1 - O VALOR DA FÉ

Discutirás em nome da fé, contudo, quase sempre, ao fim de preciosos duelos verbais, não terás atirado ao caminho dos semelhantes senão a labareda da violência ou o veneno do despeito e do ódio. Combaterás por ela, mobilizando armas e tribunais terrestres, no entanto, ao término da luta, muitas vezes, não recolhes senão as brasas do desespero e o fel da desilusão.

E fácil ser-nos-á sempre criticar em seu nome, desaprovar e destruir, na suposição de favorecer-lhe o desenvolvimento e a ascensão, porque, todos somos capazes da atitude obstinada ou da palavra contundente para consolidar-lhe os princípios, segundo o nosso modo personalista de ser. Entretanto, Jesus ensinou-nos a cultivar o verdadeiro tipo de fé suscetível de erguer-nos da sombra para a luz.

Ele que mantinha inalterável comunhão com o Pai Celeste, jamais guerreou em Seu Nome, a pretexto de advogar-Lhe a soberania. Em nome da fé, entregou-se incansável ao serviço de amparo às necessidades humanas, antes de veicular-lhes os avisos e ensinamentos.

Consagrando-a, passou no mundo, auxiliando e amando, servindo e perdoando, infinitamente, sem mesmo recorrer à qualquer proteção legal da justiça, quando escarnecido na prisão injusta e dilacerado na cruz do crime. É que o Mestre, em silêncio, revelou-nos, sublime, que a coragem real da fé será sempre aquela que plasma no exemplo vivo do trabalho e abnegação, humildade e renúncia, a mensagem fundamental de sua irresistível lição.

Indulgência - Emmanuel

2 - FÉ E CORAGEM

Proclamar as próprias convicções, notadamente diante das criaturas que se nos façam adversas, é coragem da fé, no entanto, semelhante afirmação de valor não se restringe a isso. O assunto apresenta outra face não menos importante: o desassombro da tolerância pelo qual venhamos a aceitar os outros como os outros são sem recusar-lhes auxílio.

Cunhar pontos de vista e veiculá-los claramente sinal de espontaneidade e franqueza, marcando alma nobre. Compreender amigos e adversários, simpatizantes ou indiferentes do caminho, estendendo-lhes paz e fraternidade, é característico de paciência e bondade, indicando alma heróica.

Demonstra a própria fé, perante todos aqueles que te compartilham a estrada, mas não deixes de amá-los e serví-los, quando se patenteiam distantes dos princípios que te norteiam. Reportamo-nos a isso, porquanto, junto dos companheiros leais, surgirão sempre os companheiros difíceis.

Esse de quem esperavas testemunhos de amor e bravura, nas horas graves, foi o primeiro que te deixou, a sós, nos momentos de crise; aquele, em cujo coração plantaste sinceridade e confiança, largou-te ao ridículo, quando a maioria mudou, transitoriamente, de opinião; aquele outro a quem deste máximo apreço te retribuiu com sarcasmo; e aquele outro, ainda, é o que te criou problemas e inquietações, depois de lhe haveres dado apoio e vida.

Todos eles, porém, se nos erguem na escola do mundo por testes de persistência no bem. A coragem da fé começará sempre através da veemência com que exponhamos as próprias idéias, diante da verdade, entretanto, só se realizará em nós e por nós, quando tivermos a necessária coragem para compreender todos os homens, - ainda mesmo os nossos mais ferrenhos perseguidores, - como nossos verdadeiros irmãos e filhos de Deus.

Mãos Unidas - Emmanuel

3 - SE TIVERMOS FÉ

Todos nós encontramos, de quando em vez, na jornada evolutiva, calamidades e contratempos que nos afetam a vida. Conflitos do sentimento recrudesceram, agravando-nos aflições... Enfermidades surgiram, suscitando obstáculos... Desarmonias repontaram na equipe doméstica...

Empreendimentos promissores entraram em fracasso... Prejuízos nos golpearam, de chofre... Desapareceram amigos... Nossas palavras terão tido interpretação infeliz, granjeando-nos adversários gratuítos... Discórdias conturbaram-nos a marcha... Falharam esperanças.

Provações sobrevieram, transformando-nos o caminho... Injúrias e pedradas caíram sobre nós... Incompreensões feriram-nos o espírito.. Desabaram lutas e desafios, em nossas trilhas de experiência... Ampliaram-se inquietações...

Entretanto, atravessarás, incólume, sombras e lágrimas, tribulações e empeços diversos, se tiveres a coragem de conservar a fé, reconhecendo, em todas as circunstâncias, que nada somos, nada podemos, nada realizamos, nada temos e nada sofremos, sem a devida permissão das Leis de Deus.

4 - FÉ, ESPERANÇA E AMOR (NÓS - EMMANUEL)

Se tens fé, guardarás contigo a esperança e quem recolhe a esperança traz o coração a transfundir-se em amor... Observa a fé inspirando o trabalho digno em todos os círculos da luta que te rodeia...Confiante, o lavrador arremessa ao seio da terra a semente humilde que lhe garantirá o celeiro, mas para que a colheita lhe responda ao trabalho, conserva os dons da esperança e do amor, valendo-se do solo enlameado de chuva encharcante, da canícula abrasadora e do suor que lhe exaure as energias...

Seguro de si, o construtor planeja a construção da casa nobre, traçando-lhe as linhas essenciais, contudo, para concretizar o projeto, espera e ama, utilizando-se do martelo e da picareta, do barro e da pedra. Tudo no Universo, nas operações mais simples a que a nossa existência se ajusta, é ato de fé, gerando a esperança e o amor que sustentam as bases da vida.

Confiando, alimenta-se o homem e assegura o próprio equilíbrio. Confiando, vale-se das experiências de quantos lhe precederam a marcha no pretérito distante e desenvolve-se na ascensão à sabedoria. Confiando, cresce mentalmente e aperfeiçoa-se convertendo-se em amparo dos caídos, em condutor dos fracos, em protetor dos aflitos e em benfeitor dos que padecem.

Para isso, porém, para que atinja em seu próprio roteiro a coroa de Humanidade que a fé lhe designa, é preciso saiba esperar e amar, sempre, compreendendo que todos os seres e todas as cousas são importantes, na economia do mundo, e que a dor não é senão degrau de bênçãos ocultas, que lhe compete aproveitar e superar, na subida triunfante à radiosa imortalidade a que se destina.

5 - PENHOR DA FÉ - (FLORAÇÕES EVANGÉLICAS - JOANNA DE ÂNGELIS)

Não te surpreendam as dificuldades nem as incompreensões na esfera da ação em que te encontras a serviço da Era Melhor do Espírito Imortal. Todo empreendimento, que visa a modificação de estrutura ultramontana do erro, experimenta a reação contrária da própria força em atuação. Apontas ásperas lutas e duras provas, referes-te a desencantos e dubiedades, arrolas e desassossego e evasão, abismas-te em desaire e amargura como se desejasses um jardim florido para aspirar aroma e não uma gleba a transformar-se em seara de bênçãos, toda por inteira.

Considera, porém, que a lâmina que produz desgasta-se, a pedra que atrita destrói-se, o lume que clareia consome o combustível de sustentação, o corpo que se desenvolve e cresce para a glória do Espírito caminha para o sepulcro...Tudo são permutas incessantes. Átomo a átomo agrega-se a molécula. Célula a célula compõem-se o órgão. Particula a partículo forma-se o vegetal. Vibração a vibração aglutinam-se as forças do Universo.

O Sol que nos sustenta aniquila-se, paulatinamente, ao converter massa em energia para o equilíbrio e manutenção dos astros que gravitam na sua órbita. Assim, também, ocorre no campo das aspirações morais. A excelência dos nossos ideais se revela no testemunho que deles oferecemos. Começamos e recomeçamos tarefas de sublimação até atingirmos o ápice da libertação, resgatando todos os débitos.

Por essa forma, cada qual respira no clima elaborado pelo pensamento e cultivado pela vontade. Ante o que fazer, não te aquiete no já feito. Faze. Ao produzir, em nome do amanhã, evita a paisagem do passado. Projetando o bem esquece o mal, que em última análise é apenas o bem ausente.

Não desfaleças, não retrocedas, porque as tuas aspirações sofrem a baba da injúria e as tuas expressões são entendidas como acicates, que no entanto não esparzes.

Reverenciando Jesus, a Quem procuras atender e cujo amor te incendeia a alma em pleno despertar, agradece todo empeço e azedume que te apareçam, perdoando sempre, porquanto testemunhando a legitimidade dos teus propósitos, o perdão que ofertes é oportunidade para ti mesmo, como perdão de Nosso Pai na direção dos teus desejos.

"Tende fé em Deus!" Marcos: 11-22

A verdadeira fé se conjuga à humildade; aquele que a possui deposita mais confiança em Deus do que em si próprio, por saber que, simples instrumento da vontade divina, nada pode sem Deus. Cap. XIX - ítem 4.

6 - PROBLEMAS, FACILIDADES E FÉ - (FLORAÇÕES EVANGÉLICAS)

Enquanto o discípulo do Evangelho laborava em dificuldade sob o peso de problemas de variada denominação, amargando enfermidade e dor, afervorava-se na vivência cristã, em cuja trilha encontrava segurança para a marcha e sob cujo amparo lenia as feridas do sentimento estiolado. Emocionado, deixava-se vencer pelas dúlcidas consolações a fluírem da Boa Nova, penetrando-se de fevor e desejoso por servir com abnegação e renúncia.

Planos de auxílio fraterno enfloresciam sua alma, e suas mãos diligentes arregimentavam ações superiores para o exercício da caridade sem mesclas. Nas jornadas de estudos imbuía-se de responsabilidade e permitia-se comunicar pelas excelentes diretrizes, que se transformavam em roteiro de seguro comportamento. Jungido à dor possuía a fé.

Paulatinamente modificou-se a paisagem e o discípulo, graças ao labor sensibilizar Benfeitores desencarnados que interferiram junto aos promotores do progresso humano, modificando, a benefício dele, os mapas provacionais de modo a que fosse atenuados seus débitos e modificada a mecânica da sua luta, objetivando-se mais amplo campo de serviço a bem do próximo.

A saúde recebeu mais expressiva carga de energia positiva, foram tomadas providências no metabolismo orgânico e, a breve tempo, os equipamentos físicos e psíquicos apresentaram-se saudáveis, aquinhoados pela harmonia. Sorriam êxitos e abundavam lucros. Insensivelmente o discípulo modificou as expressões íntimas do comportamento.

Dominado pelos compromissos novos afastou-se da charrua da caridade, tornando onzenário, como o tempo lhe representasse patrimônio monetário que poderia conseguir, fez-se faltoso, sob justificativas superficiais, até que abandonou em definitivo o labor a que se encontrava ligado, por novos deveres a que se submeteu docilmente.

Pela memória, às vezes recordava os dias idos, experimentando, é verdade, inusitada nostalgia. A volúpia dos valores novos, a ambição desmedida, a bajulação da leviandade e o aplauso da fatuidade, embora lhe agradassem à prosápia, não conseguiam preencher-lhe o imenso vazio que vagarosa, porém, seguramente o dominava, terminando por vencer-lhe as resistências. Enriqueceu e conquistou amigos.

O tempo tomou-lhe a saúde e alterou diversas amizades. O cansaço venceu-lhe a intrepidez e os desenganos terminaram por deixá-lo só. Quando chegou a desencarnação, encontrou-se de consciência atormentada, e conquanto portador de expressiva fortuna econômica, partiu da Terra com as mãos vazias.

Amigos e bens não foram além do túmulo; atingiram-lhe apenas e somente, os portais de cinza e lama, antes que ele mesmo se adentrasse pela imortalidade. Diante das dificuldades de qualquer denominação, face aos infortúnios de variada classificação, perante as graves e dolorosas conjunturas, da existência planetária, sob a constrição de qualquer enfermidade ou sofrendo transes afetivos sem nome e sem esperança, não te arrojes ao desespero nem rogues soluções apressadas à Vida.

Tem paciência e sofre confiante. Tudo passa. Qualquer situação, como toda a circunstância boa ou má são transitórias pelo caminho da evolução. Espera e persevera no exercício do bem sem limite, recuperando o passado de sombras e acendendo luzes de esperança para o futuro. Quando menos esperes, descobrirás que as dores se foram, as lutas cessaram, mas em paz de consciência estarás livre das conjunturas carnais, adejando além das situações dolorosas no rumo da plenitude da paz interior.

"Tudo o que com Fé pedirdes em vossas orações, haveis de receber." - Mateus: 21-22

A fé raciocinada, por se apoiar nos fatos e na lógica, nenhuma obscuridade deixa. A criatura então crê, porque tem certeza, e ninguém tem certeza senão porque compreendeu. Eis porque não se dobra. FÉ INABALÁVEL SÓ É A QUE PODE ENCARAR DE FRENTE A RAZÃO, EM TODAS AS ÉPOCAS DA HUMANIDADE. Cap. XIX, ítem 7.

7 - COM FÉ E AÇÃO (OFERENDA- JOANNA DE ÂNGELIS)

Fazendo um balanço dos teus atos, numa tentativa de encontrar as causas do sofrimento na presente existência, e não encontrando razões que as justifiquem, considera a possibilidade das vidas anteriores, nas quais se encontram as gêneses dos teus problemas atuais. Grande parte das dores que afligem o homem procede da vida presente, como efeito próximo, imediato, dos seus próprios erros.

Outras aflições, porém, aparentemente injustificáveis, na sua explosão rude quão severa, resultam de existências passadas, nas quais foram malogrados ou esquecidos os objetivos nobres da vida. O trânsito carnal é oportunidade preciosa, que não pode ser desconsiderada, sem graves consequências.

Todos avançamos, no processo da evolução, mediante a aplicação dos recursos de que dispomos. Ninguém marcha a esmo, sem objetivo. A tarefa hoje não realizada será retomada à frente; o ministério agora interrompido ressurgirá adiante. Não te entregues à revolta sistemática, quando visitado pela dor de qualquer prova.

Procura, nesta vida, as matrizes do sofrimento, a fim de saná-las e, se não as encontrares, transfere para a paciência e a resignação o mister de anulá-las, pois que vicejam desde reencarnações transatas. O que ora sucede teve início antes. A árvore que ora vês gigantesca, dormia na semente minúscula.

O incêndio voraz que agora domina já vibrava na chama insignificante. Recorre à calma, quando as tenazes do sofrimento te comprimirem o corpo, o sentimento, a alma... Evita o conceito derrotista: "Não tenho forças". Libera-te da posição pessimista: "Nunca sairei desta".

A luta é, também, motivo de progresso, e a dor é o meirinho encarregado de selecionar, ante a cobrança da Vida, os que podem ser promovidos, sem vínculos com a retaguarda. Se descobres os fatores atuais dos teus sofrimentos, não te permitas a lamentação inútil nem o arrependimento inconsequente, aquele que auto-aflige e só desequilibra.

Consciente dos erros, reabilita-te, recompõe-te. Nunca te perguntarão como triunfaste, mas todos te abraçarão quando triunfante. Se não identificas as causas anteriores das provações que ora experimentas, entrega-te a Deus e expunge todos os torpes deslizes em que tombaste, erigindo em pranto e prece o altar da tua própria vitória.

O Pai confia em ti, de tal forma, que te permite a marcha evolutiva. Cumpre-te, n'Ele confiar, avançando e crescendo, até ao momento da tua libertação com fé e ação dignificadora.

8 - FALTA DE FÉ (BÊNÇÃOS DE PAZ)

"Acolhei ao que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões). - Paulo (Romanos, 14:11)

Não se deve julgar a criatura sem fé pelo padrão moral daquela que a possui, como não se pode considerar o enfermo à maneira de alguém que se encontre sem saúde porque assim o deseje. E assim como não se extingue a doença com pancadas e sim à custa de amparo e remédio, não se remove a descrença a preço de controvérsia e sim pelo concurso do amor e da educação.

Existem motivações diversas para a incredulidade, tanto quanto existem causas variadas para a moléstia. Em toda parte onde se alinham seres humanos encontramos aqueles irmãos que ainda se privam de mais amplo entendimento, no domínio das questões essencialmente espirituais:

- os que da infância à madureza tão somente estiveram no clima da mais profunda ignorância acerca dos assuntos da alma;

- os que se enredarm na inquietação, em face de compromissos inconfessáveis, e temem o contato com as realidades do Espírito;
- os que se apegam a preconceitos estéreis e fogem de incrementar no próprio ser o conhecimento da Vida Superior;
- os que sofrem processos obsessivos, temporariamente incapacitados para raciocinar com segurança em torno da orientação pessoal;

- os que caíram em extrema revolta ante as lides expiatórias que eles mesmos fizeram por merecer.

Quando te vejas defrontado pelos companheiros sem fé ou portadores de confiança ainda muito frágil, compadece-te deles e auxilia-os quanto possas. Segundo a solicitação do apóstolo Paulo, saibamos acolhê-los ao calor da bondade, nunca ao fogo da discussão.

9 - NA CONQUISTA DA FÉ (BÊNÇÃO DE PAZ)

"Justificados, pois, pela fé, tenhamos paz com Deus por meio de Nosso Senhor Jesus Cristo" - Paulo (Romanos, 5:1)

Louváveis todas as nossas considerações referentes à coragem da fé que nos cabe cultivar à frente das lutas, no mundo externo; todavia, é forçoso examinemos a importância da fé viva, portas a dentro do mundo de nós mesmos. Fé profunda e espontânea. Segurança íntima, tranquila, funcional. Já sabemos realmente mecanizar as operações do corpo, comandando-as de maneira instintiva.

Alimentas-te e não te preocupas com as fases diversas do processo nutritivo. Dormes e entregas ao coração todo o trabalho de vigilância e sustento dos mais remotos distritos da vida orgânica. Falta-nos, porém, até agora, automatizar os recursos superiores da própria alma.

Falta-nos reconhecer - mas reconhecer claramente - que Deus está em nós, conosco, junto de nós, ao redor de nós e que, por isso mesmo, é imperioso, de nossa parte, aceitar as lições difíceis mas sempre abençoadas do sofrimento, nas quais a pouco e pouco obteremos a coragem suprema da fé invencível. Nesse sentido jamais desinteressar-nos do aprendizado. Confiar em Deus nos dias de céu azul, mas igualmente confiar em Sua Divina Providência nas horas de tempestade.

Acolher a dor como sendo preparação da alegria. Atravessar a provação entesourando experiência. Observar as leis da vida e acatá-las, compreendendo que dificuldade é instrução imprescindível e que o tempo de infortúnio não é senão a consequência dos nossos erros de pensamento ou de ação, favorecendo-nos o reajuste.

Tão-somente assim, abraçando com paciência e proveito as lições menores da existência, transfigurando-as em luz para a vida prática adquiriremos a FÉ VITORIOSA que sabe esperar, agir, desculpar, amar e servir segundo a misericórdia de Deus.

10 - LUTAS DE FÉ (CANAIS DA VIDA)

Nos transes inevitáveis da evolução humana, há muita gente que unicamente cultiva a posse de uma fé convencional, no encapelado oceano das provações terrestre. Rede que balançasse o coração entre palmeiras farfalhantes... Barco que vagasse ao sopro da brisa.. Recanto de vale verde à frente do céu azul... Jardim cujo aroma exercesse a função de brando anestésico. Entretanto, a construção da fé verdadeira encontra gigastescas batalhas nas províncias do coração.

Para buscá-la e incorporar-lhe os valores, as criaturas são constrangidas a se apoiarem umas nas outras e, porque as criaturas humanas ainda respiram muito longe das condições angélicas, surgem aflições e conflitos por material indispensável à formação do discernimento - a chave de controle das nossas devoções e paixões - a fim de que a atitude religiosa, em nós outros, expressando nível espiritual, não nos situe na mentira piedosa da superestimação dos nossos próprios méritos.

Surpreendemos, a cada passo, choques e dissenções com dificuldades e advertências à vista, qual se a dor viesse examinar o grau da paciência e da humildade, da ponderação e do conhecimento que já conseguimos assimilar. Aqui, vacilam amigos queridos... Ali, apaga-se o íris de suaves encantamentos... Além, caem defesas que se nos afiguravam de contextura inexpugnável... Adiante, destacam-se árduos problemas a resolver...

Os espíritos indolentes acusar-se irritados e espantadiços, recolhendo-se à margem para o sono das próprias conveniências, alegando cansaço e desilusão.. Todavia, quantos despertam para a execução dos próprios deveres, não ignoram que todos estamos ainda jungidos aos resultados das próprias quedas em existências anteriores e que, por isso mesmo, toda a nossa edificação em matéria de fé precisa erguer-se em bases de experiência pessoal, intimamente sofrida e vivida através do trabalho comum, no qual todos necessitamos de amor e compreensão, sem ferir a verdade e sem desacreditar a justiça.

Toda vez que nos encontrarmos em graves contradições no levantamento e na consolidação da própria fé, analisemos as nossas crises do sentimento com espírito de oração e entendimento, serviço e responsabilidade, mas não tentemos desertar da luta de que o próprio Cristo não escapou.

FÉ RACIOCINADA

1 - FÉ RACIOCINADA


A tua fé será raciocinada mas não fria. Guarda-la-ás por luz na inteligência não só para identificar os males que infelicitam a vida, mas também para remediá-los tanto quanto possas.
Ouvirás discussões apaixonadas e por vezes estéreis, em nome da dúvida e da experimentação, da filosofia e da ciência, no arrazoado daqueles que continuam perguntando se lês próprios existem e, de outros, colherás o estranho argumento de que tua fé nada tem a ver com burilamento moral.
Efetivamente não desprezará a indagação digna, reconhecendo que o estudo é imperativo de nossa marcha em rumo certo, no entanto, conservarás no teu mundo íntimo a certeza da própria imortalidade qual facho inapagável de sol e, conquanto não desconheças que santificação não é serviço de apenas um dia, honrarás os teus compromissos, guardando lealdade à reta consciência na disciplina da palavra empenhada.


Crerás na Vida Maior, aprimorando a vida menor em que te encontras, Amarás a Deus, conchegando-te ao próximo, a fim de repartir com ele os dons de que o Senhor te enriqueceu. Farás de tua fé energia dinâmica a desentranhar-se da oração e da teoria, na forma de serviço ao próximo.
Aceitarás a mensagem da sobrevivência a falar-te do amanhã, por bendita orientação destinada à vivência de hoje, de modo a que te faças melhor, através de convivência com teus irmãos.


À vista disso, a tua confiança na Divina Providência revelar-se-á consubstanciada no verbo com que esculpes a doutrina do amor e da verdade, na página iluminativa com elevas o pensamento alheio, no auxílio providencial aos que sofrem, no perdão das ofensas no esquecimento dos ultrajes ou no pão que divides com os últimos viajantes nas retaguardas da aflição.
Ser-te-á ela o arado precioso para arrotear a gleba do mundo, onde a vida te aguarda as sementes de progresso e renovação, no poder do trabalho e na força do bem.


Tua fé raciocinada constituirá, por fim, a lâmpada que Allan Kardec te colocou nas mãos, para que a chama da caridade nela flameje constantemente.
Caminharás com ela e por ela atingirás a compreensão real dos ensinamentos do Cristo, aprendendo a servir com Ele, nosso Mestre e Senhor, para que o Reino de Deus se levante no coração dos homens construindo a felicidade dos homens para sempre.

EMMANUEL

2 - A FÉ RACIOCINADA

"Não se turbe o vosso coração: Credes em Deus, crede também em mim" João, 14:1)

Ter fé é fundamental para uma vida feliz. Porém, é preciso que seja uma fé raciocinada. A fé não deve ser imposta. A fé é uma conquista, que se consegue através de raciocínio e conclusões. Ninguém pode se sentir feliz sofrendo, apenas por submissão a Deus. Por mais que costumes e tradições interfiram em nossas convicções, no fundo sempre sobra a pergunta: "Por que isso acontece comigo?". "Por que não acontece com fulano?". Uma pontinha de revolta pode permanecer em nossas mentes e impedir a confiança e, assim também, provocar a insatisfação e até a infelicidade.

Enquanto tivermos dúvidas quanto à grandeza e à justiça de Deus, não poderemos ter a fé verdadeira. É importante pensar: Fui criado com sabedoria. Portanto.. para crescer, para me aperfeiçoar e nunca para fracassar. Se fracasso e sofro é porque ainda sou pequeno, mas estou crescendo e, à medida em que avanço gradativamente, elimino os perigos de cair novamente.

Assim, estou a cada dia mais firme e, consequentemente, mais feliz. Compreendo que, assim como tiramos das mãos das crianças os objetos perigosos e com isso as fazemos chorar, Deus tira de nós certas regalias que, certamente nos oferecem perigos...

Embora ainda tenhamos dificuldade para perceber ou entender isto, devemos meditar sobre o assunto; que tem muita lógica!.. Assim como a injeção ou a cirurgia reparadora primeiro causam a dor e depois promovem a cura, da mesma forma também o burilamento ou a correção do espírito, primeiro nos fere e nos causa dor, mas depois nos aprimora e nos torna mais fortes. Para se tornar brilhante e útil o cascalho tem que passar pelo burilamento.

Por pior que seja a nossa situação no momento, pensemos sempre que o sofrimento é o remédio amargo e doloroso que vai atuar na solução e cura da alma, para nos levar a uma situação melhor. O importante é pensar o seguinte:

-Nunca perecerei, porque sou eterno e vivo em conformidade com as Leis de Deus, meu Criador;

-No momento, o que sofro é o recurso que está sendo usado para melhorar minha vida;

-A minha convicção me reforça;

-Sei que nunca estarei só, jamais serei abandonado ou esquecido. Pois estou convicto de que sou criação divina.

O EVANGELHO HOJE - MARIA COTRONI VALENTI