AFINIDADES
BIBLIOGRAFIA
01 - A mediunidade sem lágrimas - pág. 52/67 02 - Celeiro de Bênçãos - pág. 130
03 - Dicionário da alma - pág. 16 04 - Dicionário Enc. Ilustrado - pág. 30
05 - Evolução em dois mundos - pág. 57 06 - Jesus no Lar - pág. 187
07 - Messe de Amor - pág. 63 08 - Missionários da Luz - pág. 101
09 - Na Era do Espírito - pág. 136 10 - Na sombra e na Luz - pág. 70
11 - O Consolador - pág. 106 12 - O Livro dos Espíritos - Q.155/278/284/302
13 - Passes e Curas espirituais - pág. 170 14 - Repositório de sabedoria - pág. 241
15 - Revista Espírita 1864 - pág. 52 16 - Saúde e Espiritismo - pág. 144
17 - Técnica da mediunidade - pág. 144 18 - Vozes do grande além - pág. 26

LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.

AFINIDADES - COMPILAÇÃO

05 – EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS – FRANCISCO C. XAVIER (ANDRÉ LUIZ) – pág. 57

Hereditariedade e Afinidade. Nas épocas remotas, os Semeadores Divinos guiavam a elaboração das formas, traçando diretrizes ao mundo celular, em favor do princípio inteligente, então conduzido ante a sociedade humana; todavia, à medida que se lhe alteia o conhecimento, passa a responsabilizar-se por si mesmo, pavimentando o caminho que o investirá na posse da Herança Celestial no regaço da Consciência Cósmica.

Com alicerces na hereditariedade, toma a forma física e se desvencilha dela, para retomá-la em nova reencarnação capaz de elevar-lhe o nível cultural ou moral, quando não seja para refazer tarefas que deixou viciadas ou esquecidas na retaguarda.

Contudo, ligado inevitavelmente aos princípios de seqüência, é compelido a renascer na Terra, ou a viver além da morte, com raras exceções, entre os seus próprios semelhantes, porquanto hereditariedade e afinidade no plano físico e no plano extrafísico, respectivamente, são leis inclutáveis, sob as quais a alma se diferencia para a Esfera Superior, por sua própria escolha, aprendendo com larga soma de esforço a reger-se pelo bem invariável, que, em lhe assegurando equilíbrio, também lhe confere poder sobre os fatores circunstanciais do próprio ambiente, a fim de criar valores mais nobres para os seus impulsos de perfeição.

09 - Na Era do Espírito - J. Herculano Pires - pág. 136

23 - Irmão Saulo - Parentescos e Afinidade
A questão 203 de O Livro dos Espíritos coloca em termos espirituais o problema das linhagens familiares. Pensamos geralmente que a herança biológica é a determinante dos temperamentos e caracteres. O Espiritismo nos mostra que a natureza humana é espiritual e não material. Assim, o que determina a condição do homem é a sua essência e não a sua forma, o seu espírito e não o seu instrumento de manifestação corpórea. As famílias são aglomerados de espíritos afins que estabelecem, nas encarnações sucessivas, a linha da hereditariedade biológica.

Cada espírito que se encarna traz em si mesmo a sua personalidade já formada em encarnações anteriores. As semelhanças de características psíquicas e morais entre pais, filhos e outros descendentes não provêm da carne, mas do espírito. Cada ser humano é o que ele é por si mesmo. Há, portanto, um paralelismo cartesiano entre hereditariedade e afinidade. Admitindo-se isso, que hoje é considerado com atenção em grandes centros de pesquisas científicas, é fácil compreendermos a necessidade de independência não apenas social, mas também afetiva, para os filhos que se emanciparam e especialmente para os que constituíram a sua própria família.
As afinidades espirituais não implicam dependência e sujeição, porque cada espírito é o responsável direto pela sua evolução. Os pais são responsáveis pelos filhos no tocante à orientação que lhes fornecem pelos exemplos e pela educação. Mas não podem querer sujeitá-los às suas idéias e formas de vida.

Afinidade não quer dizer identidade. Gostamos de nos reunir com pessoas afins porque nos entendemos melhor com elas, mas nem por isso pensamos e vivemos exatamente da mesma maneira. Se assim fosse, a evolução teria de estagnar. Nossos filhos mais afins, mais ligados a nós podem tomar caminhos diferentes do nosso. E devemos respeitar-lhes o desejo de novas experiências, sem que isso importe em rompimento conosco. Cada espírito deve ter a jurisdição de si mesmo.
É por isso que Emmanuel nos lembra o amor sem apego, sem intenções de sujeição, para que não criemos problemas à liberdade de ação e de experiências dos filhos casados. Devemos ampará-los, auxiliá-los e não torturá-los com as nossas exigências egoístas.


11 – O CONSOLADOR – FRANCISCO C. XAVIER (EMMANUEL) pág. 108.

Afeição. Pergunta 175 – O instituto da família é organizado no plano espiritual, antes de projetar-se na Terra?
-O colégio familiar tem suas origens sagradas na esfera espiritual. Em seus laços, reúnem-se todos aqueles que se comprometeram, no Além, a desenvolver na Terra uma tarefa construtiva de fraternidade real e definitiva.
Preponderam nesse instituto divino os elos do amor, fundidos nas experiências de outras eras; todavia, aí ocorrem igualmente os ódios e as perseguições do pretérito obscuro, a fim de se transfundirem em solidariedade fraternal, com vistas ao futuro.

É nas dificuldades provadas em comum, nas dores e nas experiências recebidas na mesma estrada de evolução redentora, que se olvidam as amarguras do passado longínquo, transformando-se todos os sentimentos inferiores em expressões regeneradas e santificantes. Purificadas as afeições, acima dos laços do sangue, o sagrado instituto da família se perpetua no Infinito, através dos laços imperecíveis do Espírito.

Pergunta 176 – As famílias espirituais no plano invisível são agrupadas em falanges e aumentam ou diminuem, como se verifica na Terra?
-Os núcleos familiares do Além agrupam-se, igualmente, em falanges, continuando aí a obra de iluminação e de redenção de alguns de seus componentes dos grupos, elementos mais rebeldes ou estacionários, que são impelidos, pelos seus companheiros afins, aos esforços edificantes, na conquista do amor e da sabedoria. De maneira natural, todos esses núcleos se dilatam, à medida que se aproximam da compreensão do Onipotente, até alcançarem o luminoso plano de unificação divina, com as aquisições eternas e inalienáveis do Infinito.

Pergunta 177 – As famílias espirituais possuem também um chefe?
-Todas as coletividades espirituais estão reunidas, em suas características familiares, pelas santas afinidades d’almas, e cada uma possui o seu grande mentor nos planos mais elevados, de onde emanam as substâncias eternas do amor e da sabedoria.

Pergunta 178 – Poderíamos receber algum esclarecimento sobre a lei das afinidades entre os Espíritos desencarnados?
-Na Terra, as criaturas humanas muitas vezes revelam as suas afinidades nos interesses materiais, que podem dissimular a verdadeira posição moral da personalidade; no mundo dos Espíritos elevados, porém, as afinidades legítimas se revelam sem qualquer artifício pelos sentimentos mais puros.

12 - O LIVRO DOS ESPÍRITOS – ALLAN KARDEC, Questões 155, 155a, 278, 302, 484, 590,957

Pergunta 155 – Como se opera a separação da alma e do corpo?
-Desligando-se os liames que a retinham, ela se desprende.
Pergunta 155 A – A separação se verifica instantaneamente, numa transição brusca? Há uma linha divisória bem marcada entre a vida e a morte?
-Não; a alma de desprende gradualmente e não escapa como um pássaro cativo que fosse libertado. Os dois estados se tocam e se confundem, de maneira que o Espírito se desprende pouco a pouco dos seus liames; estes se soltam e não se rompem.
Durante a vida, o Espírito está ligado ao corpo pelo seu envoltório material ou perispírito; a morte é apenas a destruição do corpo, e não desse envoltório, que se separa do corpo quando cessa a vida orgânica. A observação prova que no instante da morte o desprendimento do Espírito não se completa subitamente; ele se opera gradualmente, com lentidão variável, segundo os indivíduos.

Para uns é bastante rápido e pode dizer-se que o momento da morte é também o da libertação, que se verifica logo após. Noutros, porém, sobretudo naqueles cuja vida foi toda material e sensual, o desprendimento é muito mais demorado, e dura às vezes alguns dias, semanas até mesmo meses, o que não implica a existência no corpo de nenhuma vitalidade, nem a possibilidade de retorno à vida, mas a simples persistência de uma afinidade entre o corpo e o Espírito, afinidade que está sempre na razão da preponderância que, durante a vida, o Espírito deu à matéria. É lógico admitir que quanto mais o Espírito estiver identificado com a matéria, mais sofrerá para separar-se dela.

Por outro lado, atividade intelectual e moral e a elevação os pensamentos operam um começo de desprendimento, mesmo durante a vida corpórea, e quando a morte chega é quase instantânea. Este é o resultado dos estudos efetuados sobre os indivíduos observados no momento da morte. Essas observações provam ainda que a afinidade que persiste, em alguns indivíduos, entre a alma e o corpo, é às vezes muito penosa, porque o Espírito pode experimentar o horror da decomposição. Este caso é excepcional e peculiar a certos gêneros de morte, verificando-se em alguns suicidas.

Pergunta 278 – Os Espíritos de diferentes ordens estão misturados?
-Sim e não; quer dizer, eles se vêem, mas se distinguem uns dos outros. Afastam-se ou se aproximam segundo a semelhança ou divergência de seus sentimentos, como acontece entre vós. É todo um mundo, do qual o vosso é o reflexo obscuro. Os da mesma ordem se reúnem por uma espécie de afinidade e formam grupos ou famílias de Espíritos unidos pela simpatia e pelos propósitos; os bons, pelo desejo de fazer o bem; os maus, pelo desejo de fazer o mal, pela vergonha de suas faltas e pela necessidade de se encontrarem entre os seres semelhantes a eles. Igual a uma grande cidade, onde os homens de todas as classes e de todas as condições se vêem e se encontram, sem se confundirem, onde as sociedades se formam pela similitude de gostos, onde o vício e a virtude se acotovelam, sem se falarem.

Pergunta 302 – A afinidade necessária para a simpatia perfeita consiste apenas na semelhança dos pensamentos e sentimentos, ou também na uniformidade dos conhecimentos adquiridos?
-Na igualdade dos graus de elevação.

Pergunta 484 – Os Espíritos se afeiçoam de preferência a certas pessoas?
-Os bons Espíritos simpatizam com os homens de bem ou suscetíveis de progredir; os Espíritos inferiores, com os homens viciosos ou que podem viciar-se; daí o seu apego, resultante da semelhança de sensações.

Pergunta 590 – Não há nas plantas, como nos animais, um instinto de conservação que as leva a procurar aquilo que lhes pode ser útil e a fugir do que lhes pode prejudicar?
-Há, se o quiserdes, uma espécie de instinto: isso depende da extensão que se atribua a essa palavra; mas é puramente mecânico. Quando, nas reações químicas, vede dois corpos se unirem, é que eles se afinam, quer dizer que há afinidade entre eles; mas não chamais a isso de instinto.

Pergunta 957 – Quais são, em geral, as conseqüências do suicídio sobre o estado do Espírito?
-As conseqüências do suicídio são as mais diversas. Não há penalidades fixadas e em todos os casos elas são sempre relativas às causas que o produziram. Mas uma conseqüência a que o suicida não pode escapar é o desapontamento. De resto, a sorte não é a mesma para todos, dependendo das circunstâncias. Alguns expiam sua falta imediatamente, outros numa nova existência, que será pior do que aquela cujo curso interromperam.

A observação mostra, com efeito, que as conseqüências do suicídio não são sempre as mesmas. Há, porém, as que são comuns a todos os casos de morte violenta, e as que decorrem da interrupção brusca da vida. É, primeiro, a persistência mais prolongada e mais tenaz do laço que liga o Espírito e o corpo, porque esse laço está quase sempre todo o seu vigor no momento em que foi rompido; enquanto que na morte natural se enfraquece gradualmente e em geral até mesmo se desata antes da extinção completa da vida. A conseqüência desse estado de coisas é o prolongamento da perturbação espírita, seguida da ilusão que, durante um tempo mais ou menos longo, faz o Espírito acreditar que ainda se encontra no número dos vivos.

A afinidade que persiste entre o Espírito e o corpo produz, em alguns suicidas, uma espécie de repercussão do estado do corpo sobre o Espírito, que assim ressente, malgrado seu, os efeitos da decomposição, experimentando uma sensação cheia de angústias e de horror. Esse estado pode persistir tão longamente quanto tivesse de durar a vida que foi interrompida. Esse efeito não é geral; mas em alguns casos o suicida não se livra das conseqüências da sua falta de coragem e, cedo ou tarde, expia essa falta, de uma ou de outra maneira. É assim que certos Espíritos, que haviam sido muito infelizes na Terra, disseram haver se suicidado na existência precedente e estar voluntariamente submetidos a novas provas, tentando suportá-las com mais resignação.

Em alguns casos é uma espécie de apego à matéria, da qual procuram inutilmente desembaraçar-se, para se dirigirem a mundos melhores, mas cujo acesso lhes é interditado. Na maioria é o remorso de haverem feito uma coisa inútil, da qual só provam decepções.
A religião, a moral, todas as Filosofias condenam o suicídio como contrário à lei natural. Todas nos dizem, em princípio, que não se tem o direito de abreviar voluntariamente a vida. Mas por que não só terá esse direito? Por que não se é livre de pôr um termo aos próprios sofrimentos? Estava reservado ao Espiritismo demonstrar, pelo exemplo dos que sucumbiram, que o suicídio não é apenas uma falta como infração a uma lei moral, consideração que pouco importa para certos indivíduos, mas um ato estúpido, pois que nada ganha quem o pratica e até pelo contrário. Não é pela teoria que ele nos ensina isso, mas pelos próprios fatos que coloca sob os nossos olhos.

15 - Revista Espírita 1864 -Allan Kardec - pág. 52

IV. As afeições terrenas e a reencarnação.
O dogma da reencarnação indefinida encontra oposições, no coração do encarnado que ama, porque, em presença dessa infinidade de existências, produzindo laços em cada uma delas, ele pergunta com espanto em que se tornam as afeições particulares, e se estas não se fundem num único amor geral, o que destruiria a persistência da afeição individual. Ele se pergunta se esta afeição individual não é apenas um meio de adiantamento e então o desânimo deslisa em sua alma, porque a verdadeira afeição experimenta a necessidade de um amor eterno, sentindo que ela não se cansará jamais de amar. O pensamento desses milhares de afeições idênticas lhe parece uma impossibilidade, mesmo admitindo faculdades maiores para o amor.

O encarnado que estuda seriamente o Espiritismo, sem idéia preconcebida para um sistema e não para um outro, sente-sè arrastado para a reencarnação pela justiça que decorre do progresso e do avanço do Espírito a cada nova existência; mas quando o estuda do ponto de suas afeições do coração, duvida e se espanta mau grado seu. Não podendo pôr de acordo esses dois sentimentos, ele se diz que aí ainda um véu a levantar e seu pensamento em trabalho atrai as luzes dos Espíritos para pôr em concordância o coração e a razão.

Disse antes: a encarnação pára onde é anulada a materialidade. Mostrei como o progresso material a princípio tinha requintado as sensações corporais do Espírito encarnado; como o progresso espiritual, vindo a seguir, havia contrabalançado a influência da matéria, depois a tinha subordinado a sua vontade e que, chegado a esse grau de domínio espiritual, a corporeidade não tinha mais razão de ser, pois o trabalho estava realizado. Examinemos agora a questão da afeição sob os aspectos materiais e espiritual.

Para começar, o que é a afeição, o amor? Ainda a atração fluídica, atraindo um ser para outro, unindo-os no mesmo sentimento. Essa atração pode ser de duas naturezas diversas, pois os fluidos são de duas naturezas. Mas para que a afeição persista eternamente, é preciso que seja espiritual e desinteressada; são precisos abnegação, devotamento e que nenhum sentimento pessoal seja o móvel deste arrastamento simpático. Desde que nesse sentimento haja personalidade, há materialidade. Ora, nenhuma afeição material persiste no domínio do Espírito. Assim, toda afeição apenas resultante do instinto animal ou do egoísmo, se destrói com a morte terrestre.

É assim que seres que se dizem amadas são esquecidos após pouco tempo de separação! Vós os amastes por vós e não por eles, que não vivem mais; esquecestes e os substituístes; procurastes consolo no esquecimento; tornam-se indiferentes porque não tendes mais amor. Contemplai a humanidade e vede quão poucas as afeições verdadeiras na terra! Assim, não se devem admirar tanto da multiplicidade das afeições aí contraídas. São em minoria relativa, mas existem as que são reais e persistem e se perpetuam sob todas as formas, primeiro na terra, depois se continuando no estado de Espírito, numa amizade ou num amor inalterável, que cresce, elevando-se mais. Vamos estudar esta verdadeira afeição: a afeição espiritual.

Ela tem por base a afinidade fluídica espiritual que, atuando só, determina a simpatia. Quando assim é, é a alma que ama a alma e essa afeição só toma força pela manifestação dos sentimentos da alma. Dois Espíritos unidos espiritualmente se buscam e tendem sempre a aproximar-se; seus fluidos são atrativos. Se estiverem no mesmo globo, serão impelidos um para o outro; se separados pela morte terrena, seus pensamentos unir-se-ão na lembrança e a reunião far-se-á na liberdade do sono; e quando soar a hora da reencarnação para um deles, procurará aproximar-se de seu amigo, entrando no que é a sua filiação material, e o fará com tanto mais facilidade quanto seus fluidos perispiritais materiais encontrarão afinidades na matéria corporal dos encarnados que deram à luz o novo ser.

Daí um novo aumento de afeição, uma nova manifestação de amor. Tal Espírito amigo vos amou como pai, vos amará como filho, como irmão ou como amigo, e cada um desses laços aumentará de encarnação a encarnação e se perpetuará de maneira inalterável quando, realizado o vosso trabalho, viverdes a vida do Espírito.

Mas esta verdadeira afeição não é comum na terra e a matéria a vem retardar, anular-lhe os efeitos, conforme ela domine o Espírito. A verdadeira amizade, o verdadeiro amor, sendo espiritual, tudo quanto se refere à matéria não é de sua natureza e em nada concorre para a identificação espiritual. A afinidade persiste, mas fica em estado latente até que, dominando o fluido espiritual, de novo se efetui o progresso simpático.

Resumindo, a afeição espiritual é a única resistente no domínio do Espírito. Na terra e nas esferas do trabalho corporal, concorre para o avanço moral do Espírito encarnado que, sob a influência simpática, realiza milagres de abnegação e de devotamento aos seres amados. Aqui, nas moradas celestes, ela é a satisfação completa de todas as aspirações e a maior felicidade que o Espírito possa desfrutar.

16 - Saúde e Espiritismo - A.M.E. Brasil - pág. 144

MECANISMOS
Na análise do mecanismo intrínseco do processo obsessivo, não podemos esquecer o papel do pré-requisito de dois fatores muito importantes: a afinidade e a sintonia ou paridade de frequência, conforme esclarece André Luiz em Mecanismos da Mediunidade. O pensamento e o sentimento são formas de energia eletromagnética. Na mente humana, essas duas forças estão atuando tanto em nível consciente quanto inconsciente, sendo a intenção o gatilho que aciona a transmissão dessas energias para o alvo que se deseja (consciente ou inconscientemente).

Assim, uma idéia emitida por uma entidade obsessiva termina por fixar-se na mente de outra entidade, encarnada ou desencarnada, se houver afinidade (de pensamentos ou sentimentos) entre elas. Dizemos então que se estabelece um "circuito mental" (ou mediúnico) entre as duas mentes. André Luiz, em Mecanismos da Mediunidade, IV, explica a ocorrência do Circuito Mental tomando por modelo a maneira como acontece em um circuito elétrico. Assim, diz ele, se aproximarmos um corpo eletrizado (por exemplo, uma bola de metal) de um corpo neutro, não eletrizado (por exemplo, outra bola de metal), este último também se tornará eletrizado, pois parte da carga elétrica do primeiro se transferirá para o segundo, movimentando-se, em seguida, de volta ao primeiro, depois ao segundo e assim por diante, constituindo-se entre eles, então, uma corrente elétrica.

Esses dois corpos estarão, assim, em sintonia. Entretanto, se o segundo objeto (neutro) for representado por uma bola de vidro ou de borracha, essa corrente elétrica não se estabelecerá, pois não há afinidade entre o vidro ou borracha para com o metal. Afinidade significa identidade de características. Assim também, um pensamento (e sentimento, como o ódio, por exemplo) emitido por uma entidade, apenas conseguirá reproduzir-se em outra mente que lhe tenha afinidade, isto é, que tenha em seu conteúdo pensamentos (e sentimentos) de mesma característica. Havendo afinidade, irá se estabelecer o circuito mental ou mediúnico; as duas mentes ficarão se alimentando reciprocamente dessa idéia, em identidade de sintonia (sin= concordância; tono= intensidade de ação).

Afinidade e sintonia não são, portanto, termos sinônimos. Afinidade é uma premissa necessária para que se estabeleça a sintonia. O circuito mental ou mediúnico é assim denominado porque a nossa mente é, ao mesmo tempo, uma estação emissora e receptora de pensamentos e idéias. Estamos, mesmo sem querer e inconscientemente, em sintonia com as outras mentes encarnadas ou desencarnadas com as quais temos afinidade. Nesse sentido é que podemos entender o exarado em O Livro dos Médiuns, de Kardec, de que "todos somos médiuns", pois estamos sempre em contato mental e, portanto, mediúnico com outras mentes.

Se temos bons pensamentos e sentimentos, temos condições de ser inspirados pelos Espíritos Superiores, que nos orientam e nos ajudam. Se estamos retidos em pensamentos e sentimentos negativos, abrimos brecha para a ação de Espíritos perversos, vingativos, etc... oferecendo oportunidade para a instalação de processo obsessivo.

Portanto, o mecanismo intrínseco de estabelecimento do circuito mental ou mediúnico é o mesmo, tanto para as vibrações amorosas, quanto para as encontradas na vigência do processo obsessivo. Assim também acontece com outros atributos nossos. Seu uso depende de nosso livre-arbítrio. Nossas mãos podem acariciar mas, também, podem ferir; nossa voz pode confortar ou caluniar. (...)

18 - Vozes do grande além - Diversos Espíritos - pág. 26

4. A REFLEXÃO MENTAL
Na noite de 7 de julho de 1955, fomos surpreendidos por imenso reconforto, porquanto, pela primeira vez, recolhemos a palavra do Dr. Alberto Seabra, abnegado médico e distinto escritor espiritista, que nos falou com respeito ao mundo mental.

Quando os Instrutores da Sabedoria preconizam o estudo, não desejam que o aprendiz se intelectualize em excesso, para a volúpia de humilhar os semelhantes com as cintilações da inteligência, e, quando recomendam a meditação, decerto não nos inclinam à ociosidade ou ao êxtase inútil. Referem-se à necessidade de nosso aprimoramento interior para mais vasta integração com a Luz Infinita, porque o reflexo mental vibra em tudo.

Nossa alma pode ser comparada a espelho vivo com qualidades de absorção e exteriorização. Recolhe a força da vida em ondas de sentimento e emite-as em ondas de pensamento a se expressarem através de palavras e atitudes, exemplos e fatos. Refletimos, assim, constantemente, uns nos outros. É pelo reflexo mental que se estabelece o fenômeno da afinidade, desde os reinos mais simples da Natureza.

Vemo-lo nos animais que se acasalam, no mesmo tom de simpatia, tanto quanto nas almas que se reúnem na mesma faixa de entendimento. Quando se consolida a amizade entre um homem e um cão, podemos registrar o reflexo da mente superior da criatura humana sobre a mente fragmentária do ser inferior, que passa então a viver em regime de cativeiro espontâneo para servir ao dono e condutor, cuja projeção mental exerce sobre ele irresistível fascínio.

É desse modo que Espíritos encarnados podem influenciar entidades desencarnadas, e vice-versa, provocando obsessões e perturbações, tanto na esfera carnal como além-túmulo. As almas que partem podem retratar as que ficam, assim como as almas que ficam podem retratar as que partem.

Quando pranteamos a memória de alguém que nos antecede, aí no mundo, na viagem da morte, atiramos nesse alguém o gelo de nossas lágrimas ou o fogo de nossa tortura, conturbando-lhe o coração, toda vez que esse Espírito não for suficientemente forte para sobrepor-se ao nosso infortúnio. E quando alguém se ausenta da carne, carreando aflições e pesares procedentes de nossa conduta, arremessará da vida espiritual sobre nossa alma os dardos magnéticos da lembrança infeliz que conserva a nosso respeito, prejudicando-nos o passo no mundo, caso não estejamos armados de arrependimento para renovar a situação, criando imagens de harmonia restauradora.

Em razão disso, convém meditar nos ideais, aspirações, pessoas e coisas que refletimos, porque todos nos subordinamos, pelo reflexo mental, ao fenômeno da conexão. Estamos inevitavelmente ligados a tudo o que nos merece amor. Essa lei é inderrogável em todos os planos do Universo. Os mundos no Espaço refletem os sóis que os atraem, e a célula, quase inabordável no corpo humano, reflete o alimento que lhe garante a vida. Os planetas e os corpúsculos, porém, permanecem escravizados a leis cósmicas e organogênicas irrevogáveis. O Espírito consciente, no entanto, embora submetido às leis que lhe presidem o destino, tem consigo a luz da razão que lhe faculta a escolha.

A inteligência humana, encarnada ou desencarnada, pode contribuir, pelo poder da vontade, na educação ou na reeducação de si própria, selecionando os recursos capazes de lhe favorecerem o aperfeiçoamento. A reflexão mental no homem pode, assim, crescer em amplitude e sublimar-se em beleza para absorver em si a projeção do Pensamento Superior. Tudo dependerá de nosso propósito e decisão.

Enquanto nos comprazemos com a ignorância ou com a indiferença para com os princípios que nos governam, somos cercados sem defensiva por pensamentos de todos os tipos, muitas vezes na forma de monstruosidades e crimes, em quadros vivos que nos assaltam a imaginação ou em vozes inarticuladas que nos assomam à acústica do espírito, conduzindo-nos aos mais escuros ângulos da sugestão. É por isso que notamos tanta gente ao sabor das circunstâncias, aceitando simultaneamente o bem e o mal, a verdade e a mentira, a esperança e a dúvida, a certeza e a negação, à maneira de folha volante na ventania.

Eduquemo-nos, estudando e meditando, para refletir a Divina Inspiração. Lembremo-nos de que o impulso automático do braço que levanta a lâmina homicida pode ser perfeitamente igual, em movimento, ao daquele que ergue um livro enobrecedor. A atitude mental é que faz a diferença. Nosso pensamento tem sede de elevação, a fim de que a nossa existência se eleve. Construamos em nós o equilíbrio e o discernimento.

Rendamos culto incessante à bondade e à compreensão. Habitualmente contemplamos no espelho da alma alheia a nossa própria imagem, e, por esse motivo, recolhemos dos outros o reflexo de nós mesmos ou então aquela parte dos outros que se harmoniza com o nosso modo de ser. Não bastam à nossa felicidade aquisições unilaterais de virtude ou valores incompletos. Todos temos fome de plenitude.

O desejo é o imã da vida. Desejando, sentimos, e, pelo sentimento, nossa alma assimila o que procura e transmite o que recebe.
Aprendamos, pois, a querer o melhor, para refletir o melhor em nossa ascensão para Deus.
Alberto Seabra

LEMBRETE:

1° - A afinidade é "uma faixa de união" em que nos integramos uns com os outros. Francisco C. Xavier

2° - Afinidade Eletiva: Explica Bozzano, com irresistível lógica, que o médium entrará em relação com os fatos ligados àquele (possuidor) cujo fluído se evidenciar mais ativo em relação com o sensitivo. A esse aspecto do fenômeno psicométrico, Bozzano denominou de "afinidade eletiva. Martins Peralva

3° - É pelo reflexo mental que se estabelece o fenômeno da afinidade, desde os reinos mais simples da Natureza. Alberto Seabra

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