PERISPÍRITO
BIBLIOGRAFIA
1 - A Agonia das religiões - pág. 63/106 2 - A alma é imortal - pág. 61/82/120/157/200
3 - A caminho da luz - pág. 31 4 - A crise da morte - pág. 66/93
5 - A evolução anímica - pág. 22/47/85/100/120 6 - A evolução do princípio inteligente - pág. 115
7 - A gênese - cap. XIV, 7 8 - A levitação - pág. 15/19/115
9 - A reencarnação - pág. 35/51/141/286 10 - Ação e reação - pág. 39/30/93/171/254
11 - As aves feridas na Terra voam - pág. 85 12 - Catecismo espírita - pág. 49 (23ª. lição)
13 - Correnteza de luz - pág. 21/25 14 - Depois da morte - pág. 49/73/174/207/226
15 - Emmanuel - pág. 129 16 - Entre o céu e a Terra - pág. 42/47/78/81
17 - Estudos Espíritas - pág. 39 18 - Evolução em dois mundos - pág. 12/25/29/31/138
19- Gênese da alma - pág. 86 20 - O céu e o inferno - 1ª. parte, cap. III, 10
21 - O consolador - pág. 35 22 - O Livro dos Espíritos - Q.93/135/141/150/155/187
23 - O Livro dos Médiuns - Questões: 53 a 59 24 - O porquê da vida - pág. 91
25 - Pureza Doutrinária - pag. 58 26 - Sintese de o novo Testamento - pág. 60/226/251
27 - Perispírito e corpo mental - toda a obra  28 - Roteiro - pág. 31
29 - O espiritismo perante a ciência - pág. 217 30 - Espírito, perispírito e alma - toda a obra

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PERISPÍRITO - COMPILAÇÃO

1 - AGONIA DAS RELIGIÕES - J. Herculano Pires - pág. 63/ 106

Desde o século passado, vários cientistas se empenharam na descoberta de meios para provar a existência no homem do chamado corpo espiritual ou duplo-etéreo. Em 1943 Raoul Montandon publicou na Suiça um curioso livro intitulado "De La Bête a l'Homme" (Do animal ao homem) relatando pesquisas psicológicas que mostram semelhanças significativas entre o reino animal e hominal e pesquisas científicas que provavam a existência nos animais de um corpo energético. Essas pesquisas são relatadas no capítulo intitulado "Sobrevivência animal". Várias fotografias batidas com filmes sensíveis à luz infra-vermelha, de grupos de gafanhotos e insetos morto com éter, revelavam ao lado dos animais mortos uma sombra semelhante ao corpo morto, enquanto ao lado dos que não haviam morrido, mas estavam em estado letárgico, não aparecia a mesma sombra.

No capítulo das fotografias psíquicas, batidas ocasionalmente ou em sessões mediúnicas experimentais, os anais espíritas apresentam impressionante volume de casos significativos, cercados de todos os recursos de garantia de autenticidade do fenômeno.

No caso atual das pesquisas soviéticas, com aparelhagem técnica de precisão, a demonstração da existência desse corpo extrafísico (para usarmos a expressão parapsicológica atual) foi decisiva. Os soviéticos, operando em comissão científica oficial na Universidade de Alma-Ata, no Casaquestão, fizeram experiências com moribundos e conseguiram verificar a retirada total do corpo - bioplásmico dos mortos, cujos corpos materiais só então se cadaverizavam. Não tendo sido possível fotografar esse corpo depois do seu desprendimento do cadáver, empregaram a técnica de pesquisa por meio de detectores de pulsações biológicas e verificaram, surpreendidos, que as pulsações captadas indicavam a presença do corpo - bioplásmico no ambiente.

A descoberta do corpo-bioplásmico constitui uma confirmação científica, proveniente do campo materialista, da teoria do perispírito. Segundo o Espiritismo, o perispírito é o corpo espiritual de que tratou o Apóstolo Paulo na I Epistola aos Coríntios. Sua função é servir ao espírito como instrumento para a sua manifestação nos planos materiais. É através dele que o espírito se liga à matéria no processo de encarnação. Durante a Vida terrena ele é o agente das atividades orgânicas. Mantém a vida do corpo e serve de campo padronizador durante o desenvolvimento deste, a partir da fecundação, regendo a formação do embrião.

Na morte, o perispírito se desliga progressivamente do corpo material, que só se cadaveriza com o seu desligamento total. Na maioria das pessoas o perispírito, após a morte, permanece nas proximidades do cadáver por tempo mais ou menos longo, em virtude da atração que os despojos exercem ainda sobre o espírito. Esse corpo é considerado na Doutrina Espírita como semi-material, constituido de energias materiais e espirituais em integração. É o corpo da ressurreição, conforme já afirmava o apóstolo Paulo.

Todas essas características do perispírito são confirmadas pela observações dos cientistas soviéticos, que consideraram esse corpo como material, constituido por um plasma físico formado de partículas atômicas. Mas um fato intrigante aparece nas pesquisas soviéticas: esse corpo só pode ser visto e fotografado enquanto está ligado ao corpo material. Uma vez desprendido, não está mais ao alcance das câmaras kirlian. Somente os detectores de pulsações biológicas podem constatar a sua presença no ambiente. As cãmaras kirlian, como já vimos, só podem agir sobre campos materiais imantados por correntes elétricas de alta frequência. Desligado do corpo material, o corpo-bioplásmico ou perispírito não oferece condições para isso. (...)

6 - A EVOLUÇÃO DO PRINCÍPIO INTELIGENTE - DURVAL CIAMPONI - página 117

13. PERISPÍRITO: A noção de perispírito tem trazido aos estudiosos da Doutrina Espírita alguma dificuldade de entendimento, dadas as diversas informações dos Espíritos e de algumas aparentes contradições existentes. A principal é a de que no perispírito estão gravadas as informações e memória das vidas passadas, o que, aparentemente, é incompatível com os dados contidos em "O Livro dos Espíritos" (perg. 187), que diz "ao passar de um mundo para outro mundo, o Espírito se reveste de matéria própria de cada um, com mais rapidez que o relâmpago; combinado com LE, 94, onde se afirma que "passando de um mundo para outro, o Espírito muda de envoltório, como mudais de roupa". O que realmente muda nesta transferência de um mundo para outro e o que realmente permanece com o Espírito e como?

CONCEITO DE PERISPÍRITO: A conceituação de perispírito é um tanto abrangente e dá origem a interpretações mais ou menos elásticas, razão por que o seu conceito, o de duplo etéreo e a localização dos centros de forças, no conjunto, deixam margem a dúvidas para os iniciantes nos estudos da Doutrina Espírita. "O perispírito é o liame que une o Espírito à matéria do corpo;" é tomado do meio ambiente, do fluido universal; contém, ao mesmo tempo eletricidade, fluido magnético e, até um certo ponto, a própria matéria inerte. Poderíamos dizer que é a quintessenciada matéria. É o "princípio da vida orgânica", mas não o "da vida intelectual", porque esta pertence ao Espírito (LE, 257) (...)

Em resumo de tudo o que foi dito, temos: a - A matéria absorve e assimila o fluido vital, dando origem à vida orgânica, ou matéria animalizada (LE, 63). b - Desta associação temos a emanação de eflúvios vitais que asseguram o equilíbrio entre a alma e o corpo. c - A união do perispírito e da matéria carnal realiza-se sob a influência do princípio vital do gérmen. d - A esta camada dos eflúvios vitais decorrentes das emanações neuropsíquicas do campo fisiológico, densificando o perispírito na região, denomina-se duplo etéreo. e - O homem é formado por três partes essenciais: corpo físico, alma e perispírito. f - Durante a vida o Espírito transmite o movimento aos órgãos por meio do fluido intermediário (perispírito). g - O corpo orgânico pode existir sem a alma, mas ela somente o abandona (rompimento dos liames que a prendem a ele), quando o corpo deixa de absorver e assimilar o fluido vital. h - Não é a partida do Espírito que causa a morte do corpo, mas a morte do corpo que causa a partida do Espírito. i - Após a morte do corpo carnal, a matéria decompõe-se, "retornando ao pó", e o fluido vital retorna à massa. j - Se um corpo pode existir sem a alma, uma alma, no entanto, não pode habitar um corpo sem vida orgânica. Com esta sequência de informações, podemos compreender melhor o que é perispírito e sua fundamental importância para o entendimento do conceito de vida na Doutrina Espírita, tanto para encarnados como para desencarnados.

7 - A GÊNESE - ALLAN KARDEC - Cap. XIV, pág. 235

FORMAÇÃO E PROPRIEDADES DO PERISPÍRITO: 7. O perispírito, ou corpo fluídico dos Espíritos, é um dos produtos mais importantes do fluido cósmico; é uma condensação desse fluido em torno de um foco de inteligência ou alma. Já vimos que o corpo carnal tem igualmente seu princípio nesse mesmo fluido transformado e condensado em matéria tangível; no perispírito, a transformação molecular se opera diferentemente; pois o fluido conserva sua imponderabilidade e suas qualidades etéreas. O corpo perispiritual e o corpo carnal, pois, têm sua fonte no mesmo elemento primitivo; um e outro são matéria, embora sob dois estados diversos.

8. Os Espíritos extraem seu perispírito do ambiente onde se encontram, o que quer dizer que esse envoltório é formado dos fluidos ambientais; daí resulta que os elementos constitutivos do perispírito devem variar segundo os mundos. Sendo Júpiter indicado como um mundo muito adiantado, em relação a Terra, onde a vida corporal não tem a materialidade da nossa, os envoltórios, perispirituais ali devem ser de uma natureza infinitamente mais quintessenciada que na nossa Terra. Ora, do mesmo modo que não poderíamos existir naquele mundo com nosso corpo carnal, nossos Espíritos ali não poderão penetrar com seu perispírito terrestre. Ao deixar a Terra, o Espírito aí deixa seu envoltório fluídico, e reveste um outro, apropriado ao mundo onde deve ir.

9. A natureza do envoltório fluídico está sempre em relação com o grau de adiantamento moral do Espírito. Os Espíritos inferiores não podem mudá-lo à sua vontade, e por conseguinte não podem se transportar à vontade de um mundo para outro. É o caso em que o envoltório fluídico, se bem que etéreo e imponderável em relação à matéria tangível, ainda é muito pesado, se assim se pode exprimir, em relação ao mundo espiritual, para lhes permitir saírem de seu ambiente. Será preciso classificar nesta categoria aqueles cujo perispírito é bastante grosseiro para que eles o confundam com o corpo carnal, e que, por esta razão, acreditam estar sempre vivos. Estes Espíritos, cujo número é grande, permanecem na superfície da Terra, tal como os encarnados, acreditando sempre ocupar-se com o que estão habituados; outros, um pouco mais desmaterializados, entretanto, não o são o suficiente para se elevar acima das regiões terrestres.

Os Espíritos superiores, ao contrário podem vir aos mundos inferiores e mesmo aí se encarnar. Dos elementos constitutivos do mundo em que entram, eles extraem os materiais do envoltório fluídico ou carnal apropriado ao ambiente onde se encontram. (...)

13 - CORRENTEZA DE LUZ - J. RAUL TEIXEIRA - PÁG. 21, 25

PROPRIEDADES DO PERISPÍRITO

Revestido o campo energético plasmador da forma por fluídos mais ou menos sutis, em consonância com o progresso alcançado pelo Espírito que dele se utiliza, o perispírito, nas suas atuações mais variadas, no terreno da vida, é portador de características próprias que o deixam melhor compreensível, em face de tudo quanto nele se observa. Estruturado ao largo dos milênios, desde os remotíssimos tempos do princípio anímico, acumulando experiências ao longo das eras, o perispírito vem refletindo a evolução lograda pelo Ser Inteligente, degrau a degrau.

Nessa longa marcha milenária, com o aprimoramento e a complexidade da natureza material, em virtude de ser subproduto do fluído cósmico, princípio material que tudo penetra, e da natureza espiritual pela quintessência, pela imponderabilidade que o assinala, demonstra umas tantas propriedades, importantíssimas, responsáveis por enorme gamade fenômenos de profundidade, inexplicados muitos, por causa da ignorância em torno delas. O perispírito apresenta-se como um corpo PENETRÁVEL e penetrante, ELÁSTICO, EMISSOR por excelência, PLÁSTICO, ABSORVENTE.

Sem embargo, é pela característica da penetrabilidade que esse envoltório do Espírito não encontra barreiras materiais que não possa ultrapassar, adentrando, assim, ambientes hermeticamente vedados, e, pela mesma razão, é atravessado sem dificuldades quaisquer em sua estrutura, pêlos corpos materiais. No aspecto da sua capacidade elástica, concebemos o porquê de estando o corpo em certo lugar, possa o Espírito deslocar-se, desprender-se, munido do seu corpo sutil, viajando para toda parte, por mais distante, quando, então, se caracterizam os fenômenos de desdobramentos, desprendimentos, conscientes ou não, dos indivíduos.

Na área da irradiação, energias emitidas pela alma sempre ativa, expandem-se em determinada região que a circunscreve, sofrendo a sua natural influência, mais ou menos ampla, de conformidade com o nível de desenvolvimento intelectual e moral dessa Inteligência. É graças à sua plasticidade, entretanto, que o corpo perispiritual logra ter modificadas as suas formas externas, consoante a ação do psiquismo da Entidade Espiritual. Convertem-se em figuras dantescas, mesmo irracionais, na hipantropia, na licantropia, ou noutra qualquer expressão zoantrópica, dentro dos estados da mente enferma e culpada, grotesca, liberada do corpo somático.

É, sem dúvida, em razão dessa peculiaridade que os Espíritos Nobres, que possuem méritos reconhecidos, podem mostrar-se no Além com formas joviais ou anciãs, externando aspectos variados de reencarnações próximas ou distanciadas, metamorfoseando-se de acordo com suas necessidades de trabalho ou dos desejos lúcidos. Através da capacidade absorsiva, o perispírito consegue assimilar essências materiais finas, fluídicas, encharcando-se com elas, ou penetrando-se de fluidos espirituais os mais diferenciados, que oferecem ao Espírito, temporariamente, certas sensações como se estivesse encarnado.

Não é por outra causa que Entidades desencarnadas, ainda em estágios grosseiros de evolução, exigem, dos que se põem em suas faixas vibratórias, comidas e bebidas para a sua satisfação pessoal, como recompensa ou pagamento pelas ajudas que prometem prestar. Outros irmãos do Além ordenam que se executem sacrifícios de animais, pedem flores e frutos frescos, ocasiões em que podem absorver dos alimentos e do plasma sanguíneo o fluido vital que, durante algum tempo, dão à Entidade desencarnada um tipo de nutrição que a faz sentir-se humanizada, gente outra vez... Isso lhe faculta mais fácil acesso às suas presas, aos obsessos, e àqueles mesmos que lhes fazem tais ofertas e atendem a essas exigências.

Necessário é que ninguém ignore que todos os que compartilham desses caprichos perniciosos de desencarnados exploradores, patrocinando-lhes esses "alimentos", são co-responsáveis pelos efeitos infelizes que daí advenham, respondendo cada um por seus atos, na relação direta da compreensão que tenham da vida e da virulência com que se hajam mancomunado a esses irmãos desditosos do Invisível.

Os Espíritos não comem, nem bebem, conforme o entendimento humano comum, por faltar-lhes a aparelhagem orgânica para isso. Não obstante, absorvem as essências finas que entretém a vitalidade e gozam os prazeres mais estranhos por meio dessas propriedades valiosas que, por enquanto, não sabem valorizar.

Esse corpo perispirítico, do qual tão pouco ainda se conhece no mundo, guarda em sua estrutura, curiosas, importantes e graves virtudes, graças às quais, um dia, o Espírito, livre e luminoso, alçará vôos a mais vastos e altos céus, transformando-o em "veste nupcial" gloriosa, nos tempos felizes, quando o Espírito melhor identificar-se com o Cristo que, por agora, dormita em sua intimidade, despertando, gradualmente, para a definitiva comunhão com o pensamento do Criador.

O PERISPÍRITO E SUAS FUNÇÕES:

O corpo energético por meio do qual o Espírito se expressa nos diversos campos da vida, em virtude da sua estruturação, guarda condições de participar de múltiplos fenômenos, em cada um deles determinando uma forma particular de manifestação. Pelas condições de imponderabilidade, e por representar um subproduto do fluido universal, tem capacidade de servir como laço de união entre o essencialmente espiritual, o Espírito, e o que se mostra essencialmente material, o corpo físico.

Reconhecemos, então, como sendo do perispírito a responsabilidade pela organização do complexo celular, determinando, nas reencarnações humanas, a fixação das caracterizações de ordem genética, no quadro de necessidades e méritos que a Providência Celeste processa, devidamente. Na sua possibilidade plástica, é dotado da função modeladora da forma, dando-lhe, sob o comando espiritual, mental, a expressão da qual necessita para que tal forma material seja ideal para atender as necessidades diversas do reencarnante, ao consumar-se a reencarnação.

Por todos os seus atributos, pelas ligações célula a célula, conduzindo para a carne os impulsos internos da alma e para esta as reações nervosas do corpo físico, o perispírito presta-se como veículo imprescindível para ajudar na exteriorização da mediunidade, nos parâmetros da Terra. É pela intermediação do perispírito, que os mais vários fenômenos da mediunidade se mostram, empolgantes uns, intrigantes outros, importantes todos...

Formados por substâncias que vibram ao influxo do campo eletromagnético, sobre o qual se ajustam, os fluidos perispirituais revestem a mediunidade de características sui generis. Ao aproximar-se do médium, com intenção de com ele estabelecer contato, a Entidade desencarnada, automaticamente, envolve-o nos fluidos que emite, vivificados por suas intenções, externalizando as imagens que correspondem a essas mesmas intenções.

De acordo com a estrutura neurológica do medianeiro, consoante sua organização fisiológica, o perispírito faz vibrar certas zonas do sistema nervoso central, que responde na proporção de sua educação e habitualidade, e, na medida em que se dá o processo de ressonância da zona vibrada com as emissões do desencarnado comunicante, estabelece-se a interação mente desencarnada/mente encarnada. A partir de então, se a zona sensibilizada foi a da motricidade, os membros superiores e inferiores poderão ser acionados, ocorrendo fenômenos de locomoção, de escrita, bem como outros movimentos corporais. Se a área em que repercutiu a influência foi a dos olhos, ou a dos ouvidos, ou, ainda, a da fala, poderemos observar fenômenos de psicovidência, de psicoaudiência e de psicofonia, respectivamente.

Nada impede, contudo, que ocorram vários desses fenômenos, de modo concomitante, como que conjugados ou mesmo interdependentes. Quanto mais intensa for a interação Espírito/ médium, mais notável se apresentará o fenômeno mediúnico, propiciando, inclusive, elementos identificadores do desencarnado, de alta expressividade. No bojo de todo e qualquer fenômeno de comunicação mediúnica, o corpo perispiritual faz-se elemento de capital importância, induzindo-nos a que, cada vez mais, o estudemos, penetrando-lhe as sutilezas, a fim de que a vida, melhor compreendida a partir daí, seja melhor vivida, ajustada ao sumo bem e à necessária saúde moral.

Não olvidemos que as capacidades do perispírito, marcadas pelo bem, refletem o crescimento da alma, a sua maior identificação com as Fontes Sublimes da Vida, a fim de que se faça cooperadora da Divindade, galardoando-se para alcançar céus mais altos em seu mundo interior.

FENÔMENOS COM O PERISPÍRITO

Em virtude das sutilezas que o caracterizam, o corpo sutil da alma apresenta-se em situações as mais curiosas e belas, capazes de suscitar a nossa observação para o seu processamento, nas diversas ocorrências em que esteja envolvido. O perispírito, compondo-se de uma estrutura eletromagnética, envolvida por substâncias fluídicas que, obedecendo ao comando do Espírito, assumem configurações especiais, comporta-se como um corpo que vibra, como um todo, e com oscilações específicas em suas diversas regiões, sustentadas pela atividade dos seus mais importantes centros energéticos.

Em razão de funcionar sob ação vibratória do Agente Espiritual, em torno do qual se estabelece, o perispírito emite ondas luminosas. Por causa da intensidade maior ou menor dessas vibrações, em função dessas frequências, encontraremos luminosidades mais ou menos pujantes, perpassando todas as faixas de luminescência, como consequência dos degraus evolutivos em que se acham os Espíritos.

Tal luminescência, exuberante nos seres angélicos e pálidas ou inexpressivas nos de menor progresso anímico, chega quase à nulidade nas almas banais, atingindo a opacidade nos Espíritos empedernidos no mal. As Entidades sublimadas podem inibi-la, por livre iniciativa, para atender a objetivos variados na lide do bem. Podem tornar-se opacas nos misteres em que tal providência contribua para maior e melhor aproximação daqueles de mais tíbia evolução, como um dia de sol vedado por nuvens que logo esmaecem, deixando à mostra a fulgurante face solar.

Não devemos desconhecer que as intensas vibrações perispirituais, além de determinarem fenômenos luminosos, propiciam também fenômenos acústicos, por meio de sons os mais diversos, desde as harmonias dúlcidas aos ruídos mais incômodos. Sabendo-se que os aromas diversos são devidos às exalações distintas das substâncias que se evolam dos corpos, é compreensível que há odores não perceptíveis ao olfato comum, como há outros de intensa atuação.

Com a ação de Espíritos enobrecidos em determinados ambientes, podem eles realçar perfumes suaves não captados, mas que já existiam ali, valendo-se de seu domínio sobre os fluidos físicos, como podem também produzir sobre esses fluidos diversificados olores que vão modificando de acordo com seus interesses e sua vontade. É graças à neutralidade dos fluidos básicos que isso pode se dar.
Por outro lado, é em função dessa mesma neutralidade que Entidades infelizes podem provocar sensações olfativas de péssimas qualidades.

Não é à toa que encontramos, nos contos e histórias de todos os tempos, afirmativas de que os "demônios", onde e quando se apresentam, fazem explodir maus odores de "enxofre", que é a substância com a qual são associados os fétidos de Entidades inferiores, na escalada das perturbações, ao mesmo tempo que se fala a respeito de arrastamento de correntes pesadas pelo chão, causando pavor aos que o ouvem.

Do mesmo modo, há narrativas que retratam regiões espirituais enobrecidas pelo amor e pela prática do bem, que, quando visitadas por Numes Benfeitores, projetam santificadas essências, com musicalidade celestial. Não descartamos, é certo, a possibilidade de os Espíritos, nos variados graus de evolução, poderem produzir luzes, sons ou olores, dentro das suas capacidades, valendo-se dos fluidos ectoplásmicos, nos fenômenos mediúnicos de variado porte, uma vez que a ectoplasmia pode ser trabalhada por indivíduos em diversos níveis de progresso intelectual e moral, conforme os caracteres dos grupos humanos que a eles se liguem, ou em função das necessidades de aprendizados que se imponham.

Tanto a glória alvinitente dos Espíritos Egrégios, dos "santos", quanto as sombras adensadas das almas danadas, dos "demônios", produzem-se por meio dessas vibrações que, partidas do cerne do Espírito, fazem com que seu envoltório, o perispírito, pulse na mesma frequência, exteriorizando o que se passa nessa intimidade. Embora sejam fenômenos mais notados com os desencarnados, dão-se, também, com os encarnados, e podem ser percebidos pelos sentidos dilatados da mediunidade.

Aplica-te, nos pensamentos e nas ações do bem, que já conheces teoricamente, a fim de que, nas lutas renovadoras, possas refletir o Cristo que, por enquanto, jaz adormecido em teu íntimo, mas que um dia será sol radioso a iluminar a Vida, a partir da tua vida.
"Vós sois deuses". Não olvides esse ensino.
Que brilhe, pois, a tua luz!

15 - Emmanuel - Emmanuel - pág. 129

XXIV - O CORPO ESPIRITUAL
De todos os fenômenos da vida, os que se apresentam ao raio visual da ciência humana, mantenedores do seu entretenimento, são os da assimilação e desassímilação; todavia, os que afetam mais particularmente a percepção do homem não são os da atividade vital em si mesma, consubstanciados nas sínteses orgânicas assimiladoras, mas justamente os fenômenos da morte. É um axioma fisiológico a extinção das células que constituem o suporte de todas as manifestações e apenas fazeis geralmente uma idéia da vida por intermédio desses movimentos destruidores.

A VIDA CORPORAL — EXPRESSÃO DA MORTE

Quando, no homem ou nos irracionais, um gesto se opera, a Natureza determina o desaparecimento de certa percentagem de substância da economia vital; quando a sensibilidade se exterioriza e os pensamentos se manifestam, eis que os nervos se consomem, gastando-se o cérebro em suas atividades funcionais.

A vida corporal é bem a expressão da morte, através da qual efetuais as vossas observações e os vossos estudos. Não dispondes, dentro da exiguidade dos vossos sentidos, senão de elementos constatadores da perda de energia, da luta vital, dos conflitos que se estabelecem para que os seres se mantenham no seu próprio habitat. A vida, em suas causalidades profundas, escapa aos vossos escalpelos e apenas o embriologista observa, no silêncio da penumbra, infinitésima fração do fenômeno assimilatório das criações orgânicas.

INACESSÍVEL AOS PROCESSOS DA INDAGAÇÃO CIENTIFICA

Segundo os dados da vossa fisiologia, a célula primitiva é comum a todos os seres vertebrados e espanta ao embriólogo a lei organogênica que estabelece a idéia diretora do desenvolvimento fetal, desde a união do espermatozoário ao óvulo, especificando os elementos amorfos do protoplasma; nos domínios da vida, essa idéia diretriz conserva-se inacessível até hoje aos vossos processos de indagação e de análise, porquanto esse desenho invisível não está subordinado a nenhuma determinação físico-química, porém, unicamente ao corpo espiritual preexistente, em cujo molde se realizam todas as ações plásticas da organização, e sob cuja influência se efetuam todos os fenômenos endosmóticos. O organismo fluídico, caracterizado por seus elementos imutáveis, é o assimilador das forças protoplásmicas, o mantenedor da aglutinação molecular que organiza as configurações típicas de cada espécie, incorporando-se, átomo por átomo, à matéria do germe e dirigindo-a, segundo a sua natureza particular.

RESPONDENDO AS OBJEÇÕES

Algumas objeções científicas têm sido atadas à teoria irrefutável do corpo espiritual preexistente, destacando-se entre elas, por mais digna de exame, a hereditariedade, a qual somente deve ser ponderável sob o ponto de vista fisiológico. Todos os tipos do reino mineral, vegetal, animal, incluindo-se o hominal, organizam-se segundo as disposições dos seus precedentes ancestrais, dos quais herdam, naturalmente, pela lei das afinidades, a sua sanidade ou os seus defeitos de origem orgânica, unicamente.

De todos os estudos referentes ao assunto, em vossa época, salienta-se a teoria darwiniana das gêmulas, corpúsculos infinitesimais que se transmitem pela vida seminal aos elementos geradores, contendo na matéria embrionária disposição de todas as moléculas do corpo, as quais se reproduzem dentro de cada espécie. A maioria das moléstias, inclusive a dipsomania, são transmissíveis; porém, isso não implica um fatalismo biológico que engendre o infortúnio dos seres, porque inúmeros Espíritos, em traçando o mapa do seu destino, buscam, com o escolher determinado instrumento, alargar as suas possibilidades de triunfo sobre a matéria, como um fato decorrente das severas leis morais, que, como no ambiente terrestre, prevalecem no mundo espiritual, o que não nos cabe discutir neste estudo.

Não obstante a preponderância dos fatores físicos nas funções procriadoras, é totalmente inaceitável e descabido o atavismo psicológico, hipótese aventada pelos desconhecedores da profunda independência da individualidade espiritual, hipótese que reveste a matéria de poderes que nunca ela possuiu em sua condição de passividade característica.

Reconhecendo-se, pois, a veracidade da argumentação de quantos aceitam a hereditariedade fisiológica nos fenômenos da procriação, representando cada ser o organismo de que provém por filiação, afastemos a hipótese da hereditariedade psicológica, porquanto, espiritualmente, temos a considerar, apenas, ao lado da influência ambiente, a afinidade sentimental.

ATRAVÉS DOS ESCANINHOS DO UNIVERSO ORGÂNICO

De todas as funções gerais que caracterizam os seres viventes, somente os fenômenos de nutrição podem ser estudados pela perquirição científica e, mesmo assim, imperfeitamente. Além das operações comuns, que se efetuam automaticamente, há uma força inerente aos corpos organizados, que mantém coesas as personalidades celulares, sustentando-se dentro das particularidades de cada órgão, presidindo aos fenômenos partenogenéticos de sua evolução, substituindo, através da segmentação, quantas delas se consomem nas secreções glandulares, no trabalho mantenedor da atividade orgânica.

Essa força é o que denominais princípio vital, essência fundamental que regula a existência das células vivas, e no qual elas se banham constantemente, encontrando assim a sua necessária nutrição, força que se encontra esparsa por todos os escaninhos do universo orgânico, combinada às substâncias minerais, azotadas e ternárias, operando os atos nutritivos de todas as moléculas. O princípio vital é o agente entre o corpo espiritual, fonte da energia e da vontade, e a matéria passiva, inerente às faculdades superiores do Espírito, que o adapta segundo as forças cósmicas que constituem as leis físicas de cada plano de existência, proporcionando essa adaptação às suas necessidades intrínsecas.
Essa força ativa e regeneradora, de cujo enfraquecimento decorre a ausência de tônus vital, precursor da destruição orgânica, é simplesmente a ação criadora e plasmadora do corpo espiritual sobre os elementos físicos.

O SANTUÁRIO DA MEMÓRIA

O corpo espiritual não retém somente a prerrogativa de constituir a fonte da misteriosa força plástica da vida, a qual opera a oxidação orgânica; é também ele a sede das faculdades, dos sentimentos, da inteligência e, sobretudo, o santuário da memória, em que o ser encontra os elementos comprobatórios da sua identidade, através de todas as mutações e transformações da matéria.

O PRODIGIOSO ALQUIMISTA

Todas as células orgânicas renovam-se incessantemente; e como poderia a criatura conhecer-se entre essas continuadas transubstanciações? Para que se manifeste o pensamento — que desconhece as glândulas que o segregam, porquanto constitui a vibração do corpo espiritual dentro de sua profunda consciência — quantas células se consomem e se queimam?

O cérebro assemelha-se a complicado laboratório onde o espírito, prodigioso alquimista, efetua inimagináveis associações atômicas e moleculares, necessárias às exteriorizações inteligentes. É ainda, pois, ao corpo espiritual que se deve a maravilha da memória, misteriosa chapa fotográfica, onde tudo se grava, sem que os menores coloridos das imagens se confundam entre si.


17 - ESTUDOS ESPÍRITAS - JOANA DE ÂNGELIS - PÁG. 39

CONCEITO: Parte essencial do complexo humano o PERISPÍRITO ou PSICOSSOMA se constitui de variados fluidos que se agregam, decorrentes da energia universal primitiva de que se compõe cada Orbe, gerando uma matéria hiperfísica, que se transforma em mediador plástico entre o Espírito e o corpo físico.

Graças à sua existência, a dualidade ancestral, Espírito e Matéria, se transformou em organização trina, em considerando a essencialidade de que se faz objeto, na sustentação da vida vegetativa e orgânica, de que depende o soma, como veículo da Alma, e, simultaneamente, pelas impressões que envia à centelha encarnada, que as transforma em aquisição valiosa, decorrente da marcha evolutiva.

Revestimento temporário, imprescindível à encarnação e à reencarnação, é tanto mais denso ou sutil, quanto evoluído seja o Espírito que dele se utiliza. Também considerado corpo astral, exterioriza-se através e além do envoltório carnal, irradiando-se como energia específica ou aura.

Por mais complexos cálculos se processem as técnicas para o estudo da irradiação perispiritual ou da sua própria constituição, faltam, no momento, elementos capazes de traduzir aquelas realidades, por serem, por enquanto, de natureza desconhecida, embora existente e atuante. Não é uma condensação de caos elétrico ou de forças magnéticas, antes possui estrutura própria, maleável, em algumas circunstâncias tangível - como nas materializações de desencarnados, nas aparições dos vivos e dos mortos; atuante - nos transportes, nas levitações; ora ponderável, podendo aumentar ou diminuir o volume e o peso do corpo; ora imponderável, como ocorre nas desmaterializações e transfigurações.

Informe na sua natureza íntima, adquire a aparência que o Espírito lhe queira imprimir, podendo, desse modo, tornar-se visível em estado de sono ou de vigília, graças às potencialidades de que disponha o Ser que o manipula. Conhecido pelos estudiosos, desde a mais remota antiguidade, há sido identificado numa gama de rica nomenclatura, conforme as funções que lhe foram atribuidas, nos diversos períodos que duravam as investigações.

Desde as apreciáveis lições do Vedanta quando apareceu como MANU, mãyã e Kosha, era conhecido no Budismo esotérico por KAMA-RUPA, enquanto no Hermetismo egípcio surgiu na qualidade de KHA, para avançar, na Cabala hebraica, como manifestação de ROUACH. Chineses, gregos e latinos tinham conhecimento da sua realidade, identificando-o seguramente. Pitágoras, mais aperfeiçoado aos estudos metafísicos, nominava-o carne sutil da alma e Aristóteles, na sua exegese do complexo humano, considerava-o corpo sutil e etéreo.

Os neoplatônicos de Alexandria, dentre os quais Orígenes, o pai da doutrina dos Princípios, identificava-o como aura; Tertuliano, o gigante inspirado da Apologética, nele via o CORPO VITAL DA ALMA, enquanto Proclo o caracterizava como VEÍCULO DA ALMA, definindo cada expressão os atributos de que o consideravam investido. Na cultura moderna, Paracelso, no século XVI, detectou-o sob a designação de CORPO ASTRAL, refletindo as pesquisas realizadas no campo da Química e no estudo paralelo da Medicina com a Filosofia, em que se notabilizou, Leibniz, logo depois, substituindo os conceitos panteístas de Spinoza pela teoria dos "átomos espirituais ou mônadas", surpreendeu-o, dando-lhe a denominação de CORPO FLUÍDICO.

Outros perquiridores, penetrando a sonda da investigação no passado e no presente, localizam-no na tecedura da vida humana como elemento básico da organização do ser. Perfeitamente consentâneo aos últimos descobrimentos, nas experiências de detecção por efluvioscopia e efluviografia, denominado CORPO BIOPLÁSMICO, o Apóstolo Paulo já o chamava CORPO ESPIRITUAL, conforme escreveu aos coríntios (I Epístola, 15:44), corpo corruptível, logo depois, na mesma Epístola, verso 53, ou ALMA, na exortação aos companheiros da Tessalônica (I Epístola, 5:23), sobrevivente à morte.

FUNÇÕES: Organizado por energias próprias e eletromagnéticas e dirigido pela mente, que o aciona conforme o estágio evolutivo do Espírito, no corpo espiritual ou PERISPÍRITO estão as matrizes reais das funções que se manifestam na organização somática. Catalisador das energias divinas, que assimila, é encarregado de transmitir e plasmar no corpo as ordens emanadas da mente e que procedem do Espírito.

Arquivo das experiências multifárias das reencarnações, impõe, na aparelhagem física, desde a concepção, mediante metabolismo psíquico muito complexo e sutil, as limitações, coerções, punições, ou faculta amplitude de recursos físicos e mentais, conforme as ações do estágio anterior, na carne, em que o Espírito se acumpliciou com o erro ou se levantou pela dignificação. Interferindo decisivamente no comportamento hereditário, não apenas modela a forma de que se revestirá o Espírito, desde o embrião que se lhe amolda completamente, como reproduzindo as expressões fisionômicas e anatômicas, quando da desencarnação.

Graças às moléculas de que se forma, responde pelas alterações da aparelhagem fisiopsíquica, no campo das necessidades reparadoras que a Lei impõe aos Espíritos calcetas. É o responsável pela irradiação da energia dos trilhões de corpúnculos celulares - essas pequenas usinas que se aglutinam ao império das radiações que lhes impõem a gravitação harmônica, na aparelhagem que constitui os diversos órgãos cuja forma e anatomia lhe pertencem, cabendo às células apenas o seu revestimento -, exteriorizando a aura e podendo, em condições especiais, modelar a distância o DUPLO ETÉREO, tornando-o tangível.

Graças à sua complexidade, conserva intacta a individualidade, através da esteira das reencarnações, e se faz responsável pela transmissão ao Espírito das sensações que o corpo experimenta, como ao corpo informa das emoções procedentes das sedes do Espírito, em perfeito entrosamento de energias entre os centros vitais ou de força, que controlam a aparelhagem fisiológica e psicológica e as reações somáticas, que lhes exteriorizam os efeitos do intercâmbio.

Nele estão sediadas as gêneses patológicas de distúrbios dolorosos quais a esquizofrenia, a epilepsia, o câncer de variada etiologia, o pênfigo...que em momento próprio favorece a sintonia com microorganismos que se multiplicam desordenadamente e tomam de assalto o campo físico ou através de sintonias próprias, ensejando a aceleração das perturbações psíquicas de largo porte. Em todo processo teratológico os fatores causais lhe pertencem. E, num vasto campo de problemas emocionais como fisiológicos, as síndromes procedem das tecelagens muito delicadas da sua ação dinâmica, poderosa.

Desde épocas imemoriais, a filosofia hindu, estudando as suas manifestações no ser reencarnado, relacionou-o com os chakras ou centros vitais que se encontram em perfeito comando dos órgãos fundamentais da vida, espalhados na fisiologia somática, a saber: coronário, também identificado como a "flor de mil pétalas", que assimila as energias divinas e comanda todos os demais, instalado na parte central do cérebro, qual santuário da vida superior - sede da mente -, responsável pelos processos da razão, da morfologia, do metabolismo geral, da estabilidade emocional e funcional da alma no caminho evolutivo; cerebral ou frontal, que se encarrega do sistema endocrínico, do sistema nervoso e do córtex cerebral, respondendo pela transformação dos neuroblastos em neurônios e comandando desde os neurônios às células efetoras; laríngeo, que controla os fenômenos da respiração e da fonação; cardíaco, que responde pela aparelhagem circulatória e pelo sistema emocional, sediado entre o esterno e o coração; esplênico, que se reponsabiliza pelo labor da aparelhagem hemática, controlando o surgimento e morte das hemácias, volume e atividade, na manutenção da vida; gástrico, que conduz a digestão, assimilação e eliminação dos alimentos encarregados da manutenção do corpo; genésico, que dirige o santuário da reprodução e engendra recursos para o perfeito entrosamento dos seres na construção dos ideais de engrandecimento dos seres na construção de beleza em que se movimenta a Humanidade.

Incorporando experiências novas e eliminando expressões primitivas, é o fator essencial para o intercâmbio medianímico entre encarnados e desencarnados.

MORAL E PERISPÍRITO: Refletindo o pretérito do homem, na forma de tendências no presente, liberta-se das fixações negativas ou as avoluma, consoante a direção que ao Espírito aprouver aplicar, dos recursos natos. Toda experiência venal brutaliza-o, desequilibrando-lhe os centros vitais que, posteriormente, responderão com distonias e desordens variadas, em forma de enfermidades insolúveis.

As ações de enobrecimento e os pensamentos superiores, quando cultivados, oferecem-lhe potencialidades elevadas, que libertam das paixões, com consequente sublimação dos sentimentos que exortam o Espírito. Não foi por outra razão que o Mestre recomendou cuidado em relação aos escândalos, às agressões mentais, morais e físicas, considerando melhor o homem entrar na Vida sem o membro escandaloso, do que com ele, como a afirmar que melhor é ser vítima do que fator de qualquer desgraça.

Possui todo Espírito os inestimáveis recursos para a felicidade como para a desdita, competindo-lhe moralizar-se, disciplinar-se, elevar-se, a fim de ascender à pureza, após a libertação das mazelas de que se impregnou.

21 - O consolador - Emmanuel - pág. 35

Perg. 30 - Há órgãos no corpo espiritual?
- Dentro das leis substanciais que regem a vida terrestre, extensivas às esferas espirituais mais próximas do planeta, já o corpo físico, excetuadas certas alterações impostas pela prova ou tarefa a realizar, é uma exteriorização aproximada do corpo perispiritual, exteriorização essa que se subordina aos imperativos da matéria mais grosseira, no mecanismos das heranças celulares, as quais, por sua vez, se enquadram nas indispensáveis provações ou testemunhos de cada indivíduo.

22– O LIVRO DOS ESPÍRITOS – ALLAN KARDEC, Questões: 93/94/95

Perg. 93. - O Espírito propriamente dito vive a descoberto, ou, como pretendem alguns, envolvido por alguma substância?
– O Espírito é envolvido por uma substância que é vaporosa para ti, mas ainda bastante grosseira para nós; suficientemente vaporosa, entretanto, para que ele possa elevar-se na atmosfera e transportar-se para onde quiser. Como a semente de um fruto é envolvida pelo perisperma, o Espírito propriamente dito é revestido de um envoltório que, por comparação, se pode chamar PERISPÍRITO.

Perg. 94. - De onde tira o Espírito o seu envoltório semi-material?
-Do fluido universal de cada globo. É por isso que ele não é o mesmo em todos os mundos; passando de um mundo para outro, o Espírito muda de envoltório, como mudais de roupa.
94a.Dessa maneira, quando os Espíritos de mundos superiores vêm até nós, tomam um perispírito mais grosseiro.?
-É necessário que eles se revistam da vossa matéria, como já dissemos.

Perg. 95. - O envoltório semi-material do Espírito tem formas determinadas e pode ser perceptível?
-Sim, uma forma ao arbítrio do Espírito; e é assim que ele vos aparece algumas vezes, seja nos sonhos, seja no estado de vigília, podendo tomar uma forma visível e mesmo palpável.

Perg. 135. - Há no homem outra coisa, além da alma e do corpo?
-Há, o liame que une a alma e o corpo.
Perg. 135a. - Qual é a natureza desse liame?
-Semi-material, quer dizer, um meio termo entre a natureza do Espírito e a do corpo. E por isso é necessário para que eles possam comunicar-se. É por meio desse liame que o Espírito age sobre a matéria e vice-versa.


Perg. 155. - Como se opera a separação da alma e do corpo?
-Desligando-se os liames que a retinham, ela se desprende.
Perg. 155a. - A separação se verifica instantaneamente, numa transição brusca? Há uma linha divisória bem marcada entre a vida e a morte?
-Não; a alma se desprende gradualmente e não escapa como um pássaro cativo que fosse libertado. Os dois estados se tocam e se confundem, de maneira que o Espírito se desprende pouco a pouco dos seus liames; estes se soltam e não se rompem.
Durante a vida, o Espírito está ligado ao corpo pelo seu envoltório material ou perispírito; a morte é apenas a destruição do corpo, e não desse envoltório, que se separa do corpo quando cessa a vida orgânica. A observação prova que no instante da morte o desprendimento do Espírito não se completa subitamente; ele se opera gradualmente, com lentidão variável, segundo os indivíduos.

Para uns é bastante rápido e pode dizer-se que o momento da morte é também o da libertação, que se verifica logo após.
Noutros, porém, sobretudo naqueles cuja vida foi toda material e sensual, o desprendimento é muito mais demorado, e dura às vezes alguns dias, semanas e até mesmo meses, o que não implica a existência no corpo de nenhuma vitalidade, nem a possibilidade de retorna à vida, mas a simples persistência de uma afinidade entre o corpo e o Espírito, afinidade que está sempre na razão da preponderância que, durante a vida, o Espírito deu à matéria. (...)

23 - O LIVRO DOS MÉDIUNS - ALLAN KARDEC, questões 53 a 59, pág. 59

54. Numerosas observações e fatos irrecusáveis, de que trataremos mais tarde, demonstraram a existência no homem de três componentes: 1º - a alma ou Espírito, princípio inteligente em que se encontra o senso moral; 2º - o corpo, invólucro material e grosseiro de que é revestido temporariamente para o cumprimento de alguns desígnios providenciais; 3º - o perispírito, invólucro fluídico, semimaterial, que serve de liame entre a alma e o corpo.

A morte é a destruição, ou melhor, a desagregação do envoltório grosseiro que a alma abandona. O outro envoltório desprende-se e vai com a alma, que dessa maneira tem sempre um instrumento. Este último, embora fluídico, etéreo, vaporoso, invisível, apesar de não termos, até o presente, podido captá-lo e submetê-lo à análise.

Este segundo envoltório da alma ou perispírito existe portanto, na própria vida corpórea. É o intermediário de todas as sensações que o Espírito percebe e através do qual o Espírito transmite a sua vontade ao exterior, agindo sobre os órgãos do corpo. Para nos servirmos de uma comparação material, é o fio elétrico condutor que serve para a recepção e a transmissão do pensamento. É, enfim esse agente misterioso, inapreensível, chamado fluido nervoso, que desempenha tão importante papel na economia orgânica e que ainda não se considera suficientemente nos fenômenos fisiológicos e patológicos.

O perispírito não é uma dessas hipóteses a que se recorre nas ciências para a explicação de um fato. Sua existência não foi somente revelada pelos Espíritos, pois resulta também de observações, como teremos ocasião de demonstrar. Seja durante a sua união com o corpo ou após a separação, a alma jamais se separa do seu perispírito.

55.Já se disse que o Espírito é uma flama, uma centelha. Isto se aplica ao Espírito propriamente dito, como princípio intelectual e moral, ao qual não saberíamos dar uma forma determinada. Mas, em qualquer de seus graus, ele está sempre revestido de um invólucro ou perispírito, cuja natureza se eteriza à medida que ele se purifica e se eleva na hierarquia. Dessa maneira, a idéia de forma é para nós inseparável da idéia de Espírito, a ponto de não concebermos esta sem aquela. O perispírito, portanto, faz parte integrante do Espírito como o corpo faz parte integrante do homem. Mas o perispírito sozinho não é o Espírito, como o corpo sozinho não é o homem, pois o perispírito não pensa. Ele é para o Espírito o que o corpo é para o homem: o agente ou instrumento de sua atividade.

 28 - Roteiro - Emmanuel - pág. 31

6 O PERISPIRITO
COMO será o tecido sutil da espiritual roupagem que o homem envergará, sem o corpo de carne, além da morte? Tão arrojada é a tentativa de transmitir informes sobre a questão aos companheiros encarnados, quão difícil se faria esclarecer à lagarta com respeito ao que será ela depois de vencer a inércia da crisálida. Colado ao chão ou à folhagem, arrastando-se, pesadamente, o inseto não desconfia que transporta consigo os germes das próprias asas.

O perispírito é, ainda, corpo organizado que, representando o molde fundamental da existência para o homem, subsiste, além do sepulcro, demorando-se na região que lhe é própria, de conformidade com o seu peso específico. Formado por substâncias químicas que transcendem a série estequiogenética conhecida até agora pela ciência terrena, é aparelhagem de matéria rarefeita, alterando-se, de acordo com o padrão vibratório do campo interno.

Organismo delicado, com extremo poder plástico, modifica-se sob o comando do pensamento. É necessário, porém, acentuar que o poder apenas existe onde prevaleçam a agilidade e a habilitação que só a experiência consegue conferir. Nas mentes primitivas, ignorantes e ociosas, semelhante vestidura se caracteriza pela feição pastosa, verdadeira continuação do corpo físico, ainda animalizado ou enfermiço. O progresso mental é o grande doador de re­novação ao equipamento do espírito em qualquer plano de evolução. Note-se, contudo, que não nos reportamos aqui ao aperfeiçoamento interior.

O crescimento intelectual, com intensa capacidade de ação, pode pertencer a inteligências perversas. Daí a razão de encontrarmos, em grande número, compactas falanges de entidades libertas dos laços fisiológicos, operando nos círculos da perturbação e da crueldade, com admiráveis recursos de modificação nos aspectos em que se exprimem. Não possuem meios para a ascese imediata, mas dispõem de elementos para dominar no ambiente em que se equilibram.

Não adquiriram, ainda, a verticalidade do Amor que se eleva aos santuários divinos, na conquista da própria sublimação, mas já se iniciaram na horizontalidade da Ciência com que influenciam aqueles que, de algum modo, ainda lhes partilham a posição espiritual.
Os "anjos caídos" não passam de grandes génios intelectualizados com estreita capacidade de sentir. Apaixonados, guardam a faculdade de alterar a expressão que lhes é própria, fascinando e vampirizando nos reinos inferiores da natureza.

Entretanto, nada foge à transformação e tudo se ajusta, dentro do Universo, para o geral aproveitamento da vida. A ignorância dormente é acordada e aguilhoada pela ignorância desperta. A bondade incipiente é estimulada pela bondade maior. O perispírito, quanto à forma somática, obedece a leis de gravidade, no plano a que se afina. Nossos impulsos, emoções, paixões e virtudes nele se expressam fielmente. Por isso mesmo, durante séculos e séculos nos demoraremos nas esferas da luta carnal ou nas regiões que lhes são fronteiriças, purificando a nossa indumentária e embelezando-a, a fim de preparar, segundo o ensi­namento de Jesus, a nossa veste nupcial para o banquete do serviço divino.

29 - O espiritismo perante a ciência - Gabriel Delanne - pág. 217

QUARTA PARTE - CAPÍTULO l - QUE É O PERISPÍRITO?
Demonstramos, nos capítulos precedentes, que a alma é imortal, isto é, que quando o corpo que ela habita, durante sua passagem na Terra, se destrói, ela não é atingida por essa transformação, conserva sua individualidade e pode ainda manifestar sua presença por intervenções físicas. Levanta-se aqui uma dificuldade. Como fazer compreender a ação da alma sobre o corpo?

Segundo a filosofia e segundo os Espíritos, a alma é imaterial, por outras palavras, não tem ponto algum de contato com a matéria que conhecemos. Não se pode conceber que a alma tenha propriedades análogas às dos corpos da natureza, pois que o pensamento que dela é a imagem, a emanação, escapa a qualquer medida, a toda análise física ou química. Mas se é obrigado a tomar a palavra imaterial em seu sentido absoluto? Não, porque a verdadeira imaterialidade seria o nada; mas esta alma constitui um ser cuja existência é tal, que dela nada na Terra poderia dar uma idéia. A fim de precisar bem o nosso pensamento, desejamos instruir nossos leitores sobre o sentido desta palavra imaterial, para que ela não se preste à confusão.

Pretendemos que nenhum estado da matéria pode fazer-nos compreender o da alma, e, entretanto, a Ciência chegou a resultados surpreendentes quanto à divisão da matéria. Eis o que resulta das experiências de Crookes, na Academia de Ciências. Sabe-se que esse físico tem uma teoria especial, segundo a qual as moléculas dos corpos gasosos podem mover-se por suas próprias forças, quando se lhes diminui o número, fazendo o vácuo. Para chegar a esse resultado é preciso operar com precisão extrema e empregar manipulações numerosas e complicadas. Crookes chegou a fazer o vazio de tal forma, que a pressão do ar no aparelho foi reduzida a um milionésimo de atmosfera. Nessas condições, manifestam-se os caracteres do estado radiante.

Habitualmente, os fenômenos novos, em física ou química, são produzidos por adição de matéria; é curioso verificar que aqui, ao contrário, efeitos de extrema energia resultam de uma subtração de matéria; foi reduzindo-a quase a nada, rarifícando-a além do verossímel, que Crookes obteve os singulares fenômenos. Quanto mais ele retira a matéria, tanto mais surpreendente se torna a ação. É a física do nada, e fica-se tentado a perguntar se ele tem o direito de atribuir à matéria efeitos tão poderosos, quando fez tantos esforços por desembaraçar-se dela. Não deve subsistir equívoco a este respeito e não devemos julgar segundo a impressão de nossos sentidos aquilo que pode perfeitamente lhes escapar.

A Natureza vai muito além de nossas sensações; é preciso, pois, pormo-nos ao abrigo de nossos erros. Quando as mais aperfeiçoadas máquinas subtraíram de um espaço fechado tanto ar, tanto gás quanto foi possível, não se segue que muito ainda não possa lá ficar.
Crookes reduziu o conteúdo de seus tubos a um milionésimo do ar que conhecemos, e que é tão impalpável que o deslocamos a cada instante, sem ter consciência de que ele está em torno de nós. Pareceria que o milionésimo de coisa tão insignificante fosse para nós menos que nada. Esse julgamento é falso, como vamos ver.

O cálculo mostra que num balão de 13 centímetros de diâmetro, como o de que se serve Crookes, cheio de ar à pressão normal, existe, pelo menos, um septilhão de moléculas. 1.000.000.000.000.000.000.000.000.000 Rarefazer esse ar ao milionésimo, é dividir por um milhão o número precedente, e ainda fica um quintilhão de moléculas. Um quintilhão! E uma cifra enorme e bem longe do nada. Para dar idéia desse número gigantesco, diz Crookes:

"Tomo o balão no qual faço o vazio e o atravesso com a centelha da bobina de indução. A centelha produz um orifício microscópico, mas suficiente para que as moléculas gasosas penetrem no balão e destruam o vácuo. Suponhamos que a pequenez das moléculas seja tal que entrem no balão cem milhões por segundo. Nessas condições, quanto tempo crer-se-ia fosse preciso para que o recipiente se enchesse de ar? Uma hora, um dia, um ano, um século? Era preciso uma eternidade, um tempo tão grande que a imaginação não pode concebê-lo. Seriam necessários mais de 400 milhões de anos, um tempo tal, que, segundo as previsões dos astrônomos, o Sol teria esgotado sua energia calorífica e luminosa e já estaria há muito extinto.

O cálculo é, com efeito, fácil de fazer; Crookes não se engana. Segundo Johnston Stoney, existe em um centímetro cúbico de ar um sextilhão de moléculas; o balão de Crookes, com 13 centímetros de diâmetro, encerra, portanto, 1,288,252,350,000,000,000,000,000 de moléculas de ar à pressão normal. Quando se diminui a pressão até um milionésimo de atmosfera, o balão fica contendo ainda
1,288,252,350,000,000,000 de moléculas. Tudo volta ao primitivo estado, quando entra pelo orifício o que se havia retirado, isto é,
1,288,251,061,747,650,000,000,000 de moléculas.

Se, por hipótese, passam cem milhões por segundo, eis o tempo que duraria o desfile:12.882.510.617.476.500 segundos ou mais de 12 quatrilhões de segundos. 214.708.510.291.275 minutos ou mais de 214 trilhões de minutos. 3.578.475.171.521 horas ou mais de 3 trilhões de horas. 149.103.132.147 dias ou mais de 149 bilhões de dias. 408.501.731 anos, ou mais de 400 milhões de anos.
Mais de 400 milhões de anos!

A realidade é que o vácuo de um balão Crookes se enche em menos de hora e meia, o que prova que a exiguidade das partículas é tão grande, que devem passar por segundo, na mais fina abertura, não 100 milhões, mas 300 quintilhões. Que pequenez infinita devem ter essas partículas! Pois bem, por mais quintessenciada que seja a matéria, por minúscula e impalpável que a Ciência no-la mostre, ela é, ainda, grosseira em relação ao Espírito, que é uma essência, um ser ainda infinitamente mais sutíl. É neste sentido que entendemos a palavra imaterial, aplicada à alma; esta é de tal forma imponderável, que não pode ter nenhum ponto de contato com a matéria que conhecemos na Terra.

Entretanto, constatamos no homem a ligação destes dois elementos: o corpo e a alma. Eles estão unidos de maneira íntima e reagem um sobre o outro, como o demonstra o testemunho diário dos sentidos e da consciência. Depois do que dissemos da alma, parece haver nisso contradição; ela, porém, é mais aparente do que real, porque o homem não é formado só do corpo e da alma, mas ainda de um terceiro princípio intermediário entre um e outro chamado perispírito, isto é, invólucro do Espírito.

Vai compreender-se, em seguida, a necessidade desse mediador fazendo-se o paralelo entre a espiritualidade da alma e a materialidade do corpo. A alma é imaterial, porque os fenômenos que produz não se podem comparar a qualquer propriedade da matéria. O pensamento, a imaginação, a lembrança não têm forma, nem cor, nem duração, nem maleabilidade; essas produções do Espírito não estão adstritas a lei alguma que reja o mundo físico, elas são puramente espirituais, não se podem medir nem pesar. A alma escapa, por sua natureza, à destruição, pois que se manifesta, em toda sua plenitude, após a desagregação do corpo; é, pois, imaterial e imortal.

O corpo é esse invólucro do princípio pensante, que vemos nascer, crescer e morrer. Os elementos que o compõem são tirados da matéria que forma o nosso Globo. Depois de demorarem certo tempo, no organismo, cedem lugar a outros que os vêm substituir. Essas operações se renovam até a morte do indivíduo; os átomos, então, que compunham, em último lugar, o corpo humano, são retomados pela circulação da vida e entram em outras combinações, em virtude da grande lei de que nada se cria, nada se perde na Natureza.

Corpo e alma são, portanto, essencialmente distintos: um, notável por suas transformações incessantes; a outra, pela imutabilidade de sua essência. Apresentam qualidades radicalmente opostas, mas verificamos que vivem em perfeita harmonia e exercem influências recíprocas. O ódio, a cólera, a piedade, o amorrefletem-se no rosto e imprimem caráter particular à fisionomia. Nas emoções violentas é todo o organismo que se perturba: uma alegria súbita ou uma dor imprevista podem provocar abalos que conduzam à morte.

A imaginação age também sobre o físico, com grande violência; é o que demonstram as obras de medicina sobre o assunto, de sorte que, de um lado, estando bem determinados esses efeitos e, do outro, verificando-se a imaterialidade da alma, fica insolúvel para os filósofos o problema da ação mútua da alma sobre o corpo. Os maiores espíritos aplicaram-se a explicar a ação da alma sobre o corpo, mas nem Descartes, Malebranche, Spinosa ou Leibnitz ou Euler chegaram a uma explicação satisfatória desses fatos.

Segundo Descartes, a alma e o corpo, por sábio desígnio da Providência, seguem, em todo o curso da vida, duas linhas paralelas, e, entretanto, sua natureza os torna estranhos um ao outro. Deus modifica a alma, conforme os movimentos do corpo, e dá movimento ao corpo em consequência das vontades da alma. Cada substância é, pois, não a causa, mas parte conjuntural dos fenômenos que se manifestam na outra. Eis por que a teoria cartesiana foi chamada pelos historiadores — a hipótese das causas ocasionais.

Segundo Leibnitz, corpo e alma, vivendo separadamente, receberam tal organização, que as modificações de uma são reproduzidas no outro, mais ou menos como os ponteiros de dois relógios bem regulados, que marcam a mesma hora. Essa harmonia é mais antiga que o Mundo, tem seu fundamento na inteligência divina e daí a denominarem, conforme Leibnitz, preestabelecida. Euler, o matemático, tinha uma teoria muito mais vulgar, a do Influxo físico, que admite a ação direta e recíproca do corpo sobre a alma.

Todos esses sistemas levantam graves objeções e não resistem à crítica. Como conciliar as hipóteses de Descartes e de Leibnitz com o sentimento do nosso eu, de nossa atividade pessoal; com a experiência diária do império que o homem exerce sobre a Natureza e que esta possui sobre o homem? Quem nos persuadirá, quando estendemos o braço, que não somos a causa desse movimento?
Sabemos, por experiência, que o menor ato de nossa vontade, por fugaz que seja, se traduz por um gesto, e quando sentimos uma dor, sinal é que se produziu uma alteração orgânica, e não a intervenção de Deus para infligir à alma o sofrimento experimentado pelo corpo.

As doutrinas de Descartes e Leibnitz, absolutamente insuficientes para explicar os fatos, estão, além disso, em contradição com a experiência. A doutrina do influxo físico é menos afastada do senso comum, mas deixa a desejar, porque não oferece prova alguma e avilta a alma, tirando-lhe a imaterialidade. Como se vê, o problema é espinhoso, desde que homens desse valor não puderam resolvê-lo. (...)

30 - ESPÍRITO, PERISPÍRITO E ALMA - HERNANI GUIMARÃES ANDRADE - toda a obra

Capítulo V - MODELO EM CAMADAS
"Os verdadeiros artistas e os verdadeiros físicos sabem que o contra-senso é apenas aquilo que, visto do nosso presente ponto de vista, é ininteligível. O contra-senso é insensatez somente quando nós ainda não achamos aquele ponto de vista qual ele faz sentido". (Zukav, G. - The Dancing Wu Li Master, New York: Wiiliam Morrow, 1979, p. 140)

O MODELO EM CAMADAS RiGIDAS

O primeiro modelo do Espírito descrito anteriormente, representado simplificadamente pela figura composta por dois cones superpostos e ligados pelas suas bases, permite-nos explicar e prever diversos fatos biológicos e parapsicológicos. Além disso, ele é mais cômodo e inteligível. Entretanto mostra-se insuficiente para a interpretação dos fatos observados na regressão da memória, seja ela espontânea ou provocada por processos analíticos ou hipnóticos. o modelo que iremos propor aplica-se a todos os aspectos abrangidos pelo anterior — o dos dois cones superpostos — e serve bem para representar os casos de regressão de memória.

Na regressão da memória podem ocorrer dois tipos de recordação:
1. O paciente regride cronologicamente na idade, indo em direção à meninice, chegando às vezes a atingir a fase fetal. É a regressão mais comum, ao longo da qual o paciente vai manifestando comportamentos correspondentes as idades atingidas. Quando ele chega à idade do feto, pode apresentar várias categorias de comportamento. Alguns pacientes perdem a consciência. Outros sentem-se mergulhados em um escuro e confortável meio, como que num estado de tranquilo repouso. Há um ou outro indivíduo que consegue ultrapassar esta última fase, para sentir-se ressurgir com diferente personalidade correspondente a encarnação anterior.

Teoricamente, uma vez atingida semelhante situação, ele poderia continuar a regressão, caminhando novamente em direção à meninice da vida anterior até a fase fetal, e assim por diante.

Vamos, então, denominar de "regressão cronológica" a esse tipo de retorno temporal sucessivo em direção ao passado. E interessante assinalar que, durante a operação de regressão, o paciente também pode ser igualmente reconduzido a idades sucessivas, mas no sentido inverso, até o instante de despertar em seu estado de vigília normal. Seria uma "progressão cronológica". Voltaremos a tratar com mais detalhes deste processo, depois que expusermos esta primeira parte do nosso estudo.

2. O paciente pode recordar-se, ou espontaneamente ou sob sugestão hipnótica, ou por outros meios, e até mesmo reviver um ou mais episódios correspondentes a suas vidas anteriores. Este fenômeno é encontrado em crianças que se recordam nítida e conscientemente de uma ou mais" vidas passadas. Em algumas delas as lembranças são tão nítidas que elas chegam a mudar de comportamento e fundir suas duas existências, como se não tivesse havido um intervalo entre uma e outra encarnação. Em nossos arquivos, no Instituto Brasileiro de Pesquisas Psicobiofísicas—IBPT temos registrado alguns casos deste tipo físico.

Ligando a face cortada superior (correspondente ao corpo astral), com a face cortada inferior (corpo vital), e atravessando a fina camada de suco, há os campos responsáveis pela coesão molecular. Estes representariam, em seu conjunto, a alma (vera-efígie biomagnética do soma) .

A região compreendida entre a face superior e a face inferior superpostas (astral e vital) seria equivalente ao perispírito. Teríamos assim, conforme ensinou-nos Allan Kardec: a alma (ou Espírito encarnado), o perispírito e o corpo.

Em todos eles podemos assinalar os contornos das camadas reencarnatórias pregressas. E, em cada camada, encontraremos toda a sua história pretérita, inclusive as origens arcaicas da zona embriofetal, onde se resume ontologicamente a evolução filogenética (evolução da espécie, ou então, do filum).

A cúpula, repositório-síntese das experiências intelectuais, morais e psíquicas de todas as reencarnações do Espírito, esta figurada pela fração superior da cebola cortada.

O corpo astral (face superior) tem a sucedê-lo, na direção positiva do eixo OT' as camadas formando a "cúpula". Esta é representada pela calota superior do bolbo seccionado. Semelhante zona corresponde à parte divina do Espírito. É a sede da superconsciência, a qual, segundo Franz Volgyesi (El Alma es lo Todo),"ultrapassa a experiência da raça e da espécie; abarca o tempo (presente, passado e futuro) e o espaço, numa unidade que vai além das possibilidades humanas comuns".

Esta região do Espírito é também acessível à consciência durante seus estados alterados. Ela se manifesta sob variadas formas: inspiração, intuição, censura, lampejos de genialidade, experiências místicas, "samadi", "satori", etc. É a fonte de onde dimanam as idéias profundas, as criações artísticas, as descobertas cïentíficas teóricas e todas as demais manifestações superiores da mente humana.

Na cúpula devem encontrar-se os fundamentos das premonições e profecias, pois, relativamente à "cota de tempo" ocupada pelo corpo físico, ela se projeta em direção ao futuro. Devido a este fato, achamo-nos parcialmente "mergulhados" no futuro, percebendo-o inconsciente e extra-sensorialmente até onde a cúpula permite alcançar. Quando alguma dessas informações se extravasa para a nossa percepção sensorial durante os estados alterados de consciência, diz-se que tivemos uma precognição.

É possível o acesso aos conteúdos cognitivos da cúpula. Um dos métodos seria provocar-se uma "progressão cronológica", por meio de processos hipnóticos, do mesmo modo como se produz a "regressão". O outro método seria a prática usual da meditação. Quando um artista, um técnico ou um cientista exerce grande esforço intelectual para criar uma obra, alcançar uma idéia, ou resolver um problema, normalmente está executando uma operação de contacto e intercâmbio com a cúpula. O mesmo se dá com o místico que, através da cúpula, se põe em comunhão com os planos superiores da Espiritualidade.

Parece que uma das finalidades das experiências reencarnatorias é desenvolver a cúpula espiritual a um ponto tal que se torne desnecessário o retorno do Espírito à vida física corpórea. Daí em diante, a evolução se faria partir da cúpula.

O MODELO EM CAMADAS FLEXÍVEIS E ELÁSTICAS

As inúmeras descrições fornecidas por pessoas que experimentaram a projeção astral, bem como por "ressuscitados" que estiveram, por qualquer razão, clinicamente mortos e conseguiram ser reavivados, sugerem aperfeiçoamentos no modelo em camadas representativo do Espírito. Do mesmo modo, as informações contidas nas obras de André Luiz, psicografadas por F.C. Xavier, dão-nos elementos complementares muito üteis para a criação de modelos cada vez mais adequados à descrição do Espírito.

Queremos esclarecer que nos referimos ao modelo do Espírito, resultante dos postulados desta hipótese de trabalho. Os aperfeiçoamentos do referido modelo apenas dizem respeito a alguns detalhes e visam a dar maior intuitivida-de â representação já formulada. Desse modo, devemos partir do próprio "modelo em camadas rígidas" sugerido anteriormente. :

No aludido modelo, vamos considerar, separadamente, cada uma das camadas. Postulamos que cada uma delas deve corresponder a uma determinada encarnação do Espírito. Cada camada forma-se no decorrer da encarnação do indivíduo, a partir do encaixe do ápice inferior do MOB (Modelo Organizador Biológico) no ovo. A formação do embrião irá decorrer de dois fatores básicos: as informações genéticas do ovo e as condições de contorno impostas pelos campos biomagnéticos das camadas do MOB, particularmente da ultima camada imediatamente anterior.

O desenvolvimento do embrião, e conseqüentemente o do indivíduo, resulta da interação dos dois fatores apontados. Dá-se uma conjugação em que cada fator controla o outro. Enquanto as informações bioquímicas dos genes nos cromossomos determinam as características substanciais do indivíduo, o MOB fornece uma estrutura de campos de forças, estereomórfica e biomagnética, que orienta o crescimento dos tecidos, dentro dos padrões morfológicos peculiares à espécie à qual o indivíduo pertence. Poderíamos postular que o indivíduo tem dois contribuintes determinantes da sua composição e forma definitivas: um deles é o fator informacional genético, e o outro é o fator Psi.

É possível que a influência deste ultimo sobre o fator genético resulte em certas alterações com implicações muito ligeiras e quase imperceptíveis na sua constituição química. Entretanto estas pequeníssimas influências, quando somadas através de longos períodos nas sucessivas encarnações dos indivíduos, poderiam, a longo prazo, ter contribuído para a ocorrência de significantes alterações genéticas; nas espécies a que eles pertencem. Daí provavelmente surgiram as modificações evolutivas observadas nas espécies vivas.

Em 1981 foi lançado um livro, A New-Science of Life, de autoria do Dr. Rupert Sheldrake, "Rosenheim Research Fellow" da "Royal Society", atualmente consultor sobre fisiologia vegetal no "International Crops Research Institute for the Semi-Arid Tropics" em Hyderabad, na Índia. A obra de Sheldrake tem como subtítulo: "The Hypothesis of Formative Causation".

A "hipótese da causação formativa" postula que o Universo funciona não tanto por leis" imutáveis, como por "hábitos". Isto é, a repetição dos eventos, com o correr do tempo, acaba criando modelos em forma de "campos organizadores invisíveis". Embora tais campos não possuam energia, são, não obstante, "causativos", agindo como esquemas orientadores para futuras formas e futuros comportamentos.

Devido a um processo de "ressonância mórfica", tais modelos poderão agir como modificadores da morfogênese de subsequentes sistemas similares. Assim, com o tempo, as espécies poderão sofrer lento processo de mudanças evolutivas, conforme se observa na prática. Sheldrake enfatiza que a "ressonância mórfica", embora não implique em troca energética, ocorre entre sistemas vibratórios como átomos, moléculas, cristais, organelas, células, tecidos, órgãos e organismos . "

Entretanto , ao passo que a ressonância depende só da especificidade da resposta a frequências particulares, a estímulos unidimensionais', a ressonância mórfica depende de modelos de vibração tridimensionais". (SHELDRAKE , R. — A New Science of Life, London: Blond & Briggs, 1981, pp. 95-96).

Seria impossível resumir todo o livro do Dr. Sheldrake, nestas limitadas linhas. Mas é interessante ressaltar que as idéias do ilustre cientista britânico tiveram ampla repercussão, tendo sido divulgadas elogiosamente pelos periódicos: New Scientist, 18 de junho de 1981, pp . 766-768 e o Brain Mina Bulletin que lhe dedicou um número especial intitulado "A New Science of Life", 1981.

Há anos nós sugerimos idéias similares as do Dr.R. Sheldrake, em nosso trabalho: A Teoria Corpuscular do Espírito (1958) . É com satisfação que vemos um cientista de alto nível , como o Dr. R. Sheldrake, emitir uma hipótese que se aproxima tanto da nossa. Temos absoluta certeza de que ele jamais tomou conhecimento de nosso trabalho, sendo suas idéias totalmente originais também.

Relembrando estas primeiras características e propriedades emprestadas ao modelo do Espírito (quando considerado como individualidade), vamos focalizar alguns detalhes da experiência, no sentido de aperfeiçoá-lo.

Um dos pontos de interesse consiste na aparência da personalidade desencarnada. Os relatos obtidos de pessoas ressuscitadas são variados e não permitem estabelecer uma regra geral para a referida questão. Uns afirmam ter sentido que ainda possuíam um corpo sutil. Outros, em menor número, apenas assinalaram que se sentiam semelhantes a um foco de consciência situado em uma espécie de substância energética globular ou amorfa.

Todos foram unânimes em afirmar que eram capazes de perceber os objetos de suas adjacências. As descrições que incluem a existência de um corpo sutil encaixam-se no modelo do espírito proposto anteriormente. Mas aquelas que mencionam a ausência de forma corporal humana podem ser explicadas e ter também representação adequada no "modelo em camadas flexíveis e elásticas". (...)

LEMBRETE:

OBRAS PÓSTUMAS - ALLAN KARDEC - PÁG. 51

§ l - O perispírito, princípio das manifestações
9. Os Espíritos, como já o dissemos, têm corpo fluídico, a que se dá o nome de perispírito. A sua substância é tomada do fluido universal, ou fluido cósmico, que o constitui e o alimenta, como o ar forma e alimenta o corpo material do homem.
O perispírito é mais ou menos etéreo, segundo os mundos e o grau de adiantamento dos Espíritos. Nos mundos e nos Espíritos inferiores, a sua natureza é mais grosseira e se aproxima mais da matéria bruta.

10. Durante a encarnação, o Espírito conserva o seu perispírito; o corpo não lhe é senão o segundo invólucro, mais grosseiro, mais resistente, apropriado às funções que lhe incumbem, e do qual o despoja a morte.
O perispírito é o intermediário do Espírito e do corpo; é o órgão transmissor de todas as sensações. Quando elas vem do exterior, o corpo recebe a impressão, o perispírito transmite-a, e o Espírito, sensível e inteligente, recebe-a; quando o ato é da iniciativa do Espírito, pode-se dizer que este o quer, o perispírito o transmite e o corpo o executa.

11. O perispírito não é encerrado no corpo como em uma caixa. É expansível por sua natureza fluídica, irradia-se e forma em torno do corpo uma espécie de atmosfera, que o pensamento e a força de vontade podem ampliar mais ou menos. Segue-se daí que pessoas separadas por distâncias podem comunicar-se pelo perispírito e transmitir inconscientemente impressões e intuições.

12. O perispírito, como um dos elementos constitutivos do homem, desempenha importante papel em todos os fenômenos psicológicos e, até certo ponto, nos fisiológicos e patológicos. Quando as ciências médicas levarem em conta a influência do elemento espiritual na economia, grande passo terão dado e novos horizontes se lhes abrirão. Muitas causas de moléstias serão então descobertas, bem como poderosos meios de combatê-las.

13. É por meio do perispírito que os Espíritos agem sobre a matéria inerte e produzem os diferentes fenômenos das manifestações. Não lhes é obstáculo a sua natureza etérea, porque se sabe que os mais poderosos motores são os fluidos mais rarefeitos e os imponderáveis. Não há pois que admirar ao vermos Espíritos, com o auxílio dessa alavanca, produzirem certos efeitos físicos, como sejam pancadas e ruídos de toda espécie, elevação de objetos pesados, transporte ou projeção deles no espaço. Para explicar esses fenômenos, não é preciso recorrer ao maravilhoso nem aos efeitos supernaturais.

14. Os Espíritos, agindo sobre a matéria, podem manifestar-se de muitos modos diferentes: por efeitos físicos, como a deslocação de objetos e rumores; por transmissão de pensamento, pela vista, ouvido, tato, escrita, desenho, música, etc.; em uma palavra, por todos os meios pêlos quais podem entrar em relações com os homens.

15. As manifestações dos Espíritos podem ser espontâneas ou provocadas.
As primeiras dão-se inopinadamente, de súbito, e produzem-se muitas vezes em pessoas alheias às idéias espíritas. Em certos casos e, sob o império de determinadas circunstâncias, às manifestações podem ser provocadas pela vontade, sob a influência de pessoas, para aquele fim dotadas de faculdades especiais.

As manifestações espontâneas dão-se em todas as épocas e em todos os países; o meio de provocá-las foi conhecido na antiguidade, mas era privilégio de algumas castas, que não o revelavam senão a raros iniciados, debaixo de condições rigorosas, ocultando-o ao vulgo, a fim de dominá-lo pelo prestígio de um poder oculto. Ele, porém, perpetuou-se através das idades, até aos nossos dias, em alguns indivíduos, embora desvirtuado pela superstição ou de mistura com práticas ridículas de magia, que contribuem para desacreditá-lo. Eram gérmens lançados cá e acolá.
A providência tinha reservado à nossa época o conhecimento completo e a vulgarização desses fenômenos a fim de separar-lhes a liga impura e fazê-los concorrer para o aperfeiço­amento da humanidade, apta para compreendê-los e para tirar-lhes as consequências.

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