O SONAMBULISMO
BIBLIOGRAFIA
01 - A alma é imortal - pág. 40/48 02 - A crise da morte - pág. 143
03 - A evolução anímica - pág. 167 04 - A Gênese - pág. 22
05 - Animismo ou Espiritismo - pág. 62 06 - Antologia do perispírito - pág. 323/678
07 - As potências ocultas do homem - pág. 51/82 08 - Depois da Morte - pág. 46/145
09 - Deus na natureza - pág. 247 10 - Estudando a mediunidade - pág. 83
11 - Fenômenos de transporte - pág. 121/124 12 - Hipnotismo e mediunidade - pág. 69
13 - Mecanismos da mediunidade - pág. 11 14 - Nos domínios da mediunidade - pág. 69, 87
15 - O Livro dos Espíritos - XVI, Q. 425/455 16 - O Livro dos Médiuns - Questões: 45/172
17 - O que é a morte - pág. 90 18 - O que é o Espiritismo - pág. 85
19 - Obras Póstumas - pág. 93 20 - Religião dos Espíritos - pág. 141
21 - Resumo da Doutrina Espírita - pág. 187 22 - Roma e o Evangelho - pág. 311
23 - Sobrevivência e comum. dos Espíritos - pág. 196 24 - Xenoglossia - pág. 57

LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.

O SONAMBULISMO - COMPILAÇÃO

01 - A alma é imortal - Gabriel Delanne - pág. 40/48

CAPITULO II ESTUDO DA ALMA PELO MAGNETISMO

Acabamos de ver, no capítulo precedente, que a idéia de uma certa corporeidade, inseparável da alma, constituiu crença quase geral da antiguidade e a de uma multidão de pensadores até à nossa época. Ë' evidente que essa concepção resulta da dificuldade que experimentamos em imaginar uma entidade puramente espiritual. Os nossos sentidos só nos dão a conhecer a matéria e mister se torna nos utilizemos da vista interior, para sentirmos que há em nós algo mais do que esse princípio. O pensamento, por si só, nos faz admitir, dada a sua carência de caracteres físicos, a existência de alguma coisa que difere do que cai sob a apreciação dos sentidos.

Mas, a idéia de um corpo fluidico também resulta das aparições. É manifesto que, quando se vê a alma de uma pessoa morta, forçoso é se lhe reconheça uma certa objetividade, sem o que ela se conservaria invisível. Ora, esse fenômeno se há produzido em todos os tempos e nas histórias religiosas e profanas formigam exemplos dessas manifestações do além.

Não ignoramos que a critica contemporânea fez tábua rasa desses fatos, atribuindo-os em bloco a ilusões, a alucinações, ou à credulidade supersticiosa dos nossos avós. Strauss, Taine, Littré, Renan, etc., sistematicamente passam em silêncio todos os casos que poderíamos reivindicar. Semelhante processo não se justifica, porquanto, nos dias atuais, dado nos é comprovar as mesmas aparições e por métodos que permitem submetê-las a uma fiscalização severa. Assim sendo, assiste-nos o direito de concordar em que esses sábios se enganaram e que merecem atenção as narrativas de antanho.

Aliás, é fato positivo que não são novos os fenômenos do Espiritismo. Produziram-se em todos os tempos. Sempre houve casas mal-assombradas e aparições . Concebe-se, pois, que a idéia de que a alma não é puramente imaterial, haja podido manter-se, a despeito do ensino em contrário das filosofias e das religiões.

Era, porém, muito vaga, muito indeterminada a noção de um envoltório da alma. Esse corpo fluídico formar-se-ia subitamente, no instante da morte terrena? Seria para sempre, ou por tempo determinado, que a alma se revestia dessa substância sutil? Ou, então, essa aparência vaporosa seria devida apenas a uma ação momentânea, transitória, da alma sobre a atmosfera, ação destinada a cessar com a causa que a produzira? Eram questões essas que permaneceriam insolúveis, enquanto não se pudessem observar à vontade as aparições.

A vidente de Prévorst

O magnetismo foi o primeiro a fornecer meio de penetrar-se no domínio inacessível do amanhã da morte. O sonambulismo, descoberto por de Puységur, constituiu o instrumento de investigação do mundo novo que se apresentava. Submetidos a esse estado nervoso, puderam os sonâmbulos pôr-se em comunicação com as almas desencarnadas e descrevê-las minuciosamente, de modo a deixar convencidos, os assistentes, de que, na realidade, conversavam com os Espíritos.

O Dr. Kerner, tão reputado pelo seu saber, quanto pela sua perfeita honestidade, escreveu a biografia da Sr.a Hauffe, mais conhecida sob a designação de: A vidente de Prévorst. Não precisava ela adormecer, para ver os Espíritos. Sua natureza delicada e refinada pela enfermidade lhe facultava perceber formas que se conservavam invisíveis às outras pessoas presentes. Teve a sua primeira visão na cozinha do castelo de Lowenstein. Era um fantasma de mulher, que ela tornou a ver alguns anos depois.

Dizia, porém só quando a interrogavam com insistência, nunca espontaneamente, ter sempre junto de si, como o tiveram Sócrates, Platão e outros, um anjo ou daimon, que a advertia dos perigos a serem evitados não só por ela, como também por outras pessoas. Era o Espírito de sua avó, a Sr.a Schmidt Gall. Apresentava-se revestida, como, aliás, todos os Espíritos femininos que lhe apareciam, de uma túnica branca com cinto e um grande véu igualmente branco.

Declarava que, após a morte, a alma conserva um espírito nérvico, que é a sua forma. Era esse envoltório que ela possuía a faculdade de ver, sem estar adormecida e multo melhor a claridade do Sol ou da Lua, do que na obscuridade."As almas, dizia, não produzem sombra. Têm forma acinzentada. Suas vestes são as que usavam na Terra, mas também acinzentadas, quais elas próprias.

As melhores trazem apenas grandes túnicas brancas e parecem voejar, enquanto que as más caminham penosamente. São brilhantes os seus olhos. Elas podem, além de falar, produzir sons, tais como suspiros, ruge-ruge de seda ou papel, pancadas nas paredes e nos móveis, ruídos de areia, de seixos, ou de sapatos a roçar o solo. Sendo também capazes de mover os mais pesados objetos e de abrir e fechar as portas."

04 – A GÊNESE – ALLAN KARDEC, CAP. XIV, pág. 245

22. O perispírito é o traço de união entre a vida corporal e a vida espiritual; é por ele que o Espírito encarnado está em contínua relação com os Espíritos; é por ele enfim que se realizam no homem fenômenos especiais que não têm sua causa originária na matéria tangível, e que, por esta razão, parecem ser sobrenaturais.

É nas propriedades e na irradiação do fluido perispiritual que se deve procurar a causa da VISTA DUPLA, ou VISTA ESPIRITUAL, a que também se pode chamar VISTA PSÍQUICA; muitas pessoas são dela dotadas, freqüentemente sem o saber, assim como da vista sonambúlica.

O perispírito é o órgão sensitivo do Espírito; é por seu intermédio que o Espírito encarnado tem a percepção das coisas espirituais, que escapam aos sentidos carnais. Pelos órgãos do corpo, a vista, o ouvido, e as diversas sensações são localizadas e limitadas à percepção das coisas materiais; pelo sentido esperitual, ou psíquico, elas são generalizadas; o Espírito vê, ouve e sente por todo o seu ser, o que está na esfera de irradiação de seu fluido perispiritual.

Esses fenômenos, no homem, são a manifestação da vida espiritual; é a alma que age fora do organismo. Na dupla vista, ou percepção pelo sentido psíquico, ele não vê pelos olhos do corpo; se bem que freqüentemente, por hábito, ele os dirige para o ponto sobre o qual se dirige sua atenção; ele vê, pelos olhos da alma, e a prova está em que vê tudo igualmente com os olhos fechados, e além do alcance do raio visual; ele lê o pensamento figurado no raio fluídico.

23. Embora, durante a vida, o Espírito seja fixado ao corpo pelo Perispírito, não é tão escravo, que não possa alongar sua corrente e se transportar ao longe, seja sobre a Terra, seja sobre qualquer ponto do espaço. O Espírito está preso ao corpo, contra sua vontade, pois que sua vida normal é a liberdade, ao passo que a vida corporal é a do servidor preso à gleba.

O Espírito sente-se, pois, feliz, de deixar seu corpo, assim como o pássaro deixa sua gaiola; serve-se de todas as ocasiões em que sua presença não seja necessária à sua vida de relação. É o fenômeno designado sob o nome de emancipação da alma; sempre se realiza durante o sono; todas as vezes em que o corpo repousa e que os sentidos estão na inatividade, o Espírito se livra.

Nesses momentos, o Espírito vive a vida espiritual, ao passo que o corpo vive a vida vegetativa: em parte, ele se encontra no estado em que se encontrará após a morte; percorre o espaço, entretém-se com seus amigos e outros Espíritos livres, ou encarnados como ele próprio.

O liame fluídico que o retém ao corpo não é definitivamente rompido senão com a morte; a separação completa não se realiza senão pela extinção absoluta da atividade do princípio vital. Enquanto o corpo vive, o Espírito, embora possa estar a alguma distância, ali é instantaneamente trazido de volta, desde que sua presença seja necessária; então, retoma o curso de sua vida de relação.

Algumas vezes, ao acordar, conserva de suas peregrinações uma lembrança, uma imagem mais ou menos exata, o que constitui o sonho; em todo o caso, traz intuições que lhe sugerem idéias e pensamentos novos, e justificam o provérbio: A noite é boa conselheira.
Assim se explicam igualmente certos fenômenos característicos, do sonambulismo natural e magnético, da catalepsia, da letargia, do êxtase, etc.. e que nada mais são senão manifestações da vida espiritual.

05 - Animismo ou Espiritismo - Ernesto Bozzano - pág. 62

Meyers confirma assim o exposto: -"Foi-me narrado o incidente pessoal a que diz respeito a imagem de uma "velha carda", narrativa donde ressalta que a referida imagem gravada no pedaço de sabão é que conferia ao objeto todo o seu significado. Miss Summers pensara em levá-lo de presente a Stead, antes que a mão deste último escrevesse tal pormenor e provavelmente o pensou no instante exato em que Stead o escreveu."

No caso, o incidente de identificação, tentada para provar a Stead que não se tratava de uma mistificação da sua subconsciência, mas de uma conversação real com a personalidade espiritual de Miss Summers, parece apropriado ao objetivado fim, porquanto o presente prometido a título de prova consistia numa coisa efetivamente excepcional, de modo a não se poder explicar o fato com a hipótese habitual das "coincidências fortuitas" . Manifesto, com efeito, se faz que a imagem de uma antiga carda gravada num pedaço de sabão não é decerto um objeto que se costume dar de presente.

Observo ao demais que, no incidente com que me ocupo — como noutros ocorridos com a mesma sensitiva — esta teria aparentemente entrado em relação mediúnica com Stead, durante o estado de vigília, o que, porém, não significa que o incidente se haja desenvolvido exatamente assim. Não significa, antes de tudo, porque, em nenhuma das experiências em questão havia testemunhas que pudessem afirmar que a sensitiva, no momento, não se achasse adormecida; depois, porque, ainda quando existissem tais testemunhas, não teriam grande valor, visto que uma pessoa pode muito bem passar e permanecer algum tempo em condições de sonambulismo vígil, sem que os presentes se apercebam do fato e sem que a própria pessoa o perceba.

Tudo isto é teoricamente importante e voltarei ao tema quando tiver ensejo de aludir a um caso recente do mesmo gênero, em que o paciente, a distância e inconsciente, se achava, na aparência, em estado de vigília, caso continuamente citado pelos opositores, para demonstrarem que os médiuns tiram tudo o que queiram das subconsciências de outros e chegam desse modo a mistificar o próximo, como se personificassem entidades de defuntos (caso Soal-Gordon Davis).

Repito, pois, mais uma vez, que o ensinamento teórico a extrair-se do episódio exposto e que será amplamente corroborado pelos que se seguirão, consiste na prova manifesta e indubitável de que, nas comunicações mediúnicas entre vivos, se trata de verdadeiras e legítimas conversações entre duas personalidades integrais subconscientes, transmitidas à personalidade consciente do médium, por meio da escrita automática. Do mesmo passo, evidente também resulta que os médiuns nada tiram, nem selecionam e que, por conseguinte, a hipótese tão cara aos opositores é destituída de qualquer fundamento experimental.

Cumpre se tenha muito em vista o ensinamento acima apontado, pois que, do fato positivamente averiguado de que as comunicações mediúnicas entre vivos são verdadeiras conversações entre duas personalidades integrais subconscientes, decorre que essas comunicações se transformam em provas resolutivas de identificação pessoal dos vivos que se comunicam e, por sua vez, corroboram, com igual eficácia, as manifestações análogas por meio das quais se obtêm as provas de identificação pessoal dos defuntos.

Entretanto, se, ao contrário, se fantasiar, com os opositores, que, nas comunicações mediúnicas entre vivos, os médiuns tiram das subconsciências dos mesmos vivos todas as informações que fornecem sobre a existência privada deles, dever-se-ia, em tal caso, argumentar no mesmo sentido com relação a grande parte das comunicações mediúnicas com os defuntos, considerando-as um noticiário de fatos tomados pêlos médiuns às subconsciências de terceiros, o que tornaria teoricamente mais difícil a demonstração rigorosamente científica das provas de identificação espirítica.

Assinalado esse ponto, apresso-me a acrescentar que a hipótese em apreço tem que ser eliminada, não apenas em face dos processos científicos da análise comparada e da convergência das provas, mas, igualmente, em face da consideração de que com ela não se explicaria a característica fundamental das comunicações entre vivos, característica que é a da conversação que se desenvolve entre o médium e a personalidade subconsciente do vivo distante daquele, conversação que assume aspectos sempre novos e imprevistos, que nada de comum apresentam com as lembranças latentes nas subconsciências de terceiros.

Porquanto as informações fornecidas, os manifestados estados de ânimo, as características morais, as idiossincrasias pessoais brotam das perguntas que o automatista dirige à personalidade do vivo que se comunica. Assim sendo, só resta concluir formulando uma proposição tão simples, que parece ingênua, e é que, quando uma hipótese se revela impotente para explicar a características maior de uma dada classe de manifestações, isso significa que ela é inaplicável às mesmas manifestações.

08 – DEPOIS DA MORTE – LÉON DENIS, pág. 46

A ciência dos sacerdotes do Egito ultrapassava em bastantes pontos a ciência atual. Conheciam o Magnetismo, o Sonambulismo, curavam pelo sono provocado e praticavam largamente a sugestão. É o que eles chamavam – Magia. O alvo mais elevado a que um iniciado podia aspirar era a conquista desses poderes, cujo emblema era a coroa dos magos.

Os dias e as noites são como as nossas vidas terrestres e espirituais, e o sono parece tão inexplicável quanto a morte. O sono e a morte transportam-nos, alternadamente, para meios distintos e para condições diferentes, o que não impede à nossa identidade de manter-se e persistir através desses estados variados.

No sono magnético, o Espírito, desprendido do corpo, recorda-se de coisas que esquecerá ao volver à carne, cujo encadeamento, não obstante, ele tornará a apanhar, recobrando a lucidez. Esse estado de sono provocado desenvolve nos sonâmbulos aptidões especiais que, em vigília, desaparecem, abafadas, aniquiladas pelo invólucro corpóreo.

Nessas diversas condições, o ser físico parece possuir dois estados de consciência, duas fases alternadas de existências que se encadeiam e se envolvem uma na outra. O esquecimento, como espessa cortina, separa o sono do estado de vigília, assim como divide cada vida terrestre das existências anteriores e da vida dos céus.

Se as impressões que a alma sente durante o decurso da vida atual, no estado de desprendimento completo, seja pelo sono natural ou pelo sono provocado, não podem ser transmitidas ao cérebro, deve-se compreender que as recordações de uma vida anterior sê-lo-iam mais dificilmente ainda. O cérebro não pode receber e armazenar senão as impressões comunicadas pela alma em estado de cativeiro na matéria. A memória só saberiam reproduzir o que ele tem registrado.

O Magnetismo, repelido pelas corporações sábias, começa sob outro nome a atrair-lhes a atenção. Os resultados seriam, porém, muito mais fecundos se, ao invés de operarem sobre histéricos, experimentassem sobre indivíduos sãos e válidos. O sono magnético desenvolve, nos passivos lúcidos, faculdades novas, um poder incalculável de percepção. O mais notável fenômeno é a visão a grande distância, sem o auxílio dos olhos. Um sonâmbulo pode orientar-se durante a noite, ler e escrever com os olhos fechados, entregar-se aos mais delicados e complicados trabalhos. Outros vêem no interior do corpo humano, discernem seus males e causas, lêem o pensamento no cérebro, penetram, sem o concurso dos sentidos, nos mais recônditos domínios, e até no vestíbulo do outro mundo.

10 - Estudando a mediunidade - Martins Peralva - pág. 83

XIV - Desenvolvimento mediúnico
O capítulo «Sonambulismo torturado», que nos forneceu ensejo ao estudo do vampirismo, é rico em observações relativas aos variados processos de resgates, os quais se expressam no mundo à maneira de complexos distúrbios mediúnicos.
Fixemos o gráfico-base da análise do assunto:

Protagonistas

Devedores diretos
Devedores indiretos (cúmplices)

Processos de Auxílio Magnéticos
Verbais (doutrinação fraterna)
Vibracionais (prece e concentração)
Benefícios dispensados pelo amparo dos Centros

O perseguidor sentirá a necessidade de perdoar, para melhorar-se.

O devedor direto será compelido a fortalecer-se e, perdoando, recuperar-se.

O devedor indireto sentirá a necessidade da meditação, da calma, da paciência e da cooperação, para reajustando-se ter paz e felicidade.

As personagens são dois encarnados: uma jovem senhora e o seu esposo, e o desencarnado, pai adotivo da moça, no passado foi por ela envenenado a mando do atual marido. Três almas comprometidas com a Lei, em redentora provação. Três corações entrelaçados por vínculos sombrios, pedindo compreensão, amor e tolerância.

A moça, como devedora direta, porque autora do envenenamento do próprio benfeitor. O atual esposo, como devedor indireto, inspirador do extermínio, a fim de apossar-se da fortuna material. E o desencarnado, ainda desajustado, incapaz de compreender os benefícios que o perdão sincero lhe proporcionaria, além de abrir-lhe a rota para o crescimento espiritual, na direção da Luz.

Trata-se, sem dúvida, de complexo drama, onde o cúmplice de ontem recebe hoje, na condição de esposa, a noiva do passado, por ele convertida em criminosa vulgar, a fim de ajudá-la a reajustar-se, curando a desarmonia que a sua ambição lhe gerou na mente invigilante.

A Lei — esta Lei cujo mecanismo ainda ignoramos quase que totalmente — incumbiu-se de promover o reencontro das três almas necessitadas de carinho. Certa vez ouvimos um confrade afirmar que nós, os espíritas, somos os «milionários da felicidade». Quanta verdade nesta afirmativa!

Efetivamente somos «milionários da felicidade» porque o nosso Espírito se enriquece, incessantemente, de novos conhecimentos que a Espiritualidade bondosamente nos revela, através da psicografia ostensiva e da pena inspirada dos escritores-sensitivos. O Espiritismo nos ensina que a maioria dos lares terrestres se constitui de casamentos provacionais.

Antigos desafetos que se reúnem, respirando no mesmo teto, para a dissipação do rancor. Almas que, interpretando defeituosamente as legítimas noções do Amor, se acumpliciaram no pretérito. Diminuto o número de casais reunidos por superiores afinidades. Vejamos como o Assistente Áulus descreve o reencontro, na atual reencarnação, das personagens daquele drama selado com o sangue do pai adotivo da irmã que, na atualidade, se encontra a braços com a mediunidade torturada :

«Decerto nosso companheiro na atualidade não se sente feliz. Recapitulando a antiga fome de sensações, abeirou-se da mulher que desposou, procurando instintivamente a sócia de aventura passional do pretérito, mas encontrou a irmã doente que o obriga a meditar e a sofrer.»

Têm razão os benfeitores espirituais quando asseguram que «os templos espíritas vivem repletos de dramas comoventes, que se prendem ao passado remoto e próximo» . E por viverem repletos de tais dramas é que se impõe a todos, imprescindivelmente, a necessidade do estudo metódico e sério, a fim de que, casos que reclamam, simplesmente, amorosa ajuda a vítimas e verdugos, não sejam lastimàvelmente confundidos com «mediunidade a desenvolver».

O caso em tela é um desses. Uma casa espírita menos avisada iniciaria logo, com prejuízos para a irmã doente, o seu prematuro desenvolvimento mediúnico. Um grupo consciente, como o visitado pelos irmãos André Luiz e Hilário, cuidaria, antes de tudo, de curá-la e ao perseguidor.

E' uma médium em aflitivo processo de reajustamento. E' provável se demore ainda alguns anos na condição de doente necessitada de carinho e de amor.» E, completando o informe, com valiosa advertência dirigentes: «Desse modo, por enquanto é um instrumento para a criação de paciência e boa vontade no grupo de trabalhadores que visitamos, mas sem qualquer perspectiva de produção imediata, no campo do auxílio, de vez que se revela extremamente necessitada de concurso fraterno.»

Deduz-se, assim, que toda pessoa que procura os centros espíritas, assinalada por complicados distúrbios mediúnicos, não deve ser levada de imediato, sistematicamente, à mesa do desenvolvimento.Antes de tudo a ajuda fraterna, com o esforço pelo reajustamento.
Depois, sim, servir ao Bem, com a mente harmonizada e o coração guardando, como sublime tesouro, aquela paz e aquele anseio de auxiliar o próximo.

Um pormenor que não pode deixar de ser mencionado é o das consequências advindas do aborto provocado por aquela irmã, quando a vítima do passado, o próprio pai adotivo assassinado, tentou o renascimento. Tivesse ela assumido a responsabilidade maternal ao primeiro tentame, e não teria passado por tão cruéis sofrimentos.

E' por isso que proclamamos, alto e bom som: somos, efetivamente, «milionários da felicidade». Jamais alguém conceituou os Espíritas com tamanha exatidão. «Milionários da felicidade»! Nenhuma mulher espírita terá coragem de promover um aborto. E, se o fizer, pobrezinha dela! A Doutrina Espírita preceitua que o aborto é um crime horripilante, tão condenável quanto o em que se elimina a existência de um adulto.

Conhecesse aquela irmã o Espiritismo e tê-lo-ia evitado, fugindo-lhe, assim, às desastrosas consequências. A misericórdia divina, entretanto, se compadece infinitamente de todos nós. Via de regra, é através de acerbas provações que o Espírito humano, redimindo-se, reparando os erros, destruindo sinais de ódio e de sangue, inicia, esperançoso, a sublime caminhada para o Monte da Sublimação.
Acolhidos, inicialmente, em um núcleo cristão, o verdugo, a vítima e o cúmplice serão beneficiados.

Através de passes magnéticos, da doutrinação verbal amorosa e das vibrações dos componentes do grupo, receberão os três as claridades prenunciadoras da reconciliação, quando, então, o verdugo reingressará «nas correntes da vida física», reencarnando na condição de filhinho querido daqueles que, ontem, enceguecidos pela avareza, lhe cortaram impiedosamente o fio da existência ...

Com a palavra, mais uma vez, o Assistente Áulus:«Noite a noite, de reunião em reunião, na intimidade da prece e dos apontamentos edificantes, o trio de almas renovar-se-á pouco a pouco.» O perseguidor sentirá a necessidade de perdoar, único caminho para alcançar a indispensável melhoria...

A vítima, devedora direta, sentirá a necessidade de fortalecer-se e, perdoando, recuperar-se a fim de, com Jesus, oferecer mais adiante a sua mediunidade aos serviços assistenciais... E o esposo, devedor indireto, autor intelectual do crime, será compelido à meditação, à calma e à paciência, a fim de que, acertando as suas contas, tenha paz e felicidade. ..


18– O QUE É O ESPIRITISMO – ALLAN KARDEC, Falsas explicações dos fenômenos, pág. 85

V,-Não será admissível, segundo querem alguns que o médium se ache em estado de crise e goze certa lucidez, que lhe dá a percepção sonambúlica – espécie de dupla vista -, que aliás nos pode explicar a ampliação momentânea de suas faculdades intelectuais? Por que, dizem, as comunicações obtidas pelos médiuns não vão além do alcance das que nos dão os sonâmbulos?

A K.-É ainda esse um desses sistemas que não resistem a um exame aprofundado. O médium nem se acha em crise nem dorme, mas está perfeitamente acordado, agindo e pensando como os outros, sem nada apresentar de extraordinário. Certos efeitos particulares deram lugar a essa suposição; porém, quem se não limitar a julgar as coisas, por uma só face, reconhecerá sem dificuldade que o médium é dotado de uma faculdade particular, que não permite confundi-lo como o sonâmbulo, sendo a independência do seu pensamento demonstrada por fatos da maior evidência.

Abstraindo das comunicações escritas, qual o sonâmbulo que fez alguma vez sair um pensamento de um corpo inerte? Qual deles pôde produzir aparições visíveis e, mesmo, tangíveis? Qual fez que um corpo pesado se mantivesse suspenso no ar, sem ponto de apoio?
Será por efeito sonambúlico que certo médium desenhou, um dia, em minha casa e na presença de vinte testemunhas, o retrato de uma jovem, morta havia dezoito meses e a quem ele não conhecera, retrato reconhecido pelo próprio pai da jovem, presente então à sessão?

Será por efeito do mesmo gênero que uma mesa responde com precisão às questões propostas, mesmo feitas mentalmente? Certamente, se admitirmos que o médium se ache em estado magnético, parece-me difícil crer que a mesa seja sonâmbula.
Dizem, ainda, que os médiuns só falam com clareza daquilo que é conhecido. Como explicar o fato seguinte e cem outros da mesma espécie? – Um dos meus amigos, muito bom médium escrevente, perguntou a um Espírito se uma pessoa que ele tinha perdido de vista, havia quinze anos, era ainda deste mundo.

-“Sim, ainda vive, foi-lhe respondido; mora em Paris, rua tal, número tal.” Ele foi e encontrou a pessoa no lugar indicado. Seria isso uma ilusão? Seu pensamento poderia sugerir-lhe tal resposta, quando, por causa da idade da pessoa por quem ele perguntava, havia toda a probabilidade de ela não existir mais?

Se, em certos casos, vemos respostas combinarem com o pensamento de quem pergunta, será racional concluirmos que isso seja uma lei geral? Nisso como em todas as coisas, são sempre perigosos os juízos precipitados, porque eles podem ser desmentidos pelos fatos que ainda se não observaram.

19– OBRAS PÓSTUMAS (ALLAN KARDEC) – PAG. 91

Bem compreendemos nós o modo de transmissão do pensamento, mas somos impotentes para compreender, pelas leis da simpatia harmônica, o sistema pelo qual o homem forma em si mesmo tal ou qual pensamento, tal ou qual imagem, e esta solicitação de objetos exteriores. Isto decorre das propriedades do organismo, e a psicologia, descobrindo nesta faculdade rememorativa ou criadora, segundo o desejo do homem, alguma coisa de antagônico com as propriedades do organismo, fá-la depender de um ser substancial diferente da matéria.

“Começamos, pois, a descobrir no fenômeno do pensamento certas lacunas entre a capacidade das leis fisiológicas do organismo e o resultado obtido. O gérmen do fenômeno, se assim se pode dizer, é fisiológico; mas a sua extensão verdadeiramente prodigiosa não o é; e aqui urge admitir que o homem goza de uma faculdade estranha a qualquer dos dois elementos materiais de que, até o presente, o temos considerado composto.

O observador de boa fé reconhecerá, portanto, no caso, uma terceira parte constitutiva do homem, parte que começa a revelar-se, sob o ponto de vista da psicologia magnética, por caracteres novos e semelhantes aos que os filósofos dão à alma. A existência desta, porém, acha-se mais bem demonstrada pelo estudo de outras faculdades do sonambulismo magnético Assim pois a vista a distância, quando completa e claramente insulada da transmissão do pensamento, jamais poderá ser explicada pela extensão do simpático orgânico.

20 – RELIGIÃO DOS ESPÍRITOS – FRANCISCO C. XAVIER (EMMANUEL), Sonâmbulos, pág. 141

Reunião pública de 14.8.59 – Questão nº. 425 – Sonâmbulos sublimes, temo-los no mundo honorificados no Cristianismo, por terem testemunhado, valorosos, a evidência do Plano Espiritual. E muitos dos mais eminentes sofrem os efeitos de suas atividades psíquicas na própria constituição fisiológica, tolerando, muitas vezes, os tremendos embates das forças superiores, que glorificam a luz, com as forças inferiores que se enquistam nas trevas.

Paulo de Tarso, o apóstolo intrépido, após o comentário de suas próprias visões, fora do corpo denso, exclama na segunda carta aos coríntios: - “E para que me não exaltasse pelas excelências recebidas, foi-me concedido um espinho na carne...”. Antão, o venerado eremita do vilarejo de Coma, no Egito, intensivamente assaltado por Espíritos obsessores, e em estado cataléptico, é tido como morto, despertando, porém, entre aqueles que lhe velavam o suposto cadáver.

Francisco de Assis, o herói da humildade, ouve, prostrado de febre, em Spoleto, as vozes que lhe recomendam retorno à terra natal, para o cumprimento de sua missão divina. Antônio de Pádua, o admirável franciscano, por várias vezes entra em sono letárgico, afastando-se do corpo para misteres santificantes.

Teresa de Ávila, a insigne doutora da literatura religiosa na Espanha, permanece em regime de parada cardíaca, por quatro dias consecutivos, acordando subitamente, entre círios acesos, quando já se lhe preparava conveniente sepulcro, no convento da Encarnação

Medianeiros excelsos foram todos eles, pelas revelações que trouxeram do Plano Divino ao acanhado círculo humano. Entretanto, fora do hagiológio conhecido, encontramos uma infinidade de sonâmbulos outros, em todas as épocas. Sonâmbulos de inteligência enobrecida e sonâmbulos enfermos na atividade mental. Sabe-se que Maomé recebia mensagens do Além, no intervalo de convulsões epileptóides.

Dante, apesar do monoideísmo político, registra impressões hauridas por ele mesmo, fora dos sentidos normais. Através de profundas crises letárgicas, Auguste Comte escreve a sua Filosofia Positiva. Frederica Hauff, na Alemanha, em princípios do século XIX, doente e acamada, entra em contato com a Esfera Espiritual.

Guy de Maupassant, em França, vê-se obsidiado pelas entidades desencarnadas que lhe inspiram os contos notáveis, habitualmente grafados por ele em transe. Van Gogh, torturado pinta, sob influências estranhas, padecendo acessos de loucura. E além desses sensitivos, categorizados nas classes a que nos reportamos, surpreendemos atualmente os sonâmbulos do sarcasmo, que se valem de assunto tão grave, qual seja o sonambulismo magnético, para motivo de hilaridade, em diversões públicas, com evidente desrespeito à dignidade humana.

Todavia, igualmente hoje, com a benção do Cristo, vemos a Ciência estudando a hipnose para aplicá-la no vasto mundo patológico em que lhe cabe operar, e a Doutrina Espírita a reviver o Evangelho, disciplinando e amparando os fenômenos da alma, no campo complexo da mediunidade, de modo a orientar a consciência dos homens no caminho da Nova Luz.

22 – ROMA E O EVANGELHO – D. JOSÉ ª Y PELLICER (CÍRCULO CRISTIANO ESPÍRITA DE LÉRIDA), 2ª. Pág. 311

O negociante, que apenas fez estudos primários, e que nunca soube o latim, adquire a posse dessa língua, e tonteia o seu médico, a quem só nela falará. Por essa teoria extática do Sr. Gasparin, conclui-se que as idéias enunciadas pelos extáticos, e de que não tinham eles conhecimento no estado normal, não são mais que reminiscências.

Como o Sr. Gasparin, eu admito a reminiscência, que não é senão a volta da alma ao pensamento de uma coisa, ou de uma idéia esquecida, apesar de gravada na memória. Essa volta, entretanto, só se opera a favor de algum trabalho intelectual que nos conduza à recordação de coisas ou idéias esquecidas.

Eu sou médium, e o médium, segundo as idéias correntes, é um sonâmbulo acordado. Ora, todo sonâmbulo é extático, em maior ou menor grau; logo, sou extático. Pois bem; eu, que sou extático, tomo um lápis, e, colocando-o sobre o papel e concentrando-me, digo à força oculta que dirige a minha mão e a leva a escrever, inconscientemente, que me faça escrever alguma coisa sobre a criação, se lhe for possível. Apenas tenho pronunciado estas palavras, é a minha mão arrastada sem interrupção, e escreve sobre a criação coisas verdadeiras ou falsas, que me surpreendem.

Terminada a sessão e desejando verificar se essas idéias sobre a criação eram reminiscências, procurei ver se elas se haviam gravado na minha memória por alguma leitura ou por tê-las ouvido de alguém. Nesse intuito, comecei a reler os livros religiosos e filosóficos que podiam tratar da questão, porém, nada encontrei neles que se parecesse como o que escrevi. Consultei as bibliotecas públicas, e nada descobri, aí, semelhante ao que a minha mão me tinha dado a conhecer sobre a criação.