INTERVENÇÃO
BIBLIOGRAFIA
01 - A Mediunidade sem lágrima - pág. 84 02 - Auto obsessão - pág. 25
03 - Caminho verdade e vida - pág. 93 04 - Joana D'Arc - pág. 229
05 - Missionários da Luz - pág. 122 06 - O Consolador - pág. 221
07 - O Livro dos Espíritos - Questão 963 08 - Oferenda - pág. 31
09 - Pedaços do cotidiano - pág. 223 10 - Revista Espírita - 1859, pág. 21
11 - Técnica da Mediunidade - pág. 41 12 - Vida e Atos dos Apóstolos - pág. 82
13 - Temas da vida e da morte - pág.  

LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.

INTERVENÇÃO - COMPILAÇÃO


03 - Caminho verdade e vida - Emmanuel - pág. 93

39 - ENTRA E COOPERA
"E ele, tremendo e atônito, disse: Senhor, que queres que eu faça? Respondeu-lhe o Senhor: — Levanta-te e entra na cidade e lá te será dito o que te convém fazer." — (ATOS, 9:6.)

Esta particularidade dos Atos dos Apóstolos reveste-se de grande beleza para os que desejam compreensão do serviço com o Cristo.
Se o Mestre aparecera ao rabino apaixonado de Jerusalém, no esplendor da luz divina e imortal, se lhe dirigira palavras diretas e inolvidáveis ao coração, por que não terminou o esclarecimento, recomendando-lhe, ao invés disso, entrar em Damasco, a fim de ouvir o que lhe convinha saber? É que a lei da cooperação entre os homens é o grande e generoso princípio, através do qual Jesus segue, de perto, a Humanidade inteira, pelos canais da inspiração.

O Mestre ensina os discípulos e consola-os através deles próprios. Quanto mais o aprendiz lhe alcança a esfera de influenciação, mais habilitado estará para constituir-se em seu instrumento fiel e justo. Paulo de Tarso contemplou o Cristo ressuscitado, em sua grandeza imperecível, mas foi obrigado a socorrer-se de Ananias para iniciar a tarefa redentora que lhe cabia junto dos homens.

Essa lição deveria ser bem aproveitada pelos companheiros que esperam ansiosamente a morte do corpo, suplicando transferência para os mundos superiores, tão-somente por haverem ouvido maravilhosas descrições dos mensageiros divinos. Meditando o ensinamento, perguntem a si próprios o que fariam nas esferas mais altas, se ainda não se apropriaram dos valores educativos que a Terra lhes pode oferecer. Mais razoável, pois, se levantem do passado e penetrem a luta edificante de cada dia, na Terra, porquanto, no trabalho sincero da cooperação fraternal, receberão de Jesus o esclarecimento acerca do que lhes convém fazer.

06 - O Consolador - Emmanuel - pág. 221

Perg. 396 — Tratando-se da necessidade de preparação para a tarefa mediúnica, é justo acreditarmos na movimentação de fluidos maléficos em prejuízo do próximo?
— É o caso de vos perguntarmos se não haveis movimentado as energias maléficas, no decurso da vida, contra a vossa própria felicidade.
Num orbe como a Terra, onde a porcentagem de forças inferiores supera quase que esmagadoramente os valores legítimos do bem, a movimentação de fluidos maléficos é mais que natural; no entanto, urge ensinar aos que operam, nesse campo de maldade, que os seus esforços efetuam a sementeira infeliz, cujos espinhos, mais tarde, se voltarão contra eles próprios, em amargurados choques de retorno, fazendo-se mister, igualmente, educar as vítimas de hoje na verdadeira fé em Jesus, de modo a compreenderem o problema dos méritos na tarefa do mundo.
A aflição do presente pode ser um bem a expressar-se em conquistas preciosas no futuro, e, se Deus permite a influência dessas energias inferiores, em determinadas fases da existência terrestre, é que a medida tem sua finalidade profunda, ao serviço divino da regeneração individual.

Perg. 397 — Por que razão alguns médiuns parecem sofrer com os fenômenos da incorporação, enquanto outros manifestam o mesmo fenômeno, naturalmente?
— Nas expressões de mediunismo existem características inerentes a cada intermediário entre os homens e os desencarnados; entretanto, a falta de naturalidade do aparelho mediúnico, no instante de exercer suas faculdades, é quase sempre resultante da falta de educação psíquica.

Perg. 398 — Ê natural que, em plenas reuniões de estudo, os médiuns se deixem influenciar por entidades perturbadoras que costumam quebrar o ritmo de proveitosos e sinceros trabalhos de educação?
— Tal interferência não é natural e deve ser muito estranhável para todos os estudiosos de boa-vontade. Se o médium que se entregou à atuação nociva é insciente dos seus deveres à luz dos ensinamentos doutrinários, trata-se de um obsidiado que requer o máximo de contribuição fraterna; mas, se o acontecimento se verifica através de companheiro portador do conhecimento exato de suas obrigações, no círculo de atividades da Doutrina, é justo responsabilizá-lo pela perturbação, porque o fato, então, será oriundo da sua invigilância e imprevidência, em relação aos deveres sagrados que competem a cada um de nós, no esforço do bem e da verdade.

Perg. 399 — Quando a opinião irônica ou insultuosa ataca uma expressão da verdade, no campo mediúnico, é justo buscarmos o apoio dos Espíritos amigos para revidar?
— Vossa inquietação no mundo costuma conduzir-vos a muitos despautérios. Semelhante solicitação aos desencarnados seria um deles. Os valores de um campo mediúnico triunfam por si mesmos, pela essência de amor e de verdade, de consolação e de luz que contenham, e seria injustificável convocar os Espíritos para discutir com os homens, quando já se demasiam as polémicas dos estudiosos humanos entre si. Além do mais, os que não aceitam a palavra sincera e fraternal dos mensageiros do plano superior terão, igualmente, de buscar o túmulo algum dia, e é inútil perder tempo com palavras, quando temos tanto o que fazer no ambiente de nossas próprias edificações.

Perg. 400 — Poderá admitir-se que um médium se socorra de outro médium para obter o amparo dos seus amigos espirituais?
— É justo que um amigo se valha da estima fraternal de um companheiro de crença, para assuntos confiança íntima e recíproca, mas, na função mediúnica, o portador dessa ou daquela faculdade deve busca em seu próprio valor o elemento de ligação com os sei mentores do plano invisível, sendo contraproducente procurar o amparo, nesse particular, fora das suas próprias possibilidades, porque, de outro modo, seria repousar numa fé alheia, quando a fé precisa partir do íntimo de cada um, no mecanismo da vida.
Além do mais, cada médium possui a sua esfera de ação no ambiente que lhe foi assinalado. Abandonar a própria confiança para valer-se de outrem, seria sobrecarregar os ombros de um companheiro de luta, esquecendo a cruz redentora que cada Espírito encarnado deverá carregar em busca da claridade divina.

perg. 401 — A mistificação sofrida por um médium significa ausência de amparo dos mentores do plano espiritual?
— A mistificação experimentada por um médium traz, sempre, uma finalidade útil, que é a de afastá-lo do amor-próprio, da preguiça no estudo de suas necessidades próprias, da vaidade pessoal ou dos excessos de confiança em si mesmo.
Os fatos de mistificação não ocorrem à revelia dos seus mentores mais elevados, que, somente assim, o conduzem à vigilância precisa e às realizações da humildade e da prudência no seu mundo subjetivo.

07 – O LIVRO DOS ESPÍRITOS – ALLAN KARDEC, questão 963, 964

III – INTERVENÇÃO DE DEUS NAS PENAS E RECOMPENSAS

Perg. 963. Deus se ocupa pessoalmente de cada homem? Não é ele demasiadamente grande e nós muito
pequenos, para que cada indivíduo em particular tenha aos seus olhos alguma importância?
-Deus se ocupa de todos os seres que criou, por menores que sejam; nada é demasiado pequeno para a sua bondade.

Perg. 964.Deus tem necessidade de se ocupar de cada um dos nossos atos, para nos recompensar ou punir?
A maioria desses atos não são para Ele insignificantes? -Deus tem as suas leis, que regulam todas as vossas ações. Se as violardes, a culpa é vossa. Sem dúvida, quando um homem comete um excesso, Deus não expende um julgamento contra ele, dizendo-lhe, por exemplo: tu és um glutão e eu te vou punir. Mas Ele traçou um limite: as doenças e, por vezes, a morte são conseqüências dos excessos. Eis a punição: ela resulta da infração da lei. Assim se passa em tudo.

Todas as nossas ações são submetidas às leis de Deus; não há nenhuma delas, por mais insignificante que nos pareça, que não possa ser uma violação dessas leis. Se sofrermos as conseqüências dessa violação, não nos devemos queixar senão de nós mesmos, que nos fazemos assim os artífices de nossa felicidade ou de nossa infelicidade futura.
Essa verdade se torna sensível pelo seguinte apólogo:

“Um pai dá ao filho a educação e a instrução, ou seja, os meios para saber conduzir-se. Cede-lhe um campo para cultivar e lhe diz: Eis a regra a seguir e todos os instrumentos necessários para tornar fértil o campo e assegurar a tua existência. Dei-te a instrução para compreenderes essa regra. Se a seguires, o campo produzirá bastante e te proporcionará o repouso na velhice; se não a seguirdes, nada produzirá e morrerás de fome. Dito isso, deixa-o agir à vontade.”

Não é verdade que o campo produzirá na razão dos cuidados que se dispensar à cultura e que toda negligência redundará em prejuízo da colheita? O filho será, portanto, na velhice, feliz ou infeliz, segundo tenha seguindo ou negligenciado a regra traçada pelo pai. Deus é ainda mais previdente, porque nos adverte a cada instante, se fazermos o bem ou o mal. Envia-nos Espíritos que nos inspiram, mas não os escutamos. Há ainda outra diferença e é que Deus dá ao homem um recurso, por meio das novas existências, para reparar os seus erros do passado, ao passo que o filho de que falamos não o terá, se empregar mal o seu tempo.

08 - Oferenda - Joanna de Ângelis- pág. 31

INTERFERÊNCIA ESPIRITUAL
Que os Espíritos interferem na vida dos homens, não há dúvida. Afinal, os Espíritos são as almas dos homens, que vivem na Terra, com as suas paixões perniciosas, com as suas inspirações elevadas.

Que a vida responde conforme a qualidade da sementeira de cada um, não se pode negar. Cada semente repete a espécie, sempre e indefinidamente. Que o homem atual é o somatório dos seus atos procedentes das reencarnações passadas, não há porque contestá-lo.

Qualquer edificação resulta da reunião das peças que são delicadas na sua execução. Que as situações, pessoas e realidades que a criatura defronta são decorrências dos investimentos morais e espiritualizados, ninguém deve desconhecer. Toda ação produz uma reação semelhante. Que o futuro está sendo construído enquanto o ser age presente, não se refuta. Qualquer movimento gera uma correspondente onda que se espraia ao infinito.

O homem não é o autor da própria vida, todavia; é o responsável por ela. O que se pensa vai plasmado no mundo mental, a fim de condensar-se na esfera física. Onde e como aspira a vida, esta mais cedo ou mais tarde se expressa.

Foge às situações perturbadoras e fixa-te aos propósitos dignificantes e assim fruirás paz. Elabora uma programação altruística e cumpre-a, em cujo mister encontrarás alegria.

Firma propósitos de renovação moral para superar imperfeições e limites, engajando-te no labor do otimismo, que te enriquecerá de saúde íntima.

Conforme teus pensamentos - as aspirações -, tuas tarefas - as ações habituais-, sintonizarás com os Espíritos que, doentios, perturbadores e egoístas ou sadios, instrutores e nobres, interferirão em tua vida, fazendo-te escravo ou facultando-te aprendizagem em campo de educação superior.

O que hoje produzas ressumará depois, implantado que se encontra nos tecidos sutis das tuas realidades espirituais. Atua bem, sempre ligado ao amor e o amor te responderá com eficiência, mediante a interferência dos Mentores da Vida Mais Alta, na programática da tua existência

12 - Vida e Atos dos Apóstolos - Cairbar Schutel - pág. 82

FILIPE E O EUNUCO DE CANDACE
Um anjo do Senhor falou a Filipe, dizendo: Levanta-te e vai em direção do Sul, ao caminho que desce de Jerusalém a Gaza: este se acha deserto. Ele, levantando-se, partiu. E eis que um homem da Etiópia, eunuco, alto funcionário de Candace, rainha dos etíopes, o qual era superintendente de todos os tesouros, viera a Jerusalém fazer a sua adoração: e regressava e, sentado no seu carro, lia o profeta Isaías. Disse o Espírito a Filipe: aproxima-te e ajunta-te a esse carro. Correndo Filipe, ouviu-o ler o profeta Isaías, e perguntou:

Entendes, porventura, o que estás lendo? Ele respondeu: Pois, como poderei entender, se alguém não mo explicar? E pediu a Filipe que subisse e se assentasse com ele. Ora, a passagem da Escritura que estava lendo, era esta: Como ovelha foi levado ao matadouro; e como um cordeiro está mudo diante do que o tosquia, assim Ele não abre a sua boca. Na sua humilhação foi tirado o seu julgamento; quem contará a sua geração? Porque a sua vida é tirada da Terra.

Perguntou o eunuco a Filipe: peço-te que me digas de quem falou isto o profeta? De si mesmo ou de algum outro? Filipe abriu a boca e, principiando por esta Escritura, anunciou-lhe a Jesus. Indo eles pelo caminho, chegaram a um lugar onde havia água, e disse o eunuco: Eis aqui água, que impede que seja balizado? E mandou parar o carro, e desceram ambos à água, Filipe e o eunuco, e Filipe o balizou. Quando subiram da água, o Espírito do Senhor arrebatou a Filipe; o eunuco não o viu mais, pois seguia o seu caminho, regozijando-se. Mas Filipe achou-se em Azot e, passando além, evangelizava todas as cidades, até que chegou a Cesárea. — Cap. 8, v. v. 26 - 40.

Três fatos bem significativos se realçam desta narrativa: l2 - a ação dos Espíritos, seja atuando em Filipe para conversão do Emissário de Candace, seja para preparar o coração deste para receber a Boa Nova; 22 - A crença geral sobre a interpretação das Escrituras; 32 - O transporte de Filipe operado pelo Espírito, do caminho de Jerusalém para Azot.
Vamos examinar, embora sumariamente, cada um destes fatos.

A AÇÃO DOS ESPÍRITOS

A ação dos Espíritos sobre os homens é um fato mais que comprovado. Seja em sua influência benévola, seja com sua influência malévola, Espíritos de diversas categorias e ordens hierárquicas agem decisivamente sobre os destinos humanos e outros sobre a vida particular dos indivíduos.

Todos os atos que ultrapassam a nossa esfera de ação, pode-se dizer que têm um fator oculto a nos incentivar para praticá-los.
Neste caso referido nos Atos, nós vemos claramente estabelecida a comunicação do Espírito protetor de Filipe, com o seu protegido. Pelo que se vê, Filipe, dentre outros dons que possuía, era ainda um médium ouvinte, pois ouviu a voz do "Anjo do Senhor", de quem recebeu ordens para ir ao encontro do Eunuco.

Interessante ainda é que o referido Espírito havia estado com o funcionário de Candace, pois, sabia que ele se achava a caminho de Jerusalém e que naquele momento não havia na estrada transeunte algum que pudesse atrapalhar o encontro que seu protegido ia ter com o Eunuco (este trecho está deserto).

Provavelmente o espírito atuante deveria ter sido não só um grande amigo de Filipe como também amigo do funcionário de Candace, devido ao interesse que tomou pela conversão deste.

A facilidade com que se deu a aproximação de Filipe com o Eunuco, a humildade e a submissão deste, as relações amistosas que apareceram subitamente entre os dois "desconhecidos", deixam ver claramente a existência de um elo oculto entre ambos, para um fim altamente providencial. Essa união, essa fraternidade nascida repentinamente entre um cristão e um prosélito do judaísmo, deixam aparecer claramente a ação do Espírito, dividindo a barreira que separava aqueles dois homens, para a conversão definitiva do judeu.

Nos anais do Espiritismo são inúmeros os casos desta natureza.
Passemos agora à segunda questão.

A ESCRITURA NÃO É DE INTERPRETAÇÃO HUMANA

Paulo, o doutor dos gentios, disse com justa razão que a Escritura não é de interpretação humana.
Esta afirmação já havia sido pronunciada por Jesus Cristo, na sua promessa de enviar o Consolador, para nos ensinar todas as coisas e nos guiar em toda a verdade (João, XIV, XV, XVI).

Além disso nós observamos, no Novo Testamento, que mesmo os Apóstolos não conheciam o sentido espiritual das Escrituras: "Eram tardos de ouvido e incircuncisos de entendimento". Foi só depois que Jesus "soprou" sobre eles e lhes abriu a comunicação com o Espírito, que eles despertaram para as coisas espirituais, como de um sono de longo tempo.

Era mesmo corrente nos tempos antigos que a Escritura não era de interpretação fácil, que a mente humana pudesse alcançá-la. Pelas palavras do Eunuco à pergunta de Filipe: "Entendes, porventura, o que estás lendo?" nós vemos que, embora o funcionário de Candace fosse um homem de letras, pois era representante de um reino, não podia compreender aquela passagem de Isaías, que estava lendo. Foi preciso que Filipe lhe explicasse e Filipe, a seu turno, não lhe deu uma explicação pessoal, mas sim transmitiu, como médium que era, a mensagem explicativa do Espírito, que se relacionava com a conversão do funcionário de Candace.

A conversão foi rápida, não houve contestações e nem mesmo objeções. Quando o Espírito toca o coração do homem e lhe ilumina a inteligência, tudo é fácil. Mas para que assim aconteça é preciso que haja boa vontade e humildade da parte daquele que deseja as graças divinas. '

ARREBATAMENTO DE FILIPE

Um dos fenômenos interessantes do Espiritismo é este de "arrebatamento". A Escritura narra vários fatos de indivíduos que foram arrebatados. Na vida dos Apóstolos, nós vemos, por exemplo, o arrebatamento de Filipe. Da estrada que une Gaza a Jerusalém, Filipe foi transportado a Azot, localidade muito distante daquela estrada. Esses fenômenos são, sem dúvida, interessantíssimos.

Embora raros, na História do Espiritismo podemos encontrar alguns desses fatos extraordinários. Por exemplo, os irmãos Pansini, dois meninos que foram transportados por mais de uma vez, de Bari, Itália, a uma distância de quarenta e cinco quilômetros, em quinze minutos.

Esta natureza de fenômeno pode ser catalogada no número das levitações e transportes. No Antigo Testamento, nós lemos em Daniel, XIV, 35, que Habacuc foi transportado pêlos ares, do país da Judéia às terras da Caldéia. Elias também foi elevado aos ares.

A história dos santos está cheia desses casos, tidos antigamente como miraculosos.
Finalmente, nos diz Lucas que Filipe transportado pelo Espírito para Azot, continuando a sua excursão apostólica pelas cidades, evangelizava até que chegou a Cesárea, sua terra.

13 - TEMAS DA VIDA E DA MORTE - MANOEL P. DE MIRANDA - PÁG.121

RELAÇÕES ESPIRITUAIS:

O inter-relacionamento entre os Espíritos e os homens é mais vasto e constante do que se pode imaginar. Não sendo a Esfera espiritual senão a realidade primeira, para ali retornam os que deambulam na roupagem carnal, restabelecendo os vínculos afetivos e familiares ou sustentando os ódios e animosidades decorrentes da inferioridade, na qual, por acaso, estagiam. Em consequência, o intercâmbio se dá automático e natural, circunscrito aos impositivos da afinidade que vigem em toda parte como decorrência das soberanas Leis da Vida.

Formando grupos que se atraem ou se repelem, os Espíritos reencarnam obedecendo à programação evolutiva dentro dos quadros de conquistas ou perdas em que se desenvolvem. Os problemas derivados da convivência humana são transferidos da Terra para a Erraticidade e de uma para outra reencarnação, dando curso às simpatias e antipatias, aos afetos profundos como aos ódios alienantes.

O trânsito no século terrestre sempre se dá sob o beneplácito de tais amores ou a interferência desses adversários. Graças aos registros mentais, ao cultivo de um como de outro tipo de aspiração emocional, são atraídos para a convivência psíquica desencarnados portadores de aptidões e anelos equivalentes, surgindo um relacionamento que se agrava ou se aprofunda conforme seja a faixa dos interesses existentes.

Quando alguém se afirma responsável absoluto pelos seus pensamentos e atos, ingenuamente não passa de um presunçoso. Da mesma forma, quando se esconde na posição de vítima dos Espíritos que lhe comandam a existência, afligindo-a e levando-a a desacertos, tomba, de igual modo, na irresponsabilidade. Inegavelmente, a interferência espiritual na vida cotidiana dos homens é tão natural quanto a oxigenação sanguínea para a preservação do corpo...

Pelo fato de se fazer oculta a intercomunicação, isto não significa inexistência, à semelhança da árvore vetusta, cujas flores perfumadas e frutos saborosos são a consequência das raízes ocultas no milagre do húmus da terra, mantenedoras de todo o vegetal que esplende acima do solo... Os homens, em razão das construções mentais, irradiam ondas nas quais intercambiam uns com os outros, estabelecendo fixações e mandando mensagens, emitindo e captando forças que são incorporadas à economia emocional, conscientemente ou não.

Da mesma forma sucede o fenômeno de dependência mental entre esses e os desencarnados, que, invariavelmente, se acercam daqueles que lhes são afins, fiéis aos postulados que abraçam. Os maus, em razão da predominância dos instintos e paixões primitivas, fomentam desequilíbrios, dando gênese a processos obsessivos que, não cuidados em tempo, se transformam em parasitose perniciosa quão destrutiva.

Igualmente a dependência se dá, em caráter oposto, quando a mente encarnada se fixa naqueles que se desligaram pela morte e que a ela, mente encarnada, se vêem atraídos, sofrendo-lhe a incidência perturbadora e rebelde do pensamento enfermiço. Por outro lado, os Benfeitores empenham-se em auxiliar os seus pupilos, mediante a inspiração e o socorro nos momentos difíceis, tanto quanto através da proteção constante, de modo que esses pupilos consigam executar os compromissos a que se vinculam como necessidade evolutiva.

Cumpre, ao homem esclarecido, selecionar as áreas de aspirações emocionais e os pensamentos que atraiam os nobres Instrutores que os erguerão às cumeadas da sabedoria e aos remansos de paz íntima, como prenúncio da felicidade que os aguarda. No Universo de vibrações, onde pululam ondas, mentes, idéias e aspirações, cada ser se imanta a outro de teor equivalente, propiciador de inevitável intercâmbio espiritual.

Conforme é lógico, os afetos se esforçam para auxiliar-se reciprocamente, enquanto os inimigos se armam de sutilezas e agridem com violência ou não para desforços inconcebíveis. Na razão em que os primeiros criam condições favoráveis ao êxito e impulsionam pessoas generosas para que ajudem aos seus pupilos, promovendo circunstâncias promissoras, aqueloutros, os invejosos e perversos, armam ciladas, emulam às decisões arbitrárias, estimulam os instintos e paixões inferiores, em cujo processo se comprazem, mais se infelicitando, sem dúvida, em razão da ignorância na qual permanecem.

Elevar-se moralmente, através dos pensamentos nobilitantes, do estudo libertador e da ação fomentadora do progresso, deve constituir um miniroteiro para quem anele por uma sintonia com os Mensageiros da Luz, já que, a sós, tal é a verdade, ninguém se movimenta no mundo...