocional profunda e verdadeira, destaca Kardec, é necessária a .

Eis o tema a que visamos na essência de nossas anotações nessa obra. Sobretudo, a fé que podemos depositar no amor ao nosso próximo, seja ele como for ou esteja ele como estiver.

Fé na luz que está adormecida em cada ser humano e que, por mais distante se encontre dessa luz, ele continua sendo o filho de Deus.

Eis a grande lição da fraternidade aplicada: acreditar mais uns nos outros.

A fé é o movimento sagrado da alma na expressão da luz interior, do Deus que habita em nós e que nos criou à Sua imagem e semelhança.

Encontrar essa força divina em nós será a única alternativa que nos resta para conseguirmos sentir fraternidade e nos libertar de raciocinar a fraternidade. E só quem sente é capaz de se contagiar com a essência renovadora da vida. Somente sentindo é que facilitamos o desenvolvimento de novas atitudes, edificando a compreensão de que diferenças não são defeitos, são apenas diferenças.

Escolhemos alguns temas que poderão ser úteis ao diálogo enobrecedor e ao estudo iluminativo, destinados a todos os que se afinizam com a aspiração a dias de mais paz e concórdia na Humanidade.

Temas que dizem respeito à nossa postura pessoal diante dessa aspiração e que poderão, também, colaborar com o período da maioridade das idéias espíritas na sociedade. São singelas sugestões para uma oportuna avaliação sobre nossas movimentações em torno do ideal espírita, a fim de refletirmos se nossas organizações se encontram identificadas com o futuro, se estamos acolhendo no hoje o futuro do espiritismo ou se estamos querendo transformar o espiritismo de hoje no futuro. Sugestões que destinamos ao mundo físico com total despretensão e com sincero desejo de que sejam aprimoradas por meio de diálogos sérios e desprovidos de paixão.

Para idéias novas, posturas novas.

Do contrário, estaremos incorrendo na distraída ação de ansiar por mudanças sem ser a mudança em si mesmo, repetindo o velho alerta de Jesus, contido em Mateus, capítulo 9, versículo 17: "Nem se deita vinho novo em odres velhos; aliás, rompem-se os odres e entorna-se o vinho, e os odres estragam-se; mas deita-se vinho novo em odres novos, e assim ambos se conservam."

Nossa esperança é de contribuir com os anseios de quantos já se viram tocados pelo entusiasmo de se libertar das algemas da massificação alienadora, decidindo corajosamente assumir sua singularidade com nobreza de atitudes. Deitar vinho novo em odres novos.

Ao incentivar a alteridade, isto é, a particularidade que cada um é portador, tomamos a cautela de construir nossos textos, deixando claro que a ética da fraternidade é o eixo saudável para as diferenças e para a boa relação entre os diferentes.

Diferenças não são defeitos.

Nossa inspiração para compor as anotações veio de um dos mais magníficos exemplos de fraternidade com a diversidade e acolhimento das diferenças de nosso Mestre Jesus, quando os discípulos queriam conter pessoas que trabalhavam em seu nome, mas de forma diferente:

"E, respondendo João, disse: Mestre, vimos um que em teu nome expulsava os demônios, e lho proibimos, porque não te segue conosco. E Jesus lhes disse: Não o proibais, porque quem não é contra nós é por nós."

Saúdo com alegria e fraternidade todos os povos na sua diversidade, abençôo com incondicional consideração todos os irmãos espíritas e deixo meu abraço afetuoso a todos os amigos e leitores.

Ermance Dufaux, 21 de janeiro de 2012

..INTRODUÇÃO

..CAPÍTULO 1 - DIFERENÇAS NÃO SÃO DEFEITOS ..
..CAPÍTULO 2 - COMPANHEIROS E AMIGOS
..CAPÍTULO 3 - FAZER O NOSSO MELHOR SEM PERFECCIONISMO
..CAPÍTULO 4 - DRAMAS OCULTOS
..CAPÍTULO 5 - O SIGNIFICADO DE SUPORTAMOS UNS AOS OUTROS
..CAPÍTULO 6 - A IMPORTÂNCIA DO OLHAR
..CAPÍTULO 7 - SOLIDARIEDADE SEMPRE
..CAPÍTULO 8 - LIDERES CONSCIENTES E EDUCATIVOS
..CAPÍTULO 9 - FRATERNIDADE APLICADA PERANTE OS ... ..
..CAPÍTULO 10 - MODELOS MENTAIS DE JULGAMENTOS
..CAPÍTULO 11 - INVENTÁRIO DA OFENSA
..CAPÍTULO 12 - CONVIVER COM DIFERENÇAS...
..CAPÍTULO 13 - SINGULARIDADE HUMANA E FORÇAS GENÉSICAS ..
..CAPÍTULO 14 - O AMOR NAS RELAÇÕES NÃO EXCLUI...
..CAPÍTULO 15 - SER ESPÍRITA SEM SER PERFECCIONISTA
..CAPÍTULO 16 - A ARTE DE ACEITARMO-NOS COMO SOMOS
..CAPÍTULO 17 - NATURALIDADE: O MOVIMENTO...
..CAPÍTULO 18 - TEMPOS DE PARCERIA E COOPERAÇÃO...
..CAPÍTULO 19 - APÓSTOLOS DO ESPIRITISMO
..CAPÍTULO 20 - ORAÇÃO PELOS DESAFETOS
..CAPÍTULO 21 - SIMPLICIDADE, ADMIRÁVEL VIRTUDE ..
..CAPÍTULO 22 - UM MINUTO DE ATENÇÃO, DOSE DIÁRIA DE AMOR
..CAPÍTULO 23 - A RIQUEZA DA DIVERSIDADE...
..CAPÍTULO 24 - ENTREVISTA SOBRE NATURALIDADE
..CAPÍTULO 25 - EPÍLOGO: COMO TRATAMOS A ....