PSIQUISMO E CROMOTERAPIA

Apresentação

Ao tratar de curas espirituais, não nos referimos às perturbações que se beneficiam dos processos utilizados pela neurologia ou pela psiquiatria, mas sim do setor doutrinário mais direta e profundamente ligado ao caráter do Consolador que o Espiritismo possui e que, nos dias que correm, avulta de significação. Dois fatores relevantes ainda mais acentuam esse caráter: o número sempre crescente de reencarnações de Espíritos retardados que recebem agora, neste final de ciclo evolutivo, uma nova oportunidade de redenção e, por isso mesmo, crescente incidência de perturbações de toda ordem, espirituais e materiais, que torturam sobretudo as camadas mais pobres da população, cujos recursos não lhes permitem assistência adequada.

Tais fatos acarretam à Federação Espírita do Estado de São Paulo — FEESP — a necessidade de uma série de medidas destinadas a oferecer às massas sofredoras do povo o agasalho e o atendimento mais amplos, adequados e eficientes, através de seus departamentos de assistência material, médica, odontológica, farmacêutica, espiritual e intelectual, cujas atividades vêm sendo desdobradas, há vários anos, de forma metódica e progressiva, enquanto que, na parte doutrinária propriamente dita, foram estudados, organizados e aplicados inúmeros trabalhos que vão desde o simples exame espiritual aos mais complexos e delicados atendimentos.

Ressalvadas as limitações que sempre se interpõem, de negatividades individuais mas, sobretudo, de exigências carmáticas, pode-se afirmar serem satisfatórios os resultados obtidos.

Esse setor de curas espirituais foi sempre de grande interesse, uma vez que as perturbações sempre existiram.

A Codificação, a seu tempo, nesse setor, referiu-se a médiuns curadores, a curas pela prece, pela água fluidificada, pelos passes, recursos que dependem em grande parte da cooperação de Espíritos desencarnados e a imprensa espírita daquela época, como a propaganda realizada depois, reiteraram essas referências dedicando-se porém, preferentemente, aos debates sobre os aspectos filosóficos e fenomênicos da Doutrina.

Após Allan Kardec — o Codificador — no período em que a Doutrina lutava por radicar-se, sucederam-se intensos estudos, pesquisas, conclusões, demonstrações, realizados com o concurso de respeitáveis cientistas e investigadores de muitas nações.

Desde então, segundo parece, ressalvadas as experimentações da nossa época, denominadas parapsicologia e trabalhos isolados, mas sempre meritórios como, por exemplo, os realizados pelo abalizado confrade Dr. Ignacio Ferreira, as curas espíritas têm sido entregues às atividades individuais de médiuns, como se tem observado na Europa, onde, na França, principalmente, os médiuns curadores ostentam placas na porta e adotam processos próprios.

Em nosso País, fora dessa atividade mediúnica individual, das quais o médium Arigó e alguns outros são exemplos edificantes, via de regra se adotam as recomendações da Codificação: preces, água fluidificada e passes, estes últimos como elementos de alta valia complementar.

Segundo se percebe, o Plano Espiritual ainda não julgou oportuno generalizar as curas, continuando seu ritmo vinculado às leis do Carma e somente de longe em longe, aqui e além, surgem médiuns dotados de possibilidades maiores nesse setor.

É verdade que em toda parte, em nosso País, as curas pelo Espiritismo são constantes e muitas vezes notáveis, porém não ultrapassam os ambientes do trabalho em que se verificam e jamais se sistematizam, predominando sempre, repetimos, as injunções cármicas.

No estrangeiro, onde a prática do Espiritismo é quase desconhecida, e prevalecem sempre os aspectos científicos ou pessoais das manifestações, surgem periodicamente médiuns curadores altamente dotados, que realizam seu trabalho em circunstâncias quase sempre espetaculares.

Até meados do século XX, a Inglaterra se destacou nesta ordem de manifestações, possuindo curadores verdadeiramente excepcionais, como, por exemplo, Henry Edwards, presidente da Federação Nacional de Curadores Espirituais da Grã-Bretanha, e o casal Paterson que, assim como o primeiro, compareceram a auditórios abertos onde realizaram, sem maiores preparações, curas notáveis, dessas tidas como milagres.

Dotados de alta capacidade magnética e, naturalmente, reencarnados com tarefas mediúnicas nesse setor, foram excelentes intermediários e executores dos programas do Plano Espiritual superior para as regiões onde realizaram suas atividades.

É de supor que, com o passar dos dias e o agravamento espiritual da situação do mundo, seja o setor de curas diretas mais movimentado não só porque as necessidades humanas e sua miséria se ampliam cada vez mais, como por que o materialismo cada dia que passa se torna mais agressivo.

Em uma visita que realizou à França, Paterson declarou como condição essencial para a realização de curas o amor e a compaixão para os que sofrem, generosidade e humildade para todos os que desejam se curar e esclarecendo: não devem os curadores limitar nunca o poder espiritual dentro de suas próprias mentes, querendo dizer que o médium de cura não deve se recusar ao trabalho, selecionar sofredores, dar preferências e agir com personalismo, que, como se vê, já é regra mediúnica rigorosamente obedecida em nosso País, no apostolado evangélico dos nossos devotados médiuns.

Nessa mesma visita, Paterson declarou que nas Ilhas Britânicas os curadores têm entrada livre e podem exercer suas atividades em mais de 2.500 hospitais existentes no País o que, aliás, não admira, porque a liberalidade inglesa é conhecida e não se trata de País ainda sensível ao fanatismo religioso dogmático como o nosso e outros da América Latina.

Que nos conste, cabe à FEESP, igualmente como na organização de cursos e escolas para desenvolvimento mediúnico, evangelização e aculturamento doutrinário em geral, a primazia de estudos especializados e de aplicação metódica de processos de cura espiritual, numa esquemática progressiva, segundo a natureza dos diferentes casos e a introdução de métodos próprios que se adaptam aos diferentes aspectos individuais.

Não se afirma que o conseguido seja perfeito ou completo (e o que poderá haver com esse caráter?), sendo natural que haja futuras modificações, aperfeiçoamentos e desdobramentos; mas o que existe já oferece resultados satisfatórios, resiste a análises e, mais que tudo, vale como uma primeira e modesta tentativa de regulamentação de assunto de tal natureza e magnitude. Esse conjunto de práticas, a nosso ver, poderá servir de base a novas e mais profundas experimentações, perfeitamente enquadráveis no Espiritismo que, como se sabe, é doutrina francamente evolucionista e progressiva, que incorpora o que vai com o tempo surgindo de verdadeiro e útil, tanto no conhecimento teórico como na prática.

Este campo de curas espirituais não deve, pois, ser assunto polêmico ou de controvérsia, pelo menos por enquanto, mas de estudo e experimentação:

Iº) porque os Espíritos desencarnados utilizam-se dos médiuns curadores segundo as conveniências e os programas do Plano Espiritual; e

2º) porque, não havendo a Codificação ou os Congressos Espíritas legislado a respeito ou estabelecido métodos ou sistemas, respeitada, como é natural, a legislação de cada País, cabe certa liberdade de ação aos estudiosos e médiuns curadores em geral, que é, aliás, o que vem sucedendo.

Dentro dessa liberdade natural é lícito, portanto, estudar, experimentar e aplicar processos, que se justificam não só pelos seus resultados como e principalmente pelos benefícios que conferem à multidão, cada vez mais numerosa de doentes, perturbados, desvalidos, aflitos e infelizes de toda a espécie que procuram as Casas Espíritas.

EDGARD ARMOND


1ª. parte: MÉTODOS ESPÍRITAS DE CURA

..1- AÇÃO DIRETA NO PERISPÍRITO
..2 - TRATAMENTOS
2ª. parte: PSIQUISMO
..1 - O ENCÉFALO
..2 - O SISTEMA NERVOSO
..3 - REENCARNAÇÃO
..4 - O ENCÉFALO ESPIRITUAL
3ª. parte: CROMOTERAPIA
..1 - NOÇÕES GERAIS
..2 - CLASSIFICAÇÃO DAS CORES
..3 - PROPRIEDADES DAS CORES
..4 - AS CORES NA AURA HUMANA
..5 - EFEITOS DAS CORES NAS CURAS
..6 - APLICAÇÕES PRÁTICAS