SAÚDE - TRILHA DE TRANSFORMAÇÃO

Prefácio

Buscando refletir com os companheiros acerca de algumas questões, veio-me à lembrança o fato de que muitas vezes nós nos esquecemos de diferenciar as ciências médicas da medicina.

A ciência é instrumento fundamental, sua preocupação primordial é a pesquisa da verdade, a busca do conhecimento, da etiologia e etiopatogenia, com a consequente conquista dos meios terapêuticos para o alívio das diferentes doenças que atingem o homem.

No entanto, a medicina, ou qualquer atividade terapêutica, é muito mais do que a ciência. Para que ela tenha sentido, resultados, ela precisa se humanizar.

O médico não pode ser simplesmente um estudioso da ciência, tem que ser alguém que busca a essência humana em todos os seus aspectos, age e interage de maneira que suas ações e motivações se transformem em recursos que signifiquem conforto, alívio e, se possível, remissão para o outro.

Dentro dessa perspectiva, vêm-nos à mente três colocações do mestre Jesus:

Em primeiro lugar, quando ele nos diz: “Pedi e dar-se-vos--á” (Mateus, 7:7) - o verdadeiro terapeuta constrói um arsenal de recursos que se transformam em resposta ao pedido que lhe é feito, não necessariamente objetivando atender à fala, mas às necessidades daquele Espírito.

Depois, lembro-me do Mestre junto ao homem cego, quando questiona: “Que queres que te faça?” (Marcos, 10:51) - precisamos saber a extensão da possibilidade dos nossos atos, mas conhecer, antes de tudo, os limites e possibilidades do paciente, para que a atitude de ajuda sempre signifique uma recolocação da criatura em direção a Deus.

Vem-nos, por fim, a máxima de fazer ao outro o que quereriamos que nos fizesse - parâmetro verdadeiramente moral e universal de qualquer código de ética.

Nós acreditamos que a ciência médica é instrumento fundamental para o trabalho no campo da saúde. Sabemos, por termos atuado nesse campo, da importância da ação do profissional, mas, hoje, temos a certeza que o grande e verdadeiro instrumento de cura é a própria criatura, a qual precisa ser instrumentalizada para que possa escolher seu caminho, o contacto com seu eu e, consequentemente, com o seu eu superior, realizando o exercício pleno da saúde e da felicidade.

Que Deus nos ampare e abençoe.

Do irmão no ideal do Cristo,

HUGO WERNECK

mensagem psicografada pelo médium Roberto Lúcio Vieira de Souza, na amemg

Apresentação

O MAIOR COMPROMISSO DA ASSOCIAÇÃO MÉDICO-ESpírita de Minas Gerais (amemg) é com o aprendizado em serviço, por meio do amparo à dor humana, do acolhimento amoroso e da educação para a saúde. Desde sua fundação, há mais de 25 anos, os grupos se estruturam visando a beneficiar o ser humano, carente do corpo e da alma, no processo de entendimento do binômio saúde-doença, e no reencontro com a essência, com Deus em si.

Celebrando, em 2012, os 26 anos de trabalho e serviço no bem da amemg, temos muita alegria e satisfação em reeditar esta obra que é fruto de um dos grupos mais antigos e ativos de nossa instituição. Composto por almas femininas, que acolhem amando, o Grupo de Estudo de Espiritismo e Psico-oncologia (geepsicom) vem ofertando amparo e orientação espiritual a tantos quantos a vida solicita, possibilitando o acesso a um caminho terapêutico de cura integral, como poderão conhecer nas páginas que se seguem.

Que os leitores amigos se deliciem com este banquete es piritual que nos é ofertado por estes corações estudiosos e fraternos, que têm mantido aceso o ideal das Associações Médico-Espíritas em sua alma e coração, aprendendo e ser vindo em nome de Jesus. E que as reflexões e vivências aqui narradas e propostas auxiliem a todos a encontrar sentido e significado na experiência do adoecimento, bem como força para a luta, para a conquista da saúde do corpo e da alma.

Belo Horizonte, abril de 2012
ANDREI MOREIRA

médico homeopata, presidente da amemg, editor da ame Editora

INTRODUÇÃO

EXPERIÊNCIA DO GRUPO DE ESTUDOS DE ESPIRITISMO E PSICO-ONCOLOGIA (GEEPSICON) DA ASSOCIAÇÃO MÉDICO -ESPÍRITA DE MINAS GERAIS

A NOSSA INTENÇÃO É FAZER ALGUMAS CONSIDERAÇÕES sobre os trabalhos do Grupo de Estudos de Espiritismo e Psico-oncologia da Associação Médico-Espírita de Minas Gerais (amemg).

Dentro do objetivo da Associação de aliar os conhecimentos da ciência aos do espiritismo, nosso grupo interessa-se também em minimizar o sofrimento dos pacientes oncoló-gicos e de seus familiares.

HISTÓRICO E PRINCÍPIOS

Desde 1988 esse grupo vem se dedicando a estudos teóricos e ao atendimento de pacientes portadores de câncer e a seus familiares.

Iniciou seus trabalhos em outubro, quando começamos os estudos das ciências da área de saúde à luz da doutrina espírita. Em agosto de 1993, percebemos já ter condições de executar um trabalho prático.

Fizemos uma pesquisa entre os participantes para verificar qual o tipo de trabalho, objetivo e público a ser atendido. O grupo optou pelo trabalho com o paciente oncológico, devido à afinidade profissional já existente entre diversos membros do grupo. Começamos a nos preparar, do ponto de vista teórico, buscando informações no conhecimento médico, psicológico e doutrinário a esse respeito. No entanto, ainda permanecíamos com dificuldades para o início do trabalho prático, até que fomos incitados a não mais adiar o recebimento de pacientes encarnados, pois a espiritualidade aguardava nosso concurso para início da tarefa de atendimento.

Iniciamos com a mentalização, irradiação a distância, a pacientes internados em enfermaria de oncologia de um dos hospitais de Belo Horizonte. Nessa época, dois dos componentes do grupo eram médicos residentes nesse hospital. Recebíamos os relatos de suas observações, nas quais evidenciavam que nas noites em que eram feitas as irradiações, os pacientes e a equipe de saúde mostravam-se mais tranquilos e o ambiente como um todo apresentava-se mais “leve”.

Pouco tempo depois iniciamos o atendimento no trabalho de fluidoterapia, ou seja, aplicação de passes e água fluidificada, trabalho de higiene mental e relaxamento em um pequeno número de pacientes e familiares, contando-se ainda com psicoterapia individual ao paciente e atendimento de familiares em grupo.

Atualmente nossa tarefa ampliou-se de forma significativa: cada paciente é atendido em psicoterapia individual, participa dos grupos terapêutico, de relaxamento e meditação, recebe o passe e a água fluidificada e é concitado à manutenção do culto do evangelho no lar. Além dessas atividades, são oferecidas terapêuticas complementares, tais como: acupuntura, homeopatia, reiki e terapia floral.

Nosso grupo de estudos é composto de profissionais da área de saúde, alguns dos quais já se dedicam, em seu trabalho, a pacientes oncológicos.

Assinalamos que nosso trabalho se assenta nas premissas básicas do espiritismo:

> Deus é o Criador e todos somos Suas criaturas.

> A base de toda a criação é o amor de Deus. Todas as criaturas trazem em si a marca do Criador, a qual chamamos de centelha divina, contendo em si a potencialidade da sabedoria, do amor, da justiça, da saúde e dafelicidade.

Diriamos que essa potencialidade, contida em gérmen na centelha divina, desabrocha ao longo da evolução do Espírito até que atinja sua plenitude nos seres angélicos, que, por nossa pequenez, não somos capazes de vislumbrar.

> Evolução - criado simples e ignorante, através das experiências vividas, o Espírito adquire, passo a passo, conhecimento, sabedoria e amor. A sua destinação é chegar à angelitude, o máximo de perfeição concedida à criatura. Sabemos que a evolução espiritual é infinita e se faz ao longo de inumeráveis reencarnações, no plano em que vivemos. Quando o Espírito atinge um grau evolutivo adequado, já não necessita mais reencarnar na Terra para continuar sua evolução. Continuará a progredir em formas mais sutis, até atingir a perfeição, que é, a nosso ver, a saúde perfeita, sinônimo de felicidade.

> Reencarnação - o corpo físico é, ainda, para nós um precioso instrumento de aprendizado e purificação do Espírito. É através das diversas reencarnações que a criatura cria, através do acervo das experiências, condições de ascender aos planos mais elevados.

> Lei de causa e efeito - através das reencarnações sucessivas, a evolução do Espírito é uma trajetória única e todos os seus atos, atitudes, pensamentos e sentimentos se encontram arquivados na consciência mais ampla e profunda, à qual chamaremos “eu \ Esse registro íntimo permite ao ser trazer gravados os reflexos positivos ou negativos de suas vivências, em relação a si mesmo e ao próximo. Os positivos trazem-lhe alegria, paz, saúde e felicidade. Os negativos produzem sentimentos profundos de necessidade de reparação dos erros. Tornam-se, na maioria das vezes, processos inconscientes a atuarem em nossa vida, podendo permanecer incompreensíveis, se não nos dedicarmos ao trabalho de autoconhecimento e autoaperfeiçoa-mento. Chamamos a esse processo de “lei de causa e efeito”.

> Natureza trina do homem - o homem é de natureza tripla: espírito, perispírito e corpo físico. O processo evolutivo é dirigido pelo Espírito. O perispírito é intermediário entre as energias puras do espírito e a matéria. Entendemos que o perispírito é composto de diversos corpos, de níveis energéticos e funções diferenciadas, os quais “armazenam” todas as informações e “gerenciam” as necessidades evolutivas do ser.

Entendemos que as doenças são reflexos das dificuldades da criatura, pois o corpo físico funciona como filtro, através do qual o Espírito permite a drenagem dessas mazelas, em prol da verdadeira saúde, que é o retorno ao contato com o Criador.

Portanto, compreendemos que a cura física, embora desejável, não é o objetivo principal do “eu” mais profundo. Há, sim, uma necessidade espiritual de saúde real que, na verdade, é a consciência da vivência de união com o Pai. Nosso trabalho visa ao despertar dessa consciência em cada um, no sentido do aperfeiçoamento possível, dentro do estágio evolutivo no qual se encontra.

Nossos mentores alertam-nos que o verdadeiro significado de saúde é o sentimento de união com o Criador, quando o ser á capaz de atingir a paz, a harmonia.

“O HOMEM SÃO É O HOMEM SANTO”

Acreditamos que a participação do paciente, colaborando com sua vontade na recepção do tratamento e no próprio desejo de se curar, é fundamental.

Sabemos que as tensões emocionais, os conflitos íntimos, inseguranças, frustrações, tristezas e outros estados negativos da alma inibem as defesas naturais do corpo, no sistema imunológico, contra as doenças. Nosso grupo busca levar ao entendimento das causas das tensões, visando à tarefa da reformulação dos conceitos de vida, do esforço de superar dificuldades, ressentimentos e adversidades, como também exercitando práticas de higiene mental, bons sentimentos e atitudes, relaxamento e de visualização mental. Os pacientes vão, a cada dia, renovando e limpando o campo mental e espiritual, na caminhada inicial com o objetivo maior de recuperação da verdadeira saúde.

CRITÉRIOS E DINÂMICA

Essa dinâmica consiste na proposta de encontros semanais em que os pacientes e os familiares e nós, terapeutas, reunimo-nos com o objetivo do atendimento e de promover a energização desses pacientes. Estes, muitas vezes, chegam até nós desvitalizados e cansados do tratamento convencional, o qual, realmente, é muito doloroso. Em seus relatos constatamos que o peso do tratamento pode ser maior que o da doença em si. As normas desse atendimento são as seguintes:

I - QUANTO À ENTRADA DE NOVOS PROFISSIONAIS

Respeitado o número máximo de participantes por grupo, atualmente definido em 15 (quinze), são observados os critérios da amemg e do geepsicon:
a. Profissional espírita da área de saúde;

b. Experiência e interesse em trabalhar com pacientes oncológicos.

II - QUANTO AOS OBSERVADORES

Poderão ser aceitos profissionais ou acadêmicos para

aprendizado, como observadores passivos. Sua participação será acatada nos atendimentos de grupo, com a aquiescência dos profissionais, dirigentes do trabalho e dos pacientes. Como observador, será posicionado fora da roda do grupo. O geepsicon poderá solicitar relatórios, com o objetivo de avaliações e aprendizado.

Os observadores poderão, também, participar das discussões de caso e dos estudos realizados pela equipe.

É vedada sua participação na parte mediúnica dos trabalhos.

III - QUANTO À ADMISSÃO DE PACIENTES

a. O encaminhamento do paciente pode ser feito tanto por um profissional da área de saúde, quanto por um paciente ou familiar que tenha conhecimento do tratamento;

b. O paciente e o familiar ou acompanhante devem estar ciente do diagnóstico;

c. O tratamento médico do paciente está exclusivamente vinculado à equipe especializada em oncologia, que é responsável por seu tratamento médico-hospitalar. Nosso grupo visa atender o paciente do ponto de vista psico-espiritual. Destarte, em hipótese alguma, nosso tipo de terapêutica iria obstaculizar ou interferir no tratamento alopático tradicional. Nossa postura, dentro do processo terapêutico, é de auxiliar o paciente e o familiar no auto-conhecimento e estimulá-los a abraçar a responsabilidade por sua existência e saúde.

d. O paciente será submetido a uma anamnese inicial, na qual será detalhada sua saúde do ponto de vista físico e psíquico;

e. Durante a entrevista inicial de adesão, é importante esclarecer não só a metodologia do tratamento, mas, principalmente, trabalhar com o paciente e os familiares os objetivos do trabalho:

> O primeiro passo de nossa metodologia é a de atribuir ao paciente a responsabilidade da sua existência e da sua saúde; assim, serão atendidos apenas aqueles que nos procurem por livre e espontânea vontade-,

> Dentro da visão espírita, entendemos que saúde refere-se ao ser integral. Assim, o principal objetivo é o da reforma íntima. Em muitos casos, no momento, a cura física pode não ser possível. Entretanto, objetivamos a busca de melhor qualidade de vida e bem-estar psicossocioespiritual;

> Não é necessário ser espírita ou se tornar espírita para aderir ao tratamento. No entanto, o paciente deve saber que, durante todo o trabalho, estaremos lidando com conceitos espíritas de saúde, tratamento e significado da doença;

> O atendimento mediúnico faz parte do tratamento, mas obedece a critérios de sigilo (inclusive mensagens recebidas pelo grupo), devendo ser usado como instrumento tera pêutico, só sendo revelado ao paciente sob a autorização do terapeuta individual, ou por orientação explícita dos mentores;

> Nosso objetivo visa à compreensão dos processos de adoecimento, como propostas pessoais de cura, do ponto de vista evolutivo, da saúde do ser integral. Portanto, não fazem parte do tratamento atitudes, tais como: receituá rio mediúnico e cirurgias espirituais em busca de cura física imediata, pois visamos à transformação interior e ao crescimento evolutivo do ser. Assim, não nos vincula mos a quaisquer outros grupos, espíritas ou não, que se utilizem dessas práticas. Mais uma vez, afirmamos que a escolha desses atendimentos é de responsabilidade ex clusiva do paciente e de sua livre escolha. Entretanto, se o paciente fizer essa opção, esse fato não gera exclusão de sua participação no tratamento oferecido, nem obrigato riedade, por parte do grupo, de aceitar intervenções de terceiros nos atendimentos por nós oferecidos;

> Como é de praxe, recomendamos aos pacientes sigilo de suas vivências e experiências nos atendimentos em grupos terapêuticos.

IV - QUANTO AO ATENDIMENTO

O paciente e familiar/acompanhante serão atendidos nas

seguintes modalidades terapêuticas:

ESPIRITUAL

a. Prece e passe: como rotina, é oferecido, semanalmente, o passe a todos os participantes dos grupos terapêuticos. O passe é também oferecido em equipes, excepcionalmente no hospital ou em domicílio, no caso do paciente se encontrar gravemente enfermo, e não ter condições de se locomover. Esse tratamento dependerá da autorização e anuência do pacientes e familiares.

b. Água fluidificada: sempre que se aplica o passe, é também oferecida a água fluidificada. O paciente poderá trazer vasilhames para a fluidificação da água, para ser levada para casa;

c. Relaxamento, mentalização positiva e higiene mental: semanalmente é oferecido um momento de meditação e relaxamento àqueles que estiverem presentes aos trabalhos de atendimento de grupos.

d. Culto do evangelho no lar: todos os pacientes receberão a orientação sobre a importância e os procedimentos de como fazer o culto do evangelho no lar, independentemente do credo que professem. Serão também orientados quanto à importância e valor da oração e da higiene mental, individual e em família. Caso seja necessário, a equipe de profissionais poderá oferecer-se para colaborar na implantação do culto, nos lares que a solicitarem.

e. Reunião mediúnica:

> Desobsessão: semanalmente é realizada uma reunião mediúnica, na qual poderão ser atendidos Espíritos liga dos aos pacientes. A esse trabalho, o grupo se reservará o direito de mantê-lo em sigilo, uma vez que se refere a atendimentos específicos da espiritualidade;

> Mensagens mediúnicas recebidas nas reuniões somente serão repassadas aos pacientes após serem analisadas pelas equipes constituídas para essa finalidade, com a anuência dos terapeutas individuais e/ou autorizadas pelos mento res do grupo. Poderão, inclusive, ficar disponíveis para os terapeutas e serem utilizadas como instrumentos terapêu ticos para pacientes e familiares.

AMPARO PSÍQUICO

a. Psicoterapia individual breve:

É oferecida psicoterapia breve, de duração de um ano aberto a reavaliações, aos pacientes do grupo, com os objeti vos específicos de:

> Esclarecimento sobre o processo do adoecimento, seu significado dentro da dinâmica existencial do paciente;

> Busca da reforma íntima e mudanças necessárias nos hábitos de vida, desde os cuidados físicos, até aqueles de higiene mental, mudança de atitudes emocionais e neces sidades espirituais;

Abordagem de temas específicos: perdão e autoperdão; ressentimentos e mágoas; sentimentos de culpa; abandono; egoísmo, orgulho, vaidade e outros, reconhecidos como elementos facilitadores do aparecimento do câncer.

O terapeuta do paciente será definido pela equipe profissional, levando-se em conta critérios próprios do grupo ou necessidades especiais do paciente. Após o primeiro ano de tratamento, deverá ser feita avaliação da possibilidade de alta da psicoterapia individual, a partir dos critérios acima listados, a qual ficará a cargo do terapeuta, juntamente com o paciente e discutida com a equipe. A partir da alta desse processo terapêutico, o terapeuta poderá aceitar proposta, por parte do paciente, de continuidade do trabalho particular e remunerado, estabelecendo-se, assim, novo contrato entre as partes. O paciente poderá, nessa etapa, optar por outro profissional, de sua livre escolha. O paciente e os familiares poderão continuar frequentando os atendimentos de grupo, oferecidos pela Associação Médico-Espírita de Minas Gerais.

b. Psicoterapia individual breve de acompanhantes:

A psicoterapia individual breve para o familiar ou acompanhante é definida pela equipe, sendo indicação específica a compreensão do grupo de que o familiar ou acompanhante, diante da doença do paciente ou a evolução do caso, encontra-se necessitado desse atendimento. Seguirá os moldes da psicoterapia individual breve para o paciente.

No caso de óbito do paciente, o(s) familiar(es) que estejam sendo atendidos, por meio de indicação da equipe de profissionais, terão direito ao acompanhamento psicológico gratuito, nos moldes anteriores.

c. Psicoterapia em grupo, para pacientes:

O atendimento em grupo será oferecido aos pacientes, por tempo indeterminado. O paciente poderá entrar a qualquer momento, caracterizando-se, assim, um grupo aberto.

Cada grupo poderá receber, no máximo, 20 pacientes, atuando com 3 psicólogos: 1 facilitador e dois observadores. Quando o número de pacientes ultrapassar o previsto, poderá ser proposta a criação de novo grupo, com outra equipe.

Os objetivos da terapia em grupo são explorar as possibilidades de socialização do paciente, apoio e sustentação mútuos; trabalhar a reforma íntima e a higiene mental; compreensão do processo de adoecimento como proposta individual de busca de saúde do ser integral, entendendo-se a religiosidade, na busca da religação com o Criador, verdadeiro sentido da vida. Nessa perspectiva, são trabalhados conceitos espíritas, principalmente das leis de causa e efeito, evolução, reencar-nação, continuidade da vida após a morte etc.

A psicoterapia de grupo será direcionada por temas, em torno dos quais serão utilizadas técnicas variadas, tais como psicodrama, arteterapia, hipnoterapia, cinesiologia e outras, de domínio dos psicoterapeutas. Como de praxe em psicoterapia de grupo, o sigilo das vivências e experiências deve ser preservado.

d. Psicoterapia em grupo de acompanhantes:

Esse segmento acompanha os moldes do trabalho feito com os pacientes. Cada paciente poderá ter, no máximo, dois acompanhantes. Os familiares poderão fazer rodízio de participação entre si, se assim o desejarem, mas é importante que uma pessoa seja a referência familiar para a equipe de profissionais.

TERAPIAS COMPLEMENTARES:

Diferentemente dos itens acima, esses atendimentos serão oferecidos como forma optativa em conjunto ou separadamente. Os critérios de duração, alta e renovação de contrato seguirão normas específicas de sua necessidade, a serem descritas pelos profissionais responsáveis por esse atendimento.

Caberá à equipe de profissionais definir as indicações das terapias complementares, obedecendo ao parecer específico dos profissionais que os aplicam, diante das discussões sobre a evolução de cada caso.

Essas modalidades de atendimento somente serão oferecidas quando houver profissionais habilitados atuando da equipe:

a. homeopatia

b. acupuntura

c. reiki

d. terapia floral

e. outros, como por exemplo, shiatsu, ioga, tai-chi etc.

Durante o tratamento, somente serão feitas indicações de atendimento a profissionais que estejam frequentando o geepsicon, tanto nas psicoterapias individuais como nos atendimentos complementares.

SOCIAL

a. Integração com a família: atividades integrativas poderão ser programadas, dentro das atividades terapêuticas dos grupos de atendimento.

b. Atividades sociais programadas: poderão ser programadas atividades sociais, tais como visita a casas de apoio a pacientes, asilos, creches, realização de bingos, festivais de tortas e sorvetes, confecção de artesanato em grupo etc. As atividades nas quais houver arrecadação de fundos, estes deverão sempre ser revertidos para a compra de materiais e melhoramentos para o geepsicon ou para a amemg. Nessas atividades, os pacientes poderão oferecer doações, por livre adesão. Essas atividades deverão, sempre, estar vinculadas a um cunho terapêutico, por iniciativa e com a coordenação da equipe de profissionais.

V - QUANTO À PERMANÊNCIA DOS PACIENTES

O paciente permanecerá nos grupos terapêuticos durante o tempo em que sentir a necessidade do tratamento e, na psi-coterapia individual, enquanto houver indicação da equipe de profissionais, assumindo o compromisso da participação e frequência. Por esse motivo, se o paciente ou familiar deixar de comparecer duas vezes consecutivas, sem justificativas, aos atendimentos especificados, exceto os opcionais acima citados, haverá o desligamento automático. Se não houver o compromisso e frequência de uma das partes atendidas, ao longo do tratamento, esta será desligada, podendo a outra permanecer em tratamento.

RESULTADOS

Relataremos, em capítulos à parte, a experiência e os resultados de cada uma dessas atividades terapêuticas.

Os resultados obtidos dependem do envolvimento, da perseverança e da predisposição íntima de cada paciente em relação a si mesmo e ao seu processo de tratamento. A atitude positiva pode levar a resultados, como os que podemos observar em muitos daqueles que têm sido atendidos por nós:

> Aprendizado do desenvolvimento da autoestima;

> Maior envolvimento dos pacientes e familiares com seu próprio tratamento;

> Baixa de efeitos colaterais dos tratamentos convencionais;

> Ampliação da consciência das causas mais profundas da doença;

> Maior consciência da necessidade da mudança interna, favorecendo a cura relativa;

> Compreensão do conceito de saúde real, abrangendo questões espirituais

> Pacificação íntima, tendo por base os conceitos espíritas da misericórdia divina, lei de causa e efeito, reencar-nação e continuidade da vida;

> Maior serenidade ante o processo da morte, tanto para o paciente, quanto para os familiares.

Desde o início, recebemos mais de uma centena de pacientes. Quanto aos resultados, estão distribuídos em curas, óbitos e desligamentos espontâneos por motivos pessoais, como, por exemplo, pouca disponibilidade individual para investir em seu próprio processo de transformação íntima,
muitas vezes esperando “curas” milagrosas, na esperança de ser curado de fora para dentro.

Alguns não permanecem no tratamento pela dificuldade de entendimento dos conceitos espíritas acima discutidos. Salientamos que não é necessário ser espírita para que o paciente possa ser atendido por nós, e que não é esperado venham a ser seguidores da doutrina. Entretanto, todos os atendimentos desenvolvem o trabalho sob a luz da codificação espírita, a qual nos traz clareza, esperança, compreensão e consolo extraordinários.

É desnecessário afirmar que o atendimento, como um todo, é realizado gratuitamente e o grande ônus para o paciente é o compromisso consigo mesmo em aprender a cuidar de si mesmo, seguindo o ensinamento de Jesus:
Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu espírito. Este é o maior e o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás teu próximo como a ti mesmo. (Mateus, 22:37-39)
Comecemos, então, pelo aprendizado de amar a nós mesmos, para aprendermos a amar ao próximo. Ao contrário do que possa parecer, amar a si mesmo consiste numa longa e difícil jornada, pois envolve o aprendizado da autoestima, do respeito ao divino que há em cada um de nós. É dessa forma que temos a chance de aprender a respeitar a pessoa sagrada que é o próximo. Assim estaremos nos predispondo ao amor a Deus.

PARTE I - UM NOVO PARADIGMA

CAPÍTULO 1 - UM NOVO PARADIGMA PARA A ABORDAGEM DO CÂNCER

ROSEMEIRE SIMÕES PSICÓLOGA

De fato, estamos em plena revolução científica, caracterizada por uma mudança de paradigma; o velho paradigma newtoniano-cartesiano, cuja lógica provocou um enorme progresso nos domínios da macrofísica, da biologia e mesmo da psicologia, revela-se como expressão parcial e reducionista. Tanto a física quântica como a psicologia transpessoal apontam-nos uma nova forma de realidade e fazem surgir um novo paradigma, o paradigma holístico que está a exigir uma nova lógica.

Weil

MODELOS DE COMPREENSÃO DA REALIDADE DA ANTIGUIDADE AO RENASCIMENTO

Antes de discorrermos sobre a terapêutica do câncer, abordaremos os modelos de compreensão da realidade sob a ótica da ciência ocidental, desde as origens da física, há cerca de 2500 anos, aos avanços da física quântica nos dias atuais.

O termo “física” derivou-se da palavra grega physis - “a busca essencial de todas as coisas”:
As raízes da física, como de toda a ciência ocidental, podem ser encontradas no período inicial da filosofia grega do século vi a.C. em uma cultura onde a ciência, a filosofia e a religião não se encontram separadas. (Capra, 1993, p. 23)

Os sábios da escola de Mileto, em Iônia, não se preocupavam com essas distinções, diz Fritjof Capra em O Tao da física. Ao fazer uma análise profunda das mudanças de paradigmas na ciência do Ocidente, estabelece nítidas e inquestionáveis correlações com a visão de mundo da filosofia oriental.1

Os adeptos da escola de Mileto ou hilozoístas, “aqueles que pensam que a matéria é viva”, não estabeleciam distinção alguma entre espírito e matéria, animado ou inanimado,

1. Para Fritjof Capra, o retorno da ciência atual à visão de mundo dos antigos gregos e das filosofias orientais não é apenas intuitivo, mas sustentado por experimentos matemáticos de grande precisão e sofisticação. A visão oriental do mundo é orgânica, todos os fatos e coisas percebidas pelos sentidos acham-se inter-relacionados, constituindo aspectos ou manifestações diversos da mesma realidade última. considerando todas as formas de existência como manifestações daphysis, dotadas de vida e espiritualidade. (1993, p. 23)

Assim como o corpo humano é mantido e nutrido pelo ar, na visão de Anaximandro, o universo era um grande organismo mantido por uma respiração cósmica - o pneu-ma. A visão da escola de Mileto assemelhava-se muito à das filosofias chinesa e indiana e, para Ihales de Mileto, todas as coisas existentes estavam cheias de deuses.

No século V a.C., o filósofo grego Heráclito, fundador da escola de Éfeso, defendia a visão de um mundo em perpétua mudança e um universo em um perfeito “vir a ser”. Afirmava que a luta era o princípio de todas as coisas e a natureza um imenso esforço da matéria para elevar-se até o pensamento e a inteligência:

Para ele, todo ser estático baseava-se num logro; seu princípio universal era o fogo, um símbolo para o contínuo fluxo e a permanente mudança em todas as coisas. (Capra, 1993, p. 24)

Opondo-se a Heráclito, Parmênides de Eleia referiu-se à existência de um ser único, invariável, inteligente, situado acima do mundo e dirigindo-o. Afirmava ainda que as mudanças que presumíamos ocorrer eram apenas ilusões dos nossos sentidos.

Os filósofos gregos do século V a.C. buscaram conciliar o contraste das idéias de Heráclito (um eterno vir a ser) e Parmênides (um ser imutável):
.. o ser acha-se manifesto em determinadas substâncias invariáveis, cuja mistura e separação dá origem às mudanças do mundo. (Capra O dualismo entre mente e matéria, corpo e alma, que foi sustentado durante séculos pelo pensamento ocidental, originou-se com os atomistas gregos do século V a.C. Surgiu o conceito de átomo, a menor unidade indivisível da matéria. Nesse modelo, a matéria era constituída por “blocos básicos de construção” que se moviam no vácuo, passivas e mortas, porém não se explicava a causa do seu movimento. Assim, a cisão entre espírito e matéria foi ganhando consistência no pensamento ocidental. Os filósofos voltaram inteiramente a sua atenção para o mundo espiritual em detrimento do mundo material, provocando por longo tempo uma estagnação nesse campo de pesquisas.

Aristóteles (384-322 a.C.) sistematizou e organizou os conhecimentos da Antiguidade, que sustentaram a visão ocidental do universo por cerca de 2000 anos. Contudo, ele mesmo acreditava que as questões que diziam respeito à alma humana e à espera divina eram mais importantes que as investigações no campo material. (Andrade, 1995) A Igreja católica apoiou a doutrina aristotélica durante toda a Idade Média, fortalecendo-a indubitavelmente e tornando-a inquestionável durante muito tempo.

No final do século xv, com o advento do Renascimento ressurgiu o interesse científico em torno da natureza. Surgiram idéias especulativas, geradoras de teorias científicas, que foram expressas em linguagem matemática. Galileu (1564-1642), astrônomo e físico italiano, trouxe contribuições inestimáveis ao campo científico. Por ser o primeiro a combinar conhecimento empírico com a matemática, recebeu o título de “Pai da ciência moderna [...] gerando a formulação de teorias científicas adequadas tomando por base o experimento.” (Capra, 1993, p. 25)

A FÍSICA CLÁSSICA

Do século xvii ao final do século xix, surgiu com o paradigma newtoniano-cartesiano uma visão mecanicista e reducionista da realidade.

Para René Descartes (1596-1650), filósofo, matemático e físico francês, a natureza derivava de uma cisão em dois reinos, o da mente e o da matéria. “Penso, logo existo” reduziu o homem e a sua identidade aos fenômenos mentais, em detrimento do seu corpo. Com o predomínio do racionalismo, mente e corpo passaram a ser vistos como entidades separadas e independentes.

A natureza era concebida como uma máquina e não como “algo vivo”. Poder-se-ia desmontá-la, analisá-la e, a partir daí, entender o todo pela soma de suas partes.

A mecânica do cientista inglês Isaac Newton (1642-1727) fortaleceu enormemente o pensamento de Descartes. Configurava o universo como um sistema mecânico, composto por blocos de construção elementares, sendo o átomo uma partícula sólida. Nessa concepção o mundo externo era constituído por uma infinidade de objetos e fatos isolados, em uma máquina de grandes proporções.

A mecânica newtoniana sustentou o edifício do conhecimento da ciência ocidental por quase três séculos, promovendo avanços consideráveis na macrofísica e na tecnologia. Paradoxalmente, trouxe consequências adversas que vieram à tona com as descobertas da física moderna.

Na filosofia ocidental, durante milhares de anos, utilizou--se uma metáfora para designar o conhecimento científico: a imagem de um edifício construído sobre fundações sólidas e firmes, composto por blocos de construção básicos da matéria, sustentado por equações fundamentais e princípios fundamentais. “Eu julgava que nada sólido podia ser construído sobre fundações tão móveis”, disse Descartes em seu Discurso sobre o método. Então, passou a construir uma nova ciência, acreditando na firmeza e na solidez de suas bases.

A FÍSICA MODERNA

Nas três primeiras décadas do século xx, as descobertas da física moderna determinaram uma mudança de paradigma para a compreensão da realidade. A teoria da relatividade e a física quântica movimentaram o edifício newtoniano, reformularam profundamente as noções de tempo e espaço absolutos, das partículas sólidas “elementares” de construção da matéria que, na visão cartesiana, eram blocos sólidos, da natureza causai dos fenômenos físicos e do ideal de uma descrição objetiva da natureza.

Albert Einstein (1879-1955), físico alemão naturalizado norte-americano, construiu a maior parte da teoria da relatividade e, em 1905, publicou na revista alemã Anais da Física a primeira parte da sua teoria. Reformulou o conceito de espaço tridimensional da física clássica. Espaço e tempo passaram a formar um continuum quadridimensional espaço - tempo, não se podia mais falar do espaço sem falar do tempo e vice--versa. Além disso, mostrou a inexistência de qualquer fluxo universal do tempo conforme o modelo newtoniano.

A implicação mais importante das descobertas de Einstein para a descrição da natureza originou-se nesta nova concepção de espaço-tempo. Compreendeu-se, a partir daí, que massa é uma forma de energia, o que pode ser comprovado pela equação e=mc2. Em 1915 publicou na mesma revista a parte complementar do seu trabalho - a teoria geral da relatividade: “onde a estrutura da teoria especial foi ampliada de modo a abranger a gravidade, a atração mútua dos corpos dotados de massa.” (Capra, 1993, p. 54)

Na década de 1920, um grupo internacional de físicos deu prosseguimento às suas pesquisas mergulhando no mundo subatômico, descortinando uma estranha e inesperada realidade. Foram eles: Niels Bohr (Dinamarca), Louis Broglie (França), Erwin Schrõdinger e Wolfgang Pauli (Áustria), Werner Heisenberg (Alemanha) e Paul Dirac (Inglaterra). Foram sucedidas por outros renomados cientistas, que também trouxeram contribuições valiosíssimas ao campo científico. Essa nova realidade ampliou enormemente a visão rumo ao microcosmo (dos infinitamente pequenos) e colocou-nos a cogitar sobre o universo, o mundo em que vivemos e sobre nós mesmos. Nas palavras de Capra (1993): “Na física atômica, jamais podemos falar da natureza sem falar, ao mesmo tempo, sobre, nós mesmos.”

Nos experimentos atômicos, sempre que os físicos faziam uma pergunta à natureza, esta lhes respondia com paradoxos e, quanto mais buscavam esclarecê-los, mais agudos eles se apresentavam. Após pesquisas intensivas compreenderam que esses paradoxos pertenciam à estrutura intrínseca da física atômica, e que se apresentariam sempre que se utilizassem os termos tradicionais da física clássica para descrever os fatos atômicos.

Surgiu uma questão à princípio atordoante: O que confere à matéria a sua aparência sólida, já que quase tudo que percebemos no campo material é espaço vazio?

Segundo experimentos da teoria quântica, a matéria possui um aspecto dual (é onda e é partícula) e produz por conseguinte um “efeito quântico”. No nível subatômico não se pode afirmar que a matéria existia com certeza em espaços definidos, ela apresenta “tendências a existir”. Essas partículas são “ondas de probabilidade”, ou seja, há probabilidades de encontrá-las em determinados pontos do espaço e em determinados instantes. Assim, os objetos quânticos são representados por ondas, e as ondas podem estar em dois ou mais lugares na mesma ocasião. Quando observamos, deparamos com o paradoxo de um objeto estar simultaneamente em dois lugares, “aqui e ali”...

Capra (1993, p. 58), explica que todas as leis da física atômica são expressas em termos dessas possibilidades. Jamais podemos prever um fato atômico com certeza, podemos unicamente supor quão provável é a sua ocorrência.

Essas descobertas lançam por terra as relações de causa e efeito que foram, por um longo tempo, um dos pilares de sustentação da física clássica. Já não podemos dizer que um objeto quântico se manifesta na realidade comum espaço--tempo, a menos que o observemos como uma partícula.

Assim, um novo abalo se fez sentir no edifício científico, com implicações tão profundas que talvez possamos falar de um desmoronamento das bases antigas:
[...] os seus conceitos não foram de fácil aceitação, mesmo depois de completada a sua formulação matemática... Seu efeito sobre a imaginação dos físicos foi devastador. (Capra, 1993, p. 57)

Em sua autobiografia, Albert Einstein, atônito com a realidade desvelada pelas novas investigações, comentou o desenvolvimento da física quântica:
Foi como se o chão tivesse sido arrancado sob nossos pés, sem que visse em algum lugar qualquer base sólida sobre a qual pudesse construir algo.

Na física moderna o universo é experimentado como um todo dinâmico e inseparável, onde os conceitos tradicionais de espaço e tempo, de objetos isolados e de causa e efeito perdem o seu significado, revelando assim uma interconexão universal e uma gigantesca teia cósmica.

Capra, ao refletir sobre o universo descortinado pela física quântica, desvela uma nova realidade. Não mais uma coleção de objetos físicos, mas uma complexa teia de relações entre as diferentes partes de um todo unificado. Estabelece, assim, um dos paralelos da ciência moderna com a antiga visão de mundo dos orientais. Para eles, esta cosmovisão pode ser resumida na palavra “orgânica”, e todos os fenômenos do universo são partes integrantes de um todo harmonioso e inseparável.

A indagação sobre a natureza essencial de todas as coisas sugere dois mergulhos: o dos cientistas, por um lado, e o dos místicos, por outro. Mergulhamos
[...] para dentro dos reinos mais profundos da matéria, na física, para dentro dos reinos mais profundos da consciência, no misticismo. [...] os físicos derivam seu conhecimento de experimentos; os místicos, de “insights” (percepções profundas) na meditação. O místico olha para dentro e explora sua consciência em seus vários níveis, o que inclui o corpo como uma manifestação física da mente [...] Quando somos sadios, não sentimos quaisquer partes isoladas em nosso corpo, mas estamos cônscios de que se trata de um todo integrado e essa consciência gera um sentimento de bem-estar e felicidade, [grifos nossos] (Capra, 1993, p. 227)

Geofrey Chew, idealizador da abordagem “bootstrap”, a rejeição final da concepção mecanicista pela física moderna, concebeu o universo como uma teia dinâmica de eventos inter-relacionados, um tecido de relações dinâmicas, auto-consistente e autorregulado. Acredita que uma ampliação das pesquisas no campo científico poderá levar à inclusão inevitável de um estudo da consciência humana em futuras teorias da matéria, já que todos os fenômenos do universo estão intimamente interligados.

David Bohm, dentro de um contexto científico, foi mais longe que qualquer pesquisador na investigação das relações entre consciência e matéria. Em sua concepção, mente e matéria surgem como interdependentes e correlatas, mas não causalmente: “Elas são projeções mutuamente englobantes, de uma realidade superior, que não é matéria nem consciência.” [grifos nossos]

Hoje, os avanços da ciência aproximam-na do mundo ilimitado da consciência. Ruma aos territórios inexplorados da vida, onde “Deus continua criando” incessantemente e o Espírito “cocria”, inclusive o seu corpo físico. Assim, por que não admitir a atuação criativa do homem sobre o microcosmo energético que governa no campo da autocura?

Bohm utiliza também 0 termo holograma, uma fotografia tridimensional onde, de certa forma, a parte contém o todo. Assim, se o dividirmos em dois, teremos dois hologramas completos e não dois hologramas divididos. Por exemplo: se temos a imagem de um animal e separamos uma pata, quando a iluminamos volta a parecer a imagem de todo o animal, só que em detalhe menor.

Capra, referindo-se a Chew e Bohm, sintetiza:
Ambas as perspectivas são baseadas na mesma visão do mundo como uma teia dinâmica de relações [...] ambas reconhecem que a consciência pode ser um aspecto essencial do universo, que terá de ser incluído numa futura teoria dos fenômenos físicos. (1993, p. 239)

A fala de Capra sobre o bem-estar e a felicidade suscitou me algumas reflexões: Jesus afirmou com segurança que “a felicidade ainda não é deste mundo”, mas referiu-se certa mente à felicidade plena, aquela dos Espíritos redimidos que já se libertaram da fieira das reencarnações. Podemos, porém experimentar o bem-estar e a felicidade relativos, inerentes ao estágio evolutivo no qual nos encontramos.

Se nos referimos à felicidade, é porque em uma concepção espiritual de saúde, há um momento em que os conceitos saúde-felicidade se fundem como as duas faces de uma mes ma moeda. Em uma visão espírita, somos criados à imagem e semelhança divinas e, desconectados momentaneamente do Criador, trilhamos no processo da autocura o caminho de retorno à fonte de toda a vida. Assim, o sentimento de ple na integração espírito-mente-corpo (incluindo a integração com Deus e todas as manifestações de vida) somente pode ser experimentado pelo ser que, rasgando os véus da dimen são espiritual, adentrou o campo vibratório das poderosas forças saudáveis que irradiam de seu “eu superior”...

Se o amor, na voz do poeta, libera uma energia “que tem mais força que a energia nuclear”, o que dizer da força que ir radia do ser espiritual? Certamente Jesus sabia do seu alcance quando desvelou aos judeus um aspecto grandioso e transcendente da nossa identidade maior: “Vós sois deuses, o reino dos céus está dentro de vós.” Lançava aí o paradigma do espírito, que hoje a própria ciência já não pode ignorar. Indagamos: não será essa a “realidade superior” de Bohm?

CONCLUSÃO

Ampliando nossas reflexões, prosseguimos com Larry Dossey (1997, p. 16):
Onde, com exatidão está localizada a mente? Na realidade os físicos pensam o espaço e o tempo como uma espécie de camada multidi-mensional chamada espaço-tempo, talvez conectada com a outras camadas semelhantes. Poderia a mente humana estar assentada ou compreendida numa dimensão espaço-temporal superior, além daquela que ocupamos? Partindo desse estado mais elevado, sugeriu o Físico Paul Davies, a mente ou alma seria capaz de fixar-se ao corpo de um indivíduo em nosso espaço-tempo, sem assumir as limitações desta realidade imediata. Estaria aqui e lá ao mesmo tempo - talvez em “várias realidades” diferentes simultaneamente, [grifos nossos]

O que a visão médico-espírita vem regatar é a dimensão da alma humana - o Espírito encarnado - cocriador do seu corpo e mantenedor temporário desse microcosmo. Temporário, porque a física moderna vai além do tempo linear, cronológico, fluido, exterior da física clássica. Sugere “o tempo não fluido, não linear”, “o tempo da eternidade”, “o tempo em que as coisas não acontecem, mas simplesmente são.” (Dossey, 1997, p. 47) A investigação da natureza “não localizada” da mente lan-; a novas luzes à nossa atuação. Se essa hipótese se confirma, eia ísomente) independe do cérebro e corpo físico, embora esteia conectada a eles temporariamente, conferindo-lhes ida. E, se assim for, o que acreditamos, sobrevive a eles inserida numa dimensão “espaço-tempo superior”, comandada ceio Espírito, ao qual pertence.

É fascinante constatar que não trabalhamos somente de . — a maneira localizada”, curando sintomas ou doenças, mas com o ser imortal, transcendente e eterno, que pode atuar inativamente sobre as células que governa, harmonizando--ís. Muitas vezes o “organismo físico” não se cura. Consistamos, porém, uma paz emocional e espiritual profundas, cm sentido crescente de transcendência, de “pertencer”, que :raduzem, acreditamos, a cura se processando nas dimensões mais profundas do ser.

Sir John Ecles, neurofisiologista e prêmio Nobel, faz uma rservação desafiadora (Dossey, 1997, p. 18):
O homem perdeu seu caminho ideológico nesta era... A ciência foi longe demais ao demolir a crença do homem em sua grandeza espiritual, fazendo-o acreditar que não passa de um animal insignificante, surgido ao acaso e por necessidade, num planeta insignificante, perdido na grande imensidão cósmica... Devemos perceber as grandes incógnitas relativas à constituição material e à operação de nossos cérebros, a interação entre mente e cérebro e a nossa imaginação criativa, [grifos nossos]

Prosseguimos com Sir Willian Osler, médico, em “ciência e imortalidade”, palestra proferida em Harvard em 1904 - ?bre “a busca da ciência” pelas entidades desencarnadas:

Talvez eles vivam no mundo real, e nós na terra das sombras! Quem sabe? Talvez o poeta esteja certo. Pois digo que somos enganados pelo olho e pelo ouvido: Estes órgãos nos ocultam o mundo real, que existe ao nosso redor, somos iludidos pelo brilho. O ouvido, o olho, nos tornam surdos e cegos. De outro modo, perceberiamos nossos mortos, que passam acima, através e abaixo de nós.

O universo descortinado pela física quântica (espaço--tempo, energia, probabilidades, auto-organização2 dos seres vivos) dá-nos um suporte precioso para as pesquisas que realizamos em nossa prática clínica no campo da fluidoterapia, do reiki, da terapia floral. Em outro trabalho, nossas conclusões merecerão um enfoque mais aprofundado.

Assim, que desenvolvamos mais e mais “olhos para ver”, porque se as portas da nossa percepção se abrissem, tudo se mostraria como é, e nos abririamos para a nossa natureza imortal, pertencendo “ao universo” e reconhecendo a nossa “filiação divina”.
2. Auto-organização - um sistema vivo se mantém, se renova, transcende a si mesmo, inter-relaciona-se com o meio ambiente. Somos seres vivos e nos renovamos em ciclos contínuos. Exemplo: o pân creas renova todas as suas células a cada 24 horas.

CAPÍTULO 2 - ETIOLOGIA DO CÂNCER NAS VIVÊNCIAS ESPIRITUAIS

LIGIA POMPEU

PSICÓLOGA

CONHECEREIS A VERDADE E A VERDADE VOS LIBERTARÁ . JEUS (JOÃO, 8:32)

Quando refletimos sobre a questão de as célu-las cancerosas serem frágeis e desorganizadas, surge um questionamento: como é possível que essas células possam dominar um sistema de organização tão elevada?

A quimioterapia é tratamento que toma por base o princípio de fragilidade das células neoplásicas, o pressuposto de que os medicamentos atacam a debilidade celular, mantendo a integridade do organismo.

É possível afirmar que há consentimento do organismo na proliferação e predominância de células causadoras de tumores malignos ou de metástases?

Ao aprofundar, buscamos os conhecimentos da doutrina espírita.

Compreendemos que a questão da permissão não deve ser vista como atividade mais superficial, mas sim, relacionada aos níveis diferenciados da consciência profunda, pertinente à organização perispiritual, discutida no capítulo 1 da parte 2, quando nos reportamos à terapêutica das energias. A afirmação de que as doenças, entre elas o câncer, podem acontecer com a permissão da vontade, demonstra que a criatura não é “paciente”, mas sim o “agente” de sua própria saúde. Discutimos, neste capítulo, questões referentes à vontade, cuja atuação no ser é de ordem superior às dos desejos. Entretanto, é necessário refletirmos sobre questões relativas à atual reencarnação, como por exemplo, exposição prolongada a radiações e outros agentes físico-químicos, como também emoções profundas, tais como perdas, culpa, remorsos, reverberando como uma dor profunda na alma, têm sido reconhecidos como responsáveis pelo aparecimento de neoplasias, como observamos em livros publicados por autores diversos na literatura referente ao assunto.

Consideramos que o aparecimento do câncer pode também estar relacionado a questões espirituais tais como obsessão e auto-obsessão, as quais serão descritas em capítulo à parte. A terapia espiritual, como desobsessão, fluidoterapia e culto do evangelho no lar, aliada aos tratamentos convencionais e à psicoterapia, com propostas de reforma íntima, podem se apresentar como grandes aliados na condição pessoal de cura, do ponto de vista físico e mental.

SITUAÇÕES CÁRMICAS

REFLEXOS DE VIVÊNCIAS PASSADAS

Outra situação é aquela ligada às vivências anteriores, como proposta pessoal de reabilitação e retificação evolutiva, no âmbito da consciência profunda, sobre a qual teceremos comentários mais amplos.

Devemos entender que não se trata de ação da superficialidade do ser, mas, sim, como atividade de uma poderosa energia emanada da intimidade do Espírito, conhecedor profundo de sua verdade individual.33. Quando nos referimos à “consciência desperta”, estamos falando do nível de consciência espiritual, o qual nem sempre nos é acessível, ligada à vontade. “Consciência de vigília”, referimo-nos à consciência mais superficial, ligada aos desejos do plano físico.

São decisões pessoais, regidas pela sabedoria da centelha divina, visando à saúde integral, ou seja, uma condição de auxílio direcionando o ser para um importante passo em sua caminhada evolutiva.

Percebemos que todos os relatos sobre curas espontâneas, na atual bibliografia, descrevem também um aspecto de transformação íntima profunda na vida pessoal.

Quando falamos dessa maneira, não estamos querendo dizer que toda essa mudança ocorra, assim, com em um passe de mágica. É fruto de um longo caminho, onde negação, revolta, ressentimentos, mágoas, culpas, entre outros estados emocionais que, ao serem trabalhados em terapia, podem, pouco a pouco, ser superados no processo de autoconhecimento.

Talvez possamos aproveitar aqui a metáfora da semente, a qual é colocada na terra para se transmutar na planta, que é sua destinação mais alta. Imaginemos que, enquanto ela está guardada no celeiro, encontra-se em situação de grande comodidade e tranquilidade, mas não cresce, não é capaz de cumprir a sua destinação. Quando enterrada, passa, possivelmente, por momento de grande dor e tumulto, pois se vê privada da luz, em lugar úmido, todo o seu ser está sendo dilacerado pelas transformações vividas. Entretanto, todo esse abalo obedece a um propósito da mais alta amplitude, que até então lhe é desconhecido, ou seja, atualizar todas as potencialidades íntimas para cumprir sua destinação.

Entendemos que esse exemplo nos facilita a compreensão entre as diferenças que existem entre a vontade, regida pelas instâncias superiores da individualidade, e o desejo, fruto de nossa consciência de vigília, dentro de uma visão bastante míope e acanhada do significado da vida e de nossa destinação de perfeição e saúde, que é o convite eterno do Pai, em favor das criaturas e da criação.

Nesse enfoque, é importante relembrar que o ser humano vive e atua em diferentes níveis de energia: corpo físico, perispírito e espírito, como descrito neste livro.

VONTADE - GERÊNCIA ESCLARECIDA DA MENTE

O esquema didático de modelo de funcionamento de nosso psiquismo, proposto pelo autor espírita Jorge Andréa, ajuda-nos a compreender um pouco melhor esses níveis de funcionamento da vontade. Esse modelo está descrito em Visão espírita das distonias mentais, de Jorge Andréa (feb), e transcrito no livro Por que adoecemos, no qual o autor propõe um esquema de compreensão do funcionamento do psiquismo, desde as emissões energéticas de altíssima potência, emanadas do Espírito, até as vibrações mais superficiais da consciência de vigília, no ser encarnado.

Os níveis mais profundos do perispírito arquivam todas as experiências evolutivas da criatura. Aquelas que foram berri sucedidas, atendendo ao bem e à sabedoria, tornam-se natrimônio inalienável do ser em evolução. Aquelas, cuja reformulação levam à necessidade de reparação e refazimento, nermanecem, como núcleos, armazenadas nessas instâncias nrofundas, à espera do momento adequado para voltarem a superfície, na oportunidade do aprendizado. Segundo o entendimento de que a misericórdia divina somente permite a essas vivências virem à tona no momento em que o mdivíduo já tem forças suficientes para suportar as dores decorrentes de suas atitudes irrefletidas.

O autor ressalta que essa é uma tentativa de compreensão do dinamismo psíquico-espiritual. Uma visualização didá-:ica e que, em se tratando de potencialidade da energia, não nos é possível tratá-la de forma rígida. Entretanto, permiti-mo-nos utilizá-la na tentativa de compreensão de como as ivências e experiências do ser encontram-se arquivadas, na mtimidade do perispírito, e que, em um momento oportuno, poderão vir à tona, ao nível do inconsciente atual.

Assim, é possível entender que as vivências passadas atuam no momento presente, embora no âmbito da consciência de vigília ocorra o seu esquecimento. Entendemos que a continuidade da vida, pela reencarnação, permite-nos oportunidades renovadas de reorganização das vivências e arquivamento de experiências. Quando o indivíduo já se encontra maduro, ou quando o Espírito emite a energia liberadora, essas vivências ou experiências têm permissão para começarem a agir no inconsciente atual, exteriorizando-se em comportamentos e atitudes.

Se sadios, os núcleos exteriorizam posturas de equilíbrio e saúde, se não, induzem a patologias físicas e mentais na vida do indivíduo, exigindo tratamento adequado

No livro Pensamento e vida, Emmanuel compara a mente humana a um grande escritório, subdividido em diversas seções de serviço:

> Departamento do Desejo: opera os propósitos e as aspirações, acalentando o estímulo ao trabalho;

> Departamento da Inteligência: dilatando os patrimônios da evolução e da cultura;

> Departamento da Imaginação: amealhando as riquezas do ideal e da sensibilidade;

> Departamento da Memória: arquivando as súmulas de experiência;

> Outros, ainda, que definem os investimentos da alma.
Acima de todos esses “departamentos” e como “gerente” encontra-se a vontade, energia superior emanada pelo Espírito. É diferente de desejo, pois este encontra-se ligado a níveis mais superficiais da organização do perispírito.

A ação da vontade subordina-se às leis de causa e efeito e - - nropostas evolutivas de cada um, pois se conhecimento e sabedoria estão iluminados pela luz imperecível do Espírito, . - ado à imagem e semelhança de Deus:
Pensamento, eletricidade e magnetismo conjugam-se em todas as manifestações da vida universal, criando gravitação e afinidade, assimilação e desassimilação, nos campos múltiplos da forma que ser-. em à romagem do Espírito para as metas supremas, traçadas pelo piano divino. A vontade, contudo, é o impacto determinante. Nela dispomos do botão poderoso que decide o movimento ou a inércia da máquina. O cérebro é o dínamo que produz a energia mental, segundo a capacidade de reflexão que lhe é própria; no entanto, na vontade temos o controle que dirige nesse ou naquele rumo, estabelecendo as causas que comando os problemas do destino.44 Em Pensamento e vida, Emmanuel/F.C.Xavier, ano 1985, 9. edição, feb, página 16.

Lembremos que o questionamento, neste capítulo, referese a “permissão” que nossa alta organização faz, às células desorganizadas e frágeis, para proliferar até o ponto de descrição do próprio corpo físico, pela morte.

A medida que compreendemos a atuação da vontade superior dirigindo os processos reencarnatórios, podemos imaginar os seus propósitos e necessidades, diretamente subordinados is grandes possibilidades evolutivas, ao restabelecimento da Si_de da individualidade, no sentido da religação com o Pai.

Assim quando desejamos a cura física, sem maior aprofundamento do significado da doença, esta pode não atingir os objetivos superiores propostos. É o que a espiritualidade denomina de “doença improdutiva”. A doença grave deve ser vista como proposta de reajuste, em obediência a propósitos superiores.

Mais à frente discutiremos as questões da lei de causa e efeito e de carma, e veremos que a fixação em vivências negativas cria zonas de remorso, exigindo da consciência novos posicionamentos, para o aprendizado da individualidade.

Um dos principais esforços que devemos empreender com o objetivo de alcançar a educação evolutiva é o de aprendermos a captar as vibrações provenientes da vontade, a qual dirige as energias do corpo mental superior. No entanto, podemos, desde já, desenvolver capacidades, de forma mais direta, buscando traçar objetivos e metas para a vida, no sentido de uma evolução menos acidentada. Dentro dessa linha de raciocínio, temos também os ensinamentos esotéricos, esclarecendo-nos de que somos capazes de construir o nosso destino, se nos dedicarmos a construir um carma positivo, uma vez que a semeadura é livre, mas a colheita está condicionada àquilo que foi semeado.

LEI DE CARMA

De maneira geral, conservamos ainda a tendência de confundir, ou, melhor dizendo, a usar como sinônimas as expri s-sões lei de causa e efeito e lei de carma. É comum pensar que, se um indivíduo fez mau uso de seu braço, o efeito dessa ação deverá ser, por exemplo, em uma próxima encarnação, nascer sem um braço, vir a sofrer um acidente no qual perderá o braço, ter uma doença grave que exigirá a amputação etc., tal como na lei de Talião: “olho por olho, dente por dente.”

Essa maneira de pensar, porém, exibe um raciocínio simplista, que não leva em conta a misericórdia divina. Embora essas sejam situações que, muitas vezes, presenciamos na grande experiência da vida, precisamos entender que, ao invés de uma punição, tornam-se realidade diante da aceitação de direcionamento do próprio Espírito, como meio de reparação e aprendizado da consciência, atendendo seus anseios diante dos sentimentos de culpa e remorso.

O único determinismo criado pelo Pai em relação às cria-ruras é o de se tornarem perfeitas através dos mecanismos evolutivos. Jesus trouxe-nos a mensagem, clara e firme, de que Deus é amor e misericórdia, aguardando, com extrema compaixão, a volta do filho pródigo (Lucas, 15:11-32). Apesar disso, até hoje conservamos em nós o atavismo, gravado no inconsciente coletivo da humanidade, a imagem do Deus nunitivo, e, mais do que isso, vingativo e exigente.

Em algum momento, a compreensão clareada pela consciência advinda das instâncias espirituais, diante de um pas-sado delituoso, leva-nos a escolher provações mais severas. Entretanto, como sabemos, esse pedido de passarmos por -iiuações de grandes dificuldades somente será concedido -e pelas avaliações superiores, já estivermos espiritualmente 7 reparados para tais empreitadas.

O mentor Druso, no livro Ação e reação, de André Luiz, .lembra-nos:
Nossos atos tecem asas de libertação ou algemas de cativeiro, para nossa vitória ou perda. Se somos vítimas de nós mesmos, somos igualmente beneficiários da tolerância divina, que nos descerra os santuários da vida, para que saibamos expiar e solver, restaurar e ressarcir, [grifos nossos] Como vemos, trazemos, como consequência de nosso passado delituoso, inúmeras marcas no perispírito, as quais precisam ser expurgadas, como na parábola de Jesus sobre a veste nupcial. À medida que evoluímos, vamos progressivamente adquirindo a consciência da necessidade da reparação e do aprendizado de não reincidirmos em antigas faltas, e de reconstruirmos a jornada em direção à perfeição e à felicidade.

O autor espiritual Ramatís instrui-nos, dizendo, que

Carma é a palavra que deriva do sânscrito kri, ou seja, fazer. Os hindus são os que mais a empregam, considerando-a como vocabulário técnico mais apropriado a ação e o seu efeito correspondente nas encarnações sucessivas dos Espíritos na Terra. Para eles, toda ação é carma, qualquer trabalho ou pensamento que produzir qualquer efeito posterior é carma.

Por essa explicação, entendemos que é possível criarmos situações de “carmas positivos”, uma vez que todas as ações, pensamentos, intenções, que geram efeitos posteriores, criam o carma. Se trabalharmos no bem estaremos amenizando a necessidade de aprendizados maiores em nossa caminhada e criando situações cármicas de saldo positivo. Sendo assim, mesmo que tenhamos, no passado, criado condições para as quais a nossa consciência exige reparação, poderemos resgatá-las através de ações beneméritas.

Continuando, o mesmo autor esclarece:

A lei de causa e efeito registra as ações boas ou más e a lei de carma procede ao balanço das ações registradas e dá a cada Espírito o “saldo” que lhe cabe em resultados bons ou maus. O carma, para sentido de compreensão geral, é a própria lei do progresso espiritual, pois, embora seja implacável na sua ação disciplinadora, é lei que só se aplica sob a decorrência de nossa própria vontade. Tanto apressa, como imobiliza, temporariamente a nossa ventura espiritual, mas sempre se faz de acordo com o nosso entendimento e grau de cons ciência desperta. A sua finalidade precípua é a de promover o pro gresso e a retificação dos orbes e suas humanidades as causas boas ou más aos seus efeitos correspondentes.55 Hercílio Maes, Espírito Ramatís, Fisiologia da alma, 1989.
Podemos dizer, grosso modo, que o carma é o saldo do calanço efetuado pela lei de causa e efeito de ações benemé citas e deletérias da individualidade, permeadas pela mise vcórdia divina, com a finalidade de promover a evolução.

Chamamos a atenção para o fato de que esse “balanço” se efetua mobilizando energias dinâmicas de elevado teor, inaces srveis à consciência de vigília. Entretanto, fica claro pela leitura do texto que esses mecanismos “sempre se fazem de acordo com nosso entendimento e grau de consciência desperta”.

Torna-se necessário, contudo, esclarecer o que entende mos por existem meios eficazes com os quais podemos con cir para a modificação do carma, quais sejam as mudanças z transformações de pensamentos, sentimentos, palavras e ações, mudanças de hábitos e atitudes, além de adequação de "ossos comportamentos, de forma ética e saudável. Somos responsáveis pela semeadura e colheremos os frutos do que estivermos plantando, invariavelmente. Portanto, plantando ?oas sementes, com certeza colheremos frutos bons, no porvir

Diante dessa discussão, torna-se para nós perfeitamente compreensível que um Espírito, perante sua consciência e com as possibilidades do livre-arbítrio, delibere, por sua von ade, optar por uma doença grave, como meio de expurgo de energias deletérias do passado. São decisões concernentes à intimidade da individualidade, em instâncias da mais alta hierarquia do perispírito.

Jesus, invariavelmente, perguntava àqueles que se aproximavam buscando a cura: “Que queres que te faça?” (Marcos, 10:51; Lucas, 18:41) Essa pergunta do Mestre poderia parecer-nos supérflua sem a atitude de introspecção e compreensão do real significado do adoecer. No âmbito da consciência de vigília, da personalidade superficial, onde o desejo muitas vezes fala mais alto, todos nós optaríamos pela cura física, sem pestanejar.

É evidente, entretanto, que o Mestre dirigia-se à vontade, como gerente esclarecida da mente, e não à personalidade superficial da criatura, uma vez que esta já se manifestava, através de sua aproximação, solicitando a cura. Com essa pergunta repercutindo na profundidade do ser, uma postura de responsabilidade era exigida para que a cura se efetuasse.

A atitude de se colocar diante da doença buscando compreender seu real significado, em profunda introspecção, questionando-se quanto aos valores que têm norteado a vida até então, na busca honesta e humilde das mudanças necessárias, num exercício profundo de autoconhecimento, permite a compreensão e a pacificação, no âmbito da intimidade quando, apesar de todos os esforços, não acontece a cura física. É que essas atitudes permitem à personalidade captar, inconscientemente, as energias emitidas pelo Espírito do quantum de “saldo cármico” em reparação e aprendizado.

Somente a vontade superior detém o poder de responder à pergunta de Jesus que, ainda hoje, ecoa no íntimo de cada um de nós, diante de situações tão graves como o diagnóstico de câncer ou de qualquer outra doença crônica.

As psicoterapias aliadas à meditação, juntamente com ?utros processos de autoconhecimento, ajudam-nos a buscar essas respostas para compreendermos as necessidades rorrespondentes à saúde verdadeira, à limpeza da “túnica nupcial”, à qual Jesus se refere em sua parábola.

Outro aspecto importante que nos cabe discutir ainda, quanto à questão de cura, está ligado a uma outra assertiva de lesus, quando recomendava: “Olha, já estás curado; não reques mais, para que não te suceda coisa pior” (João, 5:14), concitando à transformação íntima integral e permanente.

É comum acontecer, nos momentos de grande dor e aflição, o indivíduo mobilizar-se ante os apelos profundos de sua consciência, modificando-se na direção de sua reforma mima... A cura, inclusive a física, está ligada, quase sempre, c ? sentido de cumprir determinadas metas de vida, advindas ;: mo propostas pelas energias espirituais. Entretanto, muitas nessoas, ao sentirem 0 alívio de suas aflições, retomam pouco nouco antigos hábitos e atitudes, desconectando-se da faixe vibratória emitida pelo Espírito, o que as torna outra vez •mlneráveis, podendo acontecer recidivas ainda mais difíceis mesmo criar condições para outras doenças.

Por outro lado, observamos alguns que, em nossa opinião, am adiante seu programa de retificação e reforma íntima i não conseguem reverter o quadro clínico instalado. Como entender esse fato?

Constatamos pela observação psicológica que embora a c:r física seja intensa, esses pacientes apresentam-se pacifi-;cdos intimamente, sendo, muitas vezes, capazes até de auxi-ccr a reverter o quadro mental de sofrimentos daqueles que :s acompanham mais de perto, como amigos e familiares. 7 mando como exemplo Francisco de Assis, apresentam-se com maiores condições de “consolar, ao invés de serem consolados.”

Lembremo-nos de Jesus, ensinando-nos a obediência à vontade do Pai: “E disse: Aba, Pai, todas as coisas te são possíveis; afasta de mim este cálice; não seja, porém, o que eu quero, mas o que tu queres.” (Marcos; 14:36)

Estamos aprendendo com esses pacientes, agentes de sua cura real, não a aceitar passivamente a doença, mas sim o sentido de obediência ao princípio superior, a compreensão das necessidades existenciais, em atendimento à solicitação de seu Espírito, perante as questões cármicas evolutivas pessoais e familiares. Tornam-se exemplo, um farol, informando que, mesmo durante a tempestade, há uma luz brilhando, sinalizando o porto seguro e confirmando-nos de que é possível passar pela dor, sem sofrimento. É com grata satisfação que testemunhamos a coragem, paciência e beleza interior de alguns irmãos, verdadeiros professores e exemplificação de vida, com quem compartilhamos resgates, muitas vezes dolorosos, porém brilhantes do ponto de vista de renovação interior. São vistos, por nós, como verdadeiramente “pacientes”, no sentido de obediência ao “agente” de comando interno, a vontade, para subir mais um significativo degrau evolutivo.

Alguns não fizeram a cura física, outros a fizeram e a têm mantido, mas, com certeza, estão caminhando com passos firmes na direção da cura espiritual, de volta à casa do Pai. Muitos daqueles que desencarnaram retornam, em nossas reuniões mediúnicas, para dar o testemunho de seu estado relativo de saúde, afirmando que se sentem melhor, aliviados de suas culpas e remorsos, dando um novo sentido à própria vida. Alguns desses depoimentos serão publicados neste volume, com a permissão de seus familiares,.com maiores condições de “consolar, ao invés de serem consolados.”

Lembremo-nos de Jesus, ensinando-nos a obediência à vontade do Pai: “E disse: Aba, Pai, todas as coisas te são possíveis; afasta de mim este cálice; não seja, porém, o que eu quero, mas o que tu queres.” (Marcos; 14:36)

Estamos aprendendo com esses pacientes, agentes de sua cura real, não a aceitar passivamente a doença, mas sim o sentido de obediência ao princípio superior, a compreensão das necessidades existenciais, em atendimento à solicitação de seu Espírito, perante as questões cármicas evolutivas pessoais e familiares. Tornam-se exemplo, um farol, informando que, mesmo durante a tempestade, há uma luz brilhando, sinalizando o porto seguro e confirmando-nos de que é possível passar pela dor, sem sofrimento. É com grata satisfação que testemunhamos a coragem, paciência e beleza interior de alguns irmãos, verdadeiros professores e exemplificação de vida, com quem compartilhamos resgates, muitas vezes dolorosos, porém brilhantes do ponto de vista de renovação interior. São vistos, por nós, como verdadeiramente “pacientes”, no sentido de obediência ao “agente” de comando interno, a vontade, para subir mais um significativo degrau evolutivo.

Alguns não fizeram a cura física, outros a fizeram e a têm mantido, mas, com certeza, estão caminhando com passos firmes na direção da cura espiritual, de volta à casa do Pai. Muitos daqueles que desencarnaram retornam, em nossas reuniões mediúnicas, para dar o testemunho de seu estado relativo de saúde, afirmando que se sentem melhor, aliviados de suas culpas e remorsos, dando um novo sentido à própria vida. Alguns desses depoimentos serão publicados neste volume, com a permissão de seus familiares.

PESQUISAS RECENTES NO CAMPO DA ONCOLOGIA revertem a antiga visão do câncer como uma moléstia letal. A possibilidade de cura já é uma realidade concreta em muitos hospitais dos grandes centros de pesquisa do mundo.

A revista Superinteressante abordou esse tema sob o título “Ferido de morte”, uma metáfora do impacto das modernas terapêuticas e das descobertas científicas mais recentes sobre as células cancerígenas:

As descobertas feitas pela ciência nos últimos anos não apenas elucidaram o mecanismo fundamental da doença como também geraram terapias capazes de eliminar os tumores da imensa maioria dos pacientes. (2001, p. 41)

Mel Graves, biólogo molecular do Instituto de Pesquisa do Câncer de Londres, faz uma afirmativa alentadora: “O demônio está finalmente maduro para o exorcismo.” (Supe-rintesssante, 2001, p. 41)

As estatísticas atuais indicam que oito em cada dez pacientes são tratados com êxito nos Estados Unidos e na Europa. No Hospital do Câncer em São Paulo, a porcentagem de recuperações já é de 65%. O pesquisador Daniel Dezenheilin, diretor do Hospital do Câncer, diz: “É preciso desmontar a falsa imagem, já superada pela medicina, de que o câncer representa uma fatalidade certa.” (Superintesssante, 2001, p. 42) O pesquisador alerta que a desmistificação do diagnóstico positivo da doença como uma sentença de morte aumenta as chances de recuperação. Comprovadamente as expectativas positivas quanto ao tratamento melhoram as condições psicológicas do paciente e consequentemente do seu sistema imunológico.

Refere-se, ainda, a um círculo vicioso - as pessoas deixam se fazer os exames regularmente por medo do diagnóstico, e essa atitude compromete significativamente as medidas de rrevenção da doença. Os exames regulares são fundamen para identificação do câncer nos seus estágios iniciais e diagnóstico precoce, ou o tratamento de um tumor antes :_e atinja um centímetro de diâmetro, eleva considerávelmente as possibilidades de cura.

Acima de um centímetro de diâmetro, o tumor faz crescer asos sanguíneos que levam nutrientes até ele. Sugere que a ?: oulação faça um único exame anual, por exemplo, para cue a incidência do câncer de pele, um dos mais comuns no Brasil, caia para 20%.

Desde o primeiro relato feito por Hipócrates em torno de 500 a.C., a origem do câncer foi atribuída a múltiplos fatores externos. Das machucaduras e parasitas no século xix, aos crus, bactérias, radiação, produtos químicos e alimentação aiém dos fatores genéticos que são endógenos), neste sécu uma nova descoberta pode colocar os fatores exógenos r.a posição de meros coadjuvantes. Essas estatísticas são de : 301 e os avanços terapêuticos utilizados podem alterar os seus resultados:

A tese dos oncogenes defende que a origem do câncer é um defeito minúsculo que altera apenas a bilionésima parte do dna de alguns genes especiais - 50 entre os 50.000 que existem em cada célula. Es ses genes especiais são chamados de oncogenes, ou genes causadores de câncer. Apesar de serem tão poucos, eles têm o poder de vida ou de morte sobre o organismo porque a sua função é controlar o desenvolvimento, a reprodução e a organização das células. (Supe rintesssante, 2001, p. 42)

munismo é visto como uma máquina, apartado dos fenô-menos mentais e espirituais, que são inerentes ao ser humano —resral. As dimensões mental, espiritual e psíquica só são - idas em conta por alguns pesquisadores mais ousados.

Ao extrairmos um cálculo renal, podemos sanar a dor e r; mesmo reconduzir o rim a um funcionamento saudável. Em. um enfoque holístico, porém, consideraremos a tensão r ; uica, a alimentação inadequada, o modus vivendi apres-si; ; e artificial, os contextos onde o homem está inserido, a na relação com os aspectos espirituais da vida etc. A dor se i _. mas a patologia poderá recorrer quando não se conside-

os múltiplos fatores da natureza humana, e isto temos t frequentemente em nossos consultórios.

O Dr. Andrew Weil, médico holista e pesquisador da Fa-. _ mde de Medicina do Arizona, afirma: “Os fenômenos mentes à mente e à espiritualidade não são levados a sério medicina convencional.”

Diante disso, constatamos que somente uma visão ho-- r ee. do homem poderá resgatar o ser trinário - espírito, mente e corpo - de sua origem divina, que em essência é sí_ae. Somente uma intervenção multidisciplinar mostrar--fc _ realmente eficaz para que a cura profunda - ou melhor, a autocura - se estabeleça.

UM CASO DE CURA ESPONTÂNEA

Em sua obra Reencontro com a alma - uma investigação cientifica , Larry Dossey (1997, p. 75) relata-nos um caso im-mressionante de cura espontânea.

Foi investigado pela Comissão Médica de Lourdes, Fran-eu o caso de um italiano de meia-idade, Vittorio Micheli, que deu entrada em 1962 no Hospital Militar de Verona, Itália. O diagnóstico, feito no final do mês de maio, revelou uma forma agressiva e destrutiva de câncer - um carcinoma fusiforme. Uma extensa massa na região da nádega esquerda limitava-lhe os movimentos do quadril e corroía-lhe os ossos da pelve e da anca. Imobilizaram-lhe a perna com uma armação que cobria da pelve até os pés.

Em junho, foi-lhe indicada a radioterapia e Micheli foi dispensado da terapêutica sem receber nenhuma radiação quatro dias depois. Foi então internado no Hospital Militar de Trente e durante os dez meses subsequentes não recebeu nenhum tratamento específico. Os exames radiológicos detectaram uma destruição da anca e das estruturas que a sustentam (cartilagem, tendões e ligamentos) e também do osso.

Em 20 de maio de 1963 partiu para um santuário em Lour-des, onde banhou-se várias vezes em águas que são consideradas curativas. Perdera muito peso e não podia comer, mas depois do banho seu apetite voltou, recobrou suas energias e sentiu “estranhas ondas de calor” atravessando-lhe o corpo. Começou a ganhar peso e, depois de um mês, descobriram que o câncer havia reduzido, ocorrendo a remissão total do tumor algumas semanas depois. Além disso, os ossos da pelve, anca e fêmur regeneraram gradualmente até a recuperação total. Dois meses depois saiu para passear.

Os médicos da comissão de investigação fizeram a seguinte avaliação:

Havia ocorrido uma notável regeneração do osso ilíaco e da cavidade pélvica. Os raios X feitos em 1964-65, 68 e 69 confirmam categoricamente, e sem sombra de dúvida, a ocorrência de uma inopinada e mesmo irresistível regeneração do osso, até então desconhecida dos anais da medicina mundial. Nós mesmos, durante uma carreira universitária e hospitalar de mais de 45 anos, dedicada em grande parte ao estudo dos tumores e neoplasmas de todos os tipos de estruturas ósseas, e tendo tratado centenas de casos semelhantes, nunca encontráramos uma única regeneração óssea espontânea dessa natureza. (Dossey, 1997, p. 77)
O modelo científico da biomedicina não pode explicar o que aconteceu a Vittorio Micheli, um paciente sem esperanças, em adiantado “processo terminal” - tanto que suspenderam as mais modernas terapêuticas - reconduzir-se a um estado de completa higidez.66 higidez estado de saúde.

Uma articulação completamente destruída foi totalmente regenerada sem qualquer intervenção cirúrgica. O membro inferior, então inutilizado, ficou perfeito, o prognóstico é indiscutível, o paciente está vivo e em próspero estado de saúde nove anos depois de seu retorno de Lourdes. (Dossey, 1997)

O assombro dos profissionais que o avaliaram suscitou-lhes vários questionamentos, inicialmente inconclusivos. Como explicar a sua recuperação total na ausência de qualquer terapêutica? É forçoso admitir que, independentemente da gravidade das doenças, essas curas inexplicáveis realmente acontecem, embora sejam casos muito raros. Um número cada vez maior de profissionais da medicina holís-tica, da psicologia e da psiquiatria reconhecem a atuação da mente sobre o comportamento do sistema imunológico e a importância da adoção de formas complementares de terapia ara o aumento da eficácia nos tratamentos. Segundo a Dra. Rachel Remen:

Uma maneira de evitar falsas “esperanças negativas” é admitir livremente a possibilidade, não importa quão infrequente seja, da cura total e repentina de qualquer enfermidade, às vezes violando todos os princípios conhecidos da física. (Dossey, 1997, p. 78)

Certamente os princípios da física clássica são violados, mas não os da física moderna. Na terapêutica das doenças orgânicas e do câncer em particular, essas abordagens não deveríam ser excludentes e sim complementares.

Nem “tudo é mente”, pois estamos habitando um corpo que precisa de intervenções diretas que o auxiliem no reencontro com a saúde. Nem “tudo é corpo”, somos seres espirituais com poder de autocura, que pode ser constatado na atuação mental sobre o veículo de carne que governamos. A confirmação mais espantosa da ação da mente verifica-se nos casos graves, denominados pelos céticos “regressões espontâneas”, que encerram no entanto, uma poderosa ação da mente consciente ou inconsciente sobre o cosmo orgânico.

O Dr. Larry Dossey nos diz:

O corpo pode ser visto como um fenômeno localizado, sendo tratado com métodos localizados, baseados no físico e ancorados no aqui-e-agora. Mas há um outro aspecto do nosso ser que é não--localizado - a mente - infinito no espaço e no tempo, que, embora não material, é também capaz de ocasionar profundas mudanças no estado do corpo físico. (Dossey, 1997)

Entretanto, falar de mente e corpo sem cogitar sobre o espírito é como referir-se a um veículo, em movimento constante, sem a mão do motorista que o governa. O corpo somático é um prolongamento do perispírito (ou corpo espiritual) atuando na região material. Funciona como um mata-borrão absorvendo a toxidade das desarmonias do campo emotivo, sediadas no corpo astral, e dos desequilíbrios mentais da alma, situados no corpo mental inferior.

Ramatís, em Fisiologia da alma, descreve o câncer como uma manifestação mórbida proveniente da toxidade fluídica que ainda circula no perispírito, acumulada pelos desatinos mentais e emotivos ocorridos em vidas passadas. Gostaríamos de acrescentar que essas manifestações doentias podem provir também da vida atual. Segundo ele ainda:

Esse morbo fluídico “desce”, depois do perispírito, para concentrar--se num órgão ou sistema orgânico físico, passando a perturbar a harmonia funcional da rede eletrônica de sustentação atômica e alienando o trabalho de crescimento e coesão das células. (Ramatís, 1989, p. 299)
Prossegue Ramatís refletindo que na intimidade oculta da alma é que se inicia qualquer impacto mórbido. Essas energias desarmônicas vêm perturbar posteriormente o ritmo e a coesão das células no organismo. Tece considerações sobre os processos cancerígenos e a sua base psíquica, que é corroborada pelos pesquisadores mais renomados no campo da oncologia:

O câncer, que tanto se manifesta na forma de tumores como desvi-talizando o sistema linfático, nervoso, ósseo ou sanguíneo, não deve ser considerado apenas como um sintoma isolado do organismo, pois a sua maior ou menor virulência mantém estreita relação com o tipo psíquico do doente. (Ramatís, 1989, p. 300)

Antes de situar-se num órgão ou sistema orgânico mais vulnerável, o morbo cancerígeno lesa o sistema de defesa do organismo, porém a vulnerabilidade é determinada, sem dúvida, pelo enfraquecimento das sutilíssimas energias “que atuam no mundo oculto e se constituem na maravilhosa rede magnética de sustentação do edifício atômico de carne.” (Ramatís, 1989)

Além disso, os terapeutas dos doentes de câncer referem-se a um conjunto de traços que identificam uma personalidade predisponente ao desenvolvimento da enfermidade.

Somando-se todos esses fatores, teríamos o campo propício ao adoecimento, mas ainda estamos longe de desvendar os complexos meandros de sua etiologia mais profunda, que é certamente multifatorial e reside nas profundezas ainda inabordáveis da região espiritual.

Então, como explicar a cura de Vittorio Micheli, que na época das investigações já se encontrava hígido há nove anos?

A grande maioria das doenças são sinalizadoras mais ou menos severas, cuja finalidade é reconduzir seus portadores a mudanças essenciais em seu sistema de vida. São processos de adoecimento sobre os quais discorreremos mais tarde, ainda neste capítulo. Os mentores espirituais, buscando elucidar nossos questionamentos sobre o câncer, fizeram considerações preciosas sobre os enfermos que já se encontram em processo de autocura. Há Espíritos que, através da programação reencarnatória, planejam o “adoecimento" do corpo físico” como meio de sanar seus débitos cármicos. Assim, o corpo de carne passa a funcionar como um exaustor das energias perispirituais desarmônicas e, terminada liberação, o corpo pode voltar à saúde. Não será o caso de Micheli? Poderá ser uma explicação plausível para essas curas inexplicáveis de “casos terminais”?

Outras vezes, apesar da liberação no campo físico, poderá ocorrer o desencarne completando uma programação. Con-:udo, o que constatamos, fundamentalmente, quando se faz ? reencontro com a saúde da alma, é a serenidade, a paz, a cmpliação do significado da vida, a ampliação da consciência e a harmonia profunda que emana do ser espiritual. A reco-nexão da criatura com a fonte de onde emana toda a vida é j objetivo maior da evolução; e inseridos neste processo, re-c rdamos a fala evangélica de Jesus: “Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus.” (Mateus, 5:48)

QUERO VIVER 100%?

Em Amor, medicina e milagres, o Dr. Bernie S. Siegel refere-se aos mecanismos biológicos que todos possuímos de • ida” e de “morte”.

O estado de espírito negativo ou positivo, agindo através do sistema nervoso central, sistema endócrino e sistema . munológico, envia ao organismo mensagens de “viva” ou *morra”. Segundo a psiconeuroimunologia, os três sistemas funcionam como uma engrenagem, um circuito integrado com os diversos estímulos que o percorrem.

Quem sente paz interior, bem-estar, harmonia e sorri, estimula a produção no organismo de imunoglobulina, que funciona como “uma vacina”. As imunoglobulinas são grupos de
do corpo físico” como meio de sanar seus débitos cármicos. Assim, o corpo de carne passa a funcionar como um exaustor das energias perispirituais desarmônicas e, terminada c .iberação, o corpo pode voltar à saúde. Não será o caso de Micheli? Poderá ser uma explicação plausível para essas curas inexplicáveis de “casos terminais”?

Outras vezes, apesar da liberação no campo físico, poderá ocorrer o desencarne completando uma programação. Con-:udo, o que constatamos, fundamentalmente, quando se faz ? reencontro com a saúde da alma, é a serenidade, a paz, a cmpliação do significado da vida, a ampliação da consciência e a harmonia profunda que emana do ser espiritual. A reco-nexão da criatura com a fonte de onde emana toda a vida é j objetivo maior da evolução; e inseridos neste processo, re-c rdamos a fala evangélica de Jesus: “Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus.” (Mateus, 5:48)

proteínas produzidas pelos linfócitos e plasmócitos, os quais têm atividade de anticorpos e auxiliam no fortalecimento do sistema imunológico e na manutenção da harmonia celular.

Por outro lado, tensão, ansiedade, depressão, ódio, angústia bombardeiam as células e tornam o cosmo orgânico suscetível às doenças.

Pesquisas realizadas por Bernie Siegel, Simonton e outros confirmam: o câncer é uma doença fraca e os vitoriosos, que elevam os índices de autocura, são os doentes de espírito otimista e combativo.

O estresse emocional e o estresse crônico são sinais de alerta frente à vida atual. O estresse é a base do câncer e da suscetibilidade às doenças em geral. O câncer é um “si-nalizador severo” que conduz o seu portador a mudanças essenciais no seu sistema de vida. É um ponto de mutação, uma ruptura com a maneira antiga de viver, que possibilita, através de um trabalho consciente de autoconhecimento,a ampliação do significado de toda uma vida.

O tumor cancerígeno é apenas a ponta do iceberg, o tradutor de um colapso interno, um ataque de dentro para fora que pode envolver as emoções, os sentimentos, o contexto em que se vive, os aspectos sociais, culturais, filosóficos e espirituais.

O reencontro com a saúde tem uma força proporcional à vontade de “autocurar-se”. Como dissemos anteriormente, o organismo funciona como um exaustor das energias que estão adoecidas no perispírito e a saúde nem sempre se traduz por uma cura orgânica. Sãos as necessidades evolutivas de cada ser que determinam, em última instância, a reorganização saudável das células físicas. Encontramos, muitas vezes, em “corpos doentes”, Espíritos profundamente harmonizados, sugerindo-nos um processo final de drenagem dessas mostrou que a oração funciona e que pode ser uma força poderosa de cura. Ele considerou seu estudo “uma avaliação científica do que Deus está fazendo”. “Depois de muito rezar” - afirmou - “veio-me a ideia do que fazer.”

Em um enfoque holístico, precisamos contemplar as diversas dimensões onde o homem está inserido, por isso, sugerimos no diagrama abaixo alguns recursos para esse trabalho pessoal.

CAPÍTULO 4 - DIANTE DO PACIENTE

NA abordagem holística, compreendemos que a vida ultrapassa os limites físicos, e que a saúde é regida pelo Espírito, dentro das necessidades evo- j lutivas do ser.

Nesse conceito, somos capazes de perceber que, na realidade, as ações terapêuticas não devem se direcionar apenas no sentido de debelar a doença, mas também no de auxiliar o doente a aprofundar-se em questões existenciais, de como lidar, e, principalmente, o que aprender, no sentido evolutivo, com as vivências atuais.

Quando nos deparamos com qualquer sintoma físico, seja qual for o diagnóstico, o desejo imediato é o de obter a cura, no mais curto espaço de tempo, sem nos ocuparmos com maiores reflexões a respeito do sentido ou significado deste processo. Ou, melhor dizendo, queremos ser curados. Tomemos como exemplo uma simples dor de cabeça: tomamos logo um analgésico, apenas com o objetivo de nos livrar do incômodo. Se ela persiste, procuramos o médico, na busca de alívio. Temos a ilusão de que “fomos curados” pelos meios , externos ao nosso alcance. Sentimo-nos confortáveis e cômodos dentro da situação, pois não há exigência de mudanças. Talvez nos seja recomendado rever e modificar alguns hábitos, como por exemplo, alimentação, higiene, postura etc.

Entretanto, na maioria das vezes, são modificações su-perficiais e não chegam a abalar as estruturas de nossa vida como um todo.

O que acontece, porém, quando nos deparamos com um diagnóstico qualificado como “incurável”? A sensação mais I comum é aquela de estar no meio de um grande “terremo- | to”, no “olho do furacão”, como se diz popularmente. Toda a existência está revolvida. É um momento muito difícil.
?esado, cujos sentimentos são fortes, nos quais surgem a re : Ita, negação, solidão etc. Precisamos de alguém que nos auxilie na compreensão do significado de tudo o que está

acontecendo.

Aqui também o terapeuta necessita estar imbuído da com-rreensão maior a respeito da criatura humana, ampliando a -isão terapêutica com modelos novos, pois somente o en-undimento de que a vida é transcendente à materialidade é que o torna capaz de trazer a tranquilidade necessária para melhor aproveitamento da experiência vivida pelo paciente

e pelos familiares.

Mas, afinal, o que se quer dizer quando se fala de novos modelos?

O autor do livro O ponto de mutação, Fritjof Capra, con--:úera que hoje a psicologia tende a ver o organismo humano . ?mo um todo integrado, envolvendo padrões físicos e psí-quicos interdependentes. Seguindo Jung e Reich, muitos psi-; ? logos passaram a conceber a dinâmica mental em fluxos re energia, com uma inteligência intrínseca, capaz de criar r-ossibilidades de crescimento interior e autorrealização. - em disso, é crescente o reconhecimento de que a situação p ?:cológica do indivíduo não pode ser separada de seu meio imbiente social, emocional e cultural.

Essa discussão envolve o entendimento de que corpo e -.ente não são entidades separadas, mas funcionam como _m todo integrado e inter-relacionado. Na abordagem sistêmica compreende-se que as manifestações biológicas e psi-. lógicas se influenciam mutuamente, tanto no estado de saúde, como no de doença.

Outro aspecto importante a ser destacado é a concepção da rmâmica mental como um fluxo energético autorregulador.
abemos que o ser humano é, digamos assim, um conjunto de energias com vibrações diferenciadas, desde as mais condensadas - corpo físico - até as mais sutis, de potencialidades que somos ainda incapazes de conceber, responsáveis pelos corpos mais próximos à energia pura emanada pelo Espírito.77. Questão discutida nos capítulos referentes às terapêuticas holísticas e distonias energéticas.

Didaticamente podemos dizer que há uma “hierarquia”, na qual quanto mais condensadas forem as formas, mais serão influenciadas e dirigidas por aquelas de características mais sutis. Assim sendo, as células físicas serão mais facilmente influenciadas pelos corpos astral e mental (emoções e pensamentos).

Entretanto, como já vimos, são processos inter-relacio-nados, e estados físicos podem interferir com questões emocionais e mentais. Isso é facilmente compreensível quando contraímos, por exemplo, uma virose que nos abate emocionalmente e bloqueia a capacidade de raciocinar.

Outro ponto é o da importância do ambiente emocional, social e cultural, no qual a interação do indivíduo com seu meio é uma dinâmica que não se pode deixar de levar em conta na ação terapêutica.

SAÚDE

Para podermos entender melhor o conceito de saúde, precisamos ampliar nossa forma de pensar e buscarmos também uma outra visão, como a visão oriental e holística.

Até há poucos anos o mundo e a vida eram bem mais previsíveis, o indivíduo nascia e muitas vezes a vida dele já estava traçada, determinada por um contexto e uma cultura.

a atualidade a imprevisibilidade impera em muitos momentos de nossa vida, que parece um vulcão. Está calma e, re repente, se torna incerta e inconstante. Toda essa incer-reza nos afeta profundamente, mudando nossa estrutura de ida e nosso viver.

A medicina ocidental vem evoluindo muito, graças às novas descobertas medicamentosas e às tecnologias; nossos recursos para se ter mais saúde também vêm crescendo, mas as dores e os sofrimentos humanos também têm crescido na mesma proporção.

Procurar um bom médico e os recursos da medicina atual e necessário, mas também precisamos aprender a nos olhar ;omo seres inteiros e integrais, fazemos parte de um con-:exto social, familiar, econômico, religioso, e muitas vezes a medicina ocidental não leva isso em consideração, fazendo . ?m que a pessoa se veja de forma fragmentada, valorizando apenas a matéria e o que advém dela.

Estar saudável, ser saudável passa por se tornar cada vez mais consciente de si, buscar a consciência para localizar em nós aquilo que precisa ser cuidado, revisado. É preciso rer coragem, humildade e sabedoria, aliando nessa busca os recursos externos com nossos próprios recursos internos, ver çue a vida são imensas possibilidades.

Vivemos num planeta competitivo que valoriza a beleza, o roder, o status, em detrimento dos valores, crenças e fé. Daí a necessidade de um entendimento e uma busca voltando-se rara o ser interno, perguntando-se: o que quer a minha alma?

Traçando um paralelo com o pensamento oriental a fim re ampliarmos nossos conceitos, observamos que os orientais os trazem o conceito de Tao.8 Segundo eles tudo está interligado e integrado, o todo esta nas partes, assim como as partes estão no todo, e esse paradigma nos traz várias possibilidades de repensar o ser humano.

A Organização Mundial de Saúde (oms) define como conceito de saúde o seguinte: “Estado de completo bem estar físico, mental, social e espiritual, e não somente ausência de doença.”

Lendo isto fico pensando que em nosso conceito linear e cartesiano essa definição se encaixa bem. Entretanto, essa definição ainda é reducionista. Na verdade somos seres simples e complexos, somos inteiros, e não fragmentados como o velho paradigma ainda insiste em nos colocar.
VISÃO INTEGRADA, VISÃO HOLÍSTICA O pensamento oriental, com já disse, vem trazer este novo paradigma, esta nova forma de pensar.

Na visão holística,9 homem e natureza são uma coisa só.

Lao Tsé foi um sábio chinês que viveu mais ou menos na mesma época que Confúcio (551-479 a.C.), e que trouxe talvez o primeiro conceito de Tao. Segundo ele a natureza do Tao é feminina, quer dizer, criadora e gestadora, “a mãe do universo” e, como homem e natureza são unos, a essência do feminino, da criação, está/mora em todos os seres, somos cocriadores da nossa vida e o Tao pode nos conferir nosso lado mais humanizado e espiritualizado.
8. O termo Tao significa trajetória, caminho, princípio de ordem, 0 todo, verdade e fonte da vida, termos encontrados no livro O Tao da paz.
9. Holístico vem do grego “holos”, que significa totalidade.

À medida em que expandimos nossa visão percebemos que n osso exterior é um reflexo do nosso interior, pois segundo ; Tao tudo é mente, tudo é uma questão de atitude interior, issim como existe um deus fora, existe um deus dentro: “O geral reside no coração do particular, assim como o particular reside no coração do geral.’"

Assim, nessa concepção holística de saúde, “toda enfer-— idade é em essência um fenômeno mental”. A doença não e vista como algo vindo de fora, como um invasor, ela é o resultado de um conjunto de causas que incluem desarmonia e desequilíbrio. A maneira como o indivíduo vive, seus padrões, crenças, forma de se alimentar, tudo é considerado. Z preciso que os profissionais de saúde ampliem sua base de c :nhecimentos para melhor entenderem o Tao.

O nosso sistema de saúde ainda atua mais nos sintomas cue ocorrem no físico, muitas vezes esquecendo-se de fazer a integração.

O conceito de saúde precisa ser multidimensional, como . Tao nos propõe. Vendo por esse prisma, a doença é apenas _ma manifestação de variantes da saúde de um indivíduo.

A vida moderna enfatiza a superfície das coisas, o Tao ensina a buscar o centro: não é o que fazemos, nem nossa anarência que importa, mas sim o que somos, o que temos em nos é que dá sentido e objetivo à existência. Podemos conec-;ar nosso centro através da reflexão, da meditação, da busca e; equilíbrio, descobrindo o que nossa alma deseja, pois o Tao nos ensina a identificarmo-nos com nossa real essência:

A pessoa Tao vive plenamente em todos os momentos. (Tao 14)

O caminho para a luz maior atravessa a escuridão. Seguir em frente dá a impressão de recuar.

O caminho plano parece acidentado e escarpado.

O poder mais elevado, um vale de fácil acesso. (Tao 41)

Depois de uma época de decadência chega o ponto de transição. A luz poderosa que tinha sido banida retorna. Existe movimento, mas não é provocado pela força... Tudo vem de modo espontâneo e no tempo devido. Este é o significado do céu e da terra.

O ICHING

As leis do mundo natural estão escritas dentro de nossa própria alma.

No livro Sabedoria incomum, Capra faz a seguinte colocação:

Adotei, ainda não definitivamente, a ideia de que a saúde resulta de um equilíbrio dinâmico entre os aspectos físicos, psicológicos e sociais do organismo. A doença, de acordo com essa concepção, seria uma manifestação de desequilíbrio e desarmonia.

O autor espiritual Joseph, no livro O homem sadio - uma nova visão, amplia esse conceito. Na visão unicista do ser somos criaturas e, nessa percepção, saúde é a ligação criatura/ Criador, sendo a doença o contrário momentâneo desse fato. Dentro do conceito evolutivo é necessário desenvolvermos condições de harmonização com o Pai, em planos de tra-?alho, de conhecimento e de vivência íntima. Assim sendo, rodemos dizer que há níveis crescentes da possibilidade de ampliarmos, cada vez mais, a sintonia com a energia amorosa de Deus.

Como podemos perceber, alcançar a saúde integral re-rresenta a caminhada do longo processo evolutivo, no qual • amos atingindo etapas, através da ampliação da consciência.

Saúde III -----> Felicidade -------> 3 - Conexão ------> Criatura/Criador

O mentor Carlos, no livro Mediunidade com Jesus, aler-:a-nos que a cura não pode ser considerada por nós como um fenômeno de reestruturação das células físicas, mas sim, como o resultado de uma longa caminhada, a partir do somatório de infinitos passos. Dessa forma, envolve grande quantidade de recursos e situações, os quais levarão a criatura como um todo à concretização da saúde integral do ser, ao longo de sua caminhada evolutiva. É fundamental atentarmos para o fato de que os sintomas de doença são elementos propulsores, chamativos da transformação. Essa situação, no entanto, não dispensa aos que estão próximos, especialmente os trabalhadores da área de saúde e companheiros fraternos, de oferecer palavras de ânimo e coragem, embora a questão do desaparecimento dos sintomas, muitas vezes, não esteja em sua capacidade de ação.

Nessa página encontramos a síntese dos objetivos do trabalho prático com o paciente. Em primeiro lugar a compreensão de que a busca da saúde integral deve ser um esforço de transformação pessoal e, para atingir a meta proposta, devemos cumprir etapas evolutivas passo a passo. Podemos perceber também que a saúde é vista como um processo que envolve a criatura como um todo, significando que esta situação ultrapassa, claramente, as questões puramente físicas.

Outro conceito importante é o de que a doença física torna-se, dentro desse contexto, elemento propulsor de transformações necessárias. Como sabemos, e temos comprovado em nossa prática, uma grave doença física pode funcionar como uma oportunidade de ser o “ponto de mutação”, quer dizer, o ponto que leva a individualidade a fazer uma pausa para iniciar uma retomada em sua vida, em relação a seus valores, hábitos, atitudes com respeito a si mesmo e à vida em geral.

Em terceiro lugar, a necessidade de compreensão e ajuda que, nesse momento difícil, pode e deve ser procurada pelo doente, além de oferecida por aqueles que se dispõem a essj trabalho.

TERAPÊUTICA

No livro O ponto de mutação, Fritjof Capra chama a atenção para o trabalho de Ken Wilber, no qual são trabalhadas as diversas teorias psicológicas, tanto ocidentais, como orientais, através do conceito de espectro da consciência. Essa concepção amplia o conceito do chamado inconsciente, des-ce a visão freudiana, na qual o inconsciente refere-se apenas _• .véncias limitadas do ego, até faixas supremas de identi-ucce da consciência cósmica. Como em qualquer espectro, is várias faixas exibem gradações infinitas, fundindo-se "adualmente umas nas outras. Nessa teoria distinguem-se -catro níveis, os quais correspondem a diversas abordagens rscoterápicas: ego, biossocial, transpessoal e espiritual.

Wilber descreve o nível do ego como um momento em que a pessoa não se identifica com o organismo total, mas como uma representação mental do organismo. Há uma separação entre mente e corpo. Assim é possível dizer: “eu tenho um corpo”, em vez de se perceber “eu sou um corpo”.

Em certas circunstâncias tal experiência fragmentada pode se apresentar com distorções, nas quais certas facetas do ego podem ser reprimidas ou projetas em outras pessoas ou no meio ambiente. A dinâmica desses fenômenos é minuciosamente descrita na psicologia freudiana.

O segundo nível descrito por Wilber é o biossocial, relacionado com os aspectos do meio ambiente social: relações familiares, tradições culturais e crenças - que podem afetar profundamente as percepções e o comportamento da pessoa.

O terceiro nível seria o existencial, do organismo total, cxracterizado por um senso de identidade que envolve uma consciência do sistema corpo/mente como um todo integrado, auto-organizador. No nível existencial, o dualismo entre corpo e mente é superado, mas subsistem outros: o do sujeito versus objeto e o da vida versus morte. A resolução èts questões suscitadas nesse nível requer uma percepção do indivíduo em seu contexto cósmico, quando surge o nível transpessoal da consciência. As experiências transpessoais envolvem uma expansão da consciência além das fronteiras convencionais do organismo, e, correspondentemente, a um senso mais amplo de identidade. Elas podem também envolver percepções do meio ambiente que transcendem as limitações usuais da percepção sensorial.

Na extremidade do espectro da consciência, as faixas transpessoais fundem-se no nível do Espírito (mind). É o nível da consciência cósmica, em que a pessoa se identifica com o universo inteiro. A percepção consciente, nesse nível, corresponde ao verdadeiro estado místico, no qual todas as fronteiras e dualismos foram transcendidos e toda a individualidade se dissolve na unicidade universal, indiferenciada.

Como podemos perceber, esta descrição de “espectro de consciência” faz paralelo com a conceituação descrita pela espiritualidade, uma vez que nos alerta para esse “crescendo” de ampliação da consciência, desde o mais elementar tipo de egocentrismo até a percepção do Espírito de sua sintonia com o universo, que na nossa visão é a da união com o Pai, com a diferença de que na conceituação da doutrina espírita a percepção de individualidade permanece. Esta é a palavra do Mestre: “Eu e o Pai somos um.” (João, 10: 30)

Retomando a experiência com os pacientes, percebemos que a manifestação física da doença pode demonstrar sintomas de dificuldades psíquicas e espirituais, e que o abalo causado pelo diagnóstico é capaz de formar aquele piso necessário para transformações em vários níveis, a retomada do caminho para a saúde, sinônimo de felicidade, união com o Criador.

Bernie Siegel, em Amor, medicina e milagres, relata-nos que a ciência já constatou que todas as células de nosso corpo são controladas por uma complexa interação entre abstâncias químicas que circulam na corrente sanguínea, s hormônios, que são segregados pelas glândulas endócrinas, controladas no centro do cérebro pela hipófise. A produção hormonal da hipófise, por sua vez, é controlada pelo -•potálamo, uma região vizinha à hipófise, por secreções cuímicas e por impulsos nervosos. As fibras nervosas de tocas as partes do cérebro penetram no hipotálamo e, dessa turma, os processos emocionais e intelectuais de qualquer parte do cérebro afetam o corpo. O sistema imunológico é conntrolado pelo cérebro, de forma direta pelos nervos e por neuroquímicos, e de forma indireta pelos hormônios.

Há uma explicação, amplamente difundida para o câncer, cue é o conceito de vigilância: as células cancerosas nunca deixam de se desenvolver no corpo humano, mas são normalmente destruídas pelos leucócitos antes de transformarem-se em perigosos tumores. O câncer surge quando o sistema imunológico é suprimido e já não consegue enfrentar a ameaça rotineira. Esse é um dos princípios nos quais a medicina se baseia para tratar os doentes com a quimioterapia.

Na prática, caminhando com pacientes portadores de câncer, percebemos ser bastante útil a teoria de Wilber, embora o enfoque da abordagem seja muito diferente, acrescida de visão ampliada do ser, oferecida pela doutrina.

O NÍVEL DE EGO

O primeiro passo, em qualquer processo terapêutico e, reforma especial, com o paciente portador de câncer, é o Trabalho a no âmbito do ego. De modo geral o paciente chega demonstrando grandes dificuldades no trato consigo mesmo.

Na realidade esse trabalho de transformação inicial está intimamente relacionado com a questão fundamental, que é a de aprender a amar-se. Siegel afirma:
seja como for, o gostar de nós mesmos de maneira franca e positiva, continua a ser fundamental para a saúde, constituindo a base essencial que o paciente deve construir.

Muitos de nós, especialmente os espíritas, têm muita dificuldade em relação a essa questão. É comum fazermos confusão com os conceitos de egoísmo, orgulho e vaidade, que são justa e constantemente combatidos pela doutrina.

A fim de esclarecermos melhor o que queremos dizer, podemos usar a seguinte metáfora: se eu recebo um presente de um amigo querido, vou tomar um cuidado especial com aquele objeto para que ele não se danifique, nem se deteriore. Todas as vezes que o vejo ou cuido dele, estou reverenciando a sua memória, pois aquele objeto é o símbolo de meu amigo. Pois bem, a vida é um dom, um presente de Deus a cada um de nós. Por isso, quando cuido dela com desvelo, estou reverenciando e agradecendo ao Pai por esse incomensurável presente a mim doado.

Como a vida se manifesta, como vimos, em vários níveis, é preciso cuidar dela nas suas diversas formas de expressão.

No âmbito do ego é necessário aprender a valorizar a mente e o corpo. Ter cuidado consigo mesmo. Esse aprendizado ultrapassa as questões fundamentais de comportamento, como mudanças nos hábitos alimentares, descanso e cuidados. É uma proposta de valorização positiva do corpo físico. No livro Missionários da luz, André Luiz relata a fala de um de seus instrutores:

temos oportunidade de compreender as dificuldades familiares existentes. O grupo de atendimento auxilia o paciente e seus familiares a compreenderem a importância das relações interpessoais adequadas, num contexto saudável de aprendizado: abertura, sinceridade e honestidade emocional.

O NÍVEL EXISTENCIAL

Quando o paciente consegue atingir esse nível, podemos observar uma nítida mudança. Começa a se delinear a realidade de que a doença é uma manifestação física de problemas transcendentes ao corpo, uma vez que se dissolve aquela sensação de divisão mente/corpo. O paciente começa a perceber que não é o corpo que está doente e sim o “eu”. É preciso fazer mudanças ao nível de sua identidade pessoal.

Para nós, que estamos envolvidos com o paciente nessa empreitada do autoconhecimento, é muito interessante observar que, nesse estágio, a cura física é desejável, mas não imprescindível. Wilber afirma que nesse estágio desaparece o dualismo corpo/mente, mas persistem dois dualismos no âmbito mais amplo: sujeito versus objeto e vida versus morte. “A resolução destas questões requer uma percepção do indivíduo em seu contexto cósmico, transpessoal.”

Aqui os conhecimentos doutrinários espíritas são de grande valia no tratamento, uma vez que ampliam a percepção do sentido da vida. É o período no qual a doença começa a fazer sentido produtivo no contexto da vida do paciente.

Quando é possível a cura física, o indivíduo começa a encaminhar sua vida num sentido de profundas transformações de valores. Quando essa vida já não se torna possível, as transformações se dão no sentido de compreensão do unificado da morte. É um processo de metamorfose, vivido . m plena aceitação e serenidade.

Temos acompanhado alguns pacientes que vivenciaram - ssa fase, com grande lucidez, sendo inclusive capazes de au-nliar os familiares e companheiros de grupo de tratamento. Z interessante ressaltar que, aqueles que atingem esse nível —ais profundo de transformação, embora percebam que o ; rpo físico já não responde aos tratamentos físico-quími-. apresentam-se mais tranquilos e ressentem-se menos *: avanço da doença em termos de dores físicas. Algumas ezes são relatadas observações dos médicos que os acom-ranham, apresentando sintomas físicos amenizados, diante ãa gravidade de seu caso.

Notamos que o fenômeno da reforma íntima não tem ação direta com a cura somática. Esta pode ou não ocor-pois podemos afirmar que a doença favorece o expurgo

aecessário ao perispírito.

Em alguns casos a cura física é necessária à continuidade : reajustamento individual. Em outros, esse trabalho terá rr?sseguimento no plano extrafísico.

NÍVEL DE SAÚDE REAL

No livro O homem sadio (2011, pp. 89-90), a saúde ver-õideira está vinculada à possibilidade de a criatura ir-se co-rrectando com o Pai, de maneira progressiva, ao longo da : : iução. Essa conduta é a que verdadeiramente dará ao ser i rossibilidade de vivenciar a felicidade. Nesse sentido, saúde _1 e felicidade se confundem. Atingir essa condição exige aprimoramento espiritual, dedicação e disciplina.

Entendemos ser, na verdade, uma experiência íntima profunda, a qual não pode ser quantificada ou qualificada pelo observador.

No contato com os pacientes, temos podido perceber um extraordinário senso de “dever cumprido”, naqueles que se aproveitaram da trajetória da doença como caminho de redenção. Entendemos que ainda não se tornaram santos, isto é, inteiramente sadios, diante das enormes possibilidades de aperfeiçoamento, as quais se descortinam diante de cada um, mas atingiram, nessa etapa, o maior progresso que lhes era possível.

CONCLUSÃO

O trabalho de aperfeiçoamento é constante. Segundo o mestre Jesus: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação” (Mateus, 26:41), pois a vigilância permite-nos buscar na nossa intimidade os pontos que necessitam transformação, e a oração nos dá força e mantém a sintonia com as energias superiores para levarmos a efeito as transformações necessárias.

Deepak Chopra, em A cura quântica, relata casos de cura somática quando o paciente atinge certo nível de transformação íntima e que, ao relaxar suas propostas de mudanças, fizeram recidivas. É este 0 sentido da fala de Jesus, quando recomendou ao paralítico curado: “Eis que ficaste são; já não peques para que não te aconteça coisa pior.” (João, 5:14)

O trabalho de manutenção da saúde integral é semelhante ao da manutenção da saúde física, dentro do conceito acima abordado de “vigilância”. Tal como o sistema imunológico na defesa do corpo físico, a oração e a atenção para com as nossas dificuldades, aliadas à firme decisão de combatê-las.

rermitem-nos a condição constante e, cada vez mais pro iressiva, de reforma íntima, auxiliando-nos na caminhada z~ direção à saúde integral.

Podemos assim dizer que o trabalho de manutenção da em qualquer nível energético, é questão de vigilância:

corpo físico: defesa imunológica; corpos astral e mental: vigilância moral, quanto às emoções, aos sentimentos e aos pensamentos; espiritual: através da prece estabelecemos sintonia com as energias superiores, fortalecendo a nossa vonta de, que vai nos auxiliar na manutenção dos propósitos mais elevados.

CAPÍTULO 5 - O PARADIGMA HOMEOPÁTICO

MARAÍSA SALGADO VILELA médica homeopata, pediatra

É essencial que a pessoa primeiro aprenda a cantar plenamente sua própria canção e, então, como parte de suas necessidades humanas, encontre uma maneira de expressar sua relação com os outros ou com a raça humana. Só desta maneira atuamos e vivemos como um todo coerente e assim fortalecemos e mobilizamos nossa própria capacidade de autocura. Lawrence Leshan

NO ANO DE 1790, O MÉDICO CHRISTIAN FREDERICH Samuel Hahnemann (1755-1843) estabeleceu as bases de uma nova medicina, alicerçada em preceitos hipocráticos (médico grego - Pai da Medicina), no diálogo com a natureza e com base eminentemente experimental. Indicou um princípio de tratamento diferente da medicina tradicional (a medicina alopática, de Galeno - a medicina dos contrários) onde adotou a cura pelo semelhante. Ele foi um brilhante médico, falava 14 idiomas e como estava insatisfeito com os métodos e resultados terapêuticos da prática médica, resolveu abandonar a medicina e se dedicar a traduções de trabalhos científicos. Achava que a medicina não curava as enfermidades.

Hahnemann acreditava na bondade do Criador. Tinha a certeza de que a cura de nossos males estaria ao nosso alcance e dizia:

Há um Deus que é todo bondade e sabedoria; deve haver, por Ele criado, um meio certo de curar doenças. Por que este meio certo de curar as enfermidades ainda não foi encontrado, uma vez que 20 séculos faz que existem homens que se dizem médicos? É porque, com certeza, esse meio tem estado muito perto de nós e de fácil alcance; é porque, para encontrá-lo, não havia necessidade de brilhantes sofismas, nem de sedutoras hipóteses. Eu procurarei perto de mim este meio de curar, meio com que ninguém ainda sonhara, justamente por ser muito simples.

Em 1790, ao traduzir a Matéria médica de Cullen, falava sobre as propriedades da Cinchona officinalis, ou quina, introduzida na Europa, mas proveniente do Peru, onde os nativos a usavam no tratamento da malária. Em seu trabalho, _llen atribuía a influência curativa da Cinchona ao suposto : der de fortalecimento do estômago e da capacidade em rtoduzir substância contrária à febre. Porém, suas explica . :es não convenceram Hahnemann, chamando-lhe a aten cão o fato de que o abuso da Cinchona acarretava sintomas -cmelhantes aos que se apresentavam espontaneamente na -crermidade natural. Daí surgiu a primeira revelação de Hahnemann, pois para ele ficou claro que a Cinchona pode . crar a febre intermitente porque também a produz (e repe teu a experiência em si mesmo várias vezes, comprovando c ue o estado febril se instalava assim que absorvia a quina, e sumia ao deixar de tomá-la). Dessa forma, deparou-se com o rr.ncípio da semelhança e iniciou o processo de experimen ucão no homem são: única maneira de saber, com certeza, a erdadeira virtude medicamentosa.

Assim se criou a homeopatia: “para curar uma enfermi cc.de, é mister administrar um remédio que produza no in c iduo são a enfermidade que se quer curar.”

Então, a partir do século xviii, desenvolve-se no cenário medico a seguinte máxima: “o que é verdade deve ser fruto da í'tnerimentação; para que algo possa ser aceito e incorporado ;: mo verdadeiro, precisa passar pelo crivo da experiência.”

MUDANÇA DE EPISTEME

Para a alopatia, a saúde é um estado de completo bem -estar físico, mental e social, não consistindo apenas na au séncia de doença ou enfermidade (Organização Mundial de saude). Com seu cientificismo materialista, nega a realidade c c espírito e acredita que a vida inicia-se no berço e termi ca no túmulo; assim ela tenta equilibrar a matéria, negando a realidade espiritual, atacando não as organizações espirituais da doença, mas as suas manifestações. Preocupa-se com o diagnóstico nosológico, ou seja, com o nome da doença, pois sem isso não há como medicar, não há como “combater”. Medicar a manifestação física da enfermidade não significa promover o reequilíbrio da energia vital do enfermo restaurando-lhe a saúde.

Para a homeopatia, a saúde é resultante da harmonia do ser, desde seu componente somático, energético, mental e espiritual com as leis cósmicas. A doença, portanto, resulta das agressões ou do desrespeito àquelas mesmas leis, abrangendo os níveis atômico, fisiológico, energético, emocional e mental, sendo, dessa forma, um desequilíbrio interior. Assim, a homeopatia busca compreender a enfermidade em sua origem imponderável e na sua vertente espiritual, trabalhando sempre o doente e não a doença, considerando sempre o homem em sua totalidade e curando-o em todos os níveis, para que possa, com seus instrumentos livres, atingir os altos fins de sua existência.

A homeopatia ajuda o paciente a restabelecer o equilíbrio de suas forças, a resgatar sua autoestima e recuperar suas reações afetivas com o mundo, tornando melhor sua vida, tanto física como emocionalmente. Pois, como medicina energética, trata realmente de curar as doenças com medicação e regime de vida. O homem tem seu livre-arbítrio para controlar pensamentos, emoções e reações, devendo buscar sempre o amor, a “re-ligação” com o Criador, os verdadeiros valores e virtudes que farão com que não mais adoeça, já que o mau pensar, o mau sentir e o mau agir em nosso dia a dia constituem as diretrizes básicas de nossos processos mórbidos.

Para Dra. Maria Clara Bandoel:

O ser humano se diferencia dos demais seres pela propriedade de ter um propósito ou potencial transcendente do qual é consciente e responsável. Não só sabe o que deve ser, senão o que é na medida de sua vontade. Ele é livre e, portanto, responsável de ser aquilo que deseja ser e se forma na imagem de ser humano, na medida que ele elege o que deve ser. Sua biologia é um instrumento vital a partir do qual pode, por sua qualidade de possuir livre-arbítrio, desenvolver os valores essenciais humanos como são o amor, a bondade, a equidade, a atitude de servir etc., que o fazem ser homem. Seu destino biológico é fatal, é automático e está sujeito ao mesmo; seu destino humano é livre, transcende este fatalismo biológico. Quando o homem altera seu modo de ser; quando não é o que deve ser, sofre e expressa: “Eu me sinto mal”; é seu eu inteiro que manifesta sua ação alterada, não uma parte do mesmo, o qual sentirá e funcionará consecutiva e secundariamente mal.

Segundo Hahnemann, em seu escrito menor, Esculápio .; balança: “O médico deve buscar conhecimentos que abarquem o universo e praticar atos que exaltem a dignidade humana.”

o CÂNCER

À época de Hahnemann, poucos casos de câncer eram encontrados devido à sua baixa incidência. A expectativa de ida era muito baixa nessa ocasião e havia menor quantidade do corpo físico” como meio de sanar seus débitos cármicos. Assim, o corpo de carne passa a funcionar como um exaustor das energias perispirituais desarmônicas e, terminada liberação, o corpo pode voltar à saúde. Não será o caso de Micheli? Poderá ser uma explicação plausível para essas curas inexplicáveis de “casos terminais”?

Outras vezes, apesar da liberação no campo físico, poderá ocorrer o desencarne completando uma programação. Contudo, o que constatamos, fundamentalmente, quando se faz ? reencontro com a saúde da alma, é a serenidade, a paz, a cmpliação do significado da vida, a ampliação da consciência e a harmonia profunda que emana do ser espiritual. A reco-nexão da criatura com a fonte de onde emana toda a vida é objetivo maior da evolução; e inseridos neste processo, recordamos a fala evangélica de Jesus: “Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus.” (Mateus, 5:48)

QUERO VIVER 100%?

Em Amor, medicina e milagres, o Dr. Bernie S. Siegel refere-se aos mecanismos biológicos que todos possuímos de vida” e de “morte”.

O estado de espírito negativo ou positivo, agindo através do sistema nervoso central, sistema endócrino e sistema . munológico, envia ao organismo mensagens de “viva” ou *morra”. Segundo a psiconeuroimunologia, os três sistemas funcionam como uma engrenagem, um circuito integrado com os diversos estímulos que o percorrem.

Quem sente paz interior, bem-estar, harmonia e sorri, estimula a produção no organismo de imunoglobulina, que funciona como “uma vacina”. As imunoglobulinas são grupos de de noxas10 desencadeantes do processo mórbido (sem desen­volvimento industrial e tecnológico).10. Noxas: qualquer fator externo que pode desencadear processo àe desequilíbrio.
Somente tendo o homem passado por todos os processos mórbidos pelos quais passou, é que poderia ter engendrado o câncer como "mecanismo de ajuste". Assim, encontramos o câncer e seu estado potencial como um "ralo" para onde convergiram as predisposições individuais antes conhecidas.
Todos nós trazemos predisposições para adoecer, dessa ou daquela maneira, segundo um plano predeterminado que visa a um reequilíbrio ou a uma harmonização, entre os di­versos níveis constituintes do nosso ser. Portanto, a doença não é um estorvo, um castigo divino ou um incómodo que deva ser simplesmente eliminado a qualquer custo; é, antes de tudo, uma tentativa de harmonia. O estado cancerígeno é, portanto, um estado latente que podemos ou não trans­formar em tumor; é uma circunstância de vida que devemos enfrentar visando aprender e, com ela, alcançar um novo es­tado de consciência, em que não mais haja a necessidade de se cursar a existência com os mesmos vícios e falhas de antes, os quais inexoravelmente transformar-se-iam em tumor.
Hoje, apesar de a medicina alopática dispor de meios so­fisticados no diagnóstico precoce dos tumores, e com isso pretender tratar as doenças antes que se tornem fatais, os indivíduos propensos continuam a manifestar sua tendência mórbida, sob as mais variadas formas clínicas, "curando-se" ou recidivando o estado tumoral, o que atesta a presença subjacente de um estado latente que permanece ativo.
O paciente oncológico está, de maneira geral, tão cent do em sua doença, nas mutilações ocorridas ou prováveis.


— seus sintomas físicos exuberantes, diversos e numerosos, ; _e estão preocupados em pôr fim às dores e sofrimentos fisicos que os afligem; muitas vezes, estão certos que a morte e inevitável e se aproxima a largos passos, não conseguin-c: nos transmitir o que é realmente importante e relevante, i: ponto de vista homeopático para uma correta prescrição - snas sensações mais sutis, o modo alterado de seu corpo esrar em contato e interagir com os fatores ambientais, seu cnma individual transcendente, sua relação com o Criador. i es só conseguem nos trazer sintomas comuns como: medo ãa morte, medo de sofrer, medo da doença, vergonha e, na -sioria das vezes, sintomas de doenças complexas - a sua : - fermidade natural associada à sintomatologia drogai.

CANCERINISMO COMO SITUAÇÃO DE FALHA IMUNE

A interpretação do câncer admite a perda da capacidade ae reconhecimento e eliminação das células neoplásicas, as ;_eis continuamente se formam no organismo com aquelas "r<: self”, isto é, não próprias ao organismo. A perda dessa Bracidade de reconhecer o que lhe é próprio propicia a mul-arúcação desordenada de células neoplásicas.

O fenômeno de tolerância que, dentro de limites normais, ecibelece fronteiras compatíveis com a saúde, em relação ao aei nhecimento daquilo que é ou não seu, ou daquilo que í; convém, cai no estado no qual essa função tolerógena se annlia, causando uma permissividade capaz de injuriar o jr rrio organismo, podendo ocorrer a formação de tumores.

A HOMEOPATIA PARA O PACIENTE QUE ESTÁ À MORTE

Segundo Georges Vithoulkas, a morte é um ponto de transição crucial, que pode ser tão importante para o crescimento consciente de um indivíduo como qualquer outra crise que ocorra durante sua vida. Por essa razão, a homeopatia tem um papel muito importante, ajudando o paciente a fazer essa transição. Deve-se permitir que todas as pessoas morram com o mínimo sofrimento possível e a máxima lucidez.

Muitos concordarão com a necessidade de minimizar o sofrimento no momento da morte, mas pouco se tem pensado sobre a necessidade de, simultaneamente, aumentar ao máximo a consciência do paciente. Muito frequentemente os hospitais modernos mantêm os pacientes drogados, como “vegetais”, separados do amor, do apoio da família e dos amigos. A justificativa para essa prática é a de que não se pode fazer mais nada; agem sentindo-se assim, cobertos de razão em entorpecer o paciente até a morte.

A existência humana não é um processo meramente casual ou acidental. Há um propósito para a vida, o qual não esta apenas fundamentado em realidades materiais, mas também espirituais; assim, a vida consiste em uma série de mudanças e desafios transitórios que fazem parte de um processo maior

A cada dia da sua existência, o ser humano depara-se com uma série de circunstâncias, algumas aparentemente insignificantes e outras momentâneas, mas que oferecem oportunidades para o seu crescimento em direção ao amor e à sabedoria. Durante toda a sua vida, ocorrem grandes c ses que oferecem até mesmo maiores desafios e oportu dades para o crescimento. Quase todos nós tendemos a de certo modo, preguiçosos e indolentes com relação a esta oportunidades, deixando de lado as lições, até que, finalmen-:e. não nos é dada nenhuma escolha. Enquanto sentimos que rodemos “escapar impunemente”, evitamos enfrentar nossa rraqueza, nossa crueldade, nossa desonestidade etc. Entretan-: o propósito exato dos desafios com que os defrontamos ca vida é fornecer-nos motivação, a fim de que tenhamos cada vez mais amor e sabedoria. Mesmo as predisposições

— íasmáticas que herdamos servem a esse propósito.

O momento crucial da verdade, para a maior parte das ressoas, ocorre pouco antes ou no momento da morte. Nes-se ponto da transição, o indivíduo se depara com o término cessa fase da existência. Inevitavelmente, ele reflete sobre os acontecimentos e sobre o significado de sua vida. Diante do cato iminente e inesperado do término da vida, a pessoa as-

- _me uma atitude diferente. Os valores materiais, que foram c ? escravizantes durante toda a vida, são postos de lado; o . mportamento deplorável e desonesto do passado é visto sob nova luz. Um sentimento de profundo pesar e desgos-

ameaça dominar a pessoa, a menos que ela seja capaz de, r calmente, encarar as realidades e aceitar a remissão pelo acrependimento. Uma vez experimentada essa remissão, o in-cnaduo sente-se livre para enfrentar a morte com satisfação. Z-se processo pode ocorrer em meio à maior crise da vida, -cs, na maioria dos casos, ele ocorre na relação com a morte. ?ode -se dizer que esse momento é o mais importante da vida ce uma pessoa, mais importante, inclusive, que o momento cc morte. No entanto, a fim de usar esse instante de trans-fccmação espiritual, deve-se permitir ao indivíduo desfrutar c< estado de consciência. Infelizmente, isso é muitas vezes cegado ao paciente pela administração de poderosos narcó-ttcos e tranquilizantes. As terapias supressivas são aplicadas com tal intensidade que os pacientes terminam degenerando em estados de senilidade, imbecilidade e, finaimente, o coma Esse modo insensível e desumano de lidar com o paciente que está à morte tem a desculpa de ser o último recurso da ciência moderna, e mais tarde, lavam-se as mãos com relação à situação, dizendo: “Fizemos tudo o que pudemos.” Enquanto isso, roubaram do paciente a possibilidade de experimentar o acontecimento mais importante de sua vida.

O propósito da homeopatia durante a vida é aumentar, tanto quanto possível, a saúde e a liberdade do indivíduo, a fim de que as oportunidades para o crescimento espiritual e sua transformação possam ser totalmente utilizadas. Quando se aproxima o momento da morte, o papel da homeopatia muda do processo de cura para o objetivo de oferecer ao paciente um máximo grau de consciência, com o mínimo de sofrimento. Desse modo, é dada ao paciente a possibilidade de experimentar a transição para a morte com dignidade, serenidade, satisfação e liberdade.

Toda e qualquer enfermidade orgânica tem procedência nos recessos íntimos da alma. Corpo doente = Espírito negativamente comprometido.

Ainda na doutrina espírita aprendemos que o trabalho de recuperação do corpo físico fundamenta-se na reabilitação do Espírito, sendo antídoto de todo e qualquer mal, a perseverança no bem.

Na Bíblia encontramos explicações para a origem dos nossos males, as quais coincidem com a forma de entendermos a enfermidade, do ponto de vista homeopático. Em Marcos, capítulo 7, versículos 21 e 23:
Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos...
Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem.

Jesus Cristo curou atuando no desequilíbrio da energia, não interferindo no livre-arbítrio, por isso recomendava: “Vá e não peques mais”. Portanto, observando as curas relatadas na Bíblia, e associando o conhecimento da origem dinâmica da enfermidade, inteiramo-nos da imensa importância da reforma íntima na manutenção ou recuperação da saúde.

CAPÍTULO 6 - REFLEXÕES SOBRE A DOR

MARAISA SALGADO VILELA - MÉDICA HOMEOPATA, PEDIATRA

A DOR É, ANTES DE MAIS NADA, PARTE INTEGRANTE DO ciclo da vida: gestação, nascimento e morte. É responsável por desencadear eventos para a defesa da vida do indivíduo, exercendo função protetora e perpetuando a espécie humana. Ao mesmo tempo, pode ser causa de sofrimento extremo a um, ou mesmo a um grupo de indivíduos, que interage de forma direta ou indireta, com o indivíduo sofredor.

MAS O QUE É DOR?

A iasp (International Association for the Study of Pain define a dor como uma “experiência sensorial e emocional desagradável, associada a dano presente ou potencial, ou descrita em termos de tal dano,” demonstrando que a dor sempre apresenta um componente subjetivo.

A dor aguda é relacionada temporalmente à lesão causadora, isto é, deve desaparecer durante o período esperado de recuperação do organismo ao evento que está causando a dor. Não há um limite preciso estabelecido para sua duração na literatura mundial, podendo ter duração extremamente curta, desde alguns minutos, ou longa, até um período de 3 meses (ou 6 meses para alguns autores), limite máximo em que a maioria dos autores passa a considerar sua presença, como crônica

A dor crônica é considerada por alguns autores aquela com duração maior que 3 meses, ou que ultrapassa o período usual de recuperação esperado para a causa desencadeante da dor (alguns consideram esse limite 6 meses). Para efeitos práticos, o importante é que a dor crônica não apresenta utilidade a qualquer processo biológico, ou seja, não apresenta propósito biológico, e não assume qualquer outra função senão a de causar sofrimento ao indivíduo, em seu aspecto mais amplo: físico, emocional e financeiro.

Muitas vezes, na dor crônica o fator causai pode já não estar mais atuante ou não ser passível de remoção, sendo um exemplo importante a dor oncológica, que deve ser tratada ; ?mo um processo patológico distinto, e não mais como apegas um sintoma.

O tratamento da dor crônica é complexo, e seu sucesso Terapêutico requer esforço multidisciplinar, baseado em múl-Tiplos enfoques do conhecimento humano. É absolutamente ndividualizado, cada dor é a “dor de uma pessoa”, com uma ‘istória, criação, seu contexto e seu momento. A dor é subje-tiva, mas não é abstrata. Ela é sentida por alguém que precisa ser compreendido e respeitado, e que, na maioria das vezes, encontra-se com medo de sua realidade: não entende por que tem dor, teme a causa da dor, teme sua doença, seu tratamento, seu prognóstico, e a própria perspectiva de sentir (ou "ão) sua dor. Teme seu futuro, caso sua dor esteja controlada "esse momento, teme seu descontrole no próximo instante. Teme a perspectiva de experimentar uma nova (e pior) dor a cada momento, e que talvez não tenha controle. Teme a morre, mas, principalmente, teme o próximo instante de vida.

Muitas vezes nega a dor, como que se a negando, negasse sua doença, seu momento atual e seu futuro. Nega sua dor aos seus familiares e entes queridos, filhos e companheiros, Temendo preocupá-los ou mesmo temendo seu abandono, rende a isolar-se, para sofrer sem testemunho, e dessa forma, :entar manter o que entende por “dignidade”.
A dor é uma sensação, e a reação a essa sensação gera sofrimento. Consideramos sofrimento um sentimento negativo que prejudica a qualidade de vida do sofredor.

Tanto o aspecto físico, quanto o aspecto psicológico atuam no sofrimento, e a dor pode ser apenas um pequeno componente circunstancial.

Estatísticas atuais indicam que a dor acomete 60% a 8o°c dos pacientes com câncer, constituindo-se o fator mais determinante de sofrimento relacionado à doença, mesmo quandc comparado à expectativa de morte.

Em todo o mundo, milhões de pessoas morrem anuai-mente devido ao câncer. Segundo a Organização Mundial de Saúde (oms), o câncer é responsável por 10% de todas as mortes, nos países ricos chega a corresponder a 18% dos óbitos. A tendência é de aumento das taxas de incidência e mortalidade secundárias ao câncer, nos países pobres, enquanto tendência contrária é apontada nos países ricos. Pouco mais que o dobro das pessoas sobrevive (acima de 15 milhões), sofrendo de dor oncológica importante e perdendo um tempo precioso da vida, em consequência da dor e do sofrimento. Entre 58% e 80% dos pacientes adultos portadores de câncer, internados, sofrem de dor. Dores moderadas ou intensas estão presentes em 30% a 40% nos estágios intermediários, e, em fases avançadas, 87%.

A dor em doentes oncológicos pode ser secundária à evolução da própria patologia, aos procedimentos de diagnóstico e terapêutica, e a aspectos psicoafetivos associados a uma doença debilitante, progressiva e muitas vezes, terminai

As causas da dor do câncer podem ser divididas didaticamente nas seguintes categorias:
dor induzida pela doença, incluindo a dor secundária ao acometimento tumoral direto do osso, dos nervos, das • isceras, ou dos tecidos moles, e às alterações na estru-:ura óssea decorrente do tumor, que resulta em espasmo muscular, ou outras alterações estruturais.

dor secundária ao tratamento do câncer, como cirurgia, quimioterapia, radioterapia e imunoterapia.

A terapia oncológica sofreu, nos últimos anos, enorme de-r.volvimento, aumentando significativamente a sobrevida -- 5 diagnóstico inicial, e exigindo a conquista de melhor cuclidade de vida e novas estratégias de combate à dor. Em sados da década de 1980, a Organização Mundial de Saú-oms) declarou a dor associada às neoplasias como uma ergência médica mundial”, estabelecendo normas para o -sarnento da dor no câncer, internacionalmente reconheci-«tis e aceitas. O sustentáculo eleito para a estratégia de com-see baseava-se na farmacoterapia analgésica, especialmente ;< - ser acessível à maior parte dos povos do planeta, além je efetiva em aliviar a dor em aproximadamente 90% dos ---.entes com câncer, e em 75% dos pacientes com câncer em estado terminal.

A farmacoterapia analgésica baseia-se em uma sequência «rapêutica que se tornou conhecida como “escada analgésicâ”, a qual tem a via oral como forma de administração jreferencial, exceto em situações que a impossibilitem, como er casos de náuseas, vômitos, dificuldade de deglutição, al-xrações de nível de consciência etc. A escada analgésica deve instituída sempre que a queixa de dor se torne crônica,- previsão de resolução a curto prazo.

ESQUEMA ANALGÉSICO PARA DOR ONCOLÓGICA (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE)

ANT1NFLAMATÓRIO :/

O câncer é a segunda principal causa de morte nos eua. Em 1998, aproximadamente 1,2 milhão de novos casos de câncer foram diagnosticados nos eua, estimando-se que uma em quatro mortes, aproximadamente meio milhão de pessoas, resultaria de câncer, em 1999. No Brasil, não dispomos de dados estatísticos reais, devido especialmente a subnotifica-ção de casos.

Em escala mundial, o Câncer Pain Relief Program, da Organização Mundial de Saúde, considera que cerca de 5 milhões de pessoas no mundo experimentem a dor do câncer diariamente, e que infelizmente cerca de 25% dessas pessoas morram sem conseguir alívio da dor intensa.

Avaliação do quadro doloroso

CLASSIFICAÇÃO DA DOR
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9

zero (o) = ausência de dor

um a três (1-3) = dor de fraca intensidade quatro a seis (4-6) = dor de intensidade moderada sete a nove (7-9) = dor de forte intensidade dez (10) = dor de intensidade insuportável

CAPÍTULO 7 - ENFOQUE ESPIRITUAL DA DOR E DA DOENÇA

MARAÍSA SALGADO VILELA - MÉDICA HOMEOPATA, PEDIATRA

As coisas são apenas o que imagiamos que são. A idéia de felicidade e segurança, alegria e dor varia ao infinito segundo a evolução de cada um. É, falso dizer que a saúde é um bem e a doença um mal.

Usa bem a saúde é um bem, usar mal é um mal; de tudo se tira o bem até da própria morte. Epiteto.

ACIÊNCIA FEZ FAISCAR EM NOSSA MENTE A POSSIBILI-dade de um paraíso imediato na Terra, e declarou guerra contra a dor, muitas vezes cegando a alma diante dos objetivos supremos da vida. Porém, apesar deste estrondoso progresso científico e tecnológico, a dor ainda está gravemente presente entre nós.

Estamos vivendo uma época de inquietação espiritual com crescentes orgias nos excessos de comida, bebida, diversão, trabalho, insuficiência de sono e, assim, nos submetemos a uma cadeia de atividades desarmonizantes como válvula de escape para nossas angústias, dúvidas, frustrações e, principalmente, para nossos medos.

Constantemente buscamos os prazeres dos sentidos e so nos saciamos embotando a criatividade mística do nosso divino ser. Verdadeiramente, não conseguiremos ser pessoas completas, seja espiritual ou fisicamente, até reconhecermos que as raízes do nosso ser repousam na divindade. Por isso, quando os corpos envelhecem e a sensação física se esvai, o “pigmeu” de nossa alma atrofiada nos atormenta com dúvidas e incertezas angustiantes gerando dor.

A mentalidade moderna é míope para as verdades eternas, limita-se ao imediatismo num jogo de defesa à procura d. felicidade e do prazer. Porém não podemos ter a ilusão ce vencermos a dor sem antes compreendê-la.

A ciência não se apercebeu ainda que a dor tem uma função fundamental na economia da vida, ela obriga o homem a dobrar-se sobre si mesmo e preparar o caminho para 2 profunda introspecção, desenvolvendo qualidades latentes e multiplicando as potencialidades.

A dor é, antes de mais nada, parte integrante do ciclo da vida: gestação, nascimento e morte. É responsável por desencadear eventos para a defesa da vida do indivíduo, «tercendo função protetora e perpetuando a espécie huma-K. Ao mesmo tempo, pode ser causa de sofrimento extremo a ou mesmo a um grupo de indivíduos, que interage de t — a direta ou indireta com o indivíduo sofredor.

ESCIMENTO EVOLUTIVO

Por que sofremos ?

? or que a humanidade sofre?

São perguntas que o homem faz desde que se descobriu ; — ? ser no planeta e, até hoje, apesar de tanta tecnologia, iã>: conseguimos responder ainda por que sofremos.

Estamos acostumados a nos envolver com a dor e a doença

- nosso cotidiano através de jornais e televisão, familiares, egas de trabalho, mas até hoje a humanidade interpreta

c ? r pelo binômio pecado-castigo, adotando uma postura tr opomórfica, pois o homem secularmente é a medida de Las as coisas e olha apenas para si próprio, mal conseguin-nterpretar a sua dor e muito menos a que o rodeia.

Por amor Deus criou os seres, sendo esse o caminho: o

r à lei universal. Apesar disso, ao olhar a natureza, linda,

- mem não se dá conta dos processos dolorosos de morte, fctruição e renascimento por que passa toda essa criação, fcde o mineral, vegetal, animal e até o hominal, a caminho xa evolução.

Um animalzinho de estimação, por exemplo, vive ao nosso pé e, na maioria das vezes, não registramos suas dores na bo ardente pela vida.

A dor é um fenômeno natural da própria vida, mas para rt > constitui imposição tormentosa, podendo gerar revolta e queda ou, de acordo com a aceitação do processo, ens: nar-nos a paciência, a sabedoria e o governo de si própnc Para outros, mais evoluídos espiritualmente, já abarca um significado moral de grande alcance, servindo de muralha protetora ante os apelos inferiores da matéria.

Mas em qualquer posição considerada, a dor preenche a lacuna do amor ausente e desperta o ser para o anseio da ternura.

Longe de ser uma punição divina, a tão temida dor é herança de nós mesmos e um precioso recurso a nos lapidar as arestas, até atingirmos a maioridade espiritual com o amor incondicional.

Quanto maior o crescimento evolutivo do ser, mais a d< vai se espiritualizando e tornando-se sutil, anulando-se pr gressivamente na marcha rumo ao progresso.

Sentimento primitivo e grosseiro <--> DOR

Sentimento puro e generoso <--> AMOR

A dor e o prazer são formas extremas da sensação. Supri-r. .* im ou outro seria extinguir a sensibilidade, pois ambos Brio muito mais em nós que nas coisas externas.

A dor física está ligada à sensação e funciona como um r um chamado a se preservar dos excessos, dor-ilusão.

A dor moral está ligada ao sentimento, ao sofrimento do Espirito, e se trata de dor-realidade.

Devemos regular nossas sensações, disciplinando os sen-fcientos, limitando-lhes os efeitos e fazendo da dor um meio Be e.evação. No trabalho de nossa redenção individual ou a Letiva, a dor é sempre o elemento amigo e indispensável a rsr nosso maior fator de resistência ao progresso evolutivo. Se nas horas de provação soubéssemos observar o trabalho cremo da dor em nós, compreenderiamos melhor sua sublimação educadora.

Diante de qualquer processo de reajuste através da lei de ousa e efeito, recordem que o mestre Jesus ensinou servindo, at rrigiu amando e declarou não ter vindo para curar os sãos. Le nos mostrou que somente chega a entender a vida quem a: —preender a dor.

O nosso corpo é formado por trilhões de células que rrardam em si o princípio inteligente, sendo regido por um prmcípio central que, através de estágios seculares, adquiri-nn o automatismo e funcionam harmoniosamente, desde o regente dessa sinfonia orgânica assim o permita: a

A vontade - a vontade do Espírito.

A mente elabora criações que fluem através da vontade e rodem ter consequências felizes e infelizes no campo do resrino, dependendo do nível do pensamento. Assim, cada cernia do nosso corpo vivência o esforço, a dor, a doença, o •rio, a raiva, a harmonia, o amor, a felicidade, a paz, a alegria.

A vontade é a gerência esclarecida e vigilante a governar os setores da ação mental, sendo suficientemente forte para sustentar a harmonia do Espírito.

Devemos, através da vontade, tomar posse do que não podemos relegar a outrem: a nossa dor - a nossa cura. Devemos abandonar a postura de vitimismo e assumir nossa cura física, moral e espiritual.

A mente, através do cérebro, transmite a vontade do Espirito a todas as células do corpo humano e, quando a vontade do Espírito não está ligada à vontade do Criador, teremos as moléculas entregues à própria sorte. Diante disso, observamos a importância fundamental da nossa vontade, podendo acelerar ou desacelerar, e até paralisar, a produção de células cancerosas.

Portanto, devemos procurar manter a nossa vontade ligada à do Criador. A vontade é o leme emocional, e só quando é mobilizado para a autoajuda é que teremos o processo de cura deflagrado.

Devemos cultivar, dentro de nossa reforma interior, a pureza de pensamentos, de idéias, de sentimentos; a pureza de coração, da palavra e da vida. Temos que travar uma luta ferrenha contra nós mesmos acabando com o ódio, a inveja, o ciúme, a discórdia, a intolerância, a vingança, o orgulho, o egoísmo e conhecer melhor o sagrado terreno de nosso coração, pois a felicidade não é doada nem vendida, mas sim acumulada passo a passo, pela linha de oportunidade que a vida nos oferece em todos os momentos.

A revolta e a desordem pertencem aos níveis pouco evoluídos da vida. Estando formas inferiores tentando agredir as formas rnais evoluídas e, se estas perderem o controle e a defesa (vigilância) exercido pelo poder central (Espírito), então perderemos a disciplina orgânica, entraremos em desarmonia e produziremos doenças.

A alegria proporciona ao cérebro maior contribuição na : - :>dução de substâncias especiais, encarregadas de produzir saude e aliviar a dor, entre elas a endorfina.

O riso, inclusive, estimula a produção de IgA (imunoglo-?ulina do tipo A) salivar protegendo a cavidade oral contra rtvasão de vírus e bactérias patogênicas. Rir auxilia a elimi--ar toxinas, sendo a risoterapia recurso precioso para distúr-:,?s orgânicos e emocionais.

A alegria de viver e a vontade dirigida para o alto nos condam a uma existência rica de produções nobres. Aprendamos a deixar de viver bem para bem viver - uma conquista pessoai e intransferível.

CONCLUSÃO

A partir do conhecimento das leis divinas, do funcio-namento do corpo humano e etérico, da interação cérebro-mente, poderemos conscientemente mobilizar a cura moral e daí a cura física, inclusive para algumas moléstias incurá-ets de hoje, mesmo que tenhamos que avançar o processo c<e cura para reencarnações futuras, mas este é o caminho - r.umanizar em nós as leis divinas numa grande e definitiva 'ztorma íntima.

Quando a Terra já estiver totalmente regenerada, mé-áicos e psicólogos serão gerenciadores, mobilizadores dos recursos internos do outro, mas desde já é nosso dever ser ; bálsamo para o alívio da dor do próximo, propiciando e e-nmulando a união de sua vontade à do Criador.

E como fazê-lo?

Auxiliando no processo do autodescobrimento, localizando os sentimentos gerenciadores da sua vida e constatando sentimentos geradores de toxinas mentais (raiva, ódio, orgulho, angústia, soberba...) ajudando a higienização mental a caminho do pensamento puro.

Poderemos incluir, no auxílio aos nossos enfermos, os exercícios de relaxamento e visualização, aumentando assim a probabilidade de acionar a mente para melhor distribuir ordens, analisar conceitos, ampliando e estimulando a química orgânica, encorajando altos interesses pelo progresso e, por meios ainda desconhecidos na Terra, eternizando as leis de Deus nos escaninhos do próprio ser.

CAPÍTULO 8 - ENFORFINAS: O CORPO TRABALHANDO EM NOSSO FAVOR

MARAÍSA SALGADO VILELA - MÉDICA HOMEOPATA, PEDIATRA

EM MAIO DE 1997, A ESPIRITUALIDADE VINCULADA Associação Médico-Espírita de Minas Gerais (amem através de psicofonia, sugeriu ao nosso grupo, o gei sicon (Grupo de Estudos de Espiritismo e Psico-oncologia um estudo sobre endorfinas. Entendemos que esse trabalho ajudaria a otimizar o atendimento aos pacientes portador de doenças com grande potencialidade para provocar forte dores, tais como pacientes portadores de câncer.

O ópio e seu derivado, a morfina, têm sido utilizada para mitigar a dor há mais de 100 anos. Em 1973, cientistas descobriram por que o ser humano teria receptores em seu organismo para captar uma droga como a morfina. Descobriu-se que a morfina atuava em locais específicos no encéfalo, na medula espinhal e em outras terminações nervos Tal descoberta levou à identificação de pequenas moléculas proteicas produzidas pelo organismo, as quais reagiam com os mesmos receptores utilizados pela morfina, e foram determinadas endorfinas. Portanto, como possuem uma estrutura química similar à da morfina, apresentam um potente efeito analgésico. Assim, a morfina e outros opioides exógenos imitam o efeito das endorfinas, associando-se aos seus receptores pós-sinápticos especializados, impedindo a chegada da informação dolorosa ao sistema nervoso central.

O termo endorfina é uma forma abreviada de “morfina endógena”, vem das palavras “endógeno” (o que se origina do interior) e morfina (um potente analgésico). Produzida naturalmente pelo corpo, é conhecida mundialmente por sua atuação como um hormônio antiestresse, além de apresentar importante papel no alívio das dores físicas. Desde s descoberta, ela tem sido encontrada não somente no sistema nervoso, mas também em outras partes do corpo (inclusive : pâncreas e nos testículos).

Além do seu efeito analgésico, acredita-se que as endorfinas controlem a reação do corpo à tensão, pois está comprovada a sua extraordinária capacidade para despolarizar as membranas celulares, diminuindo o impulso nervoso, assim, regulando as contrações da parede intestinal, a liberação de alguns hormônios, interferindo no humor e executando um papel essencial no equilíbrio entre o tônus vital e a depressão.

A endorfina é então um hormônio que faz parte do sisma endócrino do nosso organismo. Esse sistema ajuda i ntegrar e controlar as funções corporais e, dessa forma, proporciona estabilidade ou homeostasia no meio interno.

- hormônios afetam quase todos os aspectos da função humama, regulam o crescimento, desenvolvimento e produção, ampliam a capacidade corporal de lidar com os estressantes fisicos e psicológicos. Isso ocorre porque ao sentirmos dores ou estresse, a endorfina é secretada e bloqueia os impulsos de dor que vão para o sistema nervoso provocando alívio da dor além de poder causar euforia. Conforme ela é secretada e distribuída pelo corpo, torna-o mais saudável.

Esse potente analgésico endógeno não está presente somente no corpo humano. Podemos encontrá-lo até mesmo em animais unicelulares, mas nos animais superiores as endorfinas formam um dos pilares mais importantes na determinação do instinto e das emoções.

Estudos científicos mostraram que a concentração das endorfinas aumenta durante a atividade física, e existe alguma evidência recente de que a ativação induzida pelo exercício pode agir no sentido de regular a secreção de vários hormônios. Podemos exemplificar através de sua influência sobre a adrenalina que, por sua vez, quando estimulada aumenta a glicose sanguínea (ganho de energia), acelera o desempenho cardíaco (aumento da frequência), entre outras importantes ações. Portanto, podemos entender que as endorfinas são de grande importância para a manutenção das funções que desempenhamos em nosso dia a dia, e delas depende que nos encontremos bem ou mal.

Foram encontrados 20 tipos diferentes delas no sistema nervoso, sendo a betaendorfina (composta de 31 aminoác;-dos) a mais eficiente, pois é ela que dá o efeito mais eufórico ao cérebro. Seu fluxo procede do cérebro, que as cria e as d;-rige, assemelhando-se à mesma energia de que lançam mãe os magnetizadores em suas surpreendentes curas. Desde a mais remota antiguidade as mães sabem, por instinto, que podem acalmar a dor de seus filhos com carícias e carinhos, pois é sabido que estados emocionais modificam a produção de hormônios e até mesmo os campos elétricos.

Freud falava de um “sentimento oceânico”, os iogues indianos referem-se a uma “consciência cósmica”, mas pouco importa quais são as palavras utilizadas. Existe um estado de felicidade serena, próximo da beatitude, no qual uma mar*j vilhosa sensação de alegria parece subir por nossas costas e afundar-nos em gozo suave e delicado. Ficamos então emoj cionados com a vida, sentimos que fazemos parte de um todo e que estamos em comunicação direta com esse todo melhoram a memória;

melhoram o estado de espírito;

aumentam a resistência;

aumentam a disposição física e mental;

melhoram o nosso sistema imunológico;

bloqueiam as lesões dos vasos sanguíneos;

têm efeito antienvelhecimento, pois removem superóxidos;

aliviam as dores.

O organismo produz a endorfina para poder “sentir” de modo agradável o mundo. Acoplando-se aos neurônios, ela age modulando a intensidade dos impulsos (é ela que faz a dor de um forte golpe diminuir depois do primeiro momento). Sua carência faz uma Carícia ser sentida como dor. .qualquer desgaste leve, como o causado pelo movimento

-normal do corpo, ou o mesmo forte, solicita a produção da ísdorfina. Seu fluxo amplia a imunidade das células, sua

-maior produção ajuda a recuperação da saúde e seu excesso, ; - mais rápido que passe pelo corpo, enche-nos daquela rraravilhosa sensação de euforia e plenitude.

Infelizmente, as endorfinas não podem trabalhar por muito tempo, pois existem enzimas no nosso corpo, chamadas endorfinases, que “mastigam” as endorfinas. Daí a necessidade de exercermos atividades que estimulem a sua produção.

O Bom humor, os pensamentos positivos, o amor ao próximo, massagens, exercícios físicos, uma vida diversificada, a música e outros estímulos sensoriais, enfim, tudo aquilo que nos proporciona bem-estar faz com que fabriquemos endor-finas. O fluxo das endorfinas, através do nosso organismo. faz-nos sentir bem, pois como dissemos são poderosos analgésicos bioquímicos segregados pelo cérebro.

Saúde mental significa ter pensamentos e sentimentos positivos sobre si mesmo. É tradicional o provérbio de que “o bom humor afasta as doenças”, ou “aquele que ri, vive mais’'. Isso significa que a mente tem uma relação direta e indireta com o corpo. Assim, à medida que “alimentamos” bem nossa saúde mental (com emoções positivas, poucos aborrecimentos, bons pensamentos etc.), melhor será a nossa saúde física. ;

A ciência médica tem relacionado problemas com a san-j de mental ao surgimento de desequilíbrios no plano físico, ou seja, orgânico. Esses problemas podem ocorrer quando ; situações ambientais externas muito sérias, como agressividade entre as pessoas, medo de ser assaltado ou assassinado, perdas muito grandes, como a morte de um ente querido, o rompimento com um grande amor ou a perda do emprego, uma doença que ameaça a vida, desencadeiam reações químicas anormais no cérebro.

De fato, já é admitido que alterações mentais como o e>-tresse, depressão, medo, ansiedade, raiva, mágoas, dentre outras, podem provocar vários problemas orgânicos, comc i úlceras gástricas e intestinais, doenças da pele, diabetes e ate mesmo o câncer. São as chamadas doenças psicossomáticas (do termo psique = mente e soma = corpo), ou seja, distúrbios físicos causados por transtornos psicológicos e sociais, em! que a desconexão mente-corpo se traduz num desequilíbrio todos os níveis somáticos. Assim, se não houver um trabalho no interno harmonioso, iremos nos deparar com as enfermidades nas suas mais variadas formas. Dessa forma, iremos ver as doenças como um iceberg, que tem sua maior parte submersa, oculta. Um número altíssimo dessas doenças acomete a humanidade.

A CONEXÃO MENTE-CORPO-DOENÇA

Ha mais de 6o anos pesquisadores vêm investigando como b emoções afetam o organismo. Descobriu-se que, em uma situação de estresse, por exemplo, num confronto com um assaltante, o organismo passa por profundas modificações intcmas e externas: aumenta a frequência cardíaca e respiração as pupilas e as artérias se dilatam, aumenta a descarga de adrenalina etc. Felizmente, essas alterações duram apenas alguns minutos, pois são mecanismos de defesa observados no homem e em muitos animais para fugirem ou lutarem, assim sobreviverem ao ataque. No caso de uma situação crônica de distúrbio emocional, essas reações se perpetuam causando numerosos transtornos à integridade do organismo. Essas são as chamadas reações de estresse.

Uma das funções do cérebro é produzir substâncias que contèm saudável o corpo e o comportamento. Algumas dessas substâncias são as gamaglobulinas, que fortificam o nosso sistema imunológico, o interferon, que combate infecções caóticas, e as endorfinas, que são grandes antídotos contra dor. A produção dessas substâncias depende em parte de nossos pensamentos e sentimentos. Pensamentos negativos podem perturbar a saúde mental. Pesquisas científicas, investigando o corpo e a mente, estão fazendo descobertas notáveis sobre como as emoções e os pensamentos afetam a nossa saúde. Estudos mostraram que pessoas pessimistas apresentam taxas de doenças significativamente maiores que as outras pessoas.

A imunidade beneficia-se do fluxo correto de endorfinas no combate a todo tipo de infecção, desde uma simples gn-pe, aids e até mesmo exercendo um importante papel na prevenção e tratamento do câncer. Todo indivíduo tem em seu corpo um elevado número de células que são potenciai-mente cancerígenas, mas que nosso sistema imunológico se encarrega de vigiar e eliminar, zelando para uma perfeita harmonia orgânica. Se esse sistema falha, essas células podem provocar a aparição de doenças que, potencialmente, M estavam em nós. Portanto, o principal causador de doenças é nossa incapacidade para nos defendermos.

MÉTODOS NÃO FARMACOLÓGICOS DO CONTROLE DA DOR

Métodos não farmacológicos de controle da dor são expà-1 cados através da atuação de mecanismo autoanalgésicos. Ee I provavelmente parte da capacidade da acupuntura em aliviar a dor seja devida à liberação de endorfinas, pois estudos comprovam que seu efeito analgésico pode ser bloqueado pela Naloxona®, antagonista da morfina. Já a analgesia obtida através da hipnose apresenta mecanismo diferente, não opioide, pois é resistente à aplicação desse antagonista da morfina.

Em situações de estresse, os mecanismos de autoanalgesia funcionam como uma defesa do organismo. Eles preparam corpo para resistir à dor, para poder lutar ou fugir melhor, f m desses mecanismos pode ser exemplificado com o fato ie em uma situação de perigo, não haver percepção ime-u:ata de sensação dolorosa de uma lesão, provocada por um igressor. Este mecanismo é extremamente adaptativo, já que reemite uma melhor fuga, evitando uma possível destruição parcial do organismo pelo agressor.

Outro tipo de estresse é provocado por uma prática ex-cessiva de atividade física, cuja recompensa, além do condi-nnamento físico, é a liberação de endorfinas que produz sensação de prazer. As endorfinas promovem o alívio da : - 'pria situação de estresse. É por isso que muitos atletas *cabam se lesando profundamente sem sentirem a injúria Èáca, assim que ela acontece em seu organismo.

Em suma, a endorfina é o presente mais valioso que a natu-seza deu aos homens, constitui uma das maiores descobertas ; século. Dessa forma, poderiamos dizer que seu propósi-i: e manter a “felicidade” do corpo, um estado bioquímico r_e todos podemos alcançar. A felicidade está modulada por ir ?res externos, mas nosso processamento interno permite iní superemos uma desgraça pessoal ou uma tragédia. Assim i-rendemos que o segredo da felicidade está em nós -fabrica endorfinas e embriague-se com a vida!

O poeta M. Herrera, ao vivenciar os efeitos da endorfina, presenteou-nos com um belo poema:

ENDORFINAS

Estive procurando
Caminhando sem parar
Sem tempo pra pensar
Vaguei pela cidade
Diferentes formas de pensar
Mil maneiras de falar
Até que te conheci
Até que chegasse a mim
Estava olhando
Apreciando o mar azul-anil
Você estava tão perto de mim
Descobri tuas mãos

Que tocaram na minha pele
Pra não me deixar partir
Não tem pra onde fugir
Se você está perto de mim
E nesse lugar
Só te olhando assim
E impossível
Quero te tocar
E assim saber que prometi
Em teus olhos acordar
Desde que te conheci
Sei o que é ser feliz

PARTE II - VISÃO PSICOESPIRITUAL

CAPÍTULO 1 - TRABALHANDO COM A ENERGIA

LIGIA POMPEU

Queridos companheiros, muita paz.

As conceituações do mundo têm tomado um rumo estrondoso, principalmente, no campo da física quântica. Os grandes mensageiros da ciência vêm trazendo aos homens as explicações da unidade básica da criação, que é a energia.

Infelizmente, a medicina, a par de tantas pesquisas no campo das etiologias e das terapêuticas, prende-se aos laços restritos da matéria, sem uma assimilação necessária das idéias de uma concepção energética da criatura, em especial no Ocidente.

A medicina oriental, que absorveu de planos superiores os conceitos do chi, caminhou com profundidade nesses aspectos aos quais queremos nos referir. Tempo virá, e e imprescindível que vocês se tornem participantes dessa pr pagação do entendimento do corpo como uma manifestação da energia e de que as doenças são deformações desses fluxos energéticos, causadas pelo impacto dos pensamentos da i sência espiritual, no contato com o elemento material.

Quando isso ocorrer, compreenderão os homens da área da saúde que suas preocupações não devem se voltar para os pontos nos quais acontecem os estrangulamentos da energia na estrutura corporal, mas sim no auxílio às individualic des na condução sublimada daqueles pensamentos, no ser do de que o fluxo se faça de forma tranquila, desaparecendo a sintomatologia doentia.

A compreensão de que a doença reside no pensamento e • i sua desorganização fará uma revolução na área médica, ; - indo então, o profissional retomará o seu papel de tera-reuta, fazendo-se intermediário do homem doente com o cem eterno.

Atentem, queridos amigos e companheiros, em nossas ralavras, buscando na reflexão a tomada de novos posicionamentos.

Agradecemos a atenção e rogamos a Deus que nos ampa-em nossos propósitos.

MIGUEL COUTO

mensagem psicografada pelo médium Roberto Lúcio Vieira de Souza, na amemg

Neste capítulo, discutimos alguns conceit espiritualistas, originários basicamente da liters ra esotérica, os quais nos auxiliam na compreensão mais ampliada da organização energética humana.

Sempre que possível, trazemos o correlato das informações da obra subsidiária do espiritismo, principalmente a través da psicografia de Francisco Cândido Xavier e de Divaldo Pereira Franco, além de reflexões oriundas de estudos Associação Médico-Espírita de Minas Gerais.

Allan Kardec, ao trazer-nos a obra básica do espiritisi apenas sinalizou alguns conceitos sobre a questão energética da criação, com grande antecedência às descobertas da moderna física quântica. Coube à ciência do século xx começar a desvendar e abrir as portas do mundo da energia, no que se refere à composição da matéria.

Por outro lado, o esoterismo e as religiões orientais já senvolviam conceituações bastante amplas sobre a naturuza energética na constituição da criatura. Fazemos aqui uma vez referência a esses trabalhos, com o entendimento de que anotações bastante superficiais, apenas o suficiente para uma introdução a um estudo, naturalmente maior e mais abrangente, o qual, porém, foge ao contexto deste livro e da nossa capacidade pessoal para o aprofundamento dessa matéria.

Consideramos que esse conhecimento oferece-nos base para os tratamentos em nível energético, tais como os complementares da medicina: homeopatia e acupuntura; os alternativos: cinesiologia, cromoterapia, florais, reiki, shiú ioga etc.; e os espirituais: fluidoterapia (prece, passe, higiene mental, culto do evangelho no lar).

Assim, consideremos alguns aspectos a seguir:

ENERGIAS

fluido cósmico universal

Em O livro dos Espíritos, o Espírito da Verdade inicia a Conceituação do caráter energético da matéria física, ao afirmar que esta se deriva do fluido cósmico, elemento primitivo. A matéria elementar é susceptível de receber modificações e adquirir propriedades inerentes aos planos nos do espiritismo mais se expressa. Duas são as propriedades fundamentais:

Movimento e força. Todas as outras lhe são secundárias. No início do século xx, a física, através das teorias de Eisntein, começa a confirmar, sem o saber, a fala do Espírito da Verdade, ao afirmar que a matéria é energia condensada.

Segundo o autor esotérico Leadbeather, existem sete planos orientais energéticos, através dos quais o Criador difunde sua luz. Cada um desses planos se subdivide em sete subplanos. Nos planos superiores essa expansão é mais completa. Ele nos explica que, ao passar de um plano superior ao que lhe é imediatamente inferior, essa energia sofre uma espécie de paralisia, uma condensação. Dessa forma, imaginemos uma livro e da nossa piramide, representando a descida da energia até o nosso nível material:

ENERGIA PURA

Os planos inferiores são vitalizados e influenciados pelos superiores.

Assim, se difunde a Vida Divina com uma plenitude e uma força muito maior no plano Mental do que no Astral. Entretanto, a glória do Plano Mental é transcendida pela do Plano Búdico de maneira incomensurável. Normalmente, cada uma das poderosas vibrações se estende em seu próprio Plano, por assim dizer, horizontalmente.

Entretanto, nos momentos de prece, pensamentos retos : ?entimentos sublimes permitem o movimento de busca e icesso dos planos inferiores aos superiores, como se abris-iem canais de comunicação direta, por onde as bênçãos rram do mais alto para os planos de maior condensação, emos, nas obras de André Luiz e outras, exemplos dessa LTuação, quando as preces fazem jorrar energias em forma pétalas dos planos invisíveis.

PENSAMENTO E SINTONIA

O espiritismo torna compreensível a ação da prece, explicando o modo de transmissão do pensamento. Allan Kardec

(O evangelho segundo o espiritismo')
Nosso pensamento movimenta ondas magnéticas, é energia-viva a qual nos permite plasmar idéias em formas de pensamento.

Impulsionado pela vontade, o pensamento é fluxo energético da campo espiritual; é matéria em estado de tal rarefação que se comporta como energia, apresentando-se como ondas.

Uma onda resulta de vibração, de deslocamento de particulas no espaço, em movimentos oscilatórios. Esse movimento, chamado vibratório, pode ser comparado a uma pulsaçâo sendo caracterizada por duas medidas:

> comprimento de onda - espaço percorrido durante uma vibração completa;

> frequência - número de vibrações por segundo.

Assim sendo, uma onda pode ser curta ou longa, rápida: ou lenta. Quanto menor o comprimento da onda, maior a frequência vibratória e a capacidade de penetração. A luz por exemplo, em nosso plano pode ser percebida pelos olhos do encarnado, desde o vermelho (onda longa e de baixa frequência) ao violeta (onda curta e de alta frequência). Somos capazes ainda de nos utilizar ainda de infravermelho, ondas mais longas e de mais baixa frequência, ou ondas muito curtas e de frequências ainda mais altas (ultravioleta).

A ciência, apesar dos avanços da tecnologia e das descorbertas da física quântica, ainda não compreendeu a condicção energética do pensamento humano e o significado da emissão dessa energia, em termos de sintonia, embora as inúmeras observações relacionadas, principalmente aos estudos efetuados pela parapsicologia e relatos esotéricos, nos efeitos anímicos, como por exemplo na psicometria, na telepatia e outros fenômenos conhecidos. André Luiz completa:

É o Espírito que pensa, estando ele encarnado ou desencarnado. Através do pensamento ele emite energias, criando ondas mentais, gerando em torno de si um campo de influência, que é o seu “hálito mental”.

No livro Pensamento e vida, Emmanuel elucida-nos a ação do pensamento e as questões relativas à sintonia: “Respiramos no mundo das imagens que projetamos e recebemos. O reflexo mental mora no alicerce da vida.” (1958, cap. 1)

Pensamento gera formas e emoções cores, as quais compõem a aura, exteriorizando-se em vibrações. Dependendo o tipo de pensamentos ou sentimentos com os quais nos envolvemos, criamos sintonia com encarnados e desencarnados, cujas emissões sejam semelhantes às nossas.

Ao envolvermo-nos com questões menos elevadas, emitimos ondas longas. Quando buscamos, sinceramente, a renovação interior, através dos sentimentos mais profundos ou pensamentos retos na busca do conhecimento, da meditação, da prece, emitimos ondas mais curtas e de alta frequência, elevando o padrão mental. Consequentemente, entramos em faixa de sintonia mais elevada em contato mais próximo com os mentores que nos assistem.

O autor esotérico Leadbeater nos afirma:

Todo pensamento dá origem a uma série de vibrações que no mesmo momento atuam na matéria do corpo mental. Nessa operação mental se produz uma espécie de atração da matéria do mundo mental, cuja natureza é particularmente sutil. Sob a direção de uma vontade tranquila e firme, essa forma de pensamento será tão poderosa quanto enérgica, desempenhando papel de alta transcendência.

Cada pensamento bem definido produz duplo efeito:

> uma vibração irradiante;

> uma forma susceptível de flutuar no ar.

A vibração radiada leva consigo o caráter do pensamento que a anima, mas não o assunto desse pensamento. Um hindu, em se meditação, pensa em Krishna. A onda de pensamento dele emana, despertará devoção em todos aqueles que entram em sua sintonia por exemplo, um cristão pensará em Jesus. (Leadbeater, 1995)

Através desse mecanismo, cada um de nós exterioriza a personalidade que lhe é própria, emitindo vibrações peculiares em determinada frequência e comprimento de ondas. A sintonia se dá quando esses movimentos ondulatórios ac encontram com outros semelhantes, gerando reciprocidade e adequação.

No livro Mãos de luz, observamos a autora Bárbara Breajner utilizando sua sensibilidade para perscrutar a aura de seus pacientes, indagando das energias ali aderidas pela persistência em idéias, fantasias, hábitos e sentimentos e, dessa forma firmar diagnóstico e estabelecer condutas de restauração das energias, auxiliando-o no equilíbrio físico e mental.

Esse é o motivo pelo qual, somos constantemente exortados ao exercício da higiene mental, como fonte segura de saúde.


PERISPÍRITO

Na concepção trinária do homem, classificação de Allan Kardec, o perispírito faz o papel do elo entre o corpo físico e o espírito.

Não vamos aqui nos ater a conceitos estruturais da or-£inização perispirítica, uma vez que esta se encontra, ain-íí. envolvida em diversas discussões dentro do movimento -edico-espírita.

Interessa-nos, entretanto, sua condição funcional, pois, centro do significado da saúde integral, o perispírito desentranha importantes funções.

Podemos afirmar que, obedecendo à vontade do Espírito, : ; dirigente do processo evolutivo, pois suas estruturas têm . .apacidade de conceber todas as potencialidades do ser e ;; arquivar suas experiências. Através de equações profun-; - as quais temos somente uma vaga capacidade de perceber , movimenta as energias íntimas, permitindo a cada um vivenciar merecimentos e provas que se fazem necessárias ante do processo de depuração e aprimoramento.

No livro Medicina psicoespiritual, a autora Angela Maria _ _ Sala Batà (1993) nos esclarece:

O conceito básico que devemos sempre levar em consideração é o de que o homem é um agregado de energias de diferentes níveis vibratórios. Os veículos do homem são campos de energia utilizados pelo si (Espírito) para fazer experiências sobre os vários níveis da maniifestação (mundo material).

Conceitos esotéricos nos falam de uma organização humanas energética, estruturalmente, se assim podemos nos expressar semelhante àquela acima descrita como planos de vida. Assim, os envoltórios da criatura estariam expressando níveis energéticos diferenciados, desde os mais sublimes e incorruptiveis (atma e búdico), até os de energia mais condensada (duplo etérico e corpo físico). Próximos a estes dois, estariam o mental e o astral, ainda passíveis de adoecer. O corpo causai seria o regente da evolução, guardando em si a memória e toda a experiência de vida, com as possibilidades de avaliações, cármicas diante das necessidades existenciais e evolutivas de cada ser. “Todas as doenças derivam da utilização errônea das energias que se encontram em nós.” (Batà, 1993)

Tanto do ponto de vista espírita, como do esotérico, as, doenças são vistas como possibilidades de expurgo de energias deletérias aderidas à intimidade, as quais feriram, de alguma forma, a consciência lúcida do ser, em sua caminhada evolutiva. No capítulo “Etiologia do câncer em vivências; espirituais” fazemos uma exposição mais ampliada desses;' mecanismos energéticos, dos quais o Espírito lança mão. na busca da saúde real da criatura, que, segundo os mentores;' nos ensinam, é a mesma trilha da felicidade plena, ou seja, a religação com o Criador, o homem sadio.

CENTROS DE FORÇA OU CHACRAS

Chacras são vórtices de ligação entre as diversas estruturas perispirituais e, entre estas e o corpo físico, através dos quas a energia superior verte para os planos inferiores, oferecer-lhes a vitalidade e molde. São os pontos de ligação entre 11 corpos e estão presentes em todos os níveis energéticos cá constituição do ser. De modo geral, quando falamos de chá eras, estamos nos referindo aos do duplo etérico, em estreio ligação com o sistema hormonal, as glândulas do corpo físico.

Assim, pelo que nos é dado compreender, cada um deles tem uma função específica em nossa vitalidade e comandar um tipo de energia evolutiva. Dessa forma podemos diza de modo superficial, que o:

> básico, localizado no extremo da coluna vertebral, mobiliza energias relacionadas com as coisas da Terra, como por exemplo, a procriação e a subsistência - instinto de autoafirmação;

> sacral, as da sexualidade, criatividade inferior;

> solar, as das emoções e sensações - afetividade pessoal;

> cardíaco, as dos sentimentos nobres - amor universal;

> laríngeo, as da criatividade superior;

> frontal as do discernimento, além de estar em estreito relacionamento com os outros chacras, sendo, por assim dizer, o coordenador de suas ações e responsável pela integração e síntese dos três centros superiores com os três inferiores.

> coronário promove as energias da vontade superior e a ligação com os planos mais elevados. Ilumina-se quando estamos em verdadeiro estado de prece, de meditação, permitindo-nos condições para a intuição genuína.


REPRESENTAÇÃO DOS CHACRAS

AS POLARIDADES YANG/YIN

As eneergias (yang) e (yang), como forças de equilibrio evolutivo, possuem características proprias, como femininas e masculinas, respectivamente.

11.Existem outras classificações e nomenclatura referentes aos chacras. Baseamos-nos, aqui, na classificação da doutrina esotérica, na autora Angela Maria La Sala Batá, do livro Medicina psicoespiritual.

Feminino: A cor yin é o prata, da luz da lua. É a noite, rrofunda, é a terra, gestante, recolhida, intuitiva, receptiva, rrolhedora. Suas características são a intuição, o sentimento, _ emoção, a sensibilidade. Seus elementos são água e terra.

Quando saudável vivência suas qualidades com digni-cade, confere ao ser o dom da reflexão, da intuição, as quais -e traduzem em amorosidade e aconchego. Traz o dom do rerdão, sem preocupações com a perfeição. Tem conexão -aturai com a sexualidade.

Quando adoecida torna-se submissa e subserviente, amaria Pode guardar mágoas e ressentimentos, abrigar sentimentos de tristeza, abrindo caminho a doenças físicas e mentais.

Masculino: A cor yang é o vermelho, luz do Sol. É a luz para do dia. É o Sol que fecunda a terra, expansivo, ativo, racional. Confere ao ser as capacidades de poder, autoridade e direcionamento. São suas características: capacidade de raciocínio, alegria, criatividade, ação, autoridade. Dá brilho as características femininas. Seus elementos são: fogo e ar.

Quando saudável vivência suas qualidades, direcionando, rganizando, oferecendo segurança, permitindo crescimento saudável.

Quando adoecido mostra-se intransigente, controlador, -xigente, perfeccionista, agressivo. Abriga sentimentos de ra e rancor, vivenciando a raiva com muita intensidade, sem respeito aos sentimentos alheios.

O trabalho do autoconhecimento passa pela escuta das eualidades femininas e masculinas que trazemos em nós, ou eia, pela integração dessas qualidades.

Ambas as qualidades estão presentes em todos nós. É natural que as pessoas do sexo masculino sejam portadoras, de um modo geral, de um quantum maior da energia masculina, que as do sexo feminino também se expressem com a mas mais intrínsecas das energias femininas. A educa» a cultura criam papéis diferenciados para ambos os s Entretanto, o trabalho de autoconhecimento pode busca diálogo interno, a escuta e a reflexão que inclua o opost qualidades passam a ser vividas como complementares mais como antagônicas. O encontro do feminino com c culino pode ser vivido internamente. Os valores femii incluem os valores do potencial masculino e vice-versa, no símbolo do Tao: o lado escuro contém um ponto c o claro, um escuro.

Esse diálogo, essa dança entre polaridades é a grand< fa a ser cumprida pelo homem e pela mulher. O lado prá o lado sensível expressando-se harmoniosamente, supei a dissociação interna.

Esta polaridade reflete uma verdade universal. Em todo o cosmo, em todos os níveis, existe uma dualidade e um ritmo de vida e morte, dia e noite, ativo e passivo, positivo e negativo, masculino e feminino... É a grande respiração cósmica da criação, a batida do enorme coração universal a escandir o misterioso ritmo da vida. O homem é, na realidade, um microcosmo que reflete em si o macrocosmo.

Percebemos, assim, que os polos energéticos fazem parte natureza, do universo. Saúde ou a doença estão relacionadas à forma com a qual os utilizamos.

O equilíbrio da evolução está em desenvolver as energias ce cada chacra tanto no polo de expansão, quanto no de ; atração:

O Espírito em evolução é, portanto, uma unidade oscilante, alimentado por forças bipartidas de contração e de expansão, embalando--o qual onda de fases positivas e negativas, o que lhe caracteriza a caminhada por ciclos. A dinâmica da personalidade - a consciência, o pensamento e a vontade - operando na intimidade do ser, oscila igualmente na permanência entre esses dois pólos, em equilíbrio instável de ciclos complementares e opostos.. .’2ícaro redimido, Espírito Adamastor, Gilson Freire. Inede, Belo Horizonte, 2004.

O livro O homem sadio informa-nos que devemos estar buscando sempre o modo mais saudável de vivermos, considerando o estágio relativo ao nosso momento evolutivo. A perfeição será conquista paulatina, mas o esforço em nos manter no caminho, em busca do equilíbrio, é essencial. Os excessos, seja em qual direção for, caracterizarão estados doentios, para os quais devemos estar atentos, buscando seu corretivo natural. Assim, tomando como exemplo a religiosidade, seu excesso torna-se fanatismo e a sua falta, em sentido profundo, leva ao materialismo e à descrença. Da mesma forma, se analisarmos com cuidado veremos que assim funcionam também todas as possibilidades, recursos e capacidades do ser humano. À medida que conseguimos aprender a equilibrar as polaridades do conjunto complexo de energias inerentes a nós, poderemos nos envolver com o estágio relativo de saúde a esse momento evolutivo, criando condições pessoais para novas conquistas.

TERAPÊUTICAS

Como se pode perceber, são complexas as questões energéticas, forças com as quais estamos constantemente envow vidos, e que ainda são enigmáticas para nós, acostumados com o pensamento cartesiano da ciência ocidental. Para a grande maioria dos pesquisadores da área da saúde, passam completamente despercebidas. O fato, porém, de não serem conhecidas, não deixa de significar que atuem no ser promovendo saúde ou doença, em níveis desde os periféricos até «j mais sutis da pessoa.

A medicina oficial já tem dado os primeiros passos nesse sentido, ao reconhecer as especialidades da homeopatia e da acupuntura, em busca do atendimento do ser integral. Faha--nos, ainda, aprofundar o aprendizado, a fim de compreendermos o real significado de todas essas hipóteses, trazidas até nós pelo conhecimento espírita e esotérico. Como apreJ dizes, iniciantes, ressaltamos a necessidade de pesquisas cieal tíficas, as quais possam comprovar ou refutar tais sugestões!

Entretanto, pesquisas feitas em outros países confirmam i eficácia da prece, a imposição de mãos, mudanças quími-;as da água quando exposta a diferentes ambientes psíquicos. São resultados relatados no Congresso Internacional Medicinesp, realizado em julho de 2003, em São Paulo.

Dentro dos propósitos de busca de saúde, mediante o que iqui tem sido elucidado, compreendemos a grande impor-mncia de cultivarmos os hábitos de higiene mental, através ce leituras edificantes, culto do evangelho no lar, meditarão, prece, otimismo, alegria e outros. De maneira geral, somos muito mal-educados em relação aos pensamentos e entimentos. Costumamos cultivar ressentimentos, mágoas, preocupações, impregnando a aura de energias deletérias, e, iiém disso, atraindo companhias também em dificuldades i agruparem-se a nós.

No trabalho que realizamos, a primeira etapa do aten-mmento dos grupos terapêuticos consiste, justamente, na proposta de limpeza do campo mental. De mãos dadas, trocando energias, formamos um círculo, no centro do qual criamos, por nossos pensamentos e vontade, a fonte energética de limpeza e refazimento. Aqui são vivenciadas as técnicas de visualização positiva, utilizadas por Carl Simonton, bem como as possibilidades curativas da cromoterapia.

No nosso trabalho, a cromoterapia é feita através da mentalização das cores, tendo como base a necessidade de aprendermos a ter pensamentos firmes e a modificação das emoções. Cores claras e brilhantes, direcionadas pelo pensamento, facilitam a remoção dos sentimentos negativos acima mencionados.

Na segunda etapa do atendimento, trazemos temas para reflexão, dentro de um processo de aprendizagem de higiene mental. São utilizadas técnicas variadas, tais como a hipnoterapia, a arteterapia, o psicodrama, diversas terapias corporais e a terapia verbal, com ênfase no aprendizado positivas das experiências de vida, o entendimento do significado da doença, tendo em vista a busca da qualidade de vida e transformações necessárias no sentido da saúde espiritt o principal objetivo da reencarnação.

Na terceira fase da sessão de grupo, todos recebem o passe magnético e a água fluidificada. O atendimento termina com a terapia do abraço, momento de alegria e descontração o qual se mostra bastante significativo na integração componentes do grupo.

Individualmente, utilizamos terapias energéticas complementares, como a terapia floral e homeopatia, cinesiologia energética aplicada, reiki e outras modalidades, como ioga shiatsu, meditação etc.

O trabalho se completa com a reunião mediúnica, qual se realiza em sala fechada, com a presença restrita ; componentes do grupo de profissionais, com o objetivo atendimento espiritual direto aos pacientes, familiares e companheiros espirituais a eles ligados.

Tanto o reiki, como a terapia floral são ministrados a' titulo de pesquisa, no sentido de apresentar dados, os quais: permitam validar seu uso de forma sistemática. Ambos aplicados com o consentimento tanto dos pacientes, qua dos familiares.

Nos demais capítulos deste livro teremos oportunidade Káe zãlar um pouco mais de cada uma das técnicas acima atadas, a forma como são utilizadas em nosso grupo e os aes -ltados que estamos tendo a oportunidade de observar.

O objetivo deste trabalho é o da busca da transformação pessoal, como recurso precioso para o bem-estar íntimo, — zx»rcionando a possibilidade de melhoria a caminho da «erdadeira saúde, a qual se manifesta na intimidade espiri-nui de cada um.

CAPÍTULO 2 - FLUIDOTERAPIA

IRIS HELENA BRAGA, PSICÓLOGA, LIGIA POMPEU, PSICÓLOGA

A PARALISAÇÃO EM QUE O HOMEM SE ENCONTRA DIANTE DOS COMPROMISSOS A ASSUMIR CONSOME ENERGIAS PRECIOSAS QUE, COM UM POUCO MAIS DE FÉ, LHE COLOCARIAM A SALVO DE PERTURBAÇÕES. CARLOS

APARTIR DE OBSERVAÇÕES DE PACIENTES ONCOLÓGICOS em atendimentos em grupo e individuais, encontramos padrões semelhantes e mesmo comportamentos repetitivos. Sendo a essência o espírito, e o comando do cai a mente, a raiz das doenças está na fraqueza da vontade e imperfeição dos sentidos.

Partindo das observações de que, magoado e agredido o homem reage contra si mesmo ou contra seu agressor, va aí o início de dolorosos processos de adoecimento, caracterizados por egoísmo, orgulho ferido, revolta, mágoa e outras várias manifestações da mente conturbada que não perdoa demonstrando a todo o tempo a ausência de amor.

A partir desses pressupostos e de nossa observação, x lizamos o atendimento em fluidoterapia com o objetivo preparar esses pacientes para receberem energização. sibilitando-os abrir espaço em sua mente e em seu con para se perdoarem e perdoar seus desafetos, criando d favorável ao trânsito das energias que constantemente chegam em nossa direção, as quais nem sempre são percebidas devido aos excessos de pensamentos e emoções nem sen positivos e elevados.

O trabalho de fluidoterapia desenvolvido pelo nosso grupo consiste em vivenciar os princípios da doutrina espírita psicologia, em agrupamentos de pacientes oncológicos. através de encontros semanais, com o objetivo de promover ambiente que favoreça a introspecção e o relaxamento para assim, promover um momento de aprendizagem, onde se possa aplicar no dia a dia as condições ali aprendidas e vividas.

Os encontros são semanais, com duração de 15 a 30 minutos, sempre realizados após a atividade do grupo terapeutico.

O ambiente é preparado para o atendimento, sendo as cadeiras colocadas em círculo para favorecer a circulação e • encontro das pessoas ali envolvidas. Com música suave e 3t a xante, além da diminuição do excesso de luminosidade, « istabelecido o convite à introspecção e à elevação dos pensamentos com o fim de se alcançarem padrões mais elevados as energias e sintonias com os planos de luz.

TERAPIA FLUÍDICA

A terapia fluídica consiste em mentalizações, com indu-í es positivas e convites à elevação do pensamento, com o ar: nósito de abrir os canais do corpo, da mente e do espírito buscar o encontro de energias e sintonias elevadas em panos superiores, e, assim, recolher e receber as emanações ae luz e vitalidade que os guias espirituais e mensageiros dos wnos superiores disponibilizam, de acordo com o merecimento e a misericórdia de cada um ali presente.

O atendimento é realizado pela equipe constituída por cinco ou mais passistas, sendo psicólogos, assistentes sociais, medicos e terapeutas ocupacionais do geepsicon.

Um dos profissionais da equipe atua mais diretamente, com mentalizações positivas no preparo do ambiente mental e emocional, enquanto os outros, na mesma sintonia, promovem o equilíbrio do ambiente dando suporte e condições para. a realização da tarefa do passe. Trata-se de médiuns passistas, os intermediários dos planos superiores, no trabalho de assistência e no encorajamento da vontade e da ação. Andre Luiz nos informa:

Ao toque da energia emanante do passe, com a supervisão dos feitores desencarnados, o próprio enfermo, na pauta da conã e do merecimento de que dá testemunho, emite ondas menta racterísticas, assimilando os recursos vitais que recebe, rete -os na própria constituição fisiopsicossomática, através das vs funções do sangue.1313. Mecanismos da mediunidade, psicografia de Francisco C. 3 Espírito André Luiz, feb [p. 147].

Com o ambiente preparado pela prece, contando co permissão de Jesus e dos mentores do trabalho, a ativid do passe é realizada, na qual cada paciente é assistido um médium passista. É então solicitado ao paciente que coloque receptivo, com os canais abertos, para promov troca energética com os planos superiores ao nosso, em próprio benefício.

Após o passe é oferecido a cada um a água fluidificada que é outro recurso utilizado no atendimento, o qual fundaremos mais adiante.

Ao final, fica a sugestão de que o paciente e os profissionais possam levar para sua residência e outros ambientes que frequente diariamente, os benefícios ali alcançados e aprendidos, reproduzindo-os, todos os dias, a seu lado e do seu grupo familiar, profissional e afetivo.

Essa sequência é realizada em encontros semanais, o a cada sessão é reafirmada a crença em Deus e no amor próximo como a si mesmo.

O paciente é convidado, independentemente de sua crença, mas sabendo que nossa conduta é espírita, a se renovar em seus propósitos e responsabilidades, para consigo e seu grupo, através da elevação de seu padrão vibratório e da convicção de que, com sua vontade firme e bem conduzida, será capaz de promover seu equilíbrio e reorganizar seus objetivos rumo à elevação.

Somo já vimos, contamos com os vários recursos da terapèutica espiritual, que atuam sobre os diversos campos energéti cos do homem:

prece;

passe;

mentalização positiva; água fluidificada.

EFEITOS TERAPÊUTICOS DA PRECE

Orar significa doar-se a Deus, abrindo-se em totalidade, sem qualquer reserva. A oração não se reduz a pedidos e rogativas, mas sobretudo à glorificação e reconhecimento dos dons da vida.

Joanna de Ângelis

A oração é um estado modificado de consciência, no qual entramos pelo exercício da vontade e elevação do sentimento, nos permite o movimento na matéria sutil dos planos superiores.

A quietude e o silêncio íntimo são condições básicas para prece ser eficiente e eficaz.

Muitas vezes nós nos perdemos nas emoções. É difícil silêncio íntimo. Os sentimentos se tornam abafados e conflito entre as emoções e os sentimentos nos levam a debates dentro de nós mesmos. O silêncio íntimo é necessário para silenciar as coisas negativas. Os sentimentos positivos não fazem ruído, são harmônicos. Porém, mesmo diante as situações positivas, muitas vezes nos perdemos: em vez ao amor, temos paixão; em vez de felicidade, euforia...

CONCENTRAÇÃO / CON-CENTRA-AÇÃO / CENTRAÇÃO / POTENCIAÇÃO

Concentração - ação centrada, voltada para a refleção do sentimento.

Se nos inquietamos, ficamos no pensamento superficial. É, portanto, necessária a ação da vontade bem dirigida, disciplina interna. Essa disciplina inclui a preparação interior e exterior para a prece.

Jesus nos disse:

Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em oculto, e teu Pai que vê secreta e te recompensará. E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos. Mais assemelheis, pois, a eles porque vosso Pai sabe o que vos é necessário antes de vós lho pedirdes. (Mateus, 6:6-8)

Isso significa que devemos nos preparar para esse con com as energias superiores: escolher um local calmo e colocar em uma postura adequada. A disciplina de se ecoà em relaxamento, de preferência assentado, permite a concentração de nossas idéias. Se os problemas de ordem material estiverem nos incomodando muito, é preferível no início, incluí-los em nosso momento de prece, para ao serem explicitados, possam se aquietar em nosso campo consciência, para irmos, aos poucos, nos aprofundando nossa prece. Podemos orar por outros e por nós mesmos. O cerne de nossa questão é aprofundar em nossos obje-

~ os. Temos encarnado e reencarnado repetidas vezes, sem perceber os objetivos essenciais da existência.

Se aprendermos a fazer da prece um momento de medi-steão profunda, prepararemo-nos para ter lucidez quanto -- questões espirituais. Atualmente estamos embotados pe-as emoções e pensamentos que, quando mal direcionados, k mam-se tóxicos da alma, responsáveis pela nossa cegueira, joe só poderá ser superada quando tomarmos consciência sua existência.

Como sabemos, doença não é um castigo, mas um meio cr que dispomos para refletir sobre como temos aproveitado ;• momento de nossa existência. É o momento que a vida cc.ge de nós uma parada para refletirmos, para meditarmos: koio estou caminhando? Emmanuel nos diz que todos somos enfermos em busca de alta.

Aprender a orar adequadamente é o passaporte para o caminho da serenidade, da paz e do aprendizado do significado da dor nessa etapa evolutiva.

Até que ponto temos aproveitado os momentos de lucidez, impondo-nos mais ao trabalho, aprendendo a cumprir com deveres e responsabilidades que nos competem?

Através da prece elevamos a sintonia e, através da disponibilidade íntima, permitimo-nos viver melhor diante da responsabilidade evolutiva. Além disso, a prece age como ar-.gério para a alma, acalmando e restabelecendo energias.

A princípio a necessidade da oração e os seus efeitos parecem c ao nosso ser. Na realidade, a verdade vagueia, na maioria das rr como nau à deriva na busca de porto seguro.

Muitas vezes, os lábios murmuram, mas os corações se caL indiferença, quando não fazem turbilhão devido às nossas ansie

Energia movimentada pelo pensamento, a prece caracter pelos sentimentos que delineiam essas idéias.

Funcionando como ponte, é oportunidade ímpar de cc com planos maiores, independentemente do local e do mor em que vive a criatura.

Na fala do Mestre, ocorre a lembrança fundamental do n mento, sem significar solidão. Mesmo as preces coletivas a do Espírito a busca dos seus recursos mais íntimos e supenso instante de contato com irmãos de outras esferas, mensagens intermediários da misericórdia divina.

Quando sincera, o ser plasma a seu redor um novo ar: onde os limites de ação são demarcados pela capacidade indireta de amar.

No aposento mais profundo da criatura encontra-se potencial a ser despertado. Na prece a criatura tem a possibilida se exercitar no bem, permitindo, assim, a liberação de todas potencialidades.

Ao buscar no puro de seu eu, o homem encontra-se belo, confraternizando-se com os irmãos superiores e convive num enlace de amor com o Pai.

Oremos sempre, na certeza que o Senhor nos aguarda. para a doação infinita de Seu amor.

Muita paz!
Carlos

PASSE E MAGNETISMO

Passe é a transfusão de fluidos provenientes do passista do mundo espiritual para o receptor, canalizados para os focos de maior necessidade.

Allan Kardec define a mediunidade de cura como “gênero : mediunidade que consiste principalmente no dom que :as pessoas possuem de curar, pelo simples toque, olhar . mesmo por um gesto.”

Em A gênese, diz ele:

(...] é muito comum a faculdade de curar pela influência fluídica e pode desenvolver-se por meio de exercício, mas a de curar instantaneamente, pela imposição de mãos, essa é mais rara e seu grau máximo deve se considerar excepcional.

A história pode comprovar a existência, poder e eficácia uso do fluxo das energias magnéticas no tratamento de ibstanteneamentes desde a Antiguidade, quando então encontramos ínumeras narrativas de circunstâncias de como os povos utilizavam o magnetismo como terapêutica, com grande conhecimento de suas propriedades.

Os magos da Caldeia, assim como os brâmanes da índia, curavam pelo poder do olhar. Os egípcios empregavam os e a imposição de mãos, bem como os romanos, em templos de cura por operações magnéticas.

Cornélio Agripa, Pomponácio e sobretudo Paracelso estabeleceram as bases do magnetismo, as quais foram, mais e, clareadas por Mesmer.

Em 1682, encontramos Greokrones, na Inglaterra, fazendo milagres com a imposição de mãos.

O médico Franz Anton Mesmer, em 1775, reconhece pode curar, mediante a aplicação de suas mãos. Em 177 publica A dissertação, sobre a descoberta do magnetismo ai afirmando que esta é uma ciência ainda pouco conhecida ressalta que “de todos os corpos da natureza, é o próprio homem que, com mais eficácia, atua sobre o homem.”

Organizou ele grande obra filantrópica de atendimentos a enfermos.

Chardel, um dos pioneiros do magnetismo, em 1818 sentou à Academia de Berlim obra onde dizia: “o magnetismo é transfusão de vida espiritualizada do organismo operador para o do paciente.”

Na atualidade, os estudos sobre o magnetismo espalhou-se pelo mundo, adquirindo caráter de pesquisa cientifica evidenciando conclusões semelhantes em trabalhos diversos, a ponto de encontrarmos a afirmativa de Schopenhauer filósofo alemão do século xix - conhecido por seu negativismo: “quem duvidar hoje da atuação do magnetismo, de chamado de ignorante, não de céptico.”

Allan Kardec, em A gênese, fala-nos dos processos de curas:

Como se há visto, o fluido universal é o elemento primitivo do carnal e do perispírito, os quais são simples transformações de identidade de sua natureza, esse fluido, condensado no perispirito: pode fornecer princípios reparadores ao corpo; o Espírito, encarnado ou desencarnado, é o agente propulsor que infiltra num corpo deteriorado uma parte da substância do seu envoltório fluídico.14 A genese, Allan Kardec, cap xiv, item 31

Mas, então, a cura seria obtida por uma transfusão de rrgias (fluidos) de um organismo para outro organismo, mo na fala de Kardec, pela mesma obra:

- A cura se opera mediante a substituição de uma molécula malsã por ema molécula sã. O poder curativo estará, pois, na razão direta da pureza da substância inoculada; mas, depende também da vontade que, quanto maior for, tanto mais abundante emissão fluídica provocará e tanto maior força de penetração dará ao fluido. Depende, ainda, das intenções daquela que deseja realizar a cura, seja homem :. Espírito. Os fluidos que emanam de uma fonte impura são quais substâncias medicamentosas alteradas, (idem)

Dai a seriedade dos trabalhos desse tipo, embora não desmerecendo os demais, pois as qualidades morais do doador, aias ao seu potencial fluídico, determinam esse quantum ernegético e suas capacidades de cura.

Os efeitos da ação fluídica são variados, algumas vezes ação rápida, outras vezes muito lenta. Kardec mostra que:

Ha pessoas dotadas de tal poder, que fazem curas instantâneas em alguns doentes, por meio apenas da imposição das mãos, ou, até, exclusivamente por ato da vontade. Entre os dois pólos extremos desta faculdade, há infinitos matizes. Todas as curas desse gênero são variedades do magnetismo e só diferem na intensidade e pela rapidez da ação. O princípio é sempre o mesmo: o fluido a desempenhar o papel de agente terapêutico e cujo efeito se acha subordinado a sua qualidade e a circunstâncias especiais, (idem)

A atuação magnética pode se dar de diversas maneiras. Uma delas é através da doação de fluidos do próprio passista, também chamados de magnetismo humano. A outra occ-rJ quando há Espíritos atuando sobre o encarnado, sem o termédio do passista: é o magnetismo espiritual. Por últi quando os fluidos dos Espíritos se misturam aos do passista temos o magnetismo misto ou semiespiritual. Nesse último caso pode haver o concurso dos Espíritos de modo espontaneo ou provocado por um apelo do passista.

Tanto por parte do passista, que vai direcionar ondas magnéticas, quanto por parte do enfermo, que vai receber as energias vindas até ele, é necessário que haja elevação padrão psíquico-moral, ou seja, renovação mental e reforma íntima, com elevação da qualidade de vida, mudanças alimentação, incluindo alimentos mais naturais e abolir a carne, além de disciplinar e fortalecer a vontade, que s a mola mestra para o tratamento.

Quando se alcança uma inteligente sintonia entre passista e enfermo, em busca do equilíbrio, com o tempo chega-se a resultados surpreendentes. A cooperação consciente e dinamica do enfermo, aliada ao seu otimismo, ajuda-o a receber as energias saudáveis em seu próprio benefício.

A mente é fonte criadora. Miramez, em Horizontes da mente, nos traz:

O homem civilizado não tem o costume diário de higienizar o corpo? Pois a mente, na verdade, tem grande necessidade de limpeza tanto quanto o corpo, por ser o centro da vida que comanda toda a massa somática. E esse trabalho começa com a chuva: divide-se bilhões de gotículas, mas farta a humanidade e a natureza, limpa a atmosfera e destampa as minúsculas aberturas das árvores, onde promana o oxigênio puro, no vigor da própria existência. Assim, a chuva, para a mente, há de surgir nessas mesmas proporções bilhões ou trilhões de pequenos esforços, somando uma torrente de energias vivas conduzindo todo o entulho da consciência por canais apropriados. E a pureza do raciocínio faz nascer um clima enriquecido Para as belezas imortais do amor, da alegria e da fraternidade.

Sugestiona o ser à procura de Deus e a obedecer às leis.


MENTALIZAÇÃO E MEDITAÇÃO

Sabemos que cada um dos chacras emite vibrações do t: r de energias às quais se vincula. Assim, se em nossa vida r»> envolvemos apenas com questões materiais, estaremos nos ligando às energias do chacra básico, cujas ondas têm uma frequência menor e um comprimento de onda mais longe características da cor vermelha de sua irradiação. Quanto giacs sublimados forem nossos sentimentos e pensamentos, mais estaremos mobilizando energia de chacras superiores.

Por esse motivo, a espiritualidade tem sempre nos con-veado a um trabalho de higiene mental que nos possibilite elevar os padrões vibratórios, com os quais fazemos sintonia automaticamente, emitimos e recebemos essas energias refazedoras.

Esse trabalho de higienização terapêutica consiste, basicamente, no grande aprendizado da vigilância dos sentimentos e pensamentos.

Somos, de um modo geral, bastante invigilantes. Fazemos julgamentos quanto ao comportamento dos que caminham conosco, entregamo-nos a sentimentos de rebeldia, mágoa, inveja e, principalmente, vaidade e orgulho. Guardamos ressentimentos, sentimentos de menos valia e baixa estima. Esses estados emocionais baixam a vibração, mantendo o que André Luiz denomin a "hálito mental" em posição inferior.

O qual nos impede a sintonia com os planos superiores e nos mantém presos aos círculos viciosos doentios, desviando a atuação das possibilidades e potencialidades curativas, advindas da intimidade do Espírito.

Carl Simonton, no trabalho com pacientes oncológicos, foi um dos primeiros a reconhecer a importância da meditação, através da mentalização positiva, para a busca da cura.

Atualmente, a hipnoterapia criada por Milton Erikson, enriquecida pelo trabalho da Dra. Teresa Robles, fundamenta-se na necessidade da higiene mental, da meditação e da certeza de que todos trazemos em nós essa “parte sábia” com a qual devemos estar sintonizados, na busca da saúde física e mental.

O espiritismo sempre trabalhou com essas premissa através das mensagens e exortações de nossos mentores. São constantes os apelos para que cuidemos da higiene mental com a reforma íntima, a prece, leituras edificantes e a edificação do comportamento, retirando mágoas e ressentimentos do campo dos sentimentos, elegendo o perdão e autoperdão como a principal terapia para a nossa vida, afirmativa de Jesus “não é o que entra pela boca que adoece o homem, mas sim o que sai de seu coração” começa a faz sentido dentro do entendimento da ciência. Trabalhando energias que emitimos, vigiando sentimentos e pensamentos, cuidando da higienização da mente, criamos campo propício para a saúde.

Segundo Joanna de Ângelis, “os pensamentos saudáveis envolvem o ser em alegria e bem-estar, enquanto os de tureza inferior constroem masmorras sombrias.”

Deixar-se preencher de esperanças traz amor a si, aos outros e a Deus que, somados, geram o reconhecimento da ernidade divina. O homem saudável vive sintonizado «xn o seu Criador e a natureza da qual ele faz parte.
tes oncológicos. lància da med: < a busca da cura- j jton Erikson, en- ! -fundamenta-se ição e da certeza

AGUA FLUIDIFICADA

Porquanto qualquer que vos der a beber um copo d 'agua, em meu nome, porque sois de Cristo, em verdade vos digo que não perderá o seu galardão.

Jesus (Marcos, 9:41)

A água, no processo de fluidificação, passa por uma metamorfose espiritual, sem com isso mudar sua composição quimica. Todavia, ela é enriquecida, na sua expressão dinâmica com outras substâncias que escapam aos métodos de analise ao alcance científico, contendo elementos captados B diz do Sol e do magnetismo espiritual. A água fluidificada mata duas sedes, a do corpo e a da alma, além de restaurar certos desequilíbrios psicossomáticos. Miramez informa que:

podemos operar maravilhas com um copo d’água que ofertamos a alguém, acrescentando nele as bênçãos do amor. Isso é que é dar em nome de Jesus. A água guarda sempre a origem biológica, e o raciocinio nos convida a meditar que, sendo ela o berço da humanidade, é indispensável para a vida na Terra. Esse líquido maravilhoso é de certa afinidade com os fluidos imponderáveis da natureza. O magnetismo espiritual enriquece, por vezes, os elementos que os compõem, motivo esse por que usamos a água para a cura dos enfermos.

Sabemos que a água é veículo dos mais poderosos os fluidos de qualquer natureza. André Luiz nos relata portância da água como fluido criador, que absorve em lar as características mentais de seus moradores.
A água no mundo não só carreia os resíduos dos corpos,: bém as expressões de nossa vida mental. Será nociva nas perversas, útil nas mãos generosas e, quando em movimer corrente não só espalhará bênçãos de vida, mas constituirá mente um veículo da providência divina, absorvendo amaig ódios e ansiedades dos homens, lavando-lhes a casa mental ficando-lhes a atmosfera íntima.
O pesquisador japonês Masaru Emoto estudou de anos as moléculas da água. As amostras foram retira lagos, rios, chuva, neve e submetidas às vibrações de mentos, sentimentos, palavras, idéias e músicas, apos eram cristalizadas e fotografadas. Assim, foi possível re em imagens as reações das moléculas de água a ess mulos - tanto os considerados positivos quanto os ne Os desenhos formados mostravam a estrutura molec água naquele determinado momento. Diante de est positivos os desenhos geométricos fotografados rep vam verdadeiras joias; quando a vibração era desagre os desenhos não se formavam. A imagem revelava-se me. Verificou-se, assim, que a estrutura molecular da se transforma de acordo com o ambiente.

A maior repercussão desse trabalho é o fato de que l a possibilidade de mudar as percepções de nós mesr nosso planeta. A cura por meio da escolha de pens e da forma como usamos esses pensamentos é bem citado desse trabalho está no livro A mensagem da água, publicado em 1999, em japonês e inglês. A vida humana está conectada diretamente à qualidade de nossa água, dentro e em torno de nós. O corpo humano é como uma esponja com trilhões de camadas, chamadas células, que comportam liquido. Ele é composto por 70% de água - assim como o nosso planeta. A água é a fonte de todas as formas de vida.

A possibilidade de o pensamento afetar tudo o que nos csrca nos leva a repensar a própria condição humana. O professor Reiko Myamoto estudou a diferença entre o efeito da prece de uma única pessoa e de um grupo de pessoas sobre moléculas de água. Se uma pessoa ora com profundo senso de clareza e pureza, a estrutura da molécula será cristalina e pura, porque o resultado é o reflexo da sua intenção e energia. No caso do grupo, se a intenção não for coesa, o resultado será compatível com essa falta de coesão. Mas se todos estiverem unidos na mesma intenção, o resultado será desenho claro e cristalino, como o criado pela oração cera de uma única pessoa.

CONCLUSÃO

Bem sabemos que estamos em períodos de grande aceleração e progresso.

A Terra, como nós, Espíritos a ela ligados, estamos em exxesso de evolução contínua, o que implica ampliar valores eticos e morais para desenvolver habilidades e potenciais que desabrocham com vitalidade.

Se permitirmos que a verdadeira iluminação preencha o nosso ser, e abrirmos os canais para os seres de luz, que a todo tempo nos rodeiam, caminharemos na mesma velocidade da ciência, criando assim as duas asas que, segundo Emina são tão necessárias para o nosso voo rumo a Deus e a v deira liberdade.

Para refletir, deixamos como mentalização as palavra um guia espiritual:

São chegados os tempos do verdadeiro e definitivo progresa interior. Precisamos nos preocupar com a forma como são analisados os chamamentos e a forma dos comentários. Entendemos que não podemos somente nos preocupar em analisar as nossas dificuldades. Mas valorizarmos as conclusões, elaborar e trabalhar os mecanismos de corrigenda. Como meditar, se ainda estamos vivendo de maneira a darmos mais importância às questões materiais? É preciso que preocupemos com o nosso futuro espiritual: que farei daqui para i a frente em casa, no trabalho, no campo social e comigo e Partamos para a corrigenda de nossos problemas. — Irmã Bernadete

CAPÍTULO 3 - CÂNCER E AUTO-OBSESSÃO

MARGARETH MONTEIRO DE BARROS - PSICÓLOGA

PORQUE POR TUAS PALAVRAS SERÁS JUSTIFICADO E POR TUAS PALAVRAS SERÁ CONDENADO. JESUS, MATEUS, 12;37

doenças pseudocármicas

O homem é herdeiro de si mesmo. Emmanuel

A ORIGEM E CAUSA DO CÂNCER TÊM OCUPADO campo nas pesquisas científicas, tanto mati quanto espirituais. Grande parte do conhecimento oriundo da doutrina espírita vem dando base ao fato câncer ter sua origem em atitudes tóxicas de vidas passdas (Emmanuel, André Luiz, Miramez, Ramatís etc.).

No entanto, o estudo de casos de pacientes oncológicos de mensagens psicofônicas de orientadores espirituais 1evou-nos a repensar, ampliando o que sabíamos dessa origens As mensagens, bem como os estudos de casos, indicam que algumas doenças, inclusive o câncer, que consideramos “cármicas” nem sempre estariam ocorrendo sob a causa e efeito de vidas passadas. Na atual vida a pessoa poderia estar promovendo um campo propício ao surgímento da doença, pelo seu modo de pensar repetidamente doentio. As provas - e aí as doenças se incluem -, têm por fim exercitar a inteligência tanto quanto a paciência e a resignação. Um homem pode nascer numa posição difícil precisamente para que essa situação o obrigue a procurar meio de vencer essas dificuldades. Ela ainda pode suavizar ou aumentar o amargor de suas provas conforme o modo como encarar a vida terrena. Quando, na certeza de um futuro mais se sustenta e anima, não se queixa e agradece à misericordia divina pelas dores (físicas e morais) que o fazem avançar.

François de Gènéve, ao falar sobre o sentimento de melancolia, explicita a necessidade em resistirmos às impressões desses sentimentos, que são facilitadoras do afastamento da prática do bem.

"Ao final de uma orientação específica, o orientador espiritual Eustáquio disse:

Estudar sobre auto-obsessão, como um processo de indução de Doenças pseudocármicas.

Marieta não precisava ter desenvolvido câncer nesta vida.15Mensagem psicofonica de um parente de paciente oncologico do GEEPSICON

Além dessas citações que nos dão indicações precisas sobre a influência do pensar e sentir do ser humano sobre si mesmo, outras obras subsidiárias da doutrina espírita trazem esclarecimentos acerca do trânsito saúde-doença, na esperitual evolutiva da vida.

Selecionamos alguns:

Há moléstias que têm, sem dúvida, função preponderante nos serviços de purificação do Espírito surgindo com a criatura no berço seguindo-a, por anos a fio na direção do túmulo. Contudo, os sintomas patológicos na experiência comum, em maioria esmagadora decorrem dos reflexos infelizes da mente sobre o veículo de nossas manifestações, operando desajustes nos implementos que o compõem. Sabe hoje a medicina que toda tensão mental acarreta distúrbios de importância no corpo físico. (Emmanuel)

A energia mental inferior obedece à lei compatível com sua fomJ ção intrínseca, e agrega, dado seu retardamento vibratório, conforme em toda extensão física, de onde promanam enfermidades deuM nhecidas e dores lancinantes. (Miramez)

A força nervosa, sem a qual não haveria vida nenhuma, é formain por combinações de vários gamas energéticos consubstanciados nlfl centros de força e ramificados para os canais competentes. As células nervosas são aparelhos de alta precisão, conduzindo, para todos arraiais do corpo, estímulos em forma de ordens que devem ser executadas. (Miramez)

A tisnadura mental nasce do magnetismo inferior. As negras emoções fazem com que os pensamentos segreguem lixo contundente os pontos mais atacados no corpo físico são as glândulas endócrinas, por serem pontos sensíveis de alto teor de atração psíquica. O sistema nervoso é logo banhado por afluxo de energias queimadas que o córtex amplifica e derrama em todos os filamentos compostos de neurônios, que retornam à mente com dramas incalculáveis, em detrimento da própria alma. E as glândulas, neste estado, sendo visitadas por agentes deturpadores, segregam hormônios, acrescentando elementos corrosivos que, por sua vez, perturbam todo metabolismo da coletividade celular. (Miramez)

Todos os sintomas mentais depressivos influenciam as células seu estado de mitose, estabelecendo fatores de desagregação. É assim que, muitas vezes, a tuberculose, o câncer, a lepra e a ulceraçào aparecem como fenômenos secundários, residindo a causa primária no desequilíbrio dos reflexos da vida anterior. (Emmanuel)

Dos estudos anteriores que vêm sendo realizados no ge-í - sicon, baseados em descobertas científicas e doutrinárias, sabe-se que o câncer geralmente se instala em pessoas que íxperienciam momentos de grande culpa e desesperança, profundo luto e/ou não aceitação de si e do momento de .da atual. Os fatores de vida passada, registrados no peris-pirito, trazem a possibilidade do câncer. Este vai se desen-?lver, ou não, de acordo com a postura íntima de cada um em relação ao próximo e a si mesmo. Os reflexos positivos rrazem alegria, paz, saúde. Os reflexos negativos produzem >entimentos profundos de necessidade de reparação do erro. 7 ? rnam-se, na maioria das vezes, processos inconscientes a iruarem em nossa vida, podendo se tornar incompreensíveis « não nos dedicarmos ao trabalho de autoconhecimento e autoaperfeiçoamento.

Deduzimos então que há doenças, como o câncer, que se-•_am drenagens de energia ou raios emitidos pela mente dedo à necessidade de expurgos de compromissos assumidos em outras vidas, promovendo assim a oportunidade de ree-çuilíbrio; e existem outros cânceres produzidos por “zonas se remorso”, em torno das quais a onda viva e contínua do rensamento passa a enovelar-se em circuito fechado sobre si -esma, com reflexo permanente na parte do veículo fisiopsi-_: ssomático ligada à lembrança das pessoas e circunstâncias associados ao erro de nossa autoria e que seriam como o ereito da projeção de raios-X ou radiações ultravioleta, em aplicações impróprias na atual reencarnação.

A mente, ao emitir pensamentos (conscientes ou não), li-rera um quantum de energia que de acordo com o reforço sado pelo Espírito, baseado nas suas crenças pessoais, vão nesse processo, o pensamento gerado pelas atitudes in ccnsistentes com as leis morais transita e sintoniza em faixas sferiores.

O processo de obsessão pode também ser catalisado pela ngilância e mediunidade mal educada ou mal emprega-ü - só a mediunidade com Jesus nos dá diretrizes de ação ieguras e úteis.

Todas essas causas do processo obsessivo foram citadas 7<r Jesus e contadas nos evangelhos:

Causas no passado, respondendo à lei de causa e efeito:

‘A cada um segundo suas obras.” (Mateus, 16:27)

Causas no presente, pelas atitudes e ação do presente:

‘Assim a árvore boa produz bons frutos.” (Mateus, 7:17)

• No futuro, ao manter idéias desequilibradas ao longo da vida presente: “O homem bom do bom tesouro, do seu coração tira o bem, e o homem mau do mau tesouro, do seu coração tira o mal, porque da abundância do teu coração fala a boca.” (Lucas, 6:45)

O fluxo energético inestancável da mente é canalizado para o centro coronário de onde se distribui para os demais centros vitais (temos aí a epífise como antena captadora e rrmsmissora) e, através desses, alcança todas as unidades celulares perispirituais, bem como os centros do sistema nervoso, do corpo físico, que lhes correspondem.

Temos observado no quadro obsessivo grande acentuação como complexo de culpa como autêntico pano de fundo envolvendo vários sintomas. O martelar constante de irradiações infelizes na organização mental do devedor acaba est lecendo o ponto ou zona receptiva, verdadeiro plugue cológico, região de absorção e instalação de desajuste, idéias obsessoras vêm de zona hiperfísica perispiritual. tonizando com igual zona do obsediado. Os campos c o processo se instala são de perispírito para perispírito. manuseados os campos afetivos a fim de se alcançar a física, local de explosão sintomática. Para alcançarem a material, as idéias da zona hiperfísica necessitam ser dificadas. Elas são projetadas para a base cerebral (tála hipotálamo) onde células nervosas são sensibilizadas decodificação (transformação essa com grande particip da glândula epífise).

Nessa transformação é o bloqueio da energia mentai favorece o desenvolvimento de um estado de desequilí emocional da personalidade. Os núcleos de conteúdo flitivos têm a propriedade de bloquear a drenagem de c quantum de energia mental, bloqueio este que será tí maior quanto maior for a intensidade dos conflitos.

Na obsessão o que ocorre então é um processo psic nâmico de bloqueio da energia mental pelos núcleos flitivos que acarretam diminuição da atividade dos cenl corticais encefálicos, vinculados a conteúdos conscientes ativação dos centros subcorticais, vinculados aos conteue inconscientes. A intensidade da inibição cortical é varia e determina o grau de passividade e dependência da ma obsediada em relação à obsessora, caracterizando os vár tipos de obsessão.

Podemos classificar os tipos de obsessão (segundo a tensidade do domínio) e as modalidades (de acordo a quem exerce o domínio). TIPOS - SEGUNDO A INTENSIDADE DO DOMÍNIO

> Obsessão simples: insinuação insidiosa de um Espírito inferior à mente de uma criatura. Ser humano atormentado por outro ser humano. Caso em que o processo de imposição negativa apenas deixa rastros sugestivos.

> Fascinação: influenciação mais acentuada com inibição da crítica e do discernimento do obsediado. Domínio do campo mental do ser, geralmente pela exploração da vaidade. O indivíduo se sente predileto de determinada entidade ou para “missões” importantes e passa a aceitar toda sorte de idéias sem nenhuma crítica.

> Subjugação ou possessão: paralisação da vontade da vítima, constrangendo-a a agir em confronto com a própria vontade. É um processo contínuo e pode ser moral e/ou corpóreo. Caracteriza-se por constante irradiação deletéria; o ser acaba possuído pelas fortes reações sintomáticas.

MODALIDADES

SEGUNDO QUEM EXERCE O DOMÍNIO

Encarnado para encarnado: domínio mental e/ou chantagem emocional.

Encarnado para desencarnado: inconformidade com a justiça divina por ocasião de desencarne de ente próximo.

Desencarnado para encarnado: domínio mental e cional, motivado por ligações afetivas adoecidas, cobrí de dívidas espirituais, inveja, dentre outros, sempre i minado pela afinidade e sintonia de gostos e tendências.

> Desencarnado para desencarnado: cobrança de dívi entre os já do plano espiritual, através até de organizaç próprias.

> Recíproca: vibração em desequilíbrio compensada mesma faixa mental; ódio mútuo, um nutrindo o ou:

> Auto-obsessão: autismo espiritual. Desenvolvime doentio da autopiedade, da autocomiseração, da aut satisfação, achando-se injustiçados por Deus. Não ex entidade espiritual influenciando o processo.

Caracteriza-se pela obstinação do indivíduo em aç repetitivas, com idéias fixas em posição de exagero (ciu hipocondria, beleza etc.); monoideísmo doentio. Ser mano autoflagelando-se, enclausurando-se no pensan to viciado.

A auto-obsessão decorre da necessidade que o Espu se impõe, no processo reencarnatório, de se punir (ou punido) por algum ato praticado no passado e que r conseguiu se libertar da culpa aí gerada.

Algumas memórias (em geral sentimentos), difere de outras transatas que se apagam durante a reencai ção, desatrelam-se através das construções mentais cotidiano, reincorporando-se à personalidade atual.

No cotidiano há associação de idéias por semelhai do que lhe ocorre no seu mundo íntimo de sombras receios, criando assim a autoobsessão, geratriz de distúrbios vários.

O comportamento desarmônico do próprio indivíduo cria reflexos que o uso constante possibilitará instalação na zona espiritual, como autênticos reflexos condicionados.

No caso específico do câncer, a culpa é o sentimento que geralmente é atualizado e reincorporado à personalidade, que aí agrega outros sentimentos de igual teor vibracional: revolta, angústia, desespero, desânimo (Emmanuel).

Para melhor compreendermos a dinâmica do processo de auto-obsessão na produção de campo propício ao desenvolvimento do câncer, precisamos conhecer inicialmente como se formam os reflexos condicionados.

REFLEXOS CONDICIONADOS

Aquele que se prende em culpa não se refaz perante a vida. Hammed

O processo de condicionamento foi primeiro descrito e :estado por Pavlov, um cientista russo, em 1903.

Na experiência original, Pavlov produziu uma fístula gástrica destinada a recolher toda secreção estomacal do animal, quando era alimentado.

Nessa situação, o alimento é considerado um estímulo in-;: ndicionado, ou seja, um estímulo que naturalmente produz em todos os indivíduos da mesma espécie uma mesma resposta, desde que em condições similares. Dessa forma, sempre cue é colocado alimento (estímulo incondicionado) na boca de um animal faminto (situação específica) ocorre salivação e produção de secreção gástrica (resposta incondicionada).

Pavlov, então, em situações sucessivas, antes de promover a estimulação incondicionada, introduz um gongo. Assim a sequência gongo-alimento ocorreu várias vezes, estando animal faminto. Após alguns emparelhamentos, ao se ap sentar somente o gongo (estímulo condicionado) ao animi. faminto, a salivação ocorreu (resposta agora condicionac

Esse mesmo processo ocorre com o ser humano. Experimente: feche os olhos, respire profundamente e imagine um limão sendo espremido diretamente na sua boca, seguida, imagine-se bebendo um copo de água. Observe que ocorre. Abra os olhos.

Recorde-se do que lhe ocorre diante da lembrança de alguém querido e ausente há tempos. Podemos assim obter que um estímulo verbal ou ideativo eliciou respostas fisiologicas e emocionais diversas.

É por esse mesmo processo que emoções são elicíadas quando lemos um livro ou assistimos a um filme ou relato sentimos um cheiro, ouvimos uma música etc. O ser humano está sujeito a uma vasta amplitude de sinalização (estimulação), de modo que cada um de seus reflexos incondicionados estão cercados por uma grande quantidade de outros condicionados. Assim, poderiamos dizer que no adulto não há reflexos incondicionados puros.

É importante ressaltar que no caso dos seres humano além dos estímulos condicionados que passam a eliciar postas do meio ambiente interno e externo, existe um seg grupo de estímulos condicionados que se constitui da elaboração mental oriunda das imagens e dos conceitos contidos palavras - a palavra passa a ser um estímulo condicionado tão real quanto a coisa que representa. Vivenciamos este processo - exercício proposto no parágrafo anterior.

Os reflexos incondicionados são detentores de vias ner-wsas, como que hauridos da espécie, seguros e estáveis, sem r ecessidade do córtex. Já os reflexos adquiridos ou adicionados têm necessidade da intervenção do córtex cerebral, de-volvendo-se sobre os reflexos preexistentes ou congênitos.

De acordo com Osmard Andrade,

admite-se ainda que tais reflexos condicionados , temporários, possam com o tempo fixar-se no individuo e assim transmitir-se aos seus descendentes, incorporando-se às qualidades da espécie, criando novas peculiaridades filogenéticas..

Esse processo tem seu papel evolucionário descrito no capitulo iv do livro Evolução em dois mundos (André Luiz).16Evolução em dois Mundos

Ainda segundo André Luiz (No mundo maior),17 (NO mundo maior) nos lobos frontais recebemos os “estímulos do futuro”, no córtex abrigamos as “sugestões do presente” e no sistema nervoso propriamente dito arquivamos as lembranças do passado.

AUTO-OBSESSÃO E OS REFLEXOS CONDICIONADOS

Podemos então compreender que no processo auto-ob! sivo ocorre uma fixação e enclausuramento de monoide e que essas eliciariam os padrões de comportamento e s timentos de acordo com o paradigma de condicionamei reflexo. As idéias e sentimentos seriam um sinal da me: operando na libertação de respostas condicionadas ao lor das experiências. Gostaríamos de, agora, salientar o papel glândula pineal nesse processo.

Se alimentamos culpa, esse sentimento, primeiramei com vibrações sutilíssimas, vasculha todo nosso cosmo lular, queimando a força vital, desnutrindo-nos e, ao sar pelos centros energéticos (chacras), desencadeiam mundo de distúrbios, assimilando as indisposições alhí carreando para a acústica de nossa alma todas as mensag inarticuladas de revolta e desânimo, angústia e desesp que vagueiam na atmosfera psíquica em que respirar (Miramez e Emmanuel). O quadro I resume esse proces

Sendo a glândula pineal a glândula da vida espiritual homem ela planifica as forças espirituais, doando a todc sistema nervoso a cota correspondente às suas necessidaí (Miramez) e controlando as emoções, serenando ou agit do o sangue, inflama-se com determinados pensamem vicia-se e começa automaticamente a perturbar o organisi ou a colocá-lo na mais elevada serenidade.

Podemos, assim, dizer que a energia (raios) da culpa emoções afins, como um sinal condicionado bombarde: as células do corpo físico. Se o foco mental rebelde (núc de remorso) só se prevalece de forma discreta, teremos 1 tumor sob relativo controle, possivelmente encapsulado. se o núcleo de remorso predomina muito, submetendo o sequência o restante do psiquismo, surgirá a neoplasia ma-_qna. E se o “foco” invade outras áreas de elaboração mental, . ntaminando-as, há grandes chances de metástase.18

Temos, aqui, uma correspondência ou uma analogia en-ve o processo obsessivo e a “cancerização”.

A “escolha” do órgão está relacionada com a área geradora da culpa ou motivo de culpa. Alguns estudiosos (D. Thorwald, 5 Dalhke, L. Hey, Carmem Monari etc.) já conseguiram re-iêcionar alguns órgãos e os motivos:

Seio {negação de desejos | feminilidade | afeto | nutrição| (psicoespiritual)}

Pulmão {sentimentos ligados a desejo de liberdade | angústia | tristeza | opressão}

• Fígado {sentimento de raiva | ódio}

Rins {medo de punição | perdas em correspondência da culpa etc.}

Dessa forma, ousamos propor o paradigma a seguir:

PREDISPOSIÇÃO MORBIDAS


ACONTECIMENTOS REPARADORES



LIBERTANDO-SE

E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará. Jesus (João, 8:32)
Amai a vossos inimigos... Jesus (Mateus, 5:44)

Perdoar aos inimigos é pedir perdão para si mesmo... perdoa. ofensas é mostrar-se melhor do que era.

Porque se sois duros, exigentes, inflexíveis, se tendes rigor mes por uma ofensa leve, como quereis que Deus esqueça que cada tendes maior necessidade de indulgência?1’19. O evangelho segundo o espiritismo, cap. X, item 15.

Assim como o perdão ao próximo, o autoperdão ex uma completa honestidade consigo mesmo.

A gênese do não perdão a si mesmo está baseada no ti de informações e mensagens que acumulamos através < diversas fases de evolução de nossa existência como Esç tos imortais. Podemos experimentar culpa ou liberdade acordo com nossos valores e regras vigentes.

Entendemos, assim, que para atingirmos o autoperd é necessário reexaminarmos nossas crenças, estudancc leis da vida maior, bem como as raízes de nossa educai infância da vida atual.

Retomamos aqui o

E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará. — Jesus (João, 8:32)

O autoperdão é o processo de:

1. reconhecer a verdade

2. assumir a responsabilidade pelo que fez;

3. aprender com a experiência;

4. abrir seu coração (“há duas maneiras de perdoar: há o perdão dos lábios e o perdão do coração.” — Paulo, apóstolo - Lião, 1861)(20);O EVANGELHO SEG. O ESPIRITISMO

5. curar as feridas emocionais, buscando as ajudas necessárias;

6. regra dourada: seja gentil consigo mesmo.

7. prática de atitudes renovadas.

Uma das grandes fontes de autoagressão vem da busca essada de uma perfeição absoluta, como se todos pudésse-s ser deuses. Essa exigência leva-nos a uma postura hostil contra si mesmo, exigindo de nós mesmos capacidades e vlidades ainda não adquiridas.
sede indulgentes, meus amigos, portanto a indulgência atrai, acalma, ergue, ao passo que o rigor desanima, afasta e irrita. (José, Espírito protetor - Bordéus, 186321)
3 evangelho segundo 0 espiritismo, cap. X, item 15, feb. 3 evangelho segundo 0 espiritismo, cap. X, item 16, feb.

A criança educada com padrões severos, por pais cionistas num regime de justiça implacável, provavt se tornará um adulto inflexível e irredutível consigo e com os outros.

Quando sempre esperamos perfeição em tudo e c tamos o lado “inadequado” de nossa natureza hur certo nos sentirmos diminuídos e fracassados. Xão consciência de nossas limitações é como se admiu que os outros e nós mesmos devéssemos ser omsc onipotentes. Afirmam as pessoas: “Recrimino-me sido tão ingênuo naquela situação...”, “Tenho raiva mesmo por ter acreditado naquelas mentiras...”, “De previsto os problemas atuais...” São maneiras de et mos nossa culpa e o não perdão a nós mesmos - ex desmedidas atribuídas às pessoas perfeccionistas.

E qual de nós poderá, com todos os seus cuidados, acresc côvado à sua estatura? (Mateus, 6:27)

Os viciados em perfeição acham que podem fa sempre melhor e, portanto, rejeitam quase tudo o que ou fizeram.

A desestima por nós próprios nasce quando não: tamos como somos. Somente a autoaceitação leva c víduo a sentir uma plena segurança diante dos fatos ocorrências do seu cotidiano, ainda que os indivíduos; redor não o aceitem nem entendam suas melhores intenções.

Devemos compreender que cada um de nós esta prindo um destino só seu, e que as atividades e modos de outras pessoas ajustam-se somente a elas mesmas. Ao e aceitar os outros como eles são nos permite que eles nos imitam e nos aceitem como somos. “Amar o próximo com si mesmo.”

Perdoar-nos resulta no amor a nós mesmos; pré-requisito ar a alcançarmos a plenitude de “bem viver”.

Concluímos, então, que perdoar-nos é trabalharmos em correcão à renovação. Perdoar-nos é conviver com a mais nítida realidade, não se distraindo com as ilusões de que os outros e nos mesmos deveriamos ser algo que imaginamos ou fantasiamos Perdoar-nos é compreender que os que nos cercam são reflexos de nós mesmos, criações nossas que materializamos :rm nossos pensamentos e convicções íntimas. (“Colorimos mundo com nossas cores internas.” — Emmanuel)

Em Evolução em dois mundos,22 André Luiz afirma que :encarnado pode, pela própria conduta feliz e infeliz, acentuar ou esbater a coloração dos programas que lhe indicam rota através dos bióforos - que são unidades de força psicossomática. Estes atuam no citoplasma, projetando sobre células e, consequentemente, sobre o corpo os estados da mente que agravarão ou enobrecerão a própria situação (o mesmo conteúdo nos é trazido pela citação do O evangelho segundo o espiritismo, cap. V, item 13 e 26 apresentadas no início deste capítulo).

CONCLUSÃO

Acreditamos existir um longo caminho de descobertas e aprendizagem sobre a terra.

Gostariamos, aqui, de lembrar a oração do Pai Nosso, em especial o trecho: "Perdoa nossas ofensas, como perdoamos aos que nos ofenderam".

Sabemos agora que é pelo autoperdão que chegaremos a perdoar ao nosso próximo, desenvolvendo a humildade ao aceitarmos o fato de que cada estágio evolucionário possui limites inerentes e necessários ao nosso crescimento espiritual.

CAPÍTULO 4 - REUNIÃO MEDIÚNICA NO ATENDIMENTO AOS PACIENTES DE CÂNCER

LIGIA POMPEU - PSICÓLOGA

Rssaltamos que esta é uma das principais a atividades no atendimento aos pacientes e familia. Como sabemos, a presença de Espíritos e sua relação conosco é constante. Muitos deles são benignos, os querem nos ajudar na caminhada evolutiva, oferecendo apoio, orientações, afeto e companheirismo, auxilia-nos de todas as formas possíveis. Entretanto, além desses existem aquelas entidades sofredoras, as quais se reunem também a nós. Podem ser companheiros que companharam a vida conosco, muitos que se sentiram envolvidos situações complicadas, em que a confiança e o afeto fo substituídos por sentimentos de abandono, traição, invieja, desamor, criando-se uma sensação de infelicidade e revolta.

Os objetivos principais da reunião mediúnica reL nam-se com o atendimento a essas entidades, que convi com os pacientes e seus familiares, para tratamento, qua: então, podem se reorientar perante a vida, no sentido buscarem a reforma íntima, condição capaz de lhes ofer vislumbre de paz e felicidade.

Outra possibilidade, na reunião mediúnica, é a ocorre, em casos específicos, o trabalho de desdobrar quando é atendido o Espírito do encarnado, convidado ] espiritualidade para participar da reunião. Entendemos desdobramento a propriedade do perispírito de se de do corpo físico, quando este permanece em estado de relaxamento ou repouso. Normalmente, essa condição ocorre durante o momento em que o encarnado está dormindo e, muitas vezes, a impressão das vivências espirituais é trazida à consciência de vigília como lembrança de sonhos circunstância à qual nos referimos, essa situação ocorre por - indução dos Espíritos amigos, para um trabalho de esclarecimento necessário, como discutiremos mais adiante.

Podem ser também atendidas algumas entidades ligadas aos profissionais do grupo.

Além disso, acontecem orientações psicofônicas e psicográficas dos mentores, não só em relação aos pacientes, bem como os trabalhos desenvolvidos nesse segmento da associação.

O trabalho é reservado e seu conteúdo é considerado atividade de tratamento espiritual e, portanto, sigiloso. Informações ligadas a essa tarefa serão repassadas aos pacientes e familiares, apenas mediante autorização expressa da espiritualidade, após avaliação da conveniência e adequação feita pelo grupo de atendimento e o terapeuta individual do paciente.

Cabe observação, uma vez que, muitas vezes, pacientes acreditam que os acontecimentos da reunião mediúnica dizem respeito. Assim sendo, avaliam ser de sua com-petència ter conhecimento dos fatos e situações ocorridos. Porém, a realidade é que os atendimentos estão diretamente ligados aos Espíritos trazidos à reunião. Da mesma forma que a terapia individual é confidencial, o pressuposto é o de que o atendimento espiritual é considerado como atividade terapêutica para o Espírito atendido, e os acontecimentos «; de seu interesse individual e não podem ser divulgados a terceiros, mesmo que esses estejam ligados a um determinado paciente e seu grupo familiar.

O ATENDIMENTO DE ENTIDADES SOFREDORAS LIGADAS A:

PACIENTES E FAMILIARES.

Como dissemos, é comum que entidades ligadas ao paciente sejam trazidas à reunião para que possam se esclarecer e se orientar quanto à situação na qual se encontram. Na maioria das vezes, trazem em seu íntimo uma dor profunda por não terem sido correspondido em suas aspirações, por terem tido a confiança desfeita ou mesmo por se sentirem “esquecidos”. São aqueles cuja história é ligada à vida do paciente e/ou familia os quais, muitas vezes, se colocam como cobradores débitos que acreditam terem sido criados em encarnações anteriores. Nessa circunstância, o atendimento mediúnico envolve um trabalho de desobsessão, com técnicas próprias como a terapia da busca da reconciliação e perdão, a regressão de memória, esquecimento do passado, a prece e a terapia do evangelho.

Acreditam que os encarnados têm débitos que necessitam ser quitados. Não têm a percepção de que, ao fazerem “cobradores”, permanecem ligados à situação infelicidade vivida no passado, nem conseguem avaliar a importância que mudanças nos sentimentos e na maneira de encarar a vida podem ser significativas para a caminhada evolutiva. Torna-se necessário que os sentimentos sejam trabalhados a fim de que, ao se esclacerem, tenham condições de se desvencilhar da fixação mental na qual se encontram. Mudança nos sentimentos pensamentos e postura são o primeiro passo para que seu tratamento seja efetivo. Aliviar suas dores significa üudar em sua jornada e, além disso, as consequências são de alento e leveza também para o encarnado tratado relo grupo.

Em contrapartida, apresentam-se na reunião Espíritos que, ao desencarnar, eram portadores de câncer e que sermanecem com dores e sensações da doença em seu perispírito. Aproximam-se do encarnado, portador da coença, atraídos por uma questão de sintonia. Muitas ezes, nós os atendemos em condições de desorientação, cesalento, ainda fixados em dores físicas ou revoltados por não terem sido atendidos adequadamente. Nesses casos, primeiramente, precisamos acalmá-los e, à medida em que se asserenam, podemos mostrar-lhe que estão assistidos por equipe médica e de enfermagem.

A sua condição de desencarnados permite-nos tratar das dores e sequelas perispirituais, às quais esses Espíritos rermanecem fixados. Na verdade, a impressão da doença e mental, pois o fato de não entender que já perderam o corpo físico os leva a acreditar que ainda trazem todos s desconfortos e sensações que os afligiam fisicamente.

É fundamental para o orientador entender as possibidades de plasticidade do perispírito e que o pensamento e que nele imprime sensações e percepções. Assim, é possivel desmanchar nódulos, fechar feridas e aplacar dores por meio da hipnoterapia. Outro importante instrumentoo nesses atendimentos é a cromoterapia, utilizada por nós pela mentalização da energia das cores.

Fundamentamos essa prática, lembrando que a pria medicina convencional já se utiliza das cores c por exemplo, o infravermelho e o ultravioleta no momento de várias doenças. Tanto em pacientes encarnados, como nos desencarnados, utilizamos as cores acalmar, refazer ou reforçar a energia vital, entre muitos outros procedimentos. No atendimento espiritual, podemos nos utilizar das cores para cicatrizar feridas e refazer mutilações.

Esses companheiros que se apresentam no trabalho mediúnico são encaminhados ao hospital do plano espiritual, para continuidade do tratamento, na busca reforma íntima e continuidade de seu trabalho evolutivo

Em muitos casos são evocados familiares compas e queridos das entidades atendidas, as quais as acolhem e recolhem amorosamente, em busca de novos horizontes e objetivos de vida. Com a harmonização é possivel ao paciente criar condições de efetuar a transição de jornada. Muitas vezes são necessárias algumas reuniões para atender ao objetivo, mas a maioria dos que se sentam sai renovada em seus propósitos. Outros permanecem relutantes, solicitando tempo para repensarem que lhes é concedido, sob o beneplácito da espiritualidade amiga que nos dirige e acompanha.

ATEANDIMENTO AOS PACIENTES ENCARNADOS EM DESDOBRAMENTO

Há situações específicas, sob a avaliação da espiritualidade dirigente do grupo, nas quais é necessário um atendimento direto ao inconsciente profundo do encarnado, nas instâncias do perispírito. Estando o corpo físico em relaxamento, adormecido ou mesmo em situação de descanso, é possível a espiritualidade convidar o encarnado a participar da parte mediúnica da reunião, quando então serão tratados aspectos espirituais, esclarecimentos ou recomendações, os quais não são possíveis de ser acessados na terapia individual. Tal fato ocorre, muitas vezes, por serem situações ligadas a encarnações anteriores do paciente ou a resoluções tomadas no espaço entre vidas, as quais não estão sendo atendidas no momento atual e que são fundamentais para o processo de redenção proposto.

Na verdade, trata-se de um recurso excepcional, utilizado pelos mentores, somente quando não há possibilidade de se trabalharem em psicoterapia individual as avaliações levadas em consideração nessa ocasião.

Por se tratar de ativação do inconsciente profundo, na maioria das vezes, os conteúdos ali elaborados não são acessados pela consciência de vigília. Fica, entretanto o registro, que muitas vezes pode aparecer como conteúdos de sonhos, a serem trabalhados na psicoterapia.

MEMBROS DO GRUPO

Como dissemos, estamos rodeados de Espíritos ligados a nós por afinidades ou por injunções da própria vidaj como continuidade de encontros e reencontros, na sei quência das reencarnações. Da mesma forma como acontece aos pacientes, os membros do grupo de profissionais têm a oportunidade de verem atendidos aqueles que se sentem hoje como adversários pessoais dos familiares de cada um, do conjunto de participantes ou da tarefa proposta.

ORIENTAÇÃO DOS MENTORES

A equipe espiritual mantém-se atenta ao desenvolvimento do trabalho realizado pelos profissionais encarnados. Mesmo os atendimentos individuais, realizados nos consultórios dos terapeutas, são supervisionados constantemente pela espiritualidade. Dessa forma, em muitas oportunidades são trazidas sugestões para o melhor desempenho terapêutica. Em outros momentos, dentro das possibilidades, podem so trazidas partes da história evolutiva de algum dos pacienta ou do conjunto do grupo, com aspectos bem definidos para a atuação no tratamento como um todo. É um valioso recurso que pode ser considerado como um diferencial, pois embora o envolvimento de mentores seja uma constante junto aos profissionais estudiosos, dedicados e bem-intencionados, essa atuação se dá de forma intuitiva. Através de proposições ostensivas, na mediunidade, através da psicofonia ou da psicografia a espiritualidade oferece grande colaboração, pois sua nsão ampliada das vivências do paciente alarga os horizontes ia compreensão do indivíduo, tornando as terapias muito mais eficazes.

Por outro lado, há também, por parte dos dirigentes es ; rituais, orientações quanto à necessidade de se aprofun iar em determinados aspectos de estudo, tanto de questões -entíficas quanto doutrinárias. Dentro desse aspecto, é co - serem trazidas páginas com reflexões e pensamentos i_-pliando-se os conhecimentos para nós, os encarnados.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Somente os componentes do grupo de profissionais ligados à associação participam das atividades da reunião mediúnica. Como já foi dito, os assuntos ali tratados são confidenciais e mesmo orientações espirituais são repassadas aos pacientes e familiares mediante autorização dos mentores e filiação dos membros do grupo. O terapeuta individual do paciente tem participação ativa nessa decisão, pois é de sua a: competência considerar a conveniência e a forma de como as reclamações serão apresentadas ao paciente e familiares, uma vez que as orientações têm como objetivo o crescimento pessoal e o autoconhecimento para que seu aproveitamento seja integral. Nesse contexto é o terapeuta que está mais próximo tem condições de melhor compreender qual o sentido que a c formação passada poderá ter para o paciente. É possível que seja necessário aguardar o momento terapêutico propício para que uma orientação seja passada, para melhor aproveitamento de seu conteúdo. Sabemos que a espiritualidade respeitará a decisão dos encarnados nesse sentido, pois tarefa conjunta do grupo dos encarnados e o dos desencarnados, interagindo adequadamente para o bom andamento da tarefa. É o momento do fechamento com chave de das atividades do geepsicon, com intenso aprendizado para todos, comprovando-se o trabalho das equipes responsáveis nos dois planos da vida.

Emmanuel, benfeitor espiritual, através da psicogn Francisco Cândido Xavier, afirma-nos que “o planeta é uma grande enfermaria e todos os que aqui reenca somos enfermos à busca de alta.”

Essa afirmativa deixa-nos claro que se aqui estar zemos marcas do passado que precisam de medicac tamento. O contato com companheiros de jornada, no passado, apresenta-se a nós como uma oportunidade de autoconhecimento e busca de reparação de erros pretéritos além de indicar-nos a necessidade do exercício da de no reconhecimento das ações menos dignas cometidas.

Muitos dos atendidos na parte mediúnica da reunião apresentam-se como adversários da tarefa desempenhada pois percebem ser esta um acréscimo de misericórdia a oferecer-nos condições de reparo de faltas cometidas através do trabalho meritório, segundo o princípio divulgado pela homeopatia de que o “semelhante cura o semelhante. Isto é, exatamente por sermos imperfeitos e já termos situações de dificuldades é que nos é oferecida oportunidade de reparo por meio do esforço desempenhado com os pacientes.

Essas atividades são convidadas a refletir sobre esses aspectos, no intuito de deixar as mágoas e ressentimentos para trás, buscando-se uma nova postura de vida que lhe permitirá melhores condições pessoais.

PARTE 3 - ABORDAGENS TERAPÊUTICA

CAPÍTULO 1 - GRUPO TERAPÊUTICO

JOANA D'ARC PARREIRAS DE PAULO - PSICÓLOGA

O CAMINHO EM BUSCA DA SAÚDE É AUTÊNTICO. comporta subterfúgios, paliativos. O mundo do faz de conta” que o ser humano artificializou para si mesmo flagra-se nas denúncias orgânicas, linguagem assertiva do corpo, que não mente, representante fiel desse contexto “ser humano”. O sofrimento, então, é um pedido veemente da , alma de pausa, de silêncio, de escuta interior para se caminho, mudar de rumo.

A sabedoria interior do ser, condição outorgada pelo dor à criatura manifesta-se incessantemente, utilizada de recursos cada vez mais ostensivos e impactantes possam ser ouvidos, não por um capricho divino, mas representando o cuidado silencioso do Pai, que se faz presente sempre que o filho carece.

Dizem que o destino conduz a quem consente e arrasta a quem resiste. É a evolução, inerente a todos e não será o ser humano em sua rebeldia que alterará as suas leis.

Levando-se em consideração que referência é limite marcando o traçado individual de nossa vida e que é um gerador de possibilidades que amplia a consciência em torno de nós, propiciando novas gestações infinitamente, concluímos que dor e sofrimento são referências entre o adoecer e a saúde.

Aprender com os “limites”, usufruindo das possibilides, eis o grande desafio da vida, eis aí o grande desse nosso grupo terapêutico. Ouvir-se, ouvir o “outro” e. síntese, escutar a “vida”, escutar a “Deus”. A vida “da a vida “fora”; Deus interior e Deus cósmico, o Pai. Eis aí o propósito do grupo.

Sustentados nessa compreensão do ser humano é que vamos construindo os nossos encontros.

As técnicas são apoios para se atingirem metas. Psicodrama,cianesiologia integral, hipnoterapia ericksoniana, arteterapia. utilização de metáforas evangélicas e mitológicas, contos, dança sagrada, cirandas, constelação familiar e outras. Todas buscam tocar a sensibilidade, alcançar o acolhimento interno, condição necessária para iniciar um novo caminho em nós.

A meta primordial e soberana é entrar em contato com o sentimento” que representa, segundo Homero,23 o menor camiinho para a “felicidade” que é a expressão da saúde integral do “ser” que se encontrou.23 Homero Gómez em O homem sadio - uma nova visão, capítulo 1, p. j.2, “Diante dos primórdios”, 2011.

Fazer contato com o sentimento, aprender e deixar ir o ressentimento. Liberar para que o amor cure. Este o caminho da reconciliação com a harmonia. Este o caminho da reconexão com o Criador. Este o caminho da cura, o caminIbo do céu, o caminho do self.242* Self: o eu real, o ser divino que todos somos.

Em grupo, aprendemos e exercitamos a “arte de viver” e de conviver” respeitosamente rumo à humanização.

EXEMPLO DE UM DIA DE GRUPO TERAPÊUTICO

Ao adentrarem o ambiente os pacientes já respiram, mesmo que não saibam, a vibração já imantada no espaço pela equipe espiritual com os recursos de tratamento o local para que possa acolher com afeto e inspirar a recuperação biopsicossocioespiritual. Como se prepara o cenário para uma peça teatral, preparamos o ambiente físico cuidadosamente. A intenção é tocar e sensibilizar corpo e alma, com o que pode regenerar e trazer o “novo”, promovendo transformações. Assim, o espaço físico passa a representar também uma metáfora para a cura.

Sempre trabalhamos em dupla ou trio, nesse atendimento Essa experiência de coterapia é sempre enriquecedora.

O tempo de cada encontro é em torno de 2h.

O tempo de cada tema é o tempo do grupo.

O tempo de transformação e cura é individual.

O que chamamos de cura é autocura.

O terapeuta é apenas um facilitador que se abre para experimentar e aprender o “amor”.

EXEMPLO DA MENTALIZAÇÃO CRIATIVA

Tema fonte

Vamos respirar fundo sentindo o grupo, sentindo um do lado do outro, mentalizando uma fonte de luz que nasce no centro da nossa roda que nos integra e nos alimenta. Essa fonte luminosa representa a presença do sagrado, as energias do amor que fazem parte da vida humana e elas estão disponíveis para nós nesse momento. Juntos, aprendemos a abraçar e receber essa fonte de energia, e a colher nela aquilo que necessitamos para a reconciliação orgânica, emocional e espiritual

Vamos respirar profundamente: a cada inspiração buscamos na fonte aquilo que carecemos, e cada um sabe o que lhe falta, sempre sabemos.

E com a expiração liberamos para o universo o que nos adoece, entregamos para a natureza para que possa ser reciclado em favor da vida e da saúde.

espirando profundamente liberamos as tensões do nos-< corpo e tudo o que nos intoxica, a fonte flui, intensa em íívor de todos nós.

Respire, relaxe, sinta a fonte em você!

EXEMPLO DE UMA VIVÊNCIA

Alguns esclarecimentos teóricos

A escolha das técnicas é baseada em algumas abordagens anlizadas na psicologia, como, por exemplo, arteterapia, hipnoterapia e psicodrama.

Esses trabalhos de vivências são inicialmente aplicados ao trupo de profissionais, pela convicção de que primeiramente rrecisamos aprender a nos ouvir e estar atentos às sensações í sentimentos próprios, no trabalho de concentração em si -esmo, antes mesmo de estarmos em condições de parti-Iharmos com o outro.

A experiência vivida permite-nos conectar com nós mesmos e aprender a nos calar intimamente, numa atitude de concentração e atenção, o que é fundamental para aprendermos a ouvir e sentir o que o outro está tentando nos transmitir.

É preciso aprender a curvar-se diante de si mesmo, buscar as dificuldades que carregamos. Somente assim teremos condições de estar diante do outro, de suas necessidades e dificuldades pessoais.

Diante disso, escolhemos técnicas que nos propiciam esse “curvar-se sobre si mesmo”, buscando, na introspecção, a compreensão íntima.

Recomendamos um esforço especial para trabalharmos, cada um concentrado em seus próprios sentimentos, buscando a compreensão de seu processo íntimo.

Uma vivência (exemplo):2525. Trabalho realizado em seminário na amemg, cujo tema foi “Orgulho e vaidade”, idealizado e executado pelas psicólogas Joana D’Arc Parreiras e Ligia Pompeu, em 2005.

Todos devem entrar no ambiente com os pés descalços, em silêncio.

Os facilitadores recepcionam os componentes do grupo, com a prece e meditação.

É feita uma pequena explanação sobre o sentido de estarmos descalços: estamos em espaço sagrado, para o contato com nós mesmos, solicitando especial atenção para o sentido da concentração e da atenção para com os próprios sentimentos e da importância de trabalharmos em silêncio durante toda a primeira etapa.

Escolhemos trabalhar com os quatro elementos, buscando a profundeza da intimidade de cada um. Iniciamos cora ’ o sentimento de “simplicidade” através do elemento terra.

Em relaxamento, todos ouvem a fábula do cuidado. Ao fundo, música suave, ambiente em penumbra.

Em seguida, levantamo-nos, caminhando em volta da argila, já exposta no centro. Cada um vai aos poucos tomando contado com a argila, inicialmente com as mãos, apenas amassando-a. Em seguida, todos são convidados a pisar c amassar a argila, procurando sentir o contato agora com os pés, sua textura, temperatura, sensações, sentimentos e as recordações, se houver. A música de fundo será: Ascendát-cias, do disco Terra azul, de Moacyr Camargo.

Nesse momento, os facilitadores solicitam aos participantes que façam, com a argila, um pequeno castiçal para 25 velas, que serão distribuídas.

erá solicitado aos participantes que não se preocupem ;om os pés sujos, pois haverá, posteriormente oportunidade rara limpá-los. As mãos poderão ser limpas, se quiserem, em :oalhas de papel.

Em duplas trocamos impressões e sensações.

Em seguida, formamos uma roda, em torno da argila, rara uma dança sagrada. Música: (a escolher).

A seguir, trabalharemos com o sentimento da humildade, através do elemento água.

Em grupos de três, faremos a vivência da cerimônia do ' lava-pés”: um dos elementos tem os seus pés lavados por um companheiro, que são enxutos pelo terceiro companheiro, revezando-se sucessivamente, até que todos tenham os pés lavados e enxugados.

A cerimônia termina com uma ciranda.

Logo após, todos são convidados a fazer a mágica da limpeza e reorganização do ambiente.

Após esse trabalho, tem-se um tempo para a troca de impressões e avaliação.

Ao final, a prece de encerramento e uma meditação.

EXEMPLO DE UMA METAFORA LITERARIA

Mar português2626. Pode-se dizer que o tema dessa composição poética é: “A recompensas das grandes dores são as grandes glórias”. Trata-se de um poeta da segunda parte - “Mar português” - da Mensagem, coletânea poemas de Fernando Pessoa, escrita entre 1913 e 1934, data da publicação.

Ó mar salgado, quanto do teu sal

São lágrimas de Portugal!

Por te cruzarmos, quantas mães choraram,

Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena

Se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador

Tem que passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abismo deu,

Mas nele é que espelhou o céu.

Indo eles pelo caminho, entraram em um certo povoado. E, certa mulher, chamada Marta, hospedou-o na sua casa. Tinha ela uma 'mã, chamada Maria, que sentou-se aos pés do Senhor, e ficou ou-mdo seus ensinamentos. Marta agitava-se de um lado para o outro, ocupada em muitos serviços. Então, aproximou-se de Jesus e disse:

— Senhor! Não te importas de que eu fique a servir sozinha? ordena à minha irmã que venha ajudar-me!

Respondeu-lhe o Senhor:

— Marta! Marta! Andas inquieta e te preocupas com muitas coisas.

Maria, entretanto, escolheu a melhor parte, e esta não lhe será tirada. (Lucas 10; 38-42)

-Marta e Maria, ambas dentro de nós. Simbolicamente rrresentando nossa relação com a vida, nossa relação com mestre interno.

Maria construindo sua relação com o presente em um 1 de entrega e abertura, usufruindo, acolhendo, reveren-lo e sorvendo o sagrado.

Marta perde a si mesma nos afazeres externos, sem se dar ita de que o divino é santuário interior.

Maria, silenciosa, abre-se para que a luz possa entrar e brilhar dentro. Brilhar de dentro para fora.

Jesus, nosso mestre. Mestre interior.

Maria, braços que abraçam o Mestre. Braços que abraçam, acolhem e recolhem a inspiração divina, descobrindo, coberta, em si, a chama da fé, que acende a saúde, a cura,a autocura.

E sua Maria? Você sabe onde ela está?

CAPÍTULO 2 - INICIO DA JORNADA

SONIA SIMÕES DE ALMEIDA - PSICÓLOGA

Desde 1988 esse grupo vem se dedicando a estudos teóricos e ao atendimento de pacientes portadores de câncer e a seus familiares.

Iniciou seus trabalhos em outubro, quando começar os estudos das ciências da área de saúde à luz da doutrina espírita. Em agosto de 1993, percebemos já ter condições executar um trabalho prático.

Fizemos uma pesquisa entre os participantes para verificar qual o tipo de trabalho, objetivo e público a ser atendido, grupo optou pelo trabalho com paciente oncológico, devido a afinidade profissional já existente entre diversos membros grupo. Começamos a nos do ponto de vista teórico, busca informações no conhecimento médico, psicológico e do cenário a esse respeito. No entanto, ainda permanecíamos dificuldades para o início do trabalho prático, até que foi incitados a não mais adiar o recebimento de pacientes encarnados, pois a espiritualidade aguardava nosso concurso; início da tarefa de atendimento.

Iniciamos com a mentalização, irradiação a distâi a pacientes internados em enfermaria de oncologia de dos hospitais de Belo Horizonte. Nessa época, dois dos componentes do grupo eram médicos residentes nesse hospital. Recebíamos os relatos de suas observações, nas quais evidenciavam que nas noites em que eram feitas as irradiações, pacientes e a equipe de saúde mostravam-se mais tranquilos e o ambiente como um todo apresenta-se mais “leve”.

Pouco tempo depois iniciamos o atendimento no trabalho de fluidoterapia, ou seja, aplicação de passes e fluidificada, trabalho de higiene mental e relaxamento um pequeno número de pacientes e familiares, contando se snda com psicoterapia individual ao paciente e atendimento r -amiliares em grupo.

Atualmente nossa tarefa ampliou-se de forma significativa: - .da paciente é atendido em psicoterapia individual, participação de grupos terapêutico, de relaxamento e meditação, recebe passe e a água fluidificada e é concitado à manutenção do culto do evangelho no lar. Além dessas atividades, são oferecidas terapêuticas complementares, tais como: acupuntura, homeopatia, reiki e terapia floral.

Nosso grupo de estudos é composto de profissionais da area de saúde, alguns dos quais se dedicam, em seu trabalho, pacientes oncológicos.

O Grupo de Estudos e Psicologia (geepsicon) nasceu . de 10 a 12 pacientes, que variavam no decorrer do tempo da existência, o mesmo ocorrendo com os trabalhadores. Ali nos se encontravam, participavam por algum tempo, depois se -.sentavam. Entretanto, o trabalho continuava crescente, parentes encarnados sempre chegando e os estudos cada vez mais aprofundados, em busca de um maior entendimento da doença e dos doentes.

Dentre os pacientes, identificamos algumas características semelhantes de personalidade, tais como emocionalmente controladores, rígidos, resistentes a mudanças, rancorosos, com as emoções distorcidas. Cada caso com sua característica específica, mas com muitas semelhanças emocionais por ocasião do surgimento do câncer e da postura espiritual do indivíduo.

Que doença é essa que consome silenciosamente aqueles pacientes, possuidores de algumas características semelhantes de personalidade, já identificadas por nós?

Fomos estudando, analisando, buscando outras fontes de entendimento, juntamente com toda a ajuda e orientações que nos eram passadas pelas equipes espirituais, que se encontravam vinculadas ao grupo e ao objetivo do trabalho.

A faixa etária dos pacientes foi se diversificando: de bebês de dois anos de idade a idosos.

Novos companheiros se juntaram ao trabalho. Novas formas de trabalho nos foram orientadas espiritualmente e. posteriormente comprovamos serem mais eficazes.

Passamos a nos encontrar, a partir de então, às 18 h para atendimento em grupo aos pacientes e familiares, os quais eram simultaneamente atendidos terapeuticamente por dois profissionais; desenvolvia-se uma terapia de grupo embasada nos fundamentos do evangelho em base psicológica. Nascia assim uma “psicologia espiritual”.

Durante os atendimentos, tanto dos pacientes quanto dos familiares, aconteciam catarses emocionais que muito ardorosamente eram acolhidas e interpretadas com o objetivo de auxiliar a reforma íntima de cada um.

Buscava-se valorizar em cada criatura o que de melhor possuísse como base para novas mudanças internas.

Com reflexões dúlcidas se introduziam as falas de Jesus e as passagens de O evangelho segundo o espiritismo, num esforço positivista e cristão para a formação de pilares de sustentação para cada uma dessas criaturas.

Após esse atendimento, seguia-se a fluidoterapia, e fazemos então um relaxamento induzido através daquilo quanto havia sido trabalhado de positivo. Após a prece, enquanto eles se encontravam relaxados e com o pensamento elevado aplicava-se o passe. Todos retornavam ao estado de vigília e bebiam a água fluidificada pela espiritualidade.

Dessa forma, percebia-se que o grupo ia ficando cada vez mais amoroso, afetivo, demonstrando muitas vezes dificuldade em se separar e deixar o recinto dos encontros.

Os participantes saíam alegres, sorridentes e mais leves, mesmo aqueles que já se encontravam em processo mais avançado na doença, chegavam dizendo do grande esforço feito para estarem ali, mas que, no momento de sair, sentiam-se mais bem preparados, mais dispostos, mais nutridos, enfim, revitalizados. Saíam juntos, aos “bandos”, na grande maioria das vezes sorrindo. E era nesse momento que iniciáramos a segunda parte do encontro, agora separados dos pacientes encarnados. Nós nos reuníamos com a espiritualidade hora dar continuidade aos trabalhos. E foi em um desses momentos que decidimos estudar novamente os casos clínicos em todo o grupo, falando do trabalho ocorrido com as diversas equipes e escolhendo um terapeuta para cada paciente.

Tínhamos também a ajuda de um companheiro acupunturista que oferecia aos pacientes esse tratamento. Importante ressaltar que todos esses trabalhos e as demais atividades são gratuitos, sem nenhum ônus para os pacientes ou familiares, caso necessitassem de atendimento individual.

Mais adiante, incorporaram-se ao nosso grupo três companheiros médicos de profissão, dois deles com especializado em oncologia e pediatria. Trabalhavam na Santa Casa õe Misericórdia, e abriram assim mais uma oportunidade óe trabalho para todos nós. Visitamos essa casa e realizamos a nossa atividade de Natal junto aos pacientes.

Um desses novos companheiros foi quem realizou uma pesquisa, buscando aprender ainda mais sobre o câncer à moda da doutrina espírita, dando prosseguimento aos nossos estudos. Veio ele então nos alertar para a necessidade de cuidarmos também do nosso “câncer”, ficando assim compreendido que “éramos todos” pacientes oncológicos, no aspecto do desenvolvimento da doença, de acordo com nossas escolhas em relação aos hábitos mentais e emocionais. Isso nos foi de grande valia para podermos nos aproximar, ainda mais, de nossos pacientes, procurando entender melhor a doença, o porquê de sua existência, se foi “escolha” ou imposição e, ai se estávamos conseguindo trazer alívio para eles.

Nesse caminhar, percebíamos que nossos pacientes sofriam menos. Especialmente aqueles que antes não tinham conhecimento e a fé, e agora vinham adquirindo-os, entendendo sua doença como oportunidade e não como punição, Os trabalhos prosseguiam.

Após as discussões clínicas, chegou a hora de estudar o câncer à luz da doutrina. Cada membro teve a oportunidade de pesquisar e apresentar seus estudos para o resto do grupo, no decorrer dos encontros semanais, durante esse periodo mais de vinte anos.

Após os estudos e reflexões, fazíamos uma harmonização entrando assim na parte final de nossas atividades do dia, que era o trabalho mediúnico. Ali é que temos ainda oportunidade de atender os pacientes oncológicos desencarnados, sob a ajuda e orientação dos nossos tutores espirituais pertencentes à equipe espiritual de apoio ao grupo.

No decorrer desses anos, o grupo foi se aprofundar cada vez mais, confirmando para cada um de nós, companheiros de tarefa, a importância da prece, do uso da fluido, terapia, como coadjuvante de todo o tratamento, medicamento certo para a cura do “câncer espiritual”.

ivemos então a oportunidade de confirmar com nossos -idos pacientes encarnados, e também depois de desen-

—.ados, através de manifestações mediúnicas e psicográ-que haviam feito a cura de seu câncer, tendo sido a ia íntima o principal componente para esse grande

itecimento.

Ao falarmos em reforma íntima, referimo-nos às mudan-espirituais, à retirada das mágoas, dos ressentimentos, raivas e dos apegos, transformando-os em sentimentos

ides mais elevados, em termos cristãos.

RELATO DE UM CASO CLINICO

Descrevemos, a seguir, um caso clínico que nos foi per-lo relatar pelo paciente e seus familiares.

Essa é a história da vida de um paciente que chegou a mundo com muitas dificuldades. Nasceu em um parto complicado, no momento em que o casal passava por certo desajuste em termos de relacionamento. Foi gerado com algumas imperfeições físicas: não tinha o ânus, nem defesas bíológicas. A mãe era depressiva e solitária, na época do parto. Foi amamentado na medida do possível, pois houve muitas internações hospitalares, incluindo a correção física, mesmo com tantos problemas, sobreviveu.

Criança alegre, ativa, inteligente, porém agressiva e possesiva. O paciente foi crescendo ao lado de seus pais e irmãos.

Um dia chega à casa do paciente uma irmãzinha normal e saudavel, situação essa que se tornou delicada para o paciente, agora tinha que dividir a atenção de seus pais com essa mais irmã. Mas continuou, muito inteligente, organizado e responsável. Era de choro fácil e apresentava sentiment de culpa misturado à raiva.

Agora ele já tinha seis anos de idade. Foi quando, certo passeio com a família, seu irmão esbarra em sua perna e manifesta uma dor intensa. Uma dor que perdurou como fosse uma fratura, o que leva a família a tomar a decisão retornar para casa no intuito de buscar ajuda médica.. chegando lá, levam-no ao médico. São feitos muitos exames e se chegar ao resultado, uma grande surpresa: havia sido detectado um tumor na musculatura da coxa esquerda, bem em cima do fêmur. Começa aí uma grande “correría’ por parte da família, deixando o paciente bastante assustado.

Na fase de exames, vários, dentre eles cintilografia e tros, tudo o que era possível e de melhor foi feito, mas ele mostrava cada vez mais agressivo, deprimido e assustado ciente do que estava acontecendo.

Idas e vindas a médicos. Os pais buscam todos os tratamentos possíveis, quando, numa sala de espera de quimeoterapia, sua mãe teve a indicação de nosso grupo de tratamento.

O paciente chegou à nossa atividade a princípio tímido mas já apresentando todos os sintomas de sua raiva doença, e efetuando questionamentos acerca de sua molestia.

Paralelamente a isso, tinha o hábito de desenhar monstros, dinossauros e dragões, os quais falavam de seu câncer em evolução.

Dragões e dinossauros em atividades, como se lutas entre si (chegando até mesmo a desenhar-se na imagem um guerreiro com a perna ferida e uma espada quebraada. Durante o tratamento espiritual em que havia se submetido: recebe-se a confirmação da espiritualidade que ele havia sido um guerreiro em vida anterior, tendo utilizado mal seus dons e submetido outras criaturas a sofrimento e morte por uma espada, tamanha sua agressividade.)

A REENCARNAÇÃO

Reencarnação - o corpo físico é, ainda para nós, um precioso instrumento de aprendizado e purificação do Espírito. É através das diversas reencarnações que a criatura cria, através do acervo das experiências, condições de ascender .aos planos mais elevados.

Lei de causa e efeito - através das reencarnações sucessivas, a evolução do Espírito é uma trajetória única e todos ' seus atos, atitudes, pensamentos e sentimentos se encontram arquivados na consciência mais ampla e profunda, a qual chamaremos de “eu”. Esse registro íntimo permite ao sesr trazer gravados os reflexos positivos e negativos de suas vivências, em relação a si mesmo e ao próximo. Os positivos trazem-lhe alegria, paz, saúde e felicidade. Os negativos produzem sentimentos profundos de necessidade de reparação dos erros. Tornam-se na maioria das vezes processos conscientes a atuarem em nossa vida, podendo permane-cer incompreensíveis, se não nos dedicarmos ao trabalho ãe autoconhecimento e autoaperfeiçoamento. Chamamos a esse processo de “lei de causa e efeito”.

Natureza trina no homem - o homem é de natureza tríade: espírito, perispírito e corpo físico. O processo evolutivo é dirigido pelo Espírito e intermediado entre as energias puras do espírito e a matéria. Entendemos que o períspirito é composto de diversos corpos, de níveis energéticos e funções diferenciadas, os quais “armazenam” todas as informações e gerenciam as necessidades evolutivas do ser.

Entendemos que as doenças são reflexos das dificuldaces da criatura, pois o corpo físico funciona como filtro, através do qual o Espírito permite a drenagem dessas mazelas, prol da verdadeira saúde, que é o retorno ao contato corr. Criador.

Portanto, compreendemos que a cura física, embora sejável não é o objetivo principal do “eu” mais profundo, i sim, uma necessidade espiritual de saúde real que, na v» dade, é a consciência da vivência de união com o Pai. Nosm trabalho visa ao despertar dessa consciência em cada urrv no sentido do aperfeiçoamento possível, dentro do estág» evolutivo no qual se encontra.

Nossos mentores alertam-nos que o verdadeiro sigr cado de saúde é o sentimento de união com o Criador, qt do o ser é capaz de atingir paz e harmonia.

Assinalamos que o nosso trabalho se assenta nas prer sas básicas do espiritismo:
> Deus é o Criador e todos somos criaturas.

> A base de toda a criação é o amor de Deus. Todas criaturas trazem em si a marca do Criador, a qual char mos de centelha divina, contendo em si a potencialidade da sabedoria, do amor, da justiça, da saúde e da felicidac Diriamos que essa potencialidade, contida em gérmen i centelha divina, desabrocha ao longo da evolução do pírito até que atinja sua plenitude nos seres angélicos, < por nossa pequenez, não somos capazes de vislumbrar

> Evolução - criado simples e ignorante, através das a periências vividas, o Espírito adquire, passo a passo, conhecimento, sabedoria e amor. A sua destinação é chegrr à angelitude, o máximo de perfeição concedida à criatura.

Sabemos que a evolução espiritual é infinita e se faz ao longo de inumeráveis reencarnações, no plano em que vivemos. Quando o Espírito atinge um grau evolutivo adequado já não mais necessita reencarnar ao nível material para continuar sua evolução. Continuará a progredir em formas mais sutis, até atingir a perfeição, que é a saúde perfeita, sinônimo de felicidade.

Diante desses esclarecimentos nos foi possível fazer um rabalho psicológico amparado pela doutrina. Através da lu-aoterapia fazíamos a representação de sua doença e de sua ada. O paciente começava então a compreender o motivo se seu câncer, a ponto de dizer em uma das sessões ludoterapicas: “Ainda bem que deu tempo de aprender a ler e es-.rever...” Inicia-se aí um trabalho de construção de gratidão, -.umildade e reconhecimento das leis divinas e do mereci-~.ento por parte do Pai eterno.

Insere então o paciente a sua família nas representações, ;xpõe a inveja da saúde de seus irmãos, o que traz um sentimento de culpa, transformado depois por ele mesmo ao dizer que compreendia a necessidade da doença para sua evolução, mesmo com todo o desconforto da situação, e aceitava o fato ãe ser o melhor para ele neste momento.

No agravamento da doença, utiliza os bonecos e coloca-< em condição de receber ajuda de forma mais humilde, -ergunta sobre a morte e diz que ela não existe, que continuará vivendo após esse desligamento. Brinca com a mor-; desenha-se depois dela dando cambalhota nas nuvens: I ?meça um processo de elaboração desse momento inevi-tivel. Durante um desses encontros, do qual o paciente foi rela última vez ao consultório, passa toda a sessão deitado e desanimado, despede-se dos brinquedos, chora e perg_r-ta: “Quando eu morrer vou ser visto por vocês e por minha família?”

Isso ocorreu aos sete anos de idade. Depois de trabalharmos essa angústia, o paciente tornou-se mais sereno e pacificado. A partir de então passamos a atendê-lo em casaJ no leito. Esses atendimentos eram feitos psicológica e espiritualmente, acompanhados do passe e da fluidoterapia, ad quais recebia bem, pois sempre que sentia necessidade, era momento de dor aguda, solicitava-os e fazia preces sozinhd

A partir dessas vivências, com o paciente constatarrx» mais uma vez a eficácia do passe e da prece, para o alívio d» j dores emocionais, espirituais e físicas. Durante um desse» atendimentos, o paciente relatou que, no momento em c jc estava fazendo as preces, enxergou uma “luz muito intei que lhe trouxe uma paz e alívio”. Ele pergunta: “Seria Deus?.

Começa um processo de visões, em que vislumbra cei do passado e do presente, motivando-o a procurar se retré com os pais, pedindo perdão.

À medida que vai passando o tempo, com o agravame do quadro, o paciente se torna mais sereno, humilde e ai decido aos familiares pelo carinho e dedicação por ter demonstrado através da paciência com que o atendem suas necessidades. Restringe-se a falar da morte somente sua terapeuta, fazendo de forma conformada e amadurecída tendo o cuidado de resguardar aos demais, pois sente c estes não estão prontos para aceitar falar de sua morte, desenhos continuavam.

Pouco tempo depois, foi pela última vez ao hospital, com nove anos de idade. Inicia-se o processo de desligara to. Ainda lúcido, busca a mãe e o pai, agradecendo por ter sido seus pais e dizendo que se tranquilizem, pois haviam feito tudo que podiam por ele e o câncer era sua escolha, e que eles tinham sido os melhores pais que eles podia ter.

Podemos perceber com essa atitude que realmente o paciente se pacificou e fez sua reforma íntima, não há mais agressividade nem raiva. A gratidão, a humildade e a aceitação passaram a fazer parte de seu estado íntimo. Diante de tamanha mudança, pudemos observar o seu merecimento, pois permaneceu lúcido diante da piora física, mantendo a sua consciência, procurando estar calmo e comunicando com seus pais e terapeuta a mudança que estava ocorrendo espiritualmente. Na sua agonia final, pediu prece e perguntou à sua terapeuta se ela ainda estava “lá embaixo e não em cima, como ele..Afirmou estar se sentindo bem, sem dor ou falta de ar, disse que estava indo embora. Demostrou assim muita paz e desapego, o que veio a acalmar seus familiares, possibilitando seus pais se mantivessem serenos e em prece no momento final. Médicos e enfermeiros ficaram sem entender, buscando a pulsação e vendo-o falar com tanta firmeza em sua agonia final, contrariando o que seria esperado, que perdesse a lucidez e reclamasse de dor ou falta de ar. Mas ele só relata bem-estar, alívio, paz, canta e se desliga serenamente do corpo físico. Seus pais se mantiveram serenos e em prece até o final e, para completar, enquanto o corpo era preparado, fui para casa para me preparar para o velório. Deitei-me e cochilei. Nesse pequeno cochilo o paciente se aproxima de mim, me dá a mão e eu o levei à entrada da colônia onde existe o hospital do câncer. Despedimo-nos e nesse momento meu telefone toca. Acordo e atendo, era sua mãe informando o local do velório e pedindo minha presença com os irmãos que se encontravam em casa.

Termina aí nossa jornada com o paciente, mas iniciamos o suporte aos familiares, até que estivessem prontos para caminharem sem a presença física de nosso paciente. Apoio psicológico e espiritual por parte do grupo, mas alguns me ses após o desencarne, tivemos notícias deles com mensagem para a família.

CAPÍTULO 3 - A ARTE DE SER EM TERAPIA

JULIANE PEREIRA CAVALIERI - PSICÓLOGA

A ARTE FAVORECE E INSPIRA O DIVERTIMENTO, O LÚDICO, podendo ser útil no intensificar das várias habilidades mentais, é capaz de exercitar o raciocínio por meio da prática. Dentre outras possibilidades, favorece ao ser ingressar no mundo da fantasia, facilitando o pensamento analógico, a representação e a empatia ao invocar o mundo dito “fictício”. Desenvolve qualquer esforço criativo, encontrando invariavelmente idéias e insight transformados de experiências passadas, combinados com diversas ferramentas de pensamento, sentimentos e diferentes linguagens expressivas.

A arte como exercício é um excelente instrumento de suporte terapêutico, sem ela nossa prática profissional com os pacientes oncológicos poderia se tornar densa, no transcorrer das nuanças emocionais e psicológicas geradas pelo adoecimento. Assim, a vivência dos pacientes, diante de fatos sofridos na sua trajetória existencial e no processo terapêutico, poderíam se tornar mais difíceis do que realmente aparentariam ser.

Em nosso trabalho no geepsicon usamos, com frequência, recursos que nos ingressam nessa bela viagem da mente criativa. São como formas e caminhos para a ampla expressão das várias possibilidades de curas para o indivíduo, pois cada ser é único e processa as mudanças a seu modo. Assim sendo, trabalhamos, de forma alternada, as sessões terapêuticas com tarefas artísticas, pois observamos sempre as demandas, os conteúdos e a condução traçada de forma inconsciente pelo próprio grupo, mas, sempre que possível, usamos algum aditivo que favoreça a possibilidade criativa e sensibilize o momento em questão com mais fluidez.

Já se sabe da importância entre a relação mente/corpo no resgate do equilíbrio físico, mental e espiritual, e, em particular, sua ação direta com o sistema imunológico. Dá-se muita ênfase ao estresse e situações que possam exacerbá--lo, comprometendo diretamente o estado físico do paciente, principalmente quando ele está diante de alguma mudança, no caso específico, diante de um diagnóstico, possíveis tratamentos, perdas e todas as ações subsequentes.

A psiconeuroimunologia está descobrindo que os mediadores químicos, como por exemplo a serotonina e as endorfi-nas, que operam mais extensamente tanto no cérebro como no sistema imunológico, são mais densos nas áreas neurais que regulam a emoção (Goleman, 1995). Então, diante de inúmeras pesquisas, podemos concluir o importantíssimo papel do sistema límbico hipotalâmico hipofisário como in-termediador da comunicação entre os fenômenos da mente, como aprendizagem, memória, emoções, comportamentos e as manifestações psicossomáticas.

A máxima “mente sã em corpo são”, perpetuada por anos, revela muito mais do que um dito popular. Ela nunca foi tão atual como agora, pois a comunidade científica está desenvolvendo inúmeros estudos que revelam o que até então sabíamos por pura intuição, por observação, ou pelo exercício da nossa prática: o emocional é relevante e permeia todos os aspectos do equilíbrio humano. Através das pesquisas, a medicina constata, de forma especial, a necessidade cada vez maior de se reconhecer que a estrutura mental positiva, ou seja, as atitudes e emoções positivas influenciam diretamente a bioquímica do nosso organismo, tornando-o saudável.

Objetivamente somos sabedores de que não podemos garantir ao paciente 0 sucesso terapêutico no tratamento de sua enfermidade, mas sabemos também que o fator emocional o afeta e interfere em sua evolução prognostica, assim omo em seu sistema imunológico, provocando um maior comprometimento em seu estado de saúde como um todo. Na realidade, o tratamento é auxiliar e tem sua devida importância, mas a cura vem de dentro. Cabe aos profissionais da psicologia fazer com que o paciente volte a se familiarizar com os seus sistemas de equilíbrio interno, esse lugar profundo dentro de nós o qual nos lembra quem somos, do que precisamos e como podemos curar a nós mesmos. Compreendo a psicoterapia como um acompanhamento do processo de cura e evolução do ser em seus vários níveis, um caminho para que a pessoa possa seguir a sua singular jornada existencial. (Crema, 1995)

Nosso auxílio, por meio da psicoterapia, associada ao uso da expressão artística, objetiva um maior despertamento e um comprometimento do paciente com sua saúde, e a valorização de suas potencialidades de criação, conscientizando e motivando para que ele possa lançar mão de suas possibilidades individuais e, então, buscar novos caminhos que propiciem uma qualidade de vida, evitando agravos desnecessários à sua saúde.

A ciência nos confirma o que então víamos no exercício de nossa profissão: o ser humano como um todo complexo, sendo constituído de corpo, mente e espírito, não adoece o corpo isoladamente, e necessita de um estado harmônico para usufruir e atualizar o bem maior que trazemos conosco - a saúde.

Assim, a partir de uma maior compreensão de seus processos íntimos, aliada ao conhecimento de sua potencialidade, a vida adquire novo colorido e o paciente se fortalece, auxilia o tratamento, toma posse do seu processo de cura e, consequentemente, amplia suas possibilidades de viver ainda melhor.

A arteterapia se fundamenta nas teorias e práticas da psicanálise das teorias projetivas, como também nos campos de atividade psicológica, como psicologia fenomenológica existencial, a psicologia gestalt, junguiana, os estudos sobre as dinâmicas familiares e sobre processos do desenvolvimento humano. Sua aplicação, inicialmente, foi difundida no meio acadêmico, por uma necessidade de ampliar as formas coletoras de base investigativa da personalidade do indivíduo, como, por exemplo, desenho, histórias, desenho da família etc. Hoje elas são instrumentos de auxílio nas avaliações diagnosticas, proporcionando uma visão mais humanística e integradora do indivíduo, percebido então dentro de um processo global. Daí em diante outras criações terapêuticas foram aprimoradas, ampliando-se muito esse recurso dentro de todas as áreas de atuação nos processos de desenvolvimento humano (Trinca, 1997), tornando então um canalizador de energias criativas, além de um eficaz instrumento de suporte terapêutico.

Em nosso trabalho com pacientes oncológicos, a arte nos possibilita conduzir o paciente a uma viagem de autoconhe-cimento, proporcionando leveza para lidar suavemente com questões pesadas, como as transformações físicas, as perdas, a tensão, os medos, os mitos e muitos outros temas, os quais por vezes até nós, profissionais, nos angustiamos, pois necessitamos sempre reavaliar nossas próprias dificuldades.

A arte desempenha a função de mediadora na revelação dos processos mais íntimos do ser, aos quais, por vezes, nem ele ou o terapeuta se dão conta claramente, pois são criadas verdadeiras obras de arte íntima, com apresentações de conteúdos indescritíveis, favorecendo as expressões inconscientes dos sentimentos, os quais nós mesmos procuramos não acessar, ou que gostaríamos de não detectar e reconhecer por pura dificuldade ou inabilidade.

Assim sendo, sem que nos seja racionalizado e até mesmo percebido, quando nos disponibilizamos nas vivências com arte, explodimos em traços, desenhos, obras, esculturas, viagens coloridas por palavras, que higienizam nosso corpo--mente, roubando-nos da realidade árdua, revelando o eu verdadeiro. Conduzimo-nos à realidade das expressões sem limite, viagens em asas flamejantes das ações delineadoras da criação. Percebemos no traço grosseiro do pincel atômico, ou na leveza das pinceladas, a possibilidade de associar os sentimentos que contam uma faceta da nossa história pessoal.

É inevitável: estão ali os conteúdos mais profundos de estados reprimidos e confidencialmente descritos como manifestações inconscientes. Podemos usar vários materiais, desde reciclados até convencionais, mas a verdadeira obra--prima vem de dentro, tudo favorece a atuação.

São criadas artes de muitas maneiras. Tudo se transforma em obra, desde as lindas histórias com palavras, não se limitando apenas a veículos para os nossos pensamentos, mas se tornam uma forma de estruturar o nosso pensar (Erickson), até personagens que parecem flutuar no nosso cotidiano, tornando-os um pouco de nós.

Massinhas, esculturas de argila, papel machê e outros, tudo isso se expressa também dentro da linguagem não verbal. É possível ouvir o não dito, que aprendemos sem saber que aprendemos, e sabemos sem saber que sabemos, pois é o divino em nós, o nosso deus interno, a nossa parte sábia que comunica a todos os instantes pensamentos antes nem permitidos pela nossa mente. São utilizados pincéis, lápis de cor, tintas, brilhos e tudo o que remonta ao colorido da vida, que teima em existir em nós, ou mesmo as sombras de nossa própria luz incessantemente atenuada. Ocorre a desobstrução do fluxo criativo - que é a vida. É seguir a viagem.

Emergem, dentre outros, gravuras, riscos, rabiscos de revistas, recortes de figuras delineadas milimetricamente pelo deslizar das tesouras, em que a organização e o rigor do trabalho se misturam à nossa atuação; manifestações de artes, muitas vezes rasgadas por excelência, recortadas como se arrancadas de algum cenário estático da nossa própria emoção, tornam-se velozes no papel, transformando-se em agitadas e belas composições internas.

Inegavelmente todas essas atitudes artísticas preenchem espaços ainda vazios em nós, os quais até então não havíamos alcançado, e, como num conto, comparecem demonstrando o que é genuíno em nós. É mesmo brincar de coisa séria. É como também ouvir uma música, um instrumento que num instante só seja capaz de reunir e recitar todas as linguagens e dialetos, universalizando a comunicação que nem sequer ousaríamos compreender, ouvir ou falar, pois elas calam em nossa alma, com notas e sons vibrantes, evidenciando a nossa afetividade e sentimento.

A grandeza de se utilizar a arte nos processos terapêuticos está unicamente em dinamizar um simples movimento, o qual certamente exprime muitas ações formais e várias atitudes “únicas”, recolhidas a uma dimensão daquele que ali se compõe. Em todos esses instantes, a função do terapeuta é simplesmente descortinar as potencialidades do paciente e trabalhar o eu posso. O uso do mundo do paciente como mecanismo de mudança possibilita evitar a resistência do processo (Erikson), favorecendo nossa ligação com ele de forma mais saudável e prazerosa. É exprimir, na vastidão dos sentidos, as possibilidades do seu existir, em situações peculiares e momentos que se desenvolvem no mundo inconsciente. São valiosas as reflexões regeneradas e sadias, durante o tratamento, sobre alterações proporcionadas pela doença e, muito além, proporcionadas pelo próprio existir ao adoecido e seus familiares, os quais também se tornam passageiros transformadores desse trajeto.

Interpretar todo esse conteúdo é colocar-se diante da sua história, com sua licença e aquiescência, é posicionar-se na direção dos seus fatos ditos através das artes, desenhos, palavras, músicas ou contos, com reciprocidade e, assim, deixar-se conduzir por uma estrada de mão dupla, pois nós também colhemos os frutos vislumbrados. Haveria uma forma então de se trabalharem sentimentos tão marcantes quanto os daqueles que se descortinam ali? São relatos de toda espécie, vivências pesadas, leves, lágrimas, sorrisos e gestos ternos dos que estão em processo de transformações maiores, vinculadas ao adoecer. Mas com certeza é um meio mais íntegro de se suavizar aquele traço que fere o papel e, sem dúvida, a si mesmo no desenrolar das ações da vida. Se pudermos auxiliar, iluminar e colorir esses traços, roubando-os por alguns instantes da realidade dura e os conduzindo pela estrada leve do real, possibilitaremos a eles e, consequentemente a nos mesmos, expressões e atitudes de amor a si.

Aí então se dará o esperado cura-te a ti mesmo, na tentativa do profundo resgate, o contato do ser com sua razão e o reconhecimento de seu percurso diante da vida.

Viver dentro do processo da arteterapia é também desenvolver nossas qualidades superiores, reconhecê-las e nos unirmos ao divino, recriando o potencial criativo que possuímos internamente.

Quaisquer que sejam as circunstâncias da sua vida, seja a dor, o problema ou a doença, esse é o mestre. Trata-se de um mestre que ensina a amar, de um professor que nos lembra que somos divinos. Esse é o nosso processo de aflorar a luz. (Brennam)

Resta agradecer ao nosso Pai maior a possibilidade de tantos encontros e desencontros, pessoas, caminhos e descaminhos, pois nesse universo não se discrimina nada, tudo se recria em favor da genuína obra de arte chamada “ser”.

CAPÍTULO 4 - TERAPIAS COMPLEMENTARES

SONIA SIMÕES DE ALMEIDA - PSICÓLOGA

Acredita-se que a saúde vem do corpo e que este tem seu registro, conectado a uma inteligência própria que se liga ao Pai, simbolizado Este pela “inteligência superior do universo”. Partindo dessa premissa, entendemos “cinesiologia aplicada” como a ciência da ativação muscular.

Segundo George Goodheart, quiropata estudioso e descobridor da cinesiologia, o corpo possui canais de energia que alimentam todo o sistema orgânico, os meridianos. E a cinesiologia aplicada intervém na restauração do equilíbrio muscular para reencontrar uma boa postura e a saúde orgânica desse corpo. Tratando desses músculos, os canais através dos quais flui a energia é restaurada, reequilibrada. Se o músculo se apresentar desligado, o cérebro entra em ação e responde ao estímulo, enviando impulsos nervosos para o músculo, numa tentativa de restaurar o tônus muscular, o que, em consequência, atingirá ao órgão referente ao músculo.

Na cinesiologia, entendemos que para cada músculo há uma referência ligada a um órgão. Então um músculo fraco, um órgão adoecido, em desequilíbrio; o cérebro desliga a energia que flui naquele músculo para evitar lesão.

É necessário manter, através de balanceamento muscular, o tônus, a saúde do músculo e, em consequência, os órgãos saudáveis. Por exemplo: quando o músculo sofre uma torção ou está cansado por excesso de atividades, ou ainda sob pressão emocional, haverá uma sobrecarga nos sistemas circulatório e linfático do indivíduo, podendo ainda ocasionar o bloqueio no circuito neurovascular ou neurolinfático.

Aprendemos com a cinesiologia que podemos corrigir posturas erradas ou aliviar dores musculares causadas por desgastes físicos e emocionais, tensão, estresse etc.

A cinesiologia aplicada mescla, como já dissemos, princípios da acupuntura, neurologia e conhecimentos técnicos do Ocidente. Essa terapia é feita através de toques suaves, com a capacidade de detectar se a energia está circulando normalmente. À medida que os músculos são balanceados, a energia volta a circular e o corpo torna a se reequilibrar saudavelmente.

É uma técnica física, com o objetivo de harmonizar o organismo, bem como auxiliar nos demais tratamentos homeopáticos, psicológicos, ortopédicos, neurológicos etc., podendo-se trabalhar em vários níveis.

Numa primeira fase, o tratamento atua num âmbito estrutural, pois o que interessa é a postura e, para isso, tocam--se pontos neurolinfáticos, neurovasculares e de acupressura, estimulando as circulações linfática, vascular e energética. A partir daí vai se abrindo espaço para outros tipos de trabalho e avaliação, pois a energia volta a fluir e deixa transparecer o que de fato causou o desarranjo energético.

É possível então avaliar o corpo quanto:

1. à alimentação (nível químico);

2. às emoções (nível emocional);

3. à bioenergia relacionada à capacidade de aprendizagem individual (nível elétrico).

Na visão da cinesiologia, as emoções sempre estão ligadas aos músculos. Qualquer trauma sofrido pode estar registrado nas cadeias musculares, desestabilizando-as. Através dessa técnica os músculos se transformam em “informantes” e, ao mesmo tempo, em instrumentos para desbloquear as cargas emocionais negativas, sendo trazido à tona situações e sensações muitos distantes, que não estavam presentes no consciente.

A cinesiologia usa essa “memória muscular” como alavanca para atingir o campo emocional. A partir daí o paciente pode resgatar todos os sentimentos que vivenciou na infância, revivendo antigos traumas e descobrindo a causa de muitos medos e sintomas manifestados organicamente.

Ao tocar o corpo, durante as sessões, o terapeuta se torna um facilitador de todo o processo.

Ele apenas evidencia o melhor caminho a ser percorrido para que a vida do paciente seja mais saudável, se torne dono de suas escolhas, individualizando-se em seu processo de cura mais amplo num nível mais profundo na busca da transformação, como corresponsável pelos resultados é um trabalho de autoconscientização, tornando-se parte de todo o seu processo de escolhas.

Utilizamos a cinesiologia no tratamento do paciente de câncer como sinalizador e atalho para suavizar suas dores da alma e da moléstia, indo em busca de suas emoções positivas: amor e alegria.

Procuramos ajudá-los a enfrentar e desativar a causa principal de seus sofrimentos físicos e da doença: seus sofrimentos emocionais, como o ressentimento, o ódio, a autopiedade, a culpa, a raiva, a depressão e até mesmo uma leve irritação.

Na visão da cinesiologia, as emoções sempre estão ligadas aos músculos. Qualquer trauma sofrido pode estar registrado nas cadeias musculares, desestabilizando-as. Através dessa técnica os músculos se transformam em “informantes” e, ao mesmo tempo, em instrumentos para desbloquear as cargas emocionais negativas, sendo trazido à tona situações e sensações muitos distantes, que não estavam presentes no consciente.

A cinesiologia usa essa “memória muscular” como alavanca para atingir o campo emocional. A partir daí o paciente pode resgatar todos os sentimentos que vivenciou na infância, revivendo antigos traumas e descobrindo a causa de muitos medos e sintomas manifestados organicamente.

Ao tocar o corpo, durante as sessões, o terapeuta se torna um facilitador de todo o processo.

Ele apenas evidencia o melhor caminho a ser percorrido para que a vida do paciente seja mais saudável, se torne dono de suas escolhas, individualizando-se em seu processo de cura mais amplo num nível mais profundo na busca da transformação, como corresponsável pelos resultados é um trabalho de autoconscientização, tornando-se parte de todo o seu processo de escolhas.

Utilizamos a cinesiologia no tratamento do paciente de câncer como sinalizador e atalho para suavizar suas dores da alma e da moléstia, indo em busca de suas emoções positivas: amor e alegria.

Procuramos ajudá-los a enfrentar e desativar a causa principal de seus sofrimentos físicos e da doença: seus sofrimentos emocionais, como o ressentimento, o ódio, a autopiedade, a culpa, a raiva, a depressão e até mesmo uma leve irritação.

Sendo o ser humano essencialmente um ser de escolhas, de opções, não possui pois uma determinação radical e fatal, predeterminada, nem mesmo pelas condições cármicas. Entende-se que o indivíduo tem escolhas e poder de decisão diante de uma doença trazida em seu perispírito, depende da relação desse indivíduo diante da vida.

Todo processo de cura começa a partir do autoconheci-mento; é aí que o indivíduo inicia a sua cura utilizando a cinesiologia como guia desse processo de autoajuda e auto-conscientização.

É, pois, o homem um ser estruturado química, psicológica e espiritualmente, único neste grande universo. Trabalhando-se os sistemas estrutural, neurológico, linfático, vascular, cérebro-espinhal, nutritivo, químico e meridianos, entra-se em contato com o “ser integral”.

O eu profundo carrega em si a centelha divina, ele é perfeito, é a soma de todas as experiências anteriores, infinitamente sábias, daí se conclui que é possível buscar essa integralidade e sintonia com o Pai.

A TERAPIA FLORAL

MARIÂNGELA ARAÚJO DE ALMEIDA E SILVA

Consultando o dicionário Aurélio, temos que:

flor: a parte mais nobre, mais distinta, mais fina de um conjunto ou classe. O melhor de; escol: o que há de mais escolhido, de mais distinto, de melhor; sinônimos: elite, flor, fina flor, nata.

A flor é a marca divina na terra. É o máximo que a planta pode mostrar de si.

A meta da terapia floral é conhecer os padrões - aquilo que se repete compulsivamente - ou sistemas de crença, podendo, então, ser utilizada para auxiliar na sua mudança.

BREVE HISTÓRICO DA TERAPIA FLORAL

A terapia floral é uma prática muito antiga para a humanidade. Ela remonta aos aborígenes da Austrália, que já a utilizavam há muitos séculos. Paracelso, alquimista medieval, já realizava um trabalho utilizando-as como fonte de tratamento de doenças em sua época, tendo escrito um tratado, denominado A doutrina das assinaturas, em que faz uma descrição minuciosa das características físicas das plantas.

Contudo, a partir de 1930, um médico inglês, de nome Edward Bach, iniciou um estudo mais aprofundado e sistemático, baseado em seus estudos pessoais e posteriormente seguindo os princípios da homeopatia, de Samuel Hahnemann.

A história do Dr. Bach é muito interessante. Ele nasceu em 24 de setembro de 1886, em Moseley, um povoado próximo a Birmingham, na Inglaterra e desde criança já demonstrava um grande amor pela natureza, um forte poder de concentração, muito senso de humor, profunda sensibilidade e intuição. Na idade escolar, já havia se decidido a seguir a carreira médica.

Aos 20 anos, ingressou na Faculdade de Medicina de Birmingham. Concluído o curso, ele se especializou em bacteriologia, imunologia e saúde pública. Durante a I Guerra Mundial, trabalhou intensivamente, sendo responsável por 400 leitos de feridos de guerra do hospital universitário.

Por essa época, Bach pôde observar como os pacientes reagiam às enfermidades e como essa reação influía no curso delas. Percebeu que o mesmo tratamento aplicado a pessoas diferentes nem sempre curava a mesma enfermidade; que medicamentos eficazes para algumas não surtiam nenhum efeito em outras, e que pacientes com temperamento semelhante melhoravam com o mesmo medicamento. Em função dessas observações, Bach evidenciou que a índole do paciente era mais importante que seu próprio corpo físico.

Antes da pesquisa dos florais, Bach descobriu uma vacina que curava doenças crônicas. Prosseguia seus estudos para aperfeiçoar essa vacina, quando em 1917, foi acometido de um mal incurável (câncer), e, embora tivesse sido operado, os médicos lhe deram somente três meses de vida. Como ele queria finalizar suas investigações, abandonou o hospital antes de receber alta e fechou-se em seu laboratório, trabalhando dia e noite. Passaram-se os dias e, finalmente, percebeu que estava completamente curado. Essa experiência levou-o a concluir que um interesse absorvente, um grande amor ou um propósito definido na vida são fatores decisivos para a saúde e a felicidade do homem.

Em 1919, passou a trabalhar como patologista e bacteriologista do Hospital Homeopático de Londres. Entusiasmou-se pela homeopatia, na qual achou muitas semelhanças com suas próprias idéias e observações. Nos anos seguintes, aprofundou-se na obra de Hahnemann, fundador da homeopatia. Decidiu preparar suas vacinas com a técnica homeopática e criou vacinas orais, que tiveram ampla aceitação no meio Grupos de florais de Bach:

> medo;

> incerteza;

> falta de interesse na presente circunstância;

> solidão;

> sensibilidade excessiva a influências e opiniões (pessoas vulneráveis);

> desalento ou desespero;

> excessiva preocupação com o bem-estar dos outros.

A partir da década de 1970, as essências florais vêm sendo mais difundidas e utilizadas em todo o mundo, com o surgimento de vários sistemas como o da Califórnia, da Austrália, do deserto do Arizona, do Alasca, do Pacífico, Vasudeva e outros.

O Brasil apresenta-se como um dos maiores consumidores, pesquisadores e divulgadores das essências florais, onde há muitos estudos sobre os florais e profissionais que trabalham com eles. Dentre os vários sistemas florais brasileiros, podem ser citados os florais de Minas, filhas de Gaia, florais da Amazônia, do Nordeste, do Sul, Araretama, dentre outros.

As essências florais são extratos aquosos feitos a partir de flores em seu ponto máximo de exuberância e maturidade, cujas propriedades são transferidas para a água, geralmente em contato com o Sol, ou pelo método de fervura, e adicionando-se 50% de brandy (conhaque de uvas) como conservante no filtrado das flores, constituindo-se assim a essência-mãe.

Em seguida, a essência-mãe poderá ser dividida em frascos estoque, utilizando-se 2 gotas de essência-mãe em 10 ml de brandy.

A solução de uso é feita com 2 gotas da solução estoque em 20% a 30% de brandy (conhaque de uvas) para conservá-la e completada com água mineral num frasco âmbar de 30 ml e a indicação geral é de pingar 4 gotas sob a língua de 4 a 6 vezes ao dia.

Quando a solução de uso é feita de um composto floral, colocam-se 4 gotas da solução estoque.

Existem outras formas de ingestão que variam de acordo com cada pesquisador floral.

As essências podem ser usadas em banhos, na comida, na mamadeira dos bebês, em cremes, como o creme ou gel feito com o floral rescue de Bach, para queimaduras ou hematomas e outras afecções da pele, que produz um efeito imediato na recuperação da pessoa.

De acordo com a mais moderna conceituação da física quântica, hoje utilizando-se dos novos instrumentos da pesquisa científica e da teoria desenvolvida pela pesquisadora de essências florais Maria R.D. Grillo, podemos dizer que as essências florais e demais essências de campo de consciência são preparados artesanais que trazem em si o registro de um padrão de consciência oriundo da natureza (flores, de ambientes, minerais) e que atuam pelo princípio de ressonância com os campos de consciência de pessoas, grupos, coletividades, animais, ambientes e ecossistemas, agindo como princípios catalisadores que ativam processos de transformação da consciência, despertando talentos e potenciais latentes, proporcionando a restauração da paz e o equilíbrio do ser humano e da sociedade.

Traduzindo um pouco mais o conceito acima, podemos dizer que nós, seres humanos, tomamos emprestado da natureza, através das essências florais e demais essências de campos de consciência, o acionamento de virtudes e qualidades pertinentes ao nosso psiquismo, que podem, em dado momento, estar adormecidas, para torná-las mais evidentes, pelo princípio de ressonância entre campos (ou ressonância mórfica), apropriando-nos desses potenciais de forma mais efetiva, que são capazes de nos auxiliar em nossas transformações evolutivas.

A utilização da terapia floral requer um estudo aprofundado sobre a produção das essências florais, sua utilização, o repertório das essências, ou seja, sua finalidade e a forma de prescrição. O terapeuta floral, seguindo esses princípios, pode atuar como um “educador da consciência”, nas palavras de Maria Grillo, pois auxilia seu paciente a fazer contato protegido e confortável com suas facilidades e dificuldades, e com as transformações possíveis no sentido de buscar sua autopercepção consciente, que em última análise, leva cada um de nós à paz interior e planetária, por extensão.

No Brasil, já existem associações estaduais de terapeutas florais, vinculadas à Confederação Brasileira de Terapeutas Florais - Abreflor, cujo objetivo é estabelecer critérios para a formação de terapeutas florais, bem como a regulamentação da profissão, qualificando-os para auxiliar as outras pessoas em seu aprimoramento, partindo-se do enfoque acima.

O tempo da autoprescrição com essências florais já ficou no passado, pois a atenção de um terapeuta floral acrescenta muito à pessoa que o procura, já que o autoconhecimento e/ ou a autopercepção consciente podem ser conquistados, mais facilmente com essa ajuda e as virtudes podem ser acionadas com maior harmonia.

Podemos citar o efeito de uma essência floral para se ter uma ideia de sua atuação:

> Paineira (Schorizia speciosà) - filhas de Gaia - (barriguda) diz a lenda que ela foi a árvore que escondeu Jesus numa das vezes em que foi perseguido - suas flores são rosa. Segundo Maria Grillo, a pesquisadora dos florais filhas de Gaia, a paineira restabelece um vínculo com o amor, o aconchego e a proteção da grande mãe, para que nossa criança interior sinta-se segura para desabrochar e expressar o melhor de si no aqui e agora, em uma tonalidade de paz, suavidade e harmonia com a vida que nos cerca. Esta conexão com a mãe interior permite-nos tirar o foco das dores, medos e conflitos do passado e vivenciar um sentimento de conforto no aqui e agora.

A forma de ingestão das essências florais - o uso várias vezes ao dia - vai potencializar os efeitos benéficos delas em nossa alma, pois a repetição vai criando um campo de memória permanente que favorece a apropriação das qualidades ou virtudes estimuladas a cada vez que pingamos as gotas florais.

O floral, muitas vezes, nos mostra o núcleo das dificuldades e pode nos auxiliar no autoconhecimento, com a possibilidade de estarmos acolchoados, protegidos enquanto fazemos esse mergulho interno.

As essências florais também nos auxiliam em questões físicas, como a gestação, a regulação hormonal feminina, a menopausa, a tensão pré-menstrual, o estresse, a insônia, a depressão, na redução dos efeitos colaterais de quimioterapia e radioterapia, entre outras situações.

Para isso, é necessário contar com o apoio de um bom terapeuta floral, e existem bons profissionais nessa área, para que a pessoa possa se sentir protegida durante o trabalho.

A oms (Organização Mundial de Saúde) reconhece a validade da terapia floral como terapêutica complementar, desde 1976.

OS FLORAIS NO TRATAMENTO DOS

PACIENTES ONCOLÓGICOS

A terapia floral é uma das técnicas complementares utilizadas pelo geepsicon como coadjuvante no tratamento dos pacientes do grupo, aliada à psicoterapia individual, à massagem terapêutica e ao reiki, que será descrito em outro capítulo.

Em nossa experiência clínica com os pacientes do geepsicon, acompanhados por nós desde 2000, em terapia floral, variando o tempo de tratamento para cada um, utilizando-se vários sistemas florais, observa-se que os resultados são palpáveis, especialmente no que diz respeito a minimizar os efeitos da quimioterapia e da radioterapia, pois alguns florais específicos, com toda a sua sutileza, apresentam uma atuação importante no corpo físico, reduzindo as queixas dos pacientes do estado nauseante, da falta de apetite, do mal-estar provocado pela medicação muito forte, e, num certo sentido, até preparando o paciente para as próximas sessões com mais confiança de que o processo será mais tolerável.

.Do ponto de vista emocional e psíquico, as essências florais ajudam a lidar com a raiva, mágoa, tristeza, angústia, desesperança, abandono, e outros tantos sentimentos e emoções que permeiam o processo do paciente, mantendo-o nutrido e confortável em todas as fases do processo, desde a confirmação do diagnóstico, ao tratamento e a evolução deste para a cura física ou não.

Muitas vezes, as essências florais têm papel importante de suporte emocional aos familiares dos pacientes que o acompanham durante todo o processo, devido ao desgaste provocado por uma doença de longo curso.

O que se observa na prática clínica é o grande movimento que os pacientes fazem em busca de si mesmos, do autoco-nhecimento, do contato com essas emoções que muitas vezes são “socialmente” feias ou vergonhosas e que muitas vezes, quando não admitidas, são as responsáveis pela eclosão do processo, sendo a mágoa uma das mais pesquisadas e que tem maior probabilidade de estar presente antes do aparecimento de alguns tipos de tumor, especialmente o de mamas.

O acompanhamento pela terapeuta floral é feito mensalmente e o paciente normalmente já sai com a prescrição e os vidros manipulados para o uso durante os próximos trinta dias, após os quais irá retornar para nova avaliação.

O primeiro momento no trabalho com as essências florais é de acolhimento e nutrição da base afetiva do paciente; às vezes é até necessário um suporte para os sintomas físicos mais incômodos e para isso existem algumas essências muito eficazes, que reduzem o desconforto para que o paciente possa “respirar aliviado” e prosseguir no tratamento. A partir daí, é que poderá ter início o processo de autoconhecimento e a mobilização das virtudes que podem ser alcançadas pelo paciente em cada etapa, dentro da sua estrutura de vida.

Podem ocorrer momentos em que o sofrimento venha à tona novamente de forma mais dolorosa e então é necessário novamente acolchoar o paciente, com essências mais nutridoras, resgatando o contato com a essência interna que nos liga ao nosso núcleo de amor e que o processo seja acompanhado ainda mais de perto pelo seu psicólogo e/ou pelo psiquiatra, quando for o caso.

O que observamos e constatamos durante esses anos de trabalho e que pode ser objeto de uma pesquisa posterior é o grande mergulho interno dos pacientes, sendo essa observação corroborada pelos seus psicoterapeutas, na busca de melhor qualidade de vida, de modificar estruturas de auto-cuidado, melhorando o trato consigo mesmos e as relações familiares, o que se configura como um grande avanço no tratamento, pelo autorrespeito conquistado ao longo do processo.

REI Kl

MARIÂNGELA ARAÚJO DE ALMEIDA E SILVA

Reiki é uma palavra japonesa que significa energia de vida universal, que é a energia presente em todos os seres vivos.

Como sistema de cura, reiki é um método de saúde natural que trabalha com essa energia, entregando-a através das mãos.

Quando se ativa e se aplica com propósitos de cura, a energia chega ao corpo, à mente e ao espírito. Possibilita o contato com o ser essencial e dessa maneira, acelera a habilidade do corpo para curar suas doenças físicas e abre a mente e o espírito para a origem da enfermidade e da dor, para a necessidade de responsabilizar-se pela própria vida e para a alegria do equilíbrio.

Esse sistema foi redescoberto no século passado pelo Dr. Mikao Usui, que encontrou a base desse método de cura em antigos documentos em sânscrito, e dedicou sua vida ao desenvolvimento, prática e ensino desse método.

Reiki foi difundido no Ocidente pela Sra. Hawayo Takata, e hoje é um método usado em todo o mundo, existindo centros na Europa, Estados Unidos, índia, África, Austrália, América Central e do Sul.

O sistema reiki é ensinado por mestres treinados na tradição original e que estabeleceram o compromisso com esse ato de cura.

Quem recebe reiki tem um meio para manter o equilíbrio de sua própria saúde, de sua família e de outros.

A função do terapeuta de reiki é ser canal da energia universal, não a controlando nem a manejando; através dele, a energia se dirige onde é necessária, em qualquer dos planos físico, emocional, mental ou espiritual.

Com reiki pode-se tratar todo tipo de enfermidade, entre outras: estresse, ansiedade, depressão, dificuldades emocionais e bloqueios psicológicos, enfermidades agudas e crônicas, pré e pós-operatórios, drogadicção, gestações, acidentes, estados terminais, busca de conexão e clareza.

Pode combinar-se com qualquer outro sistema de saúde, tanto alopático quanto homeopático. Não existe limite de idade, podendo aplicar-se a recém-nascidos e a idosos.

O tratamento básico de reiki é feito com uma sessão diária de aproximadamente uma hora de duração em três ou quatro dias consecutivos. Em muitas situações, o tratamento básico é suficiente; em outros casos é necessário continuar com uma sessão semanal até que a situação se resolva.

Em nossa experiência clínica, a transformação que ocorre durante o tratamento básico de reiki é visível, pois no primeiro dia, quando a pessoa chega, é como se ela tivesse uma capa energética, deixando-a meio cinzenta, e no segundo e terceiro dias essa capa vai-se desfazendo, para no quarto dia ela desabrochar, mostrando-se mais leve, colorida, tranquila, em paz (o tipo de roupa se modifica, os cabelos, algumas fazem maquiagem, e o brilho no olhar é muito intenso, assim como o sorriso).

À medida que vai transcorrendo o tratamento, quer em sessões semanais ou quinzenais, a pessoa vai-se modificando internamente, fazendo contato com sua intimidade, descobrindo facetas até então desconhecidas ou difíceis de contatar, que pedem providências, no sentido da autotransformação.

E, algumas vezes, é difícil encarar essas mudanças, porém o reiki auxilia durante todo o processo, à medida que, como forma de energia, promove uma limpeza daquilo que pode ser dispensado e preenche os espaços limpos saudavelmente, permitindo a mudança de hábitos.

Do ponto de vista físico, em nossa experiência, a aplicação de reiki já ajudou em problemas cardíacos, promovendo a drenagem sanguínea, em forma de hemorragia, evitando--se um avc (acidente vascular cerebral) em paciente recém--operada do coração.

Em outra ocasião, uma paciente com trombose dos membros inferiores, agravada pelo uso de anticoncepcionais, recebendo reiki ainda no hospital, teve seu quadro atenuado, recebendo alta em tempo mais breve que o previsto, sem nenhum outro fator que pudesse estar interferindo no processo.

Muitos pacientes relatam que percebem a forma e a cor da energia reiki, e dizem do grande bem-estar que sentem quando da sua aplicação.

Em nossa experiência, quase 100% das pessoas que se submetem ao reiki entram em estado de relaxamento profundo, algumas chegam a dormir durante o processo, e ao término da sessão apresentam um aparência de descanso profundo, como se tivessem dormido várias horas, à noite. E a sessão, às vezes, não dura nem cinquenta minutos.

A impressão que se tem, enquanto o reiki é aplicado, é que o desligamento do nível consciente é necessário para que a pessoa resolva suas questões em outro nível, pois percebem-se movimentos da boca, às vezes murmúrios ininteligíveis, e ainda podem ser vistos movimentos rápidos dos olhos como no sono (rem - rapid eye movement) e as pessoas relatam visões e sonhos durante a sessão, quando se lembram.

Com relação aos pacientes oncológicos, percebe-se mais ou menos os mesmos resultados que com os outros pacientes. O alívio relatado por eles é significativo, especialmente no pré e pós-cirúrgico, quando aplicamos o reiki nas regiões afetadas, pois também ajuda nos processos cicatriciais e quando é possível, é aplicado nos dias de quimioterapia, aliviando também os sintomas após a sessão.

É importante lembrar que o reiki é um trabalho de sintonia energética, de abordagem oriental, em que a energia é valorizada, percebida e reconhecida, e a quantificação dos resultados é obtida pela experiência do terapeuta de reiki, que também se aplica o reiki, e pelo relato das pessoas que o recebem, sendo importante observar a singularidade das respostas, assim como a peculiaridade de cada ser humano, e os resultados são medidos de acordo com o bem-estar do indivíduo.

Existe uma forma de rsiki para resolver questões específicas, que também propicia essa viagem ao interior de si mesmo, esclarecendo ao paciente aquilo que estava oculto e provocando sofrimento, e que quando vem à tona, torna-se de mais fácil resolução.

A vantagem desse trabalho no geepsicon é o de estar inserido numa instituição espírita, que aceita a existência do espírito, da alma, e da energia e portanto, os resultados do trabalho podem ser comprovados e aceitos pelo relato dos pacientes.

Ultimamente foi editado um livro sobre a forma de tra tamento utilizada pelo Dr. Mikao Usui, que amplia sobre maneira as possibilidades do tratamento, que pode ser usado em várias posições para atingir órgãos específicos, e intuiti vamente já praticávamos essa forma, especialmente com os pacientes oncológicos, com resultados positivos.
Só por hoje não esteja ansioso.

Só por hoje não se irrite.

Ganhe a vida honestamente.

Honre a seus pais, mestres e anciãos. Demonstre gratidão por todo ser vivo. mikao usui

CAPÍTULO 5 - ACUPUNTURA

ELIANE DE CASTRO PENA DE ALMEIDA PSICÓLOGA

HISTÓRICO E PRINCÍPIOS

AS TEORIAS DA ACUPUNTURA PARTEM DO PRINCÍPIO de que o universo se baseia na oposição entre duas forças antagônicas. Na acupuntura, as duas forças devem estar com igual intensidade para que haja o equilíbrio. O ser vivo possui uma energia primordial, chamada qi. Esta energia tem dois aspectos: yin e yang. O yin é o aspecto material e interno, já o yang é a manifestação exterior da matéria. O bom funcionamento do ser depende do equilíbrio entre essas duas.

As características básicas do yang são relacionadas à energia, movimento, expansão, fogo, altura, dia, luminosidade, calor, maior atividade, enquanto as do yzn são: matéria, repouso, gelo, frio, escuridão, ausência de atividade, profundo etc.

Assim, uma pessoa é mais yang se for alta, falar bastante, gostar do verão e for ativa. Outra é mais yin se for mais recatada, tímida, pouco falante e gostar mais do inverno. Uma doença será mais yang se causa febre alta, agitação, piora com o calor, causa “inchaços”, vermelhidão, coceiras etc. Outra doença será mais y/n se não causar febre, deixar a pessoa prostrada, emagrecida, sem fome, sem vontade e piora com o frio.

A acupuntura é uma técnica de tratamento da medicina tradicional chinesa, usada há mais de 5.000 anos, que consiste na inserção de agulhas em determinados pontos da superfície da pele, para equilibrar a energia do organismo. Sua base é a harmonização de dois opostos: yin e yang.
Existem cerca de 2.000 pontos no corpo humano, os mais utilizados são 66, relacionados aos cinco órgãos tidos como vitais, e às cinco vísceras. Para a medicina chinesa, uma das características que diferenciam os órgãos e vísceras, é que as vísceras são ocas.

Esses 2.000 pontos estão distribuídos em 12 pares bilaterais de vasos (meridianos) que se espalham por todo 0 corpo, cada meridiano tem o nome de um órgão ou de uma víscera. Sendo os órgãos: coração, pulmão, rim, fígado e pâncreas, e as vísceras: estômago, intestino delgado, vesícula biliar, intestino grosso e bexiga.

Os órgãos e vísceras, também chamados zang fu, tra balham em pares, sempre um órgão com uma víscera, veja abaixo suas funções:
RINS E BEXIGA

> armazenam a essência ou energia ancestral;

> base do yang e do yin;

> controlam a água;

> controlam a recepção do qi;

> abrem-se nas orelhas e manifestam-se nos cabelos;

> emoção: medo; elemento: água; sabor: salgado; estação: inverno.

BAÇO/PÂNCREAS E ESTÔMAGO

> regulam a transformação e o transporte;

> regulam a parte carnosa dos músculos e os membros;

> governam o sangue;

> mantêm os órgãos fixos;

> abrem-se na boca e manifesta-se nos lábios;

> emoção: preocupação; elemento: terra; sabor: doce; es tação: canícula.

FÍGADO E VESÍCULA BILIAR

> harmonizam o fluxo livre de qi;

> armazenam o sangue (xue);

> harmonizam os tendões (músculos);

abrem-se nos olhos e manifestam-se nas unhas.

> emoção: raiva; elemento: madeira; sabor: azedo; estação: primavera.

CORAÇÃO E INTESTINO DELGADO

> regulam o sangue e os vasos sanguíneos;

> armazenam a consciência;

> abrem-se na língua e manifestam-se na face;

> emoção: ansiedade; elemento: fogo; sabor: amargo; estação: verão.

PULMÃO E INTESTINO-GROSSO

> harmonizam o qi e controlam a respiração;

> funções de difusão e de descida;

> circulam e harmonizam as vias de água;

> harmonizam o exterior do corpo;

> abrem-se no nariz e manifestam-se nos pelos;

> emoção: tristeza; elemento: metal; sabor: picante; estação: outono.

PERICÁRDIO E TRIPLO-AQUECEDOR

> as funções do pericárdio são mais ou menos idênticas àquelas do coração;

> o canal ou meridiano do triplo-aquecedor, embora não seja uma víscera, abrange todos os órgãos da cavidade abdômino-torácica e suas funções generalizadas de assimilação, distribuição e expulsão dos alimentos e líquidos.

Os sabores: picante - pulmão, amargo - coração, azedo - fígado, doce - baço/pâncreas e salgado - rins, auxiliam no diagnóstico do paciente, caso o paciente apresente pavor ou fissura por determinado sabor, significa desequilíbrio no órgão correspondente.

Os elementos: madeira, fogo, terra, metal e água têm relação direta com os órgãos e vísceras, auxiliando também no diagnóstico.

As estações da natureza influenciam diretamente os órgãos e vísceras: outono - pulmão e intestino grosso, verão - coração e intestino delgado, primavera - fígado e vesícula biliar, canícula - baço/ pâncreas e estômago, inverno - rins e bexiga.

Para condição de doença, o ser humano é afetado por “energias perversas” que alteram o fluxo energético dos meridianos, produzindo assim as alterações orgânicas funcionais patológicas. Importante lembrar que essas energias perversas podem ser um vento, o frio, o calor, as bactérias, os vírus, um trauma físico e emoções como a ansiedade, a tristeza, a angústia, o estresse etc.

O tratamento consiste na estimulação dos pontos que se localizam nesses vasos (meridianos), provocando aumento (quando deficiente) ou diminuição (se excessiva) da energia local, normalizando-a, com o objetivo de melhorar a função dos órgãos, vísceras, glândulas, diminuir ou eliminar a dor e trazer equilíbrio às emoções. Com pontos específicos para cada caso e para cada paciente, numa média de quinze pontos por sessão.

A estimulação dos pontos de acupuntura resulta na produção de:

> substâncias que agem sobre neurotransmissores e neu-romediadores, restabelecendo o bom funcionamento das funções que estavam alteradas;

> corticoides naturais (fabricados pela suprarrenal) com grande ação anti-inflamatória;

> analgésicos internos (os efeitos iguais aos da serotonina, neuromediador produzido em nosso cérebro).

MATERIAIS UTILIZADOS

Podem ser utilizados neste processo: agulhas (descartáveis), sangria, ventosas, massagens, calor proveniente da queima da moxabustão (preparada a partir da erva artemísia), hai-hua (magnetismo), laser, stiper (pastilhas de silício para reequilíbrio de frequências energéticas) e eletroestimulação.

As agulhas de acupuntura variam de tamanho e espessura, de acordo com o objetivo e o local onde são introduzidas. Aplicações na face, por exemplo, são feitas com agulhas curtas e finas; já no tratamento de obesidade, às vezes se necessita de agulhas com até 20 centímetros de comprimento, que atinjam ao mesmo tempo vários pontos de acupuntura.
PROBLEMAS TRATADOS PELA ACUPUNTURA Osteomusculares, psicológicos/neurológicos, endocrino-

lógicos, ginecológicos, urológicos, respiratórios, dermatológicos, gastrointestinais.

ACUPUNTURA E O PACIENTE DE CÂNCER

A proposta da acupuntura, no que diz respeito ao tratamento do paciente com câncer, é de servir como um complemento ao tratamento convencional, ela ajuda o paciente a ter uma qualidade de vida melhor, atua na analgesia (redução da dor), controle da fadiga, fortalece a imunidade, inibe os sintomas como náuseas e vômitos e oferece uma grande diminuição de sintomas dos efeitos colaterais da quimioterapia e radioterapia. Melhora ainda os sintomas do câncer, promovendo dessa forma um melhor bem-estar durante o tratamento.

ACUPUNTURA E A DOR

A dor é um dos principais motivos de queixa dos pacientes, devido à intensidade que costuma se manifestar e, muitas vezes, a medicação consumida é impotente para detê-la.

Felizmente a acupuntura oferece resultados maravilhosos, diminuindo ou mesmo cessando dores muito intensas.

Isso ocorre graças ao seu poder de produzir endorfinas logo no início da sessão. O paciente experimenta alívio já entre os 15 ou 20 minutos após a inserção das agulhas.

Esse bem-estar, sem dor ou com a dor diminuída, permanece por tempo variável, dependendo de cada organismo. Existem pacientes que, após uma sessão de acupuntura, conseguem ficar alguns dias sem dor, outros sentem o retorno da dor no dia seguinte ou mesmo após algumas horas. Essa diferença de tempo livre da dor deve-se às diferenças pessoais, ao fato de o paciente estar sendo tratado já há algum tempo com acupuntura (nesse caso seu organismo aproveita melhor o efeito e retém por muito mais tempo a sensação agradável sem dor), idade, etc.

Para se ter uma ideia da eficácia da acupuntura no alívio de dores, saiba que podemos fazer analgesia para quaisquer cirurgias, sem uso de medicamentos, apenas com acupuntura.

SESSÃO DE ACUPUNTURA

Na primeira consulta busca-se estabelecer o diagnóstico por meio da anamnese, tanto na visão ocidental quanto na visão própria da acupuntura. Os pontos são selecionados de acordo com o diagnóstico. Em todas as sessões são verificadas as características do pulso (fraco, fino, cheio, escorregadio, áspero, vasto, corda, intermitente, retardado, rápido, superficial, profundo) e da língua (vermelha, pálida, vermelha escura, roxa/púrpura, fina, edemaciada, rígida, flácida, longa, curta, rachada, trêmula, desviada, saburra, seca, muito úmida, pegajosa) para confirmação do diagnóstico. Após a limpeza da pele com álcool a 70o, as agulhas descartáveis são inseridas de forma indolor e deixadas no local, sendo retiradas depois de vinte minutos. Durante o período no qual as agulhas estão inseridas, recomenda-se ao paciente não se mover. As sessões posteriores são aproximadamente iguais.

Usualmente a frequência é de uma vez por semana, porém em casos agudos sessões diárias podem ser necessárias. A duração do tratamento depende do tempo da doença: quanto mais recente, mais rápido o resultado. Algumas doenças respondem mais rapidamente que outras. Como exemplo, dores lombares de origem músculo-ligamentar com menos de seis meses de duração exigem, em média, dez sessões até o seu controle.

PARTE IV - TRABALHANDO-SE O RELACIONAMENTO

CAPÍTULO 1 -A AFETIVIDADE E O ACOLHIMENTO NO ATENDIMENTO

MARIANGELA ARAUJO DE ALMEIDA E SILVA - TERAPEUTA OCUPACIONAL E FLORAL

Este tema originou-se de reflexões sobre o capítulo 20, “No lar de Cipriana”, do livro No mundo maior, de André Luiz, psicografia de Chico Xavier, em que se relata que a função de Cipriana é uma função amorosa de acolhimento de Espíritos orgulhosos, caídos na vaidade e no crime, que ali são levados para se reorganizarem e seguirem sua trajetória, cujo programa fundamental é o esquecimento do mal com a valorização permanente do bem, à luz da esperança em Deus.

Em nosso enfoque terapêutico com os pacientes oncológicos, nossos pacientes, percebemos que esse tipo de abordagem do bem rende frutos muito melhores e mais doces do que apenas reforçar as características negativas da pessoa.Em primeiro lugar, percebemos a necessidade básica de estarmos disponíveis para ouvir o paciente, suas queixas, suas tristezas, mágoas e ressentimentos, respeitando esse espaço que, muitas vezes, não pode ser compartilhado com mais ninguém.

Aliado a essa disponibilidade de ouvinte, o bom-humor apresenta-se como uma porta muito eficaz no trabalho, pois pode abrir os canais da alegria, permitindo que o paciente também possa olhar para si mesmo com humor, durante o processo terapêutico, percebendo que a leveza ajuda a transcender as dificuldades do caminho, de forma saudável.

Da mesma forma, quando o terapeuta age reforçando a fé do paciente, as suas capacidades preservadas e as possibilidades de autotransformação, características que realmente fazem a diferença em seu processo pessoal, ocorre um movimento do paciente em busca de sua cura, iniciado em sua alma, e quando há tempo, se o comprometimento físico não estiver muito avançado, pode ocorrer a cura do corpo.

Na clínica, algumas vezes temos notado que é possível transformar a noção do “carma” - que para nós é a lei de causa e efeito banhada pela misericórdia divina.

Todas as nossas ações podem ser refeitas, ao aceitar os ensinos do Mestre.

O caminho pode ser percorrido pelo amor e não pela dor, reformulando assim o velho conceito judaico-católico de que só podemos expiar nossas faltas através da dor, como se não houvesse outra forma de viver.

O enfoque positivo favorece e permite que a pessoa saia do lugar de baixa autoestima, e rompa um ciclo vicioso, podendo assim ocorrer mudanças que a ajudem a seguir por um caminho mais saudável e mais feliz.

O acolhimento amoroso, para qualquer ser humano, desde a gestação, é a manifestação explícita do amor, propiciando segurança, tranquilidade, harmonia, alegria, paz, confiança, conforto, entrega, coragem, solidariedade, justiça, qualidades que se manifestam quando nos encontramos nutridos desse amor, que é a virtude por excelência que nos permite caminhar confiantes em nossa filiação divina, sabendo que nosso pai e nossa mãe nos desejam um caminho trilhado com essas e outras tantas virtudes que permeiam o caminho do bem.

Qualquer processo de adoecimento, e aqui nos atemos ao processo oncológico, mostra uma possibilidade de reequilí-brio que, em princípio, pode refletir dificuldades com nossa autoestima, considerada por nós como a base da vida, uma vez que perdemos a conexão amorosa com Deus e, portanto, a possibilidade de sentir a nutrição que vem d’Ele.

Na clínica, algumas vezes temos notado que é possível transformar a noção do “carma” - que para nós é a lei de causa e efeito banhada pela misericórdia divina.

Todas as nossas ações podem ser refeitas, ao aceitar os ensinos do Mestre.

O caminho pode ser percorrido pelo amor e não pela dor, reformulando assim o velho conceito judaico-católico de que só podemos expiar nossas faltas através da dor, como se não houvesse outra forma de viver.

O enfoque positivo favorece e permite que a pessoa saia do lugar de baixa autoestima, e rompa um ciclo vicioso, podendo assim ocorrer mudanças que a ajudem a seguir por um caminho mais saudável e mais feliz.

O acolhimento amoroso, para qualquer ser humano, desde a gestação, é a manifestação explícita do amor, propiciando segurança, tranquilidade, harmonia, alegria, paz, confiança, conforto, entrega, coragem, solidariedade, justiça, qualidades que se manifestam quando nos encontramos nutridos desse amor, que é a virtude por excelência que nos permite caminhar confiantes em nossa filiação divina, sabendo que nosso pai e nossa mãe nos desejam um caminho trilhado com essas e outras tantas virtudes que permeiam o caminho do bem.

Qualquer processo de adoecimento, e aqui nos atemos ao processo oncológico, mostra uma possibilidade de reequilí-brio que, em princípio, pode refletir dificuldades com nossa autoestima, considerada por nós como a base da vida, uma vez que perdemos a conexão amorosa com Deus e, portanto, a possibilidade de sentir a nutrição que vem d’Ele.

E quando o paciente é recebido, objetivando-se a reestruturação dessa base, percebemos que uma troca energética positiva estabelece e/ou resgata elos de solidariedade, de amor, de confiança, de alegria, podendo refazer, portanto, uma autoestima adequada.

É sabido que o amor, essa energia nutridora divina, é responsável pelo nosso crescimento e desenvolvimento no planeta, e quando ela se modifica em desamor e crueldade -aqui entendida como um desamor próprio tão profundo, que leva o indivíduo a se comprazer com o sofrimento do outro

- ocorrem todos os males de que se tem notícia, todos os dias em nosso planeta, através dos veículos de comunicação.

E esse amor, que nos é oferecido por Deus, nosso pai, por nossa mãe divina, gratuitamente, na medida de nossas necessidades, encontra-se ao nosso dispor o tempo todo, bastando para isso que nos religuemos a essa fonte original, buscando nutrição.

Nossa desvinculação da fonte original - Deus pai e mãe - é que gera uma formidável série de enganos durante nossa existência.

Quando nos religamos, então, à fonte, uma reação em cadeia se faz, promovendo um bem-estar incomum à pessoa que assim se dispõe e aos seus circunstantes.

No grupo de pacientes oncológicos, o empenho da equipe de profissionais é de promover essa religação, essa reflexão sobre a generosidade de Deus, a qual nos permite estar refazendo nossos próprios passos, ainda que por uma senda dolorosa, no sentido da própria cura, buscando no encontro com o outro compartilhar as experiências e aprender, cada dia mais, a lidar com as próprias dificuldades e realçar e aprofundar nas qualidades da alma.

No acompanhamento individual, a terapia floral é uma das técnicas utilizadas para fazer contato com as qualidades da alma, que iluminam nossa sombra (aquilo que não está iluminado num dado momento, ou o que não é visto), possibilitando um contato mais íntimo consigo mesmo, e a resolução amorosamente acolhedora dos conflitos.

Com o reiki esse trabalho amoroso se expande de forma saudável e confortável, pois a circulação energética propiciada pela técnica auxilia na limpeza e reformulação do padrão energético pessoal, além de favorecer um contato consigo mesmo, pelo repouso e relaxamento que ocorre durante a aplicação dessa ferramenta.

Ainda como coadjuvante no tratamento, fazemos a massagem terapêutica de harmonização, a qual conduz a um estado mais profundo de relaxamento pelo toque corporal, utilizando-se óleo como veículo para o deslizamento mais fluido na musculatura.

Sabemos da importância do toque para o ser humano, o qual tem início dentro do útero, acompanhando-nos pela vida toda, existindo estudos sobre as consequências nocivas da privação do toque na primeira infância, levando a quadros de psicoses graves e até à morte. Segundo Montagu e outros pesquisadores, os bebês que não são tocados desenvolvem o “hospitalismo”, que os coloca em situação de risco de sobrevivência e os deixa completamente alienados da realidade, pela falta de contato, podendo evoluir para o óbito.

O toque tem um caráter eminentemente afetivo nesse trabalho, pois acolhe o indivíduo com tudo que ele possui - e nosso corpo é o que possuímos de mais íntimo - suscitando, às vezes, memórias pregressas, ou liberando emoções represadas há muito tempo, libertando a pessoa, aliviando seu coração e abrindo espaço para as transformações íntimas.

A massagem é uma prática muito antiga e o toque é de vital importância para o ser humano.

Pesquisas nos informam que o toque é capaz de proporcionar conforto físico e auxiliar na saúde física e mental. Segundo o mesmo autor, a pele também apresenta funções imunológicas. Com os idosos, a prática da massagem ganha importância ainda maior, devido ao natural rebaixamento dessas funções com o avanço da idade.

Além de todas as pesquisas, a observação e a prática clínica comprovam que a massagem tem um efeito muito importante nos pacientes aqui referidos, pois o bem-estar é visível à medida que realizamos sua aplicação: a respiração se aprofunda, a expressão fica mais relaxada, bem como toda a musculatura corporal.

Sabemos de alguns tipos de massagem contraindicados para os pacientes oncológicos, como a drenagem linfática e a reflexologia, que podem de alguma forma complicar o quadro.

Entretanto, o tipo de massagem que praticamos envolve toques suaves, utilizando-se óleos essenciais que, além do odor, promovem melhores condições de relaxamento ou to-nificação, com resultados benéficos, pois o paciente se sente confortavelmente protegido e harmonizado, melhora sua qualidade respiratória, relatando, inclusive, benefícios para o sono, mais disponibilidade para a vida, mais relaxamento e harmonia em sua vida diária.

Consideramos essa técnica complementar muito adequada ao trabalho do grupo, pois muitos relatam o quanto a massagem os beneficia durante o tratamento.

Em um planeta como o nosso, onde atualmente há pouco ou nenhum espaço para as trocas afetivas, onde não se possuem amigos com quem compartilhar as alegrias e as tristezas, e até é difícil encontrar profissionais da saúde com tempo de consulta disponível para ouvir as pessoas de uma forma acolhedora, que se dirá do toque físico, então...

E, se quisermos contribuir com a transformação da Terra, uma boa forma é o resgate dessa possibilidade no trabalho diário, encontrando-se alternativas para que essas trocas possam ser um pouco mais amorosas e afetuosas.

Há que se considerar também que o processo psicotera-pêutico em si é um processo afetivo. A palavra se origina do grego therapeutés e significa aquele que cuida, que trata, que cuida dos doentes, o que já implica uma troca afetiva entre quem cuida e quem é cuidado. Podemos recorrer aos autores Jean Yves Leloup e Leonardo Boff, os quais têm textos lindos sobre o trabalho do cuidado.

A necessidade dos pacientes em receber esse acolhimento e a disponibilidade com que respondem ao tratamento é visível, quando trocamos as impressões sobre a evolução de cada um e também dos grupos terapêuticos como um todo, confirmando a escolha da abordagem.

Em qualquer das modalidades do trabalho, sempre temos um momento de oração, em que o paciente nos acompanha em pensamento, em que pedimos a permissão para o trabalho, conectando-nos com a fonte do amor, Deus, e, ao final, agradecemos pela realização desse trabalho.

Reportando-nos novamente a André Luiz, na obra supracitada, temos a confirmação e talvez até uma premissa de trabalho que vemos se concretizar, pois à medida que o trabalho avança, os resultados se fazem notar e os relacionamentos ganham em fluidez, confiança, afetividade e amor, na busca do autoconhecimento e da transformação interior.

Esse trabalho tem facilitado muito o desenrolar dos processos individuais dos pacientes, já que os recursos utilizados (as essências florais, a massagem terapêutica e o reikí), em parceria com os psicoterapeutas, são capazes de ajudar no processo de transformação do ser humano.

No que diz respeito ao atendimento aos grupos, no início e no final do trabalho, ocorre um momento de encontro, com troca de abraços entre todos, participantes e coordenadores, o que propicia o incremento dessas trocas afetivas, sendo um momento alegre, descontraído e repleto de energia amorosa.

O acolhimento amoroso e afetivo dos pacientes do grupo, que já trazem na alma uma ferida muito dolorosa, auxilia na diminuição das barreiras no tratamento, promovendo uma expansão e uma abertura para se olhar para dentro, processo que, na maioria de nós, ainda provoca dor e desconforto. E essa abertura permite às pessoas um mergulho saudável e protegido em suas profundezas, no caminho do autoconhe-cimento, trazendo algumas soluções para sua vida, inclusive a possibilidade de se curarem fisicamente.

capítulo 2

O amor como o grande vetor de cura

WALKÍRIA CARVALHO ALVES FERREIRA assistente social, psicóloga, auxiliar de enfermagem

MEDICO DESENGANA, MAS DEUS NAO.

... Eu não queria operar. Neles (os médicos) forçarem para me amarrar é que inflamou meu peito. Os doutores é que judiaram comigo.
.. Se fosse câncer ele (o médico) não me contaria, pois sabe como sou (medrosa).
.. Não me importo com o fato dele ter contado que ela estava com câncer, mas a forma como ele falou.
.. Então ele disse: a senhora sabe o que é metástase? É isso o que a senhora tem!
Essas são algumas das expressões que muitos pacientes e seus familiares, em tratamento oncológico, trazem nos encontros terapêuticos.

Foi a partir dessa escuta que começamos a refletir sobre a forma que nós, profissionais da saúde, temos conduzido a relação terapêutica.

Assim, este estudo não só pretende abrir uma discussão sobre a qualidade do encontro terapêutico, mas expandir para reflexões futuras dentro desse contexto.

Onde poderiam se situar essas dificuldades?

a. Numa reduzida habilidade profissional desde o primeiro contato com o paciente, como: o rapport, anamnese, informações sobre o diagnóstico, opções de tratamento, alta etc.

b. Na dificuldade que, geralmente, o paciente e seus familiares vivenciam, ao ouvir um diagnóstico que nem sempre é favorável, ou melhor, não é aquele que gostariam de ouvir?

Acreditamos que essas duas premissas fazem sentido e provavelmente ocorram. No entanto, nós acreditamos que, como terapeutas, temos condição de estar mais atentos à situação de fragilidade, insegurança e vulnerabilidade do paciente e impedir que isso prejudique a conduta terapêutica.

De modo geral, temos condições de identificar o que de fato está sendo solicitado e fazer uma leitura dos ditos e dos não ditos, das questões que estão subjacentes, para então constatar que o discurso pode estar apenas camuflando e mascarando o essencial.

Não vamos nos deter nessa dimensão, pois de fato neste estudo apenas focaremos a relação terapêutica dentro da díade: paciente e terapeuta.

Estamos usando o modelo dentro da clínica oncológica, mas essa mesma abordagem pode ser aplicada em qualquer intervenção terapêutica ou qualquer outra forma de ajuda ou cuidado mais sistemático.

Especificamente, tomaremos como referência a atuação do assistente social, do médico e do psicólogo, mas igualmente pode ser utilizado por qualquer profissional que se dispõe à desafiadora e gratificante tarefa terapêutica.

Vamos tecer algumas considerações que são importantes para elucidar o que de fato ocorre nesse fenômeno e sobre o qual não temos muito controle, mas que realmente tem contribuído para que ocorra esse quadro.

No âmbito cultural: assistimos nossa sociedade, basicamente consumista, tendo cada vez mais valorizado o ter em detrimento do ser. Vemos também que as perdas naturais têm sido preenchidas, prontamente, como se nada pudesse perder.

No âmbito acadêmico: presenciamos escolas preparando profissionais com uma grande preocupação com a doença em si, estatísticas, exames detalhadíssimos, tratamentos de última geração e as altas. Questões como o doente, o sofri mento e a morte ficam sem espaço para serem discutidas e entendidas pelo estudante. Com isso ficam esses profis sionais despreparados para lidar com um aspecto também essencial como o estar doente e quais são seus sentimentos e emoções em relação à doença.

Assim, temos que reconhecer que todos esses fatores ex ternos, de certa forma, favorecem um entendimento e um atendimento não tão assertivo e com uma conduta pouco favorável ao paciente.

No entanto, se nos tornarmos mais disponíveis interna mente, poderemos construir condições para intervenções mais assertivas, efetivas e quem sabe afetivas com nossos pacientes.

O que é disponibilidade interna?

C. Rogers e Carkuff (1962) realizaram uma pesquisa para verificar o que pode tornar uma pessoa significativa para outra, e pesquisaram sobre o potencial implícito e disponível na relação de ajuda.

Constataram que aspectos como:

> aparência física

> sexo

> idade a

> atividade profissional

> conhecimento teórico

> grau de parentesco

Não são fatores determinantes e que não garantem um bom atendimento.

No entanto, verificaram que as características pessoais ou o que denominaram “traços de personalidade” é o que, em última instância, dava uma direção positiva à relação terapêutica.

Nesse momento é oportuno lembrar quando Jung afirma:

“A personalidade do doutor é que tem um efeito curativo.”

Nessa pesquisa os pacientes descreviam as pessoas que tinham sido terapêuticas como: r

> humanas

> calorosas

> acolhedoras

> aceitativas

> estimulantes

> sintonizadas

Alguém que sabe escutar bem, compreender bem, perceber as aflições do outro.

Avançando na avaliação, perceberam que alguns pacientes obtiveram melhoras e outros até pioraram, desde o início do processo terapêutico, confirmando o grande poder dessas abordagens e intervenções, que podem inclusive ter efeitos terapêuticos ou mesmo destrutivos.

Também identificaram que a abordagem teórica ou a técnica em si, em nada consegue interferir positiva ou negativamente no quadro.

Enfim, conseguiram concluir que a melhora do paciente é o resultado do somatório desses dois fatores e que o crescimento do indivíduo é uma consequência natural das atitudes assumidas pelo terapeuta, somada à vontade de melhoria desse paciente.

A partir desse conhecimento, selecionaram características que pudessem descrever o perfil de um terapeuta ou ajudador muito próximo ao ideal:

> Empatia é a capacidade de se colocar no lugar do outro;

> Respeito ou aceitação incondicional é a capacidade de acolher sem julgamentos;

> Congruência é a capacidade de se mostrar ao outro de forma autêntica, expressando seus sentimentos. (Pensamento + sentimento = expressão).

> Confrontação é a capacidade de perceber e comunicar a discrepância ou incoerências no comportamento do paciente;

> Imediaticidade é a capacidade de trabalhar a relação, abordando sentimentos imediatos experimentados mutuamente;

> Concreticidade é a capacidade de decodificar a experiência do outro para que ele consiga compreender melhor aquilo que está vivendo.

Sabemos que o fim último dessa relação é o crescimento do paciente em suas diversas facetas e que o prescindir do terapeuta é um dos maiores indicadores da cura.

Assim, vamos conhecer algumas concepções de renoma-dos agentes de cura, acerca do fator primordial que contribui para o fenômeno da cura.
Bernie Siegel - médico cirurgião geral e pediatra, autor dos livros: Amor, medicina e milagres e Paz, amor e cura.

Ele entende que o grande agente de cura é o amor. Adverte-nos dizendo: se conseguirmos que o paciente comece a se amar, “coisas incrivelmente maravilhosas começarão a acontecer, tanto a nível psicológico como físico”... É preciso mostrar-lhes que elas são dignas de receber amor. O amor é muito importante na cura, pois ele é o mais significativo elemento da vida humana. Ele consegue perceber que existe uma fisiologia deste sentimento, não sendo esta apenas uma experiência emocional, mas algo que envolve o corpo inteiro. Sendo assim, o amor não é um pressuposto e como tal não pode ser oferecido compulsoriamente.

Hugh Prather - terapeuta de casais em situações críticas e autor de vários livros sobre esse tema.

Afirma que todos os métodos podem curar o corpo de maneira idêntica, mas a diferença fundamental é a forma como delimitam essas possibilidades curativas. Relembra que uma cura nem sempre significa uma mudança física para melhor. Considera que o ato de curar é o oposto de julgar e que a cura perde muito em eficácia quando isso ocorre. A legítima cura é formulada na mente e não no corpo do paciente.

Jack Schwarz - professor, escritor e pesquisador no campo do controle voluntário dos processos físico-mentais.

Acredita que o real método de cura é conseguir oferecer um amor incondicional, respeitando o caráter singular do paciente e “o capacitando para assumir a responsabilidade pelo seu próprio bem-estar". Assim, um dos objetivos do agente de cura é facilitar que a pessoa supere o medo da mudança. C.on-cita os terapeutas a se transformarem também em educadores. Lembra que, anteriormente, dentro de um modelo cartesiano, subjugava-se o paciente; mas nessa nova abordagem deve lhe devolver a força para que ele consiga se libertar de terceiros e de tudo aquilo que ainda o escraviza e o adoece.

Sugere que o terapeuta comece a observar e seguir sua intuição, como complemento ao conhecimento intelectivo. Reconhece também que a cura transcende, em muito, a recuperação do corpo. Exemplifica dizendo que quando nossa autoestima está reduzida, tendemos a assumir uma atitude defensiva frente à vida. Quando isso ocorre passamos então a destinar todos nossos recursos e energia para nos defender. Assim, se nem nós estamos nos amando, o que não nos farão os outros? O indivíduo que faz a cura é aquele que percebeu não poder mais ser atacado, portanto não precisa mais ficar na defensiva ou mobilizar energia inutilmente para atacar ou se defender.

Louise L. Hay - educadora, conselheira, metafísica e escritora.

Como os outros, ela também assevera que nenhuma técnica de cura será eficaz se não for acompanhada de amor. Coloca que a pessoa precisa aprender a amar a si mesma para efetivamente curar-se. Há muito que fazer pelo paciente que linda não está disposto a abdicar da necessidade de autopuni-ção, persistindo nas mágoas, ressentimentos e vícios em geral. Relembra que é muito difícil ensinar aquilo que ainda não acreditamos ou praticamos, daí a importância de o terapeuta amar a si mesmo, para conseguir passar esse ensinamento. Se o amor não estiver presente, nem toda a conversa e métodos do mundo darão resultados. Temos que concordar que, quando nos amamos de verdade, paramos, automaticamente, de criar problemas para nós mesmos. Ela reconhece que de tato, ninguém faz algo por ninguém, mas só a própria pessoa pode fazer por si mesma.

Richard Moss - fundador e dirigente espiritual de uma associação voltada para a saúde e a plenitude do indivíduo.

Confirma que a cura consiste numa alquimia que ocorre no interior das células, sendo esse fenômeno muito amplo e abrangente, pois consegue atingir toda a humanidade. A cura, na sua concepção mais profunda, é ainda um mistério. Mesmo a medicina mais moderna, com seu forte teor de cientifi-cidade, ainda esbarra em situações que são inexplicáveis para ela. Ele remete a um dos textos definitivos da farmacologia, quando adverte ao leitor, que em última instância ninguém conhece realmente a atuação de droga alguma. Assim, se isso ainda é um mistério, a medicina e a. farmacologia podem apenas afastar os sintomas e com isso pacientes e terapeutas também conseguem fazer poucos progressos. “Toda vez que percebemos o surgimento de um novo sentido de plenitude na vida, estamos ao mesmo tempo testemunhando uma cura”.

Lynn Andrews - curandeira nativa.

Ela afirma que o terapeuta por si só não consegue curar, ele pode apenas apresentar um espelho ao paciente. Essa prática consiste em olhar para o paciente como ele é e devolver essa imagem. Se essa imagem for verdadeira e a pessoa conseguir se ver, poderá aprender com isso e decidir se quer ou não mudar. Em seguida, o terapeuta, deve fornecer uma imagem daquilo que ela pode se tornar, lembrando que a escolha cabe sempre ao paciente. Constata que nesses processos a vida de cada pessoa se esvai através de vícios que são meios profícuos que cada um encontra para se ludibriar. Normalmente, os piores vícios são os emocionais, como a tristeza e o sentimento de que não se é bom o bastante, acreditando não ser merecedor de vivenciar a felicidade. Importante lembrar que os vícios desperdiçam a energia vital e por isso devem ser abolidos.
Carl Simonton - médico psicossocial, pioneiro a usar a técnica da visualização e imaginação dirigida.

Afirma que a saúde é a condição natural da humanidade e se a perdemos poderemos recuperá-la quando descobrimos que ela é algo de grande valor. Geralmente a doença está nos dizendo que estamos precisando mudar algo em nós. Ela tem a capacidade de modificar nossos hábitos e questionar o que estamos fazendo da nossa vida. Ela nos força a procurar ajuda, dedicando mais amor a nós mesmos e aprofundando nosso contato com as pessoas à nossa volta, em lugar de nos isolar. A cura é mais uma tentativa de dedicar-se mais às coisas que proporcionam prazer e menos às que provocam sofrimento. Em síntese, a atitude do agente de cura é quase tão importante quanto a atitude daquele que busca a cura.

Aqui ele distingue o agente de cura, dos terapeutas, dizendo que para curar não precisa ter credenciais, mesmo porque no início das práticas de cura eles não eram, necessariamente, preparados para tanto. Ele reconhece que o verdadeiro terapeuta é em si um agente natural de cura e é por esse motivo que ele abraça essa profissão, mas faz uma ressalva dizendo que frequentemente a formação acadêmica expulsa esse dom.

George Goodheart - professor de odontologia e fundador da cinesiologia aplicada.

Ele afirma que o agente de cura é a nossa inteligência inata. O corpo humano traz em si um incrível mecanismo de cura, ele foi construído e programado com esse total potencial curativo. As várias modalidades de cura não passam de diferentes formas de ativar esse agente interior. O corpo está continuamente comparando seu estado geral com os programas nele “gravados” e que se referem à perfeição de suas formas e funções. No entanto, quando detecta uma pequena discrepância entre a condição real e a ideal, automaticamente o paciente aciona um mecanismo autorregulador, que é o sintoma. Assim, em última instância, o processo patológico é um resultado das tentativas do corpo de curar a si mesmo. Em outras palavras, o estado mórbido nada mais é que a expressão da inteligência inata do corpo.

Para constatarmos o que o amor pode fazer pelo ser humano, lembraremos que muitas pessoas melhoram apenas por gostarem de seu terapeuta. Afirma que a emoção positiva, gerada pelo do ato de gostar, é extremamente terapêutica.

John E. Upledger - médico osteopático e especialista nos tratamentos de dores e males crônicos.

O que proporciona a cura é levar o paciente a uma honesta e sincera descoberta de si mesmo.

Indica a prática do toque físico, facilitando a criação de um vínculo entre o terapeuta e o inconsciente do paciente. O terapeuta tem que desenvolver a capacidade de espelhar a verdade para o paciente, pois só a própria pessoa pode promover sua cura. Afirma também que a doença não é um evento casual, mas uma mensagem, nos informando que desviamos do caminho verdadeiro.
Martim Rossman - autor do programa para a melhora da saúde através da imaginação.

Entende que todas as abordagens de cura geram oportunidade de cura. Esse processo é um fenômeno natural e um mecanismo inato do organismo. Existe uma inteligência fisiológica cuja função é garantir a homeostase ou equilíbrio dos sistemas, diante de qualquer agressão externa ou interna. Nesse sentido a doença deve ser vista como uma grande oportunidade para o crescimento, e quando isso não ocorre a pessoa receberá “lembretes” na forma de recidiva ou recaída. Uma doença fatal pode ser acompanhada por uma profunda cura emocional, espiritual e muitas vezes também por uma recuperação do corpo.

Norman Cousins - médico psiconeuroimunologista.

Considera que existe uma complexa interação entre o cérebro, o sistema endócrino e o sistema imunológico.

O cérebro, além de ser a sede da consciência é também uma glândula, talvez a mais profícua do corpo humano e que em circunstâncias de depressão, ansiedade, tristeza etc. prejudica o sistema imunológico. No entanto, diante de emoções positivas ele se fortalece, expulsando os agentes agressivos e as enfermidades. Nesse sentido as esperanças do paciente são o maior aliado do terapeuta e ninguém deveria sair de uma sessão terapêutica desesperançado.

Rachel Naomi Remen - médica especialista em doenças crônicas e de alto risco.

Descreve que num relacionamento terapêutico verdadeiro ocorre um fenômeno em que ambos são vetores da cura e também são curados.

Buscar uma honestidade de vida é um fator importante para a cura, melhor dizendo, deve-se buscar uma coerência entre os valores desejados e aqueles vividos. Nenhuma técnica é melhor que a outra, a questão é confiar no potencial de cura de cada pessoa.

Emile Conrad-Daoud - criadora do método que abre novos caminhos no âmbito da consciência.

Percebe que um grande número de terapeutas se preocupa com seus métodos, ignorando que o terapeuta é também em si um método. Temos que passar ao paciente aquilo que vivemos e quando existe confiança, o paciente sente o eco sentindo a si mesmo, no terapeuta.

Jerry Solfvin - parapsicólogo.

Acredita na notável capacidade autocurativa latente em toda a humanidade. Percebe que o relacionamento terapêutico é importante, pois carrega o potencial para reaproximar-nos dessas nossas capacidades. Ele está potencialmente presente, a partir do momento que alguém procura outra pessoa para ser curado. Exemplifica dizendo que um encontro terapêutico significativo é algo muito semelhante ao que ocorre no casamento, quando para muitos é uma grande oportunidade para assumir a responsabilidade de ser agente de cura. Isso ocorre porque é um compromisso voluntário com o outro ser humano. É uma relação em que derrubamos nossas fronteiras, deixando-nos invadir e ao mesmo tempo invadindo o território alheio. Nesse encontro, nossas forças e fraquezas são desnudadas e temos a grande chance de aprender novas formas de pedir ajuda e de escutar o clamor do outro.

Considera todos os relatos de curas miraculosas como recuperações espontâneas e curas instantâneas, como evidência dessa capacidade autocurativa presente em todo indivíduo.

Rosalyn Bruyer - agente de cura através da “imposição de mãos”.

Afirma que a cura vem do sentimento de compaixão e esta advém de uma genuína preocupação com o sofrimento alheio.

Rollo May - psicólogo com uma abordagem existencial e humanista.

Para ele, a empatia é o fator que promove a cura. Conceitua a antipatia como o sentir contra; a simpatia é um sentir a favor e a empatia é o sentir com o outro. Nesse terceiro modelo ocorre um intercâmbio não verbal dos estados de espírito, crenças e atitudes entre paciente e terapeuta.

Emmett E. Miller - médico oncologista.

Considera que a confiança e a honestidade são os requisitos básicos no processo de cura, para os dois envolvidos. Acredita que quando uma pessoa exprime verdadeiramente seu eu essencial, a saúde aparece como um subproduto natural.

Eiizabeth Kübler-Ross - médica tanatóloga.

Postula que existem quatro qualidades básicas no agente de cura: confiança, fé, amor e humildade. Essas características possibilitam ao terapeuta nutrir a si mesmo, aprendendo a dar e a receber para não desequilibrar. Deve-se munir de humildade para perceber que o paciente sabe mais a respeito de si mesmo do que qualquer outra pessoa. A cura nem sempre significa ficar fisicamente sadio, passando a levantar e caminhar. Significa, sim, conquistar um equilíbrio entre as dimensões física, emocional, intelectual e espiritual. Interessante constatar que quanto mais o sofrimento se prolonga, mais a dimensão espiritual se abre e mais intuitiva a pessoa se torna. Lembra que a cura não ocorre só individualmente, pois como estamos interligados por uma rede invisível relacionai, inúmeras pessoas do planeta também receberão esse benefício.

Janet F. Quinn - enfermeira que se dedica ao toque terapêutico.

Ela parte da premissa que a fonte da cura reside no interior do indivíduo e afirma que fazer uma distinção entre tratamentos “reais” e “placebos” é um erro. Diz que quando ocorre uma cura verdadeira, surge uma nova qualidade de vida para o indivíduo. Ela percebe que atualmente se adoece mais espiritualmente, apesar de os tratamentos e descobertas tecnológicas estarem se encaminhando cada vez mais para a esfera biofísica.

Gerald Jampolsky - psiquiatra.

Afirma que o denominador comum da cura é Deus, pois Ele e o amor são a mesma coisa.

Curar é considerar cada encontro com o outro como algo sagrado, enxergando apenas santidade na outra pessoa. O indivíduo curado é aquele que descobre que nada mais pode feri-lo, exceto seus próprios pensamentos e sua mente.

Larry Dossey - médico que usa uma abordagem de cura alternativa.

Descreve que a mente além do corpo é o que de fato possibilita a cura.

Discorre sobre a neurologia e relata que podemos encontrar tecidos semelhantes ao cérebro, por todo o corpo. Existem áreas receptoras de endorfinas químicas em outras partes do corpo como a gastrointestinal e em certos tipos de glóbulos brancos, apesar de essas enzimas serem produzidas em locais distantes do cérebro. Assim, mesmo baseando-se na conservadora neuroquímica moderna, é difícil acreditar numa visão localista do cérebro, e acrescenta que a mente em si também não é algo localizável. Às vezes é sensato pensar que a mente, além de conseguir romper os limites do cérebro, também invade o corpo inteiro e ainda extrapola totalmente essa parte física.

Dentro desse pressuposto ele conclui que a mente é ima-terial e não se restringe a regiões de espaço ou do tempo. Portanto a mente é algo ilimitado e não está separada das outras mentes.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Após essa pesquisa, só nos resta desistir de nossa provável vaidade técnica e acreditar que o encontro terapêutico é, em última instância, um grande encontro amoroso de almas.

Sabemos que o aprendizado ou a reflexão é muito facili tado quando o fator afetivo está presente. Assim, mobilizar o hemisfério direito do cérebro é uma excelente estratégia para o paciente se mobilizar para a cura.

Acreditar nisso é investir na cura do paciente, dando-lhe oportunidade de optar por sua mudança interna e, consequentemente, promover a própria cura.

CAPÍTULO 3 - A RELAÇÃO MÉDICO-PACIENTE

ROSEMEIRE SIMÕES - PSICÓLOGA

EM FACE DA INCERTEZA NÃO HÁ NADA DE ERRADO COM A ESPERANÇA. O. AR SIMANTUN

Há UM ASPECTO DO EQUILÍBRIO TÊNUE “SAÚDE-doença” que merece uma reflexão pormenorizada e profunda, por parte dos profissionais de saúde física e mental. É a relação entre o enfermo e aquele que irá cuidar dele.

Cumpre-nos fazer uma distinção entre cuidar e proteger. Utilizamo-nos frequentemente de um exemplo que nos ocorreu depois de um daqueles acontecimentos casuais da vida. Encontrava-me em um parque de diversões, assentada à beira de um lago. Uma menina de cinco a seis anos, aproximadamente, soltou-se de sua mãe e veio correndo pela alameda arborizada, sorridente e feliz. Tropeçou e caiu perto de mim. Levantei-me automaticamente para ajudá-la, mas a criança olhou-me com um enorme sorriso e imediatamente começou a levantar-se sozinha. Sua mãe chegou assustada e gritando: “Não falei para você não correr!... você se machucou?. ..” O sorriso morreu, dando lugar a um choro que custou a passar, depois da intervenção da mãe protetora.

Algum tempo depois, do meu observatório prazeroso, vi um menino de uns quatro anos de idade, vestido com uma camisa azul, salpicada de sorvete de chocolate. Seu rosto parecia o de um adorável palhacinho, boca, nariz e cara pir»-tada de sorvete. Segurava um balão em uma das mãos e um enorme sorvete de chocolate na outra. O pai o acompanhava alguns passos atrás, mantendo uma pequena distância, mas sempre atento... Ouvi-o dizendo: “Papai, olha o patinho...” fala que foi acolhida pelo pai atencioso. Subiu na borda de um canteiro, equilibrou-se e desceu em seguida, sempre sob o olhar atento e a orientação cuidadosa do pai.

Portanto, a atitude protetora é “fazer tudo pelo outro”, limitando suas possibilidades de caminhar com os próprios pés. Quem cuida “acompanha com carinho e atenção”, reconhecendo, no entanto, o potencial de crescimento do outro e as possibilidades criativas que apresenta em cada situação da vida cotidiana.

O momento da enfermidade, em geral, é cercado de medo, insegurança, dor e questionamentos, e quanto maior a gravidade da doença, maior a sensação de fragilidade. Precisamos de “um cuidador” que estabeleça conosco uma parceria criativa, estimulando em nós o “cuidador interno”, em quem possamos confiar - fiar, em parceria, a teia da nossa vida.

Há alguns anos, depois de uma doença grave, encontrei um exemplar precioso de Amor, medicina e milagres do Dr. Bernie Siegel. A sua abordagem profunda, afetiva e humanista despertou-me para uma gama de reflexões e outros tantos sentimentos. Aliás, a leitura por si só foi encorajadora, terapêutica e, sobretudo, um grande reforço naquele momento que se transformou para mim em um ponto de mutação.

Uma passagem tocou-me especialmente:
Na faculdade de medicina não recebi uma única aula sobre cura e carinho, como falar aos pacientes ou por que ser médico. Não me curaram durante o curso, mas esperavam que eu curasse os outros [...] Intuitivamente, sentia que deveria haver algum meio de ajudar os casos sem esperanças, indo além do papel mecânico, (p. 21)

Pensei como na medicina convencional o “poder pessoal” é depositado no médico. Na força de terminologias que ecoam como sentenças. Paciente... por que não agente, copar-ticipante, parceiro? Para que lutar se a última palavra que ressoa nos ouvidos do portador de câncer grave é terminal7.

Terminar com o quê?

Com o medo, o desamor, com o ressentimento, com a precária qualidade de vida, com a depressão, com o estresse emocional?

No capítulo sobre o desenvolvimento do câncer, examinamos o caso de Vittorio Micheli, que foi mandado para casa sem nenhuma esperança, devido a um carcinoma gravíssimo e destrutivo. Todavia, recuperou-se inteiramente sem nenhuma intervenção terapêutica usual.

O que importa é o tempo de vida que temos ou a qualidade da vida que vivemos? Ou a morte de uma forma de viver para renascer com qualidade e vigor? Ou mesmo quando vivemos a solidão criativa, e nos olhamos no espelho e nos reencontramos, com a nossa “parte sábia”, que tem todo o nosso potencial de autocura?

É Bernie Siegel que diz novamente:

Na verdade, os pacientes especiais querem aprender a virar “médicos” de seus próprios casos, exigindo sobretudo que nos tornemos seus professores.
Sabemos que a função primordial do professor é aprender, e a partir daí, estimular o potencial de aprendizado dos seus alunos. O bom terapeuta deveria aprender a amar, a ter esperanças e uma profunda fé na vida. Os “enfermos especiais”, como diz o Dr. Siegel, precisam de tudo isso, e de uma profunda vontade de viver que os oriente frente a frente, com o desafio da luta pela sobrevivência.

Mais do que isso, precisam aprender que cada momento de crescimento está prenhe de vida, que cada dia, passo a passo, encerra lições de aprendizado profícuo sobre a sutil arte de viver... Sentimos, sobretudo, essa força de vida quando atendemos às crianças com câncer. Passados os momentos de desconforto físico, elas voltam a brincar, a sorrir e a saborear cada segundo.

Há muitos anos atendi uma menina de onze anos, acometida por uma leucemia. Não dispúnhamos dos recursos terapêuticos de hoje em dia, assim o câncer se equiparava a uma sentença de morte. Ela era linda, olhos castanhos escuros, pele muito clara. Espirituosa, inteligente e de uma vivacidade contagiante. Já usava uma peruca, perdera os cabelos durante a quimioterapia. Era pianista, bailarina e tinha um ídolo, o bailarino russo Mikhail Barishnikov.

Tinha uma frase usual: “Os tempos estão curtos...” intuindo talvez a sua partida precoce. Os meus cuidados não se limitaram ao consultório, mas se estenderam à sua casa e, muitas vezes ao hospital.

Nesses doze anos, foi uma estrelinha de um brilho inesquecível e ainda hoje me emociono quando me lembro da sua coragem e alegria de viver.

Partiu serena, deixando a riqueza do seu rastro de luz.

Quando me recordo das várias idas ao hospital, vêm-me à retina mental as paredes “cinza” e os corredores longos, frios e intermináveis. É claro que muitos hospitais se modificaram e não correspondem mais a essa estética desumanizante.

Bernie Siegel recupera a origem latina da palavra hospital, cujo significado é “hospedaria”, mas, diz: raras vezes a instituição hospitalar é hospitaleira: Pouca atenção se dá ao carinho e à cura, como se fossem prejudiciais à medicação [...] porque os arquitetos, pelo menos, não pensam em tetos mais bonitos, já que os internados passam tanto tempo olhando para cima [...] Que liberdade se dá aos doentes para que mantenham sua identidade? (p. 29)

O CÂNCER É UM SISTEMA DE RUPTURA INTERIOR

Carl Simonton afirma que o câncer é um sistema de ruptura interior, uma expressão simbólica nos níveis men tal, emocional, social e espiritual. Constata a existência de fatores de personalidade que predispõem à doença e cita sua vivência pessoal, aos dezessete anos, quando desenvolveu um câncer. Reconhece, em si mesmo, várias características dessa “personalidade cancerosa”, (p. 125)

Desmistifica a imagem popular, segundo a qual um agen te externo invade e ataca o corpo. Propõe uma mudança no sistema de crenças do “paciente” e do médico, o qual se embase em uma atitude positiva, o que é essencial ao êxito terapêutico.

Em Sabedoria incomum, Capra relata um encontro emo cionante e comovente com Carl e Stephanie Simonton, do qual destacamos a relação médico-paciente:
No decorrer do seu estudo-piloto, os Simonton criaram fortes laços emocionais com seus pacientes, passando incontáveis noites ao seu lado, rindo e chorando com eles, lutando para que recuperassem a saúde, exultando com seus sucessos e oferecendo-lhes todo o apoio e afeto possível quando começavam a morrer. Senti que o arcabouço conceituai dos Simonton, ainda que bastante incompleto naquela época, era extraordinariamente promissor para a medicina, e eles falavam de seus pacientes com tamanha dedicação e sentimentos tão sinceros que me comovi até às lágrimas, (p. 125)

No método Simonton, um dos objetivos primordiais é ajudar a pessoa a mudar os aspectos prejudiciais de sua personalidade, bem como as crenças e expectativas negativas em relação à doença, ao tratamento e às suas possibilidades de recuperação. A mudança desses padrões é extensiva aos familiares, médicos, terapeutas e a todos que estão envolvidos nessa aliança para “vencer a luta”.

Na medicina holística, o câncer é comprovadamente um processo psicossomático. As terapêuticas devolverão ao enfermo a responsabilidade da autocura, retirando-o da condição de “vítima” ou “paciente”.

O médico não irá tratar um órgão doente, e sim uma pessoa, em sua integridade psicológica, física, social e espiritual, pois em uma concepção holística de saúde todos esses fatores estão intimamente interligados.

A doença cumpre uma finalidade que, embora pareça paradoxal, é a de reconduzir à saúde, à busca do real significado da vida.

O “doente”, o médico e/ou o terapeuta reconhecem que a cura é um ato criador, e interagem em um aprendizado mútuo. O “paciente” adquire habilidades de obter respostas adequadas à sua própria vida, no processo de reencontro com a saúde e obviamente consigo mesmo.

Em seu livro O espírito, este desconhecido, Jean E. Charon, físico da Universidade de Paris, refere-se ao espírito de forma desafiadora:

A física e a metafísica formam, portanto, duas disciplinas complementares, encarregadas de aumentar o nosso conhecimento do universo, se, e somente se, matéria e espírito são inseparáveis nos métodos de pesquisa e nas linguagens destes dois ramos do conhecimento [...] O que chamamos de espírito é indissociável de todos os fenômenos que vemos no universo, sejam físicos, sejam psíquicos, (p. 12)

O corpo físico é um microcosmo, interligado a um universo dinâmico, sob o comando do ser espiritual. O doutor Jorge Andréa dos Santos, psiquiatra espírita, referindo-se à psicogênese das doenças, convida-nos a sair da ótica redu-cionista da zona material e adentrar na compreensão do psi-quismo de profundidade, que encerra a trajetória do Espírito nas vidas sucessivas.

Concluímos, com uma fala do Dr. Bernie Siegel, na introdução de Amor, medicina e milagres:

Não feche os olhos para acontecimentos imensuráveis; eles ocorrem graças a uma energia interior que possuímos. Eis a razão pela qual prefiro expressões como “cura criadora”, ou “cura autoinduzida”, que enfatizam o papel ativo do doente. Vejamos como esses doentes agem para se curar.
Estamos indubitavelmente no limiar do paradigma do espírito para a compreensão e terapêutica do dueto saúde-doença.

CAPÍTULO 4 - O PACIENTE DE CÂNCER E SUA INSERÇÃO SO CIAL

WALKIRIA CAR VALHO ALVES FERREIRA - ASSIST SOCIALO, PSICÓLOGA

Buscaremos, neste estudo, contextualizar o pa-ciente de câncer nos seus vários espaços sociais, atribuições e papéis que desempenha, não só na família, mas também na sociedade mais ampla, bem como o impacto disso nessas realidades.

Interessante constatar que fatores como idade, nível cultural e classe social não são indicadores que diferenciam, de forma significativa, o comportamento dos pacientes e seus familiares.

Faço uma ressalva para a questão do gênero, pois o índice de pacientes do sexo masculino e pertencente às populações mais carentes da sociedade, os quais buscam e/ou aceitam um apoio social e emocional, é quase igual a zero. Mesmo quando aceitam um convite à participação de programas de apoio, eles são geralmente bastante infrequentes, ou abandonam o acompanhamento psicológico e espiritual nos primeiros encontros.

No entanto, nos grupos em que a situação cultural, social e econômica é mais elevada, o nível de participação e envolvimento desses pacientes aumenta.

Assim, constatamos que, apesar da incidência de câncer ser a mesma em ambos os sexos, a quantidade de homens que aceita participar dos grupos de apoio é ainda muito reduzida, se comparada com o número de mulheres que nos procuram e se mantêm participantes.

Constatamos que os poucos indivíduos do sexo masculino que têm aceitado esse suporte, apesar de demonstrarem uma resistência no início, permanecem no grupo e fazem mudanças internas muito significativas, até o momento da alta.

Entendemos que a nossa cultura paternalista e machista contribui um pouco para esse quadro, mas já conseguimos perceber uma pequena mudança em grupos mais reduzidos e íntimos.

Os homens demoram mais para admitir estarem doentes: Foi uma espinha de peixe que engoli e ficou presa na minha garganta”, portanto demonstram uma dificuldade em aceitar qualquer tipo de apoio que não seja o da medicina mais convencional.

Detectamos, ainda, que a sociedade mais ampla, em que esse paciente está inserido, também diferencia muito pouco. No nível de conceitos, preconceitos, expectativas, mitos e comportamentos utilizados para com esse doente, são na essência muito parecidos.

Ainda se percebe uma preocupação excessiva - nos grupos mais carentes socioeconomicamente - com o fato de que os “outros vão pensar” e isso vale para todos os sexos. Essa população ainda vive em sistema de clãs, quando a vida pessoal de cada um é de alguma forma conhecida e “vigiada” pelos outros, não podendo assim “extrapolar” as normas informalmente estabelecidas e legitimadas, pois se espera que todos as sigam. De uma maneira intensa, todos gostam e procuram saber de tudo o que acontece com os outros e, portanto ser portador dessa doença ainda causa uma estranheza, um impacto emocional e social maior nessa população: “Tenho uma doença ruim, o que pensarão de mim?”

Veremos à frente algumas expressões transcritas que mostram isso com muita nitidez.

O PACIENTE E O CONTEXTO SOCIAL, EM QUE ESTÁ INSERIDO

Não quero é dar trabalho para os outros.

Não quero é dar motivo para os outros saberem que vim para sarar, e não consegui.

Não volto pra casa enquanto não cortar este peito. Não quero, porque uma “dengueira” de lá disse que eu estava desenganada.

Eu estou com raiva da mulher que contou pros vizinhos, que eu estou com câncer.
As vizinhas não gostaram por eu ter voltado pra casa, sem ter tra tado (curado).
Minha hemorragia é porque me puseram para pegar peso demais.
As contrariedades que me fizeram é que me adoeceu.

Nesses itens vê-se claramente como o fato de desenvol verem uma patologia, como o câncer, faz mobilizar senti mentos como a vergonha e o incômodo de precisarem dos cuidados de terceiros, medo de julgamentos e a crença de que essa doença é um castigo por algo errado que cometeram.

Lembramos aqui que na sociedade rural os grupos têm uma grande prática de atitudes solidárias, constantemente se dispondo a ajudar e receber ajuda com naturalidade. Então, quando um sentimento como o de vergonha ou medo surge, leva-nos a inferir que a dificuldade maior não é a de vir a precisarem de ajuda, mas o ter que compartilhar algo, como ser portador de uma patologia de tal gravidade que, de certa forma, acredita ser um “castigo de Deus”, sugerindo assim aos outros que sua bondade, ou sua condição moral não está sendo correta ou idônea, o que agrada muito pouco a Deus e por isso merecedora de uma punição.

O PACIENTE E SUA RELAÇÃO COM DEUS

Na nossa prática, constatamos que, em última instância, eles não se percebem como autores nem implicados na origem da patologia. A doença é vista como algo vindo de fora, causada” por terceiros - inclusive conseguem identificá-los. É sentida como um teste divino para provarem a própria fé; ou como uma punição direta de Deus:

Vai indo, a gente se conforma com a doença que Deus deu.

A gente adoece porque é pecador.

Ficar doente é melhor porque apaga os pecados.

Abençoado caroço que vou jogar no rio Jordão, onde a gente joga todas as maldades.

Não quero saber qual é a minha doença, só Deus saber já basta.

Deus é quem sabe se vamos sarar, só saramos se Ele quiser.

Quando Deus quer, água é remédio. Só depende de Deus.

Deus é quem sabe se vamos curar, só saramos se Ele quiser.

Médico desengana, mas Deus não.

Se Deus quisesse que eu ficasse com esse enfeite (peito), Ele não deixaria que eu fosse operada.

Pior que o câncer é o filho drogado. O câncer tem jeito, o filho não. Prefiro que Deus me dê uma doença (paciente acabara de extirpar uma mama) do que ver meu filho sofrendo.

O câncer dá o privilégio de crescer e aprender. Deveria ter uma classe, como tem a dos homossexuais, só para nós (os familiares).

Isso não é um castigo, é um chamado de Deus para a gente fazer mudanças.

Nesses últimos anos já fiz oito cirurgias. Então se estou aqui é por que tenho jeito.

Eu tinha tanto medo e pavor de contar que tinha câncer, que prefe ria inventar que eu tinha tirado algo de alguém. Nunca gostei que tivessem pena de mim.

O PACIENTE E O SEU CÔNJUGE

Vamos nos deter nessa díade, pois foi nessa situação espe cífica que encontramos o maior índice de referências quei xosas, quando expressaram mágoas e ressentimentos contra seu/sua companheiro/a. Foi justamente nesse aspecto que apareceram as expressões mais fortes e intensas, inclusive com um cunho muito dolorido e agressivo. Isso nos leva a suspeitar que as maiores dores morais possam surgir dessa parceria relacionai.

Acusações explícitas e veladas são ditas pelos pacientes, le vando-nos a crer que nesse momento ele se permite e se sente muito à vontade para se queixar, apontar descontentamentos e denunciar negligências, abandono físico e emocional, até mesmo maus-tratos físicos dos quais foi alvo anteriormente.

Constatamos que, até o surgimento da doença, as queixas e os incômodos surgidos eram reconhecidos pelos ditos e não ditos dos conflitos do casal.

A hora que lembro dele (marido) dói tudo por dentro.

Durante o tempo que fiquei sem ele (marido), a doença que tenho sumiu. Agora que estamos nessa confusão outra vez (brigas entre o casal), voltou tudo.

Eu carrego uma cruz. Casei, tenho que empurrar a cruz.

É melhor acostumar com o defeito do marido, do que com a doença.

Pior é ficar doente e ele (marido) ainda assim não consertar.

O marido só é bom para levar a gente no médico quando adoecemos.

Agora ele (marido) não pode ir embora, comeu a carne, tem que roer os ossos.

Enquanto eu não tinha defeito, ele (marido) me queria. Agora ele não deve querer mais. Mas se fosse eu, não jogava os pés nele.

Depois que adoeci, ele (marido) ficou gostando mais de mim.

Eu estou revoltada com ele (marido), dá vontade de tirar os pedaços dele. Ele é que fez isso (câncer) comigo. Ele me pôs esta doença. Tenho vontade de esganar ele só com os dentes.

Pra mim faço de conta que ele (marido), que ele saiu do meu coração.

Apanhar é melhor que ser traída, pois a dor passa logo.

O PACIENTE E SEUS FAMILIARES

Nessa polaridade parece existir uma cobrança, às vezes, muito velada por parte dos pacientes em relação aos seus familiares. Muitos, de alguma forma, insistem para que seus parentes assumam ou aumentem a presença junto do paciente, com uma participação mais intensa. Isso não só no tratamento, como também nas dificuldades individuais que surgem decorrentes dessa patologia.

Percebemos que começam a se sentir com mais direitos, pois “agora estou doente e não é tudo que consigo fazer sozinha”, eles fazem reivindicações e exigências, nem sempre coerentes ou que correspondam à realidade.

É comum ouvirmos expressões que nos sugerem serem quase os “eleitos” dentro daquele grupo familiar para desenvolver essa doença. Nessa situação solicitam uma cumplicidade e uma participação mais intensa e constante daqueles que estão em torno.

Identificamos que eles gostariam que a família, pelo menos, demonstrasse um nível maior de “sofrimento”, para então acreditarem que realmente estão envolvidos e participando dessa situação:
Acho que eu não precisava pedir para ela ir comigo ao hospital, ela sabe que estou doente...
Agora eles têm que melhorar o jeito de conviver comigo.
Depois que eu adoeci meu filho não foi mais à minha casa.
Esse sentimento de raiva (filha estuprada pelo pai) ficou para o resto da vida, enquanto vida eu tiver.

Ótimo ter câncer, tive muito carinho e assistência.

A minha família é que se preocupa comigo, mas eu não estou nem aí pra esse negócio de câncer.

OS FAMILIARES E O PACIENTE

Vamos mudar o enfoque e aqui a família estará no pri meiro plano de nossa investigação.

É muito interessante essa relação que, na nossa prática, é percebida como uma polaridade na qual ocorrem grandes e intensos sofrimentos socioemocionais, pois tudo é visto de forma muito ampliada e deturpada pela família.

Vamos buscar na ciência ótica uma metáfora para uma melhor compreensão desse fenômeno. Quando qualquer ob jeto é projetado sobre uma tela - sob o foco de uma luz - ele será refletido muito aumentado e, se sua forma não estiver muito delimitada e definida, se apresentará de maneira bas tante deturpada. Na maioria das vezes ele fica até mesmo irreconhecível.

A percepção que a família tem de seu paciente é bastante semelhante a esse fenômeno ótico:
Antes era: “Penso, logo existo.” Hoje digo que é: “Sinto, logo existo.’
Às vezes penso porque não fui eu que tive o câncer, pois eu saberia lidar muito melhor com essa situação.

Morrer de câncer é melhor, pois é uma morte anunciada. É uma doença muito marcante.
A gente que vive com gente que já teve câncer, não tem mais sossego
Eu queria que Deus tirasse a doença dele e a colocasse em mim.

POR QUE ISSO OCORRE?

Quando algo acontece conosco, sabemos exatamente como senti-lo, dimensioná-lo e como administrar a situação. Mas quando o acontecimento é com outra pessoa, apenas conse guimos imaginar e de alguma maneira, criar fantasias sobre esse fato.

E quando essa outra pessoa é alguém com quem temos uma relação afetiva, isso amplia mais, potencializa-se e tudo que conseguimos perceber é geralmente de forma aumenta da e transfigurada.

Com isso, os sentimentos com relação a essa pessoa se intensificam. A angústia, a insegurança e o medo se insta lam nos familiares e, de certa forma, os distanciam dos fatos reais, dificultando um apoio mais efetivo.

É muito comum ouvir médicos comentarem que, quan do uma família os procura para uma avaliação, conseguem identificar, a distância, qual deles é o paciente. Geralmente é aquela pessoa, no meio do grupo, que apresenta um sem blante mais tranquilo e a menos preocupada dentre todos.

Durante quase todo o período da doença, os familiares se cobram, se desdobram em atenções - muitas vezes des necessárias - e se culpam por não terem “enxergado” que o familiar estava adoecendo...

Logo após a confirmação do diagnóstico, a grande maioria retira alguns papéis sociais do paciente, toma-os para si, sobrecarregando-se, tentando poupá-lo e protegê-lo com exagero. Muitas vezes modifica seu estilo pessoal de vida e passa a construir, para si, uma situação bastante artificial para viver. Tudo isso em decorrência da visão distorcida do que está acontecendo com o doente.

Percebemos nitidamente que os familiares entram em so frimento emocional maior que o próprio paciente. Notamos que eles vivem de forma mais intensa, as cinco fases identi ficadas pela psiquiatra Elizabeth Kübler-Ross.

A grande maioria só consegue se posicionar adequada mente, equacionando-se à nova realidade, quando começa a sentir os primeiros sintomas de uma exaustão física e psí quica. Isso começa a comprometer os cuidados que precisa dispensar ao doente.

De modo geral, questionam por que isto aconteceu com aquele familiar e muitos mostram desejo em trocar de posi ção, pois se sentem mais merecedores de adoecer, já que, de alguma forma, saberíam enfrentar melhor a situação.

A comunicação é um fator que de maneira ostensiva fica modificada. A família tenta passar ao paciente uma imagem de que tudo está muito bem, de que tudo está normal e que a situação não é tão grave assim como aparenta. Eles evitam falar sobre o assunto, inclusive se negando a fazer pergun tas que, em outras situações, seriam bastante pertinentes. É o mecanismo de negação, utilizado com intensidade pelos familiares e os que estão próximos.

Com isso, o paciente se sente negligenciado e se queixam de que o nível de envolvimento e interesse do familiar não é verdadeiro.

Daí a importância de incluir a família, concomitantemente, nos atendimentos e acompanhamentos terapêuticos. £ preciso lembrar que o cuidador é o maior e melhor suporte ao paciente e se isso não estiver presente e com uma qualidade muito boa, o essencial faltará.

Gostaria de destacar algumas informações que considero relevantes, mostrando o alto impacto que essa doença causa na sociedade, em geral. Foi realizada uma pesquisa que apontou que o maior contingente de voluntários, na área da saúde em nosso país, está concentrado na clínica oncológica. O maior número de pessoas que se dispõem a ajudar alguém doente opta pelos pacientes que têm um diagnóstico positivo para as neoplasias.

Nesse aspecto, em que os tratamentos apresentam alto custo e envolvem uma profunda especialização da equipe de saúde, além de medicamentos e apoio logístico necessário que consomem uma parcela muito alta das verbas disponíveis, um suporte da sociedade é muito bem-vindo para custear esses gastos. No entanto, verificamos que esses voluntários desconhecem esses dados e quando se disponibilizam em ajudar, e porque a doença realmente mobiliza emocionalmente um número muito expressivo de pessoas na sociedade.

Identificamos uma lista enorme de organizações não governamentais, associações e núcleos específicos - todos sem fins lucrativos - objetivando essencialmente fornecer apoio, em vários níveis, ao portador de câncer.

POR QUE ISSO ACONTECE?

A sociedade ainda tem muitos mitos, preconceitos e cren ças atávicas, que vêm persistindo através dos tempos, como:

> O câncer é uma doença que fatalmente levará o indi víduo à morte.

> Os tratamentos são tão dolorosos que, se o paciente sobreviver à doença, criará uma segunda patologia, em decorrência desse tratamento agressivo e das sequelas dei xadas (mesmo assim, estimulam que as pessoas se subme tam aos mesmos tratamentos).

> A doença pode apenas apresentar melhoras, mas não é curável.

> As dores físicas decorrentes da doença são insuportá veis e não são tratáveis.

> De modo geral, acomete pessoas reconhecidas pelo gru po familiar e social como “boazinhas” e que “nunca se queixam ou amolam ninguém”, mesmo quando estão em sofrimento pessoal.

E inúmeras outras que poderiamos listar aqui, mostran do os conceitos equivocados e os preconceitos que ainda pre valecem na nossa sociedade.

Queremos citar também que essa patologia é uma das poucas, dentre todas aquelas que apresentam uma gravida de maior, como tuberculose, aids, hepatite e que não têm o poder de contaminação como as acima citadas.

Constatamos que é uma doença que, de uma forma bem expressiva, agrega pessoas e mobiliza grupos que se solidarizam para ajudar. Quando se toma conhecimento de um parente ou amigo com esse diagnóstico, a grande maioria em torno se mobiliza para acolher e oferecer ajuda. Em outras doenças, como as acima citadas, assistimos a um processo quase inverso, quando há uma segregação dos grupos. Claro que os preconceitos em relação à contaminação dificultam a agregação, mas mesmo assim a mobilização familiar e social existente não é tão expressiva, quanto está presente nos pacientes em processo oncológico.

Nessa doença, pelo menos de forma explícita, não percebemos o paciente ser julgado ou discriminado pelo seu comportamento ou estilo de vida, ou mesmo pela sua conduta moral, como acontece em outras patologias. De um modo geral, o que ocorre é que todos ficam muito chocados, surpresos e sensibilizados ao conhecer o paciente.

Percebemos o que denominaremos um “silencio respeitoso”, quando há uma vontade muito grande de querer saber como “tudo começou”, mas ao mesmo tempo um receio e respeito ao questionar como a doença está se desenvolvendo.

Nessa situação, acreditamos estar implícito um desejo intenso de conhecer melhor os motivos que levaram à manifestação da doença, talvez como forma de precaução pessoal e, também, como elemento para se calcular o grau de sofrimento que esse doente vivência. Mas presenciamos, no máximo, uma investigação cautelosa e cheia de escrúpulos, quando se aproximam dos familiares para indagações, mas dificilmente do próprio paciente. Vemos pacientes e seus familiares no ‘mundo do faz de conta em que todos fingem que não estão sofrendo” para, de certa forma, “desencorajar” o sofrimento do outro. Cada um cria uma “carapaça” de fortaleza intentando fortalecer o outro. Esse “jogo” é prejudicial e ao final todos saem perdendo.

Acreditamos que é a única doença - pois não conseguimos identificar outra - que é assintomática por um período tão longo. Quando os primeiros sintomas se manifestam clinicamente, afirmam os especialistas, pelo menos dois anos antes ela já havia iniciado seu desenvolvimento.

Como vimos, a presença da família, exercendo um papel de suporte, é primordial no tratamento e acompanhamento desses pacientes. Por isso vamos abrir um hiato para melhor entendermos o que é esse fenômeno denominada família.

Existem dois tipos de família. A primeira é aquela formada por laços terrenos, na qual a ligação é frágil e os laços se diluem facilmente. A segunda é aquela formada pelos laços espirituais, os quais são fortes e resistem ao tempo no corpo físico e transcendem várias encarnações.

Finalmente podemos afirmar que a presença dessa doença, em qualquer pessoa, afeta a família em sua totalidade. Alguns são mais afetados e, os cuidadores principais, aqueles que se envolvem de forma mais intensa, correm também o risco de um adoecimento.

Presenciamos alguns fazendo o luto em vida, talvez numa tentativa de amortecer o sofrimento que, na percepção deles, fatalmente vivenciarão na época do desencarne do paciente.

Assim, vemos que nesse contexto muitos familiares podem se tornar reféns dessa situação, não conseguindo mais viver sua própria vida.

Importante deixar registrado: temos presenciado um número significativo de cuidadores - aí está incluída também a equipe de saúde - que, para não entrar em sofrimento emocional, ao assistir a este padecimento, passam a tratá-lo como “sobrevivente” e não como uma pessoa em processo patológico.

Assim, após perquirirmos as diversas falas, comportamen tos e posturas dos familiares e cuidadores, podemos quase concluir que a experiência na patologia oncológica possibilita um redesenho, um redimensionamento e uma nova organi zação nas inter-relações familiares e sociais. Daí a importân cia fundamental de incluir também esses componentes no acompanhamento social, emocional e espiritual.

PARTE 5 - TRANSCEDENDO A MORTE

CAPÍTULO 1 - ASPECTOS PSICOLÓGICOS DA MORTE

LIGIA POMPEU - PSICÓLOGA

DIAGNÓSTICO DE DOENÇA GRAVE DIANTE DA MORTE

Hoje em dia, diante dos avanços da medicina, das técnicas preventivas e das campanhas de esclarecimento público, já não se pode, como há algumas décadas se fazia, correlacionar os cânceres com a morte. Inúmeras ações e procedimentos médicos vêm resgatando um número cada vez maior de pessoas.

Entretanto, muitos ainda não conseguem fazer a remissão. Como já dissemos anteriormente, sob a nossa visão a cura física é desejável, mas quando não é possível ao paciente atingir esse objetivo, acreditamos que a nossa tarefa é caminhar, com ele, na busca de melhor qualidade de vida e do significado da doença em sua vida, e na de sua família.

Quando a medicina afirma que um doente está “fora de possibilidades terapêuticas”, devemos entender que os recursos clínicos já não estão disponíveis. Entretanto, sabemos que existem terapêuticas valiosíssimas. Referimo-nos, principalmente, àquelas que lidam com os aspectos psicológicos e espirituais do ser.

É um momento de introspecção, reflexão e compreensão de sua própria realidade. Observamos o crescimento e a pacificação interior do paciente, quando este se propõe à busca, com a ajuda de um terapeuta especializado. É como se a luz interior começasse a brilhar e a guiar o indivíduo em sua caminhada.

É significativa a fala de um de nossos pacientes, há poucos dias, no grupo:

O câncer é uma doença bendita, porque ela nos dá tempo de reformular muitas coisas e refazer outras em nossa vida.
Os doentes que se permitem seguir essa trilha, com certeza, estão percorrendo o caminho da cura real.

E temos tido comprovação disso, quando alguns deles podem vir, depois da “morte”, à reunião mediúnica, informar-nos de que, embora continuem em tratamento, e com certeza permanecerão ainda por um tempo dilatado, já se sentem bem melhor, dando-nos o testemunho de que valeu a pena terem passado por vivências tão dolorosas.

Somos gratos a Deus pelo trabalho que realizamos, e a todos aqueles que nos concederam o privilégio de conviver e aprender com seu exemplo de vida, coragem e determinação. A reflexão sobre a morte quase sempre começa diante do diagnóstico de uma doença grave, de prognóstico pouco favorável.

Algumas doenças, especialmente o câncer e a aids, quando diagnosticadas, trazem consigo o significado da possibilidade real e concreta da proximidade da morte. E, embora saibamos que ela é a única e grande certeza da nossa vida, cada um de nós, individualmente, reflete muito pouco sobre essa questão, acreditando que essa possibilidade é muito remota.

Culturalmente, temos uma visão aterrorizada da morte e, por esse motivo, procuramos cada vez mais nos distanciar dela, com estratégias para que essa ocorrência seja vivida de uma forma menos pessoal e evidente.

Quase nunca nos é possível participar de perto da morte de um ente querido, pois, nos momentos mais críticos, a pessoa encontra-se hospitalizada, provavelmente no cti, ou com visitas proibidas, sob cuidados médicos e de enfermagem. E, quando ocorre o óbito, o corpo é transferido para uma sala totalmente impessoal, onde a intimidade se torna muito restrita.

Toda essa postura, digamos, “asséptica” impossibilita-nos de participar da vivência da morte.

Do ponto de vista psicológico, tudo aquilo que é velado, encoberto, torna-se “fantasmagórico”. São acionados mecanismos da nossa imaginação. Por exemplo, se temos medo do escuro, ao adentrarmos um ambiente pouco iluminado, imaginamos figuras ameaçadoras ao nosso redor, podendo chegar a criar uma situação de pânico.

No caso da morte, quanto mais nos distanciamos de sua vivência, maior se torna o nosso medo.

Entretanto, se tivermos a oportunidade de ter conhecimento de vivências desse tipo, poderemos ser capazes de entender que esse é um momento sagrado.

Abrindo aqui um parêntese, gostaria de relatar minha primeira e grande oportunidade de me defrontar com a morte, quando do desencarne de meu pai.

Pouco antes de seu desenlace, no mesmo dia, eu adormeci. Não me lembro se sonhei ou não, mas recordo-me que quando acordei, tinha certeza de que ele estava prestes a morrer. Eu me sentia perfeitamente calma. Aprontei-me e fui para o hospital. Havia dias que ele apresentava melhora significativa do quadro e, por esse motivo, havia sido transferido para o quarto. Ao anoitecer, quando todos se retiraram, eu perma-neci ao seu lado. Ele apenas procurou a minha mão e iniciou o processo de morte que foi, para mim, um quadro bastante tranquilo. Entretanto, quando minha mãe, que também estava presente, percebeu o que se passava, correu para chamar a enfermagem e o corpo médico, que inutilmente, diga-se de passagem, passou rapidamente a executar as manobras de ressuscitação.

Ter recebido a oportunidade de estar ali, presenciando a sua morte, foi uma bênção para mim, pois pude compreender o quanto pode ser, realmente, abençoado o contato direto com a morte.

Voltando ao nosso tema, dizíamos que, por todos esses motivos, um diagnóstico que parece ao paciente tão sombrio, faz com que esse momento seja o de um verdadeiro terremoto em sua vida.

Elizabeth Kübler-Ross, em seu livro Sobre a morte e o morrer descreve as várias fases pelas quais o paciente e os familiares passam, diante da constatação da possibilidade de morte próxima: negação e isolamento, raiva, barganha, depressão e, finalmente, aceitação.

Transformação íntima-, na experiência com grupos de pacientes que já desencarnaram, pudemos perceber que alguns deles conseguem ultrapassar essa fase de aceitação, descrita por Kübler-Ross, no sentido de uma transformação pessoal, uma compreensão do verdadeiro sentido da vida. O paciente se envolve ativamente e desencadeia, em seu processo de desencarne, um trabalho íntimo de mudança.

Talvez pelo fato da certeza da continuação da vida, conseguimos perceber que pode haver uma pacificação real.

A abertura do paciente pode, além do mais, ser um ponto de envolvimento e troca de intimidade com os familiares, num trabalho de construção, envolvente e dignificante.

SIGNIFICADO DA DOENÇA

É importante que o tratamento comece a buscar, através das diversas técnicas psicológicas, o significado real da doença e o sentido profundo que aquele momento deve representar para o paciente. Sabemos, através dos ensinamentos do espiritismo, que a centelha divina do ser dirige com sabedoria a vida e a evolução de cada um de nós. A doença grave é, dentro desse entendimento, uma situação para a qual o indivíduo não só deve estar preparado, do ponto de vista espiritual, como também precisa entender o seu significado profundo.

Constatamos que a reflexão emerge quando a angústia começa a ser superada. A pergunta: “Por que eu?” começa a ser mudada para: “O que eu preciso fazer, no sentido de melhorar a minha vida?”

O psicólogo deve estar atento para iniciar o trabalho com o paciente, perscrutando as potencialidades de transformação íntima.

Estamos diante da oportunidade de caminhar com o pa ciente, no entendimento mais profundo do significado de toda a sua vida, bem como da possibilidade de ressignificar muitos aspectos de sua existência.

Em muitos casos, essa compreensão torna-se significativ . na vida pessoal do doente, ao ponto de começar a perceber que a cura física é desejável, mas não imprescindível. É possí vel que já estejam prontos, psicólogo e paciente, para o início do trabalho com a morte.

Quando há a compreensão de que a verdadeira cura deve ser buscada no campo espiritual e no das reformas ín timas necessárias, acontece, também, a crescente possibili dade de encarar a morte com maior serenidade, perante o entendimento da continuidade da vida. Torna-se evidente que esse é apenas um momento de transição.

Este significado é intensamente vivenciado e sentido.

Muitos de nós, principalmente os espíritas, têm conhecimento dos fatos no campo intelectual.

Poderiamos dizer que nesse nível temos ciência, enquanto que, no anterior, conseguimos alcançar algo de sabedoria.

Sabemos que os pacientes que conseguiram trabalhar a si mesmos, dentro desse entendimento, não só se pacificaram, mas conseguiram também, caminhar com familiares tendo uma percepção mais profunda da vida e da morte. O grande ganho de uma doença dolorosa e prolongada, como o câncer, é a possibilidade de ir pouco a pouco se desligando da vida física.

Em muitos casos, quando o corpo físico já está em um certo grau de desvitalização, o paciente flutua entre a vida física e a espiritual, com grande fluidez.

É uma possibilidade de preparo, a qual não acontece nos casos de morte súbita.

Em nossa ignorância, sempre dizemos que preferimos morrer de uma síncope, a arrastarmo-nos por longo período com uma doença incurável. Entretanto, se consideramos que a vida verdadeira é a vida espiritual, e que as sensações no plano astral são mais fortemente sentidos, os sofrimentos pelos quais passamos ao estarmos encarnados serão vividos com menor intensidade. Além disso, durante a doença física, há a possibilidade de estarmos drenando e expurgando grande parte das cargas deletérias que acumulamos durante nossas existências.

Entendemos, juntamente com vários autores, que a “doença pode ser um caminho” de transformação íntima, para uma possibilidade de vida melhor, seja encarnado, seja quando desencarnamos.

É um dos recursos utilizados no sentido do resgate e do prosseguimento de nossa caminhada evolutiva.

PERDA

Uma de nossas grandes dificuldades, em relação à morte, é lidar com a perda de uma pessoa querida, com a qual convivemos intimamente, por grande parte de nossa atual encarnação.

Mesmo aqueles que têm conhecimento espírita e convicção da continuidade da vida além-túmulo, vivem essa dificuldade, uma vez que ainda se atêm ao nível da concretude. Sentimos necessidade, muito intensa, de contato físico, da presença concreta das pessoas que amamos. A falta desse contato nos leva às sensações de perda, ao grande sentimento de falta, de vazio.

O vazio que sentimos pode, muitas vezes, ser consequência do sentimento do que podíamos ter feito ou deixado de fazer, ou de expressar o que sentimos por aqueles que amamos.

A sensação de ter deixado passar a oportunidade, que agora se apresenta distante, é, para alguns, impossível de ser refeita. Oportunidades que foram negligenciadas, omissões e atitudes desnecessárias costumam pesar e trazer sentimentos de culpa. Dentro da nossa compreensão, na continuidade da vida, essas situações refletem-se tanto nos encarnados, como nos recém-desencarnados.

O PROCESSO DA DOENÇA “TERMINAL”

As experiências pelas quais temos passado em nossa prática remetem-nos ao trabalho pioneiro da autora Elizabeth

Kübler-Ross, de cujos ensinamentos somos seguidores. Temos procurado abordar o paciente com o mesmo respeito, aprendendo a coragem de enfrentar momentos difíceis.

Como ela, entendemos que o paciente precisa, apenas, de apoio para externar seus sentimentos e proximidade de alguém que o respeite, ajudando-o a realizar a tarefa de des-ligar-se da vida material, para preparar-se, com dignidade, em direção à vida espiritual.

Como já sabemos, a doença grave, desde o diagnóstico, pode se transformar em um “ponto de mutação”, pelo fato de que o paciente pode compreender as necessidades de empreender mudanças em suas posturas física, mental, social e espiritual.

ABORDAGEM TERAPÊUTICA

O diagnóstico de uma doença grave, como o câncer, geralmente funciona como um verdadeiro “terremoto” íntimo e familiar.

Como já foi dito anteriormente, no primeiro momento, medo, dor, frustração, desespero e revolta são as reações mais comuns, por terem, ainda em nossos dias, eliciados pela antecipação de grandes sofrimentos e, agora, com a percepção da proximidade da morte. Nenhum de nós se encontra preparado para enfrentar essas situações dolorosas. Em muitos casos, passados os primeiros momentos de angústia, o indivíduo pode reestruturar-se, buscando a compreensão do significado da dor em sua vida. Muitos são os nossos pacientes que declaram que o câncer se transformou, em sua vida, num chamado ao reajustamento e num redirecionamento mais positivo para a sua existência: um grande aprendizado! Já vimos, também, em capítulo anterior,27 que, quando direcionado pelo trabalho do autoconhecimento, podemos ir desvelando os propósitos da alma, em relação aos interesses evolutivos do ser.27. Etiologia do câncer nas vivências espirituais, cap. 5.

Notamos, através da experiência no contato com os pacientes, que, mesmo havendo uma explicitação, por parte do médico sobre a gravidade do quadro, é necessária uma prontidão para a assimilação do que está sendo dito. Do contrário, a negação pode levar a uma não compreensão do que lhe está sendo explicado.

Uma de nossas pacientes comentou, em terapia, um fato que lhe havia acontecido: em uma de suas primeiras consultas, o médico explicou-lhe, claramente, que havia dois nódulos no fígado. Esse fato se deu na presença de uma de suas filhas.

Após um tempo, quase um ano após, retornou e, ao ouvir o comentário sobre esses nódulos, afirmou que o médico nada lhe havia dito sobre essa situação. A própria filha esclareceu que, logo no início, o diagnóstico já havia sido feito. O comentário da paciente foi: “Somente agora, depois de um ano de terapia, é que estou pronta para enfrentar essa realidade.”

À medida que a doença evolui e que, apesar de todos os tratamentos e procedimentos, a cura física não acontece, o próprio paciente começa a compreender que está se encaminhando para a morte.

Hoje em dia, a postura geral dos médicos é comunicar ao paciente e familiares a sua real condição. Entretanto, algum tempo atrás, a postura era diferente e, ainda assim, a compreensão acontecia. Era lida nas entrelinhas. Além disso, com a doença prolongada, o próprio doente passa a entender dos resultados dos exames, criando possibilidade de se situar diante do próprio estado de saúde.

A princípio, a morte é trazida à terapia de forma velada e subentendida, fruto do tabu de falarmos dela. Na grande maioria das vezes, esse diálogo inicia-se com uma abordagem simbólica, através de sonhos, histórias, jogos ou da produção de imagens, através do desenho, da mímica e outros. Cabe ao terapeuta a habilidade de interpretar o significado dessa simbologia, auxiliando-o na tradução das mensagens que o Espírito envia, através do inconsciente. Em nossa experiência compreendemos que não é necessário fazer uma interpretação direta; apenas auxiliá-lo na tradução do significado dos conteúdos simbólicos. Essa postura é importante, pois obedece ao mesmo conceito de prontidão, anteriormente aludido. Se nos mostrarmos precipitados, o paciente, com certeza, entrará em negação, ou, o que é pior, poderá assustar-se, tornando-se bastante resistente, exigindo assim uma reconstrução do processo terapêutico.

Fazemos aqui uma ressalva: nem sempre que se sonha com a morte significa que o paciente esteja recebendo mensagens significativas de morte próxima. O aparecimento direto de situações de morte, em sonhos, na grande maioria das vezes, pode estar simbolizando conteúdos, os mais diversos, ligados, principalmente, às questões de transformações íntimas mais profundas.

Em um segundo momento, a morte ainda não é tratada explicitamente, mas aparece como uma possibilidade remota, embora não mais de forma simbólica ou inconsciente.

O paciente começa, por assim dizer, a “testar” o profissional. Inconscientemente, quer saber até que ponto aquele que o atende encontra-se com disponibilidade íntima para falar da morte. Com cuidado, o terapeuta deve auxiliar o paciente, falando da compreensão da morte, como uma possibilidade real.

Em algum momento desse diálogo, surge a pergunta inevitável: “Eu vou morrer?” O terapeuta deve estar pronto para a afirmativa, com assertividade. Muitas vezes não é necessário responder diretamente. Cabe, ainda, uma investigação quanto à preparação íntima do paciente. Uma afirmativa precipitada ou uma negação extemporânea podem se tornar inadequadas, em razão do momento delicado, no qual o paciente precisa estar em uma relação de confiança e de se sentir amparado.

Imagens através das técnicas da arteterapia, ou a utilização das técnicas de hipnoterapia permitem-nos uma investigação mais acurada em relação à preparação e às condições íntimas para o trabalho mais direto com essa questão.

Pouco a pouco a morte vai sendo tratada com mais naturalidade.

O paciente sente que há consentimento por parte do terapeuta para explicitar os seus sentimentos, relatar suas angústias, discutir os sentimentos dos familiares. Fala de sua esperança e do entendimento da continuidade da vida. Muitas vezes retorna à negação. É como se precisasse de uma parada, um tempo... Algumas vezes se recolhe, fecha-se. Esse é um momento que o terapeuta precisa aprender a respeitar.

Nem sempre há consentimento em compartilhar, e até mesmo o terapeuta é visto como ameaçador. É preciso recolher-se. Algo íntimo se processa, como na metáfora:

Em algum lugar do oceano, vivia uma pequena ostra.

Levava sua vida simples, mergulhando, boiando, subindo à tona... Em uma noite, contemplando a lua cheia, admirou-se de sua beleza e suavidade. Encantou-se.

Voltando para o fundo do mar, sempre se lembrava daquela esfera prateada, tão linda!

Às vezes sonhava vê-la ao seu lado e quando acordava, entristecia-se...

Tão longe! Tão distante!

O tempo passou e a ostra acabou por se esquecer da lua.

Um dia, sentindo algo estranho a incomodar-lhe, fechou-se, e, durante muito tempo não mais se abriu.

Sentia-se mal, sentia que o mar a levava de um lado para outro,

mas nem queria se perturbar com o que se passava exteriormente. Havia algo dentro dela, deixando-a até sem muita energia para viver. .. Ela não conseguia compreender.

Um dia ela havia sido tão alegre e agora...

Nem sabia o que acontecia consigo mesma.

Só pensava que devia estar sempre fechada, porque, assim, estaria protegida.

Às vezes ouvia uma voz suave a lhe pedir que se abrisse, às vezes sentia uma luz suave a lhe banhar.

Somente sentia que agora já não boiava mais.

Estava presa em algum lugar.

E, ouvia a voz lhe dizendo que podia se abrir.

Mas, como - pensava ela - eu não posso!

Lá fora é tudo ameaçador e eu tenho muito medo!

Mas o convite a abrir-se persistia, e um dia resolveu atender àquele chamado...

Bem devagarzinho, começou a entreabrir-se, a experimentar a possibilidade.

E logo, sentiu-se envolvida por uma suave luz azulada. Dia a dia. permitia-se abrir um pouquinho mais. A claridade que a envolvia, cada vez mais a encorajava. Pouco a pouco, foi percebendo que a alegria voltava à sua vida.

E, um dia, quando permitiu se abrir por inteiro, descobriu, maravilhada, que dentro de si mesma, resplandecia uma pequenina lua, tão bela e tão brilhante quanto aquela com a qual um dia sonhara.

Passou, então, a se sentir alguém muito especial, porque podia trazer em si, a lua, linda, suave e brilhante.
Entretanto, é imprescindível a preparação do próprio terapeuta: precisamos trabalhar o desapego, as questões da perda, e, principalmente, a fé.

É necessário que compreendamos, como terapeutas, que o processo pelo qual passa o paciente é idêntico para nós. As leis de sintonia que regem o universo permitem-nos a caminhada, pois somos, igualmente, “doentes solicitando alta” à vida, tal como nos ensina Emmanuel, no livro Pensamento e vida. Tanto é verdade essa afirmativa que, em algumas ocasiões, percebemos e sentimos dores e aflições repercutindo em nossa própria organização física e psíquica.

Não só por informações mediúnicas, como também por sentimentos e sensações pessoais, percebemos que pertencemos todos a um mesmo grupo.

Cada vez que trabalhamos com a morte, em relação aos pacientes, aprendemos um pouco mais a trabalhar em nós os sentimentos de desapego, de permitir que o outro cumpra sua jornada, em direção à suas próprias propostas evolutivas.

Os laços materiais precisam ser desatados, mas os laços espirituais se fortalecem...

Reforçamos a amizade e a cooperação entre os dois lados da vida.

Nossos companheiros desencarnados retornam, em nossas reuniões mediúnicas, levam-nos a conhecer a colônia da qual viemos e para a qual retornaremos.

Uma de nossas amiguinhas que retornou, há pouco tempo, costuma dizer: “Não tenham medo, pois morrer não dói nada... O que dói é, antes, a preocupação..

CONCLUSÃO

Concluímos que o trabalho com os pacientes, com os quais convivemos diariamente, é um grande aprendizado. Somos devedores desses companheiros, verdadeiros professores no entendimento da vida.

Acreditamos que nunca conseguiremos expressar adequadamente a nossa gratidão pela oportunidade de caminharmos junto, desmistificando a morte, traduzindo-a como uma possibilidade de continuação da vida.

Aprendemos, acima de tudo, a valorizar o momento presente, no qual podemos conviver e confraternizar com entes queridos. Aprendemos a lição de Jesus:
Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã; o dia de amanhã terá suas próprias preocupações. A cada dia basta o seu cuidado. (Mateus, 6:34)

Entendemos que a providência divina vela por nós em todos os instantes, e que o sofrimento está na ansiedade de querermos antecipar o que consideramos “agonia”. Quando aprendemos a lidar com esse momento, ao invés de sofrimen to e angústia, os sentimentos vividos são de paz e reflexão.

O paciente vai, aos poucos, desligando-se do mundo ma terial. Começa a tomar conhecimento e a experimentar a vida espiritual, observando e conversando com os desen carnados. Prepara-se para o desligamento, da forma mais natural possível.

Quando os familiares e amigos estão preparados, o mo mento da morte torna-se sagrado, de respeito e serenidade.

Quando não há essa preparação, a agitação do ambiente corre por conta dos encarnados e não por parte daquele que está em processo de desencarne.

Sabemos, pelas informações de André Luiz, em várias passagens, o quanto a espiritualidade se esmera em provi denciar tranquilidade no momento no qual se desligam os laços fluídicos do duplo etérico e do perispírito, quando há merecimento e preparo daquele que está desencarnando. Em muitos casos, essas operações são feitas à noite, ou aprovei tando-se de períodos de descanso dos entes próximos, para que não haja perturbação.

Não estamos afirmando que os parentes não podem sen tir a dor do afastamento, nem que não podem externar esse sentimento através do choro.

Não é o sentimento que perturba e, sim, o desespero e a falta de fé no amparo divino, a se expressarem de forma exagerada.

Lembramos que o choro é o calmante natural, permitindo à alma asserenar-se diante da dor profunda, do que 'entimos como perda de uma pessoa querida e próxima. Só acreditamos em sua presença, quando podemos constatá-la através dos cinco sentidos físicos. Na realidade, deparamo--nos, aqui, com a imaturidade evolutiva, a qual não nos permite conviver, de forma harmoniosa, com o que chamamos de morte. Não percebemos que se trata de fenômeno de continuação da vida, a qual se processa naturalmente.

Somos como crianças, as quais choram, desesperadas, acreditando-se abandonadas em uma casa, quando, na verdade, os pais se encontram no quarto, ao lado, como nos adverte o autor espiritual Carlos, no livro O homem sadio - uma nova visão.

Na medida em que evoluirmos, esses sentimentos perante a morte irão, paulatinamente, desaparecer.

CAPÍTULO 2 - ABORDAGEM LUDOTERAPÊUTICA

SONIA SIMÕES DE ALMEIDA - PSICÓLOGA

A NOS IDENTIFICARMOS COM A NOSSA MENTE, CRIAmos uma tela opaca, com rótulos, imagens, palavras, julgamentos e definições que bloqueiam nossas relações verdadeiras. Essa tela se situa entre nós e o nosso eu interior, entre nós e Deus. É nessa tela de pensamentos que se cria uma ilusão de separação, uma ilusão de que existe nós e um outro totalmente à parte. Esquecemos o fato essencial de que, debaixo das aparências físicas, formamos uma unidade com tudo aquilo que é.

Por esquecermos disso é que não sentimos mais essa unidade como uma realidade evidente por si só. Às vezes podemos até acreditar que isso seja uma verdade, mas não mais a reconhecemos como tal. Acreditar pode até trazer conforto. O pensar se tornou uma doença. A doença acontece quando há desequilíbrio, assim como em nosso organismo as células se desorganizam e multiplicam desordenadamente, perdendo sua ligação com o resto do corpo, também perdemos a nossa ligação com o Pai eterno.

Então surgem o câncer físico e o da alma. Qualquer doença considerada incurável em nossa sociedade leva o indivíduo a se pôr em contato, repentina e frontalmente, com a realidade da morte. Paradoxalmente, o contato repentino e frontal com a possibilidade iminente da morte nos leva a pensar na vida, vida e morte, luz e sombra.

E quando alguém a quem amamos é uma criança, e recebe um diagnóstico de câncer, é como uma bomba sobre nossa cabeça. O pesar e o abalo emocionais sofridos não só pela família, mas por todos os que a cercam, é intenso e profundo. Quanto mais próximo, mais difícil será lidar com tal realidade.

Sabendo que a função dos pais e dos familiares próximos é de cuidar, dar carinho e proteger este ser tão desprotegido e frágil, e, ao vê-lo nesse lugar de doente, esses se redobram em cuidados, exagerando e se afastando dos objetivos necessários ao tratamento do paciente, principalmente porque veem despertar a culpa de não terem cuidado adequadamente dessa criança, por se sentiram em falta, por terem que sair para trabalhar ou, ainda, por não terem alcançado melhor condição econômica para oferecer o que acreditavam ter sido o ideal.

A criança, então, por si só revive para os pais o desamparo de sua própria infância, gerando depressão nela por sentir-se diante de tamanha confusão emocional deles, que é passada a esse ser em miniatura. Passam exatamente o contrário do que estes pais cuidadosos desejariam passar...

É necessário, assim, uma maior organização emocional desses pais, que devem ser orientados pelos médicos e psicólogos ligados diretamente a essa criança. Se esses pais e familiares forem bem orientados, a criança se sentirá mais confiante e disponível para um melhor tratamento, colaborando para o seu bem-estar.

Sabemos que os tratamentos (cirurgias, hospitalização e as diversas manipulações de seu corpo), geralmente são sentidas pela criança como uma agressão. Estando ela sob um teto familiar mais seguro e equilibrado, ela se sentirá mais confiante e menos agredida, pois esses sentimentos podem se tornar âncora de instalação de um processo neurótico. o ponto de vista psicológico, a doença física pode provocar na criança:

> Regressão: como mecanismo de defesa, traduzido pela sua necessidade de aconchego e amparo. Esses pais devem ser terapeuticamente trabalhados no sentido de diferenciarem o carinho e aconchego da atitude de superproteção.

Essa postura de superproteção fala-nos muito da percepção da incapacidade e da fragilização do outro. Sendo criança esse ser sensível, a percepção dessa postura por parte dos adultos que a rodeiam vem aumentar a sua sensação de menos valia, diante da situação que ora vive

> Culpa: a doença passa a ser vista como punição divin; por suas atitudes (desobediência, brigas e outros comportamentos considerados inadequados socialmente), e como castigo de Deus, normalmente reforçados pela fala dos adultos: “Faltas são punidas por Deus.”

> Angústia: a angústia infantil é caracterizada pelo estado de tensão ou ansiedade que aparece diante das cobranças e depósitos feitos pelos adultos despreparados. Dá um aperto no peito, como se estivesse num beco sem saída, num lugar apertado, onde não adianta pensar em ir para lugar algum, pois não veremos possibilidade de saída, ficando simplesmente apertados. O angustiado sofre sem saber por que sofre, dominado por uma sensação interna de opressão e fechamento, que acompanha de ordinário o temor de um sofrimento ou de males graves e iminentes. contra os quais se sente impotente para se defender. Apesar da totalidade de receio, de temor, de medo de alguma coisa, quando se trata da emoção de medo, tem-se an gústia de “nada”.

Nesse aspecto, observam-se termos de perseguição e abandono em seus testes de personalidade. A doença remete a criança a dois pares:

> Falta Culpa

> Agressão -> Punição

Se há acometimento do esquema corporal, por cirurgias há uma perda mal resolvida no âmbito do físico, mesmo que interno, o que vai levar a criança expressá-la em técni cas projetivas gráficas: a parte lesada aparece em forma de desenhos, histórias, queixas etc.

Tal fato gera, a seguir, um processo de submissão ou inibi ção que leva a uma vivência depressiva ligada ao sentimento de culpa. A inibição física pode levar à passividade e aceita ção da dependência psíquica e inibição intelectual, portanto à incapacidade consciente de compreender todo o processo do adoecer. Se consciente essa situação, através de um processo rsicoterapêutico que venha a clarear para o indivíduo a sua -hance de escolha, permite-se a vida, mesmo que curta. É o procurar a dimensão simbólica da doença, torná-la conscien :e seria pois o primeiro passo a ser dado em busca do saudável dentro do possível.

É, pois, necessário para a criança e para os profissio r.ais que a acompanham procurar a dimensão simbólica da roença, torná-la consciente para, então, se iniciar o seu tra amento de forma saudável e com a sua ajuda.

Lembramos ainda que então se segue uma fase de swWi-mação e colaboração dela, que é mecanismo de defesa positivo, devendo ter-se o cuidado de preservar a autonomia dos indivíduos doentes, ajudando a manter a integridade de sua individualidade.

Na criança, também deve ser respeitada essa questão, ate mesmo na tomada de decisões, não tirando dela a oportunidade de participar das resoluções referentes ao seu tratamento, o que muito ajuda na aceitação delas, nas várias condutas a serem tomadas pelos médicos.

Pequenas decisões como levar um objeto e/ou um brinquedo, ou uma roupa que gostaria de vestir, farão com que ela se sinta mais identificada no ambiente estranho, o que lhe permite ficar menos deprimida, assustada e passiva e, em consequência, menos rebelde.

Sem consciência, sem escolha, a morte é vitoriosa, porem se o indivíduo é encorajado a enfrentar seus medos, suas inseguranças e a usufruir de sua autonomia, ele pode canalizar melhor suas energias para a cura, gerando recursos íntimos através do amor do outro.

A criança, normalmente pela sua estrutura socioeconc -mica, é um ser mais vulnerável, pois depende de terceiros para sua sobrevivência. Como já salientamos, os aspecto? psicológicos da família, especialmente dos pais, revestem-de extrema importância quando o paciente é uma criança. A reação familiar adequada auxiliará o equilíbrio ulterior da criança doente.

Se não forem atendidos em seus aspectos psicológicos, cs pais, apesar de desejarem a melhora da criança, podem projetar na dor do filho suas próprias inseguranças. É comum apresentarem-se aterrorizados diante de qualquer sintoma de outra doença e “correrem para o hospital” com a criança, ueixando-a assustada, insegura e angustiada.

O limite dado pelos pais evita o registro de ganhos secundários à doença. É necessário que se trate a criança com a maior naturalidade possível, mantendo-se a continuidade de suas responsabilidades, tratando-a como membro ativo da família, como as demais crianças. Manter a disciplina e desenvolver a confiança em seu futuro a leva a acreditar em sua cura, ou, de toda forma, em uma qualidade de vida melhor e mais bem adaptada.

A criança não possui idéias inatas, mas apenas capacidade de adquiri-las. Ela está para o adulto como a flor para o fruto, ou como a lagarta para a borboleta. Não apenas quantitati-. amente, mas também qualitativamente a criança difere do adulto. Há diferença tanto do aspecto físico como do mental, nois o ser infantil está sujeito a crescimento, aumento de peso e de volume corporal, além de dilatação da capacidade mental em extensão e profundidade. A criança é um ser em perspectiva de transformação, donde se conclui que ela não é uma página em branco”, nem que a educação pode fazer dela um ladrão ou um sábio, nem ainda que “nasce boa”, como tudo o que sai das mãos do Criador, conforme dissera Rousseau.

Compreendemos que ela traduz em gestos, atitudes, gritos, linguagem, jogos fisionômicos e demais expressões de ciúmes dos irmãos como sendo as formas de se expressar, objetivas e espontâneas, buscando chamar a atenção sobre si, seja através de baixo rendimento escolar, seja por dificuldades comportamentais. Por isso é importante que os pais estejam atentos ao trato dos irmãos, no sentido de não os negligenciarem, evitando, assim, ressentimentos.
O grupo de amigos e os colegas da escola também exercem grande influência. A criança pode se sentir rejeitada e criticada, pode demonstrar vergonha e baixa autoestima em seu relacionamento social devido ao seu estado de saúde, e de fato, necessita do carinho e aprovação do seu meio social.

Algumas características do pensamento de uma criança doente de câncer são comuns:

> raramente acredita que o câncer tem o mesmo significado da morte;

> acredita que quando se adoece, logo fica boa novamente:

> de modo geral, teve poucos contatos com doentes graves e com a morte;

> não tem a carga de crenças pessimistas comum nos adultos;

> acredita que, antes de morrer, precisa primeiro crescer, ficar adulto e envelhecer (associa a morte à velhice);

> encara as doenças como obstáculos a serem vencidos.

A doença é um mal temporário, como as outras que já sofreu;

> é susceptível às crenças dos adultos que a rodeiam, acreditando facilmente naquilo que o adulto informa;

> muito vulnerável ao carinho e atenção, e, dessa forma muito do sofrimento oriundo dos tratamentos pode ser amenizado quando acolhida com afeto.

Em relação ao profissional de saúde, a figura do médico pode centralizar e emanar uma aura de saber e potência para o ser infantil. Pode haver uma perda da onipotência dos pais em relação à criança eliciando, assim, depressões especialmente na mãe, além de dependência dos pais em relação ao médico.

É possível que os pais adotem uma atitude superfixai (negação) ou obsessiva (centrada em pequenos detalhes) - relação de dependência e regressão dos pais, que também -entem a necessidade de amparo e cuidados.

Quanto à instituição de saúde, na criança a aversão geral--.ente é bem menos intensa que nos adultos. Alguns pacien-;es adultos relatam, após a cura, que o simples fato de passar pelo hospital onde se tratou é capaz de provocar náuseas. Per-. ebemos que o carinho e a afeição recebidos dos profissionais de saúde minora muito os incômodos e desgastes dos trata-nentos. É muito comum a criança procurar por funcionários, por quem se afeiçoam, mandar recados, pedir à mãe para ;e.efonar a eles etc.

O PROBLEMA DA MORTE

Para a criança a compreensão do fenômeno da morte é rrogressivo, de acordo com seu desenvolvimento.

De modo geral, a criança não associa a doença à morte, porém quando se apercebe da proximidade de sua partida, :em normalmente as seguintes reações:

> põe-se a recusar cuidados até então aceitos;

> pede para voltar para sua casa;

> verbaliza temores ou interrogatórios quando sente que o adulto aceita mais a questão;

> percebe com acuidade o mal-estar súbito dos que a rodeiam.

A hospitalização, na faixa etária entre os 6 meses e os 2 anos e meio pode trazer, do ponto de vista psicológico, perturbações mais profundas. O alojamento conjunto com a mãe favorece o equilíbrio e a capacidade de lutar contra a doença.

Como exemplo, podemos relatar a experiência da filha de um dos componentes do grupo, submetida a uma cirurgia aos seis anos de idade. Quando lhe perguntaram sobre suas lembranças a respeito da cirurgia, respondeu: “Me lembro de meu pai”, que a havia acompanhado à sala de cirurgia.

É um momento em que a criança tem necessidade de contato e aconchego. A criança pode experimentar sentimento de culpa pela tristeza que “causa” à família. Esse sentimento pode levar a uma reação paradoxal de sobreexcitação e euforia.

É importante não romper os vínculos, escutar e responder questões acerca da vida e da morte. Precisamos ter clareza de que a criança percebe quando alguém esconde a emoção. Ela lida melhor com a tristeza do que imaginam os adultos, e fica menos tensa quando se inteira do que está acontecendo. Sente-se assustada quando, por exemplo, vê seus pais (que são autoridade para ela) chorando, mas consegue entender se eles explicam o motivo dessa emoção. Os pais não precisam entrar em detalhes sobre os sentimentos dolorosos. Devem se conscientizar que vivem muitos sentimentos de culpa e pânico da morte, que precisam ser mais bem trabalhados.

Estudiosos afirmam que é muito importante ser honesto com a criança. Pode-se incentivá-la a fazer perguntas ao médico, não só porque ele está mais informado sobre sua condição, mas também por estar menos envolvido emocionalmente, e, assim ter respostas mais assertivas.

O silêncio e o segredo criam uma atmosfera de conspiração pois a criança percebe com agudeza a gravidade do prognóstico. Por outro lado, é também inadequada a exposição fria e racional, que gera uma posição defensiva em relação ao profissional de saúde. É válido deixar-se levar pelas perguntas da criança, sem iludi-la, dar-lhe respostas simples e diretas.

Quando a criança tem a possibilidade de expressar-se livremente como um adulto, aborda sem constrangimento o assunto da morte. (G. Raimbault)

TÉCNICAS PARA ABORDAR A CRIANÇA

Algumas técnicas sã extremamente úteis à recuperação e/ou melhoria da qualidade de vida de uma criança doente. São elas:

> Visualização: é um modelo de tratamento ao qual a criança responde bem. A criança tem grande potencial para visualização, entra facilmente no imaginário, com isso consegue aprender e participar de visualizações. Possibilita, assim, melhorar o sistema imunológico, combatendo o câncer. Como acredita no que lhe é informado, o valor da visualização aumenta. Qualquer abordagem recheada de afetividade terá um efeito mais profundo.

> Ludoterapia - terapia pelos brinquedos: é muito importante que a criança e a família possam se submeter à psicoterapia de apoio, em que seus sentimentos possam ser expressados e trabalhados livre e adequadamente. Atendidos em suas necessidades emocionais e psíquicas, tenderão a ter uma melhor qualidade de vida em relação a esse momento tão especial que vivenciam.

ASPECTOS ESPIRITUAIS

As crianças são seres que Deus manda a novas experiências. Para que não lhe possam imputar excessiva severidade, dá-lhes Ele todos os aspectos da inocência.

[...] Não foi todavia, por ela somente que Deus lhes deu esse aspectc de inocência, foi também e sobretudo por seus pais, de cujo amor necessita a fraqueza que as caracteriza. [...] A infância ainda terr. outra utilidade. Os Espíritos só entram na vida corporal para se aperfeiçoarem. Nesta fase (infância) é que se lhes pode reformar os caracteres e reprimir os maus pendores. Tal o dever que Deus impôs aos pais, missão sagrada que terão de dar contas. (O livro da Espíritos, parte 2, cap. vii, perg. 385)

Poderiamos começar as referências em torno dos aspectos espirituais do câncer infantil com inúmeras outras citações. Contudo acreditamos ser esta a que melhor nos remete a uma lembrança, que precisa estar presente para melhor compreendermos as doenças e o desencarne na infância. Refiro-me ao fato de o reencarnante ser criança somente no corpo físico, por já ser um Espírito possuidor de várias experiências, algumas das quais produtoras de enfermidades no corpo físico, na atual encarnação.

De acordo com Emmanuel, os reflexos condicionados dos sentimentos menos dignos que alimentamos voltam-se sobre nós mesmos, depois de convertidos em ondas mentais, tumultuando o serviço das células nervosas que, instaladas na pele, nas vísceras, na medula e no tronco cerebral, desempenham as mais avançadas funções técnicas. A cólera e o desespero, a crueldade e a intemperança criam zonas mórbidas de natureza particular no cosmo orgânico, impondo às células a distonia pela qual se anulam quase todos os recursos de defesa, abrindo leira fértil à cultura de micróbios patogênicos nos órgãos menos habilitados à resistência. É assim que, muitas vezes, a tuberculose e o câncer, a lepra e a ulceração aparecem como fenômenos secundários, residindo a causa primária no desequilíbrio dos reflexos da vida interior.

Todos os sintomas mentais depressivos influenciam as células em estado de mitose, estabelecendo fatores de desagregação. A carne, em muitos casos, é assim como um filtro que retém as impurezas do corpo perispiritual, libertando-o de certos males adquiridos.

É dessa forma que, conforme a vida de nossa mente, assim se encontra o corpo espiritual. A reencarnação surge então como medida para nos ajudar através de diversos níveis de trabalho, especialmente a autoeducação. “Somos herdeiros de nós mesmos”, conforme nos ensina André Luiz.

A percentagem quase total das enfermidades humanas guarda origem no psiquismo. Dessa forma, a enfermidade, sendo desarmonia espiritual, sobrevive no perispírito. A dor, depois do poder de Deus, em nosso estágio evolutivo, é uma das forças capazes de alterar o rumo de nossos pensamentos, compelindo-nos a indispensáveis modificações.

Tendo, pois, esse conceito de enfermidade, podemos começar a compreender algumas situações de doença e desen-carnação na infância. Como primeiro aspeto, recordemos que sendo tudo justo na lei de Deus, se seus filhos encontram os pais que precisam, os pais recebem da vida os filhos que procuram. Na família consanguínea ou na família humana, obtemos o que buscamos. Renascemos na Terra junto daqueles que se afinam com nosso modo de ser, herdando dos pais somente o que se afiniza conosco. A criança só herdará o câncer dos pais, por exemplo, se trouxer em seu perispírito fatores que se afinizam e/ou produzam desarmonia celular propícia para a proliferação do câncer.

A desencarnação na infância obedece às mesmas leis da desencarnação na idade adulta, ou seja, ocorre por ser este o período suficiente e necessário ao resgate naquela vida, ou pode ser precoce por não terem sido atendidas as condições suficientes à continuidade da existência naquele corpo.

Vejamos que, no primeiro caso, o reencarnante pode ter vindo naquela família por brevíssimo prazo, simplesmente com o objetivo de “acordar corações queridos para a aquisição de valores morais”.

No segundo caso, a negligência e irreflexão dos pais são responsáveis pelo fracasso dos filhos. Se a maioria das mulheres cumpre, de acordo com seu grau evolutivo, experiências de amor e sacrifício, carinho e renúncia, infelizmente há mulheres “mais fêmeas que mães, que jazem obcecadas pela ideia do prazer e posse desocupando-se dos filhinhos. lhes favorecem a morte [...]”

Vemos ainda mães que envenenam o leite materno, por nutrirem pensamentos infelizes, comprometendo a estabilidade orgânica dos recém-natos. Vemos casais que, através de rixas incessantes, projetam raios magnéticos de natureza mortal sobre os filhos, arruinando-lhes a saúde, e ainda temos mulheres invigilantes que confiam o lar a pessoas ainda animalizadas que, à cata de satisfações doentias, ministram hipnóticos às crianças. Como tudo está sob a Lei, nem sempre consegue-se a recuperação desejável. E as doenças se instalam e, por vezes, a desencarnação.
Se a compaixão humana separa as crianças dos criminosos definidos, que dizer do carinho com que a compaixão celestial vela pelos infantes?
Dessa informação, orienta-nos Antonio Rodrigues (pp. 53-55) que nas regiões umbralinas mais densas não existem crianças. Devemos, contudo, também nos lembrar que o desencarne não modifica as pessoas, que continuarão sendo elas mesmas, inclusive no que se refere ao tempo necessário à evolução.

Ao desencarnarem, algumas dessas crianças retornam, de imediato, à sua personalidade de adulto, quando o Espírito já alcançou elevada classe evolutiva, assume o comando mental de si mesmo, adquire o poder de facilmente desprender-se da forma, superando as dificuldades de desencarnação prematura.

Para a grande maioria, no entanto, largo período de tempo é requerido para a recuperação, de vez que depois do conflito biológico da reencarnação ou desencarnação, para aqueles que se acham nos primeiros degraus da conquista mental, o tempo deve funcionar como elemento indispensável de restauração.

Com o desencarne, os conflitos, sentimentos, ligações afetivas, continuam mentalmente sendo vividos como no corpo físico. Nos hospitais ou creches-lares espirituais, são então acompanhados de perto, recebendo tratamento de passes e conversações para a instrução do Espírito, energias anestesiantes quando o repouso se faz necessário, companhia de enfermeiras espirituais e, por vezes, a visita das mães encarnadas, desprendidas do corpo físico durante o sono.

Ninguém burla a lei: o que se planta, colhe-se, mais cedo ou mais tarde, mas sempre no tempo certo.

Mas não podemos deixar de mencionar a importância desses seres para esses pais. Pois é dada a oportunidade de terem representado em seus lares a presença divina do Pai eterno, na posição de filhos. E para os filhos não é de menor importância, tamanha gratidão alimentam eles por esses pais lhes terem dado a oportunidade de virem como seus filhos.

O entrelaçamento do terapeuta e a família enriquece e possibilita maior aprendizado. Nós, terapeutas, sentimo-nos agraciados em podermos acompanhar e trabalhar a nossa dor com esses pequeninos, mesmo que em silêncio, mas proporcionando a eles, e a nós mesmos, acolhimento amoroso e moral, até o momento de suas partidas e/ou curas. Dessa forma, a união dos terapeutas com a família possibilita ao paciente maior serenidade nos últimos momentos. Respeitar suas escolhas, acolher suas dúvidas e esclarecê-las é o que nos é digno de fazer.

Isso tudo é possível porque a vontade do Pai permeia como um aditivo para fortalecer tanto o desencarnante quanto aqueles que o assistem. Jesus ministra um curso de espiritualidade, ensina a exemplificar, conferindo assim novas dimensões da vida à criatura. Sintonizando-nos com Jesus, desprenderemos, familiares e terapeutas, com mais clareza dos nossos irmãos e pacientes. Fica isso como premissa de encaminhamento e conclusão do objetivo, tantas vezes reforçado pelo Criador, de direcionamento para nosso único objetivo: preparo para o então entendimento das criaturas na entrada na morada do Senhor. É quando conseguimos cnandonar os clamores de nosso coração, viciado de tantas sdas e vindas. Quando assim nos vencemos, nesse divino momento e movimento que abrimos para a criatura, no campo das vibrações mais elevadas, em cujas reentrâncias começamos a nos identificar com os objetivos mais elevados que o Pai celestial nos deixou, irradiando amor genuíno, livre de posses, reforçando a esperança, promovendo segurança, re-c m for to e bem-estar para a criatura, alcançamos a divina compreensão da vida.

Isso é o que vai induzi-la a confirmar dentro de si mesma as mudanças de comportamento, ajustando-se aos novos nadrões adquiridos durante todo o processo de aprendizado com a doença. Assim, concluímos que “perda” e “ganho” são também “oportunidade” e “recomeço” do direito da criatura, que está sob a tutela não nossa, mas do Pai eterno, a qual recebe por nós, terapeutas, os ensinos necessários, como um acessório a mais na bagagem que é escolhida e preparada rela própria criatura. Para os familiares, pais e irmãos, foi-nos e está sendo possível, a partir de então, isentá-los de qualquer sentimento contrário aos ensinos do Cristo, tra-rendo-nos a grandeza do entendimento de toda a riqueza que vem do Pai. Desfazer das posses sobre a criatura e fazer a entrega, sem culpa e sem apego, proporciona a esses fami-Liares um maior equilíbrio emocional e espiritual.

Lembremos a citação:

E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo que desligares na terra será desligado nos céus... (Mateus, 18:18)

Serão conquistados por cada um, nesse momento, os va lores mediante o empenho pessoal, pois a criatura é livre para fazer as suas escolhas e também para retornar à casa do Pai. Assim sendo, a partida do plano físico, se desenvol vida de forma consciente, proporcionará ao desencarnante e familiares uma desvinculação serena, pacífica, protegida e reeducativa para todos, proporcionando a compreensão da imortalidade da vida como essência do amor genuíno e infinito que nos oferece o Pai.

CAPÍTULO 3 - POR QUE TEMEMOS A MORTE?

WALKIRIA CARVALHO ALVES FERREIRA

PSICÓLOGA,

A MORTE NÃO TEM EDUCAÇÃO, POIS ELA PASSA FORA DE HORA, É TUDO SEM JEITO, DESCONTROLADA. (EXPRESSÃO UADA POR UMA MULHER DE 32 ANOS, ORIUNDA DA MEIO RURAL)

DEPOIMENTO PESSOAL

Este estudo surgiu no momento em que tomei consciência que o forte medo que eu sentia da morte poderia ser transmutado em algo mais eficaz e construtivo para a minha vida e até mesmo para a sociedade, ao invés de continuar fixando-me naquele “medo doloroso” que me atormentava e quase paralisava.

Desde a infância, tudo que envolvia esse fenômeno me trazia um grande medo. A simples palavra morrer, seus rituais e os apetrechos pertencentes a esse fato, efetivamente, apavoravam-me.

Num certo sentido minha vida girava - ainda que de maneira velada - em torno de um contínuo barganhar para que “ela” não se aproximasse, não me levando, nem nenhum dos meus familiares. Era um “pacto” que silenciosamente fiz e que, durante toda minha vida, foi muito respeitado e cumprido com um rigor espartano.

Desde essa época eu, sinceramente, abria mão de muitas possibilidades prazerosas que a vida podia me oferecer, para receber em troca o “grande prêmio”: ela nunca nos visitar o pelo menos, sempre postergar seu aparecimento.

Em determinada fase da minha vida profissional, tive que optar em vincular-me a uma atuação técnica que, sincron;-camente, denominei “enterrar defunto”.

Nessa situação, deparei-me com um impasse entre: a) realizar um trabalho social que também provocaria mudanças políticas dentro de uma comunidade carente da periferia de Belo Horizonte, ou b) atender e acompanhar pacientes de câncer, dos quais muitos com fortes indicativos de “morte próxima”.

Fiz opção pela segunda alternativa, pois na primeira proposta eu simplesmente não acreditava e, portanto, não investiría. Desde aquela época, para mim, qualquer proposta feita por políticos não tinha nenhuma credibilidade. Assim, eu não tinha outra opção a não ser aprender a “gerenciar meus medos”. Apesar de o medo da morte continuar intenso e até então “câncer” significar apenas sofrimento físico, fim da vida e morte, decidi investir física e emocionalmente para atuar nessa área.

Busquei na literatura especializada e em discussões com alguns poucos profissionais de áreas afins, um maior conhecimento sobre esse tema e me disponibilizei a desenvolver um trabalho com esses pacientes.

Nesse período acreditava estar conseguindo elaborar, de maneira profunda, esta minha dificuldade que, de certa forma, era ainda uma deficiência e por que não dizer, uma enorme questão existencial.

Lembro que, sincronicamente, em várias ocasiões tive a oportunidade de estar presente no momento em que “ela” buscava alguns desses pacientes. Procurava racionalizar a emoção sentida, e sempre me considerava mais “amadurecida” no entendimento do óbito seguinte.

Às vezes chegava a acreditar que eu estava “curada”, pois agora, em quase nada “ela” me incomodava, eu já conseguia me referir à morte de uma maneira mais serena, o que mais tarde constatei não passar de um profundo mecanismo de defesa: racionalização.

No ano de 1992 “ela” nos visitou, levando meu pai. Durante dois anos, antecipadamente, eu me preparei para enfrentá-la; durante esse período, em muitos momentos ensaiei, mentalmente, o encontro. Na verdade, o que eu mais desejava era que “ela” não sentisse nenhum prazer em me ver assustada, sofrendo e quase “morrendo” também, com a “sua” chegada.

Provavelmente, eu intencionava que “ela” reconhecesse a crueldade do seu intento e de sua presença, e assim desistisse de sua ação mortífera.

No entanto, posso relatar que esse enfrentamento foi uma vivência muito tranquila, as emoções e os sentimentos vividos naqueles momentos foram positivamente elaborados. Novamente racionalizei e passei a acreditar que “ela” sempre dá uma trégua, dando um prazo para se manifestar novamente.

Fiquei tranquila durante um período de seis anos, até que “ela” começou a rondar novamente minha família, dessa vez tinha como alvo o meu irmão. Após uma cirurgia para extirpar parte do esôfago comprometido com um tumor maligno e uma permanência durante três semanas no cti, “ela” o levou.

Quando eu soube do diagnóstico, comecei a acreditar que eu estaria, de certa forma, quebrando o “acordo” tão prometido e relativamente cumprido entre ambas. Até essa fase da minha vida eu me recusava a viver situações prazerosas, e adotava um estilo emocional de vida bastante austero.

Importante relatar que nessa época eu estava num mo mento de grande realização profissional e pessoal, quando tive a oportunidade de rever e reformular muitos de meus conceitos e valores pessoais.

Comecei a acreditar que, provavelmente, eu estava, de maneira afrontosa, quebrando o nosso tão concreto pacto. Incau ta ou displicentemente, eu me deixava levar pelo “princípio do prazer”, esquecendo daquele compromisso tão selado, ou talvez, de certa forma, era como se eu me sentisse mais poderosa que “ela”, para não mais me deixar ser atingida?

Hoje já não mais faço acordos com a morte, mas ainda me percebo pactuando com Deus, pedindo que me fortaleça para que eu possa descobrir uma forma melhor de entender esse fenômeno e aceitar, pois sei que é apenas uma etapa do nosso processo vital.

Continuo ainda me propondo a permanecer ao lado daqueles que estão no momento desse enfrentamento, mas percebo que ainda existe um pouco de barganha da minha parte, esperando firmemente que Deus me proteja no momento da minha “partida”.

Atualmente, espero transmutar essa minha fragilidade e imaturidade existencial em um grande potencial, quando então poderei considerar que é um fenômeno natural, uma fase do desenvolvimento humano.

Acredito que, se uma grande maioria de nós se dispuser a refletir sobre sua relação com o fenômeno da morte, provavelmente escreverá algo bastante semelhante a este depoimento.

Vamos buscar referência na literatura religiosa, mitológica e poética como material para entender melhor essa dificuldade que muitos indivíduos ainda enfrentam em relação à morte. Na literatura espírita, encontramos no livro Falou e disse o seguinte texto:

Diz que nos primeiros tempos do mundo, há muitos milênios a morte só aparecia entre os homens atendendo a chamados de longa vida.

A criatura nascia, crescia e desfrutava os bens da terra. Unicamente quando mais centenária é que se via recolhida pela morte para uma renovação.

Os homens, porém, se apaixonaram pelo poder terrestre e começaram a lutar entre si.

Pisando o chão do planeta, não mais queriam saber dos céus e nem da luz que a divina providência lhes reservava.

Empenhavam-se todos à guerra incessante, criando ódio e sofrimento, a ponto de nada mais enxergarem, senão as criações de seus próprios enganos. Não mais fitavam as estrelas, estragavam as flores sem consideração, enodoavam as fontes e incendiavam os campos, apedrejando-se uns aos outros.

Diante disso, os anjos orientadores do mundo foram até Deus, rogando medidas que liquidassem com semelhantes atropelos.

Dizem que o Senhor ouviu a queixa, pensou muito e respondeu: “Todos os homens e todas as mulheres na terra são meus filhos e não posso abandonar ninguém, mas peçam à morte para que de agora em diante traga aos céus todos aqueles que precisem de menos trabalho na vida física. Isso poderá reacender a chama do amor nos lares terrestres.”

Foi assim que a morte passou a conduzir crianças e jovens na direção do mais além.

Desde então, apareceu um caminho de luz entre o céu e a Terra, caminho formado pelas preces e pelas lágrimas de todos os que choravam a ausência de entes queridos.

Colocando o coração nesta estrada aberta entre o mundo e o firmamento, as criaturas humanas regressaram ao culto do amor e da fé ardente em Deus. “Esse caminho de luz tem um nome bendito e se chama saudade”.
A mitologia grega também traz duas histórias muito significativas para ilustrar o que se passava na mente coletiva daquela civilização, sobre esse fenômeno:

O mito de Sísifo

Conta a história que Sísifo era um mortal que convivia com os deuses da época.

Certo dia foi punido por estes mesmos deuses por ter cometido três crimes considerados hediondos:

1. Sentia profunda inveja e desprezo pelos deuses por estes serem imortais.

2. Odiava tanto a morte, que um dia decidiu acorrentá-la, tentando assim evitar a sua ação nefasta.

3. Sentia enorme paixão pela vida.

Mas como todo crime merecia uma punição na mesma intensidade, recebeu como castigo morrer.

Sísifo ficou tão desesperado, que pediu aos deuses uma chance, dispondo-se a pagar, de qualquer outra forma, pelos crimes que cometera, pois queria continuar vivo.

Assim, lhe foi dada a chance de escolher e ele preferiu a punição de realizar um trabalho inútil e sem esperança eternamente do que se defrontar com o morrer.

Sua vida, a partir daquele dia, passou a ser empurrar uma enorme pedra até o topo da montanha mais alta da região, deixá-la descer e, novamente carregá-la e deixá-la descer e assim ininterruptamente, para sempre.

O deus Plutão

Plutão era um deus grego, filho de Saturno. Herdou da família o mundo subterrâneo dos mortos. Para realizar seu trabalho com habilidade, recebeu do seu pai um capacete que o tornava invisível, facilitando assim sua tarefa. Era ele quem encaminhava os mortais ao Vale do Tártaro ou aos Campos Elíseos.

Ele era reconhecido na região como o aniquilador, mas também como aquele que possibilitava às pessoas fazer grandes transformações quando se lembravam que ele um dia as buscaria. Quando ele surgia entre os seres, propiciava a queda do véu das ilusões e tudo o que estava encoberto tornava-se explícito, oportunizando muitas mudanças naqueles que visitava.

Informa-nos a astronomia que o planeta Plutão é o único dentre todos da nossa via Láctea, que tem o movimento em torno do Sol, totalmente oposto ao dos outros planetas. Ele apresenta uma rota contrária ao padrão estabelecido.

ASPECTO CULTURAL E HISTÓRICO DA

MORTE NO MUNDO OCIDENTAL

Estudos demonstram que a morte é a maior expressão de dor no mundo ocidental.

Até a segunda metade da Idade Média, o totem, ou objeto de adoração, era Deus, surgindo e prevalecendo o teocentrismo na humanidade. O tabu, algo que de certa forma destrói esse totem, era o sexo. Assim, a melhor forma de se chegar a Deus era anulando o desejo sexual. Nessa época surgiram os ascetas, os quais criaram os monastérios e várias formas de cilício, como uma maneira de coibir esse potencial tão presente e tido como destruidor no indivíduo.

Atualmente, o homem e a tecnologia representam o totem em nossa sociedade. Eles são respeitados e venerados, não podendo assim morrer. O tabu não é mais o sexo, mas sim a morte, pois é a única capaz de aniquilar esse indivíduo tão poderoso e a tecnologia criada por ele mesmo.

Com a implantação do modelo capitalista de produção, passa-se a valorizar mais a vida e todos os prazeres advindos dela. Com isso, esse fenômeno inexorável passa a não ser mais reconhecido, mas sim explicitamente negado.

Quanto mais avançada tecnologicamente estiver uma comunidade, mais ela busca artifícios e subterfúgios para não precisar enfrentar o fenômeno do morrer.

O cientista Philippe Ariès realizou uma pesquisa constatando que a ideia sobre a morte vem se mantendo a mesma há milênios, sendo as diferenças algo pouco significativo. Conseguiu identificar quatro momentos específicos vividos pela sociedade, na história das civilizações:

a. Morte domada - período que se inicia na Antiguidade e termina no século XII. Esse termo foi utilizado para contrapor ao conceito de morte atual, que ele considera bastante selvagem. De modo geral os cavaleiros, antes de morrer, participavam de um ritual. O indivíduo era advertido que morrería e então se preparava para o acontecimento. Ele tinha que reconhecer espontânea e publicamente que iria morrer. Com o conhecimento do fato, ele tomava as providências pessoais e sociais necessárias. De modo geral ele participava dos rituais e fazia evocações tristes, mas discretas, das coisas amadas que deixaria. Tinham também a oportunidade de pedir perdão aos amigos e havia sempre uma grande platéia o assistindo. Concebiam a morte como uma fase da vida que deveria ser enfrentada. O indivíduo era enterrado em local fora da cidade.

b. Morte de si mesmo - séculos xn a xvm. Até essa época acreditavam que as pessoas após a morte seriam julgadas individualmente. No entanto, a partir desse período, a Igreja católica lança a ideia de um juízo final de forma coletiva. Provavelmente intentava-se coibir os comportamentos considerados ilícitos. Com isso a ideia de morte, como acontecimento natural, ganha conotação de algo dramático. Nas várias formas de expressão artística isso é demonstrado ao se passar a valorizar temas macabros. Foi nessa época que se criaram os primeiros cemitérios e quanto mais próximo às igrejas, mais facilidades esses indivíduos encontrariam para entrar no reino dos céus. A morte nesse momento passa a ser vista como castigo, punição, pressupondo uma culpa.

c. Morte do outro - séculos xvn a xix. Nesse período começa uma exaltação e um desejo intenso de se viven-ciar a morte. Era uma morte romântica, mas a morte do outro. A morte desejada era a do outro, como forma de mostrar o máximo do sentimento amoroso, é o denominado hoje morrer por amor. Nessa época começaram a associar Tanatos (deus grego da morte) a Eros (deus grego do amor). Isso ficou muito evidente nas artes e na literatura. Morria-se para demonstrar a intensidade do amor sentido pela outra pessoa. Foi quando Shaekespeare escreveu Romeu e Julieta.

d. Morte como interdição - século xx. É o que assistimos em nossos dias. A morte não é mais permitida. As ciências médicas e profissionais de saúde intervém dificultando e interditando esse acontecimento. Agora, a morte digna e com assistência é no hospital.
Na atualidade o indivíduo deve se distanciar de seus entes queridos para poder morrer. Os sentimentos e emoções que esse fenômeno provoca devem ser evitados. Nem a família, nem o próprio doente pode decidir sobre sua morte, mas sim os profissionais e as instituições de saúde. A morte é hoje o maior medo do indivíduo, pois se acredita que o desenlace é uma grande perda.

A EQUIPE DE SAÚDE E A MORTE DO PACIENTE

O que assistimos hoje, no âmbito da formação profissional e da ética dos serviços de saúde, explica em parte o que está ocorrendo nos atendimentos.

Os profissionais de saúde, além de viverem suas próprias perdas, são obrigados a conviver diariamente com as dores, sofrimentos e tragédias alheias, com um preparo acadêmico ainda muito insuficiente para o enfrentamento dessa realidade.

Nas escolas de formação, esse tema é discutido de maneira superficial ou, muitas vezes, nem se abre espaço para uma reflexão mais apropriada.

No contato com os familiares, os agentes de saúde, não conseguem instalar um clima de sinceridade, pois é igualmente difícil lidar com este fenômeno e nesse instante ocorrem muitas projeções e contratransferências.

A equipe de saúde tem usado do disfarce da institucionalização, como se a morte não estivesse ocorrendo. Diante da morte do paciente, evidencia-se o aspecto da onipotência e a obrigação de se prolongar a vida. Eles se defrontam com muitas dificuldades para discernir se estão dando qualidade à vida, ou apenas prolongando dias à vida, ao sofrimento.

Esses profissionais da saúde sentem culpa diante da morte do paciente, ainda que tenham consciência clara e objetiva de que esgotaram todos os recursos disponíveis para mantê-lo vivo e com saúde.

Lembramos que na nossa cultura, é depositada nas mãos dos profissionais de saúde a obrigação de salvar o doente e de impedi-lo de morrer. A família esquece que, muitas vezes, é o próprio paciente quem desiste de viver e apenas ele tem a competência para a cura, pois o profissional pode apenas facilitar esse processo.

Por isso é tão comum assistirmos à indicação de calmantes aos familiares quando os encontra chorando pelos corredores. As expressões emotivas dos familiares e da equipe de saúde têm sido contidas e impedidas de manifestação.

POR QUE TANTO MEDO DA MORTE?

Uma visão sociocultural poderia explicar parcialmente esse temor.

Vê-se que com o avanço tecnológico, ficamos também cada vez mais distantes de tudo que é natural. Agora já não vemos mais tempo para um contato direto com a natureza - céu, animais, plantas etc. Nosso contato com a vida acontece predominantemente através do artificial, do televisivo e virtual.

Ficamos horas em frente à televisão, convivemos mais com os personagens das novelas, e a única morte que presenciamos é quando a energia acaba e dizemos: a imagem morreu.

Não assistimos mais ao dia, às plantas e aos animais morrendo. Não presenciamos o nascimento, o crescimento e a morte nos reinos da natureza, a fases da vida e da morte.

Assim, o fenômeno da morte fica sendo algo muito novo, com uma conotação de negativo, ruim, perda e fim. Não é por acaso que os moradores das zonas rurais, que presenciam todas as etapas da vida, entendem e se comportam de forma tão natural nos episódios de morte.

CONCLUSÃO

Esse conjunto de concepções e teorias aqui expostas facilitou, em parte, entendermos sobre esse fenômeno, mas, de fato, de uma maneira ainda pouco convincente. Ainda tememos a morte, pelo excesso de culpas que trazemos do passado, quando imputamos, a nós mesmos e aos outros, mortes cruéis e hediondas.

Se fomos algozes fazendo tantas vítimas, hoje temeremos esse reencontro e provavelmente a nossa perda corporal nos colocará face a face com esses nossos erros e mazelas praticadas.

Tememos a morte porque ainda não temos sequer uma fé do tamanho de uma semente de mostarda, que nos garantiría comprometer mo-nos com o bem e acreditar que a misericórdia de Deus é infinita e está sempre nos concedendo mais uma chance para aprendermos e acertarmos.

Tememos a morte porque, apesar de sermos os filhos diletos do Pai, ainda desacreditamos que Ele sempre nos perdoa e nos reconhece muito mais como seres mais frágeis do que realmente cruéis.

Como nos esclarece Joanna de Ângelis,
morrer significa penetrar mais profundamente no mundo de nós mesmos, consumindo longo tempo em degraus que nos levam para novos horizontes de ascensão e de luz.

CAPÍTULO 4 - EUTANÁSIA

OSVALDO HELY MOREIRA - MEDICO CARDIOLOGISTA

ETIMOLOGICAMENTE “EUTANÁSIA” SIGNIFICA: BOA MOR-te, doce, livre de sofrimentos, “morte apropriada”. Palavra empregada pela primeira vez por Francis Bacon no século xvii, em 1623, em sua obra Historia vitae et mortis. Pode-se afirmar que é prática tão antiga quanto a vida em sociedade.

Era utilizada na Grécia antiga, a “morte serena”.

Em geral, eutanásia significa o fato de provocar uma morte fácil e sem dores a um paciente que está próximo da morte por causa de uma doença terminal. Do ponto de vista prático, ocorrem hoje situações diferentes que podem ser englobadas no mesmo título “eutanásia”, que são: a prática, por parte de médicos ou pessoas ligadas ao paciente terminal, de condutas que acelerem a sua morte, a facilitação e/ou a orientação do ato suicida por parte do paciente, o qual decide terminar com sua vida (suicídio assistido). Devemos incluir neste estudo a realização de abortos devidos aos avanços da medicina, os quais permitem diagnosticar, com segurança, patologias fetais graves, quando então alguns pais decidem não permitir que a gravidez chegue a termo, a fim de não ocorrer o nascimento de uma criança com doença grave, que seguramente levará uma vida de sofrimentos, decidindo não querer ver o filho sofrer.

Múltiplos fatores médicos, sociais e econômicos participam dessa discussão: avanços na alta tecnologia dos sistemas de suporte médico para pacientes com insuficiência cardíaca e respiratória; mudanças na trajetória da morte, com grande número de pacientes com câncer e aids sobrevivendo por meses e anos após o diagnóstico da doença incurável; o aumento da idade da população; a maior ênfase na autonomia do paciente; um consenso da política de direitos individuais; a altamente debatida limitação nos cuidados de saúde, particularmente para pacientes crônicos com doenças incuráveis; a escassez de recursos financeiros e, agora, o conhecimento espírita.

Ainda para avaliar-se o tamanho do problema em nossas mãos, analisamos dados da epidemiologia da morte: nos Estados Unidos da América, em 1994, as três maiores causas de morte foram a doença cardiovascular (32%), os neoplas-mas malignos (24%), e a doença cerebrovascular (7%). A infecção por hiv é a mais comum causa de morte na população branca entre 25 e 44 anos. Esses dados mostram doenças incuráveis e progressivas, assim, seremos inevitavelmente colocados diante dessa questão. Nas estatísticas o câncer, a aids e as doenças neurológicas representam a maioria da população de pacientes identificados como candidatos potenciais para o suicídio assistido. Dessa forma, todos seremos defrontados por situação semelhante.

Nosso objetivo é analisar o tema, trazendo argumentos médicos, legais e religiosos baseados, principalmente, no conhecimento que a doutrina espírita nos permite, através do entendimento da reencarnação e de seus objetivos. Entender os motivos da doença em nossa vida e analisar as condutas possíveis diante das situações em que esse raciocínio entra em evidência.

Do ponto de vista médico-acadêmico, precisamos responder às seguintes perguntas da comunidade: Como eu morrerei? Onde eu morrerei? Quem cuidará de mim? Minha dor pode ser controlada? Meus valores serão preservados para facilitar a qualidade de minha vida, bem como do seu fim? Quais as minhas opções para cuidado médico e quanto eu terei de pagar? Minha cultura, religião e crença espiritual serão respeitados?

O médico será questionado por pacientes em sofrimento sobre sua morte devido à dor intensa. Isso pode acontecer, apesar do controle da dor, apoio psicológico, suporte da família e promessa de melhora por parte do médico. Existem ainda as decisões de médicos e familiares que, diante de frequentes situações de opção de conduta, veem-se obrigados a decidir se devem ou não iniciar determinados tratamentos, em pacientes já debilitados por outros processos.
eutanásia: significados diversos

Para tratar de maneira adequada o problema da eutanásia, convém antes precisar o vocabulário. O termo é usado, no sentido mais estrito, com o significado de “causar a morte por piedade”, com o fim de eliminar radicalmente os últimos sofrimentos ou de evitar às crianças anormais, aos enfermos mentais ou aos incuráveis o prolongamento de uma vida desditosa, que poderia impor cargas demasiado pesadas às famílias ou à sociedade.

Por eutanásia se entende uma ação ou uma omissão que, por sua natureza ou intenção, causa a morte, com o fim de eliminar o sofrimento.

Existem, pois, dois elementos envolvidos na eutanásia: a intenção e o efeito da ação. A intenção pode gerar uma ação (eutanásia ativa) ou uma omissão, isto é, a não realização de uma ação que teria indicação terapêutica naquela circunstância (eutanásia passiva). Do ponto de vista ético, ou seja, da justificativa da ação, não há diferença entre ambas. A eutanásia, assim como o suicídio assistido, são claramente diferentes das decisões de se retirar, ou de não implantar, um tratamento para prolongar a vida de um paciente, que não tenha eficácia ou que gere sérios desconfortas. Ao contrário das duas primeiras, essa retirada ou não implantação de medida extraordinária não contêm a intenção nem conduz à morte do paciente.

Pode também ser provocada por outros, a pedido do enfermo ou com seu consentimento. Em todos esses casos se fala de eutanásia voluntária. Se a morte é provocada contra a vontade do paciente, ou sem o seu conhecimento, falamos então eutanásia involuntária. Pode-se provocar a morte sem o conhecimento do paciente nem a cooperação de outras pessoas.

Esses meios com os quais se causa a morte podem coincidir todos em uma intervenção positiva, por exemplo, uma dose excessiva de medicação indutora do sono ou outra classe de medicamento, ou uma injeção de cloreto de potássio, que cause a morte. Essa conduta é chamada eutanásia positiva, ativa ou direta.

Chama-se eutanásia negativa, passiva ou indireta à omissão de um tratamento eficaz, ou seja, ao fato de não prolongar o processo de morrer por meio de máquinas ou aparatos que mantenham a vida do paciente, como por exemplo o respirador artificial. As definições são úteis, porém não devemos dar-lhes demasiada importância, já que elas não resolvem por si mesmas os problemas morais a que se referem.

Um exemplo de eutanásia involuntária positiva foi a ordem de A. Hitler, o qual estabeleceu a eutanásia eugênica em outubro de 1939. Mais de 80 mil doentes mentais da Alemanha e Austrália, epilépticos, débeis mentais ou com deformidades foram executados em câmaras de gás, entre 1940 e 1941. No começo a lei se referiu exclusivamente às crianças, mas logo após a idade foi aumentada.

Outro exemplo de eutanásia involuntária ativa temos em Napoleão, que em 1779 pediu a seu médico militar para aplicar a eutanásia em soldados infectados com doenças contagiosas para evitar sua expansão.

Na eutanásia voluntária positiva o paciente pede a morte. No fundo, essa classe de eutanásia é um suicídio com a cooperação de outros que concordam. Sem dúvida, trata-se de uma classe especial de suicídio, já que objetiva pôr fim a dores intoleráveis ou a uma vida “inútil”.

OUTRAS FORMAS DE EUTANÁSIA:

> Suicídio assistido: a ação do médico propiciando um agente letal (habitualmente medicação) para o paciente, com a intenção de que ele utilize a droga para cometer suicídio.

> Suicídio racional: termo usado para descrever suicídios em pacientes com doença avançada.

> Efeito duplo: definido como a administração de droga sedativa ou opiáceo, para aliviar dor e sofrimento em um paciente terminal, com a consequente insuficiência respiratória.

DEFINIÇÕES IMPORTANTES RELACIONADAS AO TEMA

> Distanásia: atitude de prolongar a vida de paciente terminal, com aumento do seu sofrimento, em decorrência dos meios utilizados. (É a atitude ou a consequência da atitude?)

> Ortotanásia: utilização de meios adequados para tratar uma pessoa que está morrendo. Na busca de precisão conceituai, existem muitos bioeticistas que utilizam o termo ortotanásia para falar da “morte no seu tempo certo”. O prefixo grego orto significa “correto”, ortotanásia tem o sentido de “morte no seu tempo”, sem abreviação nem prolongamentos desproporcionados do processo de morrer. A ortotanásia, diferentemente da eutanásia, é sensível ao processo de humanização da morte e alívio das dores, e não incorre em prolongamentos abusivos, com a aplicação de meios desproporcionados, que imporiam sofrimentos adicionais.

> Cuidado paliativo: condutas médicas para o paciente incurável que não visa à cura, mas à melhoria da sua qua lidade de vida.
Fica o problema se existe ou não diferença, do ponto de vista moral, entre a omissão e a realização de um ato. A omis são de um tratamento pode equivaler ao fato de dar morte a um paciente? Descuidar de um paciente sob o controle de um aparelho e deixá-lo morrer difere moralmente de retirar-lhe o aparelho? Qual é a diferença moral entre ação e omissão, entre omissão e intervenção? O paciente ou o médico estão obrigados a impedir a morte quanto seja possível? E por quais meios?

DISCUSSÃO

POSIÇÕES QUE PRETENDEM JUSTIFICAR A EUTANÁSIA

Razões em prol da eutanásia voluntária positiva:

1. A vida de uma pessoa que sofre de uma enfermidade terminal é inútil para sua família, para a sociedade e para si mesma, porque se encontra incapacitada de fazer algo por si mesma ou pelos demais. Portanto, é razoável afirmar que tal pessoa encontre justificativas para pôr fim à sua própria vida, por sua conta ou com a ajuda dos demais. A antecipação da morte não só atendería aos interesses do paciente, de morrer com dignidade, como daria efetividade ao princípio da autodeterminação da pessoa em decidir sobre a sua própria morte.

2. Quando o ser humano se encontra ante dois males, tem que escolher o mal menor.

3. É desumano e insensato conservar a vida de um paciente terminal quando ele já não quer viver.

4. Uma pessoa que não crê em Deus pode razoavelmente concluir que o homem é o dono de sua própria vida, pode decidir livremente pôr fim à sua vida, quando já não tem mais deveres a cumprir com a sua família e com a sociedade.

5. A liberdade do homem para decidir não deve ser coibida, a menos que haja razões convincentes de que sua liberdade entra em conflito com os direitos dos demais.

6. A eutanásia voluntária positiva é um ato de delicadeza para com a própria família e a sociedade, já que o doente terminal decide não continuar sendo oneroso para eles, prolongando sua enfermidade, com os consequentes custos e todo o trabalho de cuidar de um paciente grave.

7. É melhor liberar os escassos recursos médicos e financeiros para que se empreguem na cura daquelas pessoas que podem levar uma vida útil.

8. É sensato pensar que Deus não quer que soframos desnecessariamente, quando podemos de maneira fácil pôr fim à nossa desgraça.

POSIÇÕES CONTRA A EUTANÁSIA

1. A tradição ocidental e a filosofia teísta têm se manifestado contra a morte direta de alguém, seja só, seja com a ajuda dos demais. A razão principal em favor dessa posição é que Deus possui o domínio direto sobre a vida humana. Somos administradores de nossa própria vida, porém não seus proprietários.

2. A razão para uma pessoa solicitar que ponha fim à sua vida pode ser a dor, já que o homem possui um desejo natural de viver. Porém será prudente e sábio cortar a dor e não matar o paciente. A medicina moderna é muito eficaz para aliviar a dor.

3. Os requerimentos para a eutanásia voluntária são raramente livres e voluntários. O paciente terminal é vulnerável. Está deprimido, com confusão mental ou com um falso senso da realidade momentânea que podem afetar o seu julgamento, com possibilidades de serem aliviados por tratamento adequado dos sintomas orgânicos e da depressão. São quase sempre petições angustiadas de assistência e de afeto. Pacientes terminais podem também se adaptar a um nível de incapacidade, que eles previamente não pensavam poder fazê-lo, sendo possível viver daquele modo.

4. Os mais velhos podem sentir-se como peso para a família e para a sociedade, portanto com grande pressão para solicitarem a eutanásia, sendo que a solução é valorizá-los e amá-los.

5. A autonomia é importante, mas os direitos devem ser contrabalançados pelas responsabilidades e restrições, se somos realmente livres.

6. A eutanásia voluntária muda a consciência pública: quando a prática torna-se legal, aceita e largamente aplicada pela sociedade, as pessoas param de pensar sobre o tema.

7. Fato muito grave é que as indicações estão sendo alargadas, utilizando-se o mesmo termo eutanásia sem a sua abrangência inicial, em situações em que a princípio não há risco iminente de morte. Propõe-se hoje sua realização em crianças com deficiência mental grave e irreversível, idosos sem vida útil, doentes mentais graves, pacientes em depressão ou com sequelas neurológicas muito graves, para evitar uma vida sofrida, a qual poderia impor cargas pesadas às famílias ou à sociedade. Podem ser incluídos nesse tópico a realização de abortos, após os avanços da medicina que diagnosticam patologias fetais graves, em que alguns pais decidem pela interrupção da gestação para evitar uma vida de sofrimentos, optando por não querer ver o filho sofrer.

8. A eutanásia voluntária retira do paciente a oportunidade de crescimento, pois é durante o tempo da doença terminal que se tem a oportunidade de refletir sobre os rumos dados a sua vida, preparando a si mesmo e aos seus para a sua morte. Aqueles que estão nos sistemas de cuidados paliativos observam os outros pacientes em suas relações, redescobrindo o amor mútuo e a responsabilidade, os quais podem não ter sido evidentes durante anos.

9. A eutanásia voluntária leva à eutanásia turismo: Se legalizada em um país, pessoas de outras nacionalidades podem querer tirar vantagem disso. Assim, nenhum país pode tomar decisões isoladas.

10. Certamente ninguém é forçado a fazer eutanásia, mas pressões emocionais e psicológicas podem tornar-se aparentes para uma pessoa deprimida ou dependente, e considerações financeiras podem entrar em jogo. Atualmente a questão de custos está altamente valorizada, e a eutanásia pode ser considerada uma forma de redução de custos.

11. A morte não ocorre sempre em condições dramáticas, com final de sofrimentos insuportáveis.

A VISÃO DA LEI NO BRASIL

No código penal brasileiro não existe a figura da eutanásia. Consulta feita a advogado esclarece que, “em princípio, ninguém pode praticá-la, sob pena de estar cometendo um crime.”

Essa prática é uma questão jurídica de natureza penal, carente ainda de previsão no código penal. No aspecto legal, a vontade do paciente, anterior ou atual, é de transcendente importância. O paciente não pode ser incriminado como suicida. O nosso código penal não pune o suicídio, mas pune aqueles que o instigam ou prestam auxílio na sua execução.

O CÓDIGO DE ÉTICA MÉDICA BRASILEIRO

Esse código contém as normas éticas que devem ser seguidas pelos médicos, no exercício da profissão, independente do cargo ou função que ocupem. Itens que tratam do assunto em estudo:

Art. 2-0 alvo de toda a atenção médica é a saúde do ser humano, em benefício da qual deverá agir com o máximo zelo e o melhor de sua capacidade profissional.

Art. 6-0 médico deve guardar absoluto respeito pela vida humana, atuando sempre em benefício do paciente. Jamais utilizará seus conhecimentos para gerar sofrimento físico ou moral, para o extermínio do ser humano, ou para permitir e acobertar tentativa contra sua dignidade e integridade.

Art. 28-O médico deve recusar a realização de atos médicos que, embora permitidos por lei, sejam contrários aos ditames de sua consciência.

Art. 42-O médico não deve praticar ou indicar atos médicos desnecessários ou proibidos pela legislação do país.

Art. 46 - É vedado ao médico efetuar qualquer procedimento médico sem o esclarecimento e consentimento prévios do paciente ou de seu representante legal, salvo iminente perigo de vida.

Art. 61, § 2.0 - Salvo por justa causa, comunicada ao paciente ou a seus familiares, o médico não pode abandonar o paciente por ser portador de moléstia crônica ou incurável, mas deve continuar a assisti-lo ainda que apenas para mitigar o sofrimento físico ou psíquico.

Art. 66 - É vedado ao médico utilizar, em qualquer caso, meios destinados a abreviar a vida do paciente, ainda que a pedido deste ou de seu representante legal.

Entendemos que no nosso país tal fato é crime no código penal, proibida pelo código de deontologia médica e afastada até em pensamento pelo juramento hipocrático.

ANÁLISE DO PONTO DE VISTA MÉDICO

Nesse item, objetivamos não apenas analisar os fatos, que a observação permite retirar da conduta médica, e propor aos médicos a revisão de sua postura nesses casos, buscando a melhoria da qualidade de atendimento a esses pacientes. Pode também ser útil a familiares e pacientes para uma visão mais aprofundada da questão, orientando-os em suas decisões.

Os três principais fatores que levam alguém a pensar em buscar a morte são:

1. Dor e sintomas físicos (interessante achado das pesquisas foi o de que a ideação suicida teve maior correlação com a intensidade da depressão, que com a intensidade da dor);

2. Estresse psicológico (depressão, delírio, perda de controle. Depressão ocorre em pelo menos 25% dos pacientes com câncer e 70% dos pacientes com doença avançada);

3. Estresse existencial (fadiga, caracterizada por exaustão física, emocional, espiritual, financeira, familiar, comunitária, aumentam o risco para suicídio no câncer e nos pacientes com aids. O paciente percebe ser uma carga para si mesmo e para a sua família).

Esses fatores sugerem que os sintomas físicos e psicológicos, experimentados por esses pacientes, requerem apropriado tratamento, porque eles contribuem de forma significativa para o valor dado à própria vida.

Nesse ponto serão importantes alguns esclarecimentos:

DOR E SOFRIMENTO NO CONTEXTO CLÍNICO

A cura da doença e o alívio do sofrimento são objetivos da medicina. A distinção entre dor e sofrimento ganha importância nos meios científicos que lidam com pacientes terminais.

A dor tem duas características importantes: a primeira é que estamos diante de um fenômeno dual - de um lado a percepção da sensação; de outro a resposta emocional do paciente a ela. A segunda característica é que a dor pode ser percebida como aguda, e portanto passageira, ou ser crônica, e consequentemente persistente. Dor aguda tem um momento definido de início, sinais físicos objetivos e subjetivos e atividade exagerada do sistema nervoso. A dor crônica continua além de um período de seis meses, com o sistema nervoso se adaptando a ela. Exige uma abordagem sobra as causas e, também, as consequências psicológicas e sociais.

A Associação Internacional de Estudo da Dor definiu a dor como: “uma experiência emocional e sensorial desagradável, associada com dano potencial ou atual de tecidos.”

Dame Cicely Saunders, a fundadora do hospice (medicina de cuidados paliativos), criou a expressão dor total, que inclui, além da dor física, a dor mental, social e espiritual. Deixar de considerar essa apreciação mais abrangente da dor é uma das principais razões de os pacientes não receberem adequado alívio dos sintomas dolorosos. Existe um momento na doença crônica, quando a impotência se torna mais intolerável que a dor, aparecendo a diferença entre dor e sofrimento. O sofrimento é pessoal, ligado aos valores da pessoa. Dor é a percepção de um estímulo doloroso, na periferia ou no sistema nervoso central, associada a uma resposta efetiva. O sofrimento é mais global que a dor, é sinônimo de qualidade de vida diminuída.

A diferença entre dor e sofrimento tem significado em pacientes terminais, e há a tendência de os tratamentos se concentrarem somente nos sintomas físicos. Embora a dor física seja a fonte mais comum de sofrimento, a dor no processo do morrer vai além do físico, tendo conotações culturais, subjetivas, sociais, psíquicas e éticas. A dor tem pelo menos quatro distintos componentes: físico, psíquico ou psicológico, social e espiritual.

> Dor física - é a mais óbvia e maior causadora de sofrimento. Fisicamente, a dor funciona como um alarme de que algo está errado no corpo. Afeta a pessoa como um todo, e pode facilmente ir além de sua função de alarme. Dor intensa pode levar à solicitação da própria morte.

> Dor psíquica - frequentemente consequência da dor física, receio ao futuro em termos de tratamento e possível morte, perda das esperanças e sonhos, ou ter que redefinir o mundo.

> Dor social - é a dor do isolamento, perda do papel social familiar. A dificuldade de comunicação pelas consequências da doença, pela possibilidade da morte, cria o senso de solidão num momento em que desfrutar de uma companhia é muito importante.

> Dor espiritual - surge da perda de significado, sentido e esperança. Todos necessitamos uma razão para viver e uma razão para morrer. Poderiamos dizer que a falta de confiança em Deus leva a essa situação. Em recentes pesquisas nos Estados Unidos, ficou evidenciado que o aconselhamento em questões espirituais situa-se entre as três necessidades mais solicitadas pelos que estão morrendo (e seus familiares). Fanáticos religiosos aceitam torturas e até a morte voluntária, sem temor aparente.

Se os esforços para lidar com a dor enfocam somente um aspecto e negligenciam os outros, o paciente não experimentará alívio da dor e sofrerá mais. É na filosofia do hospice que vemos a viabilização de uma medicina paliativa, que honra o ser humano integral.

À primeira vista, podemos pensar que a morte nas mãos da moderna tecnologia médica será um evento menos sofrido, mais digno do que o foi na Antiguidade. Podemos afirmar que temos maior conhecimento biológico, com prognósticos precisos da morte, temos analgésicos potentes que aumentam a possibilidade de controlar a dor, máquinas sofisticadas, capazes de substituir e controlar órgãos em disfunção, maior conhecimento psicológico para aliviar as ansiedades e sofrimento do final da vida.

EUTANÁSIA E O ENSINO MÉDICO

A morte é admitida com relutância no âmbito da medicina. A medicina elege como objetivo a busca da saúde, encarando a morte como resultado acidental de doenças previstas como evitáveis e contingentes. Ressalte-se que o empenho da medicina, em impedir ou retardar a morte, é consequência lógica do seu legítimo esforço em favor da vida. O que se discute é a proposta de os cursos médicos e de atualização tratarem do assunto de forma científica, prática, para criar condutas seguras do cuidado médico em situações de final de vida.

Poderia a eutanásia ser liberada somente para os que são terminais? O problema é a definição do que seja um paciente terminal. Mesmo se definido como expectativa de vida de até 6 meses, os médicos são unânimes em afirmar que essa determinação é muito difícil.

Dessa questão acima surge automaticamente outra: quando aplicar a injeção letal?

Outra posição que envolvería diretamente o médico seria estabelecer a permissão da eutanásia a quem o solicitasse. Isso seria incluí-la nos itens de tratamento médico. Seria afirmar que ela não é incorreta, e seria discriminatória, pois só seria possível aos mentalmente capazes.

Um aspecto de grande importância é a falta de educação médica e de treinamento dos serviços médicos nessas questões. Há evidência de que uma das barreiras, para esses pacientes receberem tratamento adequado de fim de vida, é falta de treinamento e de conhecimento do médico para alívio da dor e controle de outros sintomas, além da falta de conhecimento e prática para avaliar e tratar as questões psicológicas e existenciais. Os médicos são inadequadamente formados para essas questões. A maioria das universidades não tem essas questões como obrigatória, no currículo mínimo de formação dos médicos e de enfermeiros. Acrescente-se a falta de setores adequados nos hospitais para tratamento desses pacientes.

Necessário não nos esquecermos das dificuldades de diagnóstico que se apresentam para os médicos, sendo frequente a demora na conclusão diagnostica ou sua incorreção. Uma ocorrência desse tipo não só acarreta maior sofrimento ao paciente, como também pode significar, para aqueles que aceitam a eutanásia, executá-la em paciente que não seria incurável, ou não terminal. Dessas duas últimas questões poderiamos concluir que o trabalho em equipe é o correto.

UMA PALAVRA SOBRE “CUIDADOS PALIATIVOS”

Hoje se fala de hospices. O hospice afirma a vida e encara o “estar morrendo” como um processo normal. Enfatiza o controle da dor e dos sintomas, objetivando melhor qualidade de vida. O objetivo é permitir, a pacientes e famílias, viver cada dia plena e confortavelmente, tanto quanto possível, ao lidar com o estresse causado pela doença, morte e dor da perda. No hospice utiliza-se uma abordagem multidisciplinar que enfoca as necessidades físicas, emocionais, espirituais e sociais dos pacientes e familiares. A equipe consiste de médicos, enfermeiras, assistentes sociais, voluntários treinados e conselheiros religiosos que, articuladamente, trabalham provendo coordenação e continuação dos cuidados envolvendo o paciente e sua família. Também fazem o acompanhamento da família e aconselhamento aos enlutados após a morte do ente querido.

Do ponto de vista da saúde pública, a participação dos órgãos públicos deveria visar à educação da sociedade sobre as opções e cuidados do fim de vida. Deveríam observar as recomendações da Organização Mundial de Saúde, que publicou os “Cuidados para o alívio da dor e medidas paliativas para o paciente com câncer”. Estabelecimento de uma política nacional de saúde, além de programas para alívio da dor e cuidados paliativos; esforço para divulgar todos os desenvolvimentos no campo do alívio da dor, cuidados paliativos e tratamento da doença terminal, o que evitará a crescente pressão para a legalização da eutanásia.

Os perigos práticos inerentes à legalização do suicídio assistido necessitam ser “pesados”, em relação aos potenciais benefícios. É mais fácil para o médico prescrever medicação letal, do que o cuidado para com o paciente terminal, especialmente quando o paciente não tem família ou amigos.

A VISÃO DO CONHECIMENTO ESPÍRITA

A ciência espírita avalia o ser em sua totalidade, constituído de espírito, perispírito e corpo físico. O espírito é a sede da inteligência, da memória e dos sentimentos, e necessita do veículo intermediário - perispírito - para influenciar a matéria física, da qual se utiliza para agir no mundo físico. O espírito preside à formação do corpo e à sua sustentação, com os reflexos bons e menos bons de que é portador, que são plasmados no corpo físico. Para sua evolução, aprendizado e educação, o Espírito retorna ao corpo físico várias vezes, tantas quanto necessárias, para novas vivências, é a reencarna-ção. O conhecimento da reencarnação, da imortalidade, da comunicabilidade entre encarnados e desencarnados, retira as dúvidas quanto à importância da doença e da permanência do espírito no corpo físico.

O codificador da doutrina espírita, Allan Kardec, em sua obra O livro dos Espíritos, analisa questões relacionadas ao tema em estudo:

702. É lei da natureza o instinto de conservação?

— Sem dúvida. Todos os seres vivos o possuem, qualquer que seja o grau de sua inteligência. Nuns, é puramente maquinai, raciocinado em outros.

953. Quando uma pessoa vê diante de si um fim inevitável e horrível, será culpada se abreviar de alguns instantes os seus sofrimentos, apressando voluntariamente sua morte?

— É sempre culpado aquele que não aguarda o termo que Deus lhe marcou para a existência. E quem poderá estar certo de que, malgrado as aparências, esse termo tenha chegado; de que um socorro inesperado não venha no último momento?

719. É repreensível ao homem procurar o bem-estar?

— O bem-estar é um desejo natural. Deus não proíbe senão o abuso, porque o abuso é contrário à conservação. Ele não incrimina a procura do bem-estar, se esse bem-estar não é adquirido à custa de ninguém, e se não deve enfraquecer, nem as vossas forças morais, nem as vossas forças físicas.

729. Se as destruição é necessária para a regeneração dos seres, por que a natureza os cerca de meios de preservação e de conservação?

— Para que a destruição não chegue antes da época necessária.

Toda a destruição antecipada entrava o desenvolvimento do princípio inteligente.

Aspecto básico do conhecimento espírita é que as doenças, em sua maioria, têm sua sede no corpo intermediário, o perispírito, e, aquilo que vemos no físico é apenas reflexo do estado do corpo intermediário. Assim, o extermínio do físico, absolutamente, não terminará com a dor e o sofrimento do paciente, se não houver ocorrido a cura do perispírito. A precipitação do processo da morte, na grande maioria das vezes, não atingirá, do ponto de vista do paciente, o alívio esperado. O corpo físico é o meio de expurgo das dificuldades perispirituais.

Embora a doença tenha conotações desagradáveis, representa muitas vezes o recurso programado pelo próprio paciente, antes da atual encarnação, para corrigir erros cometidos, ou como oportunidade de reflexão mais profunda, a fim de abrir novas perspectivas à sua redenção. Assim, não há lugar para revolta, desde que não existe injustiça nessa situação, nem há lugar para a falta de utilização de recursos destinados ao alívio de sofrimento ou prolongamento da vida física, muito menos para o seu extermínio. O sofrimento é fator de elevação moral.

Assim, o homicídio eutanásico é desrespeito às leis divinas, no que toca a um de seus mais sublimes aspectos: o direito à vida! A piedade não tem o direito de ser homicida!

A eutanásia é erro semelhante ao suicídio, que constitui uma das mais sérias infrações à lei divina. Algumas vezes o suicídio é um processo eutanásico, e a eutanásia, a revelia da vítima, é homicídio.

O ESPÍRITA NÃO PODE ESQUECER OS RECURSOS INFINITOS DA ESPIRITUALIDADE SUPERIOR

Análise mais elaborada pela ótica espírita:

Razão para persistência da prática da eutanásia em nosso planeta: interesse de posses, ambição e temor que segredos possam aparecer, eliminação de adversários, perversidade, ódio e vingança, o materialismo que erigiu o conceito de vidas inúteis. O simples e bem-intencionado desejo de beneficiar alguém que sofre responde, sem dúvida, pelo maior número de casos.

Quando solicitada pelo doente que sofre, significa “ato de rebeldia”, orgulho; busca destruir-se ante a impossibilidade de destruir alguém, demonstrando o estágio de brutalidade moral da criatura humana.
eito às leis di-les aspectos: o ier homicida!

CONSEQUÊNCIAS DA EUTANÁSIA DIANTE DA REALIDADE DA VIDA ESPIRITUAL

Iniciaremos com palavras do Dr. Jorge Andréa:

A morte será intranquila e com sofrimento, em função do rompimento dos laços de ligação matéria-espírito fora da época. Fere os dispositivos da lei de ação e reação ao mudar o curso do processo desencarnatório. Provavelmente repercutirá na próxima encarnação, pois o desajuste desencarnatório pelo grave desequilíbrio vibratório perispiritual. A desencarnação obedece a leis que propiciam uma transferência de propostas de libertação do Espírito.

As correntes energéticas vão do espírito ao físico e desse ao espírito através dos vários corpos ou energias que compõem o perispírito e devem seguir seus passos até o total apagamento. Elas necessitam de adaptações para serem assimiladas e manipuladas nos extremos. É um ciclo em constante elaboração, sustentando a vida física e conquistando elementos para a marcha evolutiva. A sua abrupta ruptura poderá trazer consequência nos dois extremos. Os comandos originados no Espírito determinam um tempo de vida física, não com data fixa, mas como tempo de energias que se equilibram e se sustentam, assentados nas condições do livre-arbítrio, associados à proteção específica da lei. Quando a morte ocorre no momento certo o processo desencarnatório ocorre normal e sem turbulências, mas se precipitado antes que declinem as forças que o Espírito propicia, haverá choques e desequilíbrios nessas correntes. Na etapa final encarnatória, as correntes espirituais, que vêm do espírito ao físico, necessitam ser esgotadas e, pela diminuição de seu alcance, ficariam na zona perispiritual; nesse momento não mais alcançando as células físicas, o desligamento vai se dando, ocorrendo a desencarnação fisiológica, disparando o mecanismo natural da histogênese espiritual.

Sabemos de situações de prolongamento de vida física, como acréscimo de misericórdia a fim de melhor aproveitamento evolutivo, pela ação de Espíritos especializados graças à nutrição das fontes espirituais. Essa informação indica que o momento da morte pode ser controlado pelos mentores espirituais independente de participação de encarnados.

Se o caso pode ser encarado como suicídio, a questão é especial. O suicida, seja qual for o aspecto em que se envolveu, determina um desequilíbrio nas correntes espirituais que nutrem e orientam o campo físico. O indivíduo colherá as reações das perturbações nas correntes de energias que circulam entre a matéria e o espírito (com reações profundamente irritativas e comprometedoras do psi-quismo. No caso do suicídio as reações são de tal ordem que levam à loucura mesclada em desespero, quase sempre levando o Espírito à forma ovoide por ficar envolvido em suas próprias secreções mentais de desespero e grandes dores. No caso dos tóxicos, a sua constante absorção pelo perispírito e destruição das correntes do ciclo da vida abreviará os dias da encarnação. Sem o físico, como exaustor de descarga dessas reações, há sofrimento do perispírito que desorganizado e doente pelos alucinógenos difunde por toda a sua estrutura passando o próprio Espírito a escutar e viver exclusivamente as intensidades desses mecanismos.)

A perturbação desse mecanismo seria como se a corrente espiritual, ainda não esgotada, procurasse o corpo físico que já está em cadaverização, e o Espírito ficaria ali ao lado do corpo em des-fazimento, onde absorvería produtos degenerativos do processo de cadaverização onde substâncias alucinógenas fazem parte dessa fase. O perispírito carregaria, assim, as vibrações alucinógenas e entraria, em período variável, a depender das condições de cada um, em desequilíbrio psíquico. Pode haver ainda impulsos de vitalização para o físico sem condições de ocorrer e o Espírito participaria da degradação bioquímica natural absorvendo substâncias alucinógenas. Assim entraria em processo de loucura, cujos sintomas estariam relacionados ao seu próprio arcabouço psicológico. O reequilíbrio demandaria tempo e muitas vezes novo processo reencarnatório. Toda a sintomatologia espiritual estaria sempre relacionada à estrutura de realizações ou dívidas que o Espírito carrega consigo.

Outro importante aspecto, a se considerar na questão das consequências da eutanásia, é o entendimento da diferença entre morte do corpo físico e desencarnação. Morrer, do ponto de vista espiritual, nem sempre é desencarnar, isto é, liberar-se da matéria e das suas implicações e reações. A desencarnação é o fenômeno de libertação do corpo somático por parte do Espírito, e descondicio-namento de questões materiais, conquistando liberdade de ação e de consciência. A morte é fenômeno biológico que dá início a novo estado molecular. A desencarnação real ocorre depois do processo da morte orgânica, diferindo em tempo e circunstância, de indivíduo para indivíduo. Pode ser rápida, logo após a morte, ou se alonga o estado de perturbação, conforme as disposições psíquicas e emocionais do ser espiritual.

Morrer, portanto, é fácil, isto é, interromper o ciclo orgânico, o que, entretanto, não significa deixar de viver, deixar de sentir. A desencarnação pode iniciar-se durante a vida biológica, quando o ser opta pela realidade maior, e muda suas aspirações.

Para morrer e desencarnar logo é preciso ter merecimento. Permanecer num corpo mutilado e dorido, sob aflições morais e físicas, constitui necessidade inadiável, e essa conduta na dor facultará ou não a libertação, conforme seja vivida. As doenças longas, bem suportadas, propiciam ao Espírito o lento desprender-se dos condicionamentos mundanos, favorecendo os pensamentos superiores.

A importância dessas ocorrências pode ser analisada pela informação dos Espíritos, os quais relatam que a síndrome do pânico, um transtorno depressivo, ocorre em criaturas que, pela própria necessidade de despertamento, deparam com uma abertura a determinadas vivenciações de outras vidas, e que, geralmente, estão relacionadas com vivências traumáticas de desencarnação. Poderia ter como um tratamento bastante eficaz os trabalhos de regressão às vivências passadas. Seria para nós uma das indicações mais precisas que se poderia dar para a criatura.

ARGUMENTAÇÃO CONTRA A SUA PRÁTICA

> Considerar os avanços da ciência médica, que tem conseguido curar o que antes era incurável.

> Diariamente encarnam Espíritos com esse objetivo de progredir o conhecimento médico, propiciando alívio aos que sofrem.

> Compreender a razão das doenças para o equilíbrio espiritual.

> As informações mediúnicas ressaltam as consequências para aqueles que exterminam a vida de seus semelhantes antes do tempo previsto. As pessoas que se lhes vinculam são partícipes dos dramas e tragédias do passado, que ora se reabilitam auxiliando-os fraternalmente. Quase sempre agem por egoísmo, para se libertarem do comprometimento de ajudá-los a se amarem.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O indivíduo que autoriza a própria morte pode não estar na integridade de seu entendimento.

As solicitações para eutanásia voluntária serão muito raras, em situações em que as necessidades físicas, emocionais e espirituais são satisfeitas. A eutanásia infantil é o exemplo mais claro do risco que enfrentam os recém-nascidos com deficiência física.

A dor é um dos fatores que levam o paciente a solicitar o suicídio assistido ou a eutanásia. Sintomas não controlados, estresse psicológico e existencial parecem ser elementos igualmente importantes no paciente em sofrimento. Os sinto mas que geralmente levam à eutanásia voluntária podem ser.

quase sempre, tratados com as terapias atuais: “[...] quando o fizerdes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.” (Mateus, 25:40)

Há um forte consenso de que os médicos continuam inadequadamente treinados para 0 cuidado do paciente terminal.

À medida que a prestação de serviço de saúde se torna mais dependente da tecnologia, estão sendo deixadas de lado práticas humanistas, como manifestação de apreço, preocupação e presença solidária com os doentes. É o paradigma do cuidado. Cuidados de saúde, sob o paradigma do cuidar, aceitam o declínio e a morte como parte da condição do ser humano, uma vez que todos sofremos de uma condição que não pode ser “curada”, isto é, somos criaturas mortais.

Sabendo que a dor é mais que física, e inclui aspectos psicossocioespirituais, necessário se faz rever os passos específicos para apoiar o relacionamento entre pacientes e profissionais, entre pacientes e familiares, e entre pacientes e suas crenças e práticas religiosas, visando ir ao encontro das necessidades de apoio emocional, sentir-se parte da comunidade e de seu significado.

Sabemos que a renovação espiritual pode vir no último instante, e a interrupção das provas necessárias prejudica profundamente o reencarnado.

A dor espiritual é muito mais insuportável que a física. Muitos morrem infelizes e abandonados; isso é o que devemos evitar. É fundamental acompanhar ao paciente, cuidar-lhe mesmo que não se possa curá-lo. Recorrer aos cuidados paliativos asseguram uma morte digna para o ser.

Com a compreensão da vida espiritual, aprenderemos a cooperar com o desprendimento dos pacientes próximos à morte. Não haverá desespero, blasfêmia ou inconformismo.

Os minutos que precedem à desencarnação são muito importantes para o desencarnante. O desligamento se acompanha de emoções e sensações variáveis de ser para ser. Desse modo, deve ser em clima de paz para que não haja desequilíbrio vibratório. O intercâmbio psíquico entre os envolvidos é natural e reflete de forma importante no desencarnante. Lembrar que morrer não é desencarnar.

Deve-se reconhecer que a morte, precedida ou acompanhada de sofrimentos atrozes e prolongados, é um acontecimento que naturalmente angustia o coração do homem. A dor física é certamente um elemento inevitável da condição humana; ao nível biológico, constitui um sinal cuja utilidade é inegável; porém, que atinge a vida psicológica do homem, e frequentemente supera sua utilidade biológica, podendo assumir uma dimensão tal que suscite o desejo de eliminá--la a qualquer preço. A visão integral do ser como espírito e matéria, o conhecimento da vida verdadeira, a espiritual, e as razões da encarnação e do sofrimento para a evolução do Espírito são argumentos inquestionáveis na mudança desse panorama.

Se a morte é parte do ciclo da vida humana, então cuidar do corpo que está morrendo deve ser parte integral dos objetivos da medicina. A morte é o foco em torno do qual os cuidados médicos deveríam ser direcionados, desde o início no caso de doença grave ou declínio das capacidades físicas e mentais, como resultado da idade ou doença. O futuro, com a disseminação do conhecimento espiritual aplicado à conduta médica, fortalecerá essa visão. Assim, a medicina terá diante de si um permanente desafio ético, ao qual é mister responder com urgência - o de sempre humanizar a vida, até o seu ocaso.

É necessário reafirmar com toda firmeza que nada autoriza a morte de um ser humano inocente, seja feto ou embrião, ou adulto, doente incurável ou agonizante. Nenhuma autoridade pode legitimamente impor nem permitir sua ocorrência. Trata-se de uma violação da lei divina, de uma ofensa à dignidade da pessoa humana, de um crime contra a vida, de um atentado contra a humanidade.

A quantidade de tratamento a ser oferecido ao paciente, sem levá-lo a desconforto desnecessário e sem ofensa à lei divina, será decidida quando conseguirmos ver integralmente o ser humano em sua problemática espiritual, quando utilizarmos os recursos mediúnicos de informações dos mentores da área médica, que estão constantemente a orientarem os profissionais que se disponham à recepção de suas orientações. Na medicina do futuro, os hospitais contarão, como recurso corriqueiro, de reuniões mediúnicas de discussão de casos, em que o passado espiritual e as justificativas da condição clínica atual dos pacientes poderão ser analisadas e ditarem a conduta médica.

Importante conduta médica, ainda pouco utilizada, com comprovada eficácia no alívio e cura de pacientes são os processos fluidoterápicos, que também, em futuro próximo, participarão na mudança do panorama atual da conduta médica, tornando a vida mais confortável em seu final.

Importante recurso terapêutico permitido pelo conhecimento espírita é o processo de desobsessão. Doença epidêmica em nosso planeta na atualidade, é responsável por um grande número de processos patológicos, seja como causa básica, seja como fator agravante, e quando corretamente abordada pode permitir a cura definitiva do ser integral.

Em paciente terminal que não acredita em Deus, e por isso teria, segundo alguns, o direito de suicidar-se por entender-se dono de sua vida, será grandemente beneficiado pela permanência em corpo de dor, a fim de despertá-lo para a realidade de Deus. É a função da dor.

Nos cuidados ao paciente terminal, deveremos incluir, sempre que possível, o esclarecimento da realidade da vida espiritual, o que em muito reduz a aflição dos instantes finais. O conhecimento dos passos que terá de trilhar, a certeza do socorro espiritual, da continuidade da consciência permitem uma mudança de panorama, de expectativa.

ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS CONTRA A EUTANÁSIA

- PRO-LIFE MOVEMENT INCREASINGLY ON ASSISTED SUICIDE

- PRO LIFE CONCIL

- INTERNATIONAL ANTI-EUTHANASIA TASK FORCE

- WORLD FEDERATION OF DOCTOR SHO RESPEC HUMAN LIFE PROJECT LIFE

- CURE - (CITIZENS UNITED RESISTING EUTHANASIA)

- NATIONAL COLLEGE STUDENTS FOR LIFE

- BLACK AMERICANS FOR LIFE

CAPÍTULO 5 - MARTA, A LAGARTA QUE NÃO QUERIA SER BORBOLETA

SOLANGE FIG. DE SOUZA CARDOSO - PSICÓLOGA

O QUINTAL ERA LINDO, UM TAPETE DE GRAMA, RO-deado por terra de um marrom suave que adornava o lar de Marta.

O espaço era muito grande, e a primavera acabara de chegar. O Sol nascia com aquela luminosidade dourada clara que, de mansinho, ia esquentando as gotículas de orvalho de uma noite quente, mas amena.

Os pássaros, preparando seus ninhos, cantavam felizes, enfeitando o ambiente para a breve chegada de novas vidas. Rastejando pela grama fresca, lá ia Marta com sua mãe. — Que linda manhã está hoje, não é mamãe?

— É, sim, Marta. Vamos rápido pegar aquelas belas folhas do fícus para nosso café da manhã?

— Olá, Marta! - disse sua amiguinha Tina, uma bela la-gartinha que também seguia com sua mãe.

— Oi Tina! Que blusa linda você usa hoje...

— Obrigada, Marta, foi presente da vovó.

E, assim, o grupo de lagartas seguia feliz rumo ao grande fícus, que, com a chegada da primavera, estava repleto de folhas novas.

Marta era uma lagarta jovem, inteligente, que crescia rapidamente. Ela gostava muito do lugar aonde vivia, conhecia cada palmo daquele quintal, inclusive os perigos que lá havia, todos os animais, insetos. E ela amava viver ali, com todos que ela conhecia muito bem.

A primavera transcorreu com tranquilidade, a vida se irrompia por todos os cantos. Pássaros novos nasciam, flores, beija-flores, frutas, tudo estava muito belo. Até que, quando o verão começava a despontar, Marta foi surpreendida por uma novidade. Sua mãe havia se recolhido em um galho de árvore e começou a querer só dormir.

Marta, muito assustada, foi correndo até ela e perguntou:

— Mamãe, o que é que há? Você está doente?

— Oh, querida, não. É chegada a hora da minha transformação.

— Transformação?

— Sim, filha, é natural. Todas nós, lagartas, passaremos por ela. Eu também já tive medo, até descobrir que isso é um processo natural, ele não dói, e, sem percebermos, ele vai acontecendo...

— Mas, mamãe, o que é isto? Estou assustada, o que vai acontecer? Vou ficar sozinha? O que vai ser de mim? Isso vai acontecer comigo?

— Calma, Marta, todas as suas perguntas serão respondidas na hora certa, calma. Agora, querida, preciso dormir para ganhar energia, para construir meu casulo. Depois conversamos mais. Vá para casa. Está tudo bem.

E, naturalmente, ela recostou e adormeceu.

Marta, assustada, sem muito entender o que acontecia, se pôs a chorar. De repente, dona Coruja, do seu buraco de árvore, observa e se aproxima.

— Que foi, Marta? Por que você chora?

— Ah, dona Cotinha, a mamãe está doente e não quis me contar. Ela veio com uma conversa de transformação. Eu não entendi nada, o que será de mim?

— Calma, querida, vamos até minha árvore que vou lhe contar umas histórias e lhe mostrar meu livro da sabedoria.

Tristonha, pensativa, Marta foi com dona Cotinha. Chegando lá, Marta estava exausta, mas não pôde deixar de ver tantos livros, e, em especial, um muito grande e bonito, de capa vermelha, O livro da sabedoria, de dona Cotinha.

Dona Cotinha percebeu o cansaço de Marta, ofereceu a ela um lanche e a deixou descansar. Marta caiu em sono profundo e começou a sonhar. Seu sono era agitado, na sua cabecinha vinham imagens assustadoras, imagens belas e, assim, Marta passou a noite, gemendo, até o outro dia chegar.

— Bom dia, Marta! - disse dona Cotinha, com um delicioso café da manha em sua mesa.

— Bom dia, dona Cotinha! Que noite! Tive um sonho engraçado, eu via monstros enormes querendo me pegar, mas várias borboletas vinham me salvar e eu saía correndo com elas, correndo, não, voando... Engraçado, não?

— Oh, Marta! - gargalhou dona Cotinha. Isso acontecerá com você, um dia.

Marta deu um pulo, assustada, e disse:

— Que é isso, dona Cotinha. A senhora tá doida?

— Não, Marta, tome seu café que depois conversamos. Calma. Você entenderá tudo.

Marta foi comer, pois estava faminta, e logo também iria ver a mãe; e dona Cotinha devia era estar caducando, coisas de velha...

— Marta, vamos a’O livro da sabedoria? Eu tenho uma história pra te contar.

Marta foi meio desconfiada. Mas foi.

Quando dona Cotinha abriu o grande livro de capa vermelha, Marta se encantou, era lindo, tinha belas gravuras, letras grades e negras; e dona Cotinha começou a contar a história da vida, do Deus, da criação. Quanto mais ela falava, mais Marta se embevecia... Dona Cotinha começou então a contar a história dos girinos que viravam sapos e das lagartas que se transformavam em borboletas. Nesse momento, foi como se tivessem jogado fogo em Marta, ficou branca. Dona Cotinha, percebendo, esperou Marta se recompor e ela, Marta, diz:

Como é? Lagarta vira borboleta? Não pode ser, não quero isso para mim! Gosto de ser assim, do lugar onde vivo, adoro ter esse monte de pernas e tenho medo de altura. Eu sou forte, a borboleta é frágil, como pode? Vê se pode? Uma lagarta virar borboleta!

— É, Marta, é a pura verdade. Vem ver.

Dona Cotinha pegou-a pela mão e a levou até sua mãe. Marta assustou-se, novamente, quando viu o corpo dela coberto pela metade com uma coisa esquisita.

— Mãe, o que é isso? Eu não disse que você estava doente?

— Não, Marta, é a transformação, estou preparando minha nova casa, meu casulo, é assim que se chama.

Marta se calou, viu que não havia o que fazer; começou a ser envolvida por um sentimento estranho, e resolveu ficar ali, com dona Cotinha, observando; e começou a achar aquilo até bonito, diferente.

De repente, dona Cotinha começou:

— Marta, a vida de todo ser vivo á assim, sofre mudanças e transformações, e vocês, lagartas, passam por esse processo, que se chama metamorfose, para se transformarem em lindas borboletas.

Marta ouvia, pensava, sentia alegria e tristeza.

— Ah, dona Cotinha, vou perder tudo o que tenho? Meus amigos, meu quintal, minha mãe, a senhora...

— Não, querida, você vai fazer aumentar tudo que tem e poderá ver além do quintal, da grama, é assim que é, você se transformará em borboleta, os filhotes do beija-flor vão voar, a grama vai mudar e assim por diante.

Por alguns instantes, Marta ficou envolvida com seus pensamentos e sentimentos, mas já se conformava com a nova realidade que aparecia à sua frente. Começava a entender o que sua mãe dissera, meses atrás, que a vida era muito maior do que aquele quintal e do que aquilo que ela vivia. Agora ela começava a compreender:

— Obrigada, dona Cotinha, mas vou para casa, descansar, pois amanhã, bem cedo, quero estar junto à mamãe para lhe contar o que aprendi, e que agora entendo. Boa noite.

— Boa noite, Marta, durma bem.

Na manhã seguinte, uma chuva fina caía e todo o quintal ainda estava meio adormecido. Marta acorda com uma algazarra de Zé, o bem-te-vi. Ela olha por cima da folha úmida, gotas de chuva caem embaçando seus olhinhos.

— Marta, Marta, acorde - gritava ele.

— O que foi, Zé, o que foi?

— Venha ver a beleza, venha ver o toque do Deus no nosso quintal.

Quando Marta despertou mesmo, ela havia percebido que algo acontecera, parecia uma magia, ela não compreendia muito bem, haviam passado vários dias, várias noites, ela ficou perplexa. Por que dormiu tanto? Ela nem percebera!

— São os mistérios da vida que nos acontecem - dizia dona Cotinha, que parecia um pouco mais velha, um pouco mais sábia.

Quando Marta chegou à árvore onde sua mãe havia encostado, há um tempo atrás, a casinha, ou melhor, o casulo, começava a romper. Todos os insetos, toda a bicharada, até os filhotes humanos estavam lá.

Aos poucos, com delicadeza, o casulo ia se abrindo e uma forma encolhida começava a expandir, crescer e tomar corpo.

Marta, boquiaberta, vê uma linda borboleta de asas pretas com bolas azuis aparecer na sua frente.

— mã..., mã..., mããããeeeeeeüü

— Oi, Marta.

— Como você está linda, diferente...

— É, Marta, você entende agora como é lindo o presente que Deus nos dá? O dom de renovar e transformar a vida?

E Marta, a lagarta que não queria ser borboleta, consegue aprender a grande lição, que tudo se transforma, muda e se renova. A partir daquele dia o quintal era outro. A mãe de Marta foi cumprir o ciclo da vida, permitindo que outras lagartas viessem e se transformassem. E também chegou o tempo de Marta: e o ciclo da vida, com todo seu esplendor, continuava sempre para ensinar a todos nós, as Martas da vida.
Essa história era para ser contada como uma metáfora sobre a morte, para as crianças. Mas, na verdade, ela é contada para a nossa criança interior, a nossa criança ferida, sofrida, que vai aprendendo com a nossa parte adulta a amadurecer a vida, junto com a vida.

Neste trabalho, como psicóloga, muitas vezes, sinto-me, assim, como Marta, desamparada, só, querendo encontrar uma solução mágica para as dores da vida.

Mas também tenho oportunidade de aprender com meus pacientes-coruja, as nossas Cotinhas, a esperar o tempo certo, a entender os desígnios “do Deus”. E vamos, junto com outros colegas de trabalho, com os pacientes subindo e descendo um lindo carrossel. É difícil explicar como se dá o encontro, o aprendizado. Vamos trocando, podendo mostrar, vivenciar com o nosso companheiro de jornada que a dor é suportável, que podemos lidar com ela.

Nesse processo, tenho entendido a diferença entre a “vontade de Deus” e a “permissão de Deus”. Na Sua sabedoria infinita, vamos tecendo uma teia, onde o que acontece pode não ser a vontade d’Ele (Deus), mas, sim, permissão para que possamos aprender, crescer e evoluir.

Como Marta, ficamos assustados, temos medos, gostaríamos até, às vezes, que tudo fosse diferente, mas lá na frente, depois de caminharmos um pouquinho, encontramos algum belo livro de capa vermelha para nos orientar.

Todo caminho em seu início é desconhecido. Podemos vislumbrar, imaginar o que vamos encontrar. Mas, na verdade, para nossa aflição, ele é desconhecido. Desconhecido, porque cada ser sente, vive, exprime, internaliza de maneira estritamente pessoal.

Saímos da faculdade apenas com um “canudo” vazio na mão. É a nossa primeira autorização para exercermos a profissão que escolhemos. Apenas isso.

O que é ser psicólogo? Como ser psicólogo?

Essas perguntas só serão respondidas muito tempo depois. São construídas, transformadas e sentidas ao longo do caminho.

Quando estamos lidando com uma doença, buscamos técnicas, recursos, soluções, teorias, que serão importantes. Mas só conseguimos andar junto com o paciente quando nos defrontamos com “o doente”, com o ser que vai se descortinando à nossa frente. Podemos saber, estatisticamente, o prognóstico daquele ou desse tipo de câncer, mas não temos condições de prognosticar “o doente”, o ser que se apresenta a nós.

A psicoterapia para um paciente de câncer é completamente diferente de outro paciente?

Acredito que não, pois a questão é “o doente” e não a doença.

A doença pode ser uma para o paciente. Ela vai abrindo um sagrado em nós, mas é a chave que abre duas portas: o coração do paciente e o coração do seu terapeuta. A ação terapêutica, progressivamente, desenvolve o entendimento, a compreensão e a aceitação dos próprios processos, e ativa Como Marta, ficamos assustados, temos medos, gostaríamos até, às vezes, que tudo fosse diferente, mas lá na frente, depois de caminharmos um pouquinho, encontramos algum belo livro de capa vermelha para nos orientar.

Todo caminho em seu início é desconhecido. Podemos vislumbrar, imaginar o que vamos encontrar. Mas, na verdade, para nossa aflição, ele é desconhecido. Desconhecido, porque cada ser sente, vive, exprime, internaliza de maneira estritamente pessoal.

Saímos da faculdade apenas com um “canudo” vazio na mão. É a nossa primeira autorização para exercermos a profissão que escolhemos. Apenas isso.

O que é ser psicólogo? Como ser psicólogo?

Essas perguntas só serão respondidas muito tempo depois. São construídas, transformadas e sentidas ao longo do caminho.

Quando estamos lidando com uma doença, buscamos técnicas, recursos, soluções, teorias, que serão importantes. Mas só conseguimos andar junto com o paciente quando nos defrontamos com “o doente”, com o ser que vai se descortinando à nossa frente. Podemos saber, estatisticamente, o prognóstico daquele ou desse tipo de câncer, mas não temos condições de prognosticar “o doente”, o ser que se apresenta a nós.

A psicoterapia para um paciente de câncer é completamente diferente de outro paciente?

Acredito que não, pois a questão é “o doente” e não a doença.

A doença pode ser uma para o paciente. Ela vai abrindo um sagrado em nós, mas é a chave que abre duas portas: o coração do paciente e o coração do seu terapeuta. A ação terapêutica, progressivamente, desenvolve o entendimento, a compreensão e a aceitação dos próprios processos, e ativa
em nós, terapeutas, a nossa capacidade de contactar e desenvolver nosso ser interno, bem como o processo pessoal de evolução. Nesse trabalho com o paciente oncológico, isto é aguçado e fortalecido.

Vamos aprendendo juntos que todo processo de evolução e cura pertence ao indivíduo, que somos parceiros de caminhada, que o aprendizado e a “cura” não é unilateral. Esse trabalho nos proporciona reencontrar, enquanto terapeutas, a nossa trajetória evolutiva, o paciente nos ajuda profundamente a nos apropriarmos de nossa história, de nossa estrada. É uma ajuda mútua.

É angustiante para o terapeuta ou para o “curador” que se faz único responsável pela evolução e saúde de quem o procura. Na proporção que aprendemos e estimulamos a au-tocura, percebemos o quanto o paciente nos ensina. Somos meros “orientadores”, “veículos”, e a estrada é de mão dupla.

O trabalho com o paciente oncológico potencializa, em ambos, o desenvolvimento de uma responsabilidade: a de ativar a fé no amor, a compreensão de aproveitar a doença como caminho para cura, estimula o desejo do conhecimento, ameniza a angústia de ambos, pois aprendemos juntos que o caminho é conquista própria.

Quando peguei meu “canudo vazio” lá atrás, jamais podería imaginar que trilharia esse caminho e, quando comecei esse trabalho, foi com medo, com insegurança, questionando minha competência - tudo prepotência camuflada - e aprendi, com meus queridos pacientes oncológicos, que o respeito dedicado ao outro passa pelo respeito dedicado aos meus próprios processos.

O homem não tece a teia da vida: é antes um dos seus fios. O que quer que faça a essa teia, faz a si próprio. — Cacique Seattle

PARTE 6 - DEPOIMENTOS

CAPÍTULO 1 - DEPOIMENTOS DE ALGUNS PACIENTES

ALEXANDRE G RUGANI.

AS PESSOAS MUDAM.

Mudam porque passam a conhecer novos processos, porque refletem sobre os novos conhecimentos, entendem, questionam e, se aprovados, aceitam.

Novos conhecimentos imprimem novos hábitos de vida, introduzem novos grupos de relacionamento, provocam novas atitudes.

Hoje eu estou modificado.

Posso afirmar isto com bastante convicção, porque adquiri novos hábitos.

Foi aos poucos...

Quando cheguei ao grupo, estava circunscrito a um mundo estritamente racional, limitado à amplitude de minha vida profissional. A vida se resumia ao cotidiano repetitivo e frio, necessário e assustador, onde eu me posicionava como uma máquina que, acionada, produzia até o intervalo do almoço; e depois, reacionada, produzia todo o período da tarde; e, ainda, se necessário, acionando-a, produziría também até o período noturno.

O outro dia: seria bastante igual.

O que me impulsionava era um medo terrível de ser identificado como o menos competente da empresa e, daí, ser o escolhido para deixá-la.

Foram 24 anos com o mesmo medo. De menor intensidade no início da carreira e, crescente, a cada passo que eu dava na hierarquia da estrutura da empresa.

Um medo que me impedia de enfrentar o novo, com atrevimento e inteligência.

Eu enfrentei diversas situações de novidade. Porém, maltratei muito o meu físico nessas ocasiões. Preocupei minha mente com a projeção de possibilidades que nunca vieram a ocorrer, sofri preventivamente, todas as emoções - fortes - de situações que não ocorreram.

Assim cheguei ao grupo.

Mas, mesmo diante desse quadro, entendia que o grupo não era exatamente necessário, porque eu não tinha nenhum desvio, tudo que eu sentia e vivia era comum ao meu redor.

Eu não percebia que a intensidade era diferente para cada pessoa, individualmente.

Para mim, era extremamente forte. Mais do que eu podería suportar sozinho.

Ora, e eu tinha limites!

Então comecei a aceitar conversar com o grupo. Conversar na terapia. Refletia sempre sobre os temas abordados.

Abaixei meus escudos e permiti o acesso das novas idéias.

Pareciam tolas. Pareciam repetidas. Parecia que eu já sabia tudo e nada era novidade. Pseudossábio.

Não sei precisar como e quando eu comecei a mudar...

Não sei se foi aos poucos ou se foi de repente.

Uma primeira mudança de atitude foi conseguir deixar o trabalho para ir ao grupo. Para ir à terapia individual.

Era conflitante. Parecia irresponsável. Era tão secundário em relação às dezenas de tarefas que me esperavam no serviço, que eu não aceitava atribuir à terapia uma prioridade de vida.

Eu acreditava que estava curado. A cirurgia havia eliminado tudo e, depressão, tristeza, preocupações com a doença eram coisas que não me ocupavam a mente. Apenas meu trabalho e o constante impulso do medo de deixar a empresa.

Resultado: novo comprometimento do físico. Dessa feita, na área pulmonar.
Um misto brando de susto e preocupação, confesso, passou por minha mente. A hipótese de descontinuar a presença física também passou rapidamente em meus pensamentos que, logo que podiam, retomavam a preocupação maior: coordenação dos trabalhos em andamento na minha empresa.

Mas, graças ao grupo (e a terapia individual está contida nele), meus ouvidos estavam se abrindo à captura de sons mais humanos. Sons que portavam emoções e sentimentos outros, que eu não estava habituado a perceber.

Um médico renomado, especialista no tema, encorajando-me, convidou-me a buscar o recurso da terapia, como um essencial complemento ao tratamento físico, para o qual ele também me encaminhava. Mencionou também a lembrança de Deus. E indicou que a cura estaria dentro de mim mesmo.

Não consegui entender tudo. Era um neófito no tema.

Hoje entendo bem melhor.

Continuamos trabalhando na terapia. Ela me ajudou a escolher meu caminho.

Tomei novas atitudes.

Eu pedi para sair da empresa.

Imediatamente procuraram formas de aumentar meu salário. O superintendente me chamou para descobrir o que me desagradava. Eu era pilar importante na empresa e ela não queria que eu saísse.

Foi quando eu usei minha bomba atômica: eu estava com câncer!

Fizemos um acordo para que eu pudesse sair de forma mais confortável para ambas as partes. Mas, me lembrava a empresa, se a qualquer instante eu desejasse retroceder no processo, seria perfeitamente possível.

Impressionantemente, eu me mantive firme.
Hoje, percebo que teria sido terrível permanecer no mesmo quadro. Não haveria medicina capaz de evitar meu óbito.

Comecei o meu tratamento físico. Reforcei com florais, reiki e acupuntura.

Acostumei a pensar. Repensar e refletir. Comecei a enxergar por ângulos diferentes.

Atualizei meus conhecimentos. Li. Estudei. Ponderei.

Aceitei uma nova postura diante da vida.

Ainda estou em curso.

As estâncias que se abriram não se fecharão jamais. Poderão ainda surgir novas: isso sim.

Continuarei trilhando meu caminho. Com novos conhecimentos.

Eu mudei!

Agora devo continuar - sempre - com a autoterapia: momentos em que devo analisar fatos e sentimentos e trocar comigo mesmo (ou com alguém) impressões e considerações reflexivas, buscando entender o que determinado evento pode contribuir para o meu crescimento.

Tudo é útil.

Tudo foi útil.

Eu creio, que se fosse possível retrilhar a estrada, eu a repetiría com mais êxito, porque tenho hoje mais bagagem, mais recursos. Estou mais preparado.

Mas o caminho é sempre em frente.

Portanto, posso ainda usar comigo o aprendizado adquirido. Posso usar com meus filhos. Posso usar com meu próximo.

É... As pessoas mudam.

Mudam porque passam a conhecer novos processos, porque refletem sobre os novos conhecimentos, entendem, questionam e, se aprovados, aceitam.

ALEXANDRE GONÇALVES RUGANI Belo Horizonte, 26 de maio de 2004

LETÍCIA, UMA MENSAGEM DE CORAGEM E AMOR

Letícia, desde o início de sua vida, demonstrou muita coragem e vontade de vir ao mundo. Após um parto difícil, chegou com valentia e nos trouxe uma imensa alegria.

Ela começou a enfrentar, desde cedo, dificuldades e, poucos meses após completar um ano de vida, vivenciou a separação de seus pais, ficando bastante tempo sem o contato paterno.

Foi crescendo linda, inteligente e forte, mas tinha um “gênio difícil”: era brava, rebelde e fazia muitas pirraças. Adorava a escolinha, que era uma de suas grandes alegrias, pois amava o contato com as crianças e as atividades escolares.

Após completar quatro anos de idade, sua luta pela vida se iniciou: foi descoberto um câncer renal e ela sofreu a primeira cirurgia. Seu rim foi retirado e, após complicações pós-cirúrgicas e grandes sofrimentos, teve alta do hospital: era sua primeira vitória.

A quimioterapia foi iniciada, com muita esperança para todos nós. Em uma dessas sessões conhecemos o Felipe e sua mãe. Conversando com ela, falei-lhe da necessidade do apoio psicológico para Letícia, quando então me indicou a exames de sangue, e incontáveis injeções para aumentar sua resistência física, viraram rotina.

Algum tempo se passou, e após fazer exames de controle, foram descobertos nódulos em seus pulmões: foi ela submetida à sua última grande cirurgia. Após a operação, foi novamente para a uti, com dois drenos no tórax, um de cada lado, que lhe causavam fortes dores. Foram dias dolorosos e eu só me afastava dela para dormir, voltando pela manhã.

Quando recebeu alta do hospital, sua médica foi clara: sua única e mínima chance era o transplante de células-tronco, somente disponível em São Paulo.

Eu e minha filha fomos para São Paulo com um grande medo do desconhecido, mas, cheias de esperança. Chegando lá, ficamos em uma casa de apoio para crianças com câncer, e o convívio com outras crianças que faziam o mesmo tratamento que ela a ajudaram a ver que não era a única a passar por tantos sofrimentos... Internamo-nos na uti do hospital, e passamos pelo período mais crítico de seu tratamento: teve ela uma infecção generalizada que a fez inchar nove quilos, além de apresentar feridas na boca e em todo o tubo digestivo. Ela passou a receber alimentação parenteral e apresentou uma insuficiência cardíaca grave, tendo sid > colocada no respiradouro artificial. As febres não eram contidas com medicamentos e seu corpo tinha que ser coberto com compressas geladas, dia e noite... Letícia foi desenganada pelos médicos e sua vida era mantida por seis máquinas que faziam barulho dia e noite...

Um dia, após uma dessas sessões de compressas, senti um forte cheiro de perfume de flores e, para meu espanto, algum tempo depois, ela começava a vencer a infecção.

Minha filha era uma guerreira, meu respeito e admiração por ela cresciam a cada dia...

Recebeu alta, após ficarmos quase um mês isoladas, em um pequeno apartamento na casa de apoio. Voltando para Belo Horizonte, quando chegamos juntas em casa, agradeci a Deus à graça que nos fora concedida... Letícia voltou de lá amadurecida, mais doce e carinhosa. Durante três meses, fomos novamente felizes, aproveitando cada minuto juntas; ela mantinha longas e detalhadas conversas com seu avô sobre suas vidas anteriores, que só me foram reveladas após sua desencarnação...

Continuamos em tratamento na amemg, e o vínculo de amizade entre Letícia e sua psicóloga se fortaleceu, até que novos exames constataram que a doença não fora curada... Este foi outro dos piores dias da minha vida... Pedi então à sua psicóloga que a preparasse para a partida, rumo à vida maior nas colônias espirituais, pois acredito na continuidade da vida e que reencarnamos várias vezes para nos aperfeiçoar.

No dia da desencarnação de Letícia, ligada ao oxigênio e com grande falta de ar, pronunciou ela com clareza suas últimas palavras: “Chame a Sônia, eu estou morrendo...” Eu abracei minha filha com grande emoção e, nesse momento, consegui entregá-la para Deus, dizendo que a amava muito e que iria para um lugar maravilhoso, pois Vitória e Felipe já a estavam esperando lá... Letícia se foi rapidamente, num ambiente repleto de luz...

No dia seguinte, sentindo um enorme buraco em meu peito, procurei por sua psicóloga e esta me consolou, transmitindo alguns pedidos que minha filha lhe confiara: um deles era que eu doasse suas coisas para “os realmente pobres”...

Assim, preenchí meus dias vazios separando suas roupas, brinquedos, fitas de vídeo e até sua mesada, que estava em sua bolsinha, e os distribuí para várias instituições de apoio para crianças com câncer; como era de sua vontade. Isso me trouxe muita paz e reconforto...

Após alguns meses, “sonhei” que visitava minha filha: eu estava sentada em um lugar que não conhecia, onde um ca-chorrinho branquinho e peludo veio brincar comigo e, quando me virei para brincar com ele, vi minha filha correndo para mim dizendo: “Mamãe, eu te achei...” Acordei bem disposta e feliz naquela manhã...

Alguns meses depois, na amemg, recebi notícias de minha filha; por uma cartinha, Vitória me trazia informações. Dizia que Letícia estava bem e não se encontrava sozinha, pois ela e outras crianças faziam companhia para minha filha. Informou que Letícia afirmava ter que ser assim, como foi, mas que até já sabia do local em que se encontrava. Dizia também que já não precisava mais de tantos remédios, nem do oxigênio. Também sentia muitas saudades, mas que não chorássemos mais; amava-nos e mandava beijinhos para todos... Até já tinha um cachorrinho com ela, peludo, branquinho e muito levado...

Receber notícias de minha filha deu-me forças para continuar. .. Passados alguns meses, tive um novo “sonho”: Chegava a um edifício e era recebida por uma jovem, que muito me lembrou a Vitória, e que me disse: “Adivinhe o que você veio fazer aqui hoje?” E, ao olhar para o lado, vi minha filha Letícia. Ela se apresentava com o corpo muito sutil, cabelos grandes e um sorriso encantador, que me transmitia paz e um grande amor...

Agradeço a Deus este presente maior, que foi minha filha, e, com a certeza de que ela está bem. Evito pensar em seu descomunal sofrimento, fixando-me nos momentos maravilhosos que passamos juntas e na mensagem de vida que ela deixou: a sublimação dos seus sentimentos, a conquista do amadurecimento, da humildade, da doçura, da aceitação; e o amor às crianças pobres...

Tenho uma enorme gratidão à equipe da amemg, por todo apoio que recebemos nos momentos mais difíceis da nossa vida...

E, todas as vezes que, em nome de Letícia, pratico uma caridade, sinto-a bem pertinho de mim...

CARMEM VALÉRIA RAMOS DE MELO

F I M