PRINCÍPIO VITAL
BIBLIOGRAFIA
01 - Evolução Anímica - pág. 33/185/225 02 - A Gênese - cap. X, 16
03 - A Levitação - pág. 17 04 - Alquimia da mente - pág. 42
05 - Animais nossos irmãos - pág. 38 06 - Antologia do Perispírito - ref. 618/982
07 - Auto desobsessão - pág. 5/13 08 - Como vivem os Espíritos - pág. 20
09 - Da alma humana - pág. 168 10 - Deus na natureza - pág. 311
11 - Dramas da obsessão - pág. 166 12 - Emmanuel - pág. 132
13 - Entre a matéria e o Espírito - pág. 35 14 - Morte, Renascimento, Evolução - pág. 51
15 - Na sombra e na luz - pág.85 16 - O Livro dos Espíritos - Intr. II, VI, q.60/135/139
17 - O passe - cap. 4 pág. 60 18 - O passe Espírita - parte 2, pág. 73
19 - Os Mensageiros - pág. 215 20 - Pensamento e vontade - pág. 123/137
21 - Pureza Doutrinária - pág. 56 22 - Saúde e Espiritismo - pág. 55

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PRINCÍPIO VITAL - COMPILAÇÃO


01 - Evolução Anímica - Gabriel Delanne - pág. 33/185/225

A força vital
Até aqui só temos estudado o funcionamento da vida, a maneira pela qual o organismo vivo entra em conflito com o seu meio ambiente, mas nada sabemos ainda da natureza mesma dessa vida. Se compreendemos como, por exemplo, se exercem as funções digestivas, cumpre notar que é num aparelho vivo que elas se operam, isto é, num organismo que produziu, por processos peculiarmente seus, as matérias necessárias a essa combinação química, e, se as leis de afinidade são as mesmas no laboratório vivo como no mundo exterior, não deixa de ser por processos particulares, inteiramente diferentes dos que agem sobre a matéria bruta, que a vida opera.

Eis, a propósito, o que diz Claude Bernard, juiz competente nestes assuntos:"Posto que os fenômenos orgânicos, manifestados pelos elementos dos tecidos, estejam todos submetidos às leis gerais da físico-química, não deixam, contudo, de completar-se com o concurso de processos vitais peculiares à matéria organizada, e, neste sentido, diferem, constantemente, dos processos minerais que produzem os mesmos fenômenos nos corpos brutos. Esta última proposição fisiológica, tenho-a como fundamental. O erro dos físico-quimistas procede de não haverem feito essa distinção e acreditarem preciso religar os fenômenos apresentados por seres viventes, não apenas às mesmas leis, mas também aos mesmos processos e formas pertinentes aos corpos brutos."

Tem, pois, a vida um modo especial, vivente, de proceder, para manter o seu funcionamento; existe no ser organizado algo inexistente nos corpos inorgânicos, algo operante por métodos particulares, sui generis, e que não só fabrica, como repara os órgãos. A esse algo chamamos força vital.

Essa observação tem sido feita por muitos naturalistas. Stahl imaginou, para explicar a vida, uma força vital extrínseca à matéria viva, seja uma espécie de substância imaterial — a alma —, causa fundamental da vida e dos movimentos que se lhe prendem. Foi partindo da falsa idéia de que as forças naturais estão em antagonismo com o corpo vivo que ele acreditou residir nessa força anímica a faculdade de resistência às influências destrutivas. Nada obstante haverem Descartes e Van Helmont sustentado doutrinas análogas, Stahl desenvolveu e levou tão longe a sua teoria que deve ser olhado como o fundador do animismo em fisiologia.

Stahl estabelecera uma diferença radical entre os fenômenos da natureza bruta e os da natureza viva. Conservaram esse fato interessante, mas abandonaram a teoria da alma. Não houve como deixar de recorrer a uma outra força fundamental, da qual dependem todas as manifestações de vida, nos vegetais como nos animais, designada por força ou princípio vital. Essa força, que rege todos os fenômenos vitais, dá irritabilidade às partes contrateis de animais e plantas, ou seja, como vimos, a propriedade de serem afetadas pelos irritantes exteriores.

Admitiam, nos animais, a alma de Stahl, que, combinada ao princípio vital, presidia aos fenômenos intelectuais. Essa teoria teve como principais defensores, na França, Barthez; e, na Alemanha, Hufeland e Blumenbach. A força vital de que falamos liga-se a esta última forma de ver, pois, de fato, cremos que haja uma força de natureza especial, que provê a matéria organizada do que inexiste na matéria bruta: — a irritabilidade; ela diverge, porém, desde logo, porque nós não vemos nessa força mais do que uma modificação da energia, ainda desconhecida, modalidade da força universal, quais o calor, a eletricidade, a luz. Não fazemos dessa força uma entidade imaterial, surgida ao acaso, sem antecedentes, ou melhor, uma criação sobrenatural.

Diferimos também dos vitalistas em não vermos entre os animais e o homem mais do que uma diferença de grau, não de natureza. Tudo o que existe na Terra provém de inumeráveis modificações da força e da matéria. A força vital deve entrar no quadro das leis gerais, e a nós compete evidenciar a sua presença nos seres vivos.

Flourens parece compartilhar dessa opinião quando escreve: "Acima de todas as propriedades particulares e determinadas, há uma força, um princípio geral, comum, que todas as propriedades particulares implicam e de que se fazem presumidas, e o qual, sucessivamente, pode ser isolado, destacado de cada uma, sem deixar de existir. Que princípio será esse? Seja qual for, é essencialmente uno. Há uma força geral e una, da qual todas as forças particulares mais não são que expressões ou modalidades."

Por que se morre?

Com Claude Bernard, temos constatado a originalidade de processos da matéria organizada para fabricação das substâncias necessárias ao funcionamento vital, atribuindo essas propriedades aos órgãos dotados de uma virtude especial, inencontrável nos corpos brutos. A existência de uma força animante do organismo torna-se, porém, mais evidente ainda, ao examinarmos a evolução de todos os seres vivos.

Tudo o que tem vida nasce, cresce e morre. É fato geral que quase não padece exceção. Mas, por que morrer? Excetuando-se os casos de acidentes, ou de enfermidades que destroem irremediavelmente os tecidos, como se dá que, mantendo constantes as mesmas condições gerais, indispensáveis ao entretenimento da vida, isto é, a água, o ar, o calor e os alimentos, o ser depereça até à dissociação total?

Dizer que os órgãos se gastam é indicar apenas uma fase da evolução, é demonstrar um fato. Neste caso, pergunta-se: mas, por que se gastam os órgãos, e por que se mantém perfeitos na idade viril, do mesmo passo que aumentam de energia na juventude? (...)

CAPÍTULO V - A FORÇA VITAL

No capítulo I procuramos evidenciar a existência real da força vital, independente das forças físico-químicas que regem o organismo. Nossa concepção difere dos velhos animistas e vitalistas, por não conceituarmos o princípio vital uma entidade distinta das forças naturais, e sim, apenas, uma forma de energia que até agora não se conseguiu isolar, o que o futuro, contudo, logrará fazer. A Natureza opera sempre em continuidade nas manifestações sucessivas que perfazem o conjunto dos fenômenos terrestres.

Já no reino mineral se torna possível encontrar o traço de uma futura vida orgânica. O cristal é quase um ser vivente, visto que difere completamente da matéria amorfa, tendo as moléculas orientadas por uma ordem geométrica, fixa e, portanto, uma tal ou qual individualidade. Nele existem os primeiros lineamentos da reprodução, visto como a mínima de suas parcelas, mergulhada num soluto idêntico, permitirá o desenvolvimento regular e indefinido dessa partícula, constituindo um cristal semelhante ao primeiro. Não há, finalmente, uma só parte do seu bloco, cuja avaria não se possa reparar.

A seguinte experiência não comporta qualquer dúvida: O Sr. Loir toma de um cristal de alúmen, octaédrico (sulfato de alumínio e potássio), mutila-lhe os seis vértices, mais ou menos profundamente, e lima, depois, as doze arestas. Isto feito, mergulha o octaedro de alúmen de potassa — que é incolor — em solução saturada de alúmen de cromo (sulfato de alumínio e cromo) — que é violeta. Ao fim de alguns dias, verificou que os seis vértices e as doze arestas se reconstituíram perfeitamente por meio do alúmen de cromo dissolvido.

Era um octaedro perfeito, com vértices e arestas violeta. Terminada a reparação das fraturas, deixando-se o octaedro na dissolução violeta, começará, então, a formar-se uma camada em suas faces. Este depósito jamais se forma enquanto as fraturas dos vértices e arestas não estiverem reparadas, o que vale dizer — enquanto a forma geométrica não for absolutamente restabelecida.

Com isto, certo, muito falta para que estejamos fronteando um ser vivo. Trata-se, na verdade, de rudimentar esboço. A matéria é ainda muito rígida; precisa maleabilizar-se; e a Natureza vai pedir essa maleabilidade aos compostos ternários e quaternários do carbono.

À medida que aumentam esses elementos, a coordenação molecular, o grupamento dos átomos e as proporções de sua agregação vão-se tornando necessariamente mais complexas, e, se os elementos químicos forem dotados de propriedades favoráveis — quais uma forte afinidade química, por exemplo —, eclodirão matérias proteiformes engendrando fenômenos de natureza semelhante a dos fenômenos que caracterizam a vida, ou seja, uma extrema instabilidade do edifício molecular, uma agregação íntima muito frouxa, a faculdade de entrar em diversos estados sob a ação dos agentes externos, ou, por outra — uma tendência sempre progressiva de adaptação ao meio.

É precisamente o que se dá com os seres animados. A mais ínfima das células contém, não diferenciados, os caracteres todos da vida. Possui, em primeiro lugar, o movimento espontâneo, que o cristal jamais teve; depois, a faculdade de assimilar a matéria e desenvolver-se, não já por justaposição, como no cristal, mas, por integração e transformação do alimento, do qual só absorve o assimilável; em terceiro lugar, a reprodução opera-se de motu próprio, segmentando-se ao atingir um certo volume e seguindo a parte segmentada a viver, por seu turno, e a formar uma segunda célula. Finalmente, temos a característica única e distintiva, que é a da evolução celular.

Apoiemo-nos nesta última característica, visto ser a que traça a linha divisória, absoluta, entre a matéria organizada e a matéria bruta.
À primeira vista, parece que a morte seja a coisa mais fácil de explicar. Diariamente, vemos morrerem os seres animados, isto é, deixarem de si um cadáver incapaz de prosseguir em suas funções, desde que os abandona esse algo a que chamamos vida. Mas, por que se dá isso? Por que os alimentos que desenvolveram e fortaleceram o corpo não continuam a sustentá-lo? Por que cessou, num dado tempo, o crescimento, ao invés de prosseguir indefinidamente?

Problemas são estes, insolúveis para a ciência atual, visto que a noção de usura dos órgãos perdeu o sentido, depois das modernas descobertas. Outrora, acreditava-se que o corpo humano era formado dos mesmos elementos, desde o nascimento até a morte; e nada fora mais compreensível do que a usura orgânica, utilizada por tanto tempo: hoje, porém, sabemos de fonte segura que essa crença não mais se justifica. O corpo humano, longe de ser fixo, imutável em sua composição, varia constantemente, renova-se integralmente e essa renovação decresce à proporção que a idade aumenta.

Ora, tendo nós constatado que as variações não poderiam provir do perispírito, por ser este inalterável; nem da matéria, por ser inerte, é lógico que só ao desaparecimento da força vital podemos atribuir a morte. Vejamos, pois, como se transmite essa força.

O nascimento .

Primeiro, vamos ver as condições materiais do nascimento, e depois procuraremos determinar o coeficiente de influência cabível a cada um dos fatores já estudados, separadamente, quais sejam: a matéria física, a força vital e a alma revestida do seu perispírito. No gérmen que deve constituir mais tarde o indivíduo — gérmen formado pelo ovo fecundado —, reside uma potência inicial, resultante da soma das potências vitais dos genitores no instante da procriação.

Empregando a linguagem da mecânica, poder-se-ia dizer que o gérmen encerra uma energia potencial que se transforma em energia atual para o curso todo da existência. É uma força assaz variável, essa, segundo a natureza dos seus componentes. Se os genitores se encontram no vigor da idade, possuindo ambos uma vida intensa, o gérmen acumula em si uma grande energia latente; mas, se ao invés, a vida está em declínio, num ou em ambos os genitores —, ultrapassado um certo limite, não mais se transmite e a fecundação não se dará. Entre esses extremos podem existir todas as graduações de potência germinal.

A força vital é, portanto, uma energia de capacidade variável, conforme a sua intensidade primitiva, e também segundo as circunstâncias em que se desenvolve. Poder-se-ia, grosseiramente, representá-la pelos diferentes estados de energia condensada em uma mola. A mola, comprimida, contém a força a restituir, quando se distender. De começo, ela vence as resistências e aumenta de poder, mas chega o momento em que a energia se iguala à resistência, até que esta se torna preponderante. A mola distendeu-se, desapareceu-lhe a força. Esta força, originariamente potencial, transformou-se insensivelmente em energia atual, até que seja completamente usada. E tanto que o seja sobrevêm a morte.

(...)Convém chamemos, aqui, a atenção do leitor para um ponto muito importante, em se tratando de fenômenos vitais, que é a extrema complexidade resultante da união de vários elementos. Importa, neste caso, precatarmo-nos da simplicidade de uns tantos conceitos, como este — tal causa, tal efeito, na causa deve haver, no mínimo, quanto haja nos efeitos. Isso é exato, mas, para os casos em que não entrem componentes outros que os de ordem puramente mecânica. A vida, porém, resulta não só de considerações semelhantes, mas, também, de misturas, de combinações chamadas catalíticas, em química, que são de ordem físico-química e que escapam a toda e qualquer determinação rigorosa.

Conforme uma observação profunda de Stuart Mill, todas as vezes que um efeito é o resultado de várias causas (e nada é mais frequente na natureza), podem apresentar-se dois casos: ora o efeito é produzido por leis mecânicas, ora por leis químicas. No caso das leis mecânicas, cada uma das causas se encontra no efeito complexo, como se elas somente houvessem agido: o efeito das causas concorrentes é, precisamente, a soma das partes separadas de cada uma. Na química, pelo contrário, a combinação de duas substâncias produz uma terceira, cujas propriedades são inteiramente diferentes das duas outras, quer as tomemos separadamente ou em conjunto.

Assim, o conhecimento das propriedades do enxofre (S) e do oxigênio (O) não nos dispensa de estudar as do ácido sulfúrico (H SÓ ). É que as propriedades dos corpos dependem dos movimentos atômicos de cada uma das substâncias em jogo, e, quando a combinação é perfeita, o corpo dela resultante toma um movimento atômico inteiramente diverso do peculiar aos seus componentes. O peso da matéria resultante é igual ao dos corpos que entram na composição, mas as propriedades são de ordem dinâmica, até agora inacessível a toda e qualquer previsão.

Nos fenômenos vitais a complexidade é muito maior que nos fatos químicos, propriamente ditos, e eis por que existe, muitas vezes, tão grande desproporção entre a causa e o efeito.

Resumo
No momento de encarnar, o perispírito une-se, molécula a molécula, à matéria do gérmen. Possui este uma força vital, cuja energia mais ou menos vigorosa, transformando-se em energia atual durante a existência, determina a longevidade do indivíduo. Esse gérmen também contém gêmulas modificadoras do organismo, em virtude das leis da hereditariedade, ou melhor — a força vital, modificada pelos pais, transmite as disposições orgânicas da progenitura. É, pois, sob a influência da força vital, que o perispírito desenvolve as suas propriedades funcionais.

A evolução vital do gérmen recapitula, de um modo rápido, as conformações ancestrais que a raça experimentou. Assim como o duplo fluídico encerra, sob a forma de movimentos, o traço indelével de todos os estados da alma após o nascimento, assim também o gérmen material contém em si a impressão indefectível de todos os sucessivos estados do perispírito.

A idéia diretriz que determina a forma está, por conseguinte, contida no fluido vital, e o perispírito dele se impregnando, nele se transfundindo, a ele unindo-se intimamente, materializa-se o bastante para tornar-se o diretor, o regulador, o suporte da energia vital modificada pela hereditariedade. É graças a ele que o tipo individual se forma, desenvolve-se, conserva-se e se destrói.

Eis por que o perispírito é o decalque ideal do corpo, a rede fluídica estável através da qual passa a torrente de matéria flutuante, que a cada instante destrói e reconstrói todo o organismo. É ao perispírito que o Espírito deve a conservação de sua identidade física e moral, visto ser possível ligar o tão profundo quão persistente sentido do ego à matéria em constante renovação.

O que torna essa força invencível com a certeza de sermos sempre nós mesmos, desde que nascemos, até à morte, é a memória. Ora, as moléculas do corpo renovam-se, foram em todos nós renovadas milhares de vezes no curso da vida, e, assim sendo, ela — a memória, visto que só ela persiste, não pode haver-se como propriedade do que é de si mesmo instável, isto é, a matéria. A memória é atributo do invariável, do invólucro fluídico — o perispírito. Também verificamos no homem instintos específicos, ou seja, privativos da raça.

É coisa que não nos deve surpreender, visto que a alma, com o -seu invólucro, não atinge o período humano senão quando apta para dirigir um corpo humano. Portanto, os instintos primordiais são os mesmos para todos; mas, outros há, individuais, que dependem dos progressos particulares, realizados autonomicamente, de sorte que a reação aos estímulos exteriores varia conforme a natureza particular de cada um.

A transmissão dos pendores orgânicos permite-nos compreender porque os Espíritos encarnam antes nuns que noutros meios; é que eles buscam os elementos adequados ao desenvolvimento de tais ou quais faculdades. As afinidades fluídicas têm, portanto, grande importância no ato do nascimento. Se, igualmente, admitirmos a evolução por grupos, teremos demonstrado que os Espíritos não podem encarnar onde desejam. Um selvagem, cujo desenvolvimento intelectual e moral seja muito inferior à média atingida nos povos civilizados, não poderá colher aí um corpo físico, já que suas afinidades constrangem-no a regressar ao seu ambiente, até que tenha progredido o bastante para harmonizar o invólucro fluídico com um meio mais elevado.

Todos os seres evoluem por gradações insensíveis, por transições imperceptíveis; mas, se quisermos avaliar o caminho percorrido, basta comparar os extremos de uma série: o selvagem e o homem civilizado, para vermos a diferença que separa o homem contemporâneo do seu ancestral quaternário.

Temos visto que as disposições mórbidas são transmissíveis, e que, não sendo o espírito engendrado pelos genitores, nem por isso deixa de ser coagido, no exercício de suas faculdades, à mercê de uma organização defeituosa.

É uma das mais dolorosas provações. Sucede, às vezes, que a loucura não é real, não se radica no organismo, é produzida por Espíritos obsessores, cuja influência vai da obsessão à subjugação. Nestes casos é que podemos considerar o Espiritismo um benefício social. Ele pode ir ao encontro de milhares de criaturas, pobres vítimas enclausuradas nos manicômios, e que, de simples obsidiados que são, acabam realmente loucos, quando atirados a tais ambientes.

02 - A GÊNESE – ALLAN KARDEC, cap. 6, item 18, pág. 116

(…) dá origem à vida dos seres e a perpetua em cada globo, conforme a condição deste, princípio que, em estado latente, se conserva adormecido onde a voz de um ser não o chama. Toda criatura, mineral, vegetal, vegetal, animal ou qualquer outra – portanto não há muitos outros reinos naturais, de cuja existência nem sequer suspeitais – sabe, em virtude desse princípio vital e universal, apropriar as condições de sua existência e de sua duração.

(...) é cabível se admita que a vida orgânica reside num princípio inerente à matéria, independente da vida espiritual, que é inerente ao Espírito. (cap. 11, item 5, pág. 208)

“Ele tem por fonte o fluido universal. É o que chamais fluido magnético, ou fluido elétrico animalizado. É o intermediário, o elo existente entre o espírito e a matéria”.
(..) É ele que (..) dá movimento e atividade (aos seres orgânicos) e os distingue da matéria inerte, porquanto o movimento da matéria não é a vida. Esse movimento ela o recebe, não o dá.( O Livro dos Espíritos, parte 1, cap. 4, pág. 60)

05 – ANIMAIS NOSSOS IRMÃOS – EURÍPEDES KUHL, ( edição de 2003, pág. 34

Sabemos hoje que no átomo há incrível e permanente movimentação, pelo que morte, no sentido lato da palavra não existe! Os seres vivos, quando deles se ausenta o Princípio Vital, desagregam-se molecularmente, permanecendo, contudo, a pujante vida atômica dos seus compostos.

O estado latente da matéria, orgânica ou inorgânica, não importa, é que proporciona condições para a geração da Vida, seja no mundo que for. À vida atômica, sempre presente em tudo, alia-se outra forma de energia a que Kardec denominou de “Princípio Vital”.

Princípio Vital: é o princípio energético pelo qual os elementos constitutivos se agrupam, em formas simétricas, o que explica a repetência das mesmas formas nos seres de uma mesma espécie – plantas e animais.

O aspecto mais importante do Princípio Vital é o fato de ser comum a todas as espécies orgânicas, vegetais e animais, enquanto vivas. Sua existência é indiscutível, conquanto sua natureza não possa ser cientificamente definida. Mecanismo pelo qual a Vida se processa, certamente de forma infinita e eterna como tudo o que provém de Deus, o Princípio Vital nos permite deduzir que, ante o que a Natureza nos mostra, o Supremo Arquiteto do Universo criou sempre – antes, agora, depois – incessantemente.

12 – EMMANUEL – FRANCISCO C. XAVIER, cap. 24, pág. 132-133

(...) há uma força inerente aos corpos organizados, que mantém coesas as personalidades celulares, sustentando-se dentro das particularidades de cada órgão, presidindo aos fenômenos partenogenéticos de sua evolução, substituindo, através da segmentação, quantas delas se consomem nas secreções glandulares, no trabalho mantenedor da atividade orgânica.

Essa força é o que denominais princípio vital, essência fundamental que regula a existência das células vivas, e no qual elas se banham constantemente, encontrando assim a sua necessária nutrição, força que se encontra esparsa por todos os escaninhos do universo orgânico, combinada às substâncias minerais, azotadas e ternárias, operando os atos nutritivos de todas as moléculas.

O principio vital é o agente entre o corpo espiritual, fonte da energia e da vontade, e a matéria passiva, inerente às faculdades superiores do Espírito, que o adapta segundo as forças cósmicas que constituem as leis físicas de cada plano de existência, proporcionando essa adaptação às suas necessidades intrínsecas.

Essa força ativa e regeneradora, de cujo enfraquecimento decorre a ausência de tônus vital, precursor da destruição orgânica, é simplesmente a ação criadora e plasmadora do corpo espiritual sobre os elementos físicos.


16 – O LIVRO DOS ESPÍRITOS - ALLAN KARDEC, INTR, 2 - Cap. IV – Princípio Vital

II - ALMA, PRINCÍPIO VITAL E FLUÍDO VITAL
Há outra palavra sobre a qual igualmente devemos entender-nos, porque é uma das chaves de toda doutrina moral e tem suscitado numerosas controvérsias por falta de uma acepção bem determinada: é a palavra ALMA. A divergência de opiniões sobre a natureza da alma provém da aplicação particular que cada qual faz desse vocábulo. Uma língua perfeita, em que cada idéia tivesse a sua representação por um termo próprio, evitaria muitas dicussões; com um palavra cada coisa todos se entenderiam.

Segundo uns, a alma é o princípio da vida orgânica material; não tem existência própria e se extingue com a vida: é o puro materialismo. Neste sentido, e por comparação, dizem de um instrumento quebrado, que não produz mais som, que ele não tem alma. De acordo com esta opinião, a alma seria um efeito e não uma causa.

Outros pensam que a alma é o princípio da inteligência, agente universal de que cada ser absorve uma porção. Segundo estes, não haveria em todo o Universo senão uma única alma, distribuindo fagulhas para os diversos seres inteligentes durante a vida; após a morte, cada fagulha volta à fonte comum, confundindo-se no todo, como os córregos e os rios retornam ao mar de onde saíram. Esta opinião difere da precedente em que, segundo esta hipótese, existe em nós algo mais do que matéria, restando qualquer coisa após a morte; mas é quase como se nada restasse, pois não subsistindo a individualidade não teríamos mais consciência de nós mesmos. De acordo com esta opinião, a alma universal seria Deus e cada ser uma porção da Divindade; é esta uma variedade do Panteísmo.

Segundo outros, enfim, a alma é um ser moral, distinto, independente da matéria e que conserva a sua individualidade após a morte. Esta concepção é incontestavelmente a mais comum, porque, sob um nome ou outro, a idéia desse ser que sobrevive ao corpo se encontra em estado de crença instintiva e independente de qualquer ensinança, entre todos os povos, qualquer que seja o seu grau de civilização. Essa doutrina, para a qual a alma é causa e não efeito, é a dos espiritualistas.

Sem discutir o mérito dessas opiniões, e não considerando senão o lado linguístico da questão, diremos que essas três aplicações da palavra alma constituem três ideias distintas, que reclamariam, cada uma, um termo diferente. Essa palavra tem, portanto, significação tríplice, e cada qual está com a razão, segundo o seu ponto de vista, ao lhe dar uma definição; a falha se encontra na língua, que não dispõe de mais de uma palavra para três idéias. Para evitar confusões, seria necessário restringir a acepção da palavra alma a uma de suas idéias.

Escolher esta ou aquela é indiferente, simples questão de convenção, e o que importa é esclarecer. Pensamos que o mais lógico é tomá-la na sua significação mais vulgar e, por isso, chamamos alma ao ser imaterial e individual que existe em nós e sobrevive ao corpo. Ainda que este ser não existisse e não fosse mais que um produto da imaginação, seria necessário um termo para designá-lo.

Na falta de uma palavra especial para cada uma das duas outras idéias, chamaremos:
Princípio vital, o princípio da vida material e orgânica, seja qual for a sua fonte, que é comum a todos os seres vivos, desde as plantas ao homem. A vida podendo existir sem a faculdade de pensar, o princípio vital é coisa distinta e independente. A palavra vitalidade não daria a mesma idéia. Para uns, o principio vital é uma propriedade da matéria, um efeito que se produz quando a matéria se encontra em dadas circunstâncias; segundo outros, e essa idéia é mais comum, ele se encontra num fluido especial, universalmente espalhado, do qual cada ser absorve e assimila uma parte durante a vida, como vemos os corpos inertes absorverem a luz.

Este seria então o fluido vital que, segundo certas opiniões, não seria outra coisa senão o fluido elétrico animalizado, também designado por fluido magnético, fluido nervoso etc. Seja como for, há fatos incontestáveis, pois resultam da observação, e são que os seres orgânicos possuem uma força íntima que produz o fenômeno da vida, enquanto essa força existe; que a vida material é comum a todos os seres orgânicos, e que ela independe da inteligência e do pensamento; que a inteligência e o pensamento são faculdades próprias de certas espécies orgânicas; enfim, que entre as espécies orgânicas dotadas de inteligência e pensamento há uma dotada de um senso moral especial, que lhe dá incontestável superioridade perante as outras, e que é a espécie humana.

Compreende-se que, com uma significação múltipla, a alma não exclui o materialismo nem o panteísmo. Mesmo o espiritualista pode muito bem entender a alma segundo uma ou outra das duas primeiras definições, sem prejuízo do ser imaterial distinto, ao qual dará qualquer outro nome. Assim, essa palavra não representa uma opinião: é um Proteu, que cada qual ajeita a seu modo, o que dá origem a tantas disputas intermináveis.

Evitaríamos igualmente a confusão, mesmo empregando a palavra alma nos três casos, desde que lhe ajuntássemos um qualificativo para especificar a maneira pela qual a encaramos, ou a aplicação que lhe damos. Ela seria então um termo genérico, representando ao mesmo tempo o princípio da vida material, da inteligência e do senso moral, que se distinguiriam pelo atributo, como o gás, por exemplo, que se distingue ajuntando-se-lhe as palavras hidrogênio, oxigênio e azoto.

Poderíamos dizer, e talvez fosse o melhor, a alma vital, para designar o princípio da vida material, a alma intelectual, para o princípio da inteligência, e a alma espírita, para o princípio da nossa individualidade após a morte. Como se vê, tudo isto é questão de palavras, mas questão muito importante para nos entendermos. Dessa maneira, a alma vital seria comum a todos os seres orgânicos: plantas, animais e homens; a alma intelectual seria própria dos animais e dos homens, e a alma espírita pertenceria somente ao homem.

Acreditamos dever insistir tanto mais nestas explicações, quanto a Doutrina Espírita repousa naturalmente sobre a existência, em nós, de um ser independente da matéria e que sobrevive ao corpo. Devendo repetir frequentemente a palavra alma no curso desta obra, tínhamos de fixar o sentido em que a tomamos, a fim de evitar qualquer engano. (...)

Os seres orgânicos são os que trazem em si mesmos uma fonte de atividade íntima, que lhes dá a vida. Nascem, crescem, reproduzem-se e morrem; são providos de órgãos especiais para a realização dos diferentes atos da vida e apropriados às necessidades de sua conservação. Compreendem os homens, os animais e as plantas. Os inorgânicos são os que não possuem vitalidade nem movimentos próprios, sendo formados apenas pela agregação da matéria: os minerais, a água, o ar, etc..
Questão 60 – É a mesma força que une os elementos materiais nos corpos orgânicos e inorgânicos? –Sim, a lei de atração é a mesma para todos.

Questão 61 – Há diferença entre a matéria dos corpos orgânicos e dos inorgânicos? –É sempre a mesma matéria, mas nos corpos orgânicos é animalizada.
Questão 62 – Qual é a causa da animalização da matéria? –Sua união com o princípio vital.
Questão 63 – O princípio vital é propriedade de um agente especial, ou apenas da matéria organizada; numa palavra, é um efeito ou uma causa? –É uma e outra coisa. A vida é um efeito produzido pela ação de a um agente sobre a matéria. Esse agente, sem a matéria, não é vida, da mesma forma que a matéria não pode viver sem ele. É ele que dá vida a todos os seres que o absorvem e assimilam.

Questão 64 – Vimos que o espírito e a matéria são dois elementos constitutivos do Universo. O princípio vital formará um terceiro? –É um dos elementos necessários à constituição do Universo, mas tem a sua fonte nas modificações da matéria universal. É um elemento, para vós, como o oxigênio e o hidrogênio, que, entretanto, são elementos primitivos, pois todos procedem de um mesmo princípio.
Questão 65 – O princípio vital reside num dos corpos que conhecemos? –Ele tem como fonte o fluido universal; é o que chamais fluido magnético ou fluido elétrico animalizado. É o intermediário, o liame entre o espírito e a matéria.

Questão 66 – O princípio vital é o mesmo para todos os seres orgânicos? –Sim, modificado segundo as espécies. É ele que lhes dá movimento e a atividade e os distingue da matéria inerte: pois o movimento da matéria não é a vida; ela recebe esse movimento, não o produz.

O conjunto dos órgãos constitui uma espécie de mecanismo, impulsionado pela atividade íntima ou princípio vital, que neles existe. O princípio vital é a força motriz dos corpos orgânicos. Ao mesmo tempo em que o agente vital impulsiona os órgãos, a ação destes entretém e desenvolve o agente vital, mais ou menos como o atrito produz o calor.

17 – O PASSE – JACOB MELO, cap. 4, pág. 60

(...) é o “toque mágico” propiciador da vida, o “interruptor” vital que faz a interligação de um “campo” específico chamado “fluido vital” com elemento(s) proveniente(s) do outro “campo” (Princípio Espiritual).

18- O PASSE ESPÍRITA – LUIZ CARLOS DE M. GURGEL, parte 2, págs. 73, 74-75

O FLUIDO VITAL, também chamado de PRINCÍPIO VITAL, é uma forma modificada do fluido cósmico universal. Ele é o elemento básico da vida. Vida aqui considerada no sentido atribuído pela ciência, que se caracteriza pelos fenômenos do nascimento, crescimento, reprodução e morte. Observe que nessa categoria, evidentemente, não se incluem os Espíritos, já que não satisfazem, pelo menos, às duas últimas condições – reprodução e morte (...).

Apesar de já contarmos, ao nascer, com certa quantidade de fluido vital, o nosso corpo precisa ser constantemente suprido deste fluido, em razão da sua constante utilização, principalmente nos processos ligados ao metabolismo. É, contudo, característica dos seres vivos a capacidade de produzir fluido vital, continuamente, a partir do fluido cósmico universal, como também a capacidade de absorvê-lo diretamente, a partir dos próprios alimentos.

Uma outra possibilidade de absorção do fluido vital é através da transfusão fluídica., Kardec refere claramente essa possibilidade quando afirma que “O fluido vital se transmite de um indivíduo a outro”. É justamente essa propriedade, característica do fluido vital, um dos fundamentos em que se baseia o passe (...).

Os seres do mundo espiritual, por não possuírem fluido vital, é que necessitam do nosso concurso, como indispensável, para muitas das tarefas assistenciais a que se propõem.

Em "A Gênese", Kardec assegura que (...) pela morte, o princípio vital se extingue". De fato é a existência, ou não, de fluido vital que distingue um corpo vivo de outro sem vida. A diferença entre uma árvore viva e um pedaço de madeira é justamente a presença do fluido vital na primeira e sua ausência na segunda.

Apesar de já contarmos, ao nascer, com certa quantidade de fluido vital, o nosso corpo precisa ser constantemente suprido deste fluido, em razão da sua constante utilização, principalmente nos processos ligados ao metabolismo. É, contudo, característica dos seres vivos a capacidade de produzir fluido vital, continuamente, a partir do fluido cósmico universal, como também a capacidade de absorvê-lo diretamente, a partir dos próprios alimentos. Uma outra possibilidade de absorção do fluido vital é através da transfusão fluídica. Kardec refere claramente essa possibilidade quando afirma que: "O fluido vital se transmite de um indivíduo a outro." É justamente essa propriedade, característica do fluido vital, um dos fundamentos em que se baseia o passe.

No mesmo capítulo da obra de Kardec citada acima encontramos ainda a informação: "A quantidade de fluido vital não é a mesma em todos os seres orgânicos: varia segundo as espécies, e não é constante no mesmo indivíduo, nem nos vários indivíduos de uma mesma espécie." Realmente, na infância, a capacidade de processar o fluido cósmico para a produção do fluido vital é muito acentuada.

Essa capacidade se mantém mais ou menos inalterada durante a juventude, mas a partir de certa idade ela torna-se bastante reduzida, fato este que leva a uma diminuição progressiva da vitalidade do indivíduo, levando ao envelhecimento geral do organismo. A morte ocorre quando o organismo perde a capacidade de produzir e reter uma certa quantidade mínima de fluido vital — morte natural —, ou quando uma lesão mais séria no corpo físico provoca uma taxa de escoamento desse fluido em quantidades superiores à sua capacidade de produção — morte acidental.

Os seres do mundo espiritual, por não possuírem fluido vital, é que necessitam do nosso concurso, como indispensável, para muitas das tarefas assistenciais a que se propõem.

FLUIDOS ESPIRITUAIS

"A qualificação de fluidos espirituais não é rigorosamente exata, pois que, em definitivo, se trata sempre de matéria mais ou menos quintessenciada. Nada há de realmente espiritual senão a alma ou princípio inteligente. Eles são assim designados por comparação, e sobretudo em razão de sua afinidade com os Espíritos."

Apesar da advertência de Kardec que transcrevemos acima, costuma-se agrupar, sob o título de fluidos espirituais, os fluidos emitidos pelos Espíritos e característicos do mundo espiritual, todos eles originados, em última análise, a partir do fluido cósmico universal. Os fluidos ditos espirituais sãe produzidos a partir de uma transformação que sofre o fluido cósmico universal por ação do magnetismo associado aos pensamentos e sentimentos do Espírito, quer esteja ele encarnado ou desencarnado. O magnetismo "polariza" o fluido cósmico, dando-lhe propriedades características novas.

De um modo figurativo, é como se nos encontrássemos imersos em água límpida — o fluido cósmico — e passássemos a desprender do nosso organismo uma tintura qualquer — os nossos pensamentos e sentimentos — que iria tingindo a água ao nosso derredor. A cor da tinta liberada representaria os nossos sentimentos e pensamentos do momento.

Nas obras da Codificação, encontramos ainda que a diversidade de modos intangíveis pelas quais o fluido universal pode apresentar-se chega a ser maior que o número de substâncias tangíveis que conhecemos, logo a diversidade de fluidos aqui agrupados é enorme. Cada uma dessas modalidades, embora tendo a mesma origem, constitui um fluido distinto, com propriedades e características bem específicas.

Os fluidos espirituais podem ser produzidos por qualquer entidade espiritual, mesmo que encarnada. Assim, cada um de nós está continuamente emitindo vários tipos diferentes de fluidos para o ambiente que nos envolve, sempre caracterizados pelos nossos pensamentos e sentimentos. Os fluidos espirituais podem, portanto, ser de ódio, de inveja, de ciúme, de prepotência, de orgulho, de amor, de simpatia, de pena, ... e, por sua vez, podem agir sobre outras pessoas com efeitos irritantes, excitantes, tônicos, soporíferos, calmantes, reparadores ...

COMO OS FLUIDOS SE MOVIMENTAM *

Agora que sabemos da existência de tão vasta quantidade de tipos diferentes de fluidos, vamos procurar identificar os fatores principais que determinam seus deslocamentos, isto é, pesquisar como eles se comportam após serem produzidos e lançados no meio ambiente. Será que ficam permanentemente em torno da pessoa que os produziu? Será que podem ser atraídos ou repelidos por ação da nossa vontade?

Para obtermos respostas a essas perguntas, reportemo-nos, mais uma vez, às obras da Codificação. Em "A Gênese" vamos encontrar: "Os fluidos se unem em razão da semelhança de sua natureza; os fluidos dissemelhantes se repelem; há incompatibilidade entre os bons e os maus fluidos, como entre o azeite e a água." Assim, em outras palavras, podemos dizer que: Fluidos do mesmo tipo se atraem e fluidos de tipos opostos se repelem. A esta assertiva passaremos a denominar Lei Fundamental dos Fluidos.

Se meditarmos um pouco vamos observar que a Lei Fundamental dos Fluidos, conforme acima apresentada, é de uma sabedoria realmente superior. Veja-se que se o nosso espírito é levado, por exemplo, a emitir vibrações magnéticas de harmonia, através de uma ação consciente ou não, estas vibrações irão agir sobre o fluido cósmico universal, que estamos continuamente a absorver, modificando-o, de modo a produzir fluidos polarizados em harmonia. Através deste mecanismo, colocamo-nos na condição de verdadeira fonte de fluidos de harmonia.

Esses fluidos, liberados pelo nosso organismo, vão se acumulando em torno de nós e, ao cabo de alguns momentos nos envolverão completamente. Neste estado, em vista da Lei Fundamental dos Fluidos, passaremos a atrair outros fluidos de harmonia — mesmo tipo — existentes no ambiente.

De modo análogo ocorrerá quando as vibrações magnéticas originadas do nosso espírito torem, por exemplo, de ódio, inveja, ou qualquer outro sentimento. Assim conclui-se que somos bombardeados, inexoravelmente, pelo mesmo tipo de fluido que estamos a emitir. Em resumo, ao nos colocarmos na condição psíquica necessária para produção de um determinado tipo de fluído, estaremos nos colocando, na condição vibratória própria para atrair, e absorver, aquele mesmo tipo de fluído. Este é um exemplo perfeito que serve para demonstrar a ação da Lei de Causa e Efeito, pois estaremos recebendo exatamente aquilo que estamos a dar, inclusive na mesma intensidade. (...)

19 – OS MENSAGEIROS – FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER, pág. 215

(...) Aquele campo amigo e hospitaleiro caracterizava-se por ambiente muito diverso. Não mais as emanações pesadas da cidade grande, mas o vento leve, embalsamado de suavíssimos perfumes. Refletia eu na bondade do Senhor, que nos oferecia recursos novos, quando Aniceto voltou a dizer:

-A Natureza nunca é a mesma em toda a parte. Não há duas porções de terra com climas absolutamente iguais. Cada colina, cada vale, possui expressões climatéricas diferentes. É forçoso reconhecer, porém, que o campo, em qualquer condição, no circulo dos encarnados, é o reservatório mais abundante de princípios vitais. Em geral, todos nós, os cooperadores espirituais, estimamos o ar da manhã, quando a atmosfera permanece igualmente em repouso, isenta dos glóbulos de poeira convertidos em microscópicos balões de bacilos e de outras expressões inferiores.

-Assim me explico, porque na floresta temos uma densidade forte, pela pobreza das emanações, em vista da impermeabilidade ao vento. Aí, o ar costuma converter-se em elemento asfixiante, pelo excesso de emissões dos reinos inferiores da Natureza. Na cidade, a atmosfera é compacta e o ar também sufoca, pela densidade mental das mais baixas aglomerações humanas. No campo, desse modo, temos o centro ideal...