O MARTÍRIO DOS SUICIDAS.

PREFÁCIO

"Os motivos de suicidio são de ordem passageira e humana; as razões de viver são de ordem eterna e sobre-humana."
(Leon Denis, O Problema do Ser, do Destino e da Dor, cap. X, 9? edição da FEB.)

Esta é uma nova edição de "O Martírio dos Suicidas". O nosso sempre dinâmico e jovial companheiro, Almerindo Martins de Castro, apesar de seus noventa e poucos anos, efetuou algumas modificações e acréscimos no texto, sem dilatar-lhe
excessivamente o conteúdo.

Poderão alguns perguntar por que razão continua esta obra na linha editorial da Casa de Ismael, quando possuímos hoje, na vasta literatura espírita, especialmente mediúnica, inúmeros e substanciosos tratados que virtualmente esgotam o assunto.

Temos os livros de André Luiz, psicografados por Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, diversos deles tratando de problemas de suicidas nos dois planos da vida; possuímos os da mediunidade de Yvonne A. Pereira, dos quais sobreleva o monumental "Memórias de um Suicida", ditado por Camilo, que revela com detalhes todas as peripécias da história do suicida; e dispomos, finalmente, de obras de Divaldo P. Franco, como "Nos Bastidores da Obsessão", ditada por Manoel Philomeno de Miranda, e de outros médiuns e pesquisadores.

A resposta é simples. Este pequeno livro é destinado a exercer missão socorrista de urgência, a ser compulsado por aqueles que estão em aflição e desespero, atormentados ou desiludidos, vencidos e desorientados, vítimas do negativismo e da rebeldia, e que, por isso mesmo, reclamam ou imploram cabal esclarecimento às dúvidas e aos problemas que os convulsionam, mas em poucas linhas, em poucas palavras, ainda a tempo de serem libertados da idéia de autodestruição.

Singrando os mares do mundo, temos os mais belos e perfeitos transatlânticos, construídos conforme a técnica mais refinada e providos dos mais requintados instrumentos; todavia, neles também encontramos os minúsculos barcos que as ondas por vezes ocultam, mas que, nas horas de perigo, são os que executam a tarefa de salvamento. O opúsculo do Almerindo é um desses barcos, que vem recolhendo náufragos extenuados ao longo de duas gerações humanas.

Quantas vidas ele já salvou, quantos desastres terríveis, quanta viuvez e orfandade, quanto sofrimento ele conseguiu sustar? Deus o sabe.

Enquanto o suicídio campeia, e em certas áreas lamentavelmente recrudesce, quer inspirado por dores e dificuldades, quer motivado pelo tédio, no caso dos que se supersatisfazem com os bens da materialidade mundana, distanciados da fé raciocinada e da confiança em Deus, este pequeno manual de esclarecimento deverá continuar circulando entre a miséria moral e espiritual do orbe, em Português e Esperanto e, esperemos, em outros idiomas, cumprindo sua missão salvacionista e clarificadora de consciências.

Os enigmas do Ser, do Destino, da Vida e da Morte estão satisfatoriamente solucionados pelo Espiritismo. Mas os que ainda não o aceitam são igualmente irmãos que, nas suas dificuldades, precisam do nosso apoio e do nosso esclarecimento, em nome do Cristo de Deus.

No capítulo da predisposição ao suicídio, não vacilemos: façamos chegar ao homem espiritualmente exausto o remédio, o alimento e o abrigo, através deste pequeno livro, à semelhança do que fez ao homem ferido na estrada aquele prestimoso viajante que descia de Jerusalém para Jericó e que a história evangélica eternizou como "o bom samaritano".

Rio de Janeiro-RJ, 24 de agosto de 1978.

A Editora

..I - FUNESTAS ILUSÕES
..II - ALGUMAS NARRATIVAS
..III - AS TRAGÉDIAS
..IV - O PROBLEMA EM PORTUGAL
..V - QUEM PROMETE, CONSTITUI DÍVIDA
..VI - COMENTÁRIOS
..VII - CASOS NACIONAIS
..VIII - O SUICÍDIO
..IX - O SUICÍDIO E O LIVRO DOS ESPÍRITOS
..X - A CONDENAÇÃO DO SUICÍDIO
..XI - A PERSEGUIÇÃO