A RESTAURAÇÃO DA
FELICIDADE HUMANA

A Restauração da Felicidade Humana

BEM-AVENTURADOS - O AT às vezes empregava fórmulas de felicitações como essas, falando de piedade, de sabedoria, de prosperidade Salmo 1: 1 e 2; 33: 12; 127: 5 e 6; Provérbios 3: 3; Eclesiástico 31: 8. No espírito dos profetas, Jesus lembra que também os pobres participam de suas bênçãos: As três primeiras bem aventuranças Mateus 5: 3 a 5; Lucas 6: 20 e 21 declaram que as pessoas comumente tidas como infelizes e amaldiçoadas são felizes, estão aptas para receber a bênção do Reino. As Bem aventuranças seguintes se referem diretamente à atitude moral do homem. Outras bem aventuranças de Jesus Mateus 11: 6; 13: 16; 16: 17; 24: 26; Lucas 1: 45; 11: 27 e 28; Apocalipse 1: 3; 14: 13; etc..

As primeiras palavras de Cristo ao povo, no monte, foram de benção. Significa feliz, descreve a condição interior de um seguidor de Cristo e lhe prometem bênçãos no futuro.

Antes de estudar em detalhes cada uma das bem aventuranças há dois fatos gerais que devemos observar.

1. A primeira parte de cada bem-aventurança não há nenhum verbo. Se poderia esperar que depois da primeira palavra aparecesse o verbo. Porque é assim? Jesus não disse as bem-aventuranças em grego, Jesus falou em aramaico, língua parecida com o hebraico. Estes dois idiomas tem uma forma de expressão corrente que na realidade é uma exclamação que quer dizer: Oh bem aventurados! Essa expressão hebraico: ashrê é muito freqüente no AT. Exemplo o primeiro Salmo inicia em hebraico Oh Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios! Salmo 1: 1, que é a forma que usou Jesus para as Bem-aventuranças, não são simplesmente afirmações, são exclamações. Oh Bem-aventurados os pobre de espírito!

Isto tem muita importância, porque quer dizer que as bem-aventuranças não são esperanças de piedade de algo que pode ser, não são palavras irreais ou alguma profecia futura, são felicitações de algo que está presente.

A bem-aventurança oferecida ao cristão não é proposta para o futuro no reino da glória, mas existe aqui e agora. Não é algo que o cristão entrará, é algo em que ele está dentro.

É verdade que alcançará a plenitude e sua consumação na presença de Deus, mas é uma realidade presente que se desfruta agora. As Bem-aventuranças dizem com efeito: Oh que bênção é ser cristão! Que alegria servir a Cristo! Oh que imensa felicidade de conhecer Jesus como Mestre, Salvador e Senhor.

A mesma forma gramatical das Bem-aventuranças é uma afirmação da emoção jubilosa e radiante dita da vida cristã. Ante a realidade das Bem-aventuranças, um cristão triste e tenebroso é inconcebível.

2. A palavra bem-aventurado que se usa em cada verso é uma palavra muito especial. É a palavra grega Makarius, um termo que se aplica especialmente aos deuses. No cristianismo se participa da alegria de Deus.

O sentido de makarius se pode compreender melhor com o uso particular desta palavra. Os gregos chamam a ilha de Chipre hê makaria forma feminina do adjetivo, que quer dizer: A ilha feliz, porque criam que Chipre era tão preciosa, tão rica, tão fértil que não havia necessidade de buscar nada mais além de suas costas para encontrar a vida perfeitamente feliz. Tinha tal clima, folhas, frutos e árvores, minerais e recursos naturais que continham todos os materiais necessários para a perfeita felicidade.

Makarius descreve esse gozo que é sereno inalterável e auto-suficiente, o gozo que é completamente independente de todos os problemas e dificuldades da vida. A palavra Bem aventurados revela sua origem. Contém a palavra ventura que indica algo que depende das circunstâncias da vida, algo que a vida pode dar como pode também destruir.

A bênção cristã é totalmente inexpugnável e indestrutível. Nada, disse Jesus, Vossa alegria ninguém poderá tirar. João 16: 22. As bem aventuranças nos falam desta alegria que nos busca, e mesmo na dor e na lágrima que pode afetar este gozo, mesmo a morte, nada nos pode arrebatar esta esperança futura e o gozo presente desta bênção.

O mundo pode dar seus prazeres e pode igualmente perdê-lo. As mudanças da fortuna, o colapso da saúde, o fracasso de algum plano, a desilusão de uma ambição, até a mudança no clima pode trazer e levar a alegria frágil que o mundo pode dar. O cristão tem o gozo sereno e inalterável que vem de poder caminhar sempre na companhia e na presença de Jesus Cristo.

A grandeza das bem-aventuranças é que não são vislumbres imaginários de alguma beleza futura, não são promessas douradas de alguma glória distante, são gritos triunfantes de bênçãos por um gozo permanente que nada no mundo pode arrebatar[4].

Grego: makario, cujo singular, makário significa feliz, afortunado; corresponde com o Hebraico ashre, feliz, bendito. As palavras ashre e makários se traduzem bem aventurado na RVR nas outras traduções são ditoso, que aparece em II Crônicas 9: 7; Salmo 34: 8; 106: 3; 137: 9; Provérbios 20: 7; Isaias 32: 20; Atos 26: 2; I Corintios 7: 40; e bendito, I Timóteo 1: 11.

A palavra makários aparece nove vezes nos versos 3 a 11. Mas os versos 10 e 11 se referem ao mesmo aspecto da vida cristã, devem considerar-se como uma só entidade, pelo qual são oito e não nove as bem-aventuranças. Lucas só menciona quatro: a primeira, a quarta, a segunda e a oitava de Mateus, nesse ordem Lucas 6: 20 a 23, mas adiciona quatro ais correspondentes versos 24 a 26.

Nas primeiras palavras do Sermão do Monte, Cristo se dirige ao desejo supremo de todo coração humano: o da felicidade. Esse desejo foi implantado no homem pelo Criador mesmo, e originalmente tinha o propósito de levá-lo a encontrar a verdadeira felicidade mediante a cooperação com Deus que o criou. Incorre-se em pecado quando o homem tenta encontrar a felicidade como um fim em si mesma, passando por alto a obediência aos requerimentos divinos.

Assim, no começo de seu discurso inaugural como Rei do reino da graça divina, Cristo proclama que o principal propósito do reino é o de restaurar no coração dos homens a felicidade perdida no Éden e que os que escolham entrar pela porta estreita e o caminho estreito, Mateus 7: 13 e 14 encontrarão a verdadeira felicidade. Acharão paz e gozo interiores, satisfação verdadeira e durável para o coração e o alma, que só se conseguem quando a paz de Deus, que ultrapassa todo entendimento está presente para guardar o coração e o pensamento Filipenses 4: 7. Quando Cristo voltou ao Pai, deixou com seus seguidores essa paz que o mundo não pode dar João 14: 27.

Só podem ser felizes os que têm paz com Deus Romanos 5: 1 e com seus semelhantes Miquéias 6: 8, que caminham conforme aos dois grandes mandamentos da lei de amor Mateus 22: 37 a 40. Só os que são verdadeiros súditos do reino da graça atingem essa disposição da mente e do coração.

Jesus estabeleceu o primeiro passo no que conduz a felicidade e a santidade em sua declaração inicial. Esta declaração sacudiu os discípulos tanto como a multidão, ficaram surpresos e atônitos, lhes pareceu paradoxo e contraditório. Como poderia ser Bem aventurado ou feliz as pessoas que haviam sido golpeadas pela pobreza? Isto não fazia sentido, e esta declaração contraria a expectativa de um Messias que estaria rodeado de glória e grandeza real.

Este ensino era estranho porque no conceito popular os ricos eram especialmente favorecidos por Deus. A felicidade não é de origem externa, sim interna. Não depende do que possuímos ou fazemos, sim do que somos em caráter.

As Bem-aventuranças, como são geralmente chamadas são descrições numa forma exclamatória das qualidades que devem ser encontradas, todas elas, e de fato o são, em vários graus, na vida dos que se submetem ao domínio soberano de Deus. Elas são também uma declaração das bênçãos que já experimentam em parte os que irão gozar mais plenamente na vida futura todos os que revelam tais virtudes.

O tempo verbal futuro usado na descrição daquelas bênçãos nos versos 5 a 9 enfatiza sua certeza, e não simplesmente o seu aspecto futuro. Os que choram serão certamente consolados, etc. As Bem aventuranças em Mateus parecem ser oito em número, pois no verso 11 Jesus abandona a forma exclamatória Bem aventurados sois vós.

As oito qualidades aqui indicadas, quando integradas umas às outras nenhuma delas pode de fato existir sem as demais formam o caráter daqueles que, únicos, serão aceitos pelo divino Rei como seus súditos 3 e 10 os únicos que o poderão ver, sendo ele invisível 8 os únicos dignos de serem seus filhos 9.

Consequentemente qualquer pessoa que se diga filho de Deus, ou que diz conhecê-lo, ou pertencer a seu reino, ou ser membro de seu corpo, a Igreja, em suma, todos aqueles em que seja notória a ausência destas qualidades, é mentiroso e não conhece a verdade. Muitas destas qualidades já haviam sido consideradas como benditas pelo salmista. Mas quando foram combinadas por Jesus, formando uma espécie de mosaico do caráter cristão, ele realizou um benefício ímpar.

As bem-aventuranças são promessas feitas aos discípulos fiéis do reino dos céus. Apesar de Jesus ter proferido estas palavras originalmente a Israel, não há que duvidar que Ele queria que se aplicasse plenamente ao novo Israel, a igreja. O evangelho de Mateus foi escrito quando a era cristã tinha cinqüenta anos e não tem sentido supor que não tencionava ser um documento inteiramente cristão.

Os discípulos de Cristo aprendem e se apegam a Ele, confiam Nele e em suas palavras explicitamente. Não pode haver reservas na dedicação a Ele e as suas palavras. As bem-aventuranças mostram como seremos abençoados se fizermos disso uma regra para nossas vidas. Os crentes seriam oprimidos pelo mundo reflexo da perseguição de Domiciano, que a igreja sofria quando este evangelho foi escrito. Mas os oprimidos haverão de obter a vitória, com uma lealdade a seu Senhor.

As bem-aventuranças mostram que, para Jesus, a retidão é mais do que a súmula de seus mandamentos: é uma total atitude de mente, uma forma particular de caráter. Aqueles que são elogiados no evangelho são homens e mulheres humildes, amorosos, confiantes, fiéis e corajosos. Ainda não são perfeitos, mas são convertidos. Seus interesses e desejos se voltam na direção do Reino de Deus

Bem-aventurados. Essa palavra e suas cognatas são usadas cinqüenta vezes no NT expandiu e dignificou quanto ao seu sentido. A raiz original no grego clássico, significa grande e desde cedo foi usada como sinônimo de rico freqüentemente aludindo à prosperidade externa não espiritual. Na literatura grega primitiva, era a palavra aplicada aos deuses e a sua condição de felicidade, em contraste com a situação medíocre do homem.

Os filósofos gregos usavam-na dotada de certo elemento moral, e algumas vezes indicavam por meio dela, que a felicidade resulta da excelência de caráter. Alguns intérpretes acreditam que o uso que Jesus fez desta palavra se referem às idéias das expressões hebraicas usadas no Salmo 1: 1; 32: 1 e 112: 1, onde a palavra hebraica ashrê ou quão feliz! Indica a condição de felicidade em vista.

As Bem-aventuranças declaram quem são felizes aos olhos de Deus. O uso neotestamentário (do NT) tem sugerido a idéia de inteira felicidade até as regiões espirituais. A verdadeira felicidade inclui aquele Bem estar ou estado de Bem-aventurança associado à correta relação do homem para com Deus.

Esse mesmo vocábulo é aplicado aos mortos que descansam no Senhor, Apocalipse 14: 13, e esse uso é extremamente instrutivo. Bem aventurados os que vivem no Senhor, é essencialmente isso que Jesus dizia, ao pronunciar as bem-aventuranças.

As bem-aventuranças constituem promessas dos benefícios inerentes ao Reino do céu, pois os que a ele pertencem saberão o que significa ser consolado, herdar a terra, ser satisfeito, obter misericórdia, ver a Deus e ser chamado filho de Deus.

As bem-aventuranças ilustram de imediato que a nova lei de Jesus consiste em mais do que a simples observância de determinado número de preceitos. Jesus alude aqui às atitudes da mente e do coração, e não apenas aos atos que podem ser vistos pelos homens. Os seus discípulos são homens e mulheres dotados de humildade, amor, confiança, fidelidade e coragem.

FELIZ - Hebraico: ashre.

Das 26 vezes que aparece este termo nos Salmos, a RVR o traduz 24 vezes como bem aventurado e 2 vezes ditoso. Nesta passagem parece usar-se como uma interjeição: Oh, a felicidade do homem! A felicidade compreende bênçãos materiais e espirituais, já que ambas são o resultado de andar pelos caminhos de Deus. Nas bem-aventuranças do Sermão do Monte Mateus 5: 3 a 11 usa-se a palavra grega makários, bem aventurado. A LXX usa essa mesma palavra para traduzir o termo ashre no Salmo 1. O livro de Salmos começa com uma bem-aventurança e conclui com um aleluia Salmo 150.

SALMO 1: BÊNÇÃO OU MALDIÇÃO PARA TODOS

Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes, o seu prazer está na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite.Ele é como árvore plantada junto à corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha; e tudo quanto ele faz será bem sucedido. Os ímpios não são assim; são, porém, como a palha que o vento dispersa. Por isso, os perversos não prevalecerão no juízo, nem os pecadores, na congregação dos justos. Pois o SENHOR conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios perecerá. Salmo 1: 1 a 6.

Este poema é uma introdução de encaixe ao livro de 150 Salmos. Revela o padrão básico da sabedoria e adoração de Israel. A vida é vista não nos momentos isolados do presente, mas na perspectiva da eternidade, na visão de Deus. O autor conecta vida humana intimamente com a vontade e o coração de Deus. O Salmo lança um apelo desafiador a Israel, e a todos os que buscam a bênção de Deus, a voltar à Sua Palavra revelada para receber o verdadeiro conhecimento de Deus e andar a luz de Sua sabedoria.

O caminho da bênção está aberto diante do homem mediante uma vida de companheirismo incessante com o Deus de Israel. Não é de maneira nenhuma um atalho em que a razão humana pode descobrir por si só, mas é um dom do Redentor de Israel. Como a fonte de vida, o Senhor mostra o modo de vida.

Todos os outros caminhos conduzem à ruína. Tais cursos de vida escolhidos pelo eu são por definição o oposto do modo do Senhor, modos que divergem de Sua lei. Os que rejeitam o Senhor, o Deus de Israel, e a Sua lei são descritos em condições negativas como os irreligiosos Salmo 119: 51 e 78 porque não há nenhum outro Deus além do Senhor. Pois quem é Deus além do SENHOR Iahweh? E quem é rocha senão o nosso Deus? Salmo 18: 31.

Os Salmos de Israel tencionam atrair a todas as nações para adorar o Deus de Israel como o único Deus vivo Salmo 2: 10 a 12; 115; 117. Mais que isso, eles definitivamente prevêem muitos adoradores do Senhor entre as nações gentílicas Salmo 87: 4. Várias razões são determinadas para a efetividade deste apelo universal do Deus de Israel. O Senhor é o Criador do mundo e de todos os homens. Salmo 24: 1; 96: 4 e 5. O Senhor é o Salvador de todos os que escolhem adorá-Lo. Salmo 105; 106; 2: 12; 34: 8. O Senhor é o soberano Monarca do mundo que restaurará justiça, paz, e prosperidade na Terra. Salmo 2; 46 e 72. O Senhor é o Juiz de todos os homens, que retribuirá ao homem de acordo com as suas obras. Salmo 62: 12; 96: 10 a 13.

Pelo fato de que nenhum outro deus salvou Israel de sua escravização do Egito, o Senhor fez uma reivindicação exclusiva no amor e lealdade de Israel. Se uma voz surgisse entre Israel, insistindo com eles para servirem a outros deuses que podem executar milagres, tal profeta ou vidente seria posto à morte, pois pregou rebeldia contra o Senhor, vosso Deus, que vos tirou da terra do Egito e vos resgatou da casa da servidão, para vos apartar do caminho que vos ordenou o Senhor. Deuteronômio 13: 5.

Isto mostra como a Torah de Israel fez da adoração do Senhor um assunto de suprema importância, uma questão de vida ou morte. A última crença era: Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. ou: o Senhor só Deuteronômio 6: 4. A posição de Israel diante do Senhor era de uma nação redimida e santa, de filhos do Senhor, de seu tesouro pessoal. Deuteronômio 14: 1 e 2.

Antes do povo escolhido entrar na terra prometida, Moisés bendisse Israel desta maneira: O Deus eterno é o seu refúgio, e para segurá-lo estão os braços eternos... Como você é feliz, Israel Quem é como você, povo salvo pelo Senhor? Ele é o seu abrigo, o seu ajudador e a sua espada gloriosa. Deuteronômio 33: 27, 29.

Este privilégio único da eleição divina não excluiu mas antes inclui uma solene responsabilidade: Hoje invoco os céus e a terra como testemunhas contra vocês, de que coloquei diante de vocês a vida e a morte, a bênção e a maldição. Agora escolham a vida, para que vocês e os seus filhos vivam, e para que vocês amem o Senhor, o seu Deus, ouçam a sua voz e se apeguem firmemente a ele. Pois o Senhor é a sua vida, e ele lhes dará muitos anos na terra que jurou dar aos seus antepassados, Abraão, Isaque e Jacó. Deuteronômio 30: 19 e 20.

Como fundamento do Livro de Salmos, o primeiro Salmo pressupõe a Torah e a história da salvação de Israel, a redenção do Êxodo e a aliança da graça em particular. Este poema de sabedoria coloca diante de Israel e das nações o desafio constante para escolher o Senhor e o Seu modo de vida para homem.

Israel como um povo, depois de herdar a terra prometida, escolheu de fato andar na aliança do Senhor? O Livro de Juízes descreve como, depois da morte de Josué, que conduziu Israel a Canaã, surgiu uma geração que não conhecia o Senhor e o que ele havia feito por Israel. Então os israelitas fizeram o que o Senhor reprova e prestaram culto aos baalins. Abandonaram o ­Senhor. Juízes 2: 10 a 12.

Esta era a triste realidade. Revela tanto o poder destrutivo do coração natural do homem, que tende a confiar em seus próprios critérios, quanto à importância vital de conhecer o Senhor e de andar em Seus caminhos. A história de Israel ensina dramaticamente a indispensabilidade da Torah. O povo que conhece a Deus mediante o conhecimento da Torah será abençoado. Bem aventurado é a nação cujo Deus é o Senhor, e o povo que ele escolheu para a sua herança. Salmo 33: 12.

Bênçãos e Maldições São Favores da Aliança

O Salmo 1 convida Israel a comparar a bênção divina do justo com a maldição divina sobre o ímpio. Os cânticos sagrados de Israel começam com uma beatitude, uma invocação de bênção: Bem-aventurado o homem... No Sermão no Monte, Jesus começou também com beatitudes: Bem-aventurados os... Mateus 5. Isto implica felicidade para a pessoa que aceita o Senhor como o seu Mestre.

A pessoa é descrita primeiro no que ela não está fazendo verso 1, então no que ela faz verdadeiramente ou desfruta verso 2. A intenção é, não um quadro de alguma ação incidental do homem, mas uma caracterização do seu caminho ou padrão de vida: ...que não anda no conselho dos ímpios ou planos, pensamentos, não se detém no caminho dos pecadores ou padrão de vida, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Salmo 1: 1.

O caminho do ímpio é descrito aqui como uma vida de escravidão completa em pecado. Seus pensamentos, quer dizer, o seu coração, corrompe os seus atos e palavras da mesma maneira que uma fonte suja polui suas próprias correntes.

Feliz é o que evita tal modo de vida, porque o ímpio não tem paz, felicidade, bênção na vida. Por outro lado, onde o homem abençoado acha as suas alegrias? Antes, o seu prazer está na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite. verso 2.

Esta caracterização que menciona duas vezes a lei de Deus, a Torah não descreve um piedoso fariseu legalista como o vemos no NT. A lei de Deus não é um jugo ou fardo ao cantor do salmo. Pelo contrário, o seu prazer está na lei do Senhor. O seu coração está nela, porque a lei de Deus está no seu coração, como declarado em outros salmos: Agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu; dentro do meu coração, está a tua lei. Salmo 40: 8. Ele traz no coração a lei do seu Deus; nunca pisará em falso. Salmo 37: 31.

Estes testemunhos de comunhão com o Senhor indicam que também os antigos santos experimentaram a aliança da graça de Deus! Eles caminharam com Deus e receberam o que o Senhor tinha prometido a todos os crentes: Porei a minha lei no íntimo deles e a escreverei nos seus corações. Serei o Deus deles, e eles serão o meu povo. Jeremias 31: 33; Ezequiel 36: 26 e 27. Para tal, à vontade e a lei santa de Deus não são mais um comando externo que não encontra nenhuma resposta interna no coração. Pelo contrário, o coração que prova a bondade perdoadora do Senhor está sendo recriado ou é transformado em seus desejos íntimos pelo Espírito de Deus.

Os Salmos que tratam da Torah Salmo 1; 19; 119 todos testemunham de uma alegria religiosa que o apóstolo Paulo expressou nas palavras: No íntimo do meu ser tenho prazer na Lei de Deus. Romanos 7: 22. Isto não nega que Paulo tivesse um conhecimento mais profundo do pecado e da graça por meio de Cristo. Só afirma que a religião cristã de fé em Cristo Jesus não é basicamente diferente daquela dos salmistas de Israel. Cristo restabeleceu o que tinha estado perdido no judaísmo rabínico dos Seus dias, de forma que os Salmos podem funcionar mais efetivamente nos que crêem no Messias o Jesus.

Cristo não somente professou, eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai aqueles do Deus de Israel e no seu amor permaneço. João 15: 10, Ele entrou na raiz espiritual e motivação ao Ele dizer, Minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra. João 4: 34. Tal uma paixão predominante em servir ao Senhor é expressa no Salmo 1 como a delícia do justo. Ele medita na lei de Deus de dia e de noite. verso 2. Ele conhece o Senhor como o seu Redentor desde a terra de Egito. Oséias 12: 9, e a lei literalmente: Torah do Senhor como o dom de Sua graça.

É importante entender o termo "Torah" em seu âmbito pleno. Torah quer dizer ensino divino ou instrução Salmo 78: 1 que é muito mais que os Dez Mandamentos em si. Torah também inclui as instruções de Deus para crer, confiar, arrepender-se, confessar, e buscar reconciliação com Ele em Seu santuário. Torah compreende a lei e a graça reconciliadora. Os estudiosos do AT concordam que a tradução de Torah por lei como o código moral é inadequada, muito estreita.

O costume de tomar a lei moral por si só, isolada da aliança da graça reconciliadora, era estranho aos salmistas. Eles nunca falam de a lei, mas constantemente de a lei do Senhor ou de Tua lei Salmo 1; 19; 119. Quando os poetas dos salmos usam tais termos como testemunhos, estatutos, ordens, ordenanças, preceitos, palavra, promessa e até mesmo o temor do Senhor. Salmo 19: 9 como sinônimos da palavra Torah, eles sempre têm em mente a Torah como um todo não dividido, centralizado nos serviços do santuário.

Isso não nega o fato que a Torah tenha aspectos diferentes, legal e expiatório, mas estes nunca estavam isolados um do outro, como se pudesse separar os dois. O Senhor uniu a lei moral e sua graça expiatória pelo ministério sacerdotal em um indissolúvel inter-relacionamento dinâmico. A santa lei de Deus permaneceu sempre lei da aliança; seu lugar e função estavam exclusivamente dentro do santuário de Deus.

Alegria na Torah

A característica dominante do judaísmo farisaico no tempo de Jesus parece ter sido que o conceito e a experiência da promessa da nova aliança de Jeremias tinham sido perdidos de vista. As ordens morais geralmente foram consideradas como o meio de salvação, como o meio de ganhar méritos, de forma que o perigo da justiça própria não pôde mais ser evitado. Estas tinham sido a própria experiência e auto-estima de Paulo como um rabino fervoroso. Ele confessou que tendo sido um fariseu zeloso, quanto à justiça que há na lei, irrepreensível. Filipenses 3: 6.

O fiéis do antigo Israel viveram em uma consciência despertada do pecado e foram motivados por um senso profundo de gratidão pela graça recebida do Senhor. Na Torah do Senhor eles experimentaram o Santo em Sua pureza impecável e irresistível misericórdia.

Por esta razão eles cantaram: A lei do Senhor é perfeita e restaura a alma... Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração. Salmo 19: 7 e 8. Tenho visto que toda perfeição tem seu limite; mas o teu mandamento é ilimitado. Quanto amo a tua lei! É a minha meditação, todo o dia! Salmo 119: 96 e 97. Desvenda os meus olhos, para que eu contemple as maravilhas da tua lei. Salmo 119: 18.

Os poetas meditaram na lei maravilhosa Torah do Senhor somente com a finalidade de delícia? Certamente não! Eles se regozijaram na Torah por um propósito mais elevado que alegria mística. Eles buscavam saber a vontade de Deus para agradar e glorificar o seu Redentor. De que maneira poderá o jovem guardar puro o seu caminho? Observando-o segundo a tua palavra. De todo o coração te busquei; não me deixes fugir aos teus mandamentos. Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti... Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e luz para os meus caminhos. Salmo 119: 9 a 11, 105.

Os poetas hebreus inspirados conheciam poder salvador e santificador da palavra de Deus. Para eles com Deus, a vida ficava rica, significativa, e frutífera: Ele é como árvore plantada junto a corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha; e tudo quanto ele faz será bem sucedido. Os ímpios não são assim; são, porém, como a palha que o vento dispersa. Salmo 1: 3 e 4.

Comunhão com Deus é Vida ao Máximo

O poema revela a produção da bênção divina na vida do justo. Ele prosperará em tudo aquilo que ele faz. Por que? É por causa da lei de causa e efeito? Não. Ele é frutífero, efetivo em todos os seus empenhos porque ele continuamente utiliza o poder escondido do Senhor.

Uma árvore plantada junto a ribeiros de água frutifica em sua estação porque constantemente pode utilizar água sustentadora da vida. Assim é com a pessoa que tem sede diante de Deus. O que procura a Deus achará o Senhor dia e noite disposto a ouvir sua oração e súplica. Davi nos assegura: Sempre tenho o Senhor diante de mim. Com ele à minha direita, não serei abalado. Salmo 16: 8.

Por meio da meditação é assimilado o conhecimento da Torah no coração e está motivando a alma a amar. O estudo da Bíblia e a oração juntos são os meios para continuar no caminho da bênção. A Escritura é como uma semente; através da oração ela recebe a água do Espírito. Deste modo Deus dá o crescimento espiritual.

O crente cristão fica na constante necessidade destes dois meios da graça divina. Cristo e os apóstolos fizeram uso efetivo tanto da Escritura quanto da oração.

As bênçãos de Deus não são imediatamente visíveis em prosperidade material. O Salmo 73 mostra como Asafe lutou com esta aparente contradição, porque ele viu a prosperidade dos ímpios. 73: 3. Seu coração só veio descansar quando ele levou em conta o destino final do ímpio como revelado no santuário de Deus 73: 17 a 20.

Porque a realização plena das promessas da aliança de Deus não pode freqüentemente ser vista nesta vida, é crucial pegar a perspectiva apocalíptica da aliança de Deus. O justo conhece o destino do ímpio. O insensato não entende, o tolo não vê que, embora os ímpios brotem como a erva e floresçam todos os malfeitores, eles serão destruídos para sempre. Salmo 92: 6 e 7.

O apóstolo Paulo acentua esta instrução da Torah: Nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus à ira, pois está escrito: Minha é a vingança; eu retribuirei, diz o Senhor. Romanos 12: 19. Contudo ele também confirma a mensagem do Salmo 1 que aqueles que amam a Deus serão abençoados, mesmo se eles não podem ver isto imediatamente: Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito. Romanos 8: 28.

O salmista usa a figura de contraste para sustentar sua mensagem mais vigorosamente. O ímpio, ele diz, é o próprio oposto do justo. Eles são como a palha que o vento dispersa. Em outras palavras, o ímpio não possui nenhuma substância, nenhum caroço frutífero, nenhum peso moral, enquanto o justo é comparado a uma árvore frutífera bem carregada.

O que faz o ímpio tão estéril e espiritualmente oco, até mesmo dentro de Israel? É sua falta, a sua negligência pecadora do conhecimento do Senhor. Davi diz: Não há temor de Deus diante dos seus olhos. Salmo 36: 1. Ele pode pertencer exteriormente ao povo da aliança e ostentar-se nas promessas da aliança, mas a sua confiança está extraviada em sua descendência natural de Abraão.

Quando João Batista veio preparar Israel para encontrar o seu Messias, ele chocou os fariseus e saduceus com sua mensagem: Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento; e não comeceis a dizer entre vós mesmos: Temos por pai a Abraão. Mateus 3: 8 e 9. Sem o fruto do Espírito, isto é, sem uma vida santificada de acordo com a Torah do Senhor, todas as reivindicações religiosas do povo de Deus são inúteis e só conduzirão a completa vergonha. Isto acontecerá no juízo final, do qual ninguém pode escapar: Por isso, os perversos não prevalecerão no juízo, nem os pecadores, na congregação dos justos. Salmo 1: 5.

O Salmo 1 declara que o ímpio perecerá no juízo. Desde que a expressão paralela é a assembléia dos justos, poder-se-ia pensar principalmente nos juízos regulares de Israel no santuário. Deuteronômio 17: 8 e 9. Os Salmos 7 e 26 representam a liturgia sagrada para tais julgamentos Salmo 7. O mais pleno sentido aqui é indubitavelmente a perspectiva apocalíptica do juízo final de Deus. Lá o ímpio será completamente desmascarado e exposto em sua nudez moral e não terá nenhum abrigo para esconder-se, enquanto o justo se levantará para receber a sua herança. Daniel 12: 13.

Cristo anunciou a separação final do bem e do mal repetidamente em Suas parábolas. Assim acontecerá no fim desta era. Os anjos virão, separarão os perversos dos justos e lançarão aqueles na fornalha ardente, onde haverá choro e ranger de dentes. Mateus 13: 49 e 50.

O primeiro Salmo finalmente aponta diretamente ao Senhor como o que sustenta um universo moral: Pois o Senhor conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios perecerá. Salmo 1: 6.

A antítese que está por baixo do poema inteiro chega à revelação climática de que o Deus de Israel separará em última instância o justo e o ímpio. A tradução mais precisa de verso 6 seria, Pois o Senhor conhece o caminho do justo.

O conhecimento do Senhor no verso 6 não é nosso tipo moderno e intelectual de conhecimento, mas a idéia hebraica de conhecimento experimental, um conhecimento apaixonado Salmo 37:18. Portanto indica que o Senhor acompanha amorosamente o justo no seu modo de vida e lhes dá a bênção do Seu companheirismo que nunca falha. O ímpio, que não tem nenhuma ligação com o Senhor, terminará o seu caminho em morte, pelo juízo de Deus.

Cristo confirmou esta perspectiva apocalíptica dos dois caminhos para todas as pessoas: Entrem pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ela. Como é estreita a porta, e apertado o caminho que leva à vida! São poucos os que a encontram. Mateus 7:13 e 14.

Cristo veio oferecer vida eterno para todos João 12: 32. Ele Se oferece à nossa alma de forma que todos os que O recebem participarão mesmo agora na alegria messiânica: Eu vim para que tenham vida, e a tenham plenamente. João 10:10. Tenho lhes dito estas palavras para que a minha alegria esteja em vocês e a alegria de vocês seja completa. João 15: 11.

ITAMAR PAULA DE MARQUES (TEÓLOGO)