A NATUREZA NÃO DÁ SALTO
BIBLIOGRAFIA
01- A NOVA FÍSICA E O ESPÍRITO, PAG. 51 02 - EUSTÁQUIO, 15 SÉCULOS DE UMA TRAJ., TODA OBRA

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A NATUREZA NÃO DÁ SALTO – COMPILAÇÃO

01 - A Natureza não dá saltos
por Amelia ribeiro teixeira - teixeira-amelia@ig.com.br

Você já reparou que a vida é feita de vários momentos? Momentos em que trabalhamos muito, estudamos muito, amamos muito, tudo é muito, até os problemas são muitos. Mas existem também aqueles momentos onde temos a sensação que não temos nada a fazer. O dia se arrasta, parece que tudo a nossa volta parou e não temos mais esses tantos muitos na nossa vida. Não sabemos exatamente o que fazer e a situação piora um pouquinho mais, se estivermos ansiosamente à espera de algo ou alguém. Só aí percebemos que existem momentos para fazer, acontecer e esperar.

Então, você reza para alguém lá em cima dá uma aceleradinha em algumas coisas: na promoção do trabalho, comprar um carro novo, mudar de emprego. Mas NINGUÉM vai acelerar nada para você. Sabe por quê? Porque por mais clichê que pareça tudo tem seu tempo. A gente vai abrindo o caminho, preparando o terreno, jogando as sementes e aguardando que elas dêem seus frutos. E sabemos que algumas não vão florescer, mas, em contrapartida outras tantas irão florir belíssimas em nosso jardim.

O terreno já foi preparado, as sementes já foram plantadas e a Natureza agora vai fazer o seu papel. E o nosso é aguardar a colheita. Isso mesmo, aguardar! E não adianta olhar todos os dias pela janela, pois, como diz um sábio amigo meu: "A Natureza não dá saltos". Uma pérola de conselho é verdade, mas não é fácil esperar. Até porque a gente pensa "Ora eu já espero tanto na vida, é na fila do banco, do supermercado, do cinema, espero o Natal, o avião, o ônibus, enfim. Ufa!

E é exatamente nesse período entre um florescer e outro que temos a sensação de que o vento parou de soprar, o sol, a chuva não vão cessar. Dia e noite passam e a gente lá esperando. Estamos exausto do trabalho, sem idéias, sem saber o que fazer e tudo parece tão lento. Os ponteiros do relógio se arrastam entre minutos e segundos. No entanto, um pouco mais de paciência, e o que antes estava tão longe hoje está mais perto. A lição não é nada fácil, mas também ninguém disse que seria.

Vamos, então, nesse momento de nossa vida descobrir o que podemos fazer de bom e agradável enquanto esperamos nossas colheitas. Ler, dançar, ligar pra aquele amigo que você não fala há muito tempo, saborear um bolo quentinho com café, rever fotos ou assistir aquele filme que acabou de estrear no cinema. Coisas simples da vida e que às vezes a gente deixa de lado e não percebe a importância delas. Porque podemos não ter mais nada para fazer sobre esse ou aquele assunto, mas temos muito que fazer em nossa vida. Sempre!

Boa semana!

Amélia Ribeiro Teixeira

02 - FILOSOFIA RACIONALISTA

Temos o racionalismo como corrente filosófica, que iniciou com a definição do raciocínio, que é a operação mental, discursiva e lógica, e o usa como uma ou mais proposições para extrair conclusões de verdade, falsa ou provável. O racionalismo nos dá a ideia de que o conhecimento sensível é enganador e a razão é a única fonte de conhecimento válido, pelo menos para Platão (que na antiguidade, deu inicio ao pensamento racionalista) e para Descartes (considerado o pai da modernidade), que acreditam que há ideias inatas. Descartes também afirma, em uma de suas obras, que o conjunto de aptidões onde os indivíduos aprendem mais rapidamente novas informações e se revelam mais eficientes no manejo e aproveitamento adequado de conhecimentos, se podem fazer com o que através da análise lógica se descubram processos ou sistemas mais rapidamente pelo método lógico e matemático, e a análise crítica levam às respostas necessárias minimizando a necessidade do experimentalismo prático. Em sentido mais amplo e comum, racionalismo é o ato de pensar, raciocinar, fazer uso da razão, que é uma das características que distingue o homem dos outros animais que lhes são inferiores na escala evolutiva. Também o definimos como a crença na razão e na evidência das demonstrações. Os principais conceitos de racionalismo preconizados pelas diversas doutrinas, estão no método de observar à sua volta baseado exclusivamente na razão, considerada como única autoridade quanto à maneira de pensar e agir e como fundamento de todo conhecimento possível; a teoria que se fundamenta na suposição de que a investigação da verdade feita sob orientação do pensamento puro, ultrapassaria os dados oferecidos imediatamente pelos sentidos e pela experiência, que são incapazes de nos proporcionar todos os conhecimentos; as leis do pensamento racional e do objeto do conhecimento, são as mesmas; o real é, em última análise, racional, e a razão é capaz de conhecê-lo e de chegar à verdade sobre a natureza das coisas; corrente filosófica que privilegia formas argumentativas, empíricas ou dedutivas de conhecimento como meios para a compreensão da realidade em detrimento da fé, do misticismo e da revelação religiosa (linha de pensamento do filósofo Baruch Spinoza); doutrina que se caracteriza por uma auto-observação crítica por parte da razão, na qual esta determina seus próprios limites; o racionalismo iluminista caracterizou-se pela confiança na razão, no progresso e na ciência, e pelo incentivo à liberdade de pensamento, onde a ideia iluminista era levar esses valores a prevalecer e triunfar sobre o mito, a crendice, o “sobre-natural”, o misticismo, a fé, o dogma, o fanatismo e a intolerância.

Principais Autores Racionalistas

René Descartes (1596-1650), conhecido também como Cartésio, tem um “pé” dentro da filosofia moderna, onde desejava encontrar um método que não fosse o aristotélico, e que lhe permitisse um caminho para novos descobrimentos. A matemática influiu decisivamente no método cartesiano. A “dúvida metódica” levou à afirmação do “Penso, logo existo”. Descartes estabeleceu algumas regras para seu método cartesiano, dentre elas encontramos a de não admitir coisa alguma como verdadeira, desde que saiba com evidência que o é; dividir em quantas partes for possível cada dificuldade, para assim melhor encontrar uma solução; conduzir os pensamentos ordenando dos mais simples e fáceis de conhecer, e gradualmente, chegar aos mais compostos; fazer recontagens e revisões tão gerais, que chegue a estar certo de não ter omitido nada. Por meio da dúvida metódica, chega ao “cogito, ergo sum”. Mas o cogito, ao evidenciar a existência de quem pensa, permite estabelecer o raciocínio: “Se eu existo, sei que sou imperfeito. Mas a ideia de imperfeito implica a de imperfeito, e esse ser é Deus.” Mas Descartes reconhece que, ao conhecer-se intuitivamente como ser, reconhece que seu corpo é distinto do seu pensamento, é ai que surge a distinção entre a substância pensante e a extensa. A alma, como pensamento, pode ser pensada sem extensão, porque a extensão não lhe é essencial, enquanto a essência do corpo é a extensão. Dessa forma, os modos de extensão são a posição, a figura e o movimento. Os modos da substância pensante são a sensação, a paixão e a vontade.

Baruch Spinoza (1632-1677) procura o bem supremo, através da filosofia, que é Deus. Para isso, usa o método matemático de Descartes. Substância é o que é em si mesmo e por si mesmo se concebe, isto é, aquilo cujo conceito não necessita de outros conceitos para ser formado, essa substância infinita é Deus, a causa de si mesmo e sua essência implica sua existência. Para Spinoza, diferente de Descartes, não há duas substancias, a pensante e a extensa, mas ambas são atributos de Deus. Os tributos pensamento e extensão, são os únicos compreendidos pelo homem de um modo distinto e claro, por isso é que a doutrina de Spinoza se chamou panteísmo, e significa que Deus é tudo ou tudo é Deus.

Gottfried Leibnitz (1646-1716) teve muitos de aspectos filosóficos estudados por nós. Ele aceitava que a natureza não dá saltos. De um estado para outro, encontramos uma infinita série de intermediários. È assim que existe uma perfeita continuidade na natureza, e essa só poderia ser expressada através de uma análise do infinito. Leibnitz se opõe a física cartesiana, sobretudo à concepção de que um corpo seja apenas extensão, e o mecanismo de Descartes é substituído por um dinamismo que o seu conceito novo de força iria oferecer. O universo é harmônico, porque Deus preestabeleceu assim, e tudo quanto sucede por uma disposição já previamente determinada pelo Criador.

03 - FÍSICA QUÂNTICA “A Natureza não dá saltos”.

A tentação de recorrer (quase que instintivamente) a
essa máxima quando se começa a escrever sobre a Mecânica Quântica é freqüente, mas pode ser tendenciosa, pois, embora se reconheça a relevância de discutir se os saltos existem ou não, ela tende a restringir o foco da abordagem à questão técnica da descontinuidade na Física, em detrimento de uma análise mais ampla do impacto revolucionário da Mecânica Quântica sobre a Ciência, a Tecnologia, a História das Idéias e, em última análise, sobre o próprio homem, mais apropriada ao espaço desse livro.

A dimensão mais imediata da revolução causada pela Teoria Quântica pode ser aferida pelo fato notável de que tantos conceitos basilares, como o de energia, de massa, de causalidade, de localidade, e os paradigmas de átomo e de vazio, tenham sido diretamente afetados e revistos à luz desta teoria. Obviamente há outras dimensões, mas discuti-las todas está fora de propósito. Pretende-se, apenas, ainda que resumidamente, mostrar que, de um ponto de vista internalista, a Teoria Quântica é fruto de um longo processo de ampliação das fronteiras da crise da Física clássica, que se seguiu ao famoso trabalho do físico alemão Max Planck, e, de um ponto de vista externalista, que ela ? juntamente com a Teoria da Relatividade de Einstein ? estabelece uma crise de paradigmas decisiva para a construção de uma nova Weltanschauung em substituição àquela mecanicista de Newton e de Laplace.

O clima de fin-de-siècle invariavelmente leva alguns pensadores a se pronunciarem sobre o pouco que resta a fazer em sua área e outros a decretarem o fim da história... Nesse sentido, é oportuno recordar que, com as primeiras luzes do século XX, a comunidade de físicos ouvia Lord Kelvin afirmar que a beleza e a clareza da descrição clássica da teoria do calor e da luz “encontravam-se obscurecidas por duas nuvens”. Difícil era prever que exatamente da dissipação destas nuvens resultaria um corte epistemológico notável, talvez só comparável, do ponto de vista da relação do homem com a natureza, à Revolução Copernicana. O homem, que já havia sido retirado do centro do Universo e colocado diante de um infinito macroscópico, perde agora seu caráter privilegiado de observador absoluto, filosoficamente determinado a ser determinista ? como o observador newtoniano ? vislumbra um infinito microscópico, e esse sujeito epistemológico, capaz de conhecer, entra em crise e se dá conta, sobretudo, de sua incapacidade de separar claramente o sujeito e o objeto da investigação científica no que concerne ao microcosmo.

A idéia de quantum de energia é introduzida na Física em 1900, por Planck, que estudava a emissão de energia pelos corpos negros. Durante cerca de 50 anos haviam se acumulado resultados que apontavam para uma série de regularidades e leis empíricas muito particulares nessa área. A tentativa de se explicar teoricamente essa fenomenologia fracassou; fracasso ao qual se convencionou chamar de “catástrofe do ultra-violeta”. O emprego da palavra catástrofe atesta o grau de perplexidade da comunidade científica ao verificar que, do ponto de vista teórico, a fabulosa estrutura da Física clássica ? que compreende a Mecânica de Newton, o Eletromagnetismo de Maxwell e a Física Estatística de Maxwell-Boltzmann ? previa que a densidade de energia emitida por um corpo negro cresce infinitamente, passando a divergir dos dados experimentais quando a freqüência se aproxima do ultra-violeta. Planck constatou que a melhor descrição dos dados era obtida com a hipótese de que a energia emitida ou absorvida pelo corpo negro sob forma de radiação é quantizada, ou seja, é um múltiplo inteiro de uma certa quantidade, e mais, que este quantum de energia é proporcional à freqüência da radiação.

A constante de proporcionalidade h, conhecida como constante de Planck, é a constante universal característica dos fenômenos quânticos, assim como a velocidade da luz é a constante característica da Relatividade. Com essa hipótese, Planck reacende um velho debate sobre a natureza corpuscular ou ondulatória da luz, o qual envolveu, durante séculos, nomes como os de Newton, Biot, Boscovich e Laplace, defendendo a visão corpuscular, e de Grimaldi, Huygens, Hook, Young, Fizeau e Foucault, sustentando a ondulatória. Esta última parecia ter recebido sua comprovação maior com a descoberta das ondas eletromagnéticas por Hertz, previstas na grande síntese que foi a teoria eletromagnética de Maxwell.

No entanto,Planck acreditava que a descontinuidade era inerente apenas aos processos de absorção e emissão da luz, e não uma característica intrínseca da natureza da luz. Ele próprio trabalhou cerca de 12 anos tentando encontrar alternativas à sua hipótese quântica. A explicação de Einstein do efeito fotoelétrico, em 1905, baseada na hipótese de Planck, pressupõe que a luz é quantizada. Parece, então, que a luz apresenta um caráter dual: ora se manifesta como ondas, ora como partículas (os quanta de energia). Pela primeira vez na história da Física a questão do Ser é colocada de forma tão peculiar. Este termo dualidade esconde, na verdade, o início de uma profunda crise epistemológica da
Ciência, capaz de abalar os alicerces do determinismo mecanicista no nível do microcosmo, cuja solução dependeu, crucialmente, das contribuições de Niels Bohr e de Louis de Broglie.

O primeiro compreendeu que a constante de Planck é fundamental para assegurar a estabilidade do átomo e da matéria. A partir dessa idéia, Bohr introduz um conjunto de três postulados sobre a estrutura atômica, que contradizem algumas leis do eletromagnetismo clássico e cuja compreensão ainda levará algum tempo. De fato, ele define como órbita estacionária de um elétron no interior de um átomo aquela na qual, embora esteja acelerado, o elétron não emite energia eletromagnética. A energia emitida que se mede, segundo Bohr, é quantizada e depende da diferença de energia entre um par de órbitas. Desta forma, a constante fundamental h introduzida no estudo de fenômenos luminosos passa a ter um
papel central também na descrição do átomo. O significado profundo desse trabalho de Bohr foi percebido por de Broglie, que em sua tese de doutorado de 1924 amplia as fronteiras da crise, afirmando que se a constante de Planck é, em última análise, responsável pela dualidade onda-partícula da luz, tal dualidade deve se manifestar igualmente na matéria atômica. De Broglie postula, assim, a existência de uma onda associada a cada partícula livre (e ondas são descritas por campos).

É nesse sentido que ele generaliza a crise a qual se aludiu acima.Mas como modificar as idéias de L. de Broglie para descrever a dinâmica do microcosmo? Em particular, como aplicá-las a partículas submetidas à ação de campos,
como no caso dos elétrons orbitais dos átomos, submetidos aos campos do núcleo? A resposta a estas questões foi dada, em 1926, por Erwin Schrödinger, ao postular que a onda proposta por L. de Broglie é solução de uma equação diferencial (equação de onda) fundamental, que hoje leva o seu nome. Entretanto, a consistência dessa idéia exige que a função de onda de Schrödinger seja necessariamente uma função matemática complexa.

Ora, todas as grandezas físicas são descritas por números e funções reais. Portanto, qual o sentido físico dessa onda? A resposta mais aceita até hoje faz parte do que se convencionou chamar de interpretação de Copenhagen, e foi dada por Max Born, podendo ser resumida assim: a função de onda de Schrödinger é uma densidade de probabilidade, a partir da qual se pode calcular os valores médios das grandezas físicas, como posição, momento linear, momento angular, energia etc. Esse é um ponto crucial no que tange à questão do observador e de seus limites. Tratamentos estatísticos são freqüentes em sistemas físicos com um número enorme de partículas ou em sistemas contínuos como nas áreas da TeoriaCinética dos Gases, da Termodinâmica, da Física Estatística e da Hidrodinâmica.

4 - A NATUREZA NÃO DÁ SALTOS - ESPÍRITO IMORTAL

Uma das expressões que mais ouço no meio espírita é esta: “A Natureza não dá saltos!”

Quem toma contato com o Espiritismo num momento de entusiasmo pode pensar que os espíritas, de um modo geral, e os trabalhadores dos centros espíritas, em particular, são pessoas especiais, diferenciadas, até superiores. Eu mesmo, que engatinho na caminhada evolutiva, às vezes sou chamado de iluminado ou de anjo. Um dia desses me chamaram de anjo de luz. Anjo de luz!

Não há nada de especial na condição de espírita. A não ser a incessante busca do conhecimento. Principalmente o conhecimento de si mesmo. E é inevitável que isso se torne uma prática diária. Caso contrário, não há como levar adiante o projeto de reforma íntima, as tentativas de caridade.

Como transformar um arquivo milenar de erros de toda espécie num programa voltado para o bem do próximo? Como modificar um passado que se perde na memória do tempo, cheio de sentimentos menos nobres e ações indignas em atitudes renovadas e vontade firme e forte de vencer a si mesmo? Só com disciplina e perseverança.

Há dois exemplos citados pelos cristãos em geral de homens que se transformaram numa única reencarnação: O apóstolo Paulo e Santo Agostinho. Paulo é frequentemente citado em sua famosa afirmação: “Já não sou eu quem vive, mas o Cristo que vive em mim”. Paulo, antes de se converter ao cristianismo, era perseguidor dos cristãos. Mas fazia isso acreditando ser o certo. Seguia as leis de sua religião. Paulo era já um espírito elevado, não resta dúvida.

Nós temos inúmeros compromissos e pendengas familiares e sentimentais a resolver. Nos enredamos num monte de ocupações que nos parecem muito importantes. É verdade que a evolução não dá saltos, que não podemos apressar demais nosso progresso; não suportaríamos um estágio mais avançado para o qual não estamos preparados.

Mas não podemos viver de desculpas. E é comum entre espíritas esses argumentos, de que não estamos prontos para grandes passos, que ainda somos crianças espirituais, que precisamos dos prazeres da matéria. Pode ser verdade. Acho que é. Isso não quer dizer que não precisamos nos esforçar, todos os dias de nossas vidas, para sermos pessoas melhores, dignas de recebermos o auxílio e o apoio dos espíritos superiores que se interessam por nós.

Muitos desses que são condescendentes consigo mesmos têm grande bagagem literária, onde são fartos os exemplos de casos de espíritos que reencarnam cheios de planos e bons propósitos e se perdem no meio do caminho, deslumbrados com os prazeres e as ilusões de poder e status terrenos. Parece que a literatura se presta muito bem para a pregação e as discussões filosóficas, mas na prática vêm as desculpas famosas, do tipo “a natureza não dá saltos”…

Antes de reencarnarmos, nos comprometemos com um programa envolvendo inúmeros outros espíritos, encarnados e desencarnados. Não é um planejamento determinista, não existe determinismo. Mas ficamos de fazer a nossa parte, prometemos a nós mesmos e aos nossos orientadores que seguiríamos o caminho reto, sem desvios e tentativas de atalhos.

Passamos por um longo e complexo treinamento. Convivemos, antes de reencarnarmos, com espíritos com quem afinizamos, com amigos queridos de muito tempo. Lá é fácil. Lá estivemos cercados de cuidados e treinamentos rigorosos para desenvolvermos disciplina. Lá passamos no teste com louvor. Lá é teoria, aqui é prática. Tiramos nota dez na prova teórica. Que nota tiraremos na prova prática? Três? Quatro? Com que cara voltaremos, depois do desencarne, para junto dos que nos instruíram, ajudaram, facilitaram nossa vinda para a matéria? É verdade que a natureza não dá saltos, mas não podemos adiar o nosso progresso indefinidamente…

05 - CAIRBAR SCHUTEL

Décima Conferência, 10 DE JANEIRO DE 1937

- OS ETERNOS REACIONÁRIOS

- O PROGRESSO RELIGIOSO

- O ESPIRITISMO E SUA CONCORDÂNCIA COM AS CIÊNCIAS

O mundo vai caminhando a passos lentos, mas firmes, para a Perfeição.

O Progresso é uma lei fatal do Universo. Seres e coisas; ciência, filosofia, arte, religião, tudo evolui. Peletan, admirando na sua época o progresso do mundo, disse: - "le monde marche"; e o nosso poeta Castro Alves, no seu "O Livro e a América" - proclamou esta eterna verdade: "Tudo marcha, ó grande Deus! - As cataratas para a terra, as estrelas para os céus..."

Com efeito, basta lançar olhar perscrutador no livro aberto, que é o mundo, para observar a ação constante dessa Lei da Evolução, a que estão submetidas todas as coisas. E se essa evolução se torna, às vezes, imperceptível à nossa inteligência, é porque ela não se faz aos saltos, opera-se sem lacunas, sem hiatos, pois, como disse o filósofo: "Natura non facit saltus" - a natureza não dá saltos; a sua ação é morosa mas persistente, sem solução de continuidade. E é ainda tara notar que essa Lei, emanada, sem dúvida, da Providência Divina, resiste a todas as reações e enfrenta todos as repúdios em suas sucessivas e crescentes manifestações.

Muito teríamos de dizer a este respeito, se o tempo não fosse tão escasso. Mas todos conhecem a aversão com que as novas idéias e as novas descobertas são recebidas, e como elas se tornam, ao correr do tampo, utilizadas e apregoadas por aqueles mesmos que as haviam rechaçado e perseguido.

Na esfera científica, como na esfera religiosa, inúmeros tem sido os mártires da reação do sectarismo religioso e científico.

Não foi só Galileu, cuja descoberta constitui um princípio de ciência, aceito atualmente por todas as escolas, que foi achincalhado e repudiado. A cicuta dos reacionários não foi tragada unicamente aos Sócrates; a hostilidade inconsciente ou má, tem sido sempre a espada de Democles sobre a cabeça dos inovadores.

Quando as aortas do progresso se abrem para deixar passar mais uma luz, que vem esclarecer a humanidade, as aposições se erguem do seu quietismo e uma tempestade se levanta para dar cabo da idéia, que só consegue vencer, abatendo, pouco a pouco, as barreiras da ignorância.

Quando Jesus Cristo veio ao mundo, não faltaram Césares e sacerdotes, doutores e escribas, que O caluniaram, O perseguiram, O injuriaram e O crucificaram. A sua Doutrina de Amor ao próximo e adoração ao Deus vivo não agradou aos magnatas da sua época, que julgavam que a salvação não podia se dar senão dentro dos seus Templos. Mas os antigos templos caíram, não ficaram, deles, pedra sobre pedra, e a idéia Cristã, embora não tivesse ainda o seu completo triunfo, prossegue na consecução da sua grande Missão de confraternizar os homens sob a Paternidade de Deus.

O Cristo previra mesmo que a humanidade, em peso, não receberia a sua Doutrina senão sob a ação lenta mas persistente do tempo, porém, sabia também que grande número de Espíritos a quem ele denominou ovelhas desgarradas de Israel, acolheriam com boa vontade a sua Palavra, e para que não faltasse a essas "ovelhas" o pábulo da vida, esgotou até às fezes o Cálix da Amargura que lhe foi oferecido pelos reacionários do seu tempo, fazendo ver a estes que a sua palavra não passaria, pois ela representa o som da corneta que em dias propícios reunirá todas as "ovelhas sob a direção suprema de um único Pastor". Fez mais ainda o Cristo Jesus: "Anunciou a todos o prosseguimento da sua tarefa até à realização do seu desideratum, quando disse: - "estarei convosco até a consumação dos séculos". E as suas reaparições sucessivas, depois da morte, não só durante os quarenta dias, mas através dos séculos, que medeiam a nossa época e aquela em que Ele esteve na Terra, como consta dos Livros Sagrados, confirmam magnificamente a estadia entre nós, de tão desejada e distinta Individualidade, que foi constituída por Deus, como Supremo Diretor do nosso planeta.

À primeira vista, em face das lutas religiosas e civis que têm se desenrolado no mundo, e da crise temerosa e avassaladora que atravessamos, parece que foi em vão a vinda de Jesus à Terra, mas se encararmos a necessidade que muitas almas tinham de receber a sua Palavra, e a ação lenta dos grandes ideais para a formação dos espíritos ainda inferiores, ficaremos compreendendo que se a Revelação Messiânica até agora não conseguiu um formal e categórico triunfo, prestou inestimáveis serviços a milhões de almas que escalaram os degraus superiores da escada do Progresso, e criou uma nova mentalidade para os retardatários que sucessivamente vão recebendo as luzes da Grande Doutrina, destinada a estabelecer a Fraternidade humana sob a Paternidade de Deus.

EVOLUÇÃO RELIGIOSA

A estagnação da Idéia Religiosa tem contribuído fortemente para retardar a marcha ascensional da humanidade.

A Religião não é, nem pode ser, em suas linhas particulares, uma cadeia entrelaçada de convenção, de preconceitos. Para que ela tenha caráter permanente, a razão está nos dizendo, precisa ser progressista, revestir as roupagens da evolução, a que estão submetidas todas as coisas e que constitui o Brasão do Universo. Basta percorrer atenciosamente ás páginas da História, para constatar esta verdade inflexível:

"Todo o conhecimento que conquistamos, seja na esfera científica ou na religiosa, não é mais do que uma confirmação da última revelada e um complemento dessa verdade, que vem, a seu turno, servir de base, de contribuição, para as futuras revelações que havemos de receber".

Este axioma se traduz no campo científico, como também no campo religioso. A eletricidade é um complemento da descoberta do vapor, assim como tem por base o automobilismo, a aeronáutica, a telegrafia sem fio, a radiofonia, etc.

Pelo mesmo motivo a Lei de Deus não poderia ser proclamada sem que primeiramente houvesse a Revelarão da Existência do Deus Vivo.

E, isso se constata magnificamente na Bíblia ou seja, na História Sagrada.

Na infância da humanidade, visto os homens não se acharem preparados para melhores ensinos, foi-lhes dado a conhecer unicamente a Existência de Deus.

O Patriarca Abraão recebeu e revelou ao seu povo a Mensagem que lhe fora dada, cujo laconismo se infere por estas palavras: "Existe um único Deus".

Só depois de 2.000 anos da recepção desta Revelação, foi que Moisés subiu ao Monte Sinai e recebeu os dez mandamentos da Lei, que confirmam a Revelação Abraâmica e servem de alicerce, de fundamento para a Revelação Messiânica.

Esta, por sua vez, só baixa à Terra, 2.000 anos depois da Mosaica, e constitui o que nós chamamos Cristianismo, Doutrina de Jesus Cristo.

Mas esta mesma Revelação, embora seja de uma perfeição ideal, não constitui a última palavra em matéria de Religião, segundo afirmou o próprio Cristo, quando disse: "Tenho ainda muito que vos dizer, mas não podeis suportar agora; quando vier, porém, aquele Espírito da Verdade, ele vos guiará a toda a Verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá o que tiver ouvido; e vos anunciará as coisas que estão para vir. Ele me glorificará, porque há de receber da que é meu, e vo-lo há de anunciar."

Este trecho, meus ouvintes, que confirma categoricamente o caráter evolutivo da Religião; bem como a direção de Jesus sobre o movimento religioso. Eu o extraí e transmito ipsis verbis, palavra por palavra, do cap. XVI, v.v. 12-14 do Evangelho de São João, entranhado na Bíblia Sacra, Vulgata.

Chamamos a vossa atenção para estas passagens do cap. XVI, v.v. 12 -14, que são muita significativas e constituem, juntamente com outros trechos do mesmo Evangelho, como por exemplo - cap. XIV, 25 e 26; cap. XV, 26, o ponto de partida, a base fundamental da Nova Revelação, que nós, embora leigos, apresentamos ao mundo, não só como a confirmação da Doutrina de Jesus Cristo, da Revelação Messiânica, mas como o complemento prometido por Jesus, da sua Doutrina.

Demos a essa Revelação a nome de Espiritismo, porque tratando-se de urna manifestação altamente espiritual e significando a Espiritismo - a Ciência da natureza espiritual do homem e suas relações com o Mundo Invisível, o vocábulo sintetiza e resume muito bem o fim do Espiritismo, ou seja, da Nova Revelação.

O escopo do Espiritismo é o mesmo do Cristianismo, ele sanciona as Revelações passadas, mas abrange num elo indestrutível as Revelações futuras

Ele traz erre si a mesma palavra de Ordem e de Fé do Cristianismo; mas destina-se a operar uma completa transformação no mundo, moral e científica; tudo tem que sofrer a sua ação regeneradora. E isto porque o homem é um ser perfectível, e não perfeito, pois, a Verdade absoluta, integral, só Deus a tem. Nós, criaturas imperfeitas e limitadas, só podemos receber a Verdade parceladamente, de acordo com o nosso progresso e nossa evolução espiritual, moral e científica.

CONCORDÂNCIA DO ESPIRITISMO COM A CIÊNCIA

Para me tornar mais explícito, demonstrar-vos que não faço doutrina pessoal, e que o Espiritismo é essencialmente religioso e estritamente científico, pois, não se pode compreender a Religião separada da Ciência nem a Ciência da Religião, eu vos transmito também as conseqüências cientificas do Espiritismo coligidas por um sábio médico francês, diretor do Instituto Internacional de Metapsíquica, com sede em Paris, e que se chamou Dr. Gustave Geley; diz ele:

“-O Espiritismo encontra apoio em todas as ciências e na explicação simples que ele dá sobre fatos obscuros no domínio delas.

“- Com as ciências naturais o acordo é absoluto.

“- Ao transformismo, ele dá a teoria da evolução anímica, conexa á da evolução orgânica. Ainda mais, impõe a aceitação da evolução da alma.

“- Ensinando que a evolução não se faz unicamente sobre a Terra, mas em uma série de mundos, abertos à nossa atividade, o Espiritismo está de acordo com a ASTRONOMIA, que prova a insignificância do nosso planeta no seio do Universo, e a hipótese verossímil da pluralidade dos mundos habitados.

“- Quanto à Física e à Química, a doutrina espírita faz-nos entrever a unidade da matéria e da forca. Permite o descobrimento da matéria radiante, e, por outro lado, a fácil compreensão do Corpo Astral - Espiritual.

“- Na Fisiologia, ele intervém mostrando como se dá a conservarão da individualidade física e intelectual, apesar da renovação perpétua das células.

“- Assim também ele explica o magnetismo, o hipnotismo, o sonambulismo e seus fenômenos.

- Até a Patologia pode utilizar-se das noções do Espiritismo. Na patologia nervosa, por exemplo, certos fatos de possessão, de alucinação, os fenômenos de incubato e sucubato, diversas neuroses, até certos casos de loucura tem interpretação aceitável pelo Espiritismo. A histeria pode ser explicada pelo estudo científico do perispírito. As perturbações extravagantes de sensibilidade e motricidade seriam funcionamento defeituoso para união da alma e do corpo.

“- Os nevropatas inferiores, os histéricos, seriam individualidades unidas a corpos por demais aperfeiçoados para elas; e os nevropatas superiores, ao contrário, possuiriam organismo para eles muito grosseiros.

“-Finalmente, até a Medicina, encontra uma valiosa colaboração no Espiritismo.

- O Monismo, tal qual o concebeu Haekel (e proclamou Lombroso) concorda admiravelmente com o Espiritismo, no qual encontra o seu complemento natural.

A noção da Evolução anímica, unida à noção da Evolução orgânica e ao conhecimento do Espírito, explica tudo, abrange tudo, sintetiza tudo."

Finalmente o Espiritismo está de amplo acordo com as doutrinas de Sócrates e de Platão. Estritamente religioso, essencialmente científico, o Espiritismo é, entretanto, eclético, dá liberdade a todos, e recomenda com S. Paulo, o livre-exame, assim como não foge da crítica sã e severa, porque acha que o direito de crítica é perfeitamente legítimo, mas exige que a crítica seja ponderada, profícua e que se mantenha na elevação e seriedade do assunto, para não degenerar em agressões injustas e incientes que a tanta gente têm prejudicado.

OS REACIONÁRIOS E AS NOVAS DESCOBERTAS

Nenhuma idéia nova, nenhum descobrimento, nenhuma Mensagem divina, que vieram enriquecer os tesouros dos nossos conhecimentos, deixou de sofrer o repúdio e a perseguição do espírito reacionário, preso às idéias preconcebidas. O Espiritismo não podia se livrar dessa lei, que demonstra o absolutismo do Espírito de Sistema revoltando-se contra a inovação, por mais generosa e fecunda que ela seja. Em todos os tempos a hostilidade da ignorância e da má-fé, é companheira indefectível da novidade. Ora é Galvani sofrendo o desprezo alheio; ora é Franklin, que encontrou cerradas as portas das academias com a sua descoberta do pára-raios; ora é Arago, contra o qual se levantou a mesma tempestade; ora é Sócrates condenado a tomar cicuta; ora é o Cristo levado ao madeiro infamante.

Mas a muralha da ignorância não é eterna e surgem os grandes pioneiros que após persistentes esforços e lutas incessantes tornam a idéia vitoriosa, e afinal se consegue ver admitida e consagrada a Verdade nova, primeiramente repudiada.

É assim que tem acontecido com o Espiritismo. Repudiado no seu início, mas examinado inteligentemente, estudado, observado, sem espírito preconcebido, ele se constitui o grande farol que nos conduz ao Porto do Salvamento.

Só o Espiritismo pode nos dizer - quem somos, quem fomos e para onde vamos, - só ele é capaz de manter em nós a integridade do Amor, porque nem o túmulo, nem a morte destroem as nossas afeições, - só ele é capaz de nos guiar e conduzir diante de Jesus Cristo, cuja Doutrina Pura e Palavra de Vida Eterna, tivemos a felicidade de gravar na nossa alma.

Essencialmente científico, extremamente religioso, o Espiritismo nos revelou uma Cosmogonia admirável, digna do Ser Supremo. Envolto de uma filosofia lógica, clara, racional, concisa e criteriosa, ele tem expressões para todas as inteligências, razões para todas as almas. Sua doutrina é tão humilde e tão clara, que até uma criança aprende-a e a pratica.

OUVINTES:

As minhas palestra radiofônicas são dedicados aos materialistas, aos ateus, aos descrentes, aos cépticos e indiferentes, a todos aqueles cujo céu se mostra borrascoso e onde não brilha a estrela da Esperança que nós acena com suas promessas imorredouras. Aos que tem crença firme, impregnada do Amor de Deus e esclarecida pela Imortalidade do Espírito e a Fé em Nosso Senhor Jesus Cristo, são os felizes deste mundo, que aguardam a hora da partida para aquisição das bem-aventuranças eternas.

A crença sincera e inteligente, é a doce emanação da Verdade que vivifica as almas e fortifica os corações, é a luz que ilumina os nossos destinos, e a água da vida que sacia a nossa sede de salvamento.

O Espiritismo deu-me esta crença; eu duvido muito que fora dele possais encontrar a verdadeira Fé, porque eu bati a todas as portas e encontrei todas fechadas para o Mundo Maior. Só o Espiritismo as tinha abertas para os meus parentes, os meus amigos, e os Mensageiros de Jesus, que vieram me dizer: "Ama e estuda - a morte é uma porta aberta para a imortalidade, onde vivemos e onde virás viver conosco; ama e estuda, porque a Lei de Deus é progresso, é sabedoria, é amor".

06 - Tempos de Doutrina - ESPÍRITO.ORG
Vanderlei Nunes Ferreira

Vivemos tempos de comemoração, de festa, de alegria, já se vão 200 anos do nascimento do Codificador, então nada mais justo que este jubilo que a todos nos toma. Entretanto, junto às comemorações, é tempo de reflexão, de exame firme de nossos posicionamentos.

Da proposta apresentada pelos luminares vem inserida em seu bojo a reeducação íntima que todos devemos proceder através da análise constante de nossos atos, sejam os externados ou não. Tempo para esta análise parece ser um dos problemas apontados por aqueles que gravitam na esfera desta Doutrina abençoada, outro seriam as contradições que sobre todos nós sopram seus ventos.

Então, dentro destes parâmetros, é hora de lançar olhar criterioso sobre estes temas. Quando ouvimos de confrades a “justificativa” da falta de tempo, logo imaginamos tal antagonismo com a realidade que nos cerca. Sem querer fazer justiça de valores, em nosso tempo a mídia com variados aspectos, invade nossas vidas com tamanha facilidade, gerando tal conformismo de nossa parte que chega a estarrecer.

Partindo deste conformismo inicial, cria nossa mente uma justificativa aceitável, e, inicialmente lógica. Encontramos então os confrades que, a título de falta de tempo para a dedicação da leitura ou exemplificação exposta pela Doutrina, se dedicam ‘a exaustão da proposta materialista atual. São novelas que se multiplicam e se repetem, são a busca do “conhecimento” extra na Internet, são os programas sociais exigidos por outros, são as “cobranças” dos companheiros de trabalho, são as fugas alienadamente justificadas pelo stress da vida e acrescidas de um sem fim de atividades extras.

Quando optamos por este comportamento diário, nossos compromissos com a causa acabam por afrouxar, ficamos afastados dos compromissos da Casa onde deveríamos estudar e laborar, para mais fortemente atuarmos decididos em nossas vidas em comum, desviamos então nossa atenção do principal e focamos apenas a superficialidade. Achamos então que a cobrança no meio espírita é muito forte, que não temos a atenção desejada, que os confrades estão “radicais” e vamos então fazendo a “social” na casa espírita, e nos encontros regionais, sem valorizarmos a transformação planejada através do trabalho ainda no plano espiritual.

Encontramos assim no Cap.XX do Evangelho Segundo o Espiritismo, mensagem assinada por Erasto quando fala da missão dos espíritas, “...A hora é chegada em que deveis sacrificar ‘a sua propagação os vossos hábitos, os vossos trabalhos, as vossas ocupações fúteis. Ide e pregai...”, o tempo que tanto justificamos está sob nossa administração, e seu uso deve apontar para caminhos onde esteja a seleção de nossos ideais maiores e duradouros, já que asseverou Jesus que o reino oferecido não era deste Mundo.

Tema que também deve ser pensado é quanto as contradições dos trabalhadores da Doutrina, a começar pela falta de fé. Tendo como ponto basilar que a fé deva ser raciocinada, todos propalamos esta verdade, mas quando trata de vivência, tudo fica mais difícil. Temos fé na sobrevivência do Espírito e temos medo de morrer, muitos de “ver” os Espíritos, temos fé na evolução e conseqüente pacificação de nosso planeta mas ficamos incertos diante do quadro atual, temos fé no auxílio dos bons espíritos e praticamente não oramos.

Tais contradições e outras tantas encontram suas justificativas em vivências passadas, que no formatar dos conhecimentos do Espírito imortal necessita vencer passo a passo já que a natureza não dá saltos. Mas isso não deve ser motivo para acomodamento de nossa parte, já que a razão de tal estado está em nós, quando deixamos passar as inúmeras chamadas de trabalho no campo do bem. Não basta apenas conhecer a Doutrina para se estabelecer bem, é necessário “que se colocasse mais interesse, mais fé nas leituras evangélicas; abandona-se esse livro, faz-se dele uma palavra oca, carta fechada; deixa-se esse código admirável no esquecimento; vossos males não provêm senão doe vosso abandono voluntário desse resumo das lei divinas. Lede, pois, essas páginas ardentes do devotamento de Jesus, e meditai-as”, mensagem inserida no Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XIII.

Diante dos desafios a enfrentar, esses apontados acima, devem ser trabalhados por nós e em nós, para agilidade do processo em elaboração. A Nova Era, inserida no Cap.I do Evangelho Segundo o Espiritismo, é indicativo de esperança de nossos esforços, já desenhando um mundo renovado em sua Moral, desde que os componentes deste mundo novo também a contenham.