XENOGLOSSIA
BIBLIOGRAFIA
01 - Allan Kardec - vol. 2 pág. 86 02 - Ciência e Espiritismo - pág. 131
03 - Diálogo com as sombras - pág. 214 04 - Estudando a Mediunidade - pág. 198
05 - Estudos Espíritas - pág. 74 06 - Guia do Espiritismo - pág. 177
07 - Hipnotismo e Espiritismo - pág. 94/111 08 - Metapsíquica humana - pág. 112
09 - O exilado - pág. 124 10 - Os fenômenos Espíritas - pág. 106
11 - Parábolas e Ensino de Jesus - pág. 268 12 - Para psicologia experimental - pág. 32
13 - Reencarnações no Brasil - pág. 10 14 - Resumo da Doutrina Espírita - pág. 189
15 - Saúde e Espiritismo - pág. 184 16 - Síntese de O Novo Testamento - pág. 214/233
17 - Vida e atos dos Apóstolos - pág. 15/146 18 - Xenoglossia - toda a obra

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XENOGLOSSIA - COMPILAÇÃO

04 - Estudando a Mediunidade - Martins Peralva - pág. 198

xxxvm - Mediunidade poliglota
Xenoglossia — ou mediunidade poliglota — é a faculdade pela qual o médium se expressa, oral ou graficamente, por meio de idioma que não conhece na atual encarnação. Há uma interessante monografia de Ernesto Bozzano, por sinal o mais completo estudo que conhecemos sobre o assunto, a qual serviu, subsidiariamente, para os nossos apontamentos.

O presente capítulo deve, pois, ser considerado como o resultado das observações que extraímos do livro «Nos Domínios da Mediunidade» e das valiosíssimas anotações de Bozzano, em sua obra «Xenoglossia».
A mediunidade poliglota pode ser classificada da seguinte maneira:
a) — Falante (pela incorporação ou na materialização) ;
b) — Audiente;
c) — Escrevente (psicografia ou tiptologia);
d) — Voz direta;
e) — Escrita direta (mãos visíveis ou invisíveis).

Xenoglossia falante é a em que o médium, incorporado, fala em qualquer idioma, seja inglês ou francês, latim ou hebraico, sem conhecer essas línguas. Pode, também, ouvir os Espíritos em outros idiomas, psicografar mensagens e, ainda, possibilitar sejam grafados caracteres estranhos, em lousas e paredes.

Prescindimos de mencionar inúmeros casos, verificados em cada uma dessas modalidades, por não ser este o escopo fundamental deste livro. Todavia, podemos afirmar que não são apenas os tratados e monografias que registram tais fenómenos. O Velho e o Novo Testamento são ricos em comunicações xenoglóssicas.

A mediunidade poliglota tem a sua causa no recolhimento de valores intelectuais do passado, os quais repousam na subconsciência do sensitivo ou médium. Ela decorre, primordialmente, de um simples fenômeno de sintonia no tempo. Que é «sintonia no Tempo»? E' o processo pelo qual a mente humana, ligando-se ao pretérito distante, provoca a emersão, das profundezas subconscienciais, de expressões variegadas e multiformes que ali jazem adormecidas.

A subconsciência é o «porão da individualidade». Lá se encontram «guardados» todos os valores intelectuais e conquistas morais acumulados em várias reencarnações, como fruto natural de sucessivas experiências evolutivas. Só pode ser médium poliglota aquele que já conheceu, noutros tempos, o idioma pelo qual se expresse durante o transe.

A criatura que, noutras encarnações, não conheceu o latim, não pode, mediunizada, expressar-se por ele. E' o que se depreende, por sinal com muita lógica, da explicação do Assistente Àulus: «Quando um médium analfabeto se põe a escrever sob o controle de um amigo domiciliado em nosso plano, isso não quer dizer que o mensageiro espiritual haja removido milagrosamente as pedras da ignorância.

Mostra simplesmente que o psicógrafo traz consigo, de outras encarnações, a arte da escrita já conquistada e retida no arquivo da memória, cujos centros o companheiro desencarnado consegue manobrar". Não basta, por conseguinte, ser médium para receber comunicações em outras línguas. É preciso tê-las conhecido no passado ou conhecê-las no presente. A leitura da excelente monografia de Bozzano e do livro ora apreciado, elucida exuberantemente o assunto, e confirma, sem dúvida, essa conclusão.

05 – ESTUDOS ESPÍRITAS – DIVALDO P. FRANCO (JOANNA DE ÂNGELIS), pág. 74

A memória da aprendizagem e dos fatos não se perde nunca, pois que esta não é patrimônio das células cerebrais, que as traduzem, estando incorporada ao perispírito, que a fixa, acumulando as experiências das múltiplas existências, mediante as quais o Espírito evolui, nas diversas faixas que se lhe fazem necessárias.

Crianças houve que foram capazes de se expressar corretamente em diversos idiomas, desde os dois anos de idade, sem os terem aprendido. Incontáveis crianças também revelaram pendor musical, compondo e interpretando peças clássicas antes que pudessem segurar um violino, ou dispor de mobilidade para uma oitava no teclado de um piano.Escultores deslumbraram seus mestres em plena idade infantil.

Assim também, matemáticos, astrônomos, físicos modernos evocam da última reencarnação quanto aprenderam e agora retornam a ampliar, ainda mais, as suas aquisições para serem aplicadas a serviço da Humanidade. No passado, Jean Baratier, que desencarnou com a idade de dezenove anos, vítima de “cansaço cerebral”, falava corretamente diversos idiomas. Aos nove anos escreve um dicionário, com larga complexidade etimológica.

William Hamilton com apenas três anos estudou o hebraico. Mais tarde, aos doze anos, conhecia 12 idiomas que falava corretamente.
Outros – como no caso de Jaques Criston, que conseguia discutir utilizando-se do latim, grego, árabe, hebraico, sobre as mais diversas questões, com tranqüilidade – fizeram célebres. Henri de Hennecke, com dois anos, expressava-se em três línguas...

Volumosa é a literatura sobre o assunto, não somente na xenoglossia, como em diversos ramos do Conhecimento. As evocações das vidas passadas independem da idade em que podem ocorrer. Naturalmente que na primeira infância são mais repetidas as lembranças da reencarnação anterior, pela facilidade com que o espírito, não totalmente interpenetrado pelas células físicas, conserva a memória das ocorrências guardadas.

No presente, as experiências de regressão da memória, pela hipnologia, vêm trazendo larga e valiosa contribuição ao estudo da reencarnação, pelas largas possibilidades de comprovação de que se podem dispor, ampliando grandemente o campo das observações e provas.

06 - Guia do Espiritismo -Angelo de Micheli - pág. 177

Este termo representa o uso mediúnico de uma língua estrangeira (do grego: xênos = estrangeiro e glossa - língua). Trata-se de um fenômeno paranormal que ocorre nas sessões mediúnicas. A condição essencial é que o médium esteja em estado de transe. O médium escreve ou fala utilizando uma língua estrangeira, que ele não conhece e, por vezes, que os demais participantes também não conhecem. Este fenômeno é fácil de explicar: o médium está em condição de "possessão", ou seja, a Entidade toma posse do corpo físico do médium e se comunica através das suar cordas vocais (às vezes modificando-lhe a voz).

E eis como se manifesta o fenômeno da possessão: a personalidade do médium é completamente excluída sendo substituida por aquela da Entidade. Saliento que o fenômeno pode ser produzido também através da "voz direta" e da "escrita automática". Às vezes, mês nestas formas de manifestação o conteúdo das mensagens é língua desconhecida do médium. Muito raramente Entidades materializadas se comunicarar em língua estrangeira; poderia citar o fantasma de Nepenth que constitui um caso histórico interessantíssimo.

As manifestações de xenoglossia em nível consciente são raríssímas, ainda que, em alguns casos, seja possível encontrar sinais delas. Tudor Polé, em sua obra The Silent Road (A estrada silenciosa) relata um estranho caso. Neste fenômeno mediúnico parece não haver limites para as possibilidades; de fato, parece que todas as línguas, até mesmo as mortas há séculos, podem ser consideradas. Numerosíssimas manifestações acontecem em dialetos locais e em formas extintas há séculos. Mas, é preciso ser cautelosos; de fato, as linguagens hoje extintas foram reconstruídas apenas parcialmente.

Sons e formas obtidos através de mediunidade forneceram testemunhos autênticos de altíssimo interesse científico e parapsicológico. O fenômeno não é novo; em escritos do princípio do século XVI leêm-se referências a línguas desconhecidas, definidas como a "linguagem dos anjos", porque o fenômeno é imediatamente atribuído a uma origem mística. Existem línguas das quais não se conhece nem a origem nem a real procedência; apenas o médium, em alguns casos, sempre em estado de transe, forneceu a tradução da mensagem. É o caso do médium americano Albert Lê Baron, cujas mensagens eram incompreensíveis para os participantes mas, em seguida, a Entidade fornecia sua tradução.

Uma experiência interessantíssima foi realizada por um médium, sob o controle do estudioso Tallmadge: o médium escrevia o Antigo Testamento em hieróglifos, afirmando que aquela constituía a redação autêntica da época. Um fenômeno semelhante foi negado durante longo tempo pela ciência. No início do século passado foi reconhecido como autêntico, mas não explicável à luz das hipóteses científicas. Ainda hoje este fenômeno constitui um obstáculo para aqueles que querem derrubar as doutrinas do espiritismo.

Esta manifestação representa um dos fenômenos mais excepcionais e desconcertantes que aparecem e autenticam as doutrinas espíritas. O caso mais clamoroso, do qual as crônicas se ocuparam, é aquele da Entidade conhecida como "Lady Nona". Durante uns cinco anos, em Londres, um modesto grupo de experimentadores reunia-se sob o controle científico do Dr. Frederick. A médium que produzia esses fenômenos era Rosemary, por meio da qual a Entidade de Lady Nona, no decorrer dos cinco anos de sessões, forneceu explicações sobre a escrita Egípcia, sobre a dicção fonética do antigo idioma dos faraós, em Uso cerca de 1400 a.C.

A origem desta maravilhosa experiência deve-se ao acaso. O Dr. Wood, apaixonado pelos fenômenos psíquicos, estava à procura de uma "boa" médium escrevente para tentar algumas Experiências. Propôs a uma amiga, uma professora, experimentar sua mediunidade latente e, eventualmente, colaborar com ele nas experiências. Esta jovem professora, de maneiras gentis, simples alegre, espantou-se com esta proposta. Essas "tolices" nunca haviam despertado nela nem mesmo a menor curiosidade, mas sob a insistência do Dr. Wood, consentiu na experiência.

O êxito das primeiras sessões foi superior a todas as expectativas, trazendo à luz na novata surpreendentes capacidades mediúnicas. Depois de algumas experiências, a entidade-guia da jovem, que denominou-se Tibério, informou ao Dr. Wood que sua assistência deveria ser intensa e constante, uma vez que fora destinada à médium uma tarefa de especial importância. , Foram dois anos de preparação e treinamento, durante os quais a mediunidade de Rosemary se aperfeiçoou ainda mais, feriando na médium não apenas a possibilidade de uma ótima escrita automática, mas permitindo-lhe ouvir e falar com as Entidades presentes, mantendo-se em estado de transe. .

A essa altura manifestou outra Entidade: Lady Nona, que substituiu o espírito de Tibério. Desta troca de guarda pode-se dizer que data o início do caso de xenoglossia que mais interessou aos estudiosos. Com Lady Nona iniciou-se uma sequência de sessões que, durante anos, constituíram o mais interessante fenômeno que a história do espiritismo registra na área de xenoglossia. Os relatórios dessas memoráveis sessões estão reunidos em um grupo de mais de trinta volumosos livros, datilografados, fáceis de encontrar e acessíveis a qualquer pessoa.

Convém examinar esta manifestação que representa uma melhores fontes para o estudo da xenoglossia. Em 1956 foi publicada a segunda edição do livro de Frederick H. Wood, This Egyptian Miracle (Este milagre egípcio), que se seguiu a duas publicações anteriores do mesmo autor: After thirty Centuries (Depois de trinta séculos) e Ancient Egypt speaks (Fala o antigo Egito). A obra, publicada em 1956, nasceu da colaboração entre o Dr. Wood e o egiptólogo, professor A. J. Howard Hulme; o conteúdo constitui material de estudo para egiptólogos e peritos em egiptologia ou no estudo dos hieróglifos.

O livro reúne as mensagens transmitidas em língua egípcia arcaica, transcritas em sua edição fonética e traduzidas em língua inglesa. Pelos estudos realizados verificou-se a autenticidade do conteúdo, estabelecendo que a fonética utilizada pode ser datada de 2400 a 1536 a.C., período definido como Médio Império. Cerca de vinte anos depois desta produção, Pasquale Brazzini retoma seu estudo na revista Luce ed Ombra (Luz e sombra), no número 3, maio/junho de 1956.

O nome da médium Rosemary é um pseudônimo adotado pela interessada para encobrir sua própria identidade. A mediunidade desta jovem exprimia-se não apenas sob a forma de escrita, falante, vidente e clarividente, em um estado de constante semitranse; a médium também era capaz de produzir experiências de desdobramento e outras manifestações paranormais que extrapolam desta investigação. O nome da entidade-guia da médium era Muriel, que afirmou ser sua única tarefa preparar a médium para interessantes experiências e assim aconteceu. Em outubro de 1848 Muriel entregou a médium a uma nova entidade que se fazia chamar "Nona".

Nona era uma senhora nobre egípcia que, durante as primeiras sessões, por meio da escrita automática, comunicou o próprio nome e que, somente mais tarde, falou através da boca da médium, com voz cordial e agradável. Através destas conversas, soube-se que seu verdadeiro nome era TELIKA VENTIU, princesa que vivera no antigo Egito, filha de nobre babilônio, dada como esposa ao faraó. Seu fim foi trágico porque, contrária à religião do Estado, seguindo o monoteísmo que encontrava no Egito a primeira exaltação, foi afogada pelos sacerdotes seus inimigos, que simularam um acidente. Afogou-se no Nilo com uma escrava devotada.

A primeira consideração que surge espontânea diante de tal narrativa é simples: poderia ser uma personalidade particular da médium. Tenho motivos válidos para sustentar que não existe nenhuma correlação entre as duas personalidades, embora Lady Nona tivesse, com o Dr. Wood e com a própria médium, interessantes provas de interdependência da médium. No conteúdo das suas mensagens destacam-se usos, costumes e notícias detalhados n respeito da vida que ela levava no Egito. Forneceu informações sobre os templos, a religião e os ritos que constituíam objeto de vida do seu tempo. Falou a respeito dos instrumentos musicais da época, das formas para a preparação de uma múmia mas, sobretudo, pôde-se obter informações sobre a personalidade e sobre as iniciativas do faraó.

É possível afirmar com certeza que nem a médium nem o Dr. Wood tinham conhecimentos de tais informações, por não dispor de nenhum conhecimento prévio em matéria de egiptologia. As informações obtidas por via mediúnica demonstrara ser autênticas, depois de estudos e confrontos efetuados no museu londrino (British Museum). Com base em tais relevações foi possível estabelecer que a egípcia Telika deve ter sido Amenotep III (1406-1370 a.C.).

Querer examinar detalhadamente este caso de xenoglossia exigiria volumes que outros já publicaram: procurarei limitar-me a destacar a fase inicial de estudo que se seguiu à publicação de alguns artigos de Wood, na revista The Two Worlds (Os dois mundos).
(...)

16 - Síntese de O Novo Testamento - Mínimus - pág. 214/233

LÍNGUAS DE FOGO. O DISCURSO DE PEDRO

Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar, quando de repente veio do céu um ruído, como de um vento impetuoso, que encheu toda a casa e lhes apareceram umas como línguas de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito-Santo e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem (XENOGLOSSIA).

Homens de todas as nações, que habitavam Jerusalém, ajuntaram-se ali e ficavam maravilhados, porque cada um ouvia falar na sua própria língua. E como não encontravam explicação para o fenômeno, muitos procuravam ridicularizá-los, dizendo: - Estão cheios de mosto, estão alcoolizados.

Pedro, porém, levantando a voz lhes disse: - Estes homens não estão embriagados, como supondes, mas agora se cumpre o que dissera o profeta Joel: -E acontecerá nos últimos dias, diz o Eterno, que derramarei o meu Espírito sobre toda carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos mancebos terão visões, vossos velhos terão sonhos; sobre os servos e sobre as servas derramarei o meu Espírito naqueles dias, e profetizarão.

Mostrarei prodígios em cima, no céu; e sinais, em baixo na terra; sangue, fogo e vapor de fumo. O sol se converterá em trevas; e a lua, em sangue, antes que chegue o grande e glorioso dia do Eterno. E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Eterno será salvo.

Após falar longo tempo aos israelitas e de responder-lhes às perguntas, Pedro e seus companheiros batizaram inúmeras pessoas, sendo admitidos naquele dia quase três mil adeptos.

OS VENDEDORES DE IMAGENS
Voltando a Éfeso, Paulo batizou em nome de Jesus cerca de doze discípulos, que só havia recebido o batismo de arrependimento, o batismo de João. Impondo-lhe as mãos, veio sobre eles o Espirito-Santo e eles falavam em diversas línguas e profetizavam. Durante 3 meses compareceu Paulo à sinagoga, pregando ousadamente, mas, como alguns incrédulos e endurecidos falavam mal do Caminho, passou ele a discutir diariamente na escola de Tirano, pelo espaço de dois anos.

Tais milagres Deus fazia pelas mãos de Paulo que muitos levavam lenços e aventais do apóstolo e, com tais objetos, as enfermidades os deixavam e deles saíam os Espíritos malignos. Exorcistas, filhos de um dos principais da sinagoga, tentaram expelir Espíritos malignos que se apossaram de algumas criaturas, invocando o nome do Jesus pregado por Paulo; mas um Espírito maligno lhes disse:

— Conheço a Jesus, e sei quem é Paulo; mas vós, quem sois? — E assim falando, o homem, sobre o qual atuava o Espírito maligno, apoderou-se de dois dos pretensos doutrinadores e os dominou na luta, de tal modo que, nus e feridos, fugiram daquela casa.

Este fato se tornou conhecido de todos os judeus e gregos residentes em Éfeso, ocasionou inúmeras conversões e fez que vários mágicos queimassem os seus livros em público. Por essa ocasião traçou Paulo os seus planos futuros, entre os quais se encontrava a sua viagem a Roma, mas, antes de qualquer deliberação, enviou Timóteo e Erasto à Macedônia.

Novamente os interesses materiais prejudicados ocasionaram lutas contra os evangelizadores: — Prejudicados com a diminuição das vendas das imagens da deusa Diana, fonte de lucros que receavam perder, os que viviam desse comércio se reuniram e acusaram os discípulos por afirmarem que não eram deuses os que são feitos por mãos humanas, e que, dessa forma, desconsideravam a grandeza do templo de Diana, a quem todo o mundo adorava.

Alguns discípulos foram arrebatados e grandes seriam os seus sofrimentos se não fosse a intervenção conciliadora do escrivão da cidade, que aconselhou aos efésios o recurso aos tribunais, visto que, assim, como pretendiam fazer, poderiam ser acusados como responsáveis pela sedição daquele dia.

18 – XENOGLOSSIA – ERNESTO BOZZANO (TODA A OBRA)

Introdução: O termo “xenoglossia”( mediunidade poliglota) foi o professor Richet quem o propôs, com o intuito de distinguir, de modo preciso, a mediunidade poliglota propriamente dita, pela qual os médiuns falam ou escrevem em línguas que eles ignoram totalmente e, às vezes, ignoradas de todos os presentes, dos casos afins, mas radicalmente diversos, de “glossolalia”, nos quais os pacientes sonambúlicos falam ou escrevem em pseudo-línguas inexistentes, elaboradas nos recessos de suas subconsciências, pseudo-línguas que não raro se revelam orgânicas, pelo serem conformes às regras gramaticais.

Do ponto de vista teórico, a “mediunidade poliglota” se mostra uma das mais importantes manifestações da fenomenologia metapsíquica, pois, por ela, se eliminam de um só golpe todas as hipóteses de que disponha quem queira tentar explicá-las, sem se afastar dos poderes supra-normais inerentes à subconsciência humana, porquanto a interpretação dos fatos, no sentido espiritualista, se impõe aqui de forma racionalmente inevitável.

Quer isto dizer que, graças aos fenômenos de “xenoglossia”, se deve considerar provado que, nas experiências mediúnicas, intervém entidades espirituais extrínsecas ao médium e aos presentes. Não ignoro que os propugnadores, a todo custo da origem subconsciente de toda a fenomenologia metapsíquica, não chegando a explicar as manifestações em apreço, por meio das hipóteses de que dispõem, formularam timidamente uma outra, que se denomina “memória ancestral”, segundo a qual os médiuns seriam aptos a conversar numa língua inteiramente desconhecida deles, desde que algum de seus antepassados houvesse pertencido ao povo cuja língua elas falam.

Nesse caso fora de presumir-se que as condições mediúnicas fazem brotar, das estratificações de uma hipotética memória ancestral subconsciente, o conhecimento pleno do idioma falado pelo ascendente do médium.
Na xenoglossia já houve casos com o “automatismo falante”, casos com o “automatismo escrevente”, casos por meio da “voz direta” e casos por meio da “escrita direta”.

Categoria I – Casos de xenoglossia obtidos com o “automatismo falante” e a mediunidade audiente.
Estas duas modalidades de características extrínsecas dos fenômenos que examinamos, conquanto notavelmente diversas entre si, resultam afins, porquanto derivam ambas de um fenômeno mais ou menos avançado de “possessão mediúnica” e algumas vezes se desenvolvem entrecruzadas. Daí decorre que não podem separar-se, ao serem classificadas.

Categoria II – Casos de xenoglossia obtidos com o “automatismo escrevente” (psicografia)
Do ponto de vista científico, os casos que formam esta categoria são os melhores, por isso que o texto escrito em língua que o médium ignorava fica, como documento irrefragável, à disposição dos estudiosos, ao passo que, com os médiuns pelos quais falam entidades extrínsecas, quase sempre ocorre termos que fiar do perspicaz discernimento dos experimentadores, a menos que entre estes haja quem tome o encargo de registrar diligentemente as palavras que o médium profere.

Como se há visto, na precedente categoria citamos diversos casos em que essa regra de indagação foi observada. Pelo diz respeito a esta outra, previno que, embora seja mais rica em episódios, se apresentará, como a primeira, muito reduzida quanto ao número dos casos apreciados, devido ainda à forma anedótica em que eles, na sua maioria, são relatados.

Categoria III
– Casos de “xenoglossia” por meio da “voz direta”:
No que concerne à presente categoria, faz-se necessária uma observação de ordem geral muito interessante: a de que, nas experiências de “voz direta”, o de “xenoglossia” é fenômeno mais ou menos freqüente, tão freqüente que quase não há bons “médiuns” dessa natureza, que não tenham oferecido e não continuem a oferecer notáveis exemplos do aludido fenômeno.

Daí o dever inferir-se que as comunicações mediúnicas por meio da “voz direta” se prestam de modo muito especial à exteriorização das conversações poliglotas, o que, presumivelmente, se deve atribuir à circunstância de permitir, essa forma de mediunidade, que a entidade comunicante se mantenha bastante independente do psiquismo do “médium”, para ficar em condições de exprimir-se numa língua que este último ignora.

Ora, isto, as mais das vezes, não seria possível com a “psicografia”, porquanto esta se produz mediante a transmissão telepática do pensamento da entidade comunicante ao “médium”, que o traduz subconscientemente na sua língua, salvos os casos em que aquela entidade consegue influenciar mais ou menos diretamente, no “médium”, os centros cerebrais da linguagem falada ou escrita (possessão mediúnica).