A CARNE É FRACA
BIBLIOGRAFIA
01- ALLAN KARDEC, VOL. 2 PAG. 156 02 - BÍBLIA, MAR. 14 V 38; MAT. 26 V 41
03 - CAMINHOS DA DIVULGAÇÃO ESPÍRITA, PAG.95 04 - CORNÉLIUS, PAG. 84
05 - DO PAIS DA LUZ, VOL IV, PAG. 98 06 - MESMER E A CIÊNCIA NEGADA, 193,207
07 - O CÉU E O INFERNO, CAP. VII 08 - O EVANG.S. O ESPIRITISMO, CAP. 28, 33
09 - REVISTA ESPÍRITA 1869, PAG. 63 10 -

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A CARNE É FRACA – COMPILAÇÃO

01 - OPINIÃO DOS EVANGÉLICOS

E, voltando o Senhor para os seus discípulos, achou-os adormecidos; e os advertiu dizendo: Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca. (Mateus 26.41).

Há algum tempo presenciamos um famoso pregador televisivo, interpretando este versículo como se o Senhor Jesus tivesse deixado uma lacuna na Palavra, abrindo um precedente para o homem se justificar dos seus pecados, algo que é totalmente contrário à doutrina da salvação e santificação, explícita na bíblia.

Até que ponto os que ensinam sobre este texto, compreendem verdadeiramente o que Cristo disse ao afirmar que o espírito está pronto, mas a carne é fraca?

Sabemos que estudar um versículo bíblico sem considerar o seu contexto, significa, na maioria das vezes, não compreender toda a verdade nele contida, e se adotarmos essa prática em relação às escrituras sagradas, obteremos quase sempre, um resultado confuso, cometeremos falhas, e induziremos muitas pessoas ao erro.

É comum ouvirmos testemunhos de irmãos alegando terem caído no pecado devido à fraqueza da carne, inclusive citam como exemplo o apóstolo Paulo, que afirmou: Não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço (Romanos 7.19).

Temos observado que, aqueles que não receberam a revelação da Palavra através do Espírito Santo de Deus, mas tentam compreendê-la pelo seu próprio raciocínio, geralmente procuram juntar um versículo daqui e outro dali, como se fosse um quebra-cabeça, até conseguir uma base bíblica que dê respaldo a uma doutrina puramente humana.

Alguém já parou para observar em que condições, Jesus declarou que a carne é fraca? Observe o contexto: Chegando o Senhor a um lugar chamado Getsêmani, disse a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto vou além orar, levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se muito. E lhes disse: A minha alma está cheia de tristeza até à morte; ficai aqui e vigiai comigo.

E, voltando para os seus discípulos, achou-os adormecidos; e os advertiu dizendo: Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca (Mateus 26.36-41).

Naquela ocasião a advertência aos seus discípulos, era unicamente para que permanecessem em constante vigília e oração, a fim de fortalecer o espírito, pois a hora em que o Senhor seria entregue às autoridades estava se aproximando, e a perspectiva, era de grande angústia e dor. Precisavam estar fortes e unirem-se ao Mestre durante as horas mais difíceis de sua vida (na carne), por isso Ele disse: ficai aqui e vigiai comigo.

Seus discípulos estavam cansados, exaustos e, debilitados fisicamente, e Jesus os encorajou, dizendo que o espírito está sempre pronto, mas a carne é fraca, dado à sua vulnerabilidade, pouca resistência e durabilidade; a carne é tendenciosa ao conforto e voltada para as coisas materiais.

O Mestre não estava apresentando aos discípulos uma justificativa para cumplicidade à prática do pecado. Ao contrário, lhes admoestou para se santificarem ainda mais; desta forma, a carne não prevaleceria sobre o espírito, e seriam fortalecidos espiritualmente para suportar toda dor e angustia que estavam prestes a vivenciar, em razão da submissão à vontade de Deus, que era oferecer em sacrifício vivo o seu único Filho para salvar o homem que estava morto na maldição dos pecados.

Mencionando o Senhor que a carne é fraca, referia-se também a si mesmo, pois sabia que era chegada sua hora, e Ele próprio sentiu a fraqueza da carne na sua natureza humana, porque era homem de dores, servo sofredor.

E, ainda que possuía uma natureza humana, o fato de estar constantemente vigilante e em comunhão com o Pai, ao qual orava sem cessar, tornava o seu Espírito forte, a ponto de vencer o pecado, deixando de lado a sua própria vontade para submeter-se incondicionalmente à vontade daquele a quem amava acima de todas as coisas.

A bíblia diz que, humanamente, Jesus era como nós: Por isso convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel Sumo Sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo (Hebreus 2.17).

Sua carne era fraca, mas o Espírito forte, por isso Ele não conheceu pecado, por tanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles (Hebreus 7. 25).

Logo, se alguém é vencido pelo pecado, não é porque a carne é fraca, mas porque o espírito do homem está fraco; este ainda não recebeu os dons do Espírito Santo do Senhor para conversão, salvação e certeza de vida eterna. Porque se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados (Hebreus 10.38).

Quando deixamos de ser homens e mulheres naturais e passamos a ser, homens e mulheres espirituais a luz das escrituras nos dizem que já não temos prazer nenhum no pecado.

Se alguém quer tomar Paulo como exemplo, deve então atentar para tudo o que ele disse, e não apenas para uma única frase. Eis aqui algumas palavras de Paulo:

- Sois vós tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, acabeis agora pela carne? (Gálatas 3.3).

- Digo, porém, andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne (Gálatas 5.16).

- Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus. Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele, porque, se viverdes segundo a carne, morrereis, mas se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis. (Romanos 8.9).

- Porque os que são segundo a carne, inclina-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito, para as coisas do Espírito. (Romanos 8.5-13).

Isso de maneira nenhuma define que uma vez que conhecemos a graça de Jesus Cristo nunca mais cometeremos pecado algum. Mas tudo o que foi escrito, para o nosso ensino foi escrito, e a verdade é que, à medida em que nos santificamos através do conhecimento de Deus e da sua Palavra, a probabilidade de pecarmos contra o Senhor é bem menor, pois o pecado entristece o Espírito de Deus profundamente (Efésios 4.30).

E por isso que Paulo insistia em dizer: Os que são de Cristo Jesus, crucificaram a carne com as paixões e concupiscências (Gálatas 5.24).

Mas alguém pode ainda questionar: E se alguém pecar? Se alguém pecar, deve seguir a orientação que está no livro de I João 2:1: Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo.

Louvai ao Senhor!

02 - OPINIÃO DE EVANGÉLICOS: Espírito forte x Carne fraca

TEXTO: Mateus 26:40-41 “E, voltando para os discípulos, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Então, nem uma hora pudestes vós vigiar comigo? Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.”

Meu filhinho na Fé, meu amado irmão, minha família, selo do meu apostolado, noiva de Cristo!

Começamos a entender que Deus, através destes estudos sobre a oração, está despertando a Sua Igreja, que tem vivido adormecida, para que ela dê ouvidos ao que o Espírito diz e comece a dar prioridade máxima à vida de oração.

Quando tu entendes que a oração deve ter prioridade máxima, todos os aspectos da tua vida começam a se harmonizar. Quando a pessoa começa a orar, percebe, por exemplo, que as suas emoções se tornam mais sadias, que a sua saúde se torna muito mais forte. Há uma estatística que diz que as pessoas que têm fé e oram, têm 75% menos chances de adoecer e, se eventualmente adoecem, têm 85% mais de chances de saírem da doença.

Agora, nota uma coisa: quando não se dá prioridade máxima à oração, as emoções, a saúde, os alvos e os relacionamentos, tudo fica fora de esquadro.

O nosso relacionamento horizontal, as relações que temos com a esposa, com o marido, com os empregados, com os funcionários, com os amigos, com os familiares, sempre é conseqüência do nosso relacionamento vertical com Deus. Quando tens um relacionamento com Deus, tudo o que acontece a nível horizontal entra no esquadro, ou seja, há equilíbrio.

Ora, se a vida de oração está acertada, tudo mais se ajusta. Tu passas a ter um viver alicerçado sobre a Rocha. Agora, as pessoas que não têm como prática a oração, estão estabelecendo as suas vidas sobre a areia movediça. Um dia estão bem, no outro dia estão mal. Um dia estão ajustadas, no outro dia não estão.

Olha que lindo Jesus disse em Mateus 11:28-29: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma.” Como tu te alivias dos fardos da vida? Orando.

Quando tu começas a vivenciar a prática da oração, aprendes com Jesus coisas que, fora da comunhão com Deus não se aprendem: a tua alma encontra descanso e vês as virtudes de Deus manifestadas na tua vida, que não se manifestariam se tu tivesses uma vida sobrecarregada.

Eu queria te dizer: não permitas que algumas situações bloqueiem a tua vida de oração. Dá-lhe prioridade máxima. Porque, se tu não deres prioridade máxima à oração, nunca desfrutarás da verdade e da realidade da vida espiritual.

Isaías 62:6-7 diz assim: “Sobre os teus muros, ó Jerusalém, pus guardas, que todo o dia e toda a noite jamais se calarão; vós, os que fareis lembrado o SENHOR, não descanseis, nem deis a ele descanso até que restabeleça Jerusalém e a ponha por objeto de louvor na terra.?

A oração promove o restabelecimento de valores que, às vezes, podem estar perdidos, enterrados no passado, como sonhos, desejos, metas, ambições, que as pessoas se esquecem.

Meu amado, há dificuldade de encontrar o padrão de oração evangélica, que não tem nada a ver com a reza, porque a reza é decorada. O pai nosso, a ave Maria, o credo, são rezas que já estão estabelecidas. Existem muitas religiões que oferecem a sua reza por escrito. A pessoa guarda aquela reza e a repete. Jesus disse que nós não deveríamos usar vãs repetições.

Então, existe um modelo de oração estabelecido pelo Senhor que somos chamados a orar. A oração não é um modelo escrito. Eu vou te oferecer um roteiro, vou te oferecer um módulo, para saberes guardar na tua mente como se deve orar.

O que é a oração? É um diálogo entre ti e o Pai, sabendo quem é o Pai, sabendo que és filho, intercedendo por situações, chamando à existência coisas que não existem. A oração da Graça de Deus é um momento prazeroso; não é uma hora confusa e difícil da vida.

Como Jesus ensinou a orar? Ele disse em Mateus 6: ?vós orareis assim:?.

Não precisamos repetir o que Ele disse na oração do Pai nosso, mas, devemos usar sua estrutura para orar.

Quando tu oras e dizes: ?Pai nosso?, não estás usando uma frase repetitiva, pois sabes quem é o Pai, conheces as características e o caráter de Deus. Para isso, o Salmo 23 deve estar guardado na tua mente. O Senhor é meu Pastor, o Senhor é Jeová Rohí, nada me faltará. Ele me leva aos pastos de descanso, às águas tranqüila e de descanso. Ainda que eu ande no vale da sombra da morte, eu não temerei mau algum. Tu estais comigo. A tua vara e o teu cajado me consolam, me protegem, afastam o lobo da minha vida. Prepara-me uma mesa na presença do meu adversário, unges a minha cabeça com óleo, meu cálice transborda. Bondade e misericórdia certamente me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na Casa do SENHOR para todo o sempre.

Diz o Salmo 1:1-5: ?Bem aventurado aqueles que não andam no caminho dos ímpios. Não se detém no caminho dos pecados, não se assente na roda dos escarnecedores, porque é filho de Deus. Antes a sua alegria está na lei do Senhor e nele medita de dia e de noite. Ele é como árvore plantada junto a corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha; e tudo quanto ele faz será bem sucedido. Os ímpios não são assim; são, porém, como a palha que o vento dispersa. Por isso, os perversos não prevalecerão no juízo, nem os pecadores, na congregação dos justos.?

Tu vais alicerçando os teus pensamentos, porque sabes que o Pai possui um caráter inviolável, imutável. A Sua promessa é imarcescível, não muda de cor, é incorruptível, não se corrói. Tu começas a ter uma vida de intimidade com Deus. Quando tu dizes: ?Pai nosso que estais nos céus, santificado…?; começas a ter um ?leque? amplo de palavras, de material para orar, para glorificar ao Senhor, para exaltá-Lo.

Jesus continua dizendo no versículo 10 de Mateus 6: “venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu;”.

Estamos seguindo um modelo, um roteiro de oração. Já aprendemos sobre o Pai e aprendemos sobre sermos filhos de Deus. Aprendemos também sobre a justificação, sobre o Sangue de Cristo e o transporte da morte para a vida, tudo isso deve ser colocado na tua oração diante de Deus.

Hoje, vamos estudar um pouco sobre o Reino e a Vontade do Senhor.

Vamos entender, primeiro, o que é o Reino. O Reino de Deus é a Sua própria expressão, é a Sua manifestação na nossa vida. Um dia perguntaram a Jesus: ?Onde está o Reino? Está aqui ou está acolá?? Ele respondeu: ?O Reino de Deus está dentro de vocês.? Ou seja, é a própria manifestação de Deus dentro de nós. Paulo definiu isso com clarividência, em Romanos 14:17 “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo.”

A vida do Reino é composta de alegria, paz e justiça. Podem alguns desses atributos falharem? Não! Deus não mente. Por isso é que precisamos nos envolver, primeiro, com o Reino.

Deus disse em Mateus 6:33: “buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.”

O que é buscar o Reino? É buscar a vida de oração, é intensificar a relação com os valores da oração, da intercessão, da vida com Deus.

Para que a justiça, a paz e a alegria se manifestem na tua vida, para que tu não andes depressivo, angustiado, medroso, intimidado, fraquejado e falido, deves buscar o Reino de Deus. Como se busca o Reino? Busca-se através da oração, do envolvimento com a vida de oração. Se tu entenderes isso, todas as coisas serão acrescentadas. O que são todas as coisas? A saúde, a harmonia, a prosperidade, o bem-estar, os sonhos da vida se realizando, as portas de Deus sendo abertas; tudo isso acontece quando priorizas o Reino.

Hoje em dia existe um negócio chamado: a tirania da urgência. Há problemas que vão ocupando o lugar das coisas mais importantes da vida. Há, sem dúvida, coisas que devem receber prioridade, mas, as pressões, os problemas, as ansiedades vão ocupando o lugar daquilo que deveria ter prioridade máxima, que é a vida de oração.

Satanás tem tentado intimidar o povo de Deus com essas pressões, com essas tensões, para que ele seja impedido de realizar os propósitos do Senhor. Na realidade, o cristão que não ora, que não começa com quantidade de tempo, para depois ter qualidade, é sucumbido pelas pressões da vida.

Muitas pessoas têm a vida fora de ordem. A maioria diz: ?Primeiro está o meu trabalho, depois vem a minha família, depois vem a igreja e, por fim, vem a oração.? Não, não, amado. Como Jesus disse? ?Buscai em primeiro lugar o Reino?, então, não vamos fazer o contrário. Vamos nos envolver com Deus e depois com as outras coisas. Porque, se tu envolves a tua vida com Deus com prioridade máxima, todas as coisas são ajustadas, a confusão e a desordem dão lugar a uma paz divina, a uma harmonia tremenda! Se tu colocas Jesus em primeiro lugar, as coisas começam a se acertar.

Quando se dá prioridade à vida de oração, a Vontade do Senhor é feita. E a vontade de Deus tem três características: é boa, perfeita e agradável. Mas, como é que podemos experimentar o que é bom, perfeito e agradável, se só fazemos orações secretas, debaixo dos cobertores, dormindo? Nada cai dos céus aos trambulhões; tu deves lutar pela tua vida. Coloca a tua vida em ordem dando prioridade máxima à oração!

Quando tu cuidas da tua própria vida espiritual, estás buscando o Reino de Deus em primeiro lugar. A tua suficiência não vem do Pastor da igreja, não vem daquela titia que era crente e que orava muito por ti; não creias nisso. A tua suficiência vem de Deus! Se tu não buscares o envolvimento com Deus como prioridade máxima, terás problemas

Vamos tratar, agora, sobre a Vontade de Deus para as nossas vidas.

Tiago 5:16 diz algo que nós já dissemos várias vezes na igreja. Diz assim: “Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados. Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo.”

Vamos ver uma coisa interessante: se não formos justos, ou seja, justificados espiritualmente já estamos, mas, se a nossa vida não for em linha com a Palavra de Deus, se não vivermos de forma justa, não teremos eficácia nenhuma na oração.

Por que a maioria das pessoas ora e não vê resultados? Porque não vive como justo. A Bíblia Sagrada deixa claro que, “Se alguém supõe ser religioso, deixando de refrear a língua, antes, enganando o próprio coração, a sua religião é vã.” (Tiago 1:26).

Se não guardamos a língua, se não somos perdoadores, se não somos éticos, se não somos probos, não adianta orar. A oração só é eficaz quando é feita por um justo, porque, senão, ela se torna abominável.

É exatamente na hora da oração que as coisas se ajustam. Se não oramos, se não temos tempo para Deus, porque estamos no corre, corre; estamos criando desordem na nossa vida, em vez de organizá-la.

Quando tu oras, as arestas começam a ser limadas.

Judas 20 diz como se cuida da própria vida em oração. “Vós, porém, amados, edificando-vos na vossa fé santíssima, orando no Espírito Santo,”. A oração verdadeira é aquela que é ?provocada? pelo Espírito Santo.

Se não oramos, não nos edificamos. Alguém que deseja edificar alguma coisa deve ser zeloso, aplicado, perseverante, manter um desenvolvimento contínuo, ter quantidade e qualidade, senão, não se edifica.

Tu deves treinar e disciplinar a tua mente. A nossa mente é muito ?voadora?. Ajoelhamo-nos para orar e imediatamente começamos a pensar na ?morte da bezerra?, na sogra, no sogro, na viagem, no trabalho, e a oração já foi. Então, como se disciplina a mente? Meditando nas Escrituras Sagradas, abrindo a Bíblia e dizendo: ?Senhor, dá-me uma Palavra…? Disciplinamos a nossa mente com a Palavra de Deus!

Continuando com Judas 20, diz a Palavra do Senhor: ?…orando no Espírito Santo.?

Eu creio que a oração é um dom do Espírito Santo, pois o Espírito Santo ensina como orar e sobre o que se deve orar.

Há pessoas que não conseguem orar dois minutos, e há outras que conseguem orar por um longo tempo. Quem faz isso acontecer? É o dom de Deus. E eu vou te dizer: a Bíblia diz que devemos procurar com Fé os melhores dons.

Repetindo: a oração verdadeira é aquela que envolve o Espírito Santo. Deus não se envolve com orações abomináveis, com orações carnais. O crente deve ser disciplinado na oração, não pode ser preguiçoso, não pode ser desanimado.

A primeira área que devemos pedir, em oração, para que a Vontade e o Reino de Deus se manifestem, é pela nossa própria vida. Atenção, amado! Deus nos deu um dom, que se chama ?vida?. Ele não pode ser negociado, não pode ser trocado. Todos nós temos uma missão nesta terra, e é a vida de oração que se faz com a Vontade de Deus se manifeste no nosso dia-a-dia. Somos peregrinos, não é? Estamos nesta terra de passagem. Um dia, todos nós, no corpo físico, completaremos o nosso ciclo e, depois, voltaremos para o ceio da Abraão. Mas, enquanto aqui estivermos, precisamos cuidar da nossa vida, edificando a Fé santíssima e orando no Espírito Santo. Faz isso com prioridade máxima.

A segunda área é a questão da família. Devemos pedir para que se faça a Vontade de Deus na vida do nosso cônjuge e na vida dos nossos filhos. Não permitamos que o relacionamento da nossa família se deteriore. Isso deve ser alvo constante da nossa oração.

Muitas pessoas vivem cheias de remorsos porque lutaram para ganhar o mundo inteiro e perderam as suas famílias. Eu vivi muito tempo com o remorso de não ter visto os meus filhos, Ana, Miguel e Cristiane, crescerem. Hoje, estou ?curtindo? a bebezinha, a maior idade dos meus filhos.

Gálatas 6:10 diz assim: “Por isso, enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé.”

Quem é a família da Fé? A igreja. E onde começa a família da Fé? Na nossa casa. A quem devemos fazer o bem? Por quem devemos orar em primeiro lugar? Pela esposa, pelos filhos e pela família.

Paulo disse em 1 Timóteo 5:8: “Ora, se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior do que o descrente.”Não adianta ser bom na igreja e em casa ser mau. Não adianta ser uma pessoa boa para os de fora e má para dos de dentro. Se tu não cuidas da própria casa, estás, primeiro, negando a Fé, e, em segundo lugar, és pior que o descrente.

A terceira área pela qual devemos pedir para que a Vontade de Deus se manifeste é a igreja. Amado, somos todos partes de um exército de Deus. A Igreja, o povo de Deus, está permanentemente em guerra. Há uma pressão demoníaca sobre todos nós, para nos fazer apostatar. 1 de Timóteo 4:1 diz isso. Olha: “Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência,”.

Precisamos orar pela igreja, porque, às vezes, o inimigo lança dentro dela espíritos enganadores.

O nosso chamado é para combater, é para sermos guerreiros e para lutarmos. Eu vou te dizer: quem luta em oração nunca é derrotado.

Paulo disse em 1 Timóteo 6:12: “Combate o bom combate da fé. Toma posse da vida eterna, para a qual também foste chamado e de que fizeste a boa confissão perante muitas testemunhas.”

Paulo não disse: ?Combate se tiveres vontade. Se não tiveres vontade, não combatas?. Ele disse: ?Luta, combate!? E como se combate? Com a vida de oração.

Diariamente tu recebes dardos, informações, ordens do inferno, projetos iníquos e setas para estragar a tua saúde. Se tu não combates, porque diz: ?Eu não tenho vontade de combater?, o inimigo não exitará em te atacar. Ele sempre avança contra um crente inexperiente, inocente e indefeso. Quando o diabo percebe que o crente é inocente e indefeso, ele lança dardos, dá ordens, cria situações para desmotivá-lo.

A Igreja de Cristo é o principal alvo do diabo na terra, e nós, pastores, precisamos das tuas orações, porque somos os alvos principais dentro da igreja.

Amado, nós estamos, através da programação de televisão, em 75 países do mundo, em breve serão 95 países; tu achas que o inimigo está satisfeito com a obra que estamos fazendo? O que cabe a nós? Combater, lutar, revestir-nos da armadura de Deus, para ficarmos firmes contra as ciladas do diabo e, depois de vencermos tudo, permanecermos inabaláveis. Cingimo-nos da Verdade, do cinto, colocamos a couraça da justiça, protegemos o nosso coração das ciladas do mundo, depois colocamos o capacete da salvação, para que a nossa mente seja protegida diariamente das tentações, depois vestimos as sandálias do Evangelho da paz, para que aonde formos o Evangelho vá junto, depois levantamos o escudo da Fé, que apaga todos os dardos inflamados do inimigo, depois pegamos a espada, que é a Palavra de Deus e, por fim, depois de fazer isso tudo, pomos a sétima peça da armadura: a oração e súplica no Espírito.

Devemos orar todos os dias pelo nosso Pastor, pelos presbíteros, pela liderança, pelos membros. Orar para que os membros sejam fiéis, para que os membros desejem ser instrumentos de Deus para colherem almas, orar pelos departamentos da igreja: rádio, televisão, Internet, evangelismo, orar para que os membros sejam fiéis aos seus familiares, sejam fiéis a Jesus, sejam firmes na Casa do Senhor, produzam frutos e sirvam a Deus como Ele é digno de ser servido.

Diz Isaías 43:5-7: “Não temas, pois, porque sou contigo; trarei a tua descendência desde o Oriente e a ajuntarei desde o Ocidente. Direi ao Norte: entrega! E ao Sul: não retenhas! Trazei meus filhos de longe e minhas filhas, das extremidades da terra, a todos os que são chamados pelo meu nome, e os que criei para minha glória, e que formei, e fiz.”

Irmão, nós precisamos dizer: ?solta Satanás. Larga, não detenhas, não retenhas.? Isso faz parte da vida de combate. É preciso que as famílias inteiras se unam nisso.

Em Atos 21:5, Paulo diz assim: “Passados aqueles dias, tendo-nos retirado, prosseguimos viagem, acompanhados por todos, cada um com sua mulher e filhos, até fora da cidade; ajoelhados na praia, oramos.” Paulo disse: mulher, filhos, todo mundo de joelhos em casa, na praia, onde for. A família unida jamais será vencida.

Todos precisamos de motivação para orar. Essa motivação gera confiança, coragem, especialmente, quando tu tiveres que enfrentar o ?gigante? da vida, do mesmo modo que um dia Davi teve que enfrentar.

Diz a Palavra do Senhor em 1 Samuel 17:42-45: “Olhando o filisteu e vendo a Davi, o desprezou, porquanto era moço ruivo e de boa aparência. Disse o filisteu a Davi: Sou eu algum cão, para vires a mim com paus? E, pelos seus deuses, amaldiçoou o filisteu a Davi. Disse mais o filisteu a Davi: Vem a mim, e darei a tua carne às aves do céu e às bestas-feras do campo. Davi, porém, disse ao filisteu: Tu vens contra mim com espada, e com lança, e com escudo; eu, porém, vou contra ti em nome do SENHOR dos Exércitos, o Deus dos exércitos de Israel, a quem tens afrontado.”

De onde veio a coragem de Davi para enfrentar um gigante que era o dobro do seu tamanho? O que tua achas? Será que ele era louco? Não! Havia um segredo. E esse segredo era a oração.

Amado, Deus não deixa um filho Seu perder. Ele disse que nós somos mais que vencedores.

Como uma pessoa tem a coragem de enfrentar um câncer? Como podemos enfrentar os ?gigantes? da vida? Somente através da oração!

Vamos confirmar, então, que a confiança e a coragem de Davi estavam na sua vida de oração.

O Salmo 3:1-6 diz assim: “SENHOR, como tem crescido o número dos meus adversários! São numerosos os que se levantam contra mim. São muitos os que dizem de mim: Não há em Deus salvação para ele. Porém tu, SENHOR, és o meu escudo, és a minha glória e o que exaltas a minha cabeça. Com a minha voz clamo ao SENHOR, e ele do seu santo monte me responde. Deito-me e pego no sono; acordo, porque o SENHOR me sustenta. Não tenho medo de milhares do povo que tomam posição contra mim de todos os lados.” Davi não fazia orações secretas embaixo do cobertor. Ele diz: ?Eu clamo, eu grito, eu falo alto.?

Deus não disse que nós, nesta terra, não enfrentaríamos o gigante. Disse que, ao enfrentarmos as lutas, venceríamos.

Vê o Salmo 5:3: “De manhã, SENHOR, ouves a minha voz; de manhã te apresento a minha oração e fico esperando.”

Diz o Salmo 18:1-3: “Eu te amo, ó SENHOR, força minha. O SENHOR é a minha rocha, a minha cidadela, o meu libertador; o meu Deus, o meu rochedo em que me refugio; o meu escudo, a força da minha salvação, o meu baluarte. Invoco o SENHOR, digno de ser louvado, e serei salvo dos meus inimigos.” Vê quantas palavras Davi soube usar com o Pai.

Diz o Salmo 20:7-9: “Uns confiam em carros, outros, em cavalos; nós, porém, nos gloriaremosem o nome do SENHOR, nosso Deus. Eles se encurvam e caem; nós, porém, nos levantamos e nos mantemos de pé. Ó SENHOR, dá vitória ao rei; responde-nos, quando clamarmos.” Toda a vida de Davi era de oração.

Finalmente, o Salmo 27:1-3, diz: “O SENHOR é a minha luz e a minha salvação; de quem terei medo? O SENHOR é a fortaleza da minha vida; a quem temerei? Quando malfeitores me sobrevêm para me destruir, meus opressores e inimigos, eles é que tropeçam e caem. Ainda que um exército se acampe contra mim, não se atemorizará o meu coração; e, se estourar contra mim a guerra, ainda assim terei confiança.”

Meu amado, a partir de hoje começa a orar. Sai dos 22 minutos e luta para orar 1 hora. Faz como Davi: pega a tua ?arma?, agora, pega o estilingue, aquela atiradeira, pega a tua atiradeira e manda a ?pedra? sobre o ?gigante?. Tu és uma pessoa de oração. Já venceste, em Nome de Jesus!

ASSIM SEJA, ASSIM DISSE O SENHOR!

03 - A carne é fraca, ou é apenas uma desculpa?

Ao longo dos anos, a expressão "a carne é fraca" vem sendo usada por muita gente como uma forma de justificar os fracassos, como se fosse uma rota de fuga à responsabilidade da queda, seja de ordem moral, ética ou espiritual. Mas no contexto escriturístico da Palavra de Deus a interpretação é bem diferente.

Por Paulo Pontes

A Carne é Fraca – Encontrei nas redes sociais uma frase cuja autoria é supostamente atribuída a uma famosa cantora gospel, que faz parte de um não menos famoso ministério. A frase inserida ao lado da imagem da cantora, numa espécie de cartaz, com seu nome em baixo do texto é: “A carne é fraca? Fraca é a sua desculpa.” Embora não seja citada a referência bíblica no dito cartaz, é evidente que foi extraída de um dos evangelhos que expõe os momentos da angústia de Jesus, que antecederam sua prisão no Getsêmani (Mateus 26.36-46; Marcos 14.32-42; Lucas 22.39-46; e, João 18.1), onde, naquela noite, ocorreu o mais doloroso incidente de toda a história dos sofrimentos do nosso Salvador.

As palavras foram ditas por Jesus aos seus discípulos. Ele estaria brincando com os seus discípulos ao dizer aquelas palavras? Estaria mentindo? Seria algo sem nexo, e ele não sabia o que dizia?

Na versão Almeida Revista e Corrigida o texto de Mateus 26.41 não deixa dúvida: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas A CARNE É FRACA”. A KJV (King James Version), considerada a mais fiel tradução da Bíblia em relação aos textos originais, corrobora com a mesma expressão: “…a carne é fraca”.

Resumo Exegético do Texto de Mateus 26.41

De acordo com a Chave Bíblica de Strong, carne no original (grego) é s???, sa????, ?, um substantivo feminino, cuja transliteração e fonética é “Sarx” ou “Sárks”, que significa “carne do corpo, a carne, o corpo, a natureza humana, materialidade; parentes”. Sárks = carne ("carnal"), apenas de origem humana ou capacitação. A carne (parte física, matéria) é necessária ao corpo para viver pela fé em Jesus (parte espiritual) (cf. Gálatas 2.20). Partindo desse ponto, a “carne”, por implicação, é a natureza humana, com as suas fragilidades e paixões, quer física ou moralmente. Então, a “carne” = “sarks” fala de algo que é geralmente negativo, referindo-se a tomada de decisões (ações) de acordo com o eu, à parte da fé, independente do agir de Deus no interior do ser humano. Assim, o que é "da carne é carnal", por definição, e desagrada a Deus, mesmo que tenha aparência "respeitável!" Em suma, a carne em geral relaciona-se com o esforço humano, ou seja, decisões (ações) que se originam a partir de si mesmo, auto-capacitação, conforme está em Jeremias 17.5: “Assim diz o SENHOR: ‘Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do SENHOR!” Em sentido moral, ético e espiritual, “carne = sarx” é a natureza mais baixa de uma pessoa, o lugar e o veículo de desejos pecaminosos. O carnal ("da carne") vem da parte inalterada, intocada de cada um de nós, isto é, aquela que não é transformada por Deus, diretamente, mas depende da nossa submissão a Ele, em aceitar a Sua Palavra e obedecer aos seus preceitos. Por isso, a primeira necessidade de todo crente é “nascer de novo” (João 3.7b), para em seguida, estar “crucificado com Cristo” e testemunhar “vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim…” (Gálatas 2.20).

O Perfil dos Crentes Atuais

A maioria dos evangélicos não lê a Bíblia, não estuda a Bíblia, não gosta e não participa dos cultos ou reuniões de ensino bíblico. Acostumou-se com o “Evangelho-Show”. No meio evangélico existe outra parcela de formadores de opinião, que se acha detentora da mais pura verdade, e consegue facilmente influenciar com suas palavras, gestos e atitudes. E assim, infelizmente, os crentes vão sendo levados, enganados, porque não lêem a Bíblia, não estudam a Bíblia, e se contentam em ouvir palavras de pessoas que se destacam na mídia, e carregam tais mensagens (“frases de efeitos”) em seus corações e mentes como se elas fossem o “texto áureo” para suas vidas, mas sem o devido discernimento, e distante da correta interpretação bíblica.

O Senhor adverte os que fingem devoção, reivindicam a salvação conforme a aliança e as bênçãos decorrentes da sua Palavra, mas que ignoram seus mandamentos e se conformam com este mundo (Salmos 50.16,17,22). Realmente o Senhor se aborrece com esse tipo de gente!

No mundo todo, a igreja evangélica passa por uma transformação estranha aos propósitos divinos. No Brasil não é diferente. Está faltando ensino doutrinário. Cresceu o número de evangélicos. Mas, e o evangelho cresceu? A igreja está crescendo ao mesmo tempo em que está perdendo a identidade de evangélica. Enquanto alguns líderes brigam pelo poder, outros se reúnem e fazem aliança com uma emissora de TV (leia o artigo aqui). Cantores que receberam o talento para o louvor a Deus estão levando para casa troféus com “anjos nus, simulando a mesma postura dos querubins da arca do concerto” (leia o artigo aqui). O povo precisa de alimento espiritual devidamente dosado, mas em vez disso, parece que os crentes preferem comer as secas “palhas das novidades” do que o nutriente “trigo da verdade”. A mensagem de salvação foi substituída pela mensagem de prosperidade, isso enche os templos.

Massagear o ego das pessoas e falar o que elas querem ouvir parece uma boa estratégia de marketing. Mas falar a verdade, denunciar, pregar contra o pecado? Não! Jamais! Isso já não atrai pessoas, pelo contrário, as distancia da igreja. O que é pecado hoje? “Crente não pode pecar e nunca vai pecar”. “Ah! O mundo mudou…” “A igreja de hoje está contextualizada…” “O pastor não pega no pé…” e por aí vão os crentes (ou pseudos crentes) em caminhos de erros e desvios doutrinários. Mas, com certeza, após cumprirem certos “rituais de adoração”, e seguir os “conselhos” apontados como certos, voltarão decepcionados com a clara percepção de que não houve uma mudança significativa do ponto de vista bíblico neo-testamentário: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações. Em cada alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos. “E, perseverando unânimes todos os dias no templo e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar” (Atos 2.42,43,46,47). Era a genuína mensagem do evangelho, pregada, ensinada e vivida de forma pura. Os crentes estão precisando voltar ao primeiro amor (Apocalipse 2.4,5), se é que um dia o experimentaram. Se não, o novo nascimento é o marco zero (João 3.7).

O Novo Nascimento

É a experiência fundamental para todo e qualquer cristão verdadeiro. Jesus ensinou: “Em verdade, em verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus” (João 3.3). O ser humano em sua natureza carnal não pode compreender as coisas do Espírito de Deus (1 Coríntios 2.14).

O novo nascimento não é uma simples metáfora, é uma realidade concreta, que apresenta o aspecto pessoal e espiritual do Reino de Deus, bem diferente daquilo que muitos crentes (incluo aqui novos convertidos, congregados, obreiros, pregadores, cantores, e até pastores e líderes) que como Nicodemos naqueles dias também pensava ser.

O novo nascimento não pode ser comparado ao nascimento físico, como perguntou Nicodemos: “Como pode um homem nascer, sendo velho? Porventura, pode tornar a entrar no ventre de sua mãe e nascer?” Este simbolismo tem sido tema de discussões sem que os expositores cheguem a um entendimento. Mas com base nos textos de Tiago 1.18 e 1 Pedro 1.23, fica claro que a geração de um novo ser espiritual é atribuída à Palavra de Deus, genuinamente aplicada à consciência e ao coração do crente. Portanto, no exercício do seu ministério, cantores, pregadores, educadores, pastores, líderes, obreiros em geral, devem ministrar sob a unção do Espírito Santo.

Infelizmente, existem no ministério cristão e eclesiástico, muitos que, sem aquele temor peculiar aos santos (Atos 2.43), ignoram, de algum modo, o processo do novo nascimento e fazem tudo como se o ministério fosse algo pessoal e material, e não espiritual e de Deus. O Rev. Hernandes Dias Lopes, renomado escritor, e pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória/ES, em seu livro “De Pastor a Pastor”, cita que no ministério cristão há pastores não convertidos, não vocacionados, preguiçosos, gananciosos, instáveis emocionalmente, e, confusos teologicamente, entre outros. “É doloroso que alguns daqueles que se levantam para pregar o evangelho aos outros não tenho sido ainda alcançados por esse mesmo evangelho. Há quem pregue o arrependimento sem jamais tê-lo experimentado. Há quem anuncie a graça sem jamais ter sido transformado por ela. Há quem conduza os perdidos à salvação e ainda está perdido”. Como ele próprio diz: “Este livro é o grito da minha alma e o soluço do meu coração. Foi escrito com dor e, às vezes, até com lágrimas”. Recomendo a todos que leiam. Exercer o ministério pastoral não é uma opção, como muitos podem pensar. É bem mais, muito mais que uma opção. O ofício sacerdotal é privilégio para os que são escolhidos pelo Senhor: "E ninguém tome para si essa honra, senão o que é chamado por Deus, como Arão" (Hb 5.4). É lamentável que, ignorando essas palavras, muitos enxergam e exercem o sacerdócio como uma profissão. Ministério Sacerdotal não é profissão É CHAMADA DIVINA!

Vida Transformada pela Renovação

Não precisamos inovações, mas indistintamente de renovação espiritual. Escrevi sobre isso em “Igrejas e Crentes em Perigo”: No meio em que vivemos presenciamos todos os dias “inovações” das mais diversas. Algumas até razoáveis, outras esquisitas, e até anti-bíblicas. Essas inovações não suportam as intempéries do tempo porque são movimentos baseados na presunção na porfia e outros sentimentos carnais (2 Timóteo 3.1-5). Precisamos dizer “Não à inovação” e “Sim à renovação”. Apesar de serem duas palavras semelhantes na pronúncia, têm com profundas divergências no contexto bíblico-doutrinário: “Inovar” é modificar o antigo; introduzir o novo (novos costumes, novas práticas, novas liturgias, novas maneiras de adorar…), enquanto que “Renovar” é mudar para melhor; melhorar em alguns aspectos. Numa entrevista que fiz ao Pr. Antônio Gilberto, ele disse: “Renovação é para quem envelheceu, caiu na rotina, o que é um perigo. Todo crente normal precisa viver uma vida renovada, porque envelhece, espiritualmente” (clique aqui para ler entrevista).

Vejamos o que a Bíblia diz: “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis o vosso CORPO em SACRIFÍCIO VIVO, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela RENOVAÇÃO do vosso entendimento, para que EXPERIMENTEIS qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.1,2).

04 - Livro selecionado: "O Céu e o Inferno"

Capítulo VII

As Penas Futuras Segundo o Espiritismo

A carne é fraca

Há tendências viciosas que são evidentemente inerentes ao Espírito, pois que se ligam mais ao moral do que ao físico. Outras parecem antes resultar do organismo e por isso acredita-se que acarretam menos responsabilidade: tais são as predisposições à cólera, à preguiça, à sensualidade etc.

Hoje está perfeitamente reconhecido pelos filósofos espiritualistas que os órgãos cerebrais correspondentes às diversas aptidões devem o seu desenvolvimento à atividade do Espírito. Esse desenvolvimento é, assim, um efeito e não uma causa. Um homem não é músico porque tenha a bossa da música, mas ele tem essa bossa porque o seu espírito é músico.

Se a ação do Espírito influi no cérebro, deve igualmente influir sobre outras partes do organismo. O Espírito é assim o artífice do seu próprio corpo que ele modela, por assim dizer, apropriando-o às suas necessidades e à manifestação das suas tendências. Assim sendo, a perfeição corporal das raças adiantadas não seria conseqüência de criações distintas, mas o resultado do trabalho do espírito que aperfeiçoa o seu instrumento na medida em que as suas faculdades se desenvolvem.

Por uma conseqüência natural desse princípio, as disposições morais do Espírito devem modificar as funções sanguíneas, dando-lhes maior ou menor atividade, bem como provocar secreções mais ou menos abundantes da bilis ou de outros fluidos. É assim, por exemplo, que o glutão sente a boca encher-se de água ao ver comidas apetitosas. Não é a comida em si que pode excitar os orgãos do gosto, desde que não há nenhum contato. É pois o Espírito, cuja sensualidade foi despertada, que age pelo pensamento sobre esses órgãos, enquanto para outra pessoa a visão dessa comida não produz nenhum efeito.(25)

É ainda por essa mesma razão que uma pessoa sensível verte lágrimas com facilidade. Não é a existência de lágrimas em abundância que dá sensibilidade ao Espírito, mas é a sensibilidade do Espírito que provoca a secreção abundante de lágrimas. Sob a influência da sensibilidade espiritual o organismo apropriou-se a essa disposição natural do Espírito, como o do glutão se apropriou à disposição do seu Espírito.

Seguindo esta ordem de idéias, compreende-se que um espírito irascível deve impulsionar um temperamento bilioso, de maneira que um homem não é colérico por ser bilioso, mas é bilioso porque o seu Espírito é colérico. Acontece o mesmo com todas as demais disposições instintivas. Um Espírito fraco e indolente dará ao seu organismo uma condição de atonia em relação ao seu caráter, enquanto um espírito ativo e enérgico transmitirá ao seu sangue e aos seus nervos disposições bastante diferentes. A ação do Espírito sobre o físico é de tal maneira evidente, que vemos freqüentemente graves desordens orgânicas se produzirem por efeito de violentas comoções morais. A expressão comum: a emoção pôs-lhe o sangue a ferver não é tão desprovida de senso como se poderia pensar. Ora, o que poderia agitar o sangue se não o Espírito por suas disposições morais?(26)

(25) As famosas experiências de Pavlov com a salivação dos cães demonstraram, no campo da psicologia fisiológica, materialista, a verdade desta afirmação de Kardec. Os reflexos condicionados não devem o seu condicionamento à ação dos alimentos sobre os órgãos gustativos, mas ao conhecimento mental do animal aos sinais da campainha que anunciam o alimento. No homem, esse processo é mais refinado. (N. de T.)

(26) A Medicina Psicossomática, a Psicoterapêutica em geral, e atualmente a Parapsicologia vieram confirmar cientificamente, em nossos dias, através de pesquisas e experiências, a verdade desse princípio. (N. do T.)