Adultério
BIBLIOGRAFIA
01- CHÃO DE FLORES - PÁG. 93 02 - DE FRANCISCO DE ASSIS PARA VOCÊ - PÁG. 211
03 - DE JESUS PARA CRIANÇAS - PÁG. 139 04 - DRAMAS DA OBSESSÃO - PÁG. 178
05 - ESTANTE DA VIDA - PÁG. 53 06 - FLORAÇÕES EVANGÉLICAS - PÁG. 10
07 - HÁ DOIS MIL ANOS - PÁG. 32 08 - LAÇOS ETERNOS - PÁG. 129
09 - O ESPÍRITO DA VERDADE - PÁG. 101 10 - O EVANGELHO S. O ESPIRITISMO - CAP. VIII 5
11 - O EXILADO - PÁG. 109 12 - O MATUTO - TODA A OBRA
13 - O SERMÃO DA MONTANHA - PÁG. 77 14 - PEDAÇOS DO COTIDIANO - PÁG. 76-86
15 - REPOSITÓRIO DE SABEDORIA - PÁG. 21

16 - SEXO E EVOLUÇÃO - PÁG. 89

17 - SÍNTESE DE O NOVO TESTAMENTO - PÁG. 61, 121 18 - VIDA E SEXO - PÁG. 81, 85, 93
19 - Temas de hoje,problemas de sempre - pag. 15  

LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.

ADULTÉRIO – COMPILAÇÃO

09 - O ESPÍRITO DA VERDADE - PÁG. 101

A TOMADA ELÉTRICA
Cap. VIII — Item 7
De volta à reencarnação, em breve tempo, sou trazido ao vosso recinto de oração e fraternidade por benfeitores e amigos para que algo vos fale de minha história — amargo escarmento aos levianos do ouvido e aos imprudentes da língua.
Sem ornato verbal de qualquer natureza, em minha confissão dolorosa, passo diretamente ao meu caso triste, à maneira de um louco que retorna ao juízo, depois de haver naufragado na vileza de um pântano.
Há alguns anos, em minha derradeira romagem na Terra, era eu simples comerciário de hábitos simples.
Com pouco mais de trinta anos, desposei Marina, muito mais jovem que eu, e, exaltando a nossa felicidade, construímos nosso paraíso doméstico, numa casa pequena de movimentado bairro do Rio.
Nossa vida modesta era um cântico de ventura, entretecido de esperanças e preces; todavia, porque fosse, de ordinário, desconfiado e inquieto, amava minha esposa com doentia paixão.
Marina era muito moça, quase menina...
Estimava as cores festivas, o cinema, a vida social, a gargalhada franca e, por guardar temperamento infantil, a curto espaço teve o nome enliçado à maledicência que fustiga a felicidade, como a sombra persegue a luz.
Em torno de nós, fez-se o "disse-me-disse".
Se tomávamos um bonde, éramos logo objeto de olhares assustadiços, enquanto se cochichava, lembrando-se-nos o nome...
Se passávamos numa praça, éramos, quase sempre, seguidos de assovios discretos...
Começaram para mim os recados escusos, os telefonemas inesperados, as cartas anônimas e os conselhos de família, reunindo várias acusações.
— "Marina desertara dos compromissos do lar."
— "Marina era ingrata e infiel."
— "Marina respirava numa poça de lama."
— "Marina tornara-se irregular."
Muita vez, minha própria mãe, zelosa de nosso nome, chamava-me a brios, indicando-me providências.
Amigos segredavam-me anedotas irreverentes com sentido indireto.
Lutas enormes do sentimento ditavam-me desesperados conflitos.
Acabou-se em casa a alegria espontânea.
Debalde, a companheira se inocentava, alertando-me o coração; entretanto, densas trevas possuíam-me o raciocínio, induzindo-me a criar assombrosos quadros em torno de faltas inexistentes.
Como se eu fora puro, exigia pureza em minha mulher. Qual se fosse santo, reclamava-lhe santidade.
Deplorável cegueira humana!
Foi assim que, numa tarde inesquecível para o remorso que me vergasta, tilintou o telefone, buscando-me para aviso.
Três horas da tarde...
Anuncia-me alguém ao cérebro atormentado que um estranho se achava em meu aposento íntimo.
Desvairado, tomei de um revólver e busquei minha casa.
Sem barulho, penetrei nossa câmara e, de olhos embaciados no desespero, vi Marina curvada, ao lado de um homem que se curvava igualmente a dois passos de nosso leito.
Não tive dúvida e alvejei-os, agoniado... Vi-lhes o sangue a misturar-se, enquanto me deitavam olhares de imensa angústia, e, porque não pudesse, eu mesmo, resistir a tamanha desdita, estilhacei meu crânio, com bala certa, caindo, logo após, para acordar no túmulo, agarrado a meu corpo, mazelento e fedentinoso, que servia de engorda a vermes famintos.
Em vão, busquei desvencilhar-me do arcabouço de lama, a emparedar-me na sombra.
Gargalhadas irônicas de Espíritos infelizes cercavam -me a prisão.
Descrever minha pena é tarefa impossível no vocabulário dos homens, porque o verbo dos homens não tem bastante força para pintar o inferno que brame dentro da alma.
Por muito tempo, amarguei meu cálice de aflição e pavor, até que mãos amigas me afastaram, por fim, do cárcere de lodo.
Vim, então, a saber que Marina, sem culpa, fora sacrificada em minhas mãos de louco.
Esposa abnegada e inocente que era, simplesmente pedira a um companheiro da vizinhança consertasse, em nosso quarto humilde, a tomada elétrica desajustada, a fim de passar a roupa que me era precisa para o dia seguinte.
Transido de vergonha e enojado de mim, antes de suplicar perdão às minhas pobres vítimas, implorei, humilhado, a prova que me espera...
E é assim que, falando às almas descuidadas que cultivam na Terra o vício da calúnia, venho dizer a todas, na condição de um réu, que para me curar da própria insensatez roguei ao Pai Celeste e me foi concedida a bênção de meio século de doença e martírio, luta e flagelação na dor de um corpo cego.

Júlio

10 - O EVANGELHO S. O ESPIRITISMO - CAP. VIII 5

5. Ouvistes que foi dito aos antigos: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo que todo o que olhar para uma mulher, cobiçando-a, já no seu coração adulterou com ela. (Mateus, V:27-28)
6. A palavra adultério não deve ser aqui entendida no sentido exclusivo de sua acepção própria, mas com sentido mais amplo, Jesus a empregou frequentemente por extensão, para designar o mal, o pecado, e todos os maus pensamentos, como, por exemplo, nesta passagem: "Porque, se nesta geração adúltera e pecadora alguém se envergonhar de mim e de minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai, acompanhado dos santos anjos" (Marcos: VIII:38).

A verdadeira pureza não está apenas nos atos, mas também no pensamento, pois aquele que tem o coração puro nem sequer pensa no mal. Foi issoque Jesus quis dizer, condenando o pecado, mesmo em pensamento, porque ele é um sinal de impureza.

7. Este princípio leva-nos naturalmente a esta questâo: Sofrem-se as consequências de um mau pensamento que não se efetivou? Temos de fazer aqui uma importante distinção. À medida que a alma, comprometida no mau caminho, avança na vida espiritual, vai-se esclarecendo, e pouco a pouco se liberta de suas imperfeições, segundo a maior ou menor boa vontade que emprega, em virtude do seu livre-arbítrio. Todo mau pensamento é, portanto, o resultado da imperfeição da alma. Mas, de acordo com o desejo que tiver de se purificar, até mesmo esse mau pensamento se torna para ela um motivo de progresso, porque o repele com energia.

É o sinal de uma mancha que ela se esforça por apagar. Assim, não cederá à tentação de satisfazer um mau desejo, e após haver resistido, sentir-se-á mais forte e contente com a sua vitória.

Aquela que, pelo contrário, não tomou boas resoluções, ainda busca a ocasião de praticar o mau ato, e se não o fizer, não será por não querer, mas apenas por falta de circunstâncias favoráveis. Ela é, portanto, tão culpada, como se o houvesse praticado.

Em resumo: a pessoa que nem sequer concebe o mau pensamento, já realizou o progresso; aquela que ainda tem esse pensamento, mas o repele, está em vias de realizá-lo; e, por fim, aquela que tem esse pensamento e nele se compraz, ainda está sob toda a força do mal. Numa, o trabalho está feito; nas outras, está por fazer. Deus, que é justo, leva em conta todas essas diferenças, na responsabilidade dos atos e dos pensamentos do homem.

Allan Kardec

15 - REPOSITÓRIO DE SABEDORIA - PÁG. 21

Diante da mulher surpreendida em adultério, o Mestre somente pensou em ajudar, considerando que o deliquente conduz o fardo pesado do crime a torturar-lhe a consciência hoje e mais tarde. (DV, 143)

16 - SEXO E EVOLUÇÃO - PÁG. 89

Adultério e Indulgência: "Aquele dentre vós que estiver sem pecado atire a primeira pedra" - Jesus. (João, 8:7)

O adultério de que iremos tratar, se restringirá ao aspecto da violação da confiança conjugal, da infidelidade matrimonial e da viciação do instinto sexual, tanto por parte do homem como da mulher, abstendo-nos de considerar o aspecto jurídico.

7.1. A mulher adúltera e a lei mosaica: A mulher, em todas as épocas da Humanidade, foi sempre submetida ao poder, à tirania, à deslealdade e à escravização pelo homem. Em caso de adultério, ela sempre ficou com a parte mais difícil e incompreendida de todos. Ao tempo de Jesus, a mulher, quando vista em adultério, era severamente castigada, geralmente com a morte, obedecendo aos princípios rígidos da religião judaica; ao passo que o homem, seu companheiro de comunhão sexual sem responsabilidade, não era culpado,mas, sim, vítima de suas atrações perigosas. A rigidez da lei mosaica com a mulher adúltera era bem a manifestação da dureza de coração das criaturas da época.

7.2 - Conhecimento das próprias fraquezas: Interferindo no processo cruel da praça pública, em defesa da mulher desprotegida e desesperada que lhe solicitara apoio e salvação, Jesus não levantou os braços, não gritou, não usou a força física e nem manipulou um grupo de comandados para usar a violência contra a turba enlouquecida, mas simplesmente enviou uma mensagem de luz, para que as mentes masculinas compreendessem as próprias deficiências e fraquezas morais. Usando somente sua autoridade moral, fez uma indagação amorosa que penetrou profundamente na consciência de cada um, estimulando-os a efetuarem uma auto-análise de sua conduta na qual descobriram falsidades, deserções e negações, compenetrando-se de suas próprias deficiências.

A mulher adúltera naqule momento simbolizava a Humanidade inteira. Jesus nos concitava a pensar em nossas próprias imperfeições, fraquezas e faltas, principalmente quanto à nossa sexualidade. O Espírito Emmanuel nos aclara o raciocínio: "Tantos foram os desvarios dos Espíritos em evolução no Planeta - Espíritos entre os quais muito raro de nós, os companheiros da Terra, não nos achamos incluídos - que decerto Jesus, personalizado na mulher sofredora a família humana, pronunciou a inesquecível sentença, convocando os homens, supostamente puros em matéria de sexualidade, a lançarem sobre a companheira infeliz a primeira pedra." (17,22).

Após os homens se retirarem, um a um, em silêncio, Jesus transmitiu à infeliz criatura uma mensagem de amor, esperança e fé para o seu coração torturado e ela deixou a praça, experimentando uma sensação nova no Espírito.

7.3. - Compaixão para com as criaturas em quedas do sentimento. O apóstolo João, ainda convivendo com as leis inflexíveis do Judaísmo e incapaz de compreender de imediato as palavras do Mestre, perguntou-lhe: "Por que não condenaste a meretriz de vida infame?". Vejamos o que o Mestre respondeu, segundo o Espírito Humberto de Campos: "Jesus fixou no discípulo o olhar calmo e bondoso e redarguiu: - Quais as razões que aduzes em favor dessa condenação? Sabes o motivo por que essa pobre mulher se prostituiu? Terás sofrido alguma vez a dureza das vicissitudes que ela atravessou em sua vida? Ignoras o vulto das necessidades e das tentações que a fizeram sucumbir a meio do caminho. Não sabes quantas vezes tem sido ela objeto do escárnio dos pais, dos filhos e dos irmãos das mulheres mais felizes. Não seria justo agravar-lhe os padecimentos infernais da consciência pesarosa e sem rumo."(31.13)

Para viver e servir com Jesus, é indispensável compreendamos as lutas e dificuldades morais e espirituais do próximo, a fim de não usarmos o estilete da crítica e nem as pedradas da condenação. O Mestre do Amor Maior nos convida a amar, iluminar, servir, educar e salvar almas e não relacionar os defeitos do próximo, os quais, em realidade, são ainda de todos nós, nas experiências da vida humana. Jesus nos fala, através de Humberto de Campos: "A Terra, portanto, pode ser tida como um grande hospital, onde o pecado é a doença de todos; o Evangelho, no entanto, traz ao homem enfermo o remédio eficaz (...)" (31:13)

Quem fixa a atenção nas falhas alheias, para descrevê-las, ainda não está apto para cooperar na grande obra de renovação com Jesus, pela reabilitação do espírito humano.

Walter Barcelos

17 - SÍNTESE DE O NOVO TESTAMENTO - PÁG. 61, 121

Sobre o adultério. Juramento. (Mat. 5:27 a37; Luc. 16:18). "Tendes ouvido o que foi ordenado aos antigos: Não cometerás adultério. Eu, porém, vos digo que quem olhar para uma mulher, cobiçando-a, já no seu coração cometeu adultério com ela. Se teu olho direito te leva ao pecado, arranca-o e atira-o longe de ti, porquanto melhor te é que pereça um dos órgãos do teu corpo do que ser todo este lançado na geena. Se tua mão direita te leva ao pecado, corta-a e lança-a de ti, porquanto melhor te é que se perca um dos membros do teu corpo do que ir todo este para a geena."

"Dito também foi aos antigos: - Quem abandonar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio. Eu, porém, vos digo quem repudiar sua mulher, a não ser por causa de infidelidade, a torna adúltera; e qualquer casar com a repudiada comete adultério.

A mulher adúltera. (Jo, 8:1 a 11). Quanto à Jesus, foi para o monte das Oliveiras; mas, ao romper do dia, voltou ao templo e todo o povo veio ter com ele que, sentando-se, entrou a ensiná-lo. Então os escribas e os fariseus lhe trouxeram uma mulher, que foram apanhada em adultério, e a puseram no meio de toda a gente. E disseram a Jesus: -Mestre, esta mulher acaba de ser apanhada em flagrante adultério. Na Lei ordenou-nos Moisés que apedrejássemos semelhantes mulheres; tu, pois, que dizes? Com essa pergunta queriam experimentá-lo para terem de que o acusar. Jesus, porém, abaixando-se, pôs-se a escrever no chão com o dedo. Como insistissem na pergunta, ele se levantou e lhes disse: "Aquele que dentre vós está sem pecado, seja o primeiro que lhe atire uma pedra". E, tornando a abaixar-se, continuou a escrever no chão. Os que o interrogaram, ao lhe ouvirem a resposta, foram saindo um a a um, a começar pelos mais velhos até aos últimos, ficando só Jesus, e a mulher que estava no meio. Erguendo-se, Jesus lhe perguntou: - Mulher, onde estão eles? ninguém te condenou? - Respondeu ela: - Ninguém, Senhor. Disse Jesus: -"Nem eu tão-pouco te condeno. Vai, e de agora em diante não peques mais".

18 - VIDA E SEXO - PÁG. 81, 85, 93

Amor livre. Pergunta: Qual das duas, a poligamia ou a monogamia, é a mais conforme à lei da Natureza? Resp. -A poligamia é lei humana cuja abolição marca um progresso social. O casamento, segundo as vistas de Deus, tem que se fundar na afeição dos seres que se unem. Na poligamia, não há afeição real: há apenas sensualidade. Ítem 701 de O Livrodos Espíritos.

Comenta-se a possibilidade de legalização das relações sexuais livres, como se fora justo escolher companhias para a satisfação do impulso genésico, qual se apontam iguarias ou vitaminas mais desejáveis numa hospedaria. Relações sexuais, no entanto, envolvem responsabilidade. Homem ou mulher, adquirindo parceira ou parceiro para a conjunção afetiva, não conseguirá, sem dano a si mesmo, tão-somente pensar em si.

Referentemente ao assunto, não se trata exclusivamente da ligação em base do matrimônio legalmente constituído. Se os parceiros da união sexual possuem deveres a observar entre si, à face de preceitos humanos, voluntariamente aceitos, no plano das chamadas ligações extralegais acham-se igualmente submetidos aos princípios das Leis Divinas que regem a Natureza.
Cada Espírito detém consigo o seu íntimo santuário, erguido ao amor, e Espírito algum menoscabará o "lugar sagrado" de outro Espírito, sem lesar a si mesmo.
Conferir pretensa legitimidade às relações sexuais irresponsáveis seria tratar "consciências" qual se fossem "coisas", e se as próprias coisas, na condição de objetos, reclamam respeito, que se dirá do acatamento devido à consciência de cada um?
E' óbvio que ninguém se lembrará, em são juízo, de recomendar escravidão às criaturas claramente abandonadas ou espezinhadas pelos próprios companheiros ou companheiras a que se entregaram, confiantes; isso, no entanto, não autoriza ninguém a estabelecer liberdade indiscriminada para as relações sexuais que resultariam unicamente em licença ou devassidão.
Instituído o ajuste afetivo entre duas pessoas, levanta-se, concomitantemente, entre elas, o impositivo do respeito à fidelidade natural, ante os compromissos abraçados, seja para a formação do lar e da família ou seja para a constituição de obras ou valores do espírito. Desfeitos os votos articulados em dupla, claro que a ruptura corre à conta daquele ou daquela que a empreendeu, com o aceite compulsório das consequências que advenham de semelhante resolução.
Toda sementeira se acompanha de colheita, conforme a espécie. E' razoável nos lembremos disso, porquanto o autor ou autora da defecção havida, ante os princípios de causa e efeito, é considerado violador de almas, assumindo com as vítimas a obrigação de restaurá-las, até o ponto em que as injuriou ou prejudicou, ainda mesmo quando na conceituação incompleta do mundo essas criaturas tenham sido encontradas supostamente já prejudicadas ou injuriadas por alguém.
O diamante no lodo não deixa de ser diamante, sem perder o valor que lhe é próprio, diante da vida.
A criatura em sofrimento não deixa de ser criação de Deus, sem perder a imortalidade que lhe é própria, à frente do Universo.
Que a tentação de retorno aos sistemas poligâmicos pode ocorrer habitualmente com qualquer pessoa, na Terra, é mais que natural — é justo. Em circunstâncias numerosas, o pretérito pode estar vivo nos mecanismos mais profundos de nossas inclinações e tendências. Entretanto, os deveres assumidos, no campo do amor, ante a luz do presente, devem prevalecer, acima de quaisquer anseios inoportunos, de vez que o compromisso cria leis no coração e não se danificarão os sentimentos alheios sem resultados correspondentes na própria vida.

Observem-se, nos capítulos do sexo, os desígnios superiores da Infinita Sabedoria que nos orienta os destinos e, nesse sentido, urge considerar que a Vontade de Deus, na essência, é o dever em sua mais alta expressão traçado para cada um de nós, no tempo chamado "hoje". E se o "hoje" jaz viçado de complicações e problemas, a repontarem do "ontem", depende de nós a harmonia ou desequilíbrio do "amanhã".

Emmanuel

19 - TEMAS DE HOJE, PROBLEMAS DE SEMPRE - RICHARD SIMONETTI

O VELHO TRIÂNGULO

A jovem inconseqüente apaixona-se perdidamente pelo rapaz e percebe que é correspondida. No entanto, ele é casado e, até conhecê-la, sempre vivera relativamente bem com a esposa e três filhos. Cedendo à mútua atração, estabelecem uma ligação extraconjugal. Mas, embora empolgados pelo domínio das sensações, não são felizes. Uma sombra de permanente intranqüilidade, misto de consciência torturada, temores e incertezas os perturba. Quanto à esposa traída, embora desconheça a situação, percebe que o marido se distancia da comunhão afetiva. Suas perplexidades, somadas ao comportamento indisciplinado do chefe da casa, afetam o ambiente do lar, com larga soma de prejuízos para os filhos.

Temos aqui o chamado triângulo amoroso, tantas vezes repetido na Terra, fruto exclusivo das tendências à poligamia que ainda caracterizam o comportamento humano.

Situadas muito mais próximo ela animalidade do que da angelitude; motivadas muito mais pela satisfação do próprio ego que por impulsos de afetividade, as criaturas humanas tendem a ver em representantes do sexo oposto uma oportunidade sempre renovada de auto-afirmação, seja na troca de olhar, o flerte, seja na conversa fortuita, cultuadas as emoções da conquista, seja nas experiências do sexo. Somente uma minoria de Espíritos mais amadurecidos consegue superar o instinto, centralizando-se num relacionamento duradouro, autêntico e sem desvios.

Dizem os psicólogos que há uma espécie de atração química que se pode estabelecer ao primeiro contato entre um homem e uma mulher, independente de estarem ou não vinculados a outro compromisso afetivo. É o que chamam o "toque do sino", o despertar da atração por alguém.

Sob o ponto de vista espírita, diríamos que, ao reencarnarmos, não voltamos a Terra assim como quem deixa a família e parte para experiências em região distante. Normalmente, familiares, amigos e até inimigos nos acompanham, de vez que compomos grupos que caminham juntos na estrada do aprimoramento espiritual. São personagens de um mesmo drama - a Evolução - que trocam de vestes para novos papéis no cenário terrestre.

Velhos parceiros de experiências afetivas, inspiradas nos desvios do sexo, reencontram-se ligados pelos laços da consangüinidade: pai e filho, irmão e irmã, mãe e filho ... A própria natureza do novo relacionamento impõe sublimação, e a paixão, o desejo de posse, são trabalhados no cadinho purificador do lar, para que surja o amor legítimo e puro.

Poderá ocorrer, também, que o reencontro se dê fora do lar, como o de estranhos que se vissem pela primeira vez e instintivamente sentissem mútua atração.

Muitos acabam traindo compromissos matrimoniais e partem para perigosas aventuras. Conhecemos companheiros espíritas que justificam semelhante comportamento, proclamando: "Tenho grande apreço pela esposa e amo profundamente os filhos, mas a outra é minha "alma gêmea". Reencontrei-a e não posso viver sem ela."

Além de desertores, cometem a desfaçatez de distorcerem princípios espíritas para justificarem os seus desatinos.

O Espiritismo é bastante claro ao demonstrar que o reencontro de afeiçoados e desafetos do passado, no lar ou fora dele, não se apresenta jamais como apelo irresistível à inconseqüência e, sim, como oportunidade renovada de buscarmos nossa edificação espiritual, seja perdoando ao inimigo de ontem, seja enxergando um irmão ou uma irmã em representante do sexo oposto por quem sintamos atração, sempre que a vida nos houver situado em outro compromisso afetivo.

Nesta circunstància, impõe-se com veemência a necessidade daquele "orai e vigiai" recomendado por Jesus. Sempre que o homem ou a mulher não resistem ao apelo do passado e partem para ligações extraconjugais, fugindo do dever, forma-se um clima de perturbação que gera sofrimento e desequilíbrio para todas as pessoas envolvidas. Lembrando ainda Jesus, dessa situação os responsáveis não sairão sem "choro e ranger de dentes". Hoje, tecem teias ele sedução e prazer em que se deleitam. Amanhã, entretanto, reconhecerão desolados que apenas embaraçaram o fio do Destino.

LEMBRETE: "Ouviste o que foi dito aos antigos: não adulterarás. Eu, porém, vos digo que todo o que olhar para uma mulher cobiçando-a, já no seu coração cometeu adultério com ela". - (Mateus 5:27-28)

Esta passagem evangélica lembra o drama de uma mulher adúltera, que foi salva por Jesus de um iminente apedrejamento. Ela corria descontrolada pelas ruas de Jerusalém, perseguida por homens fanáticos que desejavam cumprir uma prescrição da lei de Moisés. Ela havia sido apanhada em flagrante adultério, e a lei era sumamnte severa na punição de atos dessa natureza. A lei mosaica prescrevia punião rigorosa para a mulher e o homem adúlteros, muito embora, na grande maioria dos casos, somente a mulher fosse penalizada. Os escribas e fariseus a trouxeram à presença de Jesus e disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi apanhada em flagrante adúlterio. Moisés ordenou que pecados desse gênero sejam punidos com o apedrejamento. Que dizeis vós? (João 8:3-11).

Era uma situação verdadeiramente embaraçosa, pois, se Jesus dissesse: "Podem lapidá-la, estaria negando toda a finalidade de seu advento entre os homens. Por outro lado, se dissesse que ela não deveria ser apedrejada, seria acusado perante as autoridades religiosas de estar contrariando a lei mosaica, o que constituia uma grave heresia.

Em face da indagação por parte dos acusadores, Jesus respondeu: "Aquele que se julgar sem pecados, atire a primeira pedra." Esta sentença esfriou o ânimo dos acusadores, que abandonaram o local, e a decisão final do Mestre foi uma recomendação à mulher: "Nem eu te acuso, vai e não peques mais" (ESE, cap. X, ítens 12 e 13). Jesus despediu a mulher sem condená-la, embora soubesse das imperfeições que dominavam os corações daqueles homens; prova disso está na atitude por eles demonstrada, quando o Mestre deu a sua resposta; sentindo seus corações cheios de sentimentos negativos, jogaram fora as pedras que estavam em suas mãos e se retiraram.

Eles eram adúlteros porque alimentavam o ódio, o rancor, a vingança e o falso zelo religioso; preocupavam-se muito em cumprir uma lei de caráter transitório, implantada por Moisés, mas deixavam de lado a prática das leis eternas e imutáveis, contidas no Decálogo. Deste modo, o adúlterio, nos moldes como foi exposto por Jesus Cristo, não deve ser compreendido apenas no sentido restrito da palavra ou da forma como é entendida pelos homens. Deve ser encarado com um sentido mais amplo, pois a verdadeira pureza não está apenas nos atos, mas também no pensamento, porque aquele que tem o coração livre de sentimentos escusos, nem sequer pensa no mal.

ADÚLTEROS, portanto, são todos aqueles que se entregam aos maus pensamentos em relação ao seu semelhante, não importando se conseguiram ou não realizá-los. O homem evangelizado, que jamais concebe maus pensamentos em seu íntimo, já conquistou uma posição moral mais elevada; aquele que ainda não consegue libertar-se de tais pensamentos, mas consegue repelí-los, está a caminho de alcançar uma elevação espiritual. Mas, todo aquele que se compraz em pensamentos inferiores, alimentando-os em seu coração, ainda está sob jugo de influências negativas, e são adúlteros na também acepção da palavra.

Quando Jesus asseverou que quem olhar para uma mulher, alimentando um mau pensamento em relação a ela, já cometeu adultério (ESE, cap. VIII, ítem 5), referia-se naturalmente, àqueles que se enquadram na última categoria: são todos aqueles que se comprazem com os pensamentos inferiores que aninharam em seus corações; e se não chegaram a concretizar seus propósitos, é porque certamente ainda não se lhes deparou a oportunidade desejada.

Edivaldo